sexta-feira - 22/03/2019 - 16:40h
Política e tosse

Gargarejo de romã


Por François Silvestre

É bom pra tosse. A previdência venceu Temer no poder, e agora toma alento com sua prisão.

Bolsonaro vai ver o que é bom pra tosse, com seu papo de não dar satisfações aos políticos.

Administração se efetiva pelo trabalho dos servidores com o gerenciamento da política. É assim em todo canto do mundo, nos regimes democráticos. Não se vive coletivamente sem política.

Quem não gosta de política é ditador ou alienado.

Sérgio Moro tá vendo a diferença entre sua independência de magistrado e a dependência política do executivo. Ou dá satisfações ou leva cocorotes, como os tomou do presidente da Câmara.

O Capitão vai continuar dizendo uma coisa e fazendo outra. E a sargentada se engalfinha, entre filhotes e insatisfeitos, sem saber pra onde vai.

Enquanto a merda fede por aqui, o Capitão tá “resolvendo” os problemas da Venezuela. Tudo para o agrado do seu líder-mor Donald Trump.

Receita: Um punhado de cascas de romã, meio copo de água; deixando em descanso por oito horas. Quando a água estiver bem amarela, da cor da bandeira, gargareja-se cada gole por alguns segundos e depois cospe.

Durante o gargarejo não se deve conversar bosta, pra não engasgar.

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Categoria(s): Crônica
quinta-feira - 21/03/2019 - 13:30h
Brasil

Duas mentiras nobiliárquicas


Por François Silvestre

E facilmente desmascaradas. A primeira e mais escancarada é a de que se resolve o problema da violência com uma lei ou conjunto de leis. Mentira.

Resolve-se o problema da violência com prevenção, pela via da inteligência policial, e com repressão eficiente. Leis pra isso já existem, basta que se cumpram. Isso contra a violência já estabelecida, pois contra a violência futura, das gerações mais novas, a resolução vem com educação, saúde, emprego, dignidade humana. Não há outro remédio.

Lei não é e nunca foi produtora de bens ou de serviços. É o motor normativo do Estado a serviço do poder. Só. Assim fosse, bastava decretar o fim das secas, da fome e da desigualdade. Legislava e pronto.

“Saúde, educação e segurança são direitos de todos e dever do Estado”. Onde está isso? Na Constituição. A lei maior. Quantos anos faz que essa mentira está legislada?

A segunda diz respeito a resolver a Economia com reforma da Previdência. Mentira.

O mais que pode acontecer é fazer economia de caixa na própria previdência, se acontecer. Isso seria mais facilmente conseguido com o combate às fraudes e cobranças dos grandes devedores. Mas, o legislador e o provedor executivo têm interesse nessa devassa? Aqui, ó.

Isso é só o começo do estuário de mentiras que vêm por aí. A mentira continuada, como as mentiras do PAC, inclusão social e esbanjamento de esmola para os pobres e dinheiro franco para corruptos e banqueiros. Somos a Pátria da mentira patriótica.

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Categoria(s): Artigo / Opinião
  • Repet
domingo - 17/03/2019 - 10:00h

O reino das fraudes


Por François Silvestre

Vivemos no reino das fraudes.

Um “filósofo” guru, coisa que nem Sócrates ousou ser, reina sobre os seguidores, puxando orelhas e dando caneladas. É o rei fraudão e seus vassalos fraudinhas.

Um bom ator, Zé de Abreu, resolve canastrar-se e torna-se uma fraude política, na ausência completa de qualquer resguardo do ridículo.

Um procurador da república, Deltan Martinazzo Dallagnol, resolve plantar bananas para ser o rei da sua república particular. Fraudou o concurso que o fez procurador, cujo processo após sua posse foi defendido por seu pai, também procurador, alegando a cláusula do fato consumado.

Não negou a fraude, apenas arguiu que o fato consumado assegurava sua investidura.

Agora, numa operação de “caixa 3” resolve criar uma fundação privada, vinculada ao MP, para fim específico de uma operação. Afronta direta a dispositivo impeditivo da Constituição Federal.

Uma boladinha de 2,5 bilhões de reais.

Tá rasgando fraldas de ódio contra tudo e contra todos. Uma fraude ética, cuja atividade investigatória é obrigação funcional, muito bem remunerada, e não favor patriótico.

Fraudes…fraudes…fraudes.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
segunda-feira - 04/03/2019 - 19:14h
Carnaval

Um velho ou quase…


Por François Silvestre

..na Segunda do carnaval. Após o pirão de carne na casa de Geraldo e Maria, pais do meu genro Daniel Rocha, voltei à casa de mim mesmo.

Não à casa paterna dos versos românticos de tantos poetas.

Pois bem. Voltei. E das músicas que tanto me moviam e empolgavam tempos atrás ou das troças e blocos passantes, senti enfado. Abri o computador e procurei Carmina Burana, de Carl Orff.Dele a compilação e melodia dos versos “perdidos” de séculos medievais, com a abertura fantástica da busca da fortuna. E o fracasso dessa procura.

Depois, a beleza minimalista em acordes e repetições do Bolero de Ravel. O Maurice celebrizado por este bolero. Cuja empolgação melódica vai num crescendo lento, rítmico, suave e repetitivo que consegue ganhar até meus ouvidos rombudos.

Sou péssimo absorvente de música, do ponto de vista da reprodução, mas possuo um ouvido razoável para deleite e descoberta da boa melodia.

Aí fui à quinta dança húngara de Johannes Brahms, um sossego nostálgico. Que se não me trai a memória é um dos compositores preferidos de Laurence Nóbrega. Ou de Florentino Vereda.

Se eu estiver errado é culpa dessa Segunda de carnaval, ou desse carnaval de segunda. Sei lá…

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Categoria(s): Crônica
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sábado - 23/02/2019 - 09:02h
Razão

Um bem de sobra


Por François Silvestre

Se há um bem que todo mundo se acha possuidor e generosamente esbanja é a razão. Já foi dito que ninguém pede reforma da razão porque todos se acham possuidores dela em excesso.

Não há pobres de razão. Todos são milionários.

Assim ocorre com esse embate estúpido de ideologias. Cada ideólogo espuma de raiva contra as ideologias, como se não fosse ele mesmo um ideólogo intolerante. Não há antônimo de ideologia, só sinônimos.

O apolítico é um ideólogo.

A omissão é uma ideologia.

Todos cobertos de razão.

Cada um mais “sensato” do que o oponente.

E cada um vendo a ideologia do outro como trituradora de cérebro. Enquanto esse liquidificador vai triturando os cérebros sem distinguir os lados. Mas, todos cobertos de razão. É por isso que todos querem reforma tributária, pois se sentem carentes de compensação.

Querem reforma agrária, pois se sentem desapropriados. Querem reforma urbana, pois se sentem desabitados.

Porém, ninguém reivindica reforma da razão. Posto que todos se acham bastante abastecidos desse bem.

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Categoria(s): Artigo
terça-feira - 19/02/2019 - 17:48h
Humanidade

Ode à impureza


Por François Silvestre

A impureza é tão necessária ao coletar o puro, quanto a limpeza se abastece do sujo. Sem uma a outra não teria dimensão. Porém, esse antagonismo não resolve a completude do mundo nem satisfaz sua existência pelo extremado do imundo.

Há contidas, no meio dos extremos, incontáveis configurações. Inumeráveis. Assim como nos matizes das cores, também incontáveis nas suas misturas.

O azul é mais distância do que cor. Quanto mais longe, mais azul. A limpeza, a beleza, a pureza são iguais ao azul. Quanto mais perto, mais turvo. Mais sujo.

O Brasil é pacífico, comparado ao Iraque. Por ser o Brasil pacífico? Não. Por ser o Iraque distante. Mas se a distância é azul, por que o Brasil, de tão perto de nós, parece mais azul do que o Iraque, que de longe, parece-nos mais cinzento?

É aí onde reside a falsidade da pureza. Das cores? Não. Da nossa visão conveniente sobre as cores. Nenhuma consideração dos filósofos, desde a antiguidade, consegue a pureza de aceitação.

Negar a verdade não é mentir, é reconstruir outra versão, sobre o túmulo do conceito morto.

A única verdade absoluta é que não há verdade absoluta. O único “inquérito veraz” é o que não aponta inocentes. Não há réu inocente, nem promotor inocente, nem advogado inocente, nem juiz inocente.

A Justiça inocente, felizmente, ainda não foi inventada. E a mídia, que faz a cobertura da impureza, agasalha-se com lençóis furados, no meio do charco.

Isso é ruim? Porra nenhuma. Assim não fosse, não haveria humanidade. Haveria répteis, pássaros, mamíferos, peixes, cetáceos. Haveria tudo, menos nós.
Nós somos criaturas da imundície do mundo. Bendita sujeira. Sem ela, não teríamos sobrevivido.

A angústia das perguntas não se acautela na ciência, que produz outras perguntas. Deságua nas seitas, que oferecem respostas fáceis.

O conforto aconchegante que inventa a imortalidade. Posto que a morte é a mais caudalosa nascente das angústias.

Fuja dos “puros”. São aprendizes de ditadores. Lambuze-se honestamente da impureza humana e faça-se humanidade.

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segunda-feira - 18/02/2019 - 05:40h
Reflexão

Somos filhotes do papa-sebo


Por François Silvestre

Do galope alagoano.

“Quando o sol vai se deitando
Nas quebradas do Poente,
E as nuvens cor de chumbo
Tomam conta do Nascente,
Eu penso na minha vida
Mesmo sem estar doente,
Que o fim da tarde parece
O fim da vida da gente”.

Pois é. Estamos todos, ou alguns poucos, a contemplar o ocaso da Inteligência que se debruça nas quebradas do Ocidente. E dá pena; não, cansaço, continuar a escrever na língua de Camões.

“O fraco rei faz fraca a forte gente”. Quantos ocasos da forte gente? Inúmeros.

Quantas auroras dos fracos reis? Incontáveis.

Será mesmo que há forte Gente, seu Luiz de Vaz? Ou só fracos reis?

“As coisas impossíveis, melhor esquecê-las do que desejá-las”.

Disse você, negando a atração do pronome, para ganhar na sonoridade.
Mas a fêmea do papa-sebo voltou ao ninho. E eu aqui triste, pensando na morte iminente dos filhotes.

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Categoria(s): Crônica
quinta-feira - 07/02/2019 - 21:20h
Opinião

Reforma… reformas… embuste


Por François Silvestre

Reformar, no Brasil, não é apenas uma mentira. É a mãe das mentiras. A mentira-mor da nossa farsa. Agrária, tributária, política, previdenciária, de segurança, tudo embuste. Meia-sola institucional.

Os embusteiros precisam da fé dos enganados. E fazem desse mercado de trocas uma acomodação de interesses.

Precisão resolvida; pois os enganados não apenas acreditam, também viram fanáticos apoiadores. E não percebem que é deles e do bolso deles que sai o aval do resultado.

Quem avaliza esse embuste é o mais carente, o mais necessitado. E ainda se acha o grande beneficiário. Esse é o nó górdio que o embusteiro oferece ao fanático. Toma-lhe o relógio e promete lhe informar as horas.

Você acredita que um rico se descabela para oferecer vantagens a um pobre? Se acredita e é rico, tá na sua. Se acredita e é pobre, merece comer capim.

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Categoria(s): Artigo
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quarta-feira - 06/02/2019 - 19:31h
Brasil

Ignorância ou ruindade


Por François Silvestre

O jornal matutino da Rede Globo, no que se refere à meteorologia, é um teatro de estupidez.

Hoje, após mostrar o mapa do Brasil com chuvas em todas as regiões, um repórter pergunta a uma repórter: “E durante o resto da semana”?

A moça responde: “Vai piorar, com mais chuva em todo o país, menos no Sul”.

Dá vontade de mandá-los…deixa pra lá. Quer dizer o Sul é o único lugar que se “salva”.

Esses imbecis não sabem que a maioria dos reservatórios do país estão com níveis baixíssimos? No Sudeste, Centro Oeste, Nordeste. Reservatórios que fornecem água e energia.

Eles pensam que o Brasil se resume a Copacabana e Ipanema? Guarujá e Santos?

Reclamam das cidades alagadas, que se lixem.

As cidades são alagadas pela deseducação das populações, que jogam lixo nos bueiros e nas administrações.

No bueiros jogam o lixo de casa, depois enchem, com votos, os que deveriam e não cuidam das cidades.

É lixo de rejeitos nos bueiros e lixo humano nos palácios.

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Categoria(s): Artigo
quinta-feira - 31/01/2019 - 18:22h

Presunção opinativa


Por François Silvestre

Ninguém consegue me convencer de que Lula é inocente. Ninguém consegue me convencer de que Bolsonaro é honesto.

Não vai nisso qualquer ranço pessoal, pois ambos estão em patamares tão distantes de mim que não cabe, na minha pequenez, qualquer relação pessoal.

São deuses fanatizados e postos em altares. Cujas imagens merecem, para mim, iconoclasta, apenas um olhar irônico. Mais de pena dos adoradores do que de escárnio aos adorados.

Repito: Um não é inocente nem o outro é honesto.

Fica o dito no campo da presunção, pois não disponho de provas para acusá-los. E sem provas ou acusação específica, resguardo-me da imputação de calúnia. Posto que na tipificação criminal, do nosso Direito Penal, não exite o tipo calúnia presumida.

Apenas passo no patamar dessa igreja, sem nela adentrar, observando de longe a liturgia dos idiotas. A idiotice também não é crime. Nem contravenção.

É apenas um pastoril de cores sem quermesse, que deixa a cada lado o exercício de apedrejar a Diana.

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Categoria(s): Opinião
  • Repet
terça-feira - 29/01/2019 - 17:36h
O outro lado

Cosern esclarece sobre compartilhamento de seus postes


Prezado Carlos Santos, boa tarde!

Com relação ao artigo “O Mico das Privatizações”, de autoria de François Silvestre, publicado no seu prestigiado blog no dia 28.01, a Cosern, empresa do Grupo Neoenergia, esclarece que mantem um trabalho permanente de fiscalização do uso compartilhado dos seus postes em todo estado.

Somente em Natal, foram regularizados 145 quilômetros de fios e retirados 29 mil metros de cabos irregulares de postes em 80 ruas e avenidas. Nos dias 21 e 22 de janeiro, a ação foi realizada na cidade de Martins com o mesmo intuito. 

Os principais benefícios do ordenamento dos fios e cabos nos postes da Cosern são:

ü Reforçar o nível de segurança da rede elétrica;

ü Prevenir qualquer risco de acidentes com a população;

ü Reforçar a confiabilidade do sistema elétrico;

ü Diminuir a poluição visual provocada pelo desordenamento dos fios das redes de telefonia e telecomunicações;

ü Prevenir danos aos postes e estruturas; e

ü Combater a prática de ligações clandestinas de energia.

Antes da ação, a Cosern faz um comunicado às empresas que fazem uso compartilhado dos seus postes, informando sobre a importância desse trabalho. As possíveis irregularidades identificadas pela Companhia durante a fiscalização são tratadas de duas formas:

1.     Não havendo risco imediato de segurança, a Cosern envia um comunicado às empresas para que elas regularizem a situação no prazo máximo de 150 (cento e cinquenta) dias;

2.     Nos casos em que forem identificados pontos de fixação ou equipamentos instalados à revelia da Cosern ou cabos que possam causar risco à segurança, tanto da população quanto ao fornecimento de energia (como fios descascados ou rompidos, vão baixo, cabos descumprindo as distâncias de segurança, etc.), a instalação irregular será retirada pela Cosern imediatamente.

Com relação à questão da privatização discutida no artigo, é importante ressaltar que a Cosern vem batendo sucessivos recordes de investimentos no sistema elétrico do Rio Grande do Norte de 1997 para cá. Em valores históricos, já foram mais de R$ 3 bilhões. Mesmo com esse nível de investimentos, o Rio Grande do Norte tem, de acordo com dados da Aneel, a menor tarifa residencial do Nordeste e a 2ª menor do Brasil (R$ 0,48081 por kWh).

Quando avaliamos a qualidade do fornecimento, de forma geral, em 2018, a energia distribuída pela Cosern esteve disponível durante 99,87% do tempo ao longo do ano para os consumidores potiguares. Por outro lado, nestas duas décadas, a Cosern também se destacou por ser a empresa que mais apoia a cultura potiguar.

Particularmente em relação à região Oeste, foram investidos R$ 122 milhões em 2018, sendo esta a região que recebeu o maior montante de recursos aplicados pela concessionária em todo estado, destinados principalmente às obras de reforço e expansão do sistema para atender ao crescimento da região. Boa parte desses recursos foi investida em tecnologia e automação do sistema, fazendo com que as ocorrências sejam cada vez mais raras e, caso aconteçam, o tempo de reestabelecimento do fornecimento seja cada vez menor.

Nesta virada de 2018 para 2019 merecem destaque na região Oeste:

ü Ampliação da subestação Gangorra, em Grossos, que atende uma das regiões mais importantes economicamente do estado (turismo, fruticultura irrigada, agronegócio e indústria salineira);

ü Início da construção das subestações Itajá (que beneficiará aproximadamente 57 mil clientes nos municípios de Itajá, Angicos e São Rafael, com previsão de conclusão para o primeiro semestre de 2019) e Upanema, que beneficiará 39 mil clientes de parte da zona rural dos municípios de Mossoró, Governador Dix-Sept Rosado e Açu.

ü Renovação dos equipamentos nas subestações Mossoró I, Maisa, Apodi, São Miguel, Macau, Açu e Serra Vermelha.

ü Início da construção da linha de subtransmissão que interligará as subestações Dix-Sept Rosado a Apodi e Dix-Sept Rosado a Upanema.

Aproveitando esse prestigiado espaço, a Cosern compartilha com seus leitores a informação divulgada nesta 2ª feira (28) pela Aneel de que é finalista do Prêmio IASC 2018 de Satisfação do Consumidor, na categoria Melhor do Brasil, juntamente com a Copel (Paraná) e a RGE (Rio Grande do Sul); e também na categoria Melhor do Nordeste, juntamente com a Sulgipe (Sergipe) e a Energisa Borborema (Campina Grande). O resultado será conhecido no dia 25 de fevereiro. Na última edição deste prêmio, entregue em fevereiro de 2018, a Cosern ficou em 3º lugar entre as empresas com mais de 400 mil consumidores no Nordeste e em 10º no Brasil.

A Cosern agradece o espaço e se coloca à disposição.

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Categoria(s): Economia / Gerais
terça-feira - 29/01/2019 - 05:12h
Brasil

Desastre, diplomacia, demagogia


Por François Silvestre

Brumadinho oferece à história lições de patifaria. Em todos os níveis. A lição mais terrível é do sacrifício humano. Vidas relegadas à vala comum do cemitério da ganância. Alguém ousa negar? Desgraça sem trena medidora. Ponto um.

Privatização a preço de cocada de uma estatal, não pública, que sempre serviu a interesses privados encrustados no poder público. Ponto dois.

O atual governo poderia ter escapado da responsabilidade do evento. Ninguém o culparia.

Mas, preferiu fazer a repetição da sacanagem. Aí, para exibir-se convocou Israel, que bajulara mudando a embaixada do Brasil para Jerusalém,  cujo governo de lá anda metido em inúmeras denúncias de corrupção.

Em “gratidão”, Israel mandou técnicos e equipamentos caríssimos para prestigiar Bolsonaro, mexendo na lama de Brumadinho.

Sabe no que isso vai dar? Em nada. Aposto o que prevejo.

Essa vinda da ajuda de Israel vai ser a maior piada diplomática dos últimos tempos. E Bolsonaro, que tava fora da lama, mergulhou nela pela demagogia.

Israel vai sair de Brumadinho com sua embaixada enlameada. Ponto três.

Torço para estar errado. Caso esteja, darei a mão à palmatória.

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Categoria(s): Artigo
  • Repet
segunda-feira - 28/01/2019 - 06:36h
Submundo

O Mico das privatizações


Por François Silvestre

O Estado brasileiro é monstruoso? Sim. Ineficiente? Sim. Corrupto? Sim. Empanzinado de castas? Sim. Devolve aos contribuintes o que arrecada de impostos e outras mumunhas, em forma de serviços ou bens? Não. O poder público mantem relação promíscua com a elite privada? Sim. Desde quando? Desde o estabelecimento das capitanias hereditárias. Ponto.

O Império, sob comando de D.Pedro II, foi mais republicano, em matéria de honestidade, do que a República? Sim. Desde quando? Desde o golpe de 16 de Novembro de 1898. O qual começou com uma mentira, na madrugada do dia quinze, para consolidar-se na manhã do dia dezesseis. E continua mentindo até hoje. Com alguns intervalos de mentiras inteligentes e demorados espaços de mentiras escrachadas.

A mais recente mentira de reposição da eficiência é o programa de privatizações. Nem tão recente assim. Por quê? Porque o jogo de vendas, nos leilões formados, já começa com safadeza. Não há lisura leiloeira nesses procedimentos. Você sabe quanto custou a Vale do Rio Doce? Nem eu. Mas sabe que bastou um ano para os compradores levantarem o valor da compra? Eu também sei.

Vamos  ao bolso nosso do jerimunzal, a privatização da COSERN. Na época, os adversários da privatização denunciaram que a venda da estatal servira para o governador de então reeleger-se.

Rebanho

O governador, por seus “assessores”, respondeu que o dinheiro teria sido investido em infraestrutura de bens e serviços. Até hoje nenhum dos lados provou o que disse. Os adversários não apresentaram provas nem o governador mostrou a aplicação. Hoje, esses antigos adversários são aliados. E o povo? Que povo? Rebanho.

Quando a COSERN era estatal, que não significa ser pública, servia politicamente a “muita” gente. Muita que eu digo é pouca. Elegia deputados e prefeitos. Mas você sabia a quem reclamar. E hoje? Nem bispo tem mais. Só o bispado da chincanagem dos milagres.

Semana passada, a COSERN cortou os fios de telefônicas e provedores de internet na região Oeste. Ficaram várias cidades sem esse serviço por quase vinte e quatro horas. Ora, o serviço de telefonia e internet é de provimento privado, mas é de interesse público. Ninguém vive mais sem essa merda. A COSERN é dona dos postes? Ela comprou tudo? Ou a posteação é servidão pública, mesmo na esfera privada? Como uma estrada que atravessa propriedade privada, ou vereda para aguados de abastecimentos públicos?

Já imaginou se todas as telefônicas, que já prestam péssimo e caro serviço, ou os provedores de internet tiverem que fazer cada um uma posteação própria, onde caberão tantos postes nas estradas ou ruas? Os postes da COSERN constituem servidão pública. Com as ressalvas de localização, distanciamento, tudo para a proteção de transmissão da rede elétrica. O que não pode é chegar e cortar fios não eletrificados portadores de comunicação, essencial para a vida das pessoas.

Quando falta energia, na mesma região, só há duas cidades com equipes de manutenção. Antes, havia em todos os municípios. Se uma simples canela soltar, num noite de relâmpagos, são horas e horas de espera. Às vezes, dias completos. Isso é só um exemplo do mico das privatizações. Deve-se desestatizar? Sim. Mas com novo modelo de venda do bem público. Do jeito que se pretende continuar, será limpar-se com canjica.

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Categoria(s): Artigo
domingo - 20/01/2019 - 09:18h

O meu lado de ver e sentir


Por François Silvestre

Fui carola do catolicismo na infância. De rezar, confessar, comungar. Mãe Guilé foi minha primeira influência, no afago do seu jardim florido e no afeto que guarda minhas melhores lembranças da infância. Nunca mais eu tive nada parecido com a casa da minha avó. Seu jardim de jasmins e resedás.

Por essa dívida eu ainda concordo com Mãe Guilé? Não. A ela devo gratidão, mas abomino tudo que ela tentou impor-me de crenças e opiniões. Guardo seu colo, reverencio seu coração, mas dispenso seu pensamento. 

Depois, o Diocesano de Caicó. A primeira janela para o mundo. No trem sem linha, cujos catabis, nas estradas, de um velho caminhão de mangai eu ingressei na primeira e única universidade da minha iniciação.

Foi lá, nesse Colégio de padres, por quem guardo admiração reverencial, que comecei a duvidar dos deuses de Mãe Guilé. Monoteísmo de três deuses. Nada contra.

São os mitos mais fantásticos da criação humana. E o homem na ânsia de explicar-se criatura acaba criando os deuses que explicam sua existência. Criador criatura dos seus criadores.

Aí vem o fim da adolescência, o contato com teses revolucionárias, a constatação das injustiças sociais, o apelo à luta dosada de romantismo e esperança. Valia tudo pelo sacrifício pessoal. A negação do indivíduo, sacrificado pelo bem coletivo.

No que resultou? Na criação de mais um mito. Os deuses negados foram substituídos por novas divindades. Tudo mantido e alimentado no campo fértil do fanatismo.

Até que a ficha despenca. Ou despenha, igual a bananas maduras no cacho esquecido da bananeira.

A constatação histórica da falência dessa crença não me levou ao conluio com a crença antagônica. A esquerda foi a negação da minha esperança. A direita é a confirmação de que eu estava certo, mesmo errando.

Aqui eu mando um recado aos fanáticos. Tenho pena de vocês. Bocós. Vocês são manipulados e manipuláveis nesse embate de espertos aproveitadores da sua ignorância.

Rebanho. Cada lado cego da safadeza dos seus. E ávidos cobradores da sacanagem dos não seus. Mas todos são seus. Todos. E todos sobrevivem nessa patifaria porque contam, cada lado, com a burrice dos seus seguidores. De um lado e do outro.

A esquerda, que trocou o sonho pelo populismo esmoler; E a direita cujo sonho continua sendo a ganância.

Ambas irmãs, diferentes apenas na forma. O conteúdo é o poder, pra cujo alcance não há escrúpulo.

Não existe combatente mais fácil do que o estúpido. E o fanatismo é o estuário confortável da estupidez. Té mais.

François Silvestre é escritor

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terça-feira - 15/01/2019 - 22:22h
Jornalismo

Tô coçando a língua


Por François Silvestre

Jornalismo é oposição, o resto são secos e molhados. Ensinou Millôr Fernandes.

Tô me coçando pra começar nesse exercício saudável, onde a língua apimentada deixa a vida alheia de lado e cuida de sarrafar o poder público.

Poder público que vive a fazer uso da privada.

Pois bem. Não me surpreende governo ruim. Nem aqui nem no Planalto.

Difícil é governo bom, ou melhor, dificílimo. Ou melhor, raríssimo.

No caso dos atuais, pra nós daqui, temos uma boa e prazerosa tarefa de baixar o sarrafo. Quem for petista vai cuidar de escrachar Bolsonaro. Anti-petista vai descascar Fátima.

Quem não é petista nem anti-petista, tipo esse locutor que vos fala, vô-lo digo: Tô afiando a língua, ansioso pra não entrar no comércio da cantina. Secos e molhados? Não é meu ramo.

Tomara que acertem.

Se acredito no acerto?

Olha, tem dia que acredito até na mãe-da-lua. Mas ela anda sumida…

Se eu tivesse uma bodega não venderia fiado nem a um lado nem ao outro.

Responderia para os portadores de Bolsonaro ou Fátima: Rasguei a caderneta.

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Categoria(s): Artigo / Opinião
domingo - 13/01/2019 - 13:26h

As razões dos militares


Por François Silvestre

Servi no Exército, Regimento de Obuses.

Tenho orgulho de ser reservista de primeira categoria do Exército Brasileiro. Respeito os militares e reconheço a excepcionalidade das suas funções. Não guardo nenhum respeito pelo militarismo ou pelas ditaduras dele decorrentes.

Militar é quem promove o civismo, quem faz apologia da violência é militarista,vizinho parede-meia da imbecilidade.

Nessa questão previdenciária eles não podem ser tratados na mesma ótica dos outros servidores, públicos ou privados.

Militar não pode sindicalizar-se, não pode fazer greve, não ganha hora extra, não ganha adicional noturno, não promove qualquer acordo individual ou coletivo para pressionar aumento ou correção salarial.

Portanto, não pode ser tratado igualmente quem não tem relação comparativa com o restantes dos servidores, em matéria previdenciária.

Militar não se aposenta, vai para a reserva. E pode ser convocado a qualquer tempo, nos primeiros cinco anos da reserva, sempre que algum fato excepcional ou guerra exija sua convocação.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
  • Repet
domingo - 06/01/2019 - 08:34h

O fascismo de cada lado


Por François Silvestre

O fascismo não é uma doutrina ideológica cristalizada numa das pontas da Rosa dos Ventos. É sim uma atitude comportamental que se agrega em qualquer ideologia. Seja à direita, à esquerda, ao Leste, ao Oeste, ao Norte ou ao Sul.

Hitler e Mussolini encarnavam o fascismo. Stalin e Tito também. Franco e Salazar eram fascistas. Mao-Tsé Tung e Brejnev também. Portanto, o fascismo não é uma ideologia, e sim um componente de caráter que se aboleta em qualquer lado do embate político, ideologizado ou não.Getúlio Vargas e o Estado Novo estabeleceram uma forma de poder constitucionalmente fascista. A Carta de Chico Ciência, que dele foi dito, “Quando as luzes de Chico Campos se acendem, apagam-se as luzes da democracia”, copiou em princípios e textos o ideário do  neo fascismo polonês e do fascismo italiano.

Getúlio, de pendores fascistas, apoiou o fascismo na guerra? Não. Aliou-se aos que derrotaram o Eixo. Seu fascismo era de atitude, de conveniência, para garantir o centralismo do poder, o personalismo e o controle ditatorial do Estado.

O fascismo se exerce em todos os níveis. No poder do Estado, de uma associação, num clube, num time, numa igreja, numa autarquia, e até numa casa. Um pai fascista ou uma mãe fascista.

A República do Brasil nasceu de um golpe, que teve componentes de todas os matizes e naturezas. Até um chifre que uma namorada de Deodoro da Fonseca lhe pôs com Silveira Martins, teve papel relevante. Quanto à feição doutrinária, essa República nasce no estuário do positivismo.

O positivismo é uma doutrina preparatória do fascismo. Próceres do movimento republicano pregavam e militavam sob a orientação do ideário criado por Augusto Comte. Dentre eles, destacava-se o coronel Benjamim Constant.

Prima essa doutrina pelo centralismo do poder, disciplina rígida, controle dos costumes, ordem e comando sob determinação hierárquica, encarnada na figura do líder. É ou não é o pré-fascismo? Liberdade, nesse estuário, só por concessão. E não um direito inalienável do indivíduo.

O antissemitismo é fascista. O sionismo também. Toda forma de racismo é fascista. Os alemães, da era nazista, tinham sobre os judeus a mesma opinião que tinham os russos, da era soviética.

O governo atual fala em escoimar o fascismo da legislação trabalhista, mas promete aprofundar o fascismo em matéria de costumes. É apenas um remanejamento do fascismo.

Resta saber, e o tempo dirá, onde o fascismo é mais nefasto. Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
sexta-feira - 28/12/2018 - 21:00h
Brasil

A democracia de cada um


Por François Silvestre

Já foi dito que cada ministro do supremo é uma constituição. E a Constituição real, de 1988, só serve para manuseio das interpretações.

Nariz de cera para contar um fato, usando a comparação, sobre a noção que cada um de nós tem da democracia.

Isso mesmo; democrata é quem concorda comigo, se discorda é autoritário.

Ah, prometi um fato.

Estava num barzinho da Rua da Glória, primeiro bairro carioca da zona Sul, de quem vem da Cinelândia para o Catete, que guarda fisionomia suburbana, segundo Norma, crítica de teatro que frequenta o local. Esquina da Rua Cândido Mendes, onde ainda mora a outrora aristocrática Casa da Suíça e o elegante e minimalista espaço de arte do Café Grégora.

Do barzinho, vê-se a Praça Paris e o Outeiro da Glória, onde foi batizada a Princesa Isabel. Ali se fala de tudo e passam de todos; boêmios, artistas, mendigos, loucos, profetas e poetas.

Numa dessas tardes, em plena campanha eleitoral, estava ao lado da minha mesa um grupo bebendo e distribuindo propaganda do candidato Haddad. Passa por eles um vendedor de óculos, oferecendo a mercadoria.

Uma jovem, do grupo, lhe oferece um decalque do candidato e diz “pela democracia”. O vendedor recebe e responde: “pela ordem”.

Aí a jovem se exalta e explica ao vendedor, que ouvia meio tímido, “a democracia precisa avançar, tudo pela democracia”.

O grupo era formado por militantes do PSol.

O vendedor de óculos foi embora, levando a propaganda. Aí, bestamente eu me meti. “Concordo com você”. Ela foi toda sorriso, de dentes à mostra. Inventei de continuar: “Também acho que a democracia é essencial, deve avançar”.

Enquanto eu falava, eles me ofereciam decalques. Continuei: “Chegamos a esse impasse por conta dos erros cometidos e a relutância em fazer autocrítica, promovendo inclusive a dissidência de vocês do PSol, por motivos éticos”…Não pude continuar.

Eles nem contestaram, apenas viraram as cadeiras e me deram as costas. Pois é.

Democracia só deles, do mesmo jeito da democracia de Bolsonaro. Só dele. Ou de Lula, só dele.

Recuso-me à filiação dessa democracia. Assim como dou-me o direito de duvidar da supremacia da nossa suprema corte.

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Categoria(s): Crônica
  • Repet
quarta-feira - 26/12/2018 - 08:38h
Natal

Trump, o Papai Noel


Por François Silvestre

O presidente Donald Trump perguntou a uma criança, por telefone, se ela acreditava em papai noel. Não sei que resposta ele recebeu.

Sei que essa criança certamente possui papai noel, crendo nele ou não. E é merecedora da boa vida que tem.

Porém, se alguém houvesse feito a mesma pergunta à criança que morreu à míngua, num acampamento de refugiados, ela certamente responderia que sim. E diria:

- “Acredito. Ele é o presidente dos Estados Unidos e eu estou indo pedir a ele um lugar de paz para morar”.

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Categoria(s): Crônica
domingo - 23/12/2018 - 09:26h

No galho da ingazeira


Por François Silvestre

Eu me pus de binóculo no galho da ingazeira. Acomodei as costas na forquilha de um gancho, daqueles que lembram o apoio da baladeira.
Embaixo da árvore armei o fojo, e um quixó ao lado. Se alguma coisa a ser observada escapar do buraco no chão, tapado com tábua falsa, o quixó desabará após ter perdido o apoio do graveto que segura a pedra.

O que vi por esses dias? Vi gente fina, dos tempos da pós- civilização, guardar dinheiro no colchão, nos cafundós das suas mansões. Isso era coisa dos matutos, dos tempos da pataca, tostão, vintém.

Aí inventaram os Bancos de guardar e render dinheiro. Quem mais iria querer a insegurança dos colchões? Os banqueiros, podres de espertos, ficaram podres de ricos. E os ricos não banqueiros passaram a ter segurança garantida para guardar seu dinheiro.

Tudo bem? Tudo, mas tem um porém. Por que danando tem tanta gente, ricos e sabidos, espertos e santos, com tanto dinheiro guardado em casa? Falta de ladrões para roubá-los ou desconfiança nos colegas banqueiros?

Ou de tudo um pouco? Ou apenas não ter explicação para a fonte ganhadora de tanta grana? Colhi uma vagem de ingá.

Girando o binóculo, vejo uma oficina moderna de Gepeto despedindo-se, de armas e matulões, com todos os seus bonecos escondidos, cada qual tentando disfarçar o seu nariz crescido. Colhi a segunda vagem de ingá.

Agora vejo um “diplomata” prometendo relações internacionais na base da canelada, só que as canelas dos pretensos atingidos estão dando dedada no fiofó das intenções do “diplomata”.

E o chefe maior, lá do reino do Norte, mandou um auxiliar para assistir à posse do novo chefe da tribo do Sul.

Tinha coisa importante na agenda, por exemplo, escrever uns twitters contra imigrantes miseráveis.

A terceira vagem caiu, sem que eu tenha conseguido pegá-la.

Antes da terceira visão, cochilei e derrubei o binóculo. E mesmo assim, vejo a olho nu a repetição manjada da promessa de novos tempos.

Como se o tempo tivesse idade, quando na verdade é a apenas a mentira que renasce. Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Crônica
  • Repet
domingo - 16/12/2018 - 10:56h

Triste fim, ou a constatação de um delírio


Por François Silvestre

Conheci e admirei Osmundo Faria, pai do governador Robinson Faria (PSD). Lembro-me dos dois em vários e variados episódios. Osmundo quase foi governador, nomeado pelo regime militar. Estava tudo certo.

Viajou a Brasília para encomendar o terno da posse. Seu avalista era o general Dale Coutinho, ministro do Exército. Não havia contestação.

Numa manhã daquela semana, após barbear-se, o general sofre um infarto fulminante e morre. Com ele morreu a posse de Osmundo Faria.

Robinson Faria tomou posse no Governo do RN no dia 1º de janeiro de 2015 (Foto: Arquivo/Assessoria)

O resto é outra história, e acho que o Estado saiu perdendo, pois o nomeado foi Tarcísio Maia, paridor de mais uma oligarquia a explorar o Rio Grande do Norte. E deu no que aí se mostra.

Também é outra história. Quadro décadas, se não erro, após Osmundo ter perdido a chance de assumir o governo, seu filho Robinson Faria torna-se governador num pleito historicamente atípico.

Derrotou o maior conjunto de apoio oligárquico e político a um candidato ao governo, Henrique Alves, em quem votei.

Votei e declarei meu voto. Sou surpreendido por um apelo do jornalista Alex Medeiros e do Publicitário Jenner Tinoco, amigos que não serão inimigos nem que queiram, para montar o discurso de posse de Robinson Faria.

Num restaurante onde nunca eu estivera, encontrei Robinson. Ele disse: “Sei que você não votou em mim, mas preciso da sua colaboração”. Respondi: “O que precisar para você a para o Estado, conte comigo”.

Foi tudo muito improvisado. Pedi papel ao garçom, ele trouxe uma caderneta de páginas minúsculas. Pedi folhas de ofício ou pautadas. O dono ou gerente, não sei, providenciou as folhas. Tudo muito apressado.

Robinson foi explicando sua plataforma, e eu anotando. Espécie de taquigrafia. Num certo momento, já quase no fim das suas informações, eu falei: “Se você fizer dez por cento do que eu vou expor no discurso, já é suficiente para eu me arrepender de não ter votado em você”.

Três dias depois, o discurso estava pronto. Vinte e tantas laudas. Esse foi o discurso que ele pronunciou, na sua posse. Com o acréscimo de uma lauda e meia que ele fez agradecendo o apoio de Mossoró e exaltando a aliança com PT, que não foi da minha lavra.

Nem Mossoró nem o PT foram contemplados no meu texto. Também é outra história.

Faltam quinze dias para o fim do governo cujo discurso de posse eu escrevi.

Sou ficcionista. Ruim, mas sou. Já escrevi contos, romances, novela policial, uma peça de teatro inédita, crônicas de invenção e outras mogangas.

Tudo na saudável invenção da literatura.

Porém, nunca menti tanto quanto no discurso de posse do governador Robinson Faria.

Té mais.

François Silvestre é escritor

* Veja AQUI a íntegra do discurso de Robinson Faria no dia 1º de janeiro de 2015.

Categoria(s): Artigo
sexta-feira - 14/12/2018 - 21:18h
'Civilização'

De que inferno fogem?


Por François Silvestre

De onde vêm esses desvalidos? Desgraçados da vida e da terra onde nasceram, que pedem abrigo nas terras que os rejeitam. Quem são esses fugitivos do inferno que encontram satanases nas terras pra onde vão?

Uma criança (veja AQUI) nascida na pobreza do seu torrão, antes de sentir o gosto cultural do seu nascer junta-se, sem ser consultada, aos pais foragidos. E não são foragidos da justiça, mas da miséria.

E a esperança da Canaã decantada, de pão e leite, que luxo raquítico, falece ante a barbárie da xenofobia. Em vez de pão, pau. Em vez de leite, escarro.

É essa humanidade que o discurso contemporâneo vitorioso oferece ao estudo do nosso miserável presente aos estudiosos do futuro. Se o tempo for, no futuro, melhor que hoje esses estudiosos terão vergonha da civilização.

Desgraçada civilização!

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Categoria(s): Artigo
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