Por Bruno Ernesto
A par do que os “livros” de autoajuda têm pregado aos quatro ventos nos últimos anos, abarrotando livrarias duvidosas, fertilizando cal, pedra, além de regar filosofias de vida com água destilada, viver de forma plena e virtuosa, como a verdadeira filosofia aristotélica eudaimônica ainda é um desafio.
Se não pessoal, ao menos prático, diria.
Embora gostemos em grande parte de pequenas poções de felicidade, que, de fato, são as que mais nos marcam, esse prazer passageiro também pode representar um sério perigo a longo prazo.
O bom é – seria – a realização plena. Pequenas poções de felicidade plenas.
A despeito disso, sempre gosto de tomar como exemplo um fato que um amigo norueguês me contou quando fui visitá-lo em Oslo.
Seu pai, um grande apreciador de vinhos, sempre o alertava que poderia tomar os vinhos que quisesse da adega. Salvo, um tal rótulo.
O tal rótulo era de uma safra específica; com corpo, acidez e perfil aromático que só enólogos sabem comentar.
Aliás. Confesso que de vinho, só sei falar com propriedade da ressaca.
Foi então que meu amigo, nos arroubos das juventude, numa noite descontraída com uma turma de amigos, após tomarem várias salvas de vinhos; garrafas após garrafas, resolveram beber o tal rótulo.
No dia seguinte, seu pai – muito atento -, percebeu que seu vinho especial havia sido deliberadamente bebido na noite anterior.
Como a autêntica estabilidade emocional de um norueguês, ele aguardou meu amigo acordar e queria saber se o vinho do tal rótulo havia sido bebido primeiro que os demais.
Meu amigo, ainda sonolento, respondeu negativamente.
-Então vocês sequer o degustaram?
-Não.
Claro que seu pai entendeu que o que ele e seus amigos fizeram era naturalmente esperado de uma turma de jovens ávidos por uma boa noite – gélida – regada a vinho e, provavelmente, brunost.
Seu desapontamento foi maior, pois aquela pequena felicidade engarrafada, efêmera, de uns poucos goles; aquela pequena poção de felicidade, se desfez na ebriedade imotivada.
Não foi pelo vinho.
Bruno Ernesto é advogado, professor, escritor e presidente do Instituto Histórico e Geográf











































