Diga-me se não devo me considerar um privilegiado: eu, pobre mortal, vou passar horas com a prefeita mossoroense de direito, Fátima Rosado (DEM).
Será no próximo dia 12 de julho, no Juizado Especial Criminal da Comarca de Mossoró. Talvez fiquemos o dia proseando.
Conforme quatro queixas-crimes que recebi agorinha pela manhã, teremos parte dessa data à nossa inteira disposição, em audiências presididas pela juíza Welma Maria Ferreira de Menezes.
A primeira será às 10h20, a segunda em seguida às 10h30, depois mais uma às 10h40 e por último às 10h50.
A queixa-crime é uma ação em que a parte demandante, ou seja, a prefeita "Fafá", interpela-me por suposta ofensa.
Vou colocar a melhor indumentária: camisa listrada em puro algodão, calça preta em linho e sapatos (couro) de igual cor; apesar de surrado, eles estarão reluzentes sob as mãos cuidadosas do "seu Segundo", o melhor engraxate da cidade.
A barba estará escanhoada – a contrapelo, que se diga, com unhas impecavelmente asseadas e polidas em contornos simétricos, além de aroma extraído de perfume francês aspergido em dose moderada, claro, a não incomodar o olfato apurado da prefeita.
Suspensório? Claro que sim. Não o largo, nem ele a mim. Escolherei um próprio às grandes ocasiões e afeito a um rapaz velho encruado que já dobrou o "Cabo da Boa Esperança", orçando pelos 46 anos.
O cabelo? Bem, esse estará aplainado e com escassos fios platinados à mostra, visto que não sou adepto de laquê ou gororobas da química em tom "graúna".
À ocasião decido se cabe um blazer, modesto, mas bem cortado.
Ah, ia esquecendo: ante tamanho privilégio de estar diante da maior autoridade legal do município, não vou perder a oportunidade de entrevistá-la logo após a audiência. Creio que mereço.
Então, o encontro está marcado. Afinal de contas, não é todo dia que a prefeita de direito sai de sua "redoma" em seu mundo autista, longe da realidade das ruas.
Até lá.
























