segunda-feira - 06/07/2020 - 08:50h
Crônica

Paulo Macêdo


Por François Silvestre

Noite de velório sem companhia. Apenas na madrugada uma olhada rápida do sétimo para o corredor do oitavo, de onde nos cumprimentávamos quase todos os dias, com acenos largos.

Paulo faleceu ontem (Fotomontagem: Território Livre)

Não tive convivência com ele nos seus tempos de prestígio e de bajulações. Isso mesmo mesmo, ele não era apenas respeitado. Era bajulado. E nessa condição, o ostracismo fere o peito e produz amargura. Mas Paulo Macedo conseguia disfarçar, com seu jeito suave abastecia-se de um passado onde bailavam fatos e fantasias.

Nos últimos dez ou onze anos não fomos apenas amigos. Vizinhos de flats e convivência de irmãos.

Certa vez, um morador aqui do Ayambra, também muito conhecido em Natal, me indagou: “Você tem paciência com essas histórias de Paulo Macedo”? Respondi: “Paciência, não. Tenho prazer”.

Ele me contava sua vida, a vida do Diário de Natal e a geografia humana daquele jornal onde sua Coluna fazia a crônica diária da “vida em sociedade”, como se dizia antigamente.

E coisas deliciosas, como encontrar Marlene Dietrich num restaurante de Nova York ou cumprimentar Sophia Loren na saída de uma loja de chapéus, em Paris.

Tinha um programa numa televisão, até pouco tempo, e vivia me enchendo o saco para que eu fosse entrevistado. E eu enrolando desculpas. Ou então, me cobrando candidatura para a Academia de Letras, da qual ele era o vice-presidente. Respondia: “Paulinho, essa história de Academia é adolescência da idade intelectual”. Ele dava risada.

“Eu tenho condecorações de todas as Armas, Exército, Marinha e Aeronáutica. E títulos de cidadania de mais de cento e trinta municípios”. Me disse, certa vez. Eu respondi: “Paulinho, isso é uma mancha no seu currículo”. Ele curvou-se, rindo, que quase bate com a cabeça nos joelhos. Levantou a cabeça ainda rindo e disse: “Você num tem jeito, não”.

Ultimamente ele andava promovendo umas festas, nos fins de ano, chamadas “noite das celebridades”. Parece que era esse o nome. Aí, todo ano vinha me convidar pra ser homenageado. Como eu sabia que a regra da festa não aceitava colaboração do homenageado, eu me antecipava e fazia um cheque de colaborador. Ele recebia, fazia uma careta e dizia: “Ano que vem a gente conversa”. E assim eu me livrava da honraria.

Durante minha participação no Novo Jornal, ele era leitor cativo da minha coluna. Às vezes eu chegava de Martins e ele me atalhava pra comentar o último texto. E arrematava, “Eu quero ir a Martins. Sabia que sou cidadão de lá”? Dizia e não esperava a resposta, saindo rápido e rindo.

Noite de solidão e tristeza. Não o verei no corredor de cima, quando sair para caminhar. Nem na conveniência de Dona Sônia. Antes dele, habitantes daqui, já partiram Jansen Leiros e Fred Teixeira. Fazer o quê? Tecer saudade.

Leia também: Morre em Natal o jornalista Paulo Macêdo.

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Categoria(s): Crônica
sexta-feira - 03/07/2020 - 14:42h
PSDB

Até que enfim chegou


Serra: alvo da Lava Jato (Foto: Edilson Rodrigues)

Por François Silvestre

Muito tarde, mas chegou (veja AQUI). A lava-jato finalmente bateu às portas de uma gangue que tinha gozado da proteção escrachada dos operadores “donos” da Operação.

A turma de uma fatia importante do PSDB. José Serra, Aécio Neves e outros menos votados sempre gozaram do amparo do juiz Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallagnol. Numa das conversas publicadas pelo Intercept, há uma advertência do juiz ao pupilo promotor: “Não vamos estender muito, para não aniquilar o sistema político nacional”.

Essa cautela não era para proteger o “sistema político nacional”. Não.

Era para acobertar os corruptos do seu afeto.

De seu amigo “in pectoris” Aécio Neves, dos tucanos paulistas e outros que certamente aparecerão.

Bastou o prestigio imperial do conje Moro decair, para o sol começar a desinfetar a operação. E abandonar a sujeira seletiva de só ter um lado a ser investigado.

Para quem não tem corrupto nem bandido de estimação é uma boa notícia.

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Categoria(s): Opinião
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terça-feira - 30/06/2020 - 21:36h
Reflexão

Governadores ou bandidos?


Por François Silvestre

Ladrões? Não. Assassinos, se esse estuário indiciário bem robusto configurar provas. Não é uma corrupção comum, das que formam e forjam a vida política do Brasil. É um verdadeiro latrocínio, onde se mata pra roubar.

Refiro-me aos governadores envolvidos em operações de desvio de recursos públicos destinados a proteger acometidos pela pandemia do corona vírus. Uma canalhice que esborra podridão. Facínoras.

A corrupção produz danos a médio e longo prazos, desviando recursos que faltarão para escolas, hospitais, saneamento e demais serviços públicos.

Porém, essa corrupção na compra de equipamentos para socorrer os contaminados da pandemia, cujos efeitos são frágeis nos casos mais graves, é de uma perversidade que espanta até o reino dos infernos.

Deveriam ser afastados dos cargos imediatamente, e gozar do direito legítimo da defesa plena. Mas, longe do dinheiro público. Esses sujeitos não são políticos, são bandidos governando. E suas agremiações não são partidos, são quadrilhas, se não os expulsarem. Na dúvida, pró povo. Pró doentes. Defesa, sim. Mas longe do cofre.

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Categoria(s): Artigo / Opinião
segunda-feira - 29/06/2020 - 23:12h
Brasil

A imbecilidade florescente


Por François Silvestre

Essa é a luminosidade do momento político nacional. Por partes, pra não cansar o leitor.

Parte um. Um ministro da educação, notoriamente analfabeto, é defenestrado para dar ao presidente belicoso, recuante, uma trégua na sua luta inglória contra o Supremo Tribunal Federal, a togada caverna dos morcegos.

Parte dois. O substituto na referida pasta da educação, tudo minúsculo, apresenta um currículo mentiroso, editado, de graduações incompletas, com acusações de plágio, e mesmo assim, bem recebido pela comparação com o monstrengo anterior.

Parte três. O monstrengo defenestrado viaja para os Estados Unidos com visto de passaporte diplomático, e após lá chegando, teve a demissão do cargo revista no Diário Oficial, com data antecipada, o que torna sua entrada naquele país uma clara violação da lei de migração. Para completar, o imbecil anuncia sua designação para uma diretoria no Banco Mundial. Houvesse ficado calado, talvez se consumasse a indicação. Com o anúncio, a comunidade diplomática e financeira internacional já se mobilizou para impedir a entrada do sacripanta naquele Banco.

Parte quatro. Pra completar a luminosidade florescente da imbecilidade, só a Ave Maria, aff, de Bolsonaro, com o sanfonado da Embratur, libra de Damares e cara de bunda do presidente fingindo sofrimento pelos mortos da “gripezinha”.

Parte cinco. E por falar em imbecilidade consumada, o mesmo presidente da mesma Embratur, faz uma live em inglês. Deus do céu. Permita-me Fernando Monteiro, romancista e cineasta de Pernambuco, a lembrança dos epitáfios na língua da Grã Bretanha, na sua obra fantástica “O inglês do cemitério dos ingleses”.

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Categoria(s): Artigo / Opinião
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domingo - 28/06/2020 - 16:16h

Mediocridade bem vinda


Por François Silvestre

Meu Deus! Em que país se esconde os escombros da instrução? Aqui, neste nosso país incomparável na geografia, que qualquer país se sentirá elevado na comparação, e miseravelmente comparado na realidade política atual, cuja comparação até o Nepal rejeita?

O presidente Jair Bolsonaro e o novo ministro com doutorado questionado (Foto: Época)

Pois é. Somos os escombros tumulares da dignidade educacional, nos dias de hoje. Ontem, não foi tão bem. Ou melhor, foi muito ruim. Muito. Mas o hoje é de tal natureza tão escabrosamente péssima que acolhemos a mediocridade com alívio.

novo ministro da educação (Carlos Decotelli) não é decididamente um luminar. Longe, e ponha lonjura nisso. É um doutor sem doutorado (veja AQUI). Mas isso não ofusca nossa expectativa, até porque esses doutorados universitários, na sua quase totalidade, são festivais de mediocridades acadêmicas, de orientações fajutas e outras mumunhas. Mais grave é a constatação de plágio, nos textos do doutorado inconcluso. Segundo denúncias.

Mesmo assim, ainda saudamos a mediocridade do novo ministro. E que seja bem vindo e bem sucedido. Gostei da sua franqueza ao declarar-se desarmado intelectualmente para embate ideológico. Parabéns!

Sua chegada, professor Carlos Decotelli, foi um sopro de alivio na catacumba a que fora transformado o ministério da educação pelo sacripanta Abraham Weintraub, filhote do bolsonarismo e lambe rabo do não menos execrável Olavo de Carvalho.

A mediocridade substitui a excrescência. É um avanço. Torço para que pelo menos a educação oficial seja respeitada, se não for eficiente. Menomale, como diria o italiano vendedor de gravatas falsificadas na Praça D. José Gaspar, no centro outrora elegante de São Paulo.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo / Educação
sexta-feira - 12/06/2020 - 20:22h
Poder

Você sabe quem é?


Por François Silvestre

Foi cadete de Agulhas Negras e de lá saiu oficial. Alguém sabe quem era esse cadete? Não. Depois foi subindo, como sobem os balões, ao sabor das promoções sem qualquer sinal de ser conhecido.

Ninguém sabe quem foi o capitão, depois major, depois tenente-coronel, coronel, general de brigada, general de divisão, general de exército.

Até aí, um ilustre e opaco anônimo.

Bateu continência pra Sarney, pra Collor, pra Itamar, pra Fernando Henrique, pra Lula, pra Dilma, pra Temer.

Até que, juntamente com seu colega de frustrações, desde os idos da derrubada de Silvio Frota, que tentou emparedar Geisel, e eles estavam entre os enquadrados, chegou ao governo do capitão Bolsonaro.

De quem falo? (do verbo falar e não do substantivo) Do general Ramos, ministro da defesa. Tudo no diminutivo. Ele e seu colega Heleno. Helenistas de quintal.

Pois bem. Agora, esse general que passeou de óculos escuros, num helicóptero, custeado com dinheiro público, ao lado do seu capitão, sem senso do ridículo, faz um alerta à oposição. “Não estiquem a corda” (veja AQUI).

Cá de meu insignificante canto, eu replico. General, não engula corda. Quando seus culhões, em tempos remotos, ainda ativos, não se fizeram imponentes para conhecimento deles, imagine agora, deitados feito gatos de armazém nos sacos de tricoline dos seus pijamas.

Ah…General. Lamento não dizer: prazer em conhecê-lo. Continua um ilustre desconhecido.

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Categoria(s): Artigo
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quinta-feira - 11/06/2020 - 10:11h
Crônica

Cabo Januário


Por François Silvestre

A cidade tem pouco mais de cinco mil habitantes. Todo mundo se conhece, e a metade se detesta. O sonho de qualquer adolescente é se mandar. Ou então arrumar-se numa filial de facção, das que mandam na região, pra ter o luxo de moto, grana fácil, e vida curta.

O policiamento é chefiado pelo cabo Januário. Ele comanda dois soldados. Jalmir, que tem um bar, e Ademar, que nada tem. De mês em mês, quando dá certo aparece um delegado da polícia civil, que vem de Caraúbas ou Patu, seja para abrir um inquérito ou levar o cadáver de algum assassinado para o Itep de Mossoró.

Pois pois. Cada plantão, na delegacia, é dividido entre eles. Um dia de plantão e dois de folga. Portanto, o policiamento diário é de um só policial. Jalmir melhora o salário com seu bar. E Ademar gasta seu salário no bar de Jalmir. Januário é evangélico, não bebe. Nos dias folga vai à igreja “dos santos dos últimos dias” ou se embrenha nas grotas da serra vizinha caçando o que ainda resta de caça.

Na manhã de ontem, dia de seu plantão, Januário deixou a mulher cismada. Em vez de procurar a farda militar, vestiu-se à paisana para sair. Juliana perguntou: “Pronde vai desse jeito? Tá de plantão não”? E januário respondeu: “Tô de plantão, mas antes vou passar na prefeitura pra resolver esse caso da secretaria”.

A mulher não entendeu: “Qui caso da secretaria”? E ele explicou: “A secretaria da saúde, qui eu vou assumir. Sabia não? Eu sou a maior autoridade militar do município”.

Juliana: “Você num sabe nem tirar um bicho de pé, nem pra qui serve sal de fruta, vai fazer o que lá?”.

E ele: “Num interessa, é assunto militar. E deixe de cunversa qui tô atrasado”.

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Categoria(s): Crônica
domingo - 07/06/2020 - 12:32h

Olavo quebra a cangalha


Por François Silvestre

A principal peça de arreios do cavalo é a sela. No jumento, é a cangalha. Se você puser uma cangalha no cavalo, os dois estarão deslocados. O cavalo e a cangalha. No inverso, uma sela no jumento também não se ajusta. Nem a sela embeleza o jumento nem o jumento se acomoda na sela.

Pois bem. Olavo de Carvalho está para a filosofia como a cangalha está para o cavalo. Não se combinam.

Hoje, num vídeo, ele quebrou a cangalha. E mostrou-se em osso, sem qualquer arreio, dizendo confessadamente que é apenas um mercenário, vivendo à custa de idiotas que o mantém.

Um desses núcleos de apoio é a família Bolsonaro. Porém, parece que faltou milho na mochila. E o jegue esperneou. Disse textualmente:

“Como eu vou viver aqui nos Estados Unidos sem um tostão? Sou perseguido, o mais perseguido de todos, e vocês não evitaram essa perseguição. Sou amigo de Bolsonaro, mas ele não é meu amigo. Em vez de me ajudar vem me dar uma medalhinha de merda. Enfie sua medalhinha no cu”.

Desse jeito.

Ipsis Verbis.

Eu sempre disse isso. É um canalha, Tipo esses vendedores de milagres, que vivem à tripa-forra às expensas de idiotas ou ingênuos.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
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sexta-feira - 05/06/2020 - 16:00h
Hein?

Quem garante quem?


Por François Silvestre

Numa dessas notas de generais de pijama, que tá virando rotina, prática nunca vista em períodos de legitimidade democrática,este é um desses períodos, mesmo que o eleito, legitimamente, jogue quase todos os dias na lata de lixo essa legitimidade, uma delas diz: “Nós garantimos a Constituição”. Nós, quem, cara pálida?Ninguém garante a Constituição. Ela é que garante todos. Inclusive, garante vocês. Quando ela precisar da garantia de vocês é porque não existirá mais. E aí vocês, de trabuco na mão, vão tentar a farsa dos seus ancestrais. E vão cair do cavalo e do helicóptero. Mesmo se conseguirem, não terão condições de manter uma ditadura. Sabem por quê? Porque não possuem condição objetiva, competência administrativa, nem amparo internacional.

Se vocês tivessem competência administrativa este governo estaria muito bem. Vocês empanzinaram o Executivo. Só tem milico. Até os civis do governo são sargentos frustrados. E vejam a merda que se espraia desse governo de vocês. As Forças Armadas nada têm a ver com isso.

Os responsáveis são vocês. Espertos fardados ou de pijama abiscoitando uma boquinha comissionada. É mentira?

Pois bem. Esses generais das notas cavilosas, com o peito cheio de medalhas de batalhas inexistentes, e de guerras nunca lutadas, não assustam nem as crianças de antigamente, quando eram chantageadas pelo medo do papafigo. Militar merece respeito, militarismo merece nojo. Militar de essência é sentinela do civismo.

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Categoria(s): Opinião
quarta-feira - 03/06/2020 - 18:30h
Ponto final

Balela do poder moderador


Por François Silvestre

Essa excrescência chamada “poder moderador” não tem referência ou prescrição na ordem constitucional do Brasil. Zero referência. Ponto.Nem nas anteriores Constituições da República. Incluindo as constituições ditatoriais dos regimes de exceção. A Polaca, de 1937, a Milicada de 1967 e a emenda do soneto de 1969. Nenhuma ousou essa estupidez.

A única Constituição que elege um Poder Moderador é a Constituição de 1824, após D. Pedro I fechar a Constituinte de 1823, e outorgar a Constituição do Império. Outorgando-se o Poder Moderador. Ele era o próprio. Mas, faça-se justiça, ele se achava menos deus do que Bolsonaro. Tanto que acabou abdicando, ao perceber a perda de apoio e sustentação do aparato do poder. Nem o Poder Moderador o sustentou.

Temos três poderes. E poderes atípicos por independência de atribuições, Ministério Publico e Tribunais de Contas. . Mas, com acento constitucional para convocar as Forças Aramadas, só os três nominados na Constituição: Executivo, Legislativo e Judiciário. E mais ninguém. O Presidente da República é o chefe supremo das Forças Armadas, atribuição de hierarquia militar sobre elas. Porém, não autorizado pela Constituição a mobilizá-las contra qualquer dos outros poderes. Coisa que qualquer dos poderes pode fazê-lo para manutenção da ordem e da lei. Manutenção da ordem e da lei é referência a distúrbio social e não controle de um poder sobre os outros poderes. Ponto.

As Forças Armadas se constituem numa instituição permanente. Isto é, não podem ser dissolvidas. E nessa condição, subordinadas aos poderes da República. Isso é o Direito.

Vamos à linguagemO que não é poder substantivo não pode virar poder adjetivado. Se as Forças Armadas não são um poder, e não são, não podem, por adjetivação de moderadora, suplantarem os Poderes constitucionalmente constituídos. Elementar, meu caro Watson.

Aí vêm os arautos da hermenêutica de botequim, saudosos do fascismo tupiniquim, valerem-se dos pareceres “jusfilosóficos” de jurista famoso enviesando a disposição de um artigo da Constituição. Ora, nessa esperteza jurídica tem uma vaga do Supremo no meio do caminho, no meio do caminho tem uma vaga do supremo. Como a pedra no poema de Drummond. Onde disputam as vagas pastor evangélico, filho do jurista referido e procurador geral de republiqueta. (a antiga e morta vaga de Moro) E a torcida mórbida pra que morra algum ministro antes do fim do mandato. O próprio capitão já falou na hipotética terceira vaga.

Balela, balela e esperteza dos poderosos da esculhambação. Só se for o poder esculhambador.

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Categoria(s): Artigo / Opinião
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segunda-feira - 01/06/2020 - 22:26h
Opinião

A “nova política


Por François Silvestre

Vez ou outra estarei aqui publicando decisões do governo federal, que prometeu a “nova política”. Tão nova quanto ainda é novo o corona vírus.

O Banco do Nordeste foi entregueValdemar da Costa Neto. Sabe quem é ele? Um dos condenados no Mensalão, a quadrilha que tinha em Roberto Jefferson a coordenação junto ao Parlamento.

Roberto Jefferson é o novo porta-voz de Bolsonaro junto aos partidos da bandidagem. A única dúvida é se é novo. Parece que já era desde o início.

Bolsonaro entregou hoje o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) a Marcelo Lopes da Ponte. Quem é? Nem os vizinhos dele sabem. Imagine os operadores de Educação.

Mas ele é. O quê? Chefe de Gabinete do senador Ciro Nogueira. Esse senador já foi alvo de várias operações da Polícia Federal sobre corrupção.

Só operações? Não.

Essas operações renderam-lhe a condição de Réu no Supremo Tribunal Federal.

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Categoria(s): Opinião
domingo - 31/05/2020 - 07:16h

Ciro Gomes


Por François Silvestre

Saio de um nome execrável do texto anterior (vejo AQUI) para um nome admirável do presente texto. Ciro Ferreira Gomes. Militante político da Democracia, do Estado de Direito, das liberdades públicas e fundamentais.

Bom governador do Ceará e excelente prefeito de Fortaleza. E nenhuma dessas atribuições é de fácil consecução. Ministro de Estado de vários governos, exercendo com dignidade e competência todas essas funções.

Ciro Gomes governou o estado do Ceará em sua trajetória administrativa e política (Foto: João Godinho/Estadão)

Mas não é sobre isso que vou tratar. É sobre o papel de Ciro Gomes neste momento da vida nacional. Ele começa a ocupar o vácuo que a estreiteza divisionista e idólatra da oposição vinha cultivando. E isso é muito útil nesse momento de incertezas econômicas, caos sanitário e estupidez política.

Até agora, o único opositor do desgoverno federal é o próprio “chefe” do Executivo. Bolsonaro reside moral e politicamente numa espécie de estábulo do fuxico. E todo dia arma um esperneio. Ouve-se o som do relincho. Ou, no popular, do rincho mesmo.

Nesse ambiente, onde trabalham os palafreneiros, Bolsonaro não é sequer o palafrém. Não. Esse era um cavalo nobre, elegante. O nosso presidente está mais para o pangaré. Não fala, rincha. Não age, escoiceia.

É aí, nesse vácuo, que Ciro Gomes começa a espantar o marasmo. Respondendo com conhecimento sobre as aberrações de um governo que faz de tudo, inclusive nada. E não governa. Ameaça.

Sobre ameaças, valho-me de uma regra do manual militar“Não tema do inimigo o que ele quer contra você. Tema o que ele pode”. E esse poder caricato pode e consegue sujar a dignidade da Presidência da República, por um tempo, mas não pode matar a Democracia.

Continue, Ciro Gomes.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
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quinta-feira - 28/05/2020 - 12:30h
Esperteza

Olavo de Carvalho…


Olavo, o sofista (Foto: arquivo)

Por François Silvestre

..o bazófio. Essa figura tem planado nas nuvens da marginalidade filosófica. Aquele tipo de pensador que chupa conceitos clássicos de pensadores consagrados, distorcendo-os ou podando-os. Uma esperteza bem comum entre leitores de si mesmos, no exercício aprendido e apreendido nas mumunhas do sofisma. O sofista foi o primeiro marginal da filosofia.

O arauto da bazófia.

Essa é a escola clássica de Olavo de Carvalho. Não deixa de ser clássica, posto que é o classicismo da desonestidade filosófica.

Sua incursão pelo aristotelismo não passa da conclusão primária de que até os macacos intuem que o conjunto das bananas é maior do que o conjunto das bananas maduras. Ele não conseguiu sequer alcançar o aproveitamento que Tomás de Aquino fez de Aristóteles, na Escolástica. E muito menos da incorporação ao tomismo do pensamento de Platão, que o fez Santo Agostinho, na Patrística.

Olavo de Carvalho é um analfabeto “erudito”. Um inútil à humanidade, que vive do financiamento dos seus discípulos e de organizações fascistas espalhadas pelo mundo. Nunca deu um nó num saco de estopa.

Fala do Brasil, mas foge daqui como o cão da cruz.

Sua pátria é o dinheiro e sua coragem é um fuzil que atira em alvos de papelão.

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Categoria(s): Artigo
terça-feira - 26/05/2020 - 11:00h
Brasil

Lição sobre a zorra


Por François Silvestre

Dona Zuleide quase não fala, cumprimenta quem lhe dá as horas, sorrir e volta para o livro que lê. Não sei os outros, mas tive a curiosidade de observar o livro. Descobri que não é o livro. De dois em dois dias, o livro é sempre outro. Dona Zuleide é uma leitora permanente. Vejo disfarçadamente que ela gosta de novelas policiais, biografias de filósofos ou pensadores, e mais raramente romances de costumes.

Ela se veste com simplicidade e elegância. Nunca desce do seu Flat sem o cuidado da maquiagem sutil, suave, sem exagero. Sempre com um lenço de seda guarnecendo os ombros, que desce após um laço enfeitando o busto. E da blusa derrama-se um branco linho, em renda debruada.

Aqui tem de tudo. De musicista, advogado, militares da guarda nacional, coronel da policia, aposentados, jornalista, comerciantes, médico, fazendeiro. Somados aos servidores, da manutenção, da administração e camareiras. Tudo

E onde tem de tudo tem opinião. E como sói, divergentes. Em futebol, meio sem briga, pois os campeonatos estão em recesso. Aí, pra manter o hábito, a divergência resiste na política.

A discussão rolava solta sobre a última reunião do ministério. Uns escrachando Bolsonaro e seu acólitos pelos palavrões e outros justificando os palavrões como coisa natural. Uma patifaria, diziam uns. Coisa normal numa reunião privada, rebatiam outros.

Num canto, Dona Zuleide lia. Vez ou outra levantava a vista, fazia um gesto de desagrado e voltava ao livro. Teria saído sem falar, não fosse provocada. Mas o musicista provocou: “Dona Zuleide, o que achou das imoralidades”? Ela perguntou, “que imoralidades, meu filho”? “Os palavrões na reunião do governo federal, a senhora num viu não”?

Ela fechou o Cândido de Voltaire, levantou-se pra sair e respondeu:

“Vi a reunião todinha, mas não houve imoralidades nos palavrões não. Só vi uma imoralidade”. Ao começar a sair, alguém cobrou: “Só uma, qual”? Ela respondeu: “Só uma. Duas horas de um governo reunido, com um bando de malucos, sem um minuto para cuidar de administração, de segurança pública, saúde pública, educação pública, economia. Nada. Os palavr&otilde ;es salv aram aquela coisa. A reunião é que foi a grande imoralidade, não os palavrões”.

Saiu lentamente, após matar todos os argumentos.

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domingo - 24/05/2020 - 07:38h

Reunião de idiotas


Por François Silvestre

Essa é a constatação. Um bando de “autoridades” jogando no lixo a dignidade litúrgica que deve presidir uma reunião ministerial. Todos, sem exceção. E o chefe da idiotice não só endossando, mas superando os acólitos. Uma patifaria “institucional”.

O Guedes, viram o Guedes? “A Caixa Econômica e o BNDES são nossos, mas essa porra do Banco do Brasil está pronto pra ser vendido”.

Ministro da economia. Precisa dizer mais?O da Educação é um escatológico bucal. Isso mesmo, caga pela boca diariamente. Não surpreendeu.

A “do Jesus na goiabeira” é uma maluquete que sai pinotando nos cascos, nenhuma surpresa.

O da Caixa Econômica comprou uma briga com a TV Bandeirantes, fazendo uma grave acusação. Vai dar em merda. Aguardem.

Os ministros militares num papel de fazer inveja aos criados de Tartufo, da peça de Molière, acumulando a hipocrisia e dissimulação do personagem principal.

A exceção? Teve. Rogério Marinho. Foi o único que comportou-se com dignidade e não jogou esterco na biografia.

E o chefe? Machado de Assis, vivo fosse, mandaria Simão Bacamarte com camisa de força e tudo esperá-lo na cerquinha do Palácio, nas defecadas matinais.

Nem nas madrugadas profanas da Ribeira antiga, da Travessa Venezuela, da Paris, do Arpeje. Nem no Tia Ciça de Mossoró, nem nas Rua das Pedras de Martins, nos aconchegos de Pirrita, Chica do Beco, Ozelita. Nem no Pinga Pus de Caicó, muito menos na Casa de Ana Raposa. Não.

Em nenhum desses lugares, nas suas madrugadas, se falava tanta putaria. Sob o comando do cortesão. Do gigolô da democracia, que confessa querer armar a população para intimidar e emparedar as instituições.

Sobres os textos não divulgados, acertadamente pelo Ministro Celso de Melo, não surtirão efeito. Os países agredidos já sabem tudo do que foi dito.

Le Brésil n’est pas un pays sérieux, frase de um secretário de embaixada, atribuída ao general De Gaulle, que nunca disse isso, ficou no chinelo.

O Brasil é um país sério, sim senhor.

Contudo, hoje, é um país sério desgovernado por moleques. No sentido escatológico de molecagem. Sob o silêncio e anuência de “generais”, com caras de patetas.

Dizer o quê? Basta ver.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo / Política
quarta-feira - 20/05/2020 - 19:50h
Aprendizado

Um alienado moderno


Por François Silvestre

Calma, não me refiro ao capitão e muito menos ao general. Esses são alienados jurássicos. Eles e seus adoradores.

Felipe esteve no Roda Vida da TV Cultura (Foto: reprodução)

Refiro-me a um sujeito que viveu e vive intensamente. Que leu razoavelmente bem, mesmo não o suficiente. Que esteve presente nos tempos da Ditadura nojenta. E aliou-se aos que resistiram. Denunciou o espectro infernal onde a nojeira da tortura infectava de sangue e sêmen o útero fedido dos seus cárceres.

Pois bem. Quem é? Sou eu. Sou confessadamente um alienado moderno. E provo.

Só hoje conheci Felipe Neto. E se é dia de confissão, pois todo dia agora é Domingo, confesso. Foi uma agradabilíssima surpresaMeu neto, seu xará, já o conhecia de longa data. E o seguia.

Felipe Neto me aparece feito Sinésio, o alumioso. Entrando em Taperoá, ao meio-dia, no Romance da Pedra do Reino. Que figura. Inteligente, fluente, simples, antenado e convincente.

Sou ou não sou um alienado moderno? O jeito é desalienar-me. Ensinou o sábio chinês que só envelhece quem perde a capacidade de amar, de aprender e de revoltar-se.

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Categoria(s): Artigo
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domingo - 17/05/2020 - 05:50h

O funil do fanatismo


Por François Silvestre

Tudo tem limite. Tudo. A terra não é plana, mas limita-se. No entorno dela, aconchega-se a atmosfera. É um limite.

No momento em que um astro maior atrai um menor, que também o atrai, os atraentes se compõem e se limitam. Não fosse assim, o Sol engoliria a Terra e a Terra engoliria a Lua.

Isso não ocorre pela limitação gravitacional. Na relação direta do produto das massas e inversa do quadrado das distâncias. Newton descobriu, mas disse que o fez por postar-se nos ombros de gigantes.

Einstein subiu nos ombros de Newton e viu mais longe do que ele. Nos ombros de Einstein subiu Stephen Hawking.

Assim dito, o registro da tristeza de ver o fanatismo invadir o cérebro de pessoas inteligentes, de conhecimento antigo, professando estupidez como se dialética fosse.

Descrentes das divindades espirituais virarem adoradores de divindades humanas, e o pior, no que há de mais escatológico nesses adorados. Sem qualquer avaliação inteligente sobre o risco ridículo das suas crenças.

De tal natureza, que o limite da tolerância não se esgota. Mas se agasalha no limite da complacência.

E se Newton disse que descobrira coisas novas por postar-se nos ombros de gigantes, pensadores antes dele, o fanático inteligente usa ombros de anões pra ver mais perto do que poderia ver a sua própria inteligência.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
sexta-feira - 15/05/2020 - 10:36h
Jogo do poder

O vampiro de novembro


Por François Silvestre

Pois é. Em Novembro uma vaga surge na caverna dos morcegos. Essa alegoria é uma brincadeira por semelhança plástica e não pelo comportamento dos membros da Corte. Quando eles vêm em fila, com suas becas talares, na direção da Sala das Sessões do Pleno, parecem enormes e sisudos morcegos.

Já se especula sobre vários candidatos à vaga do Decano, que sai por força da aposentadoria compulsória. O jus-integralista, feição tupiniquim do nosso fascismo, Ives Gandra Martins saiu do sarcófago forense em que repousava para fazer a defesa “jurídica” das estripulias verbais de Bolsonaro. Tudo com a capa de “proteger” a instituição da presidência da república. Papo.

A verdade é que seu filho, Ives Gandra, ministro do Tribunal Superior do Trabalho, novamente é candidato à vaga. Por que novamente? Porque já fora candidato, quando da vaga ocupada por Alexandre de Moraes, indicado por Michel Temer.

Outro candidato é o juiz bíblico Marcelo Bretas. E essa condição é bem forte. O próprio juiz já declarou numa entrevista à televisão que há muito tempo não ler outra coisa além da Bíblia. E usa a Bíblia para fundamentar sentenças, fazendo a ressalva de que só a usa “nos seus textos históricos”. Da literatura em geral, nunca foi leitor. De Direito, estudou o suficiente para passar em concursos.

Da doutrina jurídica, prefere a Bíblia como genérico da medicação. É um forte candidato.

O atual ministro da justiça também é candidato. Nada posso acrescentar sobre ele porque nada sei. Mas substituiu Sérgio Moro, o primeiro e invencível candidato, que foi defenestrado. Tem chance.

Há outros candidatos, cuja condição de “terrivelmente evangélico” pesa mais do que notório saber e reputação ilibada. São muitos.

Porém, um novo nome aparece na ribalta. Augusto Aras, atual procurador Geral da República. Esse nome carrega um peso metafórico nessa história da caverna dos morcegos. Por quê?

Porque o morcego usa uma tática para não espantar sua presa. Ele abana, com a asa, a parte a ser afetada para anestesiá-la, e só depois ferroa. Isto é, abana e ferroa.

Ele apenas inverteu o processo, na relação com o presidente que poderá indicá-lo. Qual seja, ferroou primeiro para abanar depois. Pediu a abertura do inquérito, ferroada. Com isso, sinalizou independência. Agora, faz de tudo para esconder a culpa (dolo) de Bolsonaro.

Fala e age como se advogado de defesa fosse. Tudo para preparar a motivação de arquivamento do inquérito. Abano. Morcego esperto.

Bem. Quem será, não se sabe. Talvez nenhum dos citados. O certo é que será uma única vaga em Novembro. Um satisfeito. E vários ressentidos.

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Categoria(s): Artigo
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quarta-feira - 13/05/2020 - 19:42h
Brasil

No duelo de frases…


Por François Silvestre

…pinicos se fartam. Branchu, o filósofo parisiense perdido nas madrugadas do cais de Santa Rita, no Recife da triste melodia, dizia com muita reflexão: “Fora do buraco, tudo é beira”.

E de pinicos, o duelo que mereceu registro literário foi entre Samuel e Clemente, num dos momentos geniais do humor de Ariano Suassuna, na obra ímpar “O romance da pedra do reino”.

Dá pra misturar genialidade e pinico? Dá. Até porque o escatológico tanto trata de Deus, no fim do mundo, quanto do resultado da merda no mundo dos vivos. Vejam no dicionário, antes de me incriminarem.

Os exames de Aírton e Rafael deram negativos para o corona vírus. O que tem a ver com os pinicos? Tem sim. Aírton e Rafael são Bolsonaro. Quando você vai se vacinar contra gripe precisa identificar-se, com toda burocracia. É da lei. Aírton e Rafael não precisaram. E fizeram o exame com nomes falsos para depois, após a palhaçada de cobrança, feito pierrôs e arlequins, dizerem: “Eu sou um só, e me chamo Bolsonaro. Tô e sou negativo”. “Operante positivo”, respondeu o general Heleno.

Taí. Depois, vem o vídeo da reunião ministerial, que segundo o próprio Bolsonaro não haverá mais. “Não farei mais reunião ministerial”. Isto é, fechou o cabaré.

E pra concluir no rumo da filosofia de Branchu, “O que é um peido pra quem tá todo cagado”? Nada. Na briga entre Bolsonaro e Moro, só tem caráter o feminino. Como assim? perguntaria Giovana. Briga, que é feminino, é a unica coisa que tem caráter entre Moro e Bolsonaro.

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Categoria(s): Opinião
segunda-feira - 11/05/2020 - 21:30h
Na república

Crápula? Sempre tem um pior


Roberto Jefferson: outro presidente (Foto: Folhapress)

Por François Silvestre

Essa teoria recebe agora um recheio de confirmação. Pra quem achava que não haveria crápulas piores do que o time bolsonariano, dos filhotes e cúmplices, dos Queiroz, do ministraço de relações exteriores e do seu irmão siamês da educação e finalmente da namoradinha do Brasil, taí confirmado. Um crápula, que se escondia na penumbra do chiqueiro, disfarçando com a lama de porco a sua lama de vida, botou o focinho de fora.

Roberto Jefferson. O quadrilheiro, corrupto e ladrão confesso. Mamou e roubou do erário durantes décadas. Bajulou Brizola, foi baba-ovo oficial de Collor, paparicou Lula e dividiu com Zé Dirceu a liderança de uma quadrilha. Preso, depois tornozeleira eletrônica, prisão domiciliar. Ainda não terminou de cumprir a pena por corrupção. E só no Brasil, um bandido confesso, condenado, dirige um partido político.

Lembram quando ele disse a Zé Dirceu: “Zé, saia daí, para não sujar um inocente”. Quem ele chamava de inocente? O mesmo Lula, que hoje ele chama de ladrão. Mas naquela hora Lula ainda era presidente, e ele, cretino profissional, queria continuar mamando.

Pois bem. Nenhum dos crápulas citados antes consegue chegar ao nível de crapulice desse sacripanta consagrado. O rei dos pústulas.

Agora o governo se completa. Tem em Roberto Jefferson o porta-voz de Bolsonaro junto ao Congresso. Será que ainda tem um pior?… Deus nos salve!

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Categoria(s): Opinião
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sexta-feira - 08/05/2020 - 21:35h
Brasil

De cultura e sucata


Por François Silvestre

Ou da sucata na cultura. Vamos aos conceitos. Cultura é tudo que o homem criaproduz, transforma ou inventa em convívio ou confronto com a natureza. O inverso é de origem natural, inclusive o próprio homem.

Quando um ancestral nosso usou um rebolo para derrubar uma fruta, nascia ali um objeto cultural. Lá no terreiro da caverna, ainda no som gutural sem organização vocálica.

O tempo, estuário da História, em que ela se realiza sem controle dos protagonistas, altera tudo. Inclusive a forma de compreensão dos conceitos.

Daí que a palavra cultura sofreu e ainda sofre alterações semânticas. Como todas ou quase todas as palavras. Algumas morrem, pelo desuso. E um desses sentidos dados à palavra cultura é de acúmulo de conhecimentosFulano tem cultura, ou fulano é culto.

Pois bem. Nessa confusão de gerência de órgão cultural, vem a pergunta: O indicado tem cultura? Não vejo necessidade desse atributo. Posto que ele poderá ser suprido pelo bom senso ou por assessoria competente.

Assim como não precisa ser culto para exercer a presidência da República. Não. Se você fizer um passeio pelos nomes dos nossos presidentes, poucos merecem a adjetivação de culto. Poucos.

Mas há um atributo indispensável para exercer a presidência da República ou qualquer órgão diretivo da cultura. Esse atributo é a COMPOSTURA.

Bolsonaro tem cultura? Não. Isso faz falta? NãoBolsonaro tem compostura? Não. Isso faz falta? Faz. Um presidente sem compostura não tem legitimidade moral para exercer o cargo. Regina Duarte tem cultura? Não. Isso faz falta? NãoRegina Duarte tem compostura? Não. isso faz falta? FazUma diretora cultural sem compostura não possui legitimidade moral para dirigir a cultura. Ponto.

Daí é sair de rainha da sucata para peça da mesma, no meio das tranqueiras. De carburador pifado a virabrequim desmontado.

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Categoria(s): Opinião / Política
quinta-feira - 07/05/2020 - 20:08h
Lá no STF

Avacalhação da latada


Por François Silvestre

Não foi muito cansativo o trajeto. Do Palácio da presidência ao prédio do Supremo, tão perto, nem produz suor. Aliás, suor é resultado de trabalho ou esforço. Coisa que o presidente da república desconhece. Esperto, sempre sua pela boca.Ele caminhou com ministros, empresários e seguranças para invadir o prédio da corte suprema da justiça. Triste justiça, tosca presidência, mediocridade empresarial.

E o presidente da Casa, caverna dos morcegos, é um símbolo da sua composição. Advogado de Zé Dirceu, reprovado em dois concursos para juiz, quase não passa na “sabatina” do senado, que sabatina domingamente, citado pelo ex-cliente como “o charlatão togado que enganou todo mundo”. Foi assim que Zé Dirceu referiu-se a ele e ao colega Fux.

Pois bem. O que deveria ter feito Toffoli? Por delicadeza de hospitalidade, ante visitante tão penetra? Deveria ter oferecido água, café e a porta da frente como serventia da casa.

“Aqui não é o lugar apropriado para fórum de discussão sobre problemas políticos, de economia nem de solução para saúde”. Aspeei o que deveria ser dito e não foi.

E o que ainda restasse de dignidade ante a invasão, convidava todos a retirarem-se. Mostrando a serventia da porta por onde entraram.

Mas a latada fora invadida e devassada! O que falta para chegar à cozinha da suprema corte?

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Categoria(s): Opinião
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