Por Bruno Ernesto
Não sei se você percebeu, mas o velho hábito de personalizar nosso lar e resgatar a memória dos nossos ancestrais, vem perdendo a força de forma silenciosa e cada vez mais rápido.
É como se o último elo de familiaridade, aquele sentimento de pertencimento a um lugar ou ter uma conversa sem cerimônia, estivessem saindo de cena. O apagar das luzes.
Certo que algumas crenças e superstições ainda são levadas muito a sério, como, por exemplo, aquela de que se manter fotografias de parentes defuntos na mesa de cabeceira é um convite para fazer companhia no além mundo.
Não sei. Mas se acreditam, talvez já tenha acontecido.
O traço comum, o trejeito, os cabelos, o olhar e a expressão é fácil indicador que pode nos levar àquela que foi, talvez, a última conversa parental.
Você se olha no espelho e, de repente, parece um tio-avô.
Recebe a ligação de um primo e percebe que ele agora fala igual a um tio.
Porém, uma simples fotografia tem a capacidade de resgatar tudo isso de volta numa fração de segundo.
Experimente olhar para uma foto de um momento que jaz esquecido na memória.
Nem sempre a lembrança pode ser das melhores. Vem os conselhos, vem as observações e nem sempre o que se fala, e quem lhe fala são os melhores. Ainda que parentes. Embora não seja regra.
Como diz o velho ditado: sempre escute duas vezes. Primeiro o que lhe dizem. Depois, quem lhe diz.
Bruno Ernesto é escritor, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM e curador do portal cultural marsertao.com @ihgmossoro @marsertaoblog
























Faça um Comentário