quinta-feira - 20/09/2018 - 21:02h
Presidente

Simples assim


Por François Silvestre

Quem não vota em Jair Bolsonaro (PSL) nem quer o PT de volta ao poder só tem uma saída: Votar em Ciro Gomes (PDT).

Quem vota em Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (REDE) ou Álvaro Dias (PODEMOS) está dando o passaporte para o PT no segundo turno.

E aí tudo pode acontecer de ruim.

Bolsonaro ou Fernando Haddad será o atraso ou a discórdia.

O país não aguenta mais essa disputa entre o ruim conhecido e o péssimo anunciado.

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Categoria(s): Opinião
domingo - 16/09/2018 - 12:09h

Ciro Gomes. Por quê?


Por François Silvestre

Porque é cristalina a opção. Esse maniqueísmo infantil, de adolescência política, entre petismo e anti-petismo já esgarçou por demais a estopa da nossa realidade político-administrativa. Chega.

O petismo teve sua chance, seu tempo, sua superação. O anti-petismo não é a negação do petismo. É a tentativa de ressuscitar, em nome desse antagonismo, uma excrescência histórica que produziu a Ditadura mais cruel da nossa História, fazendo do Estado Novo um arremedo pífio da violência e da barbárie.

O PT adotou, no exercício do poder, o pragmatismo mais escrachado aliando-se com o que havia de pior na vida empresarial do Brasil. Não se pode brigar com os fatos.

Esmola para os pobres e dinheiro franco para os corruptos. Banqueiros e “empresários” bem sucedidos à custa do dinheiro público.

O outro lado, da pilantragem de direita, usa essa realidade para prometer “coisa melhor”. Cretinice de semelhantes da corrupção e piores de caráter político.

Bolsonaro é apenas um instrumento dessa corriola de fascistas que se esconde sem mostrar a cara ensebada, por covardia e falso pudor, para retomar o projeto de atraso político, preconceito de costumes e repressão da liberdade.

O candidato do PT nem sabe onde fica o Raso da Catarina, no sertão da Bahia. Um neófito de Brasil. Um rapaz ilustrado de informações inúteis.

Há um candidato ideal? Não.

Há um candidato viável, para o possível papel de transição. Esse candidato é Ciro Gomes.

Não se filia ao pragmatismo arrependido do PT, que agora promete voltar ao estuário do projeto original abandonado, nem se alia à escrotice da direita escorraçada nas urnas e ávida para transformar em pior o que já está ruim.

Fizeram isso com Temer, aqui.

Com Macri, na Argentina.

Com Trump, nos Estados Unidos.

Não existe direita ou esquerda. Existe dignidade ou indignidade humana.

E Ciro Gomes é, ao meu ver, a dignidade possível contra a indignidade que tenta se estabelecer.

Votar em quem corre o risco perder para a indignidade, mesmo sendo digno, é votar contra a Democracia.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
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segunda-feira - 10/09/2018 - 08:18h
Eleições 2018

Notícia da cadeia


Por François Silvestre

Ontem, a notícia foi do hospital. Hoje, é da cadeia. Triste e maluca eleição.

Lula pede para adiar a decisão de indicar o candidato substituto. Uma demonstração de que qualquer substituto já começa desqualificado.

É assim que se comporta o técnico ao adiar a substituição do jogador, por não confiar plenamente na sua opção do banco. Mas o jogo continua e o tempo tem prazo certo.

Quanto mais demora, mas o substituto será menos útil. Enquanto essa estratégia incompreensível da cadeia vai se configurando, a situação do hospital vai se consolidando.

Lula é o melhor cabo eleitoral de Bolsonaro.

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Categoria(s): Opinião
domingo - 09/09/2018 - 05:32h

O lobo perde o pelo…


Por François Silvestre

…mas não perde o vício. Após ter escrito no meu Blog um texto condenando veementemente o atentado contra o  senhor Bolsonaro, inclusive torcendo por sua recuperação e participação na campanha, imaginando uma visão pacífica do mesmo sobre tudo isso, vejo fotos, na Net, do senhor Bolsonaro apontando os dedos em forma de armas de fogo.

Demonstrando o caráter violento da sua formação inalterada.

Isso numa cama de hospital, em estado grave de observação.

Concluo que se fosse outro o candidato agredido ele estaria rindo e dizendo: “Esfaqueou, e aí? o que quer que eu faça”.

É assim que ele reage quando a desgraça é alheia. Não me convence essa campanha “humanitária” do anjo agredido.

Foi um ato reprovável, violento, sob todos os aspectos. Mas o agredido é um profissional da violência, da intolerância e do fascismo.

A agressão sofrida não o torna manso. Pelo contrário, o mostra monstro.

Eu não queria falar mais nada sobre esse cidadão, cuja saúde desejo recuperada, mas seu comportamento num leito de hospital fotografa uma pessoa desprovida de qualquer senso de humanidade.

Nem a violência contra si mesmo o faz comedido.

É um aventureiro da desgraça que se arvora salvador da pátria. Torço pra que viva e voto pra que perca!

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
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terça-feira - 04/09/2018 - 20:12h
Opinião

Pátria Supérflua


Por François Silvestre

Quando assumi a presidência da Fundação José Augusto (FJA), decidi não ser apenas um traseiro numa cadeira confortável. Era confortável e suja aquela cadeira. Sujeira do tempo, do uso de esfregação de inúmeras nádegas antecessoras. A ficar nela, recebendo gratificação, sem nada fazer e sendo bajulado, sairia de lá sem nada ter feito e guardando no currículo o sossego que oferecem os órgãos de controle público do Estado a quem nada faz.

Abandonar não é improbidade.

Comecei visitando os próprios que hospedavam equipamentos culturais. Patrimônio entregue ao descaso. Começo por um desses próprios. A Pinacoteca do Estado, hospedada no Palácio Potengi.

Observei, com orientação técnica da própria Fundação, que ali estava um acampamento de risco. Ambiente com cavaletes de madeira, telas de pano e tintas inflamáveis. E o pior; uma linha do teto, de maçaranduba, posta e envergada, quase caindo, sobre o comando do ar condicionado geral.

Bastava uma piúba de cigarro, ou outra fagulha qualquer, após o contato da linha com a central de refrigeração, para tudo virar cinza. Sem salvação. Um barril de pólvora, exposto à incúria do poder público. Adiei até hoje o sinistro, mas não sei até quando.

Convoquei a Coordenação de Obras da Fundação e determinei a imediata solução do problema. Combinada com uma restauração completa do Palácio. E assim se fez. Ninguém reclamou ou cobrou “correção de rumos”.

Passado o tempo, os órgãos de controle, diga-se Ministério e Tribunal de Contas, me processaram por improbidade administrativa. Porque não fiz licitação com empreiteiras. Usei a Coordenação da Fundação José Augusto, no sistema de administração direta.

Imagino alguém, no Rio, ter feito o mesmo pra salvar o Museu Nacional. Seria processado pelo MP carioca e pelo Tribunal de Contas de lá. O gaiato é que o relatório do TC de lá teria de ser assinado por Conselheiros na cadeia, por corrupção.

No caso daqui, tanto o MP quanto o TCE argumentam que dispensa de licitação carece de emergência para sua configuração. E cuidar de cultura ou instrumento cultural não é uma emergência. É uma “bobagem supérflua”, como consta num dos processos.

Emergentes são os corredores dos hospitais, os quais também estão abandonados.

A diferença é que, na pátria supérflua, os humanos mortos nos hospitais são corpos novos sem apelo antropológico, e os equipamentos culturais são destruídos sem respeito histórico.

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Categoria(s): Opinião
domingo - 02/09/2018 - 07:30h

O Cristo e a pedra


Por François Silvestre

Essas mal traçadas linhas, no bico de pena do computador, olhando para a Pedra Rajada. A mesma que avistei ainda menino na primeira vez que subi a Serra, com noção sub rudimentar das coisas.

Na garupa do cavalo Petróleo, preto mesclado de branco, sob o comando do padre Alexandrino Suassuna de Alencar. Nem lembro qual era o meu tempo de vida. Com certeza, antes dos oito anos. Pois que com essa idade, eu vi seu corpo inerte, estirado num velório improvisado na casa da minha avó.

Minha avó. A memória mais suave, alegre, feliz, vestida de flores, banhada de vida, que o regresso à infância consegue me levar.

A lembrança do padre, tio e pai adotivo, é confusa. Misto de admiração, afeto e medo. Relação de uma criança peralta com um pai ciclotímico. Ora, de agasalho afetuoso. Ora, de rigorosa punição. Havia na parede da sua biblioteca uma palmatória, chamada Vitória, que impunha pavor.

A casa da minha avó era o paraíso. E eu o Adão inexpulsável. Um quintal de frutas e flores. Uma casa vasta, que ela imitava, em Martins, sua casa de jovem em Maranguape.

Filha de um Juiz do Exu, João Antunes de Alencar, aqui ficada por acerto de casamento com um filho de Bisinha Suassuna. Juntava-se aí o sertão de Pernambuco, do Exu; o da Paraíba, de Catolé do Rocha; com a Chapada do Apodi, Gomes e Pintos espalhados pelas Serras do Martins e Portalegre.

Mas não é de genealogia que esse texto trata. Tenta tratar, se possível, desta tarde daqui defronte da Pedra Rajada.

Não defronte do Promontório da Lucárnia onde, nas águas de Antemusa, reinavam Agláope, Teossíope e Partênope, as líderes Sereias encantadoras dos navegantes.

Apenas no amparo de uma tarde modorrenta, como assim definiu Cláudio Santos, ao dizer do medo de enfrentar as tardes. Para quem não teme tormentas, acho que foi uma desculpa para descer a Serra.

Pois bem. Estou defronte da Pedra Rajada. Vista do Mirante Mãe-Guilé, cujo nome tenta aproximar pela paisagem a inimitável figura da avó. A inapagável imagem resistente de uma criança esperneante da memória.

NA PEDRA CHAPADA SOBRE A GROTA VEEM-SE DUAS FIGURAS DE COMPLEIÇÃO HUMANA. Uma de perfil, serena, cuja mancha preta das águas, ao longo dos séculos, lhe ornamenta uma vasta cabeleira. Outra, acima e à direita, mostra um rosto sofrido, com olhos macerados, parecendo tortura.

A imaginação popular diz que são figuras do Cristo. E que a dificuldade de identificá-las acusa impureza no observador. Muitos se apressam na identificação, como os conselheiros daquele rei que exigia admiração por uma roupa inexistente.

O Cristo visto ou não de qualquer pedra continua a saga de ser pregado na cruz. E quem o prega é ateu? Não. São os nominados cristãos que O penduram e O pregam na cruz. Quando vendem milagres, quando O evocam para justificar mentiras, quando prometem o que não cumprem.

Nesse ano de eleições e julgamentos, de mentiras expostas nos templos, das igrejas e tribunais, o Cristo é o expulso. Debaixo de chicotadas da mais fina hipocrisia.

Não há Pilatos, posto que nem água com sabão, mexido de soda cáustica, consegue lavar as mãos dos centuriões romanos dessa Roma devastada, posta no hemisfério latino da sul América.

Nessa escrita, chega gente de longe. Uma família de Cajazeiras, com parentes de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. O chefe do clã fala alto: “Quero ver se daqui se vê luzes de treze cidades. E comer galinha caipira com arroz de puta-rica”.  Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Crônica
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sexta-feira - 31/08/2018 - 16:44h
Lá vai

Perguntar não paga imposto


Por François Silvestre

Dizia Candindé Queiroz, fundador da “Gazeta do Oeste”.

Então eu pergunto: Em quem votam para Presidente da República os candidatos a Governador do Rio Grande do Norte? A pergunta guarda pertinência ante a cobrança de assessores sobre o voto dos eleitores.

Eleitor não precisa dar satisfação do seu voto. Vota como e em quem quiser. Candidato, não.

Candidato tem obrigação de mostrar sua opinião sobre tudo, inclusive em quem vota para Presidente. Em quem votam para Presidente da República os candidatos a governador do Rio Grande do Norte?

Se escodem o voto, por conveniência, não cobrem declaração de voto do eleitor.

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Categoria(s): Opinião / Política
segunda-feira - 27/08/2018 - 06:30h
Opinião

Sinonímia


Por François Silvestre

Racista, fascista e idiota são sinônimos? Não. Idiota merece respeito.

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Categoria(s): Opinião
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domingo - 26/08/2018 - 07:34h

Autorretrato


Por François Silvestre

Essa coisa de autorretrato é uma prática dos pintores. Tenho inveja deles, pois nunca consegui pintar um nariz de frente. Mesmo que D. Raimunda Barreto, minha professora primária no Grupo Almino Afonso, tenha tentado muito. Não teve jeito.

Depois, já no ingresso do segundo grau, um professor de desenho me disse que eu iria sofrer muito na vida por “não conseguir compreender, no plano, as perspectivas espaciais das figuras geométricas”.

Já sofri muito na vida, não mais do que gozei, mas nenhum dos meus sofrimentos se deu por causa da incompreensão das figuras no espaço ou no papel. Compreendo do meu jeito, tortamente.

Outra inveja, a música. Sou o que se chama no sertão um peido n’água, em matéria de afinamento. Afinação nula, ouvido rombudo.

E aí sobrou a escrita. Mesmo assim, precária. Vez ou outra descubro o dodecaedro pentelhando o desenho das frases e o ouvido desafinando a sonoridade das metáforas.

Se fizesse um júri, nesse julgamento pessoal, seria um promotor relapso e um defensor esperto. Como se estivesse roubando no jogo de cartas da paciência.

A acusação: Sou vaidoso e me acho bonito. Fujo do espelho, pra evitar decepção. Sou pretensioso e me acho inteligente. Fujo dos intelectuais para evitar o desmentido.

Sou impaciente. Quando fui candidato fingi paciência pra ganhar votos. Não adiantou. Foi uma mentira ineficaz.

Não gosto de visitar doentes, não vou a enterros, não visito presos. E olhe que já recebi visitas na cadeia e nos hospitais. Só falta recebê-las no cemitério, mas não tenho pressa; quem quiser visitar-me espere deitado. Prefiro a cremação.

Sou egocêntrico. Acho-me morando no centro do Universo, mesmo cercado pela minha própria estupidez e pela burrice nativa que me irrita e amofina. Giram em torno deste meu centro uma galáxia de passarinhos perseguidos, fruteiras assassinadas, broqueiros idiotas queimando grotas e notícias ruins nos jornais televisivos.

A defesa: A ganância nunca me motivou. E olhe que a ganância honesta, de quem trabalha para justificá-la, não merece crítica. Merece aplauso. Mas não consegui fazer da ambição uma motivação de vida.

Não hospedei a avareza. Sempre fui esbanjador, mesmo esbanjando pouco, pois nunca tive muito. Se muito houvesse, eu seria generoso. Em sendo pouco, sou apenas estroina. Moderadamente, com cautela.

Dizia Sêneca que “ao avarento falta-lhe o que tem e o que não tem”. A única avareza respeitável é a do dinheiro público, exatamente onde o Poder que o guarda não o guarda. Rouba-o. E quem diz protegê-lo cobra caro pelo controle e controla ineficientemente.

Tenho o maior número de melhores amigos do mundo. E desafio quem os tenha tanto quanto eu. E da minha família, não me exibo para evitar quebranto.

E assim dito, senhor Juiz, neste júri simulado, resta pedir a condenação. Para que, serenamente, a sentença reflita, na sua motivação, o direito negado às provas do acusador. Nos termos em que o retratado pede deferimento. Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Crônica
terça-feira - 21/08/2018 - 21:20h
Brasil

Democracia de gaveta


Por François Silvestre

Há contratos de gaveta, coisa antiga, entre mutuários vendedores de imóveis que deixam pendentes a quitação. Coisa dos costumes na legislação civil.

O Brasil inova com a democracia de gaveta. O que é isso?

É o contrato eleitoral que desconhece a importância da opinião do eleitor e dá prevalência às decisões da justiça. Questionáveis ou não. Aí estão os fatos. Derrubaram Dilma, legalmente. Dentro da Lei. Prenderam Lula, legalmente, dentro da Lei.

Temer assumiu a Presidência, legalmente, dentro da Lei. O que diz o povo sobre isso? Que é tudo uma mentira democrática. Uma farsa eleitoral.

Temer é rejeitado por noventa por cento da população. E população é sinônimo de eleitor. Lula é aprovado por trinta e sete por cento da população, mesmo preso legalmente.

Depois dele, vem Bolsonaro, que não pertence a nenhum dos grandes partidos que derrubaram Dilma. E Dilma está disparada na disputa para o senado, em Minas Gerais, o Estado cujo candidato ao governo foi o relator do impeachment dela.

Eu não votaria em Lula nem em Dilma, mas não reconheço legitimidade nessa nossa democracia de gaveta. Nessa eleição de miçanga.

Fórum não é foro legítimo para verificar vontade do povo. Vontade do povo, certa ou errada, é coisa de eleição. E eleição não é legítima com ausência de candidato líder nas pesquisas, de qualquer pesquisador. Ou então a justiça eleitoral, jaboticaba, declare a inveracidade das pesquisas e as proíba.

País grandioso sob o tacão de anões, exibidos numa vaidade que envergonha os anjos da Rua Conde Lage, virados para a parede pelas meretrizes do Bairro da Glória.

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Categoria(s): Artigo
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domingo - 19/08/2018 - 09:48h

A idolatria desconhece a razão


Por François Silvestre

Os ídolos não têm culpa da tolice alheia. Os mitômanos apenas revelam a angústia da sua insuportável pequenez.

Quando esse fenômeno tão comum, que parece natural, atinge o campo das artes, o mal passa despercebido. Mesmo assim, não raramente, até nessa seara ocorrem tragédias por conta da idolatria.

Seja pela inveja que o ídolo atrai ou por outra morbidez de comportamento, sem razoável explicação. Caso dos assassinatos de cantores dessa babaquice de ostentação ou de casos universalmente rumorosos, exemplo da morte de John Lennon.

Essa doença não possui diagnóstico oficial. Nem consta da farmacopeia. É um típico processo psicossocial, de natureza coletiva, que vai da admiração ao fanatismo. E no meio dessas duas pontas abrigam-se inúmeras configurações.

Chega-se à infantilidade de alguém instruído lamentar não ter conhecido bem o ídolo venerado após sua morte. Como se pedisse desculpas por não ter sido tão bobo quanto a bobagem geral. E aí enumera outros ídolos, numa indisfarçada compensação.

A idolatria é uma doença que não escolhe culturas nem distingue instrução. É uma espécie de catarse coletiva, onde o anonimato se compensa na visibilidade do idolatrado.

É a sublimação da bobagem. A marca da pré-humanidade, intervalo entre o ancestral microcefálico e o futuro ser humano de cérebro desenvolvido. Esse ser humano, pós pré-humanidade, aparece vez ou outra de forma excepcional. Uns quanto, outros nem tanto.

São os cientistas, pensadores, artistas, filósofos e transformadores, que se diferenciam do seu tempo e atravessam os séculos sendo lembrados. Porém, nenhum desses precisa da idolatria para registrar sua grandeza. Eles próprios não se admiram. Não são seguidores de si mesmos.

Cada geração tem seu código, ensinou Paulo Francis. E todas elas cultivam seus ídolos. Uns sensatos, outros malucos. Uns que nenhum mal produzem e outros que causam destruição. Os tipos são tão notórios que dispensam exemplificação.

As gerações de ontem tiveram ídolos na arte e na luta. Foi o “tempo de guerra, sem sol, da comida na batalha”…como disse Brecht. Que iam de Guevara a Cohn-Bendit. Dos Beatles aos Rolling Stones.

Os ídolos individuais; de James Dean a Elvis Presley. Os ídolos políticos; de Perón a Vargas. Pra não falar na idolatria sangrenta de Hitler e Mussolini. A idolatria é a senilidade da idade teórica.

O movimento Beatnik, de Jack Kerouac a Allen Ginsberg. “Eu vi as melhores mentes da minha geração destruídas pela loucura”. Disse Ginsberg. E daí em diante a palavra loucura saiu do nosocômio para o mundo da criatividade artística.

Essa loucura coletiva na política, de grupos ou partidos, a abrirem mão de suas individualidades diluídas na pessoa do líder ou chefe é a característica originária do fascismo. É triste observar que as tragédias antigas e recentes não conseguem vacinar contra a estupidez.

“O Apanhador no Campo de Centeio”, que nada tem de colheita nem de agricultura, cuida do apanhar disperso da linguagem aparentemente sem nexo, com que Salinger cospe na face infantil dos idólatras.

Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
domingo - 12/08/2018 - 08:10h

Quem tece esse tear?


Por François Silvestre

Há, hoje, nos grotões da vida em sociedade, uma espécie de tristeza mórbida, que só não alcança fanáticos ou alienados absolutos. No campo do fanatismo, vamos encontrar a direita renascida do esterco e a esquerda trombando nas próprias frustrações.

Os alienados, aparentemente felizes, são os mesmos dos antigos tempos da direita conservadora e da esquerda reformista. No mesmo quadro de ilusão lírica ou interesse reprimido.

Ambas a buscarem justificativas ou inventarem convencimentos. A direita conservadora, não fascista, diluiu-se e faz falta. A esquerda lírica, não idiotizada, recolheu-se e deixou o vácuo.

O pragmatismo serve de pretexto à mistura no charco, onde o limite da ética inventada permite nadar na lama.

Em política, ser honesto ou falso é só uma questão de oportunidade. Tudo metodologicamente explicável ou justificável. Como a loucura nos personagens de Shakespeare. O método que espanta remorsos e modela biografias caricatas.

Mas os políticos não estão solitários nesse embuste. Longe disso, eles têm a companhia dos que exibem falsamente o combate ao desmando. Até conseguem algumas reparações, mas não convencem, posto que a ética cantada em verso e prosa não resiste à ganância dos paladinos, recheando os bolsos com o zinabre que carrega o cheiro da miséria do povo.

Porém, o aparato da exibição, que fantasia a alienação dos novos tempos não consegue retirar a maquiagem do palhaço, após sair do picadeiro e mergulhar na solidão do camarim.

Fossem eficientes os discursos das castas, espertamente abastecidas, tudo seria mais facilmente alcançável. Seria, mas não é.

Quem cobra austeridade nem sempre é austero. Quem cobra honestidade pública muitas vezes esconde a desonestidade nos escaninhos da legalidade duvidosa. E o que é duvidoso na moral, agasalha a lei no legalismo; porém, a desmente na legitimidade.

Isso produz tristeza? Sim. Mas ser triste é suficiente? Não. Nem indignar-se é suficiente.

A denúncia exposta acalanta a ira, botando-a para dormir, mas não produz efeito reparador. Apenas faz a catarse de quem se sente mal nesse pântano de hipocrisia.

Não é redundante lembrar que desonestidade não é apenas enfiar a mão no bolso ou no patrimônio público ou privado. Não. Usar e abusar de enviesados teóricos e brechas legais para saquear o contribuinte também é desonestidade funcional. E com rebuscados argumentos vira desonestidade intelectual.

E quando um desonesto intelectual pune o desonesto material, perde-se o fio do fuso e quebra-se a roca do tear. Quem tecerá o Brasil amanhã? Porque hoje a pátria de estopa resta esgarçada. Lembrando o poeta, “um galo sozinho não tece uma manhã”.

Não há pompa ou pose, nem liturgia falsificada que remende esse tecido rasgado. Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
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quinta-feira - 09/08/2018 - 15:50h
Quero mais

Alpiste para o Supremo


Por François Silvestre

Os ministros do Supremo, tão ciosos das dificuldades do Brasil, resolveram aumentar os próprios vencimentos. Na mão grande. O interessante é ver a diferença de argumentos e malabarismos verbais para justificar as várias éticas.

A ética geral, contra todos e tudo e a ética privada, que serve de lastro para rechear o bolso privilegiado do próprio patrimônio. E o povo? Que povo? Que se lixe. O cinismo é uma arte. Ou é uma técnica? Ou é uma ciência?

Direito não é ciência nem na casa de Noca.

P.S:

Deu no BBC News: Mesmo sem esse reajuste os ministros do Supremo, no Brasil, ganham cinco vezes mais do que seus colegas europeus. É mole ou quer mais?

De Luiz Fux ( não confundir com a palavra homófona em inglês):

“Carrego em mim a humildade de reconhecer minha condição humana“.

De Luiz Roberto Barroso:

“Um juiz não pode julgar com fundamento no marxismo-leninismo“.

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Categoria(s): Artigo / Justiça/Direito/Ministério Público
terça-feira - 31/07/2018 - 20:10h
Opinião

O mágico soturno vive


Por François Silvestre

O comunismo foi um fracasso incontestável. Com todas as suas mumunhas e justificativas. A ditadura do proletariado não tinha proletários no seu comando. Uma casta burocrata, violenta, rançosa e genocida matou um sonho teórico. Ponto.

O comunismo morreu. Seu antípoda, o fascismo, tão ou mais genocida, escapou da morte e vive.

Filho torto do capitalismo, foi adotado como bastardo de conveniência. E bajula o pai, quando precisa, ou o substitui quando rejeitado.

O fascismo é um mágico soturno.

Com sua vara de condão luciferante consegue ofuscar e chamuscar de estupidez até o talento de pessoas muito inteligentes. Algumas arrependidas dos sonhos da mocidade. E fazem desses sonhos um pesadelo que obnubila até a generosidade modeladora da juventude.

Qual o sentimento que isso produz?

Tristeza.

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Categoria(s): Artigo / Opinião
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domingo - 29/07/2018 - 10:30h

Universo infinito, planeta finitinho


Por François Silvestre

Quando é que vamos admitir uma verdade escancarada sobre o tamanho da Terra?

O Universo, onde está implicado, posto e encolhido o nosso pequenino planeta, é infinito. Muito mais distante do que grandioso. Tão exuberantemente sem medida e sem adjetivação, que todas as palavras disponíveis em todos os idiomas são insuficientes para qualificá-lo.

Nem os gênios da física ou da astronomia conseguiram desvendar todas as suas dimensões. Leis físicas que vez ou outra são superadas ou complementadas por teorias novas e novas descobertas.

A Terra, não. Pequenina e desvendada, seus mistérios há muito tempo habitam os anais do passado. Mesmo que muitos desses gênios referidos tenham sido perseguidos ou mortos por desmistificarem dogmas e enunciados.

Enunciados e dogmas que se prestavam ao poder temporal, profano ou religioso, cujo serviço da ignorância sempre foi de vassalagem fiel. Nada assusta mais o poder tirano do que o esclarecimento. A luz afugenta fantasmas e tiranias.

A Terra já foi plana e fixa. Dizer diferente era crime de heresia, punível com a morte. Só era plana e fixa na limitação mental da ignorância. Sempre girou sobre si mesma, solta no espaço, pela mágica natural da gravitação. E Newton descobriu que essa magia se dava na razão direta do produto das massas e na relação inversa do quadrado das distâncias. Depois, Einstein acrescentou dimensões de tempo e velocidade não previstas por Newton. Outros virão e novos alcances tentarão aproximar o infinito inaproximável.

A Terra é pequenina, belíssima, hospitaleira e limitada. E nós, os pré-humanos, não temos outro lugar para morar. Não temos para onde ir.

Ainda não há migração cósmica. Nem sei se um dia haverá. Certamente que neste milênio não será. Portanto, ou compreendemos a obrigação de zelar por nossa moradia, ou seremos despejados pela ordem judicial da nossa própria estupidez. Não há uma terceira via.

A natureza tem dado sinais claríssimos de que somos os inquilinos mais estúpidos de quantos já alugaram essa pequena mansão. Nem as baratas se equivalem.

Degelo, secas onde nunca houve nem estiagem, furacões em áreas novas, terremotos, maremotos, queda de raios, enchentes, desertificações, tudo isso sempre existiu; porém, entretanto mas porém, nunca com a intensidade de agora e em tantos lugares diferentes. E tão monotonamente repetido.

Será que não dá pra perceber que estamos antecipando em alguns milhões de anos a vida da Terra? Ou melhor, a vida na Terra?

As agressões ao meio ambiente, no mundo todo, sob a desculpa de um desenvolvimento discutível, tem sido de uma intensidade alarmante.

Sem falar nas agressões menores, da burrice nativa de nossa pobre gente ignorante, que se junta ao conjunto da estultice mor. Com a extinção de espécies animais e vegetais.

A terra devastada da ficção começa a ser uma imagem pífia da devastação que promovemos na realidade.

Hoje, a espécie mais ameaçada é o predador mor da terra. O ser humano, autofágico das próprias entranhas, comedor das próprias tripas. Migrante da própria desgraça e escorraçado da casa que depreda. Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
domingo - 22/07/2018 - 08:42h

Lirismo torto


Por François Silvestre

Quem nasceu no pé da serra, e depois subiu a serra, e depois morou na serra, tem por destino certo viver com a cabeça nas nuvens.

Quem nasceu na beira do rio, e depois entrou no rio, e depois nadou no rio, tem por destino certo viver contra a correnteza.

Quem nasceu na praia do mar, e depois entrou no mar, e depois nadou no mar, tem por destino certo enfrentar a força das ondas.

Quem nasceu na beira do mato, e depois entrou no mato, e depois se perdeu no mato, tem por destino certo ser presa do caçador.

Quem nasceu na entrada da rua, e depois entrou na rua, e depois morou na rua, tem por destino certo enganchar-se na multidão.

Quem nasceu na franja da bandeira, e depois marchou com a bandeira, e depois se enrolou na bandeira, tem por destino certo fugir de todos os hinos.

Quem nasceu ouvindo hinos, e depois cantou os hinos, e depois ensinou os hinos, tem por destino certo fugir de todas as bandeiras.

Quem nasceu na porta da biblioteca, e depois se fez de biblioteca, e depois sumiu na biblioteca, tem por destino certo esconder-se por trás dos livros.

Quem nasceu no patamar da igreja, e depois entrou na igreja, e depois rezou na igreja, tem por destino certo duvidar das orações.

Quem nasceu na rua do fórum, e depois entrou no fórum, e depois conheceu o fórum, tem por destino certo zombar da pompa forense.

Quem nasceu ao som da política, e depois entrou na política, e depois conheceu a política, tem por destino certo a escolha entre a mentira ou a fuga.

Quem nasceu na escada da escola, e depois entrou na escola, e depois aprendeu na escola, tem por destino certo rever quase tudo que aprendeu.

Quem nasceu no primeiro verso do soneto, e depois atravessou os quartetos, e conseguiu passar dos tercetos, tem por destino certo desvencilhar-se das rimas.

Quem nasceu no escuro do mofumbo, e depois saiu do mofumbo, e viu a luz pelas mãos da parteira, tem por destino certo rir-se da vida e desdenhar da morte.

Quem nasceu na porta do bar, e depois entrou no bar, e depois se embriagou no bar, tem por destino certo recitar a verdade do vinho.

Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Crônica
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quarta-feira - 18/07/2018 - 20:48h
Opinião

Mais um que muda de plateia


Por François Silvestre

Quando o ministro Luís Roberto Barroso foi indicado por Dilma Roussef (PT) para o Supremo Tribunal Federal (STF), não faltaram vaias dos tucanos e outros que tais. Foi acusado de esquerdista juramentado. Após os votos de Barroso, a plateia mudou.

Dias Toffoli: outra visão (Foto: STF)

Agora, ele é herói dos que antes o execravam e vilão dos que esperavam muito dele. Depois, veio Luiz Edson Fachin. Foi acusado por Aloysio Nunes, senador tucano, na sabatina do senado, de ser “quadro” do PT e exercer advocacia impeditiva no Paraná.

Hoje, Fachin tem plateia nova.

Os petistas o detestam e os anti-petistas o idolatram.

Surge um novo ministro que mudará de plateia, Dias Toffoli. Até ontem era o cupincha de Zé Dirceu, na boca dos anti-petistas.

Hoje, ao declarar que não pautará mudança de jusrisprudência sobre prisão em segunda instância antes do segundo turno das eleições, ganhou a adesão dos antigos desafetos e já é chamado de covarde pelos petistas.

Gilmar Mendes muda de plateia a cada julgamento. Tá nem aí.

É esse país de pátria chinfrim, com a população dividida na intolerância e o Supremo Tribunal Federal brincando de legislar.

Cada ministro é uma Constituição. E ela, a Constituição escrita, é apenas um Alcorão para ser recitada.

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Categoria(s): Artigo
domingo - 15/07/2018 - 09:34h

Sabiá ou jumento?


Por François Silvestre

“Cessem do sábio Grego e do Troiano/ as navegações grandes que fizeram;/ Cale-se de Alexandre e de Trajano/ A fama das vitórias que tiveram;/ Que eu canto o peito ilustre Lusitano,/ A quem Netuno e Marte obedeceram:/ Cesse tudo o que a Musa antiga canta,/ Que outro valor mais alto se alevanta”.

Camões inicia duas aventuras épicas. A intencional: de responder a Homero que fincara nos versos a aventura dos gregos, e a Virgílio, que cumprira papel semelhante na origem da aventura latina.

A segunda não foi intencional: estruturar o esqueleto de um idioma. A “última flor do Lácio, inculta e bela”; do dizer de Bilac. Que responderia à pergunta do tempo: “ora direis ouvir estrelas”.

Era o português uma algaravia, desde 1139, (Sec. XII) que se confundia com o galego, a linguagem da Galícia. Ganhou contorno morfológico com a obra teatral de Gil Vicente e o Cancioneiro de Garcia de Resende, (Sec. XV). Porém, foi a épica camoniana (Sec. XVI) que teve o mérito de criar o arcabouço sintático da língua que nos define e nos fotografa.

Os Lusíadas, muito mais do que a louvação heroica das aventuras marítimas, é uma fábrica de metáforas. O forno que modelou uma forma de compor versos, na língua nascente.

A metáfora consegue remodelar o conteúdo opaco para fazê-lo brilhante, na forma recriada. Não fosse ela, a poesia seria apenas uma repetida composição de rimas. Sonoridade vocálica, pobreza poética.

A rima, nos Lusíadas, é pobre. Combinando mais das vezes desinências verbais. A metáfora, não. E é delas que ele tira a tintura dos versos para engrandecer pequenos atos. Ao dar-lhes feição maior do que o gesto.

A aventura grandiosa da circunavegação Lusitana vai se desenrolando ao apelo metonímico da mitologia. Com a cumplicidade de Vênus e Marte, sofrendo a oposição de Baco e Netuno.

A metáfora produz poesia. Ela é a rainha das figuras na composição do estilo. Dando nós onde há linha lisa e alinhando a linha onde há nós. Mesmo que seja poesia de pedra, rústica ou polida. Afagando o ouvido ou a leitura.

Dante, Shakespeare, Neruda degustaram metáforas. E deram vida à poesia nossa de cada dia. O resto não é resto, é metáfora do que resta da sobra. Onde se escondem os verbos nos porões da zeugma ou se omitem os nomes, nos escaninhos da elipse.

Aí não se pode esquecer a política nossa de cada noite. No Brasil de hoje, só a língua, mesmo maltratada, ampara a Pátria.

Só que a metáfora na política é a tentativa de esconder a verdade, muitas vezes feia, para vender a mentira falsamente bela. E o povo, metáfora da abstração, deixa-se enganar concretamente na mesma cumplicidade da metafórica democracia de faz de conta.

Na circunavegação da falsidade, institucionalmente estabelecida, senhora dos poderes e controles, o embuste ético humilha a língua de Camões.

A repetição deste texto dá-se pelo abuso com que a televisão, os blogs e twitters, na ausência do jornalismo impresso, assassinam diariamente o que ainda resta da língua que unificou a nossa linguagem cultural.

A falar a língua do povo, no dia a dia, é uma coisa. Outra coisa é usar o texto escrito para enterrar a língua portuguesa.

O que há de “sábios”, que entendem de tudo, usando a língua que desconhecem no mais elementar da sua estrutura, é de se imaginar que estão a criar uma “nova língua”. Ou edificar o seu sarcófago.

Uma língua inculta e feia, próxima da ortografia do rincho, com desculpas ao nosso jumento, inculto e belo.  Té mais.

François Silvestre é

Categoria(s): Artigo
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sexta-feira - 13/07/2018 - 23:12h
Opinião

Prisão sem trânsito em julgado é negação da Constituição


Por François Silvestre

As prisões processuais no Brasil, sem prazo e sem critério, estão desmoralizando a nossa vinculação jusfilosófica à Escola Clássica do Direito Penal. Prisão sem trânsito em julgado é negação escrachada da Constituição.

São duas constatações que configuram a fascistização do nosso desmoralizado sistema processual. Também é fato.

O triste é que cada lado desse embate político justifica qualquer dessas aberrações desde que contra o lado oponente. E se revolta quando o seu lado é o atingido.

Essa postura juspolítica tem ajudado à continuação do fascismo forense.

Prefiro tratar do assunto sem fulanização.

Seja quem for o atingido, ou acusado, essa prática fere a liberdade de todos.

Estamos vivendo um momento perigoso dos “julgamentos da sociedade”, que lembram “os julgamentos de Deus”, da idade média.

Em suma, mais perigoso do que triste.

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Categoria(s): Artigo
quinta-feira - 12/07/2018 - 10:43h
Josip Broz Tito

Exemplos, exemplos, exemplos…


Por François Silvestre

A presidente da Croácia viajou para a Rússia pagando passagem e despesas do próprio bolso. Alguém aí vai querer divulgar isso ou é melhor esquecer pra não servir de exemplo? A Croácia (do tamanho da Paraíba) é um dos pequenos países resultantes do fim da Iugoslávia. Era croata o líder da Iugoslávia, Josip Broz Tito.

Josip Broz Tito: líder (Foto: Web)

Eu disse Tito e não Tite. Além da Croácia, outro desses países, a Sérvia, participou da Copa. Os outros são Bósnia, Eslovênia, Montenegro e Macedônia. E mais duas províncias vinculadas à Sérvia que reivindicam independência.

A Iugoslávia, sob o comando de Tito, lutou contra o Nazismo e foi o único país socialista do Leste europeu que não se submeteu ao cutelo de Stalin.

Quando da resistência a Hitler, chefiando os Partsans do seu país, Tito solicitou ajuda da Inglaterra. Churchill  respondeu que não podia ajudar, pois o esforço de guerra estava em processo de exaustão. Tito respondeu: “Tudo bem. Assim ninguém poderá associar-se ao sacrifício do nosso povo nem apresentar fatura pelo nosso sangue derramado”.

Nos tempos da Casa do Estudante, eu estava lendo um livro de sua autoria intitulado “O caminho socialista da Iugoslávia”, quando fui reprendido por um amigo daquele tempo, stalinista do PCBR, sugerindo que eu suspendesse a leitura. Não suspendi. Viva Tito, morra Stalin.

A Iugoslávia esfacelou-se após a morte de Tito. A Rússia não perdeu nada com a morte de Stalin.

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Categoria(s): Artigo
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terça-feira - 10/07/2018 - 19:18h
Crônica

Getúlio no Centro de Nhé Dinô


Por François Silvestre

Nhé Dinô nem tava em função, no seu Centro espírita Jeje-Nagô, quando ouviu um barulho de vento vindo do lado do trapiá. Preparou-se rapidamente, pressentindo uma visita não invocada. Tal não foi sua surpresa quando, ao sentir o cheiro da fumaça de charuto, viu sentado ao lado do fogão de lenha o Presidente Getúlio Vargas.

O velho caudilho fez sinal com a mão para Nhé não se aproximar. Baforou uma fumaçada, retirou o charuto da boca e riu.

“Passei pra descansar, não pergunte nada”. E ficaram ali.

Getúlio fumando e o “pai de santo” em pé, imóvel.

Ao despedir-se, o Presidente levantou-se lentamente e já saindo falou: “E pensar que antecipei a partida sem necessidade, só por conta de um tiro idiota no pé de um malandro”.

Nova ventania balançou as folhas caídas e cobriram de saudade o pátio do “Terreiro”.

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Categoria(s): Crônica
domingo - 08/07/2018 - 10:24h

O bom texto


Por François Silvestre

O bom texto literário não trata da boa vida humana. Não cuida do prazer nem das alegrias. O bom texto é a negação do bom.

Há na escritura de um texto bom uma carga de ruindade que cospe na cara do leitor. Foi assim desde que o primeiro escriba vingou-se do seu tempo, dos seus algozes, das suas mazelas.

Nas escrituras, todas elas, das sacras às profanas, há uma avalanche de maldade que faz do escracho à condição humana uma urdidura do bom texto.

Sem exceção. Os textos suaves, bocós, melosos, agradáveis, têm vida curta.

A dura escritura é tarefa de recalcados, sofridos, até suicidas covardes, que não se matam. Suicidam-se em cada frase e renascem na estupidez do destinatário do seu texto, que é o leitor idiota.

Me vem à memória uma multidão de bons textos e de excelentes escritores que assim o fizeram. Não citarei nenhum. É minha vingança de detestá-los por não conseguir me comparar.

E se meus atropelos pudessem merecer um texto que escarrasse no focinho do leitor, meu talento raquítico não me fornece matéria prima.

Sobra-me falar mal do leitor, reduzi-lo à condição funcional do focinho, como se o texto tentasse pôr uma brida, com rédeas sob meu controle, mesmo montado num animal desconhecido.

Esse é um bom texto? Se você disser que é, não entendeu nada. Se disser que não é, entendeu menos ainda. É melhor ficar calado.

O mundo é uma caverna na Tailândia, com crianças esperando respirar com a sobra do ar de asmáticos.

Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
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