sexta-feira - 26/03/2021 - 11:50h
Dias

Está difícil, muito difícil

Todos os dias sou tomado por notícias de amigos, conhecidos, pessoas do círculo social, acometidas por COVID-19. Aqui e ali, baixas.

Tem os que sobrevivem. Sofro diariamente e tem sido difícil dormir em paz. Está difícil demais!

Cuidem-se.

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Categoria(s): Crônica
domingo - 21/03/2021 - 11:04h

“O Touro”, “o Capim” e o quase apoio de Quincas Bem

Campanha política nos anos 60, em MossoróPor Paulo Menezes

Vez por outra me vem à lembrança a figura estimada de João Fernandes, cidadão de bem, comerciante importante, muito equilibrado financeiramente, querido por todos e muito conceituado em toda cidade de Mossoró.

Ocorria que em finais de semana, principalmente, gostava de tomar “umas e outras” e quando bebia, era o rei das presepadas. Nos bares por onde andava, ao  ser atendido pelo garçom sempre pedia “seis abertas”.

Seus companheiros de farra mais frequentes eram Mário Paula e Lenilton Moreira Maia.

Houve uma época, final da década de 1960, em que o mestre de obras e construtor Joaquim Alexandrino Saraiva, conhecido popularmente por Quincas Bem, resolveu ser candidato a prefeito de Mossoró. Os outros postulantes com real chance de vitória eram Jerônimo Vingt-Un Rosado Maia (O Touro), candidato da tradicional família Rosado e Antônio Rodrigues de Carvalho (O Capim), que já havia sido prefeito da cidade no período de 1958 a 1962.

Nessa nova campanha, Toinho, o Capim, teve o apoio decisivo de Aluízio Alves, grande líder político do estado e ex-governador.

A campanha de Quincas Bem não empolgou as massas. O ajuntamento de pessoas para ouvi-lo era cada vez menor. Seus eleitores eram sempre quatro “gatos pingados”. Nada mais que isso.

Num desses “comícios”, vindo de uma grande farra se aproximaram do palanque três amigos do candidato: João Fernandes, Lenilton Moreira Maia e  Mário Paula. Todos, logicamente, “daquele jeito”.

Foi quando o locutor anunciou com forte vibração a mais nova adesão a Quincas Bem. Ele mesmo… João Fernandes. Seria um apoio à candidatura esvaziada do candidato que concorria em faixa própria na campanha daquele ano de 1968.

João Fernandes foi anunciado como o próximo orador. Com rosto fechado, cara de estadista, subiu ao palanque e pegou o microfone com o fervor de quem manuseava um copo de cerveja.

Suas palavras foram curtas e definitivas:

– Mossoroenses, temos três candidatos a prefeito na eleição que se avizinha, dentre os quais a figura do meu amigo Quincas Bem. Homem digno, trabalhador e honesto. Apesar disso, comunico a todos que vou votar no “Touro”, mas quem vai ganhar é o “Capim”.

Foi aquele alvoroço e espanto no palanque e entre partidários do candidato, que acompanhavam a movimentação política.

O “Capim” realmente ganhou a disputa eleitoral por 98 votos de maioria, na campanha política mais acirrada de todos os tempos na terra de Santa Luzia.

Paulo Menezes é meliponicultor e cronista

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 21/03/2021 - 07:06h

Um tempo bem ali, no Grande Alto de São Manoel

Por Odemirton Filho 

Não, não se trata de descrever as características do bairro que leva o nome desta crônica. Trata-se, tão somente, de resgatar lembranças da juventude. De um tempo bom. Lembranças de uma cidade tranquila, que ainda respirava o ar do interior.

A avenida presidente Dutra sempre foi movimentada. Em tempos passados não existiam a avenida Leste Oeste e a do Alto da Conceição que, atualmente, dão acesso ao bairro. Não havia lombadas, assim era comum ocorrer acidentes de trânsito, inclusive com vítimas. Noite na avenida presidente dutra, Posto Imperial

Sem dúvida muitos usaram a avenida presidente Dutra aprendendo a dirigir. Se a pessoa soubesse conduzir o veículo entre pedestres, carros, motocicletas, bicicletas e carroças estaria apta para “tirar” a carteira de habilitação. Bateu saudade do meu Fiat 147 com um som roadstar.

Na minha época de mocidade o Posto Imperial foi palco de muitas festas. Como a grana era mais curta, fazíamos uma cota entre os amigos para comprar um litro de rum montilla e beber com coca cola. Tomar uísque Teachers não era pra qualquer um, no máximo um “Odete”. Ô ressaca!

As festas na AABB e ACDP eram de primeira. Por ser Mossoró uma cidade pequena não havia opções, por isso encontrávamos quase todos os amigos e conhecidos por lá.

Terminávamos à farra resenhando na lanchonete de Zecão. Às vezes, íamos lanchar em Alberto do Big Burg ou em Dedé do Sandubar, que ficavam localizados em outros bairros da cidade.

Tinham, também, os jogos escolares no ginásio da AABB. A galera dos colégios ficava com os nervos à flor da pele. Quando jogavam o Abel Coelho e o Diocesano os alunos se exaltavam.

Lembro-me, ainda, da Sorveteria do Juarez que ficava ao lado do antigo Supermercado Pague Menos. À época fez muito sucesso. Ainda sinto o sabor do sorvete de chocolate.

E os ônibus de Belmont? Aqui ou acolá ficavam no “prego”. Para quem usava o transporte público era peleja medonha. Ainda bem que existiam as velhas caronas na subida da ponte.

E o Ferrão? O Paraíso? O leitor, talvez, guarde bons momentos na memória. Mas é melhor deixar quieto né?

São lembranças do grande Alto de São Manoel “das antigas”. De um tempo bom pra danado.

“Até parece que foi ontem minha mocidade”, diria o saudoso rapaz latino-americano.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

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Categoria(s): Crônica
domingo - 07/03/2021 - 18:20h
Agora vai

Minha permanente torcida

Dedos cruzados, torcendo, figa,Não sou do quanto pior, melhor.

Sou dos que ficam naquele time reduzidíssimo dos que torcem diferente:

– Quanto melhor, melhor.

Só isso.

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domingo - 07/03/2021 - 14:32h

Cochilou, cachimbo cai!

Por Paulo Menezes

Em uma quadra de um passado distante, havia em Mossoró uma confraria no bar “A Brasa”, de propriedade de “Doutor”, administrado pelo seu sobrinho Olímpio Rodrigues, instalado à  rua Alfredo Fernandes em uma esquina que dava acesso à ponte Jerônimo Rosado.

o cachimbo de ouroSábado era o dia em que o encontro contava com o maior número de participantes. Fazia parte da reunião, entre os mais assíduos, eu, Chico Leite, João Pinto, Anastácio Freitas, Irineu Leite, Chico Duarte, Chico Pinto, Pedro Câncio, Fabiano Paula, Maia Pinto e Guido Leite.

Ocorreu fato interessante num dia em que a seleção brasileira de futebol disputava jogo de Copa do Mundo. Bem antes, João Leôncio Maia Pinto havia comunicado aos presentes a compra de um cachimbo folheado a ouro e que usava no mesmo um fumo importado que exalava um aroma muito agradável.

Fez tantos elogios sobre a aquisição recente que despertou na turma a curiosidade de ver a peça valiosa. Após muita insistência de Guido Leite, Maia Pinto foi até sua residência pegar o cachimbo para mostrar aos confrades.

O bem realmente era muito bonito.

Aos poucos, a peça rara foi sendo passada de mão em mão para que todos pudessem ver a beleza do pito. Terminada a revista por todos, Maia Pinto então, com esnobismo, parecendo um lorde inglês, cachimbava vaidoso e feliz da vida soltando fumaça e perfumando  o ambiente.

Foi quando o Brasil marcou um gol. “Goooool”, esgoelava o narrador e todos nós, na mesma toada.

Chico Pinto ao tempo em que pulava e gritava repetidamente o gol, brasileira, arrebatou o cachimbo da boca de Maia Pinto e rodopiou em volta de si por várias vezes, empunhando aquele objeto sob o olhar atônito dos demais amigos.

Num desses rodopios, acabou arremessando o cachimbo contra a parede. Foi caco para todos os lados.

A turma do “deixa disso” entrou em campo e conseguiu segurar a fúria do ‘descachimbado” Maia Pinto, que ameaçava acertar as contas com Chico Pinto.

De repente bateu saudade desses encontros inesquecíveis e até dos arranca-rabos. Tempo que o vento levou mas não apagou da memória amiga.

Felizmente.

Paulo Menezes é meliponicultor e cronista

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Categoria(s): Crônica
sábado - 06/03/2021 - 20:00h
Paz

O que não sei

Ter a consciência de que nada sei, para mim é um privilégio.

Por isso que sou tão paciente com os que sabem tudo, com tanta segurança.

É-me bondoso o tempo.

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domingo - 28/02/2021 - 08:00h

Nos tempos do Trio Mossoró e de Oséas Lopes

LP do Trio Mossoró (Foto: reprodução)

LP do Trio Mossoró (Foto: reprodução)

Por Paulo Menezes

Sábado de preguiça, sem álcool, curtindo uma rede e um lençol “cheirando a guardado”, mexendo no controle da TV, eis que surge na telinha o nosso conterrâneo Oséas Lopes, de nome artístico Carlos André.

Como que num passe de mágica, com o HD ainda em ordem, me transportei para minha adolescência e me vi tomando banho com alguns amigos nas águas despoluídas do rio Mossoró. Ficava a admirar Oséas Lopes com seus quase 2 metros de altura, pulando da ponte e seguindo pela correnteza do rio até “descer a barragem”, com suas braçadas longas e cadenciadas.

Nossa casa era na praça do Coração de Jesus, a dele na rua detrás, esquina com o paredão do rio Mossoró. Lembrei-me também da despedida dele e de seus irmãos João e Hermelinda, que formavam o Trio Mossoró. Seguiriam carreira artística no Rio de Janeiro.

Caso não esteja enganado, a despedida dos mossoroenses ocorreu no distante ano de 1960 tendo como palco o auditório da Rádio Tapuyo de Mossoró, sendo o locutor à época o radialista Canindé Alves.

Na cidade maravilhosa, os irmãos, após algum tempo, partiram para a carreira solo. Ozéas passou a ser Carlos André. Tornou-se além de músico, cantor, compositor renomado, também produtor musical.

Produziu vários artistas famosos dentre os quais o rei do baião Luiz Gonzaga. Hermelinda, gravou grandes sucessos da música nordestina destacando-se a canção de protesto, Carcará, grande composição de João do Vale e José Cândido.

Quanto ao João Batista fez-se João Mossoró, cantando, brilhando e levando  o nome de sua cidade por esse Brasil afora e além fronteiras, chegando até Portugal com suas magníficas interpretações do fado.

Ozéas nunca esqueceu a terrinha cuja recíproca não foi verdadeira. Nunca foi prestigiado como devido pela cidade que ele sempre amou. Pelo que levou aos vários rincões do país, cantando os sertões, a terra de Santa Luzia, seu povo bravo, merecia e merece um tratamento melhor dos seus concidadãos.

Recentemente numa entrevista dada ao chargista caricaturista Túlio Ratto (veja AQUI), externou “mágoas de como é tratado em Mossoró, diferente do reconhecimento fora dos limites da cidade e divisas do Rio Grande do Norte. E avisa que não quer ser lembrado depois de morrer”.

Até a “praça dos seresteiros”, que fizeram em homenagem ao seu irmão Francisco de Almeida Lopes, o grande seresteiro, chamado carinhosamente por Cocota, foi desprezada, abandonada e hoje é só saudade. Somente. Nada mais.

Essas lembranças que vez por outra me ocorre é fruto de uma adolescência e juventude vividas com muita intensidade no querido chão mossoroense e que por isso mesmo me tornei um saudosista de plantão.

Paulo Menezes é meliponicultor e cronista

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Categoria(s): Crônica
domingo - 28/02/2021 - 06:54h

Saudade da infância

criança, infância, brincadeiras infantisPor Odemirton Filho 

De vez em quando me vem à mente lembranças da infância e adolescência. Das brincadeiras, principalmente.

Com os meninos da minha rua jogava bola quase todos os dias, até arrancar o “chaboque” do dedo do pé. Às vezes, é certo, a coisa dava ruim, quando, por exemplo, a bola caía no quintal de uma vizinha chata. Ela sempre ameaçava cortar a bola. De faca, gostava de dizer.

Quando chegava da escola ia assistir aos desenhos animados. O Sítio do Picapau Amarelo era bom demais. O dever de casa? Fazia-se depois.

Aqui ou acolá, junto com a meninada, ia brincar no patamar da “Igreja de lampião”. À época Corria-se à boca miúda que frequentava uma galera “pesada” por lá. A “turma do patamar”. Na verdade, mais uma fofoca tão comum em cidades do interior.

Um amigo, metido a descolado, colocava tampa dos potes de margarina nos aros dos pneus de nossas bicicletas. Fazia um barulho parecido com o de uma moto. Para nós, aquilo era o máximo.

Os mais traquinos ficavam em cima do casarão de Dr. Leodécio Néo jogando cajaranas nos carros e nas pessoas que passavam na rua. Colecionávamos maços de cigarros e, claro, “andávamos” de bicicleta, pra lá e pra cá. Ah, como era massa o Autorama de Nelson Piquet.

Quando íamos ao parque de diversão brincar na roda-gigante, e essa parava no ponto mais alto, passava um frio na barriga. As cadeiras, quase sempre enferrujadas, ficavam balançando e “rangendo”. Outrora, os parques eram armados onde hoje se localiza o Teatro Dix-Huit Rosado.

Inúmeras vezes fui da rua Tiradentes, onde morava, até a rua 06 de Janeiro para jogar futebol e brincar de bola de gude com os meus primos. Ficava por lá até o início da noite e jantava na casa de minha avó ou da minha tia, que ficavam próximas.

Qual criança não voltou para casa sujo e suado, com a mãe reclamando no pé do ouvido ou debaixo de chineladas?

Cuidado com o sereno, menino! Quem nunca ouviu essa recomendação?

Pois é. Bateu saudade da infância. Das brincadeiras. Da sopa de feijão da minha tia. Do arroz de leite de minha vó.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

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domingo - 14/02/2021 - 10:32h

Em busca do ser humano

Por Odemirton Filho 

“Nunca atingiremos em nós o ser humano: a busca e o esforço serão permanentes. E quem atinge o quase impossível estágio de ser humano, é justo que seja santificado”.

Clarice Lispector é assim, diz o que tem que ser dito e atinge a nossa alma. Apesar de a acusarem de ser uma escritora de difícil compreensão, consegue ser ao mesmo tempo profunda e sensível.

Ilustração de Ygo Ferro

Ilustração de Ygo Ferro

Pois bem. Estamos vivendo nos últimos tempos num turbilhão de incertezas. Há quase um ano que a humanidade vem enfrentando um enorme desafio. Milhares de pessoas doentes e padecendo nos leitos dos hospitais. Até agora mais de dois milhões de mortes no mundo.

E como estamos convivendo com essa nova realidade? Regados a uma boa dose de indiferença. Parece que alguns vivem em uma redoma, como se fossem inatingíveis, descolados da realidade que nos atinge. Sim, viver em sociedade exige respeito ao próximo.

Claro que precisamos tocar a vida, trabalhar e ganhar o pão de cada dia, principalmente, diante do constante aumento do custo de vida.

Contudo, há atitudes que podem e devem ser evitadas. Promover aglomerações em barzinhos e nos alpendres das casas é ir de encontro aos princípios de convivência e solidariedade humana.

Deixemos de lado a intolerância tão presente nos dias atuais. Hoje tudo é motivo para uma disputa político-ideológica. As restrições recomendadas pelos especialistas da área da saúde precisam ser observadas. Não sabemos quando tudo isso vai passar. E se vai passar.

Pelo ritmo de vacinação, pelo menos no nosso país, levaremos o ano inteiro para imunizar parcela considerável da população. E mais: ainda não se sabe quanto tempo dura a imunização gerada pela vacina. Talvez haja a necessidade de vacinação de forma periódica.

Ou seja, tudo indica que viveremos dessa forma para sempre ou por muitos anos. Queiram ou não essa é a verdade nua e cria.

Precisamos nos adaptar à nova realidade. Para isso uma pitada de humanidade cai bem.

É certo que não precisamos ser santificados. Mas a busca do ser humano que ainda existe em nós há de ser permanente.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

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domingo - 14/02/2021 - 09:40h

Um Carnaval que não será igual ao que passou

Cristina dos Pimpões, um símbolo do carnaval de rua de Mossoró (Foto: Web)

Cristina dos Pimpões, um símbolo do carnaval de rua de Mossoró (Foto: Web)

Por Paulo Menezes

O período carnavalesco teria início nessa semana. Mas, por conta dessa terrível pandemia que apavora a todos nós, para evitar aglomerações, pelo menos patrocinado pelos poderes públicos, não ocorrerá. Ajuntamento de pessoas só em campanhas políticas, tempo em que a Covid-19 sempre se encontra de férias.

De repente, com a memória ainda em ordem, afastado do fantasma do alzheimer, vem em mim uma lembrança com imagens fortes e cristalinas de um passado ditoso e feliz. Incontinenti, me transporto para os carnavais de outrora.

Pois em tempos que não voltam mais, infelizmente,  o carnaval em Mossoró tinha inúmeros blocos de salão, confetes e serpentinas, arlequins, pierrôs  e colombinas, corso automobilístico pelas ruas da cidade, blocos de rua onde se destacavam Salinistas, Pimpões e Baraúnas, o Homem  do Chocalho, Rei Momo e Rainha do Carnaval, vários ursos,  muita música e grande animação.

Nos clubes sociais ACDP e Ypiranga, os blocos eram anunciados como atração das festas de Momo. Havia assaltos carnavalescos em casas de amigos com agendas previamente programadas. Era um privilégio a casa escolhida para receber os foliões.

Os blocos de salão mais famosos da época eram: Hi-fi, Sky e Os Vips. A recepção era com muita bebida e salgadinhos de finos paladares. Não faltava também o “Lança-Perfume Rodouro”, aromatizando o ambiente e embriagando-nos ao tempo em que nos transportava para um mundo de sonhos e fantasias.

Um grupo de amigos que fazia parte de uma turma feliz e animada compunha Os Vips. Eu, Joãzinho de Neco Carteiro, Raul Caldas, Bira Menezes, João Vieira, Guga Escóssia, Rogério Dias, José Bezerra, Raimundo Nonato, Nitola, Emery e Elery Costa formavam esse time da alegria.

Desse pequeno grupo de doze amigos e foliões, cinco deles, lamentavelmente, já não estão entre nós.

Vivíamos um mundo fantástico, onde só o presente a nós interessava. E ele era bom. Sem a violência dos dias de hoje e sem pensar num amanhã que por certo chegaria.

Hoje, no meu devaneio que gosto de ter, relembro com imensa recordação daquele tempo vivido com muita intensidade, e que se pudesse, ah se pudesse, vivia tudo de novo. Não é à toa que um pensador anônimo afirmou num momento de inspiração: “a saudade é a maior prova de que o passado valeu a pena”.

Quanta saudade!!!

Paulo Menezes é meliponicultor e cronista

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domingo - 31/01/2021 - 07:16h

Histórias de jogatina, amizades e “uma boa morte”

Por Paulo Menezes

Há um tempo já bem distante, eu fazia parte de uma turma alegre e divertida com a qual me reunia sempre em finais de semana, na residência de Tereza Leite, para jogarmos um carteado que varava a noite. Na verdade, quase sempre entrava pela madrugada.

Tereza, a anfitriã, sempre dizia que teria “uma boa morte” se ela acontecesse numa mesa de pif-paf. Que seja feita sua vontade. Amém! Foi num final de tarde desses que seu desejo foi atendido plenamente, como se obedecesse a um enredo teatral.cartas, carteado

O jogo se desenvolvia normalmente, quando Tereza com as nove cartas na mão, se inclinou levemente sobre o pano verde e sem nenhum grito de dor deu o último suspiro, após o infarto fulminante.

Como em algumas tragédias, às vezes ocorre o lado cômico.

Auri Leite, que fazia parte da jogatina e era perdedora contumaz, logo perguntou aos participantes:

– E agora? Quem vai prestar contas? Quem vai me pagar as fichas?

– Mas amiga, num momento desse você vai pensar nisso? – questionou um dos presentes.

Sem pestanejar, Auri retrucou:

– Eu sou muito mole mesmo! No dia que eu estou ganhando uns trocados aí acontece isso.

Nessa ocasião, eu não estava presente e quando tomei conhecimento da perda de uma amiga tão querida, logo me dirigi ao velório. Ao chegar,  a primeira pessoa que encontrei foi Lenilton Moreira  Maia, companheiro sempre presente no jogo das pintadas e perguntei sobre o fatídico acontecimento:

– Como foi isso, Lenilton?

Encobrindo a boca com a mão em concha, ele encostou a cabeça em meu ombro com ar pesaroso e desfiou a narrativa para o campo da jogatina, o que verdadeiramente não era o foco de meu interesse:

Tava armada num par de nove com um dez encostado, toda enramada…

Bem, não me contive o suficiente. Com enorme esforço administrei um riso travado titanicamente por lábios dobrados e presos entre os dentes.

Enfim, a mesma tragédia gerava outro quadro cômico.

Nossa amiga Tereza Leite há de entender e deve estar também dando boas gargalhadas.

Paulo Menezes é meliponicultor e cronista

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domingo - 10/01/2021 - 09:42h

Um alpendre e uma rede

A red hammock hangs in the shade of a porch in summer.

Por Odemirton Filho

Não, não se trata de uma resenha do livro da escritora alencarina Rachel de Queiroz, Um alpendre, uma rede, um açude. Apenas tomei por empréstimo parte do título para compor esta crônica.

Na verdade, quero resgatar sentimentos de um tempo passado que, volta e meia, invade-me a alma e o coração.

Uma casa com alpendre, como se sabe, é um convite para se jogar conversa fora, seja em uma fazenda ou numa praia.

Em um alpendre se fala sobre tudo e, principalmente, da vida alheia, só escapando quem voa alto. Em outros tempos, do alpendre da casa de Tibau, ouvia-se: “olhe a tapioca, o grude”.  Tomava-se um café acompanhado de um pedaço de bolo de leite. Ou fofo.

Na minha época de menino o alpendre da casa ficava lotado de adultos e crianças. Não tínhamos medo de dormir fora da casa. Muitos preferiam dormir sentindo o vento frio da madrugada e tendo a lua com lamparina.

Na infância falávamos sobre histórias de casas mal-assombradas, contos de pescador (se sentir cheiro de melancia, não entre no mar, tem tubarão por perto). Demorávamos a dormir. Ninguém queria “pegar” no sono e ser motivo de chacota. Corria-se o risco de ter o rosto pintado com uma pasta de dente.

Os mais traquinos armavam a rede de modo que quem fosse se deitar levasse uma queda. O riso era geral. Aquele que caiu, por vezes, levantava-se “brabo”, doido para “ir nas orelhas” de quem fez a brincadeira de mau gosto.

Já adolescentes, quando voltávamos das festas de madrugada, ficávamos resenhando. Quem “descolou” ou quem somente encheu a cara. Alguns chegavam bêbados e, com o balanço da rede, vomitavam pra valer.

Mas é claro que um alpendre tem os seus momentos de calmaria. A rede é um convite à leitura. Um cochilo. Sim, eu sei caro leitor, a rede também é um convite para o aconchego dos casais.

Pois é. Um alpendre e uma rede oferecem agradáveis momentos. E boas, boas lembranças.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

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domingo - 03/01/2021 - 16:00h

Sonhos de consumo

Por Marcos Ferreira

Algumas vezes me pego frustrado, desgostoso comigo mesmo, ao examinar minha trajetória “profissional” e perceber que não me profissionalizei em coisa alguma. Exatamente. É algo demasiado incômodo chegar a esta altura da vida (cinquenta janeiros) sem ter me tornado outra coisa exceto um aramista e malabarista de palavras. Não que o arame e os malabares do nosso idioma, mal ou bem manejados, signifiquem uma desonra. De modo algum. Aliás, com perdão da imodéstia, admito me orgulhar do razoável equilíbrio que adquiri na corda bamba — sem rede de proteção! — da palavra escrita. Esta é uma atividade na qual muitos equilibristas de reputações e currículos musculosos terminam se esborrachando.

Agora, no entanto, não adianta chorar o leite derramado nem lastimar o que eu poderia ter feito e que não fiz. Águas passadas! O tempo gasto, como a flecha despedida de um arco, não pode ser trazido de volta.Talvez por vocação, para não usar agora o termo mediocridade ou conformismo, aprendi bastante cedo a me regozijar com pequenas coisas, prazeres miúdos, sobejos e nonadas de um mundo que nunca me foi pródigo ou farto. Assim, na corda bamba desde a mais tenra idade, adquiri o reflexo e a condição de me equilibrar emocionalmente, até certo ponto, durante décadas a fio.

Hoje, então, para mais este ano que principia, minhas ambições e sonhos de consumo continuam modestos. Almejo primeiramente, com redobrado ardor, que nos libertemos desse falso e diabólico Messias que desgoverna o Brasil — vírus de carne e osso ene vezes pior que o da pandemia. Sobretudo porque não existe, até onde sei, uma vacina contra mal tão corrupto e corruptor sendo desenvolvida.

Mas não quero falar sobre o corona ou sobre a política funerária do Coveiro federal, que zomba dos mortos e das famílias enlutadas impune e olimpicamente. Sim. Quase duzentos mil mortos, por enquanto, e o Língua-de-Papagaio (observem que ele fala com a língua dançando na boca) continua fazendo pouco-caso da situação. Enquanto isso, em meio à desordem e retrocesso, milhões de brasileiros afundam na miséria absoluta. Por ironia, 2020 foi, por exemplo, o ano de ouro dos gigantes na fabricação de máscaras, de álcool em gel e do comércio de caixões de defunto.

Outro negócio que bombou em 2020 foi o das rachadinhas — essa palavra precisa urgentemente ser abonada pelos dicionários oficiais. No clã Bolsopata, portanto, assistimos ao apogeu dos funcionários laranja, safra nada menos que recorde, e ao notório superfaturamento de uma fantástica lojinha de chocolates situada num shopping na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O sentimento de indignação é tal que até parei de comer chocolate. Gostava do tipo amargo.

Antes de baixarem o cacete sobre mim, ressalto que não sou esquerdista, petista e muito menos lulista. Sequer sou católico ou evangélico. Este último, infelizmente, salvo exceções, foi e continua hipnotizado pelo falso Messias. Meu partido é o da honestidade, do respeito às pessoas, às diferenças e à democracia. Sim, há políticos honestos, tanto na esquerda quanto na direita, embora sejam raros.

Minha religião é o amor ao ser humano, independente de sua orientação sexual, cor da pele e conta bancária. O que não posso, perdoe-me a outra metade da laranja, é aplaudir um desgoverno deletério como esse, acintosamente machista, homofóbico, misógino, fascista escrachado, cuspidor e intimidador de jornalistas, tipo que menospreza a cultura, apologista de torturadores e alcoviteiro de milicianos.

Hoje, admito, meus sonhos de consumo são ainda menores. Porém desejo um novo ano diferente não só no tocante ao calendário, mas na consciência e atitude das pessoas. Espero olhar para a porta da geladeira e não avistar nenhum recibo de água ou de luz preso no azougue, ameaçado de corte. Que a conta na bodega permaneça em dia e algumas boas léguas de gasolina não faltem no bucho insaciável da minha motoca.

Quero saber o feijão borbulhando na panela dos brasileiros, o leite da manhã com café pingado e os pães quentinhos sobre a mesa. Há também que se ter rapadura na lata e farinha na cuia. Possuo meus vinis de Nelson Gonçalves, de Luiz Gonzaga, e a “mulher pomba-rola” canta feliz na gaiola aberta do meu peito, sem fantasmas de amores antigos assombrando meu coração alforriado.

O Sol vai subindo preguiçosamente, a festa dos meus trapos coloridos já o aguarda no varal. Até agora, creio, nenhum corpo estendido na manhã ruidosa. Cães impossíveis brincam de gato e rato no pavimento esburacado desta rua. O domingo despontou com a tiara multicor de um arco-íris e alguns pássaros ainda redemoinham na boca desdentada dos beirais.

Beberico uma caneca de café escoteiro no parapeito da janela, com vista para a rua. Na calçada da casa em frente, sem dar por meus olhos dissimulados mas sem ressaca, três jovens senhoras varrem o chão e confeccionam a colcha de retalhos da vida alheia. No banquinho chumbado rente ao meio-fio do boteco da esquina, “mal rompe a manhã”, como no verso de Drummond, dois estudiosos da cana-de-açúcar aguardam o pequeno comércio abrir as portas.

Ao que parece, repito, não há sangue nos noticiários, nas rádios, nem horário político na tevê. Também não é fevereiro, de modo que não se ouve os modernos e famigerados carnavais atravancando ruas ou as cruéis vaquejadas no Berrante com forró de quinta. Não há sexo quase explícito no “horário nobre” das telenovelas ou pregão na Bolsa Universal do Reino de Deus. É mais ou menos este o país que pulsa em meu peito nesta manhã de pardais e céu azul.

Não posso dizer que evoluí muita coisa. Não há tanto do que eu deva me orgulhar a esta altura da vida. Contabilizo os mesmos apuros e insucessos. O aluguel, a água, a luz, o amor e a literatura dão conta da minha inadimplência, embora sem vocação para o calote. Outra vez a Mega Sena passou longe do meu bolso raso. Até o meu pré-histórico aparelho telefônico há dias não grita o meu desimportante nome. Fato este, aliás, de somenos importância.

Apesar de tudo, já não me sinto um vira-lata entre os homens. A chibata da exclusão e do preconceito não fustiga minha cútis negra. Minha alma azul não mais habita a sarjeta da completa ignorância. A leitura me trouxe a miopia, no entanto agora consigo enxergar melhor do que antes. Também me sinto “capaz de ouvir e de entender estrelas”.

Adquiri uma insônia teimosa, no entanto meus pequenos sonhos não me abandonaram, pululam entre as horas mortas de minha vida. E tudo isto eu devo àquela simbólica e diversa família de livros; única faculdade que possuo e que me trouxe vários amigos doutores. Seres humanos, sobretudo. Olham-me da parede os olhos cúmplices de Mona Lisa, testemunhando nossas frequentes reuniões e palestras. Há pouco Machado veio ter comigo. Porém retornou à estante para ouvir o que o velho Graça tinha a dizer-lhe. Coisas do além-túmulo, decerto.

Prezo por essas ilustres companhias e amizades de tinta e celulose. Um homem sem livros é um homem sem alma.

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Crônica
domingo - 03/01/2021 - 15:02h

Unido ao mar de Tibau

Por Odemirton Filho

Desde que me entendo por gente, antes de entrar no mar, faço o sinal da cruz. É uma forma de pedir proteção a Deus. Questão de fé, diga-se.

Na minha infância e adolescência, em Tibau, neste período de veraneio, costumava diariamente ir à praia. Com mais uma ruma de meninos passávamos horas e horas “torrando no sol”.Quando chegava em casa minha mãe passava em meu corpo uma pomada branca, com cheiro forte, que, no momento, não lembro o nome.

Mas o que eu quero dizer é que o mar sempre me fascinou. Além de sua beleza, o mar me traz paz, lava-me a alma, principalmente, o mar de Tibau que molhava a minha infância e juventude.

Como se sabe é comum que barcos de pesca fiquem ancorados a uma certa distância da praia. Com alguns tios e primos nadávamos até lá, subíamos no barco e ficávamos por um bom tempo, dando mergulhos e mais mergulhos.

Quando era maré alta, na lua cheia, tomávamos banho de tardezinha. O mar ficava mais revolto do que nos outros dias. Quanto mais a gente nadava, mais o mar nos “puxava” pra dentro.

Peguei “jacaré” e tomei muito “caldo” no mar de Tibau. Até tentei ser surfista, mas não tinha jeito para a coisa.

No velho Jeep Willys azul do meu pai íamos do “arrombado”, na praia de Tremembé, à Barra, lá em Maria Lúcia, em Grossos. Passávamos, ainda, no restaurante de Marcos Porto pra tomar um refrigerante, que ficava na praia de Areias Alvas.

Parávamos de praia em praia para dar um mergulho. Depois chupávamos um picolé, daqueles “d´água do rio”. Chega escorria pelas mãos. Era que bom que só.

Creio que neste ano que se inicia um banho de mar seja bom para recarregar as baterias. Dizem que afasta o mau-olhado. Quem sabe, até nos ajudará a ficar livre do coronavírus.

Se eu for, antes de entrar no mar, claro que farei o sinal da cruz. Talvez, até faça como Clarice Lispector:  “Com as mãos em concha, mergulharei nas águas e trarei um pouco do mar até minha boca. Beberei o mar (de Tibau) e me unirei a ele”.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

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Categoria(s): Crônica
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 20/12/2020 - 10:32h

O Natal na casa de meus avós

Por Odemirton Filho

Na noite em que se comemora o Natal, com os meus pais, minhas irmãs, tios e primos íamos à casa dos meus avós. Éramos recebidos com enorme carinho e alegria.

A residência ficava lotada. Meninos e meninas de todas as idades. Os que já eram adolescentes não queriam conversa com os menores. Só falavam em namoro.Já as crianças ficavam correndo pra lá e pra cá, brincando, numa verdadeira festa.

Os adultos, sentados à mesa, conversavam. Talvez sobre as dificuldades do ano que estava perto de terminar. De vez em quando reclamavam da zoada que fazíamos e para que não sujássemos a roupa nova.

Nem escutávamos. Queríamos era brincar e aproveitar o momento.

Antes da ceia, os nossos pais distribuíam os presentes. E, claro, o amigo secreto. Aquele momento de palavras bonitas, choros e risadas.

Sempre tinha um tio ou tia que gostava de fazer um discurso. Minha avó, evangélica, conduzia a oração. Meu avô devia ficar pensando em seus ideais comunistas. Ficávamos doidos para que aquela ladainha acabasse logo.

Depois, a hora da ceia. Comida à vontade, para todos os gostos. Os mais gulosos faziam uma verdadeira “serra” no prato. Ficávamos “tirando onda” uns com os outros.

Até as primas comiam muito, não tinha essa de emagrecer. Se você vacilasse ficava sem comer o peru. Às vezes, sobrava a farofa. Não dava nem pra fazer um “RO”.

Era, sem dúvida, uma das melhores noites de minha infância. Esperava o ano todo pelo Natal.

Hoje, sem a presença de meus avós, a casa da rua 06 de Janeiro está vazia e em silêncio. Tios e primos se reúnem com as suas famílias. A vida, como é natural, cuidou de nos afastar.

Se o leitor viveu momentos como esses, talvez boas lembranças tocaram o seu coração e a sua alma.

Para mim, daquelas noites de Natal, restaram saudades. Muitas. Das grandes.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

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Categoria(s): Crônica
quinta-feira - 03/12/2020 - 04:50h
Realismo

Crônica da pandemia

– Troco massa, arroz e açúcar por papagaio.  Preciso falar com alguém.

– Se virem que saí do Grupo, me coloquem de novo.  É o desespero pra sair pra algum lado.

– Nem em meus sonhos mais loucos, imaginei entrar mascarado no Banco.

– Nunca pensei que minhas mãos iam consumir mais álcool que meu fígado.  Nunca…

– A Quarentena parece uma série da NETFLIX, quando acha que vai acabar, sai a temporada seguinte.

– Eu estou gostando da máscara, no supermercado passei por dois pra quem devo dinheiro e não me reconheceram.

– Se queixaram que 2020 tinha  poucos feriados.  Como estão agora?

– Preciso manter distância social da geladeira. Testei positivo pra gordura abdominal.

– Alguém sabe se a segunda quarentena se repete com a mesma família ou podemos trocar?

– Faltam duas semanas para que nos digam que faltam duas semanas para nos dizerem que faltam duas semanas.

– Não vou acrescentar 2020 a minha idade. Nem usei!

– Queremos nos desculpar  publicamente com 2019 por tudo o que falamos dele.

– Essas mulheres que pediam a Deus que o marido ficasse mais  tempo em casa… Como estão?

– Minha lavadora de roupas só aceita pijamas, coloquei um Jeans… me mandou a  mensagem #ficaemcasa

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Categoria(s): Crônica
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quinta-feira - 26/11/2020 - 09:38h
Adeus

Menino Diego

A arte universalizada e imortalizada com a bola, no gênio de um craque de todas as torcidas (Foto: Web)

O mundo do futebol perdeu Diego Maradona.

A propósito, quantos meninos não nasceram Diego, argentino ou não, por ele?

Por ele, por sua arte, refino no trato da bola.

E até por sua impulsividade.

Sua morte quarta-feira (25) é a prova da universalidade e imortalidade de Dieguito.

Descanse em paz!

Leia também: Maradona morre na Argentina aos 60 anos.

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Categoria(s): Crônica
sábado - 14/11/2020 - 17:22h
Reflexão

Perto do fim e feliz

Vamos chegando ao fim de outra campanha eletiva.

Sinto-me feliz, inteiro e privilegiado por sobreviver aos desatinos, cobranças naturais, fazendo o que gosto.

“Tudo passa”, reza parábola hindu.

Que bom!

A gente também passa e pode dormir em paz.

Gratidão!

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Categoria(s): Crônica / Eleições 2020 / Política
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domingo - 25/10/2020 - 10:22h

Conversa, em casa, com os candidatos a prefeito de Mossoró

Por Dionízio do Apodi

Depois de ver o debate da TCM-Telecom (veja AQUI) com as candidatas e com os candidatos à Prefeitura de Mossoró, fiz o exercício de imaginar que se tivéssemos uma casa onde passassem as manifestações políticas por perto, quais seriam as candidatas e candidatos que poderiam entrar ou não, e até que cômodo poderiam ir.Claro que tudo dependeria ainda de uma conversa com minha companheira Renata Soraya, para ver se ela concordaria (e o que ela modificasse eu aceitaria tranquilamente).

Sei que estamos numa pandemia e não é tempo de ninguém visitar ninguém (parece que já é tempo mas não é não).

Mesmo assim, tomando todo o cuidado do mundo, poderíamos agir da seguinte maneira:

ROSALBA CIARLINI – Ficaria na calçada, que é pública, e eu pediria para que ela não dissesse os bordões e expressões de efeito que nada significam: “Estamos reconstruindo”, “Mossoró vai crescer mais e mais”, “a Rosa fez, a Rosa faz” e coisas desse tipo que sua militância adora repetir.

Ela precisaria de mais tempo para me ouvir. Ela falaria pouco, ou quase nada, ou nada mesmo, não precisaria.

CLÁUDIA REGINA – Eu abriria a porta, mas a gente conversaria ali mesmo, em pé, e poderia estar acompanhada do vereador Petras Vinícius, mas do seu vice bolsonarista não, para não servir de mau exemplo para a nossa Diadorim, que é pequenininha.

ISOLDA DANTAS – Poderia entrar e sentar para conversarmos na área de entrada de nossa casa, mas sem sua assessoria. Seu vice Gutemberg entraria, e para o ambiente ficar melhor o companheiro Neto Vale também, que aí a gente aprenderia muito com esse camarada de luta. A conversa seria iniciada por mim que já começaria com uma reclamação para Isolda: “cuidado para não ficar igual a rosa, que quando alguém faz uma crítica vai um monte de assessor em cima e inibe a pessoa até de falar.

Acompanhava suas redes sociais, Isolda, e via muito que quando uma pessoa reclamava, legítima e democraticamente, de alguma coisa que não concordava, bastava esperar e em pouco tempo surgiam seis, sete, oito companheiros do PT metendo o pau em quem criticou, inibindo qualquer pessoa de tentar colaborar de alguma forma”. Mas falaríamos da agricultura familiar, que a deputada aprovou projeto importantíssimo para as famílias de agricultores do estado.

ALLYSON BEZERRA – Poderia entrar e sentar conosco na sala, acompanhado por meu amigo Tiago Bento e minha amiga Soneth Ferreira, vereadora de Apodi. Mesmo eu não tomando, serviria um café para podermos prolongar um pouco o tempo, para eu poder fazer algumas perguntas ao deputado, que não conheço muito, mas  que tenho total interesse em conhecer, longe da influência da militância de Isolda e Cláudia Regina, que o colocaram numa embalagem, que mesmo eu sem conhecê-lo, por respeito a qualquer pessoa, não trataria alguém assim.

Sabendo que ele é evangélico (não tem problema nenhum ser evangélico), gostaria de saber seu pensamento sobre as religiões afro, sobre a música brasileira, sobre as artes, a cultura, sobre suas raízes na zona rural.

Seu pensamento sobre as coisas seria mais importante, para mim, que sua religião.

RONALDO GARCIA – Tenho carinho por professor. Mesmo não o conhecendo, nem tendo sido meu professor, o chamaria de professor , convidaria para entrar e colocaria a cadeira para ele sentar. Pediria para ele ficar à vontade e que não precisava ficar nervoso como na TCM não.

Nosso encontro seria na cozinha, pois assim ele em algum horário iria comer alguma coisa e baixaria a máscara para eu ver o rosto dele. E a gente conversaria, sobre muitos assuntos, e pronto.

CEIÇÃO – Primeiro a gente daria muitas gargalhadas. Iríamos para o quintal, onde chuparíamos uma manga, mas diria a ela que não chegasse perto da goiabeira não, pra não ver Jesus e querer catequisar, ou evangelizar, a gente.

“Mulher, me fale mais sobre seu tempo de ambulante, que deve ter sido bastante difícil, mas acredito que cheio de histórias pra contar”.

Isso não significa de forma alguma a manifestação de voto em alguém, só um exercício de perceber quem está mais perto da gente.

Dionízio do Apodi é ator e diretor teatral

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Categoria(s): Crônica
domingo - 04/10/2020 - 12:10h

De volta às boas lembranças

Por Paulo Menezes

Quando não estou no mundo fascinante das abelhas Jandaíra, atividade que adoro e tenho como uma terapia ocupacional, sem querer, vivo muitas vezes mais do passado que do presente. Acho que é devido à violência dos dias atuais comparado com a tranquilidade de um passado cheio de paz, felicidade e, que por isso mesmo, é sempre motivo de muita saudade.

Ao romantismo de uma época de ouro confrontado com a selvageria do mundo presente. Violência e droga, naquela época, nem pensar. Na minha juventude, por sinal muito bem vivida, quando em Mossoró reinava harmonia, afeto, benquerença, bate papo nas calçadas, tínhamos uma turma de amigos que se autodenominava os 7 cabeludos.

Eu, Bira Menezes, Emery Costa, João Vieira, Guga Escóssia, Raul Caldas e Joãozinho de Neco Carteiro, formávamos o que se poderia chamar de um grupo de “bons vivants.” Emery Costa, Raul Caldas e Joãozinho de Neco Carteiro, infelizmente, já partiram e estão numa outra dimensão.

O nosso encontro diário era à noite no coreto da praça da Catedral de Santa Luzia. Lá funcionava a rede social da época. Estávamos sempre atualizados.

O rádio era o meio de comunicação mais eficiente.

Alí, vivíamos  os tempos dourados dos anos sessenta. Todos muito jovens, tínhamos muitos sonhos e fantasias. Tempo em  que nascia  na distante Liverpool, os  Beatles que iriam revolucionar toda uma geração. Revolução essa, que até hoje, me impressiona pelo fato de ver meus netos ao ouvir “I Want to Hold Your Hand” dizerem: – “vozinho, que música bonita, como o senhor tem bom gosto musical.”

Imagine nós que vivemos àquela época.

Recordo também, que com exceção de Joãozinho, os demais componentes de grupo prestaram no mesmo ano, o serviço militar no glorioso “Tiro de Guerra 188”. Sargentos Leite e Maurílio eram os instrutores.

Já naquela época se usava o cargo para benefício próprio, misturando o público com o privado.(esse país não tem jeito). Explico: um dos sargentos, além da farda, explorava um bar vizinho à sede do Tiro de Guerra. Num festivo dia de sábado, nosso grupo tomou 96 cervejas (não havia a Long Neck) ouvindo o sonoro violão de Wellington Couto, que também fazia parte da tropa militar e da boemia.

Dinheiro que era bom, ninguém tinha.

Ao perceber que não ia receber o valor do produto vendido, não deu outra. Na primeira instrução o sargento foi curto e grosso:

– Em 48 horas se vocês não pagarem a conta serão todos excluídos do serviço militar. Não tinha razão o enganado nem os enganadores.

O fato é que na pressão, o dinheiro apareceu e entre mortos e feridos escaparam todos.

Assim é que com pontas de saudades acabei de assistir e narrar mais um filme de um passado glorioso e extremamente feliz. Sobre o tema assim se expressou Bob Marley: “Uma das coisas mais belas da vida é olhar para o céu, contemplar uma estrela e imaginar que muito distante existe alguém olhando para o mesmo céu, contemplando a mesma estrela e murmurando baixinho: “

Paulo Menezes é meliponicultor

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Categoria(s): Crônica
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 13/09/2020 - 08:58h

O que vale a pena

Por Odemirton Filho

Tudo vale a pena, se alma não é pequena”.

(Fernando Pessoa)

 

Caminhavam na areia com a brisa tocando os seus rostos, como se fosse um beijo suave. Diariamente, à tardinha, gostavam de andar na beira da praia, com o mar molhando os pés.

Há anos tinham largado a cidade grande. Mudaram-se para a comunidade-praia e desfrutavam a paz do local. Buscavam sossego, pois já estavam aposentados.

A rotina raramente mudava. O marido acordava cedo, o sol nunca o encontrou dormindo, como diria Rui Barbosa. Preparava um café coado e tapiocas. A mulher se levantava um pouco mais tarde. Conversavam sentados à mesa, sem pressa. Depois cumpriam as tarefas da casa e faziam o almoço.

Algumas vezes, pela manhã, esperavam uma jangada vindo do alto mar e compravam peixes, já eram conhecidos dos pescadores e moradores da pequena localidade. As compras da casa eram realizadas na mercearia de Zé de Niel, que ficava próximo, ainda no sistema da “caderneta”.

Antes do almoço o marido gostava de tomar uma “pra lavar”.  Depois, deitavam-se nas redes e iam curtir a “sesta”. No meio da tarde tomavam um “pingado”, acompanhado com pães e bolo.

À noite, após o jantar, deitavam-se juntos no alpendre com o vento balançando a rede, embalando os momentos mais íntimos.

Tinham um filho e dois netos que os visitavam uma vez por ano, nas férias, pois moravam longe, lá pelas bandas do sul do país. Para não ficarem incomunicáveis possuíam um telefone celular.  Assistiam a televisão, de vez em quando, para verem o noticiário.

Liam muito. Sobretudo, os romances, contos e as crônicas do bruxo do Cosme Velho. A sós, conversavam sobre a vida. Lamentavam-se. Eram para ter dançado mais. Viajado mais.

Entretanto, a correria do dia a dia e o trabalho fizeram com que consumissem boa parte da vida. O tempo passou depressa. Os anos avançaram e olhavam para trás, com saudade, principalmente, daquilo que não viveram. Agora, já não tinham o viço da mocidade.

Somente o tempo nos faz amadurecer. Os valores da vida são repensados. Valeu a pena correr tanto em busca de bens materiais? Perguntavam-se. Vivemos tempos da economia do desejo, não da necessidade.

Infelizmente, ou felizmente, ninguém transfere sua experiência ao outro. Erros e acertos precisam fazer parte da vida de cada um. Se pudessem voltariam no tempo e viveriam de outra forma. Mais leves. Mais soltos.

Final da tarde. Era hora de ir à praia, caminhar na areia e sentir a brisa. Juntos, viram o pôr do sol refletir sobre as águas do mar.

Descobriram que nunca é tarde para viver o que vale a pena.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

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Categoria(s): Crônica
quarta-feira - 02/09/2020 - 08:10h
Reflexão

‘Humano’

Queria entender que prazer mórbido, sádico, frio e desprovido de compaixão, move alguém ‘esclarecido’ a fotografar e distribuir imagem de um ser humano morto, despedaçado, numa poça de sangue.Enquanto não entendo, sinto-me aliviado em não fazer parte desse mundo.

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Categoria(s): Crônica / Opinião da Coluna do Herzog
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