domingo - 05/07/2026 - 11:02h

Solilóquio

Por Bruno Ernesto

Foto de autoria do autor da crônica

Foto de autoria do autor da crônica

Andar por uma galeria de arte, museu ou espaço cultural pode revelar muito mais sobre os seus frequentadores, do que as próprias obras.

Chamamos de expografia o conjunto de técnicas para compor a cenografia, dispor as obras e guiar os visitantes.

O mínimo de informações sobre uma determinada obra, um determinado artista, ou mesmo sobre um movimento, já é um bom ponto de partida para aproveitar algumas exposições, mas isso não é essencial. O essencial é você aproveitar a visita para se recompor mentalmente.

Aliás, se uma obra parece não transmitir muita coisa, ou não lhe instiga em nada no momento, sugiro que observe os frequentadores.

Olhe ao redor. Olhe de longe; veja o grupo de crianças no final do corredor observando um frequentador solitário fotografando.

Observe os casais; a mulher que aparenta estar num intervalo de uma reunião importante e não quis deixar de visitar a galeria nesse dia, embora não desgrude o telefone do ouvido.

Pare um pouco e perceba que um jovem com os cabelos desgrenhados observa detidamente uma carta de Frida Kahlo a Diego Rivera e depois toma nota.

Observe os funcionários e pessoal de apoio do museu; observe tudo.

Arte sem o observador não existe.

Bruno Ernesto é escritor, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM e curador do portal cultural marsertao.com @ihgmossoro @marsertaoblog

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Categoria(s): Crônica

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