domingo - 03/05/2026 - 04:30h

Outras recordações

Por Marcos Ferreira

Arte ilustrativa com recursos de IA para o BCS

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Penso agora no tempo dos primeiros passos, os avanços que demos. É isso. Poderia ter se livrado de mim naqueles anos do Facebook. Teria pulado uma fogueira, como se costuma dizer. Mas não, ela não me ignorou na rede social do Mark Zuckerberg nem quis pular a tal fogueira. Algo em mim, de modo recíproco, agiu de um jeito que fomos passo a passo nos aproximando. Continuou me dando fôlego, a encorajar os meus sutis e dissimulados galanteios, certas atitudes, fagulhas de ousadia. Coisa discreta, com disfarce, subjacente tipo assim uma brasa ainda viva que arde por baixo das cinzas.

O clima foi melhorando, ganhando afeições, encantamento, elogios moderados. Até que um amigo comum nos apresentou em certa ocasião. Um seu colega de trabalho que enfeitou ainda mais este pavão desimpedido àquela época.

Com pouco já havíamos adquirido certo entrosamento, trocamos afinidades. Vieram alguns elogios (todos recíprocos) e, quando me dei conta, nossos números telefônicos estavam compartilhados. Devagar transcendemos a rede social do americano cheio da grana. O celular, que naquele tempo era bastante caro, tornou-se o elo, o meio pelo qual um dia estreitamos laços. Não revelarei aqui o dia, porém informo tão só que foi em um feriado nacional quando em uma noite de setembro nos colocamos cara a cara. Isso já tem dez anos. Aí todo o cerca-lourenço findou.

O jogo foi aberto, tudo posto às claras, e a pequenina brasa do desejo já estava exposta. Então nunca mais nos desgrudamos. Até parece que foi ontem. Alguns meses depois, infelizmente, surgiram tribulações, passei por grandes terremotos e maremotos existenciais, contudo ela não me largou, continuou ao meu lado, não pulou a fogueira do meu desgoverno. É isso aí, eu me encontrava desgovernado. Enfermo sem tratamento, sem diagnóstico.

Fui parar em um famoso e extinto manicômio deste município; minha situação se complicara, exigia uma medida extrema. Ainda assim não me virou as costas. Nossos amigos entraram na raia, deram apoio, todavia foi ela quem segurou a barra, continuou firme junto a mim. Não demorou e recobrei a razão, tomei remédios fortes e readquiri o prumo. Sigo em tratamento até hoje.

Ela foi (ainda é) o maior e melhor presente que ganhei na vida. Ora retomo este assunto, quem sabe esteja me repetindo, porque existem alguns momentos em que a rotina, a monotonia, concorre para que esqueçamos do quanto bonita e vencedora é nossa história. Uma história que merece ser escrita, louvada e enaltecida sempre que este coração disser que sou privilegiado por tudo. Outras recordações, a exemplo destas, poderão surgir novamente. Não cansarei de me repetir.

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Crônica

Comentários

  1. Julio Rosado Filho diz:

    Bom dia, amigo Marcos Ferreira,
    Acabei de ler sua crônica. Você falou de amor sem citar o nome amor em uma mensagem direta e objetiva. Apesar de falar de situações pessoais, abriu-lhe as portas para o abrangente mundo dos apaixonados. Saúde e paz ao amigo e a Natália.

    • Marcos Ferreira diz:

      Meu prezado Júlio Rosado,
      Grato por sua breve e profunda avaliação acerca deste meu escrito. É sempre uma honra contar com sua leitura.
      Forte abraço.

  2. Bernadete Lino diz:

    Histórias de amor surgem de diversas formas. O encontro se dá! Num universo cheio de opções e alternativas, alguém se destaca na multidão ou na rede social! Aproveitem! É maravilhoso ter alguém que nos completa! O ser humano busca isso! Esse encontro de almas e que se torna físico; ou vice-versa!

    • Marcos Ferreira diz:

      Querida Bernadete,
      Grato por seu carinho e sensibilidade.
      Seus comentários são um prêmio.
      Uma semana abençoada para você.
      Forte abraço.

  3. Marcos Araujo diz:

    Querido Marcos, você é um namorado virtuoso e um homem de grande caráter.
    Somente quem cultua valores superiores poderia redigir um texto desses, por isso que lhe admiro.
    Dizia José de Alencar que “a gratidão é depois da honra a primeira virtude” (passagem do livro “O Sertanejo”, Vol. XVI, Rio de Janeiro – 1951).
    Somente uma alma elevada reconhece a benfazeja ajuda recebida, e publiciza aos quatro cantos do mundo o amor gratuitamente que lhe foi deferido.
    Ao lado da humildade, a outra virtude que eleva o espírito e traz a felicidade é a gratidão.
    Somos todos, seus amigos, envaidecidos pela alma-gêmea que Deus lhe concedeu, merecidamente à sua altura. E a ela somos gratos também! Forte abraço!

    • Marcos Ferreira diz:

      Prezado xará Marcos Araújo,
      Você é um gigante de inteligência, cultura, cavalheirismo e generosidade. Contar com sua amizade é uma dádiva. Muito obrigado pelo carinho e consideração de sempre. Embora eu me assuma e me anuncie como um simples homem de letras, você às vezes me deixa sem palavras com seu afeto oriundo de um coração grande e fraterno. Assim como tem feito, que Deus continue abençoando você ainda mais. Você merece muito, meu querido.
      Forte abraço.

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