Contatos importantes foram desencadeados.
Montagem de equipe de transição, secretariado e formação da mesa diretora da Assembleia Legislativa estão na pauta.
Jornalismo com Opinião
Contatos importantes foram desencadeados.
Montagem de equipe de transição, secretariado e formação da mesa diretora da Assembleia Legislativa estão na pauta.
É uma história de afeto. Emocional, emocionada.
Leia-o abaixo:
– Bença, mãe!!!
– Deus te abençoe, meu filho. Mas essa já é a terceira vez que você me pede a benção, meu filho.
E eu, sorrindo, dizia: "Eu gosto mãe, quando a senhora me abençoa."
Isso repetia-se todas as vezes quando eu ia à sua casa ou ela vinha à minha.
Quando adoeci e fiquei seis anos de cama por conta de um erro médico, era ela quem me visitava. Tinha 88 anos.
Lúcida, costurava a própria roupa. Enfiava a linha na agulha sem precisar de óculos.
Ao chegar lá em casa no Conjunto Vingt Rosado, perguntava logo por Givanildo Silva (radialista-jornalista da Rádio RPC), meu vizinho. Comentava as coisas que ouvia no rádio.
Hoje sinto sua falta, seu cheirinho de talco, seu carinho.
Como era bom quando eu a encontrava:
– Bença, mãe!
Itamar de Sousa – Webleitor
Nota do Blog – Itamar, seu relato coloquial é uma viagem de viva emoção.
Sua mãe renasce em você. Agora, em mim, mesmo não a conhecendo.
Um abraço.
P. S – Despois escreva na caixa dessa postagem, área de comentário, informando o nome dessa mãe de carinho, com "cheirinho de talco", como descrito por você.
Provérbio chinês
Tudo ficou vazio. Fez um vácuo.
Dona Mariinha, quase pele e osso, estava ali em minha frente.
"Morreu!" A palavra e a imagem, juntas, com a força de uma comunhão perfeita entre fato e verbo, tiravam o fôlego, inundavam meus olhos.
O menino mirrado, de olhar vivo – às vezes melancólico -, cabelo escuro e escorrido, passaria a entender parte do grande mistério da vida: o morrer.
O corpo inerte na sala de casa, socado num caixão, seria a despedida. Ambiente soturno e sufocante. Gente que entra e sai. Rostos encrespados.
O choro aumentava a agonia nas entranhas de cada cômodo.
A morte batera à nossa porta. Eu me sentia sepultado vivo.O pulmão asmático, que durante anos não conseguia sanfonar o oxigênio, a contento, finalmente se rendera. O coração perdia sua última batalha.
Mas nem por isso a morte fazia sentido para mim.
– Por que ela tinha que ir?
Sentado num canto de parede, comprimindo as pernas dobradas e entrelaçando-as com os braços, parecia disposto a reter a dor com minha parca força muscular. Joelhos banhados em lágrimas, cabeça inclinada sobre eles, eu queria entender:
– Por que ela tinha que ir?
Meu porto seguro e suprema proteção em todos os excessos, como garoto, partia pro "descanso", afirmavam uns circunstantes. E eu? Como seriam meus dias e anos dali pra frente?
Ficou não apenas a perda da "vó", chamada de "mãe". Ficou a frase nunca dita, nem repetida. Faltou minha redenção: "Eu te amo!"
Uma foto amarelada e desfocada, contida num antigo documento de identidade, foi a herança que me coube de seu espólio. O bem que virou amuleto, companhia diária escondida em minha carteira de cédulas.
Mais do que isso ficou a lição: jurei nunca mais deixar que ninguém que eu amasse, de verdade, partisse sem ouvir a frase nunca dita nem repetida: "Eu te amo!"
Meu medo sempre foi não dizer "te amo", a meus velhos, olhando em seus olhos. A maturidade e o tempo me deram oportunidade para repetir e acrescentar: "Obrigado!"
Minhas perdas são presenças diárias. Não saem de mim. Meu sacrário é a memória; os sentidos os têm por perto e as lembranças não os tiram de mim…
Assim tem sido. Que assim seja.
Vai acontecer às 15h, na sede do colegiado (Secretaria da Cidadania).
A reunião terá como pauta a discussão do projeto de Lei de Responsabilidade Educacional que a prefeitura pretende implementar na cidade.
A participação dos trabalhadores é de grande importância em virtude de a prefeitura ter tratado o projeto às escondidas sem discussão com a sociedade.
Até mesmo o CME se omitiu, e somente realizará a reunião desta quarta-feira por pressão do Sindiserpum.
Em relação a um de seus mais importantes quadros, a ex-governadora Wilma de Faria (PSB), a performance pode significar uma novidade muito positiva.
O emplacamento causa filas.
É uma frota crescente, que empanzina ruas e avenidas, sem o devido planejamento viário, apenas sendo tangida pela "indústria da multa".
Não existe uma pesquisa sequer sobre esse fenômeno e saídas para atenuarmos o impacto desse contingente de veículos na área urbana de Mossoró.
Além dos veículos registrados no município, milhares de outros diariamente também ocupam espaços, migrando da região e originários de outros estados.
Inexiste um projeto que enxergue o todo, seja sistêmico. Abre-se uma rua aqui e ali, faz-se uma praça, sinalizam as artérias, pintam meio-fio e canteiros.
E daí?
E daí que a "Metrópole do Futuro" está sendo engolida pela incapacidade gerencial de seus agentes políticos, apenas preocupados com a politicalha e o trato de ações convencionais.
Mossoró paga um preço alto por ser regida pela incompetência e estupidezes.
Pierre Marivaux
Dilma Rousseff (PT), presidente, fez um discurso de conciliação nacional, reiterou compromissos de campanha e apontou seu governo à redução das desigualdades sociais e por um Brasil de oportunidades.
Em essência, o Brasil é que ganha. Nem Dilma nem Serra. O Brasil.
Apesar de algumas distorções do debate ou até ausência de debates em alguns momentos da campanha, importante é termos cumprido mais uma etapa da árdua tarefa da construção de um Estado Democrático de Direito, de uma República Federativa, de uma nação miscigenada e emergente.
Hora de ensarilharmos as armas. A campanha terminou.
Retomemos nossa rotina de vida, mas adotemos a participação política como hábito, como dever cívico, símbolo de crescimento como indivíduos e sociedade.
Viva o povo brasileiro!
O PSDB foi o partido que mais elegeu governadores. Foram quatro em primeiro turno e mais quatro na votação de hoje (31). O partido também vai comandar os dois maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, com cerca de 30 milhões de eleitores, e Minas Gerais, com 14,5 milhões.
Os tucanos governarão ainda os estados do Paraná, de Goiás, do Tocantins, do Pará, de Roraima e de Alagoas, que somam 19,6 milhões de eleitores. A oposição nos estados fica completa com o DEM que ganhou os governos de Santa Catarina e do Rio Grande do Norte, que somam 6,7 milhões de eleitores.
Em contrapartida, Dilma contará com o apoio de 16 governadores de partidos da base aliada. Esses estados somam cerca de 62 milhões de eleitores. O PT comandará cinco estados, entre eles a Bahia, que é o quarto maior colégio eleitoral com 9,5 milhões. O partido da presidente eleita ainda comandará o Rio Grande do Sul, Sergipe, o Acre e o Distrito Federal, que juntos reúnem 11,8 milhões de eleitores.
O PMDB, que tem a Vice-Presidência da República com Michel Temer, além de governar o terceiro maior colégio eleitoral do país – Rio de Janeiro, com 11,5 milhões de eleitores – vai administrar também mais quatro estados: Mato Grosso do Sul, Maranhão, Mato Grosso e Rondônia. Esses estados somam mais 9,1 de eleitores.
SurpresaA maior surpresa destas eleições foi o PSB. O partido estará à frente de seis estados, praticamente empatado com o PMDB no número de eleitores que comandará – 20 milhões. Serão governados pelo PSB os estados de Pernambuco, do Ceará, Piauí, da Paraíba, do Espírito Santo e Amapá. Os dois maiores, Ceará e Pernambuco, somam 12,1 milhões de eleitores. O Amazonas, com 2 milhões de eleitores, será comandado pelo PMN, partido que mantém independência em relação ao governo federal.
Dilma Rousseff terá também uma forte base aliada no Congresso Nacional. Na Câmara, são 387 deputados que prometem apoio ao novo governo, contra 108 parlamentares de partidos de oposição. Existem ainda 18 deputados – 15 do Partido Verde (PV) e 3 do P-SOL – que adotam postura independente.
No Senado, Dilma governará com uma maioria mais tranquila que a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dos 81 senadores, 61 integram partidos da coligação que ganhou a eleição. A oposição, ficará com 20 senadores.
Os partidos que elegeram bancadas expressivas no Congresso, como o PP, com 4 senadores e 41 deputados; o PR, com 3 senadores e 41 deputados; e o PDT, com 2 senadores e 28 deputados não conseguiram eleger nenhum governador.
Da Agência Brasil.
Veja o quadro de eleitos aos governos estaduais clicando AQUI.
O candidato do PSDB, José Serra, ganhou em 19 municípios.
No 1º turno, Serra só havia vencido em 7 municípios.
O candidato tucano saiu vitorioso em Natal, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Barcelona, Boa Saúde, Brejinho, Caiçara do Rio do Vento, Espírito Santo, Galinhos, Goianinha, Jaçanã, Monte Alegre, Passa e Fica, Rio do Fogo, Ruy Barbosa, São Bento do Trairi, Senador Georgino Avelino, Serra de São Bento e Vera Cruz.
Veja abaixo os números finais no RN:Votos válidos – 99.448.782 (73,24%)
Votos brancos – 2.452.468 (1,81%)
Votos nulos – 4.688.475 (3,45%)
Abstenção – 29.187.525 (21,50%).
Do Blog de Oliveira Wanderley.
Nota do Blog – Dilma perdeu em Natal . A fase da prefeita Micarla de Sousa (PV) é realmente sofrível. Mudou para apoiar Dilma, Serra venceu.
Em Mossoró, nem mesmo o prestígio e influência da governadora eleita Rosalba Ciarlini (DEM) levou Serra à vitória.
Dilma Roussef (PT) – 54.856 votos (46,5%)
José Serra (PSDB) – 32.745 votos (27,75%)
Marina Silva (PV) – 29.340 votos (24,87%)
Segundo Turno
Dilma Rousseff (PT) – 73.046 votos (61%)
José Serra (PSDB) – 46.701 votos (39%)
Vou ali votar novamente.
Depois do primeiro turno, dia 3 de outubro, chegou a vez deste 31 de outubro de 2010. Nada de voto em branco ou nulo.
Opção feita, é digitar números na urna eletrônica.
Adiante teremos mais postagens sobre política e outros temas, para arejar esse domingão cívico.
Até lá.
As mãos de Maria Antonieta, ao receber o beijo de Mirabeau,
salvou o trono da França e apagou a auréola do famoso revolucionário;
Múcio Cévola queimou a mão que, por engano não matou Porcena;
foi com as mãos que Jesus amparou Madalena;
Com as mãos David agitou a funda que matou Golias;
As mãos dos Césares romanos decidia a sorte dos gladiadores vencidos na arena;
Pilatos lavou as mãos para limpar a consciência;
Os anti-semitas marcavam a porta dos judeus com as mãos vermelhas como signo de morte!
Foi com as mãos que Judas pos ao pescoço o laço que os outros Judas não encontram.
A mão serve para o herói empunhar a espada e o carrasco, a corda;
O operário construir e o burguês destruir;
O bom amparar e o justo punir;
O amante acariciar e o ladrão roubar;
O honesto trabalhar e o viciado jogar.
Com as mãos atira-se um beijo ou uma pedra, uma flor ou uma granada, uma esmola ou uma bomba!
Com as mãos o agricultor semeia e o anarquista incendeia!
As mãos fazem os salva-vidas e os canhões;
Os remédios e os venenos;
Os bálsamos e os instrumentos de tortura, a arma que fere e o bisturi que salva.
Com as mãos tapamos os olhos para não ver, e com elas protegemos a vista para ver melhor.
Os olhos dos cegos são as mãos. As mãos na agulheta do submarino levam o homem para o fundo como os peixes;
No volante da aeronave atiram-nos para as alturas como os pássaros.
O autor do Homo Rebus lembra que a mão foi o primeiro prato para o alimento e o primeiro copo para a bebida;
A primeira almofada para repousar a cabeça, a primeira arma e a primeira linguagem.
Esfregando dois ramos, conseguiram-se as chamas.
A mão aberta, acariciando, mostra a bondade;
Fechada e levantada mostra a força e o poder;
Empunha a espada a pena e a cruz! Modela os mármores e os bronzes;
Da cor às telas e concretiza os sonhos do pensamento e da fantasia nas formas eternas da beleza.
Humilde e poderosa no trabalho, cria a riqueza;
Doce e piedosa nos afetos medica as chagas, conforta os aflitos e protege os fracos.
O aperto de duas mãos pode ser a mais sincera confissão de amor, o melhor pacto de amizade ou um juramento de felicidade.
O noivo para casar-se pede a mão de sua amada;
Jesus abençoava com as mãos;
As mães protegem os filhos cobrindo-lhes com as mãos as cabeças inocentes.
Nas despedidas, a gente parte, mas a mão fica, ainda por muito tempo agitando o lenço no ar.
Com as mãos limpamos as nossas lágrimas e as lágrimas alheias.
E nos dois extremos da vida, quando abrimos os olhos para o mundo e quando os fechamos para sempre ainda as mãos prevalecem.
Quando nascemos, para nos levar a carícia do primeiro beijo, são as mãos maternas que nos seguram o corpo pequenino.
E no fim da vida, quando os olhos fecham e o coração pára, o corpo gela e os sentidos desaparecem, são as mãos, ainda brancas de cera que continuam na morte as funções da vida. E as mãos dos amigos nos conduzem… E as mãos dos coveiros nos enterram!
Giuseppe Ghiaroni – (1919-2008) – Poeta, jornalista e cronista, mineiro de Parnaíba do Sul, ele morreu em 2008, aos 89 anos, com importante atuação com trabalhos para o rádio, teatro e imprensa escrita.
* O texto faz parte da peça “O vendedor de ilusões” de Oduvaldo Viana, escrito para Procópio Ferreira.
Dentro das atividades do Ciclo de Formação do Programa Conexões de Saberes, a Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) estará promovendo no próximo dia 17 de novembro, a palestra "Universidade e Africanidade", com o Professor-doutor Moisés de Melo Santana, da Universidade Federal Rural de Pernambuco. A palestra é a primeira ação do Núcleo de Estudo Afro-Brasileiros (NEAB), da UFERSA. A palestra, que integra as comemorações pela passagem do "Dia da Consciência Negra", 20 de novembro, será realizada a partir das 16h, no Auditório do CTARN, no Campus Leste da UFERSA Mossoró, sendo aberta para toda a comunidade acadêmica e demais pessoas interessadas no assunto.
Alunos do curso de Direito da Universidade Potiguar (UnP), turma "A", organizam e vão promover a Primeira Jornada Multidisciplinar do Direito no Teatro Municipal Dix-huit Rosado, no dia 19 de novembro. Entre os painelistas, o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Emmanoel Pereira; desembargador João Batista Rebouças; procurador federal Raimundo Márcio Ribeiro Lima, da Advocacia Geral da União (AGU) e outros nomes. Inscrições e mais informações por estes números: (84) 3314-3458/9614-9739/8851-57501.
Os parabéns do Blog ao ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM), ao ex-candidato a deputado estadual Gutemberg Dias (PCdoB) e ao gerente regional do Hotel Thermas, Washington Souza. Aniversariam hoje. Saúde e paz, os nossos desejos.
O Grupo de Apoio à Vida, mantenedor do Programa de Valorização da Vida (PVV-Natal) vai realizar Chá Beneficente no próximo domingo (7), a partir das 16h, no Harmonia Recepções (por trás do Salinas, Candelária), Rua André Fernandes, 01. Objetiva arrecadar fundos para ações dessa entidade. Mais informações: (84) 3221-4111/8809-8253.
A FM 95 de Mossoró promoverá mais uma estreia em sua grade de programação. A partir dessa segunda (1º) apresentará o "Forró do Juvenal" a partir das 16h, diariamente, de segunda a sexta, conduzido por Edmar Filho.
Samuel Nário Júnior e Costa Filho vão estrear na próxima quarta (3), a partir das 18h, o programa "Ponto de Vista", na Rádio FM 89 – Verde Vale (Assu). Terá edições diárias de 18 às 19h, de segunda a sexta. Sucesso e parabéns pela iniciativa.
Obrigado a leitura deste Blog a Genildo Oliveira, do bairro Belo Horizonte (Mossoró), repórter fotográfico Carlos Costa (Mossoró) e radialista Gilson Cardoso-FM93 Mossoró)
Minha saudação especial, hoje, para dona Nicácia Lopes da Silveira, 87, viúva do empresário Lúcio Silveira. Num dia como hoje, de eleição, ela faz questão de votar, mesmo não sendo obrigada. Dá um exemplo de cidadania, amor ao seu país e entusiasmo que nos contagia.
Para que o menino
Morta de fadiga,
E o menino dorme.
Manuel Bandeira (1884-1968)
A ex-secretária Domingas Gonçalves Trindade, 40 anos, foi ouvida na Divisão de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (DECAP), da Polícia Civil do Distrito Federal, sobre as acusações que faz contra o ex-governador Joaquim Roriz; o presidente do PSC-DF, Valério Neves; os senadores Sérgio Guerra (PSDB-PE) e José Agripino Maia (DEM-RN); o empresário Eduardo Badra; e o ex-diretor da Belacap (estatal responsável pelo serviço de ajardinamento e limpeza urbana do DF), Luís Flores.
Todos são acusados de se servirem de um esquema de desvio de dinheiro envolvendo a Qualix, empresa que faz o recolhimento do lixo no DF.
O depoimento foi acompanhado da apresentação de uma série de provas documentais. Domingas denunciou um esquema que, até então, não tinha o respaldo de tantos elementos.
Ela acusa Roriz, Valério, Agripino e Guerra de receberem propina proveniente de contratos firmados entre o GDF e a Qualix.
O Jornal de Brasília obteve um vídeo (cujos trechos estão ao lado) no qual Domingas faz as mesmas acusações que confirmou à polícia e apresenta as mesmas provas documentais.
Veja matéria na íntegra AQUI.
Clarice Lispector
Um dia, um adeus é um de seus clássicos.
(…) Só você pra dar
A minha vida direção
O tom, a cor
Me fez voltar a ver a luz
Estrela no deserto a me guiar
Farol no mar, da incerteza…
Claro que Guilherme conseguiu seu intento. E nós ganhamos essa beleza de canção.
Para você ter uma semana no tom e na cor, da felicidade, aproveite esse presente da série "Letra e Música".
Em verdade, Letícia era filha de um irmão de Chico Duarte, ou Chico Lequeter, comerciante de secos e molhados na rua da Frente, viúvo e com muitos filhos que, em 1920, casou-se, em segundas núpcias, com Chiquinha Duarte.
"Madrinha Chiquinha", como era tratada por todos nós, cearense do Ererê, mas recém-chegada do Rio de Janeiro, além de outros predicados, aprendeu, nesse período que viveu na Cidade Maravilhosa, a guiar carros. Arrimado nisso, o velho comprou um “Ford de Bigode”.
Portanto, a primeira mulher a dirigir automóveis em Mossoró foi a mãe de Irmã Aparecida. Inclusive, a própria Irmã Aparecida contou-me que, certa vez – a família já morando na fazenda Barrinha dos Duarte –, estavam a caminho de Mossoró, quando o carro apresentou um problema: pneu furado.
Madrinha Chiquinha foi quem tomou as providências para a mudança do pneu, enquanto ela e seu pai, que já apresentava idade avançada, assistiam às providências sob uma árvore frondosa.
Madrinha Chiquinha executava o serviço reclamando que o carro estava ficando velho, quando ouviu do velho Chico que, logo, logo, compraria um carro novo e tudo estaria resolvido. Madrinha Chiquinha aproveita o diálogo e adverte: “Mas, no carro novo, não vamos carregar couros fedorentos, não é mesmo?”
Fazia referência ao cacoete do velho em transportar produtos de seu curtume no carro de passeio. Ele não se altera e devolve com mestria: “Nem galinhas!”; pois Chico Lequeter guardava na “manga” o trunfo do fato de Madrinha Chiquinha sempre levar uma galinha de presente para alguém em Mossoró.
Riram juntos, recordou Irmã Aparecida.
Além da alegre e saudável infância na Barrinha, lembro de Irmã Aparecida comentando sua juventude no Colégio das Freiras e dando especial ênfase ao momento decisivo de sua opção pela vida religiosa. Filha única, teve o apoio incondicional dos pais, porém, seguido de incontrolável e saudoso pranto que a fez temer pela saúde deles, principalmente do pai que, à época, já era um senhor na faixa de setenta anos.
Sempre ressalvava a participação e apoio decisivos do irmão e médico, Duarte Filho – depois, senador da República -, para que sua ida ao convento fosse a menos traumática possível aos pais.
Após longo período de formação em Salvador, aconteceu seu retorno para Mossoró. E, na terra de Santa Luzia, fincou bandeira e fez história, resultado de anos e mais anos na labuta diária do Colégio.
Nas últimas seis décadas, na comunidade mossoroense, não se pode falar no binômio religião-educação sem que o nome de Irmã Aparecida venha à baila. E a citação normalmente se faz em relação à sua postura austera, até mesmo inflexível ao bom comportamento e às boas práticas escolares.
Foi assim desde que abraçou a vida religiosa e educacional e, de forma retilínea, trilhou o seu caminho.
No recém-lançado livro "Massilon – Nas veredas do cangaço e outros temas afins "(Sarau das Letras, 2010), Honório de Medeiros, a certa altura, retrata uma visita que fez a Irmã Aparecida:
“É dezembro de 2006. Irmã Aparecida nos recebe, a mim e a Carlos Duarte, em seu gabinete no Colégio Sagrado Coração de Maria – o Colégio das Freiras, onde estudavam as filhas das elites de Mossoró, geração após geração. Tem o mesmo tipo físico de Dona Bernadete e Dona Iracema. Nela, entretanto, o hábito de comandar deixa-se perceber através das frases pontuadas de forma mais incisiva, como a evitar contestações. Irmã Aparecida, apesar da idade, ainda comanda o Colégio. Nada leva a crer, observando-se sua agilidade física e mental, que a aposentadoria esteja próxima.”
Não faz muito tempo e Irmã Aparecida apresentava agilidade e disposição que, pela idade, espantava. No entanto, nos últimos meses, seu frágil corpo não resistiu à doença.
Partiu deixando um legado de retidão de caráter inquestionável.
No chamado mundo moderno, onde se tocam fanfarras por coisas tão fúteis, a herança imaterial de Irmã Aparecida merece destaque; afinal de contas é plausível que o exemplo pessoal, na vida religiosa e na alçada educacional, ensina mais que elaborados discursos.
Assim viveu Irmã Aparecida: “Guardou a fé e combateu o bom combate”.
David de Medeiros Leite é professor da Uern, advogado e escritor
Vi seu registro da nossa viagem. Obrigado. Estamos cá pela velha Europa,
onde as diferenças entre nós e eles aparecem cada vez mais sutilmente.Há uma tendência de nivelamento, a longo, longo prazo, eu diria, que se pode perceber a partir da onipresença da “worldmidia” – queira desculpar meu neologismo.
Eles descem, nós subimos. É a vida…
Primeiro é bom registrar que atualmente a Europa é dos brasileiros!
Eles estão em todos os lugares. Do metrô aos cafés, é impossível não ouvirmos, momento-a-momento, a língua-mãe. E, hoje, até mesmo os enfatuados garçons europeus já arriscam uma ou outra palavra em “brasileiro” – algo, antes, impossível de encontrar.Nossa porta de entrada foi Lisboa. Tínhamos que ir, e fomos, à Torre de
Belém – magnífica! – beijando o Tejo, a guardar Portugal e nos dar uma pálida idéia de suas glórias passadas.Como contraponto aos tempos de antanho, o motorista de táxi, este sempre um Mercedes da década de noventa, me disse, sombrio, quando nos conduzia ao hotel: “este é um mundo cão”.
A frase não veio solta no tempo e espaço. Estávamos a falar acerca
das greves francesas.Baixo, magro, sotaque carregado, beirando os setenta, maus dentes, típico representante da melancolia portuguesa, explica: “estão acabando conosco”. “Minha aposentadoria anual de paraquedista – eu lutei em duas guerras, na linha de frente – eram cento e trinta euros anuais. Cortaram trinta.”
– Quais guerras o senhor lutou?, pergunto.
“Sim, claro, na linha de
frente”, insiste, “sessenta e um, Angola; 63, Guiné-Bissau.”“Ferimentos?”, pergunto, receoso de alguma resposta brusca.
“Somente na alma; e os carrego junto com algumas medalhas com as quais meus netos brincam. Não servem para nada”
– O que lhe doeu, na guerra? Ele olha de relance para mim, e parece
não se dar conta de que os outros são testemunhas atentas da conversa. “Ver, em Angola, um compatriota de chicote na mão a vigiar negros trabalhadores”.– Por que isso?, perguntei-lhe.
“Se não eles não trabalham”, me respondeu. "Compreendi, ali, que aquela não era uma guerra pela qual lutasse um homem.”
Agora é noite e já estamos no Bairro Alto, onde tudo é Fado, as ruas são
estreitas, e há um clima de boemia no ar frio.Peixe – este é seu nome,
o “maïtre d’honeur”, desliza pelas mesas apertadas com a elegância de uma antiga modelo a matar saudades da passarela. É o próprio espírito da Casa que nos acolhe.Serve-nos um vinho jovem do qual não nos arrependemos. Explica-nos as apresentações dos cantores de Fado. E nos confidencia: “são todos grandes divas”.
É verdade, percebo logo a seguir. Todos têm dois nomes. Nada daquela
intimidade fácil do Brasil; nada de Chico, Caetano ou Roberto.Ali, desde a ainda jovem, para os padrões do Fado, a bela Ana Marta, até a crepuscular Lenita Gentil – a “grande dama” e principal atração da noite, variam os estilos: do contido, elegante, de Antônio Rocha, ao exuberante, popular, de Anita Guerreiro, mas, todos, expressões máximas de uma arte que eles manejam com rara habilidade e distanciamento, e que tento explicar aos meus companheiros, lhes dizendo que tudo isso expressa uma verdade implícita, a de que se nós não gostarmos do fado, a culpa é nossa; portanto, entendamos: ali se canta a alma de um povo, não canções quaisquer.
Nada representa tanto esse “espírito das coisas” quanto aquela a quem eu
alcunhei de “a velha dama”: imperial, majestosa, de perfil forte, no qual despontava um queixo autoritário, toda de negro, ela cantava para si e para suas lembranças enquanto cantava para nós, a dominar o pequeno espaço no qual revoluteava entre ondas de um forte perfume de toalete e esgrimia seu xale com rara maestria.O acompanhamento, feito pela viola de sete cordas tocada como se fosse violão, e a guitarra portuguesa, era soberbo. No final, uma homenagem aos brasileiros: “Ai, Mouraria”, um pedido
meu, seguido de um fado de Vinicius de Moraes, e a presença da “grande dama” na nossa mesa, a aceitar, condescendente, nossas homenagens, enquanto sobre nós espargia um olhar esverdeado e uma voz rouca enfeitiçante. Honório de Medeiros é escritor, professor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Estado do RN
– Carlos, como se situar entre os dois grupos que dominam a cena política do Rio Grande do Norte?
Mão sobre meu ombro, olhar fixo em mim, ele usou uma metáfora para ser claro:
– Carlinhos, capivara fora do bando é comida de onça!
Carlos Alberto afirmava, em frase cifrada, que não se aventuraria mais numa disputa em faixa própria. Em 1985, ele colocou a esposa Mirian de Sousa para ser candidata à Prefeitura do Natal.
Ela obteve votação humilhante.
Enfrentou os grupos Maia e Alves, respectivamente com Wilma de Faria "Maia" e Garibaldi Filho.
Venceu Garibaldi.
A propósito, é bom deixar consignado que Carlos Alberto era pai de Micarla de Sousa (PV), prefeita natalense.
Em 1998 ele tentou voltar ao Senado com apoio do sistema Maia, mas foi derrotado por Fernando Bezerra, apoiado pelo governador Garibaldi Filho. Na verdade, quase não fez campanha, com problemas de saúde e impugnação de candidatura.


