quarta-feira - 28/01/2026 - 14:44h
Decisão

TRE confirma cassação de prefeito e vice-prefeito

André Júnior (PP) e Paulinho de Enoch (MDB): cassação (Foto: Web)

André Júnior (PP) e Paulinho de Enoch (MDB): cassação (Foto: Web)

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) decidiu, de forma unânime, manter a cassação dos mandatos do prefeito de Itaú, André Júnior (PP), e do vice-prefeito Paulinho de Enoch (MDB), por abuso de poder político e econômico e prática de conduta vedada nas Eleições de 2024.

O caso foi analisado nos Embargos de Declaração no Recurso Eleitoral nº 0600224-44.2024.6.20.0045, que trata de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral do município de Itaú/RN. Os embargos foram apresentados por Francisco André Régis Júnior (prefeito) e Paulo Fernandes Maia (vice-prefeito), reeleitos em 2024, contra decisão anterior do TRE-RN que já havia cassado os diplomas e aplicado sanções a partir de recurso da Coligação “Vontade do Povo”.

O relator do processo foi o juiz eleitoral Daniel Cabral Mariz Maia, responsável pelo voto que conduziu o resultado tanto no recurso eleitoral quanto nos embargos.

Decisão nos embargos

A defesa do prefeito e do vice alegou que o acórdão anterior teria sido omisso ao não considerar, de forma adequada, dois pontos: a ausência de uso de recursos públicos na compra dos brindes do Dia das Mães e o tempo entre os fatos e o dia da eleição.

O relator afirmou que esses aspectos já haviam sido analisados, mesmo que de forma implícita, e que não eram suficientes para mudar a conclusão de que houve abuso de poder, pois a gravidade das condutas foi demonstrada pelo conjunto das provas.

Decisão

A decisão manteve o entendimento de que houve conduta vedada e abuso de poder em dois eventos promovidos pela Prefeitura de Itaú em 2024: o evento “Dia das Mães Itauenses”, em 19 de maio, e o “XVI Arraiá do Zé Padeiro”, entre 24 e 26 de junho.

No evento do Dia das Mães, mais de 800 mães foram recebidas com café da manhã e concorreram ao sorteio de cerca de 300 brindes de valor significativo, com forte divulgação nas redes oficiais da Prefeitura e participação direta do prefeito, já então pré-candidato à reeleição.

No Arraiá do Zé Padeiro, o Tribunal entendeu que o show de encerramento do cantor Rey Vaqueiro, contratado por R$ 120 mil com recursos públicos, foi desvirtuado para promover pessoalmente o prefeito, em período próximo às eleições e com grande alcance junto à população.

Com a rejeição dos embargos, ficaram mantidas as penas já impostas aos candidatos reeleitos: para o prefeito, multa de R$ 10.641,00, cassação do diploma e inelegibilidade por oito anos; para o vice-prefeito, multa de R$ 5.320,50 e cassação do diploma.

A cassação atinge a chapa inteira, motivo pelo qual tanto o prefeito quanto o vice perdem seus diplomas, enquanto a inelegibilidade atinge apenas o gestor diretamente responsável pelas condutas consideradas abusivas.

Inelegibilidade do prefeito

Francisco André Régis Júnior foi condenado à inelegibilidade pelo prazo de oito anos, em razão da prática de abuso de poder político e econômico, além de conduta vedada nas Eleições de 2024. A sanção impede que ele registre candidatura ou seja diplomado para novos cargos eletivos durante esse período. Somam-se ainda a cassação do diploma e o pagamento de multa.

Recurso

O acórdão determina que a decisão passe a ser cumprida após o fim do prazo para eventual recurso especial ou para a apresentação de novos embargos de declaração, seguindo o entendimento já adotado pelo TRE-RN em outros casos semelhantes.

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quarta-feira - 28/01/2026 - 13:46h
Reação

União Brasil, PP, MDB e PSD endossam apoio a Allyson

Allyson-Bezerra

Os partidos União Brasil, Progressistas, MDB e PSD emitiram nota conjunta nesta quarta-feira de apoio ao prefeito mossoroense Allyson Bezerra (União Brasil).

Na terça (28), foi realizada uma operação da Polícia Federal envolvendo oito prefeituras do RN. Allyson foi um dos alvos.

Confira a nota.

Os partidos União Brasil, Progressistas (PP), Partido Social Democrático (PSD) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB) vêm a público manifestar solidariedade e apoio ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, diante de investigação que envolve gestores de diversos municípios.

Reafirmamos nossa confiança na postura do prefeito Allyson, que tem pautado sua gestão pelo compromisso com a transparência, pelo respeito às instituições e pela responsabilidade com a coisa pública. Seguimos ao lado de Allyson Bezerra, com a certeza de que todos os fatos serão devidamente apurados, com absoluto respeito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência, princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito.

A verdade prevalecerá.

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quarta-feira - 28/01/2026 - 11:30h
Eleitos

Michelson Frota e Lucineide Queiroz têm missão no Sindivarejo

Lucineide Queiroz e Michelson Frota: mandato de quatro anos (Foto: Sindivarejo)

Lucineide Queiroz e Michelson Frota: mandato de quatro anos (Foto: Sindivarejo)

O empresário Michelson Frota foi eleito para novo mandato de quatro anos nessa terça-feira (27), presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Mossoró, em eleição realizada na sede da entidade. O pleito contou com a participação dos associados e dirigentes.

E sua nova gestão, Frota conta com Lucineide Queiroz como vice.

”Nosso trabalho é resultado do próprio apoio maciço dos sócios do Sindivarejo. Ao lado de Lucineide e demais dirigentes e colaboradores, seguiremos em defesa do segmento e dos interesses que também se fundem com o da sociedade “, salienta Michelson Frota.

”É nossa missão”, reforça.

Diretoria

Presidente
Michelson Ximenes Formiga Frota
Vice- Presidente
Lucineide Vieira de Santana Queiroz
2º Vice-Presidente
Luis Claudio Domotor
1º Secretario
Ênio Gomes Fernandes de Souza
2º Secretario
Marcio Antonio Mota Mendonça
1º Tesoureiro
Jair Urbano de Queiroz
2º Tesoureiro
José Gilmario de Carvalho

SUPLENTES

Gilseleno Jales Correia Lima
Jose Carlos Lins Matos
Pedro Jorge Rebouças Pereira
Maria do Céu Figueiredo
Jurandi Irineu Pereira Filho
Maécio Robert Leite Ribeiro
Allan Gleyson de Lima Frederico

CONSELHO FISCAL

Cimaria Gurjão de Morais Paiva
Elisangelo Fernandes dos Santos
Joailson Regis Nogueira

SUPLENTES

Antônio Ximenes Gurgel da Frota Filho
Estevam Roberto Fernandes França
Antonio Cleide Linhares Araujo

DELEGADOS REPRESENTANTES JUNTO A FECOMÉRCIO RN

Michelson Ximenes Formiga Frota
Jair Urbano de Queiroz

SUPLENTES

Lucineide Vieira de Santana Queiroz
Luis Claudio Domotor

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quarta-feira - 28/01/2026 - 10:24h
Parceria

Grupos empresariais investirão em negócio de alto padrão

Arte ilustrativa

Arte ilustrativa

O consórcio entre um sólido grupo paraibano e outro mossoroense, também vigoroso, desenha investimento de alto nível para Mossoró.

Ideia é construir um complexo comercial em endereço privilegiado no Nova Betânia.

Foco?

Público de alto padrão.

Depois a gente detalha.

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quarta-feira - 28/01/2026 - 08:05h
Polícia Civil

Prefeito de Ielmo Marinho é preso após tentar ocultar provas

Fernando “Canto de Moça” é preso (Foto: web)

Fernando “Canto de Moça” é preso (Foto: web)

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte deflagrou, nas primeiras horas desta quarta-feira (28), a Operação Securitas, para dar cumprimento a mandados judiciais de busca e apreensão no âmbito de investigação que apura a atuação de organização criminosa, com participação de agente político e integrante das forças de segurança.

As diligências ocorreram nos municípios de Ielmo Marinho, São Gonçalo do Amarante, Natal e Parnamirim.

As investigações tiveram início em 2023 e indicam que o grupo criminoso estaria estruturado para a intimidação de adversários políticos e a prática de outros ilícitos, contando com núcleo armado e capilaridade político-administrativa.

De acordo com a apuração, o prefeito de Ielmo Marinho, Fernando Batista Damasceno (MDB), o Fernando “Canto de Moça”, é apontado como líder da organização criminosa. Há ainda investigados ocupantes de mandato legislativo e um policial militar.

Os fatos que impulsionaram a investigação incluem ocorrência registrada em Ielmo Marinho, quando houve notícia de que homens fortemente armados estariam no interior da Câmara Municipal, supostamente para fazer segurança privada de parlamentar e intimidar opositores.

Na ocasião, foi apreendido um arsenal, com armas e munições, inclusive de calibres restritos (.40 e .45), além de outros materiais. A operação tem como objetivo reunir novos elementos probatórios para esclarecer, principalmente, a prática de porte ilegal de arma de fogo, constituição de milícia privada e organização criminosa, além de identificar eventuais outros envolvidos.

Os mandados visam à apreensão de documentos, valores, armas e dispositivos eletrônicos, incluindo aparelhos celulares.

Durante o cumprimento das medidas judiciais, o prefeito investigado foi preso em flagrante por embaraçar investigação de organização criminosa, ao arremessar para fora de sua residência valores em dinheiro e um aparelho celular, na tentativa de ocultar provas.

As apurações contam com a atuação integrada do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte (MPRN) e o apoio da Polícia Militar do Rio Grande do Norte (PMRN). Durante a ação, sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos.

O nome “Securitas” tem origem no latim e significa segurança, fazendo referência ao objetivo central da ação policial, que é restabelecer a ordem pública, coibir a atuação de grupos armados e proteger as instituições democráticas, especialmente diante do uso da violência e da intimidação no ambiente político-administrativo.

A Polícia Civil reforça a importância da colaboração da população, que pode repassar informações de forma anônima por meio do Disque Denúncia 181.

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Categoria(s): Política
terça-feira - 27/01/2026 - 23:50h

Pensando bem…

“A cada minuto que passamos com raiva, perdemos sessenta felizes segundos.”

William Somerset Maugham

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terça-feira - 27/01/2026 - 11:36h
Agenda

Tibau recebe I Festival Literário

Evento vai reunir amantes da literatura - Foto: reprodução

O primeiro Festival Literário de Tibau – FliTibau- promete movimentar a cena cultural no litoral do oeste potiguar. As vagas para novos participantes foram esgotadas durante o primeiro dia de divulgação. O evento acontece no dia 31 de janeiro, a partir das 15h, no Espaço Villa do Tibau, localizado na Avenida 22 de Dezembro, em Tibau- RN. O encontro representa um mergulho na Literatura Potiguar, reunindo escritores, leitores e apreciadores da arte em uma tarde dedicada aos livros, à poesia e cultura nordestina.

A iniciativa parte dos jornalistas Emanuela de Sousa, Lúcia Rocha e Raí Lopes, além do poeta Júlio Rosado, com a ideia de aproximar o universo literário na cidade-praia de Tibau. Haverá sessão de autógrafos dos livros de Emanuela de Sousa, Júlio Rosado e Leila Tabosa. Um dos momentos mais aguardados da programação será o lançamento do livro Tibau de Todos os Tempos – Volume II, de autoria de Lúcia Rocha, obra que resgata memórias, histórias e identidades de nativos e veranistas nascidos a partir da década de 1920. Valor do exemplar: R$ 60.

O FliTibau é aberto ao público e contará com a participação da confraria literária Café & Poesia, representada por Ângela Gurgel, Vanda Maria Jacinto, Dulce Cavalcanti, Marlene Maurício Maia, Sueldo Câmara, Airton Cylon, Marcelo Almeida, Danny Santos e Marcos Antônio de Oliveira que também estarão autografando suas obras.

Além da contadora de estórias Magaly Holanda e da mostra de peças de artesanato produzidas pela Associação de Artesãos de Tibau, valorizando a produção da arte local.

Para completar a experiência, os visitantes poderão desfrutar da culinária da cafeteria do Villa do Tibau, que oferece cardápio com sabor regional. Haverá, ainda, uma apresentação da atriz Tony Silva, da Banda Filarmônica de Tibau e Exposição Xilogravura Potiguar. Venha viver esse momento e celebrar os talentos de nossa gente.

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terça-feira - 27/01/2026 - 11:02h
Licitações

PF cumpre 35 mandados e recolhe dinheiro com empresário

Dinheiro estava numa caixa de isopor (Reprodução: vídeo da PF)

Dinheiro estava numa caixa de isopor (Reprodução: vídeo da PF)

A operação desencadeada nesta terça-feira (27) pela Polícia Federal e Controladoria-Geral da União (veja AQUI) teve alvos em várias municípios do Rio Grande do Norte: Natal, Mossoró, Pau dos Ferros, Upanema, São Miguel, Paraú, José da Penha e outras.

A PF cumpriu 35 mandados de busca e apreensão no estado. Num dos endereços, pacotes de dinheiro foram apreendidos na casa de um dos sócios de empresa investigada.

Empresas fornecedoras de insumos à saúde estariam sendo beneficiadas em licitações. É o ponto central das apurações.

Elas atuam também fora do RN e investigação é focada na relação delas com o poder público.

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terça-feira - 27/01/2026 - 09:22h
RN

PF faz operação em municípios; prefeito Allyson se pronuncia

Mensagem anual terá apresentação a partir de 9 horas (Foto: Arquivo/2024)

Prefeito se pronunciou em nota de advogados (Foto: Arquivo/2024)

A Polícia Federal, em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União, deflagrou, nesta terça-feira (27/1), operação com o objetivo de desarticular um esquema voltado ao desvio de recursos públicos e a fraudes em procedimentos licitatórios. Empresas sediadas no Rio Grande do Norte que fornecem produtos, a dezenas de municípios, são investigadas.

Estão sendo cumpridos 35 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Norte, além da adoção de medidas cautelares e patrimoniais.

O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), está entre os alvos. Seus advogados Caio Vitor Barbosa e Fabrizio Feliciado emitiram Nota: “A apuração conduzida pelas autoridades federais tem como objeto central contratos firmados entre municípios do Rio Grande do Norte e empresas de medicamentos, envolvendo fatos ocorridos em diferentes entes municipais, e não se confunde com a atuação pessoal do chefe do Poder Executivo de Mossoró.”

As investigações apontam indícios de irregularidades em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde, envolvendo empresas sediadas no Rio Grande do Norte que atuavam junto a administrações municipais de diversos estados. Auditorias identificaram falhas na execução contratual, incluindo indícios de não entrega de materiais, fornecimento inadequado e sobrepreço.

Os investigados poderão responder por crimes relacionados a desvios de recursos públicos e por fraudes em contratações administrativas.

Nota

NOTA À IMPRENSA – DEFESA DO PREFEITO ALLYSON BEZERRA

A defesa do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, vem a público esclarecer que, na data de hoje, foi cumprido mandado judicial de busca e apreensão no âmbito de investigação.

A apuração conduzida pelas autoridades federais tem como objeto central contratos firmados entre municípios do Rio Grande do Norte e empresas de medicamentos, envolvendo fatos ocorridos em diferentes entes municipais, e não se confunde com a atuação pessoal do chefe do Poder Executivo de Mossoró.

Pelo que já se teve acesso, não há qualquer fato que vincule pessoalmente o prefeito Allyson Bezerra, tendo a medida sido deferida com base em diálogos envolvendo terceiras pessoas.

O cumprimento da medida cautelar decorre de decisão judicial proferida em fase investigativa, sem qualquer juízo de culpa, sendo importante destacar que o prefeito Allyson Bezerra não foi afastado de suas funções e não sofreu qualquer medida pessoal restritiva. Desde o primeiro momento, o prefeito colaborou integralmente com a diligência, franqueando acesso às informações solicitadas, em respeito às instituições e à legalidade, convicto de que a apuração técnica e imparcial dos fatos demonstrará a correção de sua conduta. Como medida preventiva e de fortalecimento dos mecanismos de controle e transparência, ainda em dezembro de 2023, o prefeito Allyson Bezerra editou o Decreto no 6.994/2023, que tornou obrigatória a utilização do Sistema Nacional de Gestão da Assistência Farmacêutica – Hórus como sistema oficial de controle de estoque e dispensação de medicamentos no âmbito da Prefeitura de Mossoró, além de atribuir à Controladoria Geral do Município a responsabilidade direta pela fiscalização e acompanhamento de sua correta utilização.

A defesa reafirma a confiança no trabalho das autoridades, nas garantias constitucionais, na preservação da presunção de inocência. O prefeito Allyson Bezerra segue exercendo normalmente suas funções, com foco na gestão pública, na transparência administrativa e no interesse da população de Mossoró.

CAIO VITOR R. BARBOSA e FABRÍZIO FELICIADO Advogados

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terça-feira - 27/01/2026 - 07:32h
Assustador!

O problema multiplicador das faculdades precárias de Medicina

Unidade Temporária para Pronto Atendimento poderá realizar vários procedimentos (Foto ilustrativa)

Quatro em cada 10 formados saem sem capacidade mínima das faculdades privadas (Foto ilustrativa)

Do The News e BCS

Na semana passada, dados do Exame Nacional de Formação Médica (ENAMED) 2026 revelaram que 4 em cada 10 médicos formados em faculdades privadas no Brasil saem sem a capacidade mínima para exercer a profissão.

Dos 24 mil formandos de cursos privados, 38,8% não atingiram a nota mínima (60 de 100). Já entre as universidades públicas, o desempenho foi bem melhor: das 49 instituições que tiraram nota máxima, 40 são federais ou estaduais.

Hoje, mais de 70% dos formandos são originários de instituições privadas.

Em números, o Brasil mais que triplicou o número de escolas médicas em 20 anos, saltando de 143, em 2004, para 448, em 2024.

Assustador!

Leia também: Avaliação de cursos de Medicina vê Facene bastante deficiente

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terça-feira - 27/01/2026 - 05:38h
Câmara dos Deputados

Oito vagas e concorrência pesada e ameaçadora

Benes, Carla, Robinson, João, Gonçalves, Girão, Mineiro e Bonavides: votos distintos (Fotomontagem Web)

Benes, Carla, Robinson, João, Gonçalves, Girão, Mineiro e Bonavides: mandatos em foco (Fotomontagem Web)

Pelo menos três nomes despontam  este ano como fortes candidatos à eleição à Câmara dos Deputados pelo RN. Nenhum é estreantes à concorrência. São ‘desafiantes.’

O deputado estadual Dr. Bernardo Amorim (PSDB), a secretária de Desenvolvimento de Natal, Nina Souza (UB), e a vereadora natalense Samanda Alves (PT).

Porém, só existem oito vagas.

Benes Leocádio (UB), Carla Dickson (UB), Fernando Mineiro (PT), João Maia (PP), General Girão (PL), (PL), Natália Bonavides (PT), Robinson Faria (PP) e Sargento Gonçalves (PL) são deputados e devem concorrer à reeleição.

Quem pode sobrar?

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segunda-feira - 26/01/2026 - 23:50h

Pensando bem…

“Você não encontra paz, evitando a vida.”

Virginia Woolf

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segunda-feira - 26/01/2026 - 16:38h
Boa nova

Petrobras reduz preço da gasolina em 5,2%

Arte ilustrativa

Arte ilustrativa

G1

A Petrobras vai reduzir o preço da gasolina para as distribuidoras a partir desta terça-feira (27). Essa será a primeira redução do combustível promovida pela petroleira neste ano.

Com isso, o preço médio da gasolina A passará a ser de R$ 2,57 por litro — uma redução de R$ 0,14 por litro.

A última alteração no preço da gasolina havia ocorrido em outubro de 2025.

“Desde dezembro de 2022, os preços de gasolina para as distribuidoras foram reduzidos em R$ 0,50 / litro. Considerando a inflação do período, esta redução é de 26,9%”, diz a empresa em nota. (veja a íntegra abaixo)

A companhia também informou que deve manter inalterados, neste momento, os preços de venda do diesel para as distribuidoras. Nesse caso, segundo a Petrobras, a redução acumulada nos preços do diesel é de 36,3% desde 2022.

Preços nas bombas

Segundo a Petrobras, os preços praticados pela empresa representam cerca de um terço do valor final pago pelos consumidores nos postos.

A petroleira explica que o preço da gasolina nas bombas é composto por diversos fatores, além do valor cobrado pela estatal.

São eles:

Custos e margem de lucro de distribuidoras e revendedores;

Custo do etanol anidro, que é misturado à gasolina A para formar a gasolina C;

Impostos federais, como Cide, PIS/Pasep e Cofins;

Imposto estadual (ICMS), cuja alíquota varia conforme a unidade da federação.

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segunda-feira - 26/01/2026 - 15:38h
Negócios

Gigante do comércio virtual quer ser enorme em loja física

Modelo de megaloja na visão da Amazon ((Imagem: Geek Wire)

Modelo de megaloja na visão da Amazon ((Imagem: Geek Wire)

Do The News para o BCS

A Amazon acaba de receber sinal verde para construir uma loja de 21.300 m² na região de Chicago-EUA. O projeto vai ser um modelo de megaloja de departamento — um “Amazon-Mart” para bater de frente com os maiores supermercados do país.

Por que o movimento? Embora hoje a Amazon seja líder no digital, o mundo real ainda é onde o volume acontece.

Nos EUA, o comércio em lojas físicas representa 84% das vendas, enquanto o e-commerce fica com apenas 16%.

Outro dado que tira o sono da Big Tech é que 93% dos seus clientes Prime compram regularmente no Walmart.

Mesmo tendo tentando de tudo nos últimos anos, desde livrarias, lojas de presentes e de conveniência, agora a estratégia da empresa é outra: a megaloja.

A ideia é que o formato sirva também como um mini-hub logístico, usando o estoque para despachar rapidamente produtos comprados pelo site.

Curiosidade: O valor de mercado da Amazon é maior (US$ 2,5 trilhões vs US$ 939 bilhões), mas a receita do Walmart supera a da companhia de Jeff Bezos: US$ 703 bi contra US$ 691 bi).

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segunda-feira - 26/01/2026 - 08:40h
Inclusão

Festival “A Praia Para Todos” tem êxito impressionante

Evento foi o maior já realizado, com condução de Petras Vinícius (Fotomontagem do BCS)

Evento foi o maior já realizado, com condução de Petras Vinícius (Fotomontagem do BCS)

O município de Tibau viveu neste domingo (25), um momento histórico com a realização da maior edição do Festival “A Praia Para Todos”, que movimentou a área da Pedra do Chapéu, na Praia do Ceará. Estima-se um público em torno de 15 mil pessoas ao longo do dia, em um grande encontro de inclusão, cultura, lazer e cidadania.

O evento teve uma proporção impressionante.

Idealizado pelo Fórum de Mulheres com Deficiência de Mossoró e Região, o festival acontece em parceria com o vereador de Mossoró Petras Vinícius (UB) e apresentou uma programação diversificada e totalmente adaptada, recebendo caravanas de Mossoró e de diversas cidades da região.

“O Festival ‘A Praia Para Todos’ se consolida como o maior festival inclusivo, de cidadania e cultural das praias do Brasil. É um evento que cresce a cada edição e, neste ano, estamos vivenciando um público histórico, com caravanas lindas de Mossoró e de toda a região”, destaca Petras Vinícius.

Com uma estrutura montada especialmente para o evento — incluindo tenda, palco, sonorização e área decorada e adaptada —, o festival ofereceu atrações musicais como Renata Falcão, Nataly Vox e Júnior Farra, garantindo um dia de celebração, lazer e integração para pessoas de todas as idades.

Entre os destaques da programação houve o Espaço Zen, com serviços de relaxamento e massagens; atividades recreativas adaptadas com a AMARTI – Associação Mossoroense de Arte Inclusiva, FQ Recreações e o SESC; além de futebol de sabão, brinquedos inclusivos e modalidades esportivas como vôlei sentado e futebol para cegos.

Um dos momentos mais aguardados do festival é o banho de mar assistido, que possibilita acesso seguro e inclusivo ao mar por meio de cadeiras anfíbias, caiaques e outros equipamentos adaptados. Não faltou ainda uso dos triciclos do projeto “Inclusão Sobre Rodas”, ampliando a mobilidade e a autonomia das pessoas com deficiência.

As cadeiras anfíbias utilizadas foram adquiridas por meio de emenda parlamentar no valor de R$ 50 mil, destinada pelo deputado estadual Kleber Rodrigues.

Sustentabilidade e parcerias

O Festival “A Praia Para Todos” também reforça ações de sustentabilidade e solidariedade, com pontos do projeto “Tampinha da Inclusão” e a instalação de lixeiras, contribuindo para a limpeza da praia e a preservação ambiental.

A realização teve o apoio da Lei Câmara Cascudo, do Governo do Estado, da Prefeitura de Tibau, da Prefeitura de Mossoró, além do Banco do Nordeste Cultural, Câmara Municipal de Mossoró, FunciteRN, Atacadão Queiroz, WSC, Pipoca Bokus, Indaiá, Tempero Regina, Mais Leve, Marilux, Cinsal, TCM, UniCatólica, UERN, BYD Carmais, Cimento Mizu, Pé Direito, AEC e diversas empresas, instituições e projetos parceiros.

Multidão vinda de várias partes participou da festa (Foto: Divulgação)

Multidão vinda de várias partes participou da festa (Foto: Divulgação)

O evento contou com a presença de importantes lideranças políticas, entre elas a senadora Zenaide Maia; o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, e o vice-prefeito Marcos Medeiros; a prefeita de Tibau, Lidiane Marques, e o vice-prefeito Haroldo Souza; os deputados estaduais Kleber Rodrigues, Neilton Diógenes e Ivanilson Oliveira; o presidente da Câmara Municipal de Mossoró, Genilson Alves, além de vereadores da cidade; a vereadora Rafaela de Nilda, do município de Parnamirim; prefeitos de Governador Dix-Sept Rosado, Felipe Guerra, Riacho da Cruz e Apodi; bem como presidentes de câmaras municipais e vereadores de toda a região, reforçando o apoio institucional às pautas da inclusão, acessibilidade e cidadania.

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segunda-feira - 26/01/2026 - 04:00h
Juris1

Cursinho preparatório para a OAB abre matrículas

Banner de divulgação

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Nesta segunda-feira (25), data prevista para a publicação do edital do Exame de Ordem da Ordem dos Advogados do Brasil (OOAB/RN), o cursinho preparatório “Juris1” dará início às matrículas para a “OAB 46.” Fique ligado.

O Juris1, segundo seus dirigentes (advogados e professores), é um cursinho voltado exclusivamente para a aprovação na primeira fase do Exame da OAB, com uma metodologia estratégica, prática e direcionada ao perfil da banca. Trabalhamos com análise estatística das provas anteriores, foco nos temas mais recorrentes e organização inteligente do conteúdo, sempre valorizando o potencial individual de cada aluno.

É formado por 9 professores especialistas, jovens advogados, engajados e comprometidos com resultados reais.

“Atuamos de forma próxima ao aluno, oferecendo material próprio, aulas objetivas e acompanhamento durante toda a preparação, com o propósito claro de transformar estudo em aprovação”, salienta o Juris1.

Mais informações neste endereço do Instagram: Instagram Juris1

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domingo - 25/01/2026 - 23:56h

Pensando bem…

“O exercício do silêncio é tão importante quanto a prática da palavra.”

William James

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domingo - 25/01/2026 - 11:24h

Empresas familiares podem durar séculos

Por Eduardo Valério

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

As empresas familiares brasileiras enfrentam hoje um desafio semelhante ao das organizações que atravessaram séculos: evoluir sem perder o núcleo que lhes dá identidade. As antigas guildas medievais já lidavam com esse dilema ao transformar ofícios transmitidos entre gerações em sistemas formais de reputação, qualidade e influência econômica. Elas entenderam que tradição é método, não apego sentimental, e que conhecimento só se perpetua quando deixa de ser individual para se tornar estrutura.

No Brasil, ainda é comum tratar legado como memória afetiva, quando ele deveria funcionar como tecnologia organizacional.

No varejo asiático, especialmente em conglomerados familiares do Japão, Coreia e Singapura, a longevidade nasce da disciplina e do preparo estruturado. Sucessores passam por ciclos extensos de rotação, imersão internacional e exposição a desafios reais antes de assumirem qualquer posição estratégica. Essa metodologia cria líderes que conhecem profundamente o negócio e evita decisões impulsivas. Enquanto isso, muitas empresas brasileiras ainda tratam a sucessão como anúncio tardio, guiado por afinidades pessoais, não por competências.

Nas holdings familiares do Oriente Médio, a perenidade surge de uma engenharia precisa entre propósito e execução. O conselho da família preserva valores e visão, enquanto executivos especializados conduzem a operação com rigor técnico e metas claras. Esse arranjo fortalece o protagonismo familiar ao longo do tempo, pois libera a família para atuar onde ela é mais necessária: direção, estratégia e legado. Em nosso país, ainda há receio de que profissionalizar seja abrir mão de controle, quando, na prática, é justamente o que garante relevância para as próximas gerações.

O traço comum entre esses modelos históricos e contemporâneos é a capacidade de projetar o futuro como narrativa compartilhada. Guildas operam com cartas que definiam função e responsabilidade. As famílias asiáticas trabalham com planos de longo prazo que atravessam décadas. Holdings árabes conectam projetos empresariais a visões nacionais de desenvolvimento. Essa construção coletiva de futuro reduz conflitos, orienta decisões e cria coerência entre gerações. Aqui, a governança ainda costuma girar em torno da figura do fundador, uma referência forte, mas insuficiente para sustentar décadas à frente.

Outro ensinamento consistente é enxergar a empresa familiar como ecossistema, não como estrutura fragmentada. As guildas criavam redes de apoio econômico e formativo. Conglomerados asiáticos tratam o núcleo familiar como um conjunto de competências complementares. Famílias do Golfo enxergam seus negócios como instrumentos de impacto social e econômico. Localmente, ainda prevalece a tentativa de separar empresa e família como blocos independentes, quando, na prática, são forças que se moldam mutuamente.

A formação de novas lideranças consolida ainda mais esse ponto. Nas guildas, anos de prática transformavam aprendizes e mestres preparados para inovar. Nos conglomerados asiáticos, vivência e qualificação antecedem sobrenomes. Nas holdings árabes, avaliações externas e conselhos independentes garantem justiça e transparência. Em muitas empresas brasileiras, planos sucessórios são acionados apenas quando a urgência já se instalou, criando instabilidade e perda de valor estratégico.

A excelência operacional é outro pilar recorrente dessas organizações longevas. Rotinas precisas, sistemas de controle robustos e disciplina na execução evitam que o cotidiano dependa da vontade de um único líder. Quando a operação funciona com autonomia e qualidade, a família pode se dedicar à visão de longo prazo, à inovação e à construção de identidade. A profissionalização não substitui a família; ela sustenta o espaço para que a família exerça seu papel de guardiã do propósito.

Essas organizações também se distinguem pela forma como tratam crises. Para as guildas, momentos de ruptura eram oportunidades de modernização. Famílias asiáticas aprenderam a ajustar modelos após crises financeiras. Holdings árabes transformaram dependências históricas em plataformas diversificadas de investimento. Empresas familiares brasileiras, por sua vez, muitas vezes reagem a crises com apego ao passado, quando a sobrevivência depende justamente da capacidade de rever crenças, abandonar padrões ineficientes e reconstruir caminhos.

A lição central que emerge desses exemplos é a relação madura que constroem com o tempo. Elas operam em horizontes que atravessam gerações e tomam decisões que continuarão ecoando quando seus líderes não estiverem mais presentes. Enxergam seus negócios como obras em evolução, não como patrimônios estáticos. Para empresas familiares que desejam alcançar um século ou dois talvez o ponto de virada esteja justamente nisso: compreender que cada decisão de hoje pavimenta a empresa que os herdeiros ainda não conhecem, mas da qual dependerá o futuro da família.

Eduardo Valério é fundador e presidente do Conselho da GoNext

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domingo - 25/01/2026 - 10:22h

O Mestre e Margarida, de Bulgakov

Por Honório de Medeiros

O Mestre e Margarida, de Bulgakov em ilustração de domínio público melhorada por IA para o BCS

O Mestre e Margarida, de Bulgakov, em ilustração de domínio público melhorada por IA para o BCS

Em uma avaliação muito pessoal considero que os dois maiores romances escritos no século XX foram Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, e O Mestre e Margarida, de Mikhail Bulgakov.

Li O Mestre e Margarida adolescente.

Estávamos em plena ditadura e Aluízio Alves, líder político norte-rio-grandense cassado pelos militares montou uma editora para sobreviver. Dentre os livros lançados por sua editora estava a grande obra de Bulgakov, que ele ofereceu a uma tia minha sua seguidora em cujo entorno se reunia a fina flor da intelectualidade oposicionista e provinciana de minha cidade natal.

A primeira leitura registrou e apreciou a insólita trama, o roteiro absurdo, a parte epidérmica da alegoria do grande escritor ucraniano.

A segunda nada acrescentou, exceto mais prazer. A terceira, entretanto, deixou marcas profundas em meu espírito de leitor agora engajadamente crítico, principalmente quando a comparei com a leitura de Cem Anos de Solidão e, em ambas, pensei ter encontrado o fundamento básico do que se convencionou denominar, nos círculos acadêmicos, de “realismo fantástico”.

Mas não é disso que se quer tratar aqui.

Em certo momento inicial de O Mestre e Margarida, aquele que vai ser a chave da trama, o desconhecido que se intrometeu na conversa entre Ivan Nikolaievitch e Mikhail Alexsándrovitch Berlioz, e que se apresentou com o nome de Woland, mas que na verdade era Satanás, após ouvir de ambos que eles não acreditavam em Deus, lhes diz o seguinte:

“- Também acho uma pena – confirmou o desconhecido com um olhar cintilante, e prosseguiu: – Mas eis a questão que me preocupa: se não há Deus, então pergunta-se, quem administra a vida humana e, em geral, toda a ordem na terra?”

“- O próprio ser humano – o enfurecido Ivan apressou-se em responder essa questão admitidamente não muito clara.”

“- Perdão – replicou docilmente o desconhecido -, mas para governar, queira ou não queira, é necessário possuir um plano preciso com alguns prazos estabelecidos, nem que seja o mínimo. Permita-me perguntar: como é que pode o ser humano governar, se não apenas não tem condições de fazer qualquer plano, mesmo que seja com um prazo ridiculamente curto de, digamos, mil anos, como também é incapaz de garantir sequer seu dia de amanhã? E realmente – o desconhecido virou-se para Berlioz – imagine, por exemplo, que o senhor comece a governar, dispondo de sua vida e da vida de outras pessoas, e então passe a tomar gosto pela coisa, e de repente o senhor… hum… hum… descobre que está com câncer de pulmão… – o estrangeiro sorriu docemente, parecia que a ideia do câncer lhe dava prazer -, é, câncer – repetiu a palavra sonora e apertou os olhos feito um gato -, pronto, seu governo chegou ao fim! Não lhe interessa o destino de mais ninguém, somente o seu.”

“Os parentes começam a mentir para o senhor. Pressentindo algo errado, o senhor recorre a médicos formados, depois a charlatães e até mesmo videntes. Assim como o primeiro e o segundo, o terceiro não ajuda em nada. Tudo termina tragicamente: aquele que, ainda há pouco, acreditava administrar algo de repente se vê imóvel em um caixão de madeira, e as pessoas que o cercam, compreendendo que não mais nenhuma utilidade naquele que está deitado, o queimam no forno. E existem casos piores: o sujeito pode decidir ir a Kislovôdsk, o estrangeiro olhou para Berlioz com os olhos apertados, uma coisinha de nada, pode-se pensar, mas nem isso ele consegue realizar, assim como não sabe por que ele de repente resolve escorregar e vai parar debaixo do bonde! Será que o senhor dirá que foi ele quem planejou isso para si mesmo? Não seria mais razoável pensar que ele foi governado por alguém? E aqui o desconhecido desatou a soltar estranhas gargalhadas.”

Como sabem os que leram o romance, Berlioz, de fato, escorregou e foi parar debaixo do bonde e teve a cabeça decepada – e esse foi o ponto-de-partida de toda a confusão instalada por Satanás na Moscou da primeira metade do século XX.

Caso se leve em consideração aquilo que Satanás diz, o revolutear caótico da folha seca nas águas do riacho é resultado do planejamento de algo ou alguém que lhe é incompreensivelmente superior.

Não seria estranho supor que se trata, ali, da concepção de que nossas vidas obedecem, no geral, a desígnios sobrenaturais além de nossa capacidade de compreendê-los, muito embora mantenhamos uma possibilidade de atuação livre, nos limites desse plano.

Os limites da folha seca são as margens do riacho.

Essa, grosso modo, é a doutrina de Santo Agostinho, que com matizes diferentes em cada época, ainda constitui o cerne do pensamento oficial da Igreja Católica.

O fluxo no qual nós nos movemos, ou seja, as águas do riacho, tal teoria podemos rastrear até Heráclito de Éfeso.

Podemos, também, encontrá-la no pensamento oriental – basta ler Sidarta, de Herman Hess. Também é, por incrível que possa parecer, guardando os limites óbvios, o núcleo da filosofia marxista, de forte influência hegeliana.

Hegel, como sabemos, bebeu exageradamente na fonte heraclitiana.

Assim temos: no primeiro caso, Deus; no segundo, a eterna realidade em fluxo; no terceiro, a luta de classes como motor da história, no âmbito da qual se desenrolam nossas vãs tentativas individuais de extrapolar os limites do determinismo.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura de Natal e do Governo do RN

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Categoria(s): Crônica
domingo - 25/01/2026 - 09:10h

Dona Mafisa

Por Bruno Ernesto

Foto ilustrativa do autor da crônica

Foto ilustrativa do autor da crônica em janeiro de 2026

No último dia 21 de janeiro, despercebidamente, comemorou-se mais Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa no Brasil. Me arrisco a dizer – literalmente – que, certamente, a conquista permanece em luta diuturna.

Para quem torce o nariz e olha atravessado para certos ritos e rituais religiosos que não os de sua preferência, não por onde, desconfio que talvez já esteja com sua roupa branca e azul claro bem limpa já cheirando a lavanda, já tenha escolhido um belo adereço prateado, assim como também continuo a desconfiar que já estejam encomendadas flores e mais flores; um bom perfume de alfazema, frutos e, quem sabe, até um Veuve Clicquot. O patuá, lembre-se do patuá.

Se você não se deu conta, já se aproxima o dia 2 de fevereiro, e ninguém quer perder a oportunidade de reverenciar a Rainha do Mar, para que o ano seja de bons e duradouros fluídos, muita paz, prosperidade e amor, muito amor. Há quem só pense nisso, mas pouco faz para merecê-lo.

Os poucos que se lembram, agradecem os pedidos do ano passado, afinal, para muitos, o que importa é a conexão com seu orixá predileto, ainda que não haja uma obrigação do pedido ser contemplado. Lembre-se, Iemanjá, vez ou outra, devolve a oferenda.

A despeito dessas questões paralelas, outro costume que inconscientemente se tem, todavia para alguns mantido às escondidas, é que ainda recorremos às rezadeiras ou benzedeiras.

Não, não. Não entenda errado! Sim, é o puro e mais alto grau do sincretismo religioso, unindo orações cristãs arcaico-populares com a sabedoria ancestral indo-africana.

Por acaso, você achava que prece com roupa branca, gestos sincronizados, defumação, alecrim, lavanda, arruda, guiné, azeite, terços e água eram o quê?

Quem tem criança por se criar ou já criada, ou já levou ou ainda levará a uma rezadeira, em caso de reforço espiritual. No meu caso, me lembrarei eternamente de Dona Mafisa, a benzedeira que minha mãe me levava lá em Natal quando havia necessidade.

Nunca esqueci daquele pequeno chão sagrado, uma pequena sala – minúscula -, que ao mesmo tempo servia de quarto e cozinha e ali ficava sendo rezado, naquele benzimento e aquela ladainha incompreensível para mim, e os repetidos e ritmados toques com galhos de ervas no meu corpo e cabeça.

Só Dona Mafisa quem falava e se mexia. À meia-luz eu só a observa e a escutava. Imóvel e atento, muitíssimo atento. Mamãe nunca imaginou, mas foi ali que descobri a espiritualidade que me habita.

Com o passar dos anos e outra cosmovisão, embora tenha um batalhão sincrético para luta corpo a corpo, essa semana precisei tanto da ciência, com doses generosas de cloridrato de ondansetrona, benzetacil, cloridrato de naratriptana e dipirona, quando de uma boa reza.

Aos trancos e barrancos sigo firme e forte, para a decepção de muitos e alegria de poucos, claro. Tudo genuíno, penso e percebo.

Se Dona Mafisa ainda estivesse viva, certamente esta semana teria ido por lá, não só para a me benzer, mas para agradecê-la, afinal, até hoje me sinto benzido.

Bruno Ernesto é advogado, professor, escritor e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró (IHGM)

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 25/01/2026 - 08:30h

Nos alpendres de Tibau

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Corre o mês de janeiro.

Nos alpendres de Tibau, resenhas, churrasco e cerveja. E, claro, política, muita política. Os anfitriões recebem os convivas para lautos almoços. Abraços, sorrisos, conversas e cochichos. É ano eleitoral. Os interesses precisam ser afinados, as rotas precisam ser traçadas.

Porém, dos alpendres de Tibau vem à memória a minha infância. A família reunida, uma ruma de redes armadas, conversas e risadas dos primos. Contavam-se histórias de “trancoso”, de alma penada, tudo pra nos fazer medo.

Já na adolescência, recordo-me dos churrascos. Meu pai, tios e amigos bebendo, com força. Não conto as vezes que fui comprar cerveja na rua do restaurante Brisa. No finalzinho da tarde, as minhas tias chegavam da casa dos meus avós maternos pra jogarem conversa fora com minha mãe.

O alpendre sempre estava repleto de pessoas. O bate-papo adentrava noite adentro, regado a café coado, pães e bolo fofo ou de leite e, claro, o grude, iguaria tradicional da cidade praia.

Vale salientar que escrevo sobre os alpendres de Tibau, “porque o passado me traz uma lembrança do tempo que eu era criança”. No alpendre de Tibau os meus filhos também brincaram e fizeram peraltices, como um dia eu fiz.

No tocante aos arranjos político-eleitoral, em uma crônica datada de 16 de janeiro de 2023, o editor deste Blog escreveu que “é coisa do passado a lenda sobre a influência dos alpendres de Tibau. Subsiste no imaginário popular e em escassas resenhas políticas”.

“E em nada pesa, segundo ele, pro destino de Mossoró e do estado o que se conversa por lá. Some ao vento nos escassos alpendres que ainda não viraram muro de condomínios fechados”.

Creio que é verdade, uma vez que o dileto editor é versado no assunto. Aliás, eu conheço um alpendre em Tibau que já não recebe ninguém. Encontra-se vazio. O que é natural, ressalte-se, pois o poder é efêmero. É vã a crença na eternidade do poder e do prestígio.

Embora, para mim, já não tenham o brilho de outrora, vez ou outra, ainda fico nos alpendres de Tibau sentindo o vento que vem lá das bandas do Porto-ilha. Vislumbro o azul do mar, o horizonte e algumas jangadas, as quais trazem, além do carcomido cesto onde se colocam os peixes, boas lembranças. Nada é como antes. E nunca será.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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Categoria(s): Crônica
domingo - 25/01/2026 - 07:40h

Outra formação

Por Marcelo Alves

Faculdade de Direito de Recife (1914), foto do acervo da Fundação Joaquim Nabuco

Faculdade de Direito de Recife (1914), foto do acervo da Fundação Joaquim Nabuco

Gilberto Amado (1887-1969) foi jornalista e político (deputado federal e senador), boêmio e diplomata (na América Latina, nas Zoropa e na ONU), jurista e escritor, às vezes tudo junto e misturado. Sergipano, diplomou-se e lecionou direito penal na célebre Faculdade de Direito do Recife. Fez-se também grande no direito internacional. Escritor de renome, aparentado do não menos talentoso Jorge Amado (1912-2001), o amado Gilberto foi imortal da Academia Brasileira de Letras. E meteu-se em alguns perrengues, sendo o mais célebre o assassinato à bala do também deputado federal e escritor Aníbal Teófilo (1873-1915), do qual, justa ou injustamente, foi absolvido pelo Júri (e só esse fato daria ensejo a inúmeras crônicas).

Em meio a tudo isso, Gilberto Amado é o autor de um livro/formação que reputo extraordinário: “Minha Formação no Recife” (1955). Li-o, lembro-me muito bem, faz muitíssimos anos, por sugestão do meu pai, numa edição já velhinha mas encadernada da Livraria José Olympio Editora. Precisamente em seguida à leitura de “Minha Formação” (de 1900 e sobre o qual conversamos faz alguns dias), do grande Joaquim Nabuco, como se fosse – e era – mais um passo à frente na minha própria formação. E a “Formação” de Amado me tocou até mais, posso dizer (aliás, repetir), que a “Formação” do Nabuco, com todo respeito à imensa pluralidade cultural do autor de “Um Estadista do Império”.

Há algumas razões bem objetivas, mesmo em detrimento da “Formação” do grande Abolicionista, para a presente badalação de “Minha Formação no Recife”.

Como já disse certa vez, “Minha Formação no Recife”, sob o ponto de vista estilístico, com linguagem fluente, sem pedantismos, coloquial às vezes, é uma obra-prima (embora quanto à linguagem devamos dar o desconto de que Amado escreveu mais de 50 anos após Nabuco).

As observações feitas por Gilberto Amado na sua “Formação”, com total naturalidade, acerca de si e dos outros (e “o inferno são os outros”, já dizia Sartre), são também impagáveis. Tenho mesmo na memória algumas passagens do livro e uma, em especial, gosto sempre de repetir. É uma repreensão que Amado fazia a um amigo poeta, que, “autor de versos extraordinários, rodeado de aclamações, gemia de raiva por ser pequenino de corpo”. Se a natureza lhe prodigalizara, entre milhões de pessoas, dons excepcionais, por que, exclamava Amado, “em vez de dançar como Davi na frente dos exércitos, indiferente à chacota, chorava por não ser um Golias!?”. Amado era mesmo o que chamamos hoje de um grande frasista.

Abro aqui um parêntesis para recontar um episódio atribuído a ele que, acredito, li em outro lugar que não na sua “Formação” recifense. Diplomata no Velho Continente, mas sempre boêmio, ele foi a uma festança em Paris ou Roma levando a tiracolo garotas de vida fácil ou difícil (tudo depende do ponto de vista). O segurança do estabelecimento, identificando Amado, ainda na portaria, o alertou: “Embaixador, essas garotas são suspeitas”. Ao que Amado respondeu: “Suspeitas são as que estão aí dentro. Estas são garantidas. Entram comigo!”.

Afora a modernidade e a naturalidade no escrever e essa perspicácia em sondar a alma humana (em especial, a brasileira), penso que foi também o pano de fundo de “Minha Formação no Recife” que me encantou deveras. Sou formado em direito. Trabalho na capital de Pernambuco. Dali e dos bons tempos de Olinda tenho às vezes saudade. A “Formação” de Amado rememora exatamente os cinco anos que o autor passou, como jovem estudante, na antiga Faculdade de Direito do Recife. Lê-la é uma forma ao mesmo tempo mais intelectualizada e comportada de sussurrar “voltei, Recife…”.

Por estes dias, aqui na praia, procurei por uma versão digital, de preferência em PDF, de “Minha Formação no Recife”. Para reler e escrever esta crônica. Cascavilhei meus e-mails (tinha certeza de que o querido Humberto de Paiva Araújo e o saudoso Haroldo Ferraz da Nóbrega tinham me mandado algo a respeito). Perguntei também aos amigos. Diretamente e em grupos de WhatsApp. E xeretei a Internet (aqui até encontrei uma versão que vai até o capítulo V, sendo-me, assim, de alguma valia). Mas uma edição completa digital, nada, infelizmente. Bom, se alguém tiver, me manda, urgente.

O carnaval já está chegando…

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

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Categoria(s): Crônica
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