No artigo 5º, IV, da Constituição do Brasil, está expresso como um direito fundamental que "é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato". Simplificando: eu, você, nós podemos – em tese e conforme a lei – nos pronunciar sobre o que pensamos, mas desde que às claras, sem uso de artifícios como nome/endereço falso.
Cada um deve responder por eventuais excessos na forma da lei.
"Persona" era o nome da máscara que atores do teatro grego usavam. A palavra é derivada do verbo personare ("soar através de"). Cada persona dava uma identidade própria ao artista e o ajudava até na formatação da fala. Entretanto os gregos não têm o privilégio dessa invenção.
As máscaras remontam há cerca de 30.000 A.C. Tinham e possuem inúmeras utilidades até hoje. No Egito antigo eram obrigatórias. Ajudavam os faraós e sua família na passagem à vida eterna.
Romanos as colocavam em cerimônias religiosas. Na China serviam para afastar maus espíritos. O mesmo sempre ocorreu entre povos indígenas em todos os continentes, com seus líderes religiosos as usando em cerimônias de culto aos deuses, casamento, rituais de cura ou convocação à guerra.
Na Itália medieval e renascentista, virou Pierrot, Colombina e Arlequim. Passou a ser uma marca multissecular de Veneza, símbolo do carnaval no século XV. Um pulo para chegar ao Brasil do século XX, ganhando as ruas e clubes, com graça ou forma de crítica política e social.
Entre tribos africanas, a máscara sempre teve forte conotação religiosa, como símbolo de uma sociedade e força espiritual, encantando o explorador europeu.
No imaginário infanto-juvenil, a máscara lembra herois. Pode ser o Zorro, em permanente defesa da liberdade, com capa e espada. O Capitão América, nascido em plena Segunda Guerra Mundial, como ícone da propaganda patriótica norte-americana.
Mascarados, eles tinham no anonimato uma forma de segurança à sua própria luta contra o mal. Anonimato justificável, voltado para o interesse coletivo.
Mas o que justificaria pessoas com espaços na imprensa, meios financeiros consideráveis, poder institucional, pleno conhecimento da lei, boa formação familiar e inserção social, utilizarem uma máscara na Internet? Por que fazer uso do anonimato para agredir outras pessoas, promover linchamento moral e expor até mesmo criança recém-nascida à ridicularização?
O verdugo que acionava a guilhotina na França, para cortar o pescoço de desafetos dos donos do poder, não tinha um capuz sobre a cabeça por vergonha do seu trabalho como destacado "servidor público". Era à sua própria proteção. Precisava guardar o anonimato.
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