domingo - 03/04/2011 - 12:07h

Outro olhar sobre o BBB e à infinita curiosidade humana


Na faculdade, na pracinha da cidade microscópica do sertão, no chá das cinco das senhoras elegantes (em "roupas de marca"), nas redes sociais… não importa. O Big Brother Brasil (BBB) é objeto de discussão. Prós e contras à mesa.

Temos um burburinho em torno do quem é quem entre seus personagens "enjaulados", numa espécie de debate nacional sobre caráter, estética, caras e bocas. Quem é feio, quem é bonito, quem é homossexual ou é "gostosa".

Enfim, porque tantos e tantos de nós levam o BBB a sério demais ou procuram ignorá-lo da forma mais caricata possível: o criticando ferozmente?

Tenho uma teoria. De leigo, lógico. Não sou estudioso, cientista, capaz de empinar uma tese baseada em mecanismos de aferição.

Pronuncio-me, entretanto, como gente de carne e osso, já com longa vivência e interesse por questões relacionadas à sociologia, psicologia, psicologia social, comunicação, antropologia, história etc.

Leigo, reitero, sou leigo.

Um curioso, interessado nessas áreas do conhecimento, que tem opinião formada sobre o sucesso do BBB entre os que o adoram e até entre os que o destestam. É uma situação ambígua, que por vezes chega a ser ridícula.

Como discutir algo que não nos interessa? Eu, particularmente, quando não quero algo, tomo distância e adoto o silêncio como reprovação.

Remoer nome de quem não simpatizo ou assunto que me magoa, é exteriorizar dor ou manifestar sentimento que só aflige uma pessoa: Carlos Santos.

Sobre gente e coisas só cuido do que gosto, pois me faz bem. Coisas, uso; gente, gosto.

No caso do BBB, não possuo um motivo para detestá-lo.  TV, no geral, vejo muito pouco. Não me sinto emburrecido por gostar de novela de época e futebol, além de esporadicamente acompanhar o "Jornal Nacional".

O BBB XI vi superficialmente e não me interessei, só isso. Em outras edições cheguei até a ser assíduo, com olhar mais atento a algumas mulheres fornidas e ao aspecto psicológico, em face do confinamento continuado.

Fácil perceber como todas as mascáras caem com o tempo. Isso vale para minha vida no mundo real, longe do estrelato, das câmeras. O BBB é uma metáfora da própria vida, louca vida recheada de sentimentos puerís, superficialidade e hipocrisia.

Somos um pouco BBB na vida real até sermos descobertos. Ou não.

Quem manifesta repulsa por sua fórmula, certamente já o assistiu e não gostou por esse ou aquele motivo. Porém vejo que a principal razão é mesmo o preconceito ou verniz intelectual.

Drummond

O poeta Carlos Drummond era aficcionado por novelas globais. Só assumia compromissos para antes ou depois da sua diversão. Mas quase ninguém sabe ou assinala isso, para supostamente não "desmerecê-lo". Bobagem.

Lógico que é um direito não gostar, repudiá-lo e até mesmo vomitar com essa experiência de gente em cativeiro, de forma consentida, em busca de R$ 1,5 milhão e holofotes. Respeito às diferenças, é fundamental numa sociedade moderna.

O interesse pelo BBB, mesmo daqueles que não o vêem, é uma manifestação normal.

O programa é a representação da casa do vizinho, provocando nossa curiosidade inata pela vida alheia. É uma crônica diária na TV, que substitui o ouvido na parede, a fresta na janela, a bisbilhotice por trás da porta, a espiadela na discussão na esquina.

Falar da vida alheia não é apenas um hábito terceiro-mundista, é um esporte planetário e milenar. Remonta às primeiras organizações sociais, mesmo antes do advento do Estado moderno. Somos assim mesmo, em menor ou maior escala.

Talvez a chave principal de seu poder de galvanizar a atenção de milhões de pessoas, seja a curiosidade que temos. Ninguém fica mais burro ou menos burro por acompanhar o BBB. Disperso, distanciado de questões mais relevantes, socialmente, sim.

A curiosidade é a chave das descobertas geniais ou das estupidezes irremediáveis. Entre nós, bichos humanos, mas também entre os chamados seres irracionais.

Gente trancada para servir à apreciação alheia, nesses moldes, é novidade. Mas não é algo totalmente novo.

Negros foram levados para a Europa no final do século XIX, vindos de colônias africanas, para exposição na Bélgica. Eram mostrados com trajes típicos e acorrentados, com simulação de cenários, para que a "raça superior" pudesse entender o que seria um humano primitivo.

A imagem era bizarra e atraía milhares de curiosos. Não faltava o detalhe da recomendação escrita, de que os visitantes não poderiam alimentá-los, idêntico ao que é assinalado em zoológicos.

Na "Ilha Shark" (Namíbia, África), no começo do século passado, os alemães, muito antes de Hitler e do nazismo, segregaram e mataram milhares de componentes das etnias "hereró" e "namaqua", em campos de concentração. Tinham trabalho forçado até a morte. Um genocídio.

Nessas duas experiências que cito, acima, tivemos os protótipos do BBB, com a faceta da crueldade humana. Quanto ao BBB moderno, há um encarceramento  adotado por seus participantes, com a ânsia do capital e  pela aspiração que cada um manifesta em sair do anonimato.

Do outro lado, diante da TV, somos um pouco desse europeu "civilizado", que olha com nojo ou com admiração esses bichos presos. E muitos, não possuem a coragem de confessar, que adorariam ser um BBB. Menos mal.

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domingo - 03/04/2011 - 10:31h

Só Rindo (Folclore Político)


Galinha suicida

O professor Vingt-un Rosado esparrama-se numa rede na casa de praia de um genro. Entre  folhas de um livro que devora, observa uma galinha amarrada, pronta para ser sacrificada.

– O que é que a bichinha está fazendo ali? – pergunta a uma filha.

Ela explica. O destino da "penosa" é a panela.

"Solte a galinha", apela Vingt-un por duas vezes.

– Papai, ela acaba voltando – argumenta a mesma filha.

De tanto pressionar, Vingt-un consegue o intento. Só que, como previsto, a galinha retorna ao local.

Com seu corpanzil, Vingt-un por três vezes se levanta – às escondidas – para afungentá-la. Mas a galinha volta serenamente. Pronta para o sacrifício.

Na quarta tentativa, Vingt-un apela:

– Essa é uma galinha suicida. E desiste de lhe dar fuga.

O destino dela foi selado aí: panela. Virou uma saborosa galinha à cabidela.

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domingo - 03/04/2011 - 00:50h

Nada mais que um inseto


Custei um pouco para compreender o que estava vendo, de tão inesperado e sutil que era: estava vendo um inseto pousado, verde claro, de pernas altas.

Era uma esperança, o que sempre me disseram que é um bom augúrio. Depois a esperança começou a andar bem de leve sobre o colchão.

Era verde transparente, com pernas que mantinham seu corpo em plano alto e por assim dizer solto, um plano tão frágil quanto as próprias pernas que eram feitas apenas da cor da casca.

Dentro do fiapo das pernas não havia nada dentro: o lado de dentro de uma superfície tão rasa já é outra própria superfície. Parece com um raso desenho que tivesse saído do papel e, verde, andasse.

Mas andava sonâmbula, determinada.

Sonâmbula: uma folha mínima de árvore que tivesse ganho a independência solitária dos que seguem o apagado traço de um destino. E andava com uma determinação de quem copiasse um traço que era invisível para mim.

Sem tremos ela andava. Seu mecanismo interior não era trêmulo, mas tinha o estremecimento regular do mais frágil relógio.

Como seria o amor entre duas esperanças?

Verde e verde, e depois o mesmo verde, que, de repente, por vibração de verde, se torna verde. Amor predestinado pelo seu próprio mecanismo semi-aéreo.

Mas onde estariam nela as glândulas de seu destino, e as adrenalinas de seu seco e verde interior?

Pois era um ser oco, um enxerte de gravetos, simples atração eletiva de linhas verdes. Como eu? Eu. Nós? Nós.

Numa magia esperança de pernas altas, que caminharia sobre o seio sem nem sequer acordar o resto do corpo nessa esperança que não pode ser oca, nessa esperança e energia atômica sem tragédia se encaminha em silêncio.

Nós? Nós.

Clarice Lispector (1920-1977) Escritora ucraniana-judia, que com cerca de dois meses de vida emigrou para o Brasil, com toda a sua família. Consagrou-se nacionalmente com crônicas e romances.

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domingo - 03/04/2011 - 00:15h

Pensando bem…

“O carinho é responsável por nove-décimos de qualquer felicidade sólida e durável existente em nossas vidas.”

C. S. Lewis

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sábado - 02/04/2011 - 23:28h

Polícia Federal diz que dinheiro público irrigou mensalão


O relatório final da Polícia Federal sobre o escândado do mensalão, publicado pela revista Época neste fim de semana, revela que o dinheiro usado para abastecer o chamado "valerioduto", operado pelo publicitário Marcos Valério, teve origem em recursos públicos.

Segundo a revista, a investigação também revela novos beneficiados no escândalo. Um deles é amigo e segurança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Freud Godoy.

Ele confessou à Polícia Federal que recebeu R$ 98 mil de Marcos Valério em janeiro de 2003 como pagamento por serviços de segurança prestados à campanha de Lula no ano anterior.

Saiba mais AQUI.

Veja também adiante:

– Veja como funciona o esquema do "Arena das Dunas" para aumentar "bolo" dos predadores.

* Siga o Blog no Twitter com notas e comentários exclusivos: www.twitter.com/bcarlossantos

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sábado - 02/04/2011 - 11:48h

A lógica governista do PSD


O PSD no Rio Grande do Norte já nascerá com formato híbrido, como convém aos tempos da "moderna" política potiguar.

No plano local, será governista, aliado do DEM.

Na esfera nacional também será governista, da base de apoio a presidente Dilma Roussef (PT).

PT e DEM são arqui-adversários aqui e alhures.

Para o PSD, não. Aliados aqui e lá.

E ainda temos quem acredite numa reforma política no Brasil.

Como?

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sábado - 02/04/2011 - 11:35h

Raimundo Fernandes e o PSD no Rio Grande do Norte


O deputado estadual Raimundo Fernandes (PMN) está entusiasmado com os rumos que estão sendo desenhados, em relação ao PSD no Rio  Grande do Norte.

Ele esteve em São Paulo-SP para participar de reunião com o prefeito paulistano e líder da sigla em formação, Gilberto Kassab.

Integrou delegação liderada pelo vice-governador Robinson Faria (PMN), presidente da Assembleia Legislativa Ricardo Motta (PMN) e o deputado federal Fábio Faria (PMN).

O PSD já nascerá como fiel da balança na Assembleia Legislativa.

O PSD já nascerá como força à parte dentro do próprio Governo Rosalba Ciarlini (DEM).

Em sua raposice e incessante capacidade de sobrevivência política, Raimundo já enxergou isso há muito tempo.

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sábado - 02/04/2011 - 10:44h

Secretário nega que Rosalba esteja “fazendo caixa”

Em cumprimento à Lei de Responsabilidade Fiscal(LRF) a Secretaria de Planejamento e Finanças publicou no Diário Oficial do Estado, nesta quinta-feira(31), o demonstrativo do resultado primário do bimestre – meses Janeiro e Fevereiro de 2011.

O Relatório da Execução Orçamentária expõe as receitas e despesas sem, no entanto, ser um relatório financeiro. Para Obery Rodrigues, secretário de Planejamento, o relatório expressa a execução orçamentária de dois meses de um governo que acabou de assumir.

“Neste bimestre foram pagos de despesas correntes R$ 725 milhões. Desse total, R$ 270 milhões incluem o pagamento de parte da dívida deixada pelo governo anterior, como, por exemplo, as transferências constitucionais para os municípios e os pagamentos do Fundeb e das consignações da folha de dezembro, para as quais a gestão passada não deixou dinheiro em caixa”, disse Obery.

Ele faz referência a cerca de R$ 810 milhões em dívidas. O relatório registra R$ 1.148.622.346,43 de receitas realizadas e R$ 817.721.645,42 de despesas liquidadas, gerando um resultado primário de R$ 330.900.701,01.

“Este resultado não pode ser interpretado como superávit de dinheiro em caixa. Seria uma interpretação equivocada e mal intencionada”, afirma Obery Rodrigues.

Do Blog de Oliveira Wanderley.

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sábado - 02/04/2011 - 10:38h

Um drama no enredo sádico que envolve o Meios


Se faltava morrer alguém para que o pagamento dos salários atrasados fosse feito aos funcionários do Meios…agora não falta mais.

Não bastasse o marido doente de câncer – faleceu há 15 dias – a educadora da Creche Nossa Senhora da Esperança, Sônia Maria Alves de Siqueira, que sofreu um enfarte na quarta-feira, está com "falência cerebral", como informaram à Cira, filha de Sônia, os médicos do Hospital Walfredo Gurgel, onde ela está.

Vendo o marido se acabando, mas sem ter dinheiro sequer para comprar os medicamentos necessários, Sônia, que já estava depressiva, entrou num processo de definhamento, pressão alta…

A sensação de ter deixado o marido morrer à míngua consumiu a funcionária, que, segundo familiares e amigos, aguardava a todo instante os salários atrasados para comprar os remédios do marido.

Não deu tempo acalmar o marido.

Não deu tempo sequer receber o dinheiro…

Para ela, essa semana seria decisiva. Acreditava que receberia o que tinha direito e não recebia desde outubro do ano passado…

Mais: com o dinheiro que recebia como educadora infantil, Sônia cuidava do filho portador de necessidades especiais. Que não entendia o porquê de tanto sofrimento dentro de casa.

Para Sônia…o dinheiro que ela tanto procurou ao tirar frequentemente o saldo de sua conta numa agência do Banco do Brasil, não adianta mais…

Para os filhos, que herdaram a despesa do funeral do pai…quem sabe…a lembrança de que tal montante, se é que receberão, que pode ter custado a vida da mãe.

Não é possível que quem provocou situação tão desastrada, não tenha sequer 5 minutos de remorso.

Do Blog de Thaísa Galvão.

Nota do Blog – Minha cara Thaísa, o que ocorre com os funcionários do Meios é um exercício de sadismo. Lamentável.

Quem hoje afirma que a entidade foi aparelhada politicamente, que o Estado não tem responsabilidade, antes tinha opinião e uso diametralmente opostos.

Infelizmente, nossa elite política – sem distinção partidária -, com raras exceções, há muito está distanciada do povo.

A massa ignara, que se esgoela nas ruas, por esses figurões, não percebe o quanto é usada. Chega a ponto de louvar seus próprios algozes.

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Categoria(s): Administração Pública
sábado - 02/04/2011 - 10:31h

Blog do Evânio chega a 1 milhão de acessos

O Blog do Evânio Araújo anuncia que chegou à marca emblemática de 1 milhão de acessos.

Muito bacana mesmo.

Meus parabéns.

Conheça o Blog do Evânio Araújo AQUI.

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sábado - 02/04/2011 - 10:27h

Mais uma apuração focada na Prefeitura de Mossoró


O Ministério Público foi provocado e parece que vai fuçar mais um caso nebuloso na Prefeitura de Mossoró.

Dessa feita, é o que aconteceu de verdade no recente concurso público promovido pelo município.

As queixas são muitas.

O MP tem estrutura mínima e pessoal reduzido para acompanhar o período da "Era das Trevas" no poder público municipal.

De tudo há um pouco.

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sábado - 02/04/2011 - 10:18h

Tribunal dgiitalizado

Deu no Radar Online:

O TST chegou hoje a 100 000 processos digitais tramitando no tribunal. A marca foi atingida em oito meses. Cerca de 70% das ações já vieram digitalizadas dos Tribunais Regionais do Trabalho espalhados pelo país.

O restante é de recursos dos TRTs cujos processos foram virtualizados no TST ou de ações que começam a tramitar diretamente na Corte Superior.

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sábado - 02/04/2011 - 10:13h

PSDB segue providências para fortalecimento no RN


O PSDB realiza neste final de semana, mais duas convenções municipais no Rio Grande do Norte que formalizarão os diretórios da legenda na região Agreste e do Mato Grande potiguar. No sábado (02) os tucanos se reúnem na Câmara Municipal de Monte Alegre, enquanto no domingo (03) o encontro será em João Câmara, também na sede do legislativo.

Antes das regiões Agreste e Mato Grande, já haviam sido formalizados os diretórios do PSDB no Seridó, Oeste, Central-Vale, Trairi e Potengi.

As convenções têm o objetivo de estruturar o partido e preparar a legenda para as disputas municipais de 2012. A meta do PSDB potiguar é ter, pelo menos, 40 candidatos a prefeito no RN.

Segundo o deputado federal Rogério Marinho, presidente estadual do partido que estará presente nos dois eventos, “a meta é chegarmos em abril com 70 diretórios formalizados, o que significa quase o dobro do que existia em 2009."

Com informações da Assessoria de Imprensa de Rogério Marinho.

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sábado - 02/04/2011 - 10:11h

Pensando bem…

"Eu posso aceitar falhas, mas não posso aceitar não tentar".

Michael Jordan

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sábado - 02/04/2011 - 10:06h

Amor fati


"Aquilo que se faz por amor, está sempre além do bem e do mal." (
Nietzsche)

Meu caro amigo,

“Mas é claro que o sol/ vai voltar amanhã. Mais uma vez, eu sei… escuridão já vi pior/ de endoidecer gente sã; Espera que o sol já vem…”.

O problema é este, caro amigo, somos por demais agoniados, impacientes e imediatistas: queremos resolver o problema de séculos em questão de segundos. Mas não se esqueça do que nos ensinou o grande Guimarães Rosa: “Moço, Deus é paciência! O contrário é o diabo”.

Bem… é verdade que o diabo não existe, eu sei. O que existe é “homem humano”. “Homem humano” que machuca os outros; “homem humano” que está do mesmo lado que você, mas deveria estar do lado de lá…

Ah! Meu caro amigo, como tem gente enganando a gente: veja a nossa vida como está!… Veja a classe médica, sujeita à “pró-ratas” da vida; sujeita a trabalhar em condições desumanas, aviltantes e insalubres; sujeita a salários ridículos; sujeita a processos de todos os lados; sujeita, portanto, a todos os males… e quem deveria defender a gente, na verdade, está defendendo são os seus interesses pessoais…

E aí, meu caro amigo, elas não medem esforços para nos usarem como trampolins, afinal o que vale é o poder, o que vale é o pódio: é estar sempre por cima.

Amizade, lealdade, respeito ao passado, tudo isso é relegado ao lixo. O que vale é ganhar, sem se importar como… “Os fins justificam os meios”…

Portanto, se você quiser alguém em quem confiar: confie em si mesmo! Confie que a retidão moral, a ética, a vida reflexiva, etc. etc. não são coisas menores, como nos querem fazer acreditar aqueles que gostam de levar vantagem em tudo. Não!

Esses princípios que aprendemos em casa – no nosso berço-, são eles que devem ser os nossos referenciais. São eles que nos conduzem a felicidade.

Meu caro amigo, o poeta William Blake tem um poema que começa assim: “Uma marca encontro em cada rosto,/ Marcas de fragilidade, marcas de desgosto…”. Então, basta olhar para essas pessoas que não sabem amar, que não sabem o verdadeiro valor da amizade, que não compreendem o que você, certa vez me disse: “Amigo, nada nesta vida, absolutamente nada, nem dinheiro, nem status, nem posição social ou bens suplantam a importância de uma verdadeira amizade”…

Olhe para elas! Veja os seus semblantes.

Veja a máscara que usam para enganar: que estão de bem com a vida…  só que ninguém consegue enganar a si mesmo… elas são tão infelizes. Infelizes, por não saberem amar… Desistir?! Jamais! “Isto não faz parte do nosso vocabulário”, me ensinou, recentemente, o mestre-amigo Gilmar Amorim: “Nós, Cristãos, não podemos desistir nunca!”.

Afinal, é claro que sol vai voltar amanhã… é claro que um dia, a classe médica acordará desse marasmo – dessa dependência de falsos líderes-, e saberá lutar pelos seus direitos, resgatando e defendendo, com unhas e dentes, a dignidade da nossa profissão.

Eu sei que um dia a gente aprende…

Mas, enquanto isso não acontecer, meu caro amigo, deveremos continuar a nossa missão de semeadores. Educar os jovens. Os alunos. São neles em quem deveremos apostar na mudança. Além disso, deveremos continuar a amar.

Amar até mesmo a falta de amor, como diz Drummond.

Amar até mesmo essas pessoas que estão nos enganando, afinal, elas nos dão a maior lição: o contra-exemplo. Como não deveremos nos portar; como não deveremos agir.

Por fim, deixo as sábias palavras de Nietzsche, para a sua reflexão: “Amor fati: seja este, doravante, o meu amor! Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que a minha única negação seja desviar o olhar! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia, apenas alguém que diz Sim!”…

Sim! Ao sonho que vale a pena lutar, pois quem acredita sempre alcança…

Francisco Edilson Leite Pinto Júnior é professor, médico e escritor

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Categoria(s): Nair Mesquita
sábado - 02/04/2011 - 09:48h

Retratos dos ancestrais


Não idolatro rostos que abandonam
Deixarei que partam
Encherei um navio de emigrantes
Os que negaram, os que fugiram
Os que sufocaram e calaram

Todos, todos convocados
para o navio fantasma
Todos, todos vão embora

Velhos desde o império
Gordos homens sobre cavalos
E mulheres muito tristes

Odeio loucamente essa parede
Onde eles jazem
Muros contra minha liberdade.

Iracema Macedo – É poetisa natalense e professora de Filosofia do Instituto Federal Fluminense (Cabo Frio-RJ)

* Poema extraído do livro "Poemas Inéditos e outros escolhidos" (Sebo Vermelho, 2010)

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sábado - 02/04/2011 - 09:39h

A “Arena das Dunas” e a Teoria do Bolo Econômico

Quando os poucos que têm muito comem tudo, deixando os farelos para os muitos que têm pouco.

Desde que Goebbels lançou o mote "de tanto se repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade, em contrapartida para alguns poucos argutos observadores da realidade, ficou fácil identificar esse lugar-comum na retórica usada pela elite predadora quando concretiza o processo de iludir o “Zé Povinho”.

É o caso, por exemplo, da Teoria do Bolo Econômico – “primeiro crescer, depois repartir”, popularizada nos anos 70 do século passado, aqui no Brasil, por ninguém menos que Delfim Neto.

Aliás, esse processo de iludir é um dos meios por intermédio dos quais o jogo do poder é jogado pela elite predadora configurando, assim, o retrato em negativo da seleção dos mais aptos – em certo momento específico da história – conforme pensado por Herbert Spencer na esteira do pensamento darwiniano, jogo esse bancado via estratagemas, ou seja, idéias que são usadas retoricamente para obter e, uma vez obtida, prolongar a exploração do “Zé Povinho”.

No caso da “teoria do bolo econômico” tal idéia, uma vez surgida, qual “meme” – um análogo cultural do gene na genética -, como descrito por outro darwiniano, Richard Dawkins, terá uma sobrevida útil proporcional à nossa incapacidade em destruí-la. Na verdade esse “meme” vai, por sua vez, se replicar infinitamente em ambiente fértil, qual seja aquele formado por pessoas sem escrúpulos mais os inocentes úteis.

Em outras palavras, mas mantendo o mesmo sentido, assim é que uma idéia econômica – fruto da mais ilegítima elite predadora – nasce, sobrevive e vem constituindo, desde então, o arsenal que a elite predadora usa para explorar, seja porque não tem noção daquilo do qual está fazendo parte, seja por puro cinismo, deliberadamente. É a teoria do bolo econômico.

Para os defensores da Teoria do Bolo Econômico, quanto mais ele crescer, mais pessoas comem. Como essa idéia funciona na prática?

Funciona assim: alguns predadores internacionais precisam fazer o dinheiro circular voltando para o ponto de partida mais robusto, bem mais gordo: nasce, então a noção de Uma Grande Obra, constituída obviamente pelo conjunto de várias outras obras menores, quase sempre em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento.

Por exemplo: uma “Copa do Mundo de Futebol” em algum País cuja infra-estrutura física não esteja pronta para o evento, tal como qualquer um do Oriente Médio, África ou mesmo o Brasil. O Brasil, sejamos mais claros, foi escolhido a dedo a partir de parâmetros muito bem definidos, dentre eles a possibilidade da circulação de idéias e capital sem grandes obstáculos que atrapalhem os negócios.

Feito isso começa um imenso e lucrativo trabalho, para toda a elite predatória envolvida no “Grande Projeto”, de arrebanhamento dos “corações e mentes”.

É onde entra toda a cadeia alimentar da qual ficarão fora apenas as piabas, por razões ululantes, constituída pela “mídia famélica”, os políticos de sempre, os empreiteiros, ah! os empreiteiros, a arraia-miúda que tal quais os peixes-pilotos se alimentam com as sobras dos tubarões, e até mesmo, pasmemos juntos, os intelectuais orgânicos, aqueles sem espinha dorsal, que vivem se contorcendo para prestarem serviços vendendo argumentos: convencer os basbaques, como no caso do Rio Grande do Norte, acerca da importância indizível, pela magnitude, da tal “Arena das Dunas”, para o progresso econômico do nosso Estado.

Desenvolvimento para quem?

O Estado não existe, é uma hipostasia; o Estado sou eu, é você, somos nós. Ninguém fala pelo Estado. Ninguém. Lê-se, por exemplo, na mídia incauta, que “A Grande Obra” é importante para sanear a malha viária. Qual malha viária? A de Mossoró? A de Caicó? A de Pau dos Ferros?

Ora, convenhamos, “a malha viária”, enquanto as delegacias de polícia, no interior e na capital não têm computador, papel, armas, carros, homens…

Lê-se, também, na mídia inocente inútil, que “a Grande Obra” vai gerar muitos e muitos empregos. Sabemos que empregos são esses: sazonais. Desaparecem quais pipoqueiros e vendedores de cachorro quente em final de festa de padroeira.

O grosso do dinheiro, aquele que realmente importa, esse já foi embora em busca de outros nichos a serem predatoriamente explorados. Essa é a lógica do capital. U

ma vez comprada a idéia, ou seja, o investimento, imediatamente os investidores entram na luta com um discurso uníssono: “a Grande Obra” é fundamental para o desenvolvimento do Estado, e quem for contra ela é contra o Estado.

O mote do velho Goebbels entrou em ação.  Não há muito mais a dizer agora exceto que se trata de uma luta vã essa contra o desperdício do nosso dinheiro.

Os poucos irridentes contrários à farsa que se desenrola impávida e colossal não dispõem de meios à altura dos adversários para sublevar os “corações e mentes”. Não têm como comprometer os aparelhos do Estado: Legislativo, Judiciário e Executivo, nessa sublevação.

Talvez se faça presente a voz solitária do Ministério Público.

Duvido. Não podem massificar a informação que a historia oferece gratuitamente a quem souber procurá-la, de que grandes obras não valem por si só, que o digam os milhares de “elefantes brancos” existentes mundo afora.

Consultem o Google, aqueles que não crêem. Não podem apontar o exemplo dos países sérios, como os escandinavos. Praticamente não têm como fazer a defesa de investimentos maciços em políticas públicas na educação, saúde e segurança.

Em quais veículos de massa irão falar em Amartya Senn e seu trabalho acerca de “Desenvolvimento como Liberdade”? Liberdade esta que se confunde com segurança, saúde, educação…

Infelizmente o exemplo dos países civilizados nos quais a Sociedade escolhe, primeiramente, suas políticas públicas, para em seguida e se for o caso, construir a obra necessária para implementá-la, não tem como ser apresentado aos norte-rio-grandenses imensamente carentes de saúde, segurança, educação. Pois que não haja dúvidas: se consulta popular houvesse era assim que nosso povo disporia seus recursos.

Chega a ser doloroso: muito embora seu dinheiro banque o bolo que poucos, que têm muito, irão comer à farta, para os muito que têm pouco sobrarão apenas as migalhas.

Honório de Medeiros – É professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura do Natal e do Estado do RN

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Categoria(s): Fred Mercury
sábado - 02/04/2011 - 09:25h

“Mont Blanc Residence” tem lançamento nesta manhã


A WSC Empreendimentos e Construções Ltda. lança oficialmente à manhã de hoje, o condomínio Mont Blanc Residence.

O evento acontece no próprio endereço do residencial, à Rua Antônio Vieira de Sá, 501, cruzamento com a Rua Pastor Ramiro, no bairro Nova Betânia (Mossoró).

Stand de vendas e uma maquete física ensejam melhores informações sobre o Mont Blanc no próprio local.

Veja mais detalhes clicando AQUI ou pelo fone (84) 8802-0685.

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Categoria(s): Blog
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sábado - 02/04/2011 - 09:05h

Saúde pede socorro, relata servidor de carreira


O Blog recebeu email de um servidor de carreira da Secretaria Estadual da Saúde Pública (SESAP) do Rio Grande do Norte, mostrando por dentro desse "organismo", como anda a Saúde do Estado.

Ele identificou-se diretamente à editoria do Blog, mas temendo represálias, pede para que seu nome seja preservado. A fonte está resguardada, como a legislação assegura.

Leia o seu relato abaixo:

Bom dia Amigo Carlos,

Passados quase 100 dias do Governo da "Rosa" (Rosalba Ciarlini-DEM), vejamos  o quadro da saúde:

– começando com a estrutura física que abriga a Sesap, sem condições de trabalho, prédio velho, banheiros sujos e impróprios, elevadores quebrados, instalações elétricas em curto-circuito, internet fora do ar, material de expediente com cotas de consumo.

– Hospital Walfredo Gurgel – Continua a  super  lotação, corredores lotados, falta de medicamentos, materiais de uso contínuo como luvas, soro, esparadrapo, escalas de médicos sem solução, falta de funcionários qualificados.

– Unicat – Apesar da nova administração não pactuar com velhas práticas, a burocracia emperra o funcionamento, na há medicamentos para os programas, licitações paradas desde o ano passado.

– Fornecedores, de todos os produtos e serviços, não recebem há cinco meses e não há acordo quanto aos pagamentos, divergência entre a Seplan e Sesap. Os terceirizados amargam a mesma situação, há indicativo de paralisação dos serviços.

– Hospitais do interior – Impera a briga por cargos, não funcionam plenamente, quem é nomeados sofre boicote dos que ainda não saíram.

– Desabastecimento – A Sesap corre o risco de parar, não esta havendo reposição de estoques por falta de logística.

– No nível central – Esse tá um balaio de gatos. São lotes, feudos, apadrinhados travam uma luta de titãs por cargos.

– Servidores efetivos – Esses foram os mais prejudicados pelas suspensões de jetons(todas as  secretarias), diárias e gratificações.

– Ursaps – Estas não conseguem colocar o bonde nos trilhos, falta orientações aos novos gestores.

– Nomeações – Continuam a conta gotas, gestores do governo passado com sorriso de orelha a orelha vendo o circo pegar fogo e não fazem nada para ajudar.

Enfim quem deveria coordenar, gerir, orientar não faz nada e deixa nas mãos dos outros e assim cada um faz do seu jeito e a Sesap continua sem rumo.

Governadora Rosa, faça uma visita  a "Paciente  Sesap". Ela esta na UTI, se demorar muito pode ser tarde demais.

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Categoria(s): Gilson Cardoso
sábado - 02/04/2011 - 08:57h

Pensando bem…

"Quem perdeu a confiança não tem mais o que perder."

Publílio Siro

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Categoria(s): Pensando bem...
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
sexta-feira - 01/04/2011 - 15:09h

A nova “tenda dos milagres” do sistema partidário


O PSD do prefeito paulistano Gilberto Kassab é a nova "tenda dos milagres" da sopinha de letras do sistema partidário brasileiro. Dá náuseas.

Fisiologismo, patrimonialismo, plutocracia, oligarquia, visão reducionista da política e ausência de espírito público marcam o novo partido. Nada de novo, portanto.

O PSD é um "arranjo", espécie de partido-anfíbio, usado para desembarque no Planalto pela rampa ou porta dos fundos, de um monte de gente que não conseguiu meios para ser governo e não consegue ser oposição.

Nada de novo oferece, repito.

O PSD não deixa de ser ideológico. É, sim. Claro que é.

Empina a ideologia do poder a qualquer preço, do patriciado brasileiro.

Rococó, apesar da roupa nova.

PSD, DEM, PMN… tanto faz. Quem liga para as letras?

Nem os próprios ocupantes desses partidos dão essa importância toda à sigla. Ao contrário do sério jogo do bicho, que a legislação brasileira trata como "contravenção", nesse emaranhado de letras, não vale o que está escrito.

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sexta-feira - 01/04/2011 - 14:57h

Grupo de Rosalba percebe que Robinson não é apenas vice


Aos poucos o ex-deputado estadual e atual vice-governador Robinson Faria (PMN) vai costurando os meios para se tornar a figura política mais poderosa do Rio Grande do Norte.

Sua cartada para ter o PSD sob seu controle, é de novo uma jogada ágil, ousada e certeira.

O partido vinha sendo almejado pelo rosalbismo, o grupo da governadora Rosalba Ciarlini (DEM). Robinson foi mais rápido.

O fato do PSD passar ao comando de Robinson no Rio Grande do Norte, sendo ele vice-governador, necessariamente não significa que o governo tenha sua base solidificada.

O PSD do prefeito paulistano Gilberto Kassab, de Robinson em terras potiguares, na certa não será tão-somente uma célula governista ou um apêndice do DEM de Rosalba. Servirá a projetos futuros do próprio Robinson.

O vice-governador revela ser muito mais astuto do que muitos imaginavam.

A governadora e seu marido, o líder político e ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM), têm a companhia no poder de alguém que não vai se contentar em ser apenas coadjuvante. Tem armas e cartas à mão. Sabe jogar.

Se antes Robinson era uma espécie de vice-rei do estado, como presidente da Assembleia Legislativa em duas legislaturas (oito anos) e quatro mandatos como presidente, nesse período, ser vice-governador é algo a mais. Ninguém espere dele uma postura subalterna.

Dessa convivência dele com o grupo de Rosalba e Carlos, é que passa a se formar a nova configuração de poder na política do Rio Grande do Norte. Ambos somam-se hoje, mas Robinson investe para não ser caudatário das vontades do casal, mas um personagem proativo.

O PSD é apenas um de seus tentáculos. 

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