segunda-feira - 23/12/2019 - 09:34h
Reflexão

Rio, do verbo rir…


Por François Silvestre

Não posso evitar, e rio. De rir e não de Grande do Norte ou de Janeiro. Mas é engraçado. Notícias do ocorrido são seletivas, dependendo da opinião do noticiante. Jornalismo? Pode ser, pois tudo agora pode ser.

Queiroz aconteceu, Flávio 01 também. Até pescaria em angra, coisa de rico. Num lado, alarde, mais que notícia. No outro, silêncio, ignorando a notícia.

Noticia-se a possível candidatura de Moro. A prefeito? Não. Vereador? Não. A vice-presidente.

Mas a próxima eleição é para presidente? Não. Só daqui a três anos. Pois é. Bolsonaro lança Moro provável candidato a vice, pra daqui a três anos, e vira notícia. Futurismo do fanatojornalismo.

Desvio de atenção do real. Papa na boca dos bestas. Mesmo assim, rio.

Nem do Norte, nem do Mês. do verbo rir de como riem as hienas.

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Categoria(s): Artigo
domingo - 15/12/2019 - 09:10h

Fora do casulo… Greta Thunberg


Por François Silvestre

É um sopro de brisa na escassez do vento.

Uma luz de lamparina no fogão sem lenha.

Um cantar da mãe-da-lua no silêncio da madrugada.

Um ranger de carro de boi, após a morte dos bois.

Um olhar de incômodo na cegueira do tempo.

Uma pirralha que ralha e incomoda o canalha.

Um desassossego tão novo futuca o sossego dos velhos.

Um rosto suave incomoda o focinho da pústula.

Uma casca de vida chafurda a ferida do pus.

Não foi lagarta, nem morou no casulo,

É borboleta nascida no coito da paz.

Uma menina da idade da terra, faz-se Universo mais velha que ele.

E brilha e brilha… estrela cadente.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Poesia
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segunda-feira - 09/12/2019 - 20:50h
Passado e presente

Resultado do Pelourinho


Sérgio Camargo: polêmica (Foto:Web)

Por François Silvestre

O sujeito nomeado para a Fundação Palmares – Sérgio Camargo (veja polêmica AQUI) – disse que a escravidão foi uma coisa triste, só isso, triste, mas foi muito boa para os descendentes africanos nascidos no Brasil. “Nós somos mais felizes do que nossos irmãos filhos de livres na África”.

Tá qui pariu.

Isto é, “se meu bisavô foi torturado e minha bisavó foi amarrada nua no pelourinho, surrada com cipó de boi na presença do meu avô adolescente, foi triste.

Mas eu vivo melhor do que se tivesse nascido na África”.

Sacaram?

Que os avós e bisavós tenham se fodido é apenas triste, mas o resultado foi bom.

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Categoria(s): Artigo
segunda-feira - 02/12/2019 - 18:38h
Brasil

Ovo chinês


Espetinho de ovo; que delícia! (Foto: Web)

Por François Silvestre

A China Comunista, de partido único, põe o capitalismo ocidental de joelhos. E caga na cabeça de Trump e dos bajuladores do Tio Sam.

Agora mesmo abocanhou a carne bovina brasileira, e a classe média capitalista do Brasil vai se virar no franco com ovo.

Ocorre que a Arábia Saudita vai comprar frango do Brasil. Então a classe média capitalista brasileira vai ter de comer galinha. E sem galinha, não terá ovo.

O jeito será o criadouro de galinha chinesa. Encher os terreiros e as granjas dessa espécie pequenina de galináceo. Não dá pra comê-las porque são minúsculas, mas com dez ovinhos chineses faz-se um omolete para uma pessoa.

É só uma questão de paciência. E paciência é o que pede o Guedes.

Classe média longe dos açougues, dólar nas alturas e gasolina a preço de ouro. Turismo para o exterior? Dê por visto. Vinhos importados? Dê por visto.

Champanhe? Nem pensar. Bacalhau? Só se for sahite ou traíra escalada. O jeito, em Natal, é procurar os herdeiros de Bastos Santana e encomendar uma cesta de natal São Cristóvão.

Né não, Simonal?

Hein, Giliard?

E aí em Mossoró, como vão os capitalistas?

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Categoria(s): Artigo
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segunda-feira - 02/12/2019 - 09:36h
Política internacional

Não interessa a cor do gato


Por François Silvestre

Teve de tudo, até agora, a decantada “amizade” de Trump com Bolsonaro.

Teve continência do capitão de Pindorama para o general do Tio Sam.

Teve até um “I love you” de Bolsonaro para Trump, cujo registro em público acentuou o ridículo.

Em justificativa, o capitão cantou vantagens. O Brasil seria incluído no clube fechado dos países com privilégios econômicos. Não foi. Inclusive assessores de Trump informaram que Bolsonaro mentiu, pois Trump nunca prometera tal prestígio ao capitão.

Agora, fedeu.

Trump restabeleceu as taxas tarifárias de aço e alumínio contra o Brasil e a Argentina. Trump acusou os dois países de desmoralizarem as próprias moedas. O que produz, segundo ele, prejuízo para os americanos.

Para Trump os presidentes do Brasil e Argentina merecem o mesmo tratamento; isto é, desprezo.

Tudo papo.

Esse é mais um estrago que a China impõe aos capitalistas desse lado do mundo. Para Trump quem se chega à China magoa o Tio Sam. Para a China “não interessa a cor do gato, interessa que ele pegue o rato”.

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Categoria(s): Artigo / Política
domingo - 24/11/2019 - 16:10h

A Diana de Miro Teixeira


Por François Silvestre

O ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro Miro Teixeira (Rede) oferece uma sugestão interessante. Mudança na legislação que estabelece o segundo turno para as eleições majoritárias, incluindo o pleito para presidente da república.

Qual seja? O segundo turno seria disputado pelos três candidatos mais votados. Isso diluiria essa coisa do radicalismo intolerante de torcida de futebol nas eleições.

Já no primeiro turno, argumenta ele, os radicais seriam contidos pelo medo de serem derrotados por uma alternativa moderada que estaria presente no segundo turno.

É uma proposta interessante que merece reflexão e aprofundamento no debate para quem não é filiado aos dois grupos de ódio mútuo que tentam polarizar entre si e só para si os destinos da política no Brasil.

O país não é um pastoril de barracas inflamadas. Com apenas dois cordões. É bem verdade que os chefes da quermesse preferem a continuação do embate entre eles.

Miro Teixeira sugere uma Diana para dar chance à Democracia.

Leia também: Contra a polarização.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
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domingo - 17/11/2019 - 14:36h

Sabiá ou jegue?


Por François Silvestre

“Cessem do sábio Grego e do Troiano/ as navegações grandes que fizeram;/ Cale-se de Alexandre e de Trajano/ A fama das vitórias que tiveram;/ Que eu canto o peito ilustre Lusitano,/ A quem Netuno e Marte obedeceram:/ Cesse tudo o que a Musa antiga canta,/ Que outro valor mais alto se alevanta”.

Camões inicia duas aventuras épicas. A intencional: de responder a Homero que fincara nos versos a aventura dos gregos, e a Virgílio, que cumprira papel semelhante na origem da aventura latina.A segunda não foi intencional: estruturar o esqueleto de um idioma. A “última flor do Lácio, inculta e bela”; do dizer de Bilac. Que responderia à pergunta do tempo: “ora direis ouvir estrelas”.

Era o português uma algaravia, desde 1139, (Sec. XII) que se confundia com o galego, a linguagem da Galícia. Ganhou contorno morfológico com a obra teatral de Gil Vicente e o Cancioneiro de Garcia de Resende, (Sec. XV). Porém, foi a épica camoniana (Sec. XVI) que teve o mérito de criar o arcabouço sintático da língua que nos define e nos fotografa.

Os Lusíadas, muito mais do que a louvação heroica das aventuras marítimas, é uma fábrica de metáforas. O forno que modelou uma forma de compor versos, na língua nascente.

A metáfora consegue remodelar o conteúdo opaco para fazê-lo brilhante, na forma recriada. Não fosse ela, a poesia seria apenas uma repetida composição de rimas. Sonoridade vocálica, pobreza poética.

A rima, nos Lusíadas, é pobre. Combinando mais das vezes desinências verbais. A metáfora, não. E é delas que ele tira a tintura dos versos para engrandecer pequenos atos. Ao dar-lhes feição maior do que o gesto.

A aventura grandiosa da circunavegação Lusitana vai se desenrolando ao apelo metonímico da mitologia. Com a cumplicidade de Vênus e Marte, sofrendo a oposição de Baco e Netuno.

A metáfora produz poesia. Ela é a rainha das figuras na composição do estilo. Dando nós onde há linha lisa e alinhando a linha onde há nós. Mesmo que seja poesia de pedra, rústica ou polida. Afagando o ouvido ou a leitura.

Dante, Shakespeare, Neruda degustaram metáforas. E deram vida à poesia nossa de cada dia. O resto não é resto, é metáfora do que resta da sobra. Onde se escondem os verbos nos porões da zeugma ou se omitem os nomes, nos escaninhos da elipse.

Aí não se pode esquecer a política nossa de cada noite. No Brasil de hoje, só a língua, mesmo maltratada, ampara a Pátria.

Só que a metáfora na política é a tentativa de esconder a verdade, muitas vezes feia, para vender a mentira falsamente bela. E o povo, metáfora da abstração, deixa-se enganar concretamente na mesma cumplicidade da metafórica democracia de faz de conta.

Na circunavegação da falsidade, institucionalmente estabelecida, senhora dos poderes e controles, o embuste ético humilha a língua de Camões.

A repetição deste texto dá-se pelo abuso com que a televisão, os blogs e twitters, na ausência do jornalismo impresso, assassinam diariamente o que ainda resta da língua que unificou a nossa linguagem cultural.

A falar a língua do povo, no dia a dia, é uma coisa. Outra coisa é usar o texto escrito para enterrar a língua portuguesa. O que há de “sábios”, que entendem de tudo, usando a língua que desconhecem no mais elementar da sua estrutura, é de se imaginar que estão a criar uma “nova língua”. Ou edificar o seu sarcófago.

Uma língua inculta e feia, próxima da ortografia do rincho, com desculpas ao nosso jumento, inculto e belo.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
sexta-feira - 08/11/2019 - 14:56h
Crônica

Tá faltando um leiloeiro?


Por François Silvestre

Chico de Regina era o leiloeiro oficial da paróquia de Martins, nas festas da Padroeira. As barracas distribuídas na Praça Almino Afonso disputavam as preferências do Azul ou Encarnado.

Ele segurava um copo de cerveja quente e com o polegar prendia no copo um pedaço de linguiça enfiado num garfo. “Quanto me já dão por esse copo de cerveja do Aero Bar de seu Genaro e um pedaço da linguiça de Raimundo Baliza”?

Alguém gritou: “Um cruzeiro, pra Borreguim”. Chico repetia: “Um cruzeiro, pra Borreguim, dou-lhe uma”.

Luciano Nicotina, já bêbado, gritava: “Dois cruzeiros, pro cão”. O leiloeiro anunciava: “Dois cruzeiros, dou-lhe duas”. Nicotina gritava de pé: “Tem que dizer pro cão”. Chico corrigia “dois cruzeiros, pro cão”, mas dizia o “pro cão” bem baixinho.

Luciano cobrava: “Tem que dizer alto, ou eu não pago”.

Aí Chico de Regina, irado, gritava: “Dois cruzeiros, pro cão. Dou-lhe três, CÃO”.

Tá faltando um Chico de Regina nos leilões de Bolsonaro, que têm merecido o desprezo total dos seus decantados “aliados” internacionais, nessa história do pré-sal.

Cadê EEUU, Israel, Arábia Saudita, China…?

Talvez Guaidó seja um bom leiloeiro.

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 03/11/2019 - 06:38h

A moeda e o medo


Por François Silvestre

“Quatro rios há nos espaços tenebrosos e subterrâneos dos Infernos: o Estige, o Aqueronte, o Cocito e o Flegetonte ou Piriflegetonte. Os três primeiros levam suas águas lentas, através de marnéis, pântanos e volutabros infectos, cobertos de tristes plantas aquáticas, a gargantas estreitas, onde o ruído das águas se torna espantoso. O quarto rola ondas de enxofre e fogo, arrastando no seu curso rochedos retumbantes”.

“Às bordas do Estige vêm dar as sombras dos que deixaram os corpos na região das luzes. Sobre a onda imóvel desliza, sem cessar, sem ruídos, uma barca com a madeira podre, suja, dirigida por horrenda criatura”. É Caronte, o barqueiro do inferno.É assim que Tassilo Spalding inicia o verbete que define e expõe à visão gráfica a figura símbolo do que seria o capitalismo na mitologia.

E informa que o filho de Érebo e da Noite, desconhecido de Homero e de Hesíodo, era um deus ancião, mas imortal. Velho, repugnante, intratável e avaro.

Para realizar a travessia dos mortos à outra banda do Estige ou do Aqueronte, cobrava três óbolos, a menor das moedas, que valia uma sexta parte do dracma.

E só carregava os que tinham merecido a honra do sepultamento. Cujas almas, desligadas, tinham a posse das moedas que lhes garantiam a travessia.

As despossuídas vagavam pelas margens dos rios citados, até que um dia conseguissem o pagamento da travessia.

A descrição de Caronte e suas atribuições compõem o mais perfeito retrato do capitalismo e suas navegações pela história humana, a cobrar de cada um os óbolos de sua ganância e devolver a cada um a travessia no barco podre de Caronte.

Quando vejo um rico perdulário ou muquirana, esbanjador ou mealheiro, enojar-se com a palavra comunismo, eu compreendo. O que não compreendo é ver um pobre esganar-se de admiração pelo capitalismo.

Caronte não recebia seres vivos na sua barca. O capitalismo não recebe seres livres nos seus negócios. Todos são livres, no capitalismo, para servirem aos capitalistas. Fora daí, a liberdade é apenas uma figura retórica. Onde se avolumam nas margens dos rios podres as almas despossuídas de óbolos.

Caronte pagou com a perda de função, durante um ano, por ter transportado Hércules, ainda vivo, e o fizera movido pelo medo.

Aí estão os dois instrumentos do aparato capitalista: a moeda e o medo. Sem a moeda e sem o medo, a exploração fracassaria.

Posta indevidamente nos ombros da ganância capitalista a bandeira das liberdades fundamentais, pelo falso comunismo, o antagonismo do mal se transformou no estandarte justificador do próprio mal.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Crônica
domingo - 20/10/2019 - 07:00h

Capitalismo de quintal


Por François Silvestre

O capitalismo brasileiro é pré-feudal, o socialismo brasileiro é pré-burguês e a política do Brasil ainda cisca no terreiro da caverna.

Tudo no contorno infindável da promiscuidade público-privada, estuário institucionalizado da trampolinagem e demagogia. Horta fértil de cujo estrume brotam “salvadores da pátria”.

A dialética, no Brasil, não tem tese. Só antítese, sem síntese.

Desordem institucional, desonestidade administrativa e farsa de controle.

O único governo que tentou reformas de base, inclusive agrária, foi João Goulart, um latifundiário. E caiu por isso. Imprensado no meio da guerra fria, travada pelo império capitalista americano contra o império militarista da burocracia soviética.

A pátria dos quartéis vendeu-se.

A pátria dos políticos prostituiu-se.

O povo recebeu a sucata da pátria, cujo conserto, hoje, atropela-se na dialética da mediocridade.

Só a vontade coletiva poderá romper o fracasso.

Uma seita não faz oposição, propõe canonização.

Um conluio fascista não faz reformas, arruma rifa entre amigos.

Só a consciência coletiva, se ainda tivermos, apontará um Norte. Seja da estrela Polar ou do Cruzeiro do Sul.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo / Política
  • Lion Brazil - rodapé 03-01-2020
quinta-feira - 03/10/2019 - 19:08h
Brasil

Há remendo?


Por François Silvestre

Há, hoje, nos grotões da vida em sociedade, uma espécie de tristeza mórbida, que só não alcança fanáticos ou alienados absolutos. No campo do fanatismo, vamos encontrar a direita renascida do esterco e a esquerda trombando nas próprias frustrações.

Os alienados, aparentemente felizes, são os mesmos dos antigos tempos da direita conservadora e da esquerda reformista. No mesmo quadro de ilusão lírica ou interesse reprimido. Ambas a buscarem justificativas ou inventarem convencimentos. A direita conservadora, não fascista, diluiu-se e faz falta. A esquerda lírica, não idiotizada, recolheu-se e deixou o vácuo.

O pragmatismo serve de pretexto à mistura no charco, onde o limite da ética inventada permite nadar na lama.

Em política, ser honesto ou falso é só uma questão de oportunidade. Tudo metodologicamente explicável ou justificável. Como a loucura nos personagens de Shakespeare. O método que espanta remorsos e modela biografias caricatas.

Mas os políticos não estão solitários nesse embuste. Longe disso, eles têm a companhia dos que exibem falsamente o combate ao desmando. Até conseguem algumas reparações, mas não convencem, posto que a ética cantada em verso e prosa não resiste à ganância dos paladinos, recheando os bolsos com o zinabre que carrega o cheiro da miséria do povo.

Porém, o aparato da exibição, que fantasia a alienação dos novos tempos não consegue retirar a maquiagem do palhaço, após sair do picadeiro e mergulhar na solidão do camarim.

Fossem eficientes os discursos das castas, espertamente abastecidas, tudo seria mais facilmente alcançável. Seria, mas não é.

Quem cobra austeridade nem sempre é austero. Quem cobra honestidade pública muitas vezes esconde a desonestidade nos escaninhos da legalidade duvidosa. E o que é duvidoso na moral, agasalha a lei no legalismo; porém, a desmente na legitimidade.

Isso produz tristeza? Sim. Mas ser triste é suficiente? Não. Nem indignar-se é suficiente.

A denúncia exposta acalanta a ira, botando-a para dormir, mas não produz efeito reparador. Apenas faz a catarse de quem se sente mal nesse pântano de hipocrisia.

Não é redundante lembrar que desonestidade não é apenas enfiar a mão no bolso ou no patrimônio público ou privado. Não. Usar e abusar de enviesados teóricos e brechas legais para saquear o contribuinte também é desonestidade funcional. E com rebuscados argumentos vira desonestidade intelectual.

E quando um desonesto intelectual pune o desonesto material, perde-se o fio do fuso e quebra-se a roca do tear. Quem tecerá o Brasil amanhã?

Porque hoje o estofo da pátria resta roto. Lembrando o poeta, “um galo sozinho não tece uma manhã”. Há de ser um povo. Não há pompa ou pose, nem liturgia falsificada, que remende esse tecido esgarçado sem audiência consciente da população.

Essa audiência consciente distingue povo de massa.

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Categoria(s): Artigo
domingo - 22/09/2019 - 21:26h

Vladimir Carvalho, um sertanejo do mundo


Por François Silvestre

Conhecer pessoalmente o cineasta e escultor Vladimir Carvalho foi de uma alegria inescondível, como diria o erudito “seu” Valdomiro. Vlado, como é tratado pelos amigos, é daquelas pessoas que você, ao conhecê-la, imagina ser amigo de infância. De uma simplicidade cativante, sem qualquer pose que o currículo e a história de vida naturalmente autorizariam.

Vem à memória a figura de outro amigo também possuidor do dom da simplicidade. Dominguinhos.

Vladimir Carvalho é um sertanejo do mundo, que não por acaso nasceu no Nordeste (Foto: Sérgio Amaral)

Vladimir teve vida difícil, típica de nordestinos retirantes. Seu pai, Mestre Luís, faleceu muito jovem. Sua mãe, Dona Mazé, ficou viúva com um filho de colo. Walter, que é uma espécie de irmão-filho de Vladimir. Também artista igual ao pai e ao irmão. Família de arte e genialidade.

O filme “No país de São Saruê” foi censurado e preso. Vladimir viveu a clandestinidade, com o apelido de Zé dos Santos, viveu de esculpir esculturas sacras.

Foi ele quem deu guarida e conseguiu evitar a prisão da viúva de João Pedro, Dona Elizabete, cuja morte do marido motivou o filme “Cabra Marcado para Morrer”.  Vladimir participou da elaboração do filme.

Sua obra é vastíssima. E a convivência também. Com Glauber Rocha, Arnaldo Jabor, Caetano Veloso, Ruy Guerra e muitos outros. “O homem de Areia”, sobre José Américo de Almeida. “O Evangelho segundo Teotônio”, sobre Teotônio Vilela. O “Engenho de Zé Lins” e vários outros filmes.

Dentre obras curtas e longas, é reconhecido, por colegas e críticos, um craque da cinematografia de roteiros. Além de ser, herança do pai, um excelente escultor.

Vladimir Carvalho é um sertanejo do mundo, que não por acaso nasceu no Nordeste. Um paraíba da Paraíba, que orgulha a cultura do Brasil.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Crônica
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segunda-feira - 09/09/2019 - 08:23h
História

A independência do dia 8


Por François Silvestre

O Sete de Setembro é apenas mais uma das mirabolantes mentiras da nossa historiografia, mascarando a História. Não pelos fatos narrados, que ocorreram, mas pela informação de heroica decisão unilateral. Não foi. Ocorreu o desfecho de um acordo montado e arquitetado de muito tempo passado, quando da decisão de retorno de D. João VI a Portugal.

Quando as Cortes de Lisboa exigiram a ida do Príncipe D. Pedro para Portugal, deixando o Brasil sem o comando de um Bragança, foi o sinal para a consumação do acordo. “Antes que um aventureiro lance mão”.

No dia O8 de Setembro foi definida uma indenização à Portugal, pela perda da Colônia, de quantia satisfatória para acalmar as Cortes. Dinheiro muito, uma parte oficialmente declarada e outra que nunca se soube o montante.

Os militares portugueses aqui sediados, insatisfeitos, foram abandonados pela metrópole e lutaram em vão, acreditando que o Príncipe Pedro traíra sua pátria. Tudo farsa, menos o sacrifício deles, que lutaram e perderam.

Tanto é mentira que o mesmo príncipe “traidor”, ao abdicar, voltou a Portugal e lá tornou-se rei, com o título de D. Pedro IV. Essa festa do dia Sete tem o erro do dia e a marca do número da mentira.

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Categoria(s): Artigo
sexta-feira - 30/08/2019 - 17:18h
Livro

“A pátria não é ninguém” vai ganhar nova edição


Primeira edição do livro (Reprodução)

A Editora Sarau das Letras, conduzida pelos escritores Clauder Arcanjo e David Leite, prepara lançamento de nova edição do livro “A pátria não é ninguém”.

François Silvestre é o autor da obra.

A publicação originalmente remonta ao ano de 2002, portanto há 17 anos.

Saiu pela A.S Editores àquela época.

Trata-se de romance ambientado num país conflagrado, asfixiado pela repressão e em busca de sua identidade.

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Categoria(s): Cultura
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domingo - 11/08/2019 - 10:52h

Cortez Pereira em perfil


Por François Silvestre

Honório de Medeiros me convoca. Informa que um grupo de estudiosos das coisas nossas daqui deste paquiderme raquítico pretende continuar uma obra de Câmara Cascudo, que traçou o perfil dos governadores do Rio Grande do Norte.

Parece que Cascudo foi até Rafael Fernandes.

Disse-me ele que recebera a incumbência de me convocar, e a mim foi delegada a tarefa de escrever sobre Cortez Pereira. Topei. Cortez foi meu professor, depois meu amigo. No meio dessa amizade, um período difícil de oposição minha ao seu governo.

Tempos escuros e crus.

Num episódio, na Casa do Estudante, eu contestei uma entrega que Dona Aída, primeira-dama, foi fazer no pardieiro da Praça Lins Caldas. O meu discurso naquele evento resultou na minha prisão, após o coronel ajudante de ordem do governo ter desligado o microfone.

Continuei com o som nu da minha voz. Esse evento me rendeu uma das minhas prisões e um processo na Auditoria Militar da Aeronáutica, em Recife.

Muitos pensaram e alguns ainda pensam que eu me tornara inimigo de Cortez. Nada disso. Se dependesse dele ou de Dona Aída eu não teria sido preso.

Ocorre que naquele período, governo do torturador Emílio Médici, governador de Estado não tinha força para prender nem prestígio para soltar. Essa frase, que eu disse na época, foi usada pelo próprio Cortez quando um repórter lhe perguntou, na TV Universitária, se ele havia colaborado com a repressão.

Disse ele:

- “Sei do que você está falando, mas o próprio reprimido me isentou daquela repressão”. E me citou.

Vou tentar fazer um painel minimalista do perfil de Cortez Pereira. Um daguerreótipo para tentar fotografá-lo. Tentarei, se conseguirei não posso assegurar.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
quinta-feira - 01/08/2019 - 11:54h
Memória

Academias de gênero


Por François Silvestre

Quando na direção da atividade cultural do Estado, Fundação José Augusto (FJA), ocorreu um problema envolvendo a Academia Feminina de Letras (AFL). Foi o seguinte: A Academia não tinha sede própria, o que levou sua Presidente, Zelma Bezerra, a pleitear junto à Governadora Wilma de Faria o uso do Palácio Potengi (Palácio da Cultura), sede da Pinacoteca estadual, para a realização das reuniões da AFL/RN.

A Governadora concedeu e não entendeu ser necessário me comunicar. Quando eu soube, fui obrigado a contestar sua decisão.Alguns servidores da Pinacoteca me alertaram para o fato de que muitas vezes os visitantes daquele equipamento cultural encontravam copos plásticos, guardanapos e outros objetos espalhados pela grande mesa onde os governadores reuniam o secretariado, nos tempos em que o prédio era a sede do Governo do Estado. E era exatamente nessa mesa, hoje peça museológica, que as acadêmicas se reuniam.

A Governadora compreendeu, mas ficou preocupada com o desgaste. Eu a tranquilizei e disse que declararia ser minha a decisão. E que fundamentaria o decidido com base legal. Assim foi feito.

No dia seguinte a essa decisão, houve um encontro de instituições culturais na Assembleia Legislativa. Fui convidado para presidi-lo. Dentre as instituições estavam o Instituto Histórico e Geográfico do RN (IHGRN) e as duas Academias de Letras. Ficaram ao meu lado Enélio PetrovichDiógenes da Cunha Lima. Nisso, uma das acadêmicas pede a palavra e me dá um sarrafo.

Os adjetivos mais suaves foram ditador e ignorante. Ficou um clima tenso. Eu peguei o microfone e serenei os ânimos. Disse que não responderia os desaforos e até os compreendia. Disse mais, que ela merecia uma explicação. Ela muito nervosa, quis sair.

Mas foi convencida e ficou. Zelma, do canto da mesa, me pedia desculpas. Expliquei que um equipamento museológico não pode ser usado regularmente por qualquer instituição, pública ou privada. Só em eventos esporádicos, com as cautelas pertinentes. Não como sede regular.

Ela acalmou-se. Conclui dizendo que se o Presidente da Academia Masculina, ali presente, precisasse fazer uma reforma na sua sede, eu não permitiria o uso do Palácio para sediar aquela Academia. Diógenes fechou a mão em concha, aproximou a boca do meu ouvido, e disse baixinho: “Academia masculina é a puta que pariu”.

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Categoria(s): Crônica
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terça-feira - 30/07/2019 - 19:56h
Duas carteiras

OAB (Para Francisco Nunes e Ésio Costa)


Por François Silvestre

Aos dois dedico este texto.

Tenho duas carteiras de inscrição na OAB. Uma na OAB de São Paulo. Outra na OAB do Rio Grande do Norte. Explico.Quando o advogado era inscrito numa seção e precisava transferir a inscrição, tinha de devolver a carteira da inscrição originária.

Minha inscrição na OAB de São Paulo deu-se num período em que eu militava no Fórum Clóvis Beviláqua, penal, e no Fórum João Mendes, cível. Após período de clandestinidade na Capital paulistana. Misturava advocacia com jornalismo.

No dia da minha inscrição, o Secretário da OAB/SP era Márcio Thomaz Bastos, que assinou minha carteira. Assinaram a folha de endosso, por exigência legal, dois advogados. Lívio de Souza MeloGeraldo Pedroza de Araujo Dias. Sabe quem é o último? Geraldo Vandré, Que era inscrito na Ordem.

E foi um problema. Quando o secretário Thomaz Bastos leu o termo de abertura, num auditório da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, e  disse “o presidente da República Federativa do Brasil”, Vandré interrompeu e perguntou: “Quem é o presidente da República Federativa do Brasil”?

Thomaz Bastos, constrangido, respondeu baixinho: Geisel.

Vandré disse, “não ouvi”. E Thomaz Bastos respondeu quase gritando: “Geisel”. Vandré levantou-se e disse “vou procurar a república dos estados unidos do Brasil”. E foi embora.

A plateia ficou olhando pra mim, e eu sem saber onde meter a cara. Encontramo-nos depois e foi discussão feia, no mesmo dia, num bar alemão da Martinho Prado.

O auditório estava lotado e eu fiquei com cara de tacho. Mas, quero contar o porquê de possuir ainda hoje essa carteira.

Não querendo devolver esse documento tão importante para mim, perguntei a Roberto Furtado, presidente da OAB/RN na época, o que fazer. Ele me orientou, dizendo que eu informasse no pedido de transferência de inscrição que a carteira havia sido extraviada. Fiz isso.

Menti e tenho as duas carteiras. Das quais me orgulho, sem participar de nada na vida administrativa da Ordem. Nunca disputei cargo nenhum. Nem de suplente.

Mas guardo orgulho da Ordem dos Advogados do Brasil. Como está posto na minha carteira de São Paulo: Advogado, preserve suas prerrogativas.

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Categoria(s): Artigo
segunda-feira - 29/07/2019 - 07:50h
Mundo

O muro do racismo


Por François Silvestre

Lembram do muro de Berlim?

Era uma comoção universal. O símbolo maior da ruindade soviética, que era ruim mesmo.

Lembram do discurso de Kennedy?“Aqui, eu conclamo. Quem quiser saber a diferença entre Democracia e opressão venha a Berlim”. Disse e foi ovacionado pelos berlinenses. Pois bem. O tempo passou, que é do seu destino, e o que vemos? Vemos a pátria-mor da democracia, segundo Kennedy, erigir um muro mais vergonhoso do que o de Berlim.

Separando dois países amigos, para proteger-se dos miseráveis. Não são bandidos, não são inimigos ideológicos, não são deformados. São apenas miseráveis, escorraçados pela mais degradante de todas as misérias que é não poder viver na terra onde nasceu.

E a justiça da pátria-mor da liberdade avalizou essa barbárie. Lincoln e Kennedy reviram-se nas covas. E os chamados países do primeiro mundo, que tanto criticaram justamente o de Berlim, silenciam sobre o do México.

Prefiro o quintal desse meu quarto mundo.

Agora, senhores da estupidez estabelecida, defendam essa coisa. Mas o façam justificando o ato, que se for convincente o argumento eu contesto ou retiro a queixa. Não me venham com Venezuela, Cuba, Maduro ou Castro. Isso não é argumento, é latido.

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Categoria(s): Artigo
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sábado - 27/07/2019 - 07:46h
ANL

Nem academia nem acadêmico


Edital da ANL (Reprodução)

Por François Silvestre

Sérgio Vilar publicou no Papo Cultura uma hipotética academia de letras, em cuja relação consta meu nome. É uma brincadeira e encaro com tal.

Mas foi assim que respondi a ele:

Meu irmão, vi uma lista que você publicou incluindo-me numa hipotética academia paralela de letras. Desculpe, mas em matéria de academia eu não sou acadêmico nem alternativo. Já fui convidado para disputar vaga na de Diógenes, mais de uma vez, e sempre declinei.

Na última vez, estava no Rio, quando recebi um telefonema de Manoel Onofre Jr. dizendo-me que fora encarregado por vários acadêmicos para que eu aceitasse incluir meu nome na disputa de vaga que surgira.

Declinei do convite mais uma vez.

Disse-lhe, na ocasião, que respeitava a academia e seus membros, mas não combina comigo essa coisa de academia ou clubes literários. Até porque eu não iria participar dos eventos da Casa. E só pela pose do título não seria honesto.

Ele tá vivo e você pode consultá-lo sobre o que acabo de contar. Com meu abraço fraterno, agradeço-lhe, mas declino.

P.S: Fui procurado outras vezes, inclusive pelo vice-presidente da Academia, Paulo Macedo,também dizendo ser portador do convite por outros acadêmicos. Mais de uma vez. E sempre repito que mesmo reconhecendo a honra do convite, respeitosamente declino.

Agora mesmo vejo no meu WhatsApp uma postagem de Alex Medeiros informando a abertura de vaga na Academia pelo lamentável falecimento do amigo Lenine Pinto. Não, Alex; essa informação nada me diz.

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Categoria(s): Crônica
quinta-feira - 25/07/2019 - 12:44h
Opinião

Analfabetismo não exclui inteligência.


Por François Silvestre

Bolsonaro é analfabeto em matéria de instrução, mas não é desinteligente. Ninguém se iluda. Ele é esperto e matreiro.

Quando ele diz uma “burrada” e todo mundo vai na onda de contestar, discutir, repercutir, acontece o que ele quer. Isto é, desviar a atenção das coisas realmente graves que seu governo não ataca nem resolve.

Essa coisa de embaixada nos esteites é uma jogada inteligentíssima. E todo mundo escorregou na casca.

Esqueceram Queiroz, esqueceram o laranjal dos filhos, esqueceram os depósitos da primeira dama. E todo mundo foi pra “luta” contra um Bolsonaro na embaixada do Trump.

Grande luta.

Pra que serve embaixada em Washington? Pra nada. Diplomacia hoje é tão atraente quanto texto escrito em papel. Ninguém dá bolas. Diplomacia é máscara em baile de amizade.

Os americanos elegeram Trump, merecem Bolsonaro. E a Câmara dos Deputados ganha uma ausência ilustre.

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Categoria(s): Artigo / Grandes Autores e Pensadores
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domingo - 21/07/2019 - 09:36h

Alcione, marrom de todas as cores


Por François Silvestre

Bravo.

Sua resposta a esse destemperado, analfabeto e racista Jair Bolsonaro (PSL), só confirma o que eu tenho dito aqui e alhures: Nordestino que se baba de afeto por essa figura ou é masoquista ou tem complexo de jegue.

Com todo respeito ao quadrúpede. Mas, com muita pena dos bípedes.

Valeu, Alcione.

Cantora Alcione:

“Presidente Bolsonaro, eu não votei no senhor e não me arrependo. Eu sou uma brasileira que não torço contra o governo, não sou burra. Eu sei que se torcer contra, estou torcendo contra o meu país. Agora meu pai sempre me dizia, que meu avó já dizia para ele: “QUEM QUER RESPEITO, SE DÁ”. E o senhor não está se dando respeito. O senhor precisa respeitar o povo nordestino. RESPEITE O MARANHÃO. O senhor tem medo de facada, tem medo de tiro, mas o senhor precisa ter medo do pensamento. O pensamento é uma força. Pense em mais de 30 milhões de nordestinos pensando contra o senhor? Comece a nos respeitar. RESPEITE O POVO BRASILEIRO” (veja AQUI).

Uma cantora e artista brasileira que nunca se envolveu em militância política. Sua militância é a da arte.

Mas não se nega a defender sua gente e sua terra, pois é da gente que se é e da terra em que se nasce que nasce em cada um a sua arte.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
quarta-feira - 17/07/2019 - 20:10h
Brasil

Toffoli… Toffoli…


Por François Silvestre

Tofóli-se. Até que enfim uma decisão do ministro Dias Toffoli (veja AQUI), aquele que levou pau duas vezes em concurso para juiz, favorável a alguns investigados aliados dos seus ex-patrões. Pois é.

Dias Toffoli: decisão polêmica (Foto: arquivo)

Ele foi advogado e assessor de Zé Dirceu. Chegou ao Supremo sob suspeita dos tucanos.

Ocorre que Toffoli nunca perdoou Lula e Dirceu por terem-no escolhido após duas desistências de convidados mais credenciados. Nunca.

Porém, agora, nesse imbróglio do Conselho de Administração de Atividades Financeiras (COAF), Toffoli foi obrigado a proteger aliados dos seus ex-patrões. Tudo para salvar seus atuais “amigos”. Quais? Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz.

O pedido foi feito por Bolsonaro e Toffoli atendeu. Ou como diria Floriano Cavalcanti, jurista da terrinha, “Nós ainda guardamos muito dos símios de onde viemos e da sua estrutura, entendeu você, óssea”?

Esse “entendeu você” era um cacoete do mestre.

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Categoria(s): Artigo
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