quarta-feira - 11/11/2020 - 11:26h
Opinião

Fascismo derrotado


Trump: derrota (Foto: arquivo)

Por François Silvestre

Donald Trump perdeu de lavada, e eu previra. Só não aceitam a realidade da derrota o próprio Trump e seu animalzinho de estimação Bolsonaro, que ainda saliva esperando do chefe autorização para reconhecer.

Seu reconhecimento chegará tarde e será ignorado. Até a maioria dos líderes do Partido Republicano já publicaram os parabéns ao vitorioso. Em governos de Estados, Senado e Câmara.

Essa derrota do fascismo não é derrota da Direita democrática, merecedora de respeito. Não. Na Bolívia e no Chile a diferença favorável à Democracia não é mérito somente da Esquerda. Foi vitória dos progressistas e conservadores legítimos.

Esquerda, centro esquerda, centro e direita democrática têm suas assinaturas nessa vitória.

O fascismo não é conservador, destruir é da sua natureza. O conservador guarda princípios respeitáveis, mesmo que se discorde deles. Não se confunde com o fascismo. Hitler, Mussolini, Franco, Pinochet, Stalin, Garrastazu são fascistas, portando, destruidores. Nada edificaram, apenas demoliram.

Venceu, nos Estados Unidos, a conservação. Apoiada pelos progressistas, que terão voz, conforme já declarou publicamente Joe Biden. O resto, falaremos depois, é choro muito, da nossa direita integralista e babaca. Anauê!

Categoria(s): Artigo / Opinião
domingo - 08/11/2020 - 07:48h

Estrupício X Zé Bodin (eleição americana)


Por François Silvestre

Deu Zé Bodin, menomale. É assim o complexo de vira lata, assumido, filho do canil de Nelson Rodrigues, desse Brasil idiota, que vejo e comemoro a derrota do estrupício.Tudo contido num quatro de terror, numa ribalta de horrores. Onde cada luz posta esmorece nas trevas estabelecidas. Na boca do palco, ao baixar o pano, a escuridão nem se curva para receber aplausos da ignorância.

Me vem à memória o diálogo final de “A Tempestade”, a peça quase esquecida de Shakespeare. Próspero, conquistador da ilha onde pontificava Calibã, teve com o nativo o último embate diante da revolta do conquistado.

Eras uma figura ignóbil e eu te dei compleição humana”, disse próspero. “Mas a ilha era minha e tu ma tomaste”. Respondeu Calibã. Ao que Próspero argumentou: “Mas eu te ensinei minha língua”. E Calibã encerrou: “No que a mim só serve para nela eu poder amaldiçoar-te”.

Pois é. Nós daqui somos a ilha de Calibã. Aprendemos a língua de Próspero, mas não aprendemos a lição de Calibã. Não amaldiçoamos a desgraça cultural que nos sufoca, nem a violência econômica que nos escraviza.

Porém, cada Próspero tem seu jeito. O último que estava lá não era apenas o mal da ilha, mas o mal da humanidade. Nós, Calibãs, após aprendermos a língua de Próspero, precisamos muito mais do que apenas amaldiçoá-lo na sua língua. Muito mais. Precisamos engasgar a sua língua, para resgatar e manter a cultura bruta e nativa de Calibã. (esse texto continua)

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
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segunda-feira - 02/11/2020 - 09:24h
Brasil e EUA

D. Pedro II, presidente americano


Dom Pedro: presidente (reprodução)

Por François Silvestre

Em 1876, D. Pedro Segundo visitou, como turista, os Estados Unidos da América. Percorreu 22 Estados e causou viva impressão entre os sobrinhos do Tio Sam.

Um jornalista, gaiato, lançou a candidatura do Imperador à presidência, posto que era ano de eleições nos States. O mesmo jornalista escreveu: “O Imperador volta para o Brasil conhecendo melhor os Estados Unidos do que dois terços do nosso Parlamento”.

D. Pedro foi o segundo mais votado na Pensilvânia e obteve mais de quatro mil votos na Filadélfia. Mesmo governando daqui teria sido melhor presidente do que Trump, né não?

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Categoria(s): Artigo
terça-feira - 13/10/2020 - 19:38h
Papo

Com Ariano sobre Academias…


Ariano Suassuna, a academia, o chá de macela para dor de barriga e outros assuntos mais e mais (Foto: arquivo)

Por François Silvestre

…e outras milacrias.

Rua do Chacon, bairro Casa Forte, no Recife. Uma conversa com Ariano Suassuna sobre muita coisa, umas e outras de um papo que versou descontraído, de cujas lembranças trato agora. De lembrar pra não se perder.

Da nacionalidade popular do Auto da Compadecida, e do meu atrevimento a negar valor literário à peça, compensando com a observação de que A Pedra do Reino elenca-se entre as grandes obras da ficção internacional. E daí foram muitas incursões sobre fatos e pessoas.

Incluindo curiosidades e idiossincrasias da nossa família, (minha mãe e Ariano eram primos), descendentes de Raimundo Sales e Mariana Felícia. Cujo sobrenome, Suassuna, que o casal pôs nos filhos, foi retirado de um regato em Riacho dos Cavalos, Catolé do Rocha. (riacho Suassuna, que significa servo negro) Desses filhos, um era o avô de Ariano e uma filha, minha bisavó. O Avô de Ariano, Alexandrino, nasceu na Serra do Martins.

De tanto que falamos, alguns registros. Sobre a surra de bengala que Delmiro Gouveia aplicou em Francisco Rosa e Silva, político pernambucano, que foi vice presidente da República no governo Campos Sales. Também foi senador e ministro do Supremo.

Em pleno bairro do Derby, centro do Recife, Delmiro surrou Rosa e Silva com um bengala de miolo de aroeira, em resposta à safadeza do mesmo por perseguição ao idealizador de Paulo Afonso, com registro em canção de Luís GonzagaDelmiro Gouveia era tio-avô de dona Marta, mãe de Geraldo Vandré.

Daí, nem lembro como, surgiu o assunto sobre Academias de Letras. Eu cobrei:

- “Você sempre negou o interesse nessa “imortalidade” e acabou aceitando. Foi pressão de amigos”?

Ele respondeu: “Pressão houve, mas num foi não. Foi falta de personalidade”. E continuou: “Eu sempre fui assim. Nunca gostei de cafezinho, nunca, mas inventava de tomar porque diziam que todo brasileiro tem que gostar de cafezinho. E eu, sem personalidade, tomava, e detesto. Depois, eu nunca gostei de viajar, mas diziam que viajar era muito bom, aí eu viajei muito e nunca gostei”.

Nesse momento ele parou e me perguntou: “O que você acha das Academias de Letras”? Respondi: “Acho que é a adolescência da idade intelectual”. Aí, ele inquiriu:

“Isso quer dizer o quê”? Respondi: “Quero dizer que é um grupo de adultos intelectualizados brincando de casinha”.

Ele arregalou os olhos, juntando os lábios, e disse: “É mermo”. (assim mesmo com o “r” no lugar do “s”). E repetiu: “É mermo. Toda tarde tem chá com bolo. Eu nunca fui; não gosto de bolo, e chá, só de macela, quando tenho dor de barriga”.

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Categoria(s): Crônica
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sexta-feira - 02/10/2020 - 11:26h
Kassio Nunes Marques

Os indicados do Supremo


Kassio Nunes: indicado (Foto: UOL)

Por François Silvestre

Realmente, no Brasil, até a Sexta-Feira da Paixão pode cair na Terça de Carnaval. É o país do parafuso solto, da roca fora do fuso, do uso fora da moda, do senso fora do quengo.

Pois é. Michel Temer indicou um Ministro para o Supremo. Bolsonaro agora indica outro. O que se constata? Que Bolsonaro e Temer indicaram melhores Ministros do que o rebanho dos indicados por Lula e Dilma. Simples assim. Confirmante do parágrafo anterior.

Leia também: Bolsonaro indica o desembargador Kassio Nunes Marques para o STF.

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Categoria(s): Opinião / Política
domingo - 27/09/2020 - 07:10h

Espinoza e o Deus de Einstein


Por François Silvestre

Baruch de Espinoza, nascido Benedito, nasceu em Amsterdã em meados do Século Dezessete. Mas não é de origem holandesa. De família judia portuguesa, nasceu na Holanda porque sua família foi obrigada a fugir de Portugal. E a fuga deu-se por conta da perseguição inquisitorial do “santo ofício” português, uma das inquisições mais brutais da Europa católica.Adolescente ainda começou a estudar filosofia e geometria, aprofundou-se no conhecimento da era clássica e as influências do pensamento grego nas escolas da formação teológica do cristianismo. Tanto de Sócrates e Plantão, revisitados pela Patrística, que tem em Santo Agostinho seu nome mais ilustre; quanto de Aristóteles, restaurado pela Escolástica, que tem de símbolo maior Santo Tomás de Aquino.

Toda sua formação parte de princípios negadores da superstição e das crenças estabelecidas no conluio entre igrejas e Estados. Começou por questionar a própria família, negando preceitos e intolerâncias do judaísmo. O que produziu contra ele a extrema medida do chérem, que é a expulsão judaica, semelhante à excomunhão católica, sendo mais rigorosa ainda.

Contrariou os pensamentos de Descartes e Leibniz, seus contemporâneos. Mergulhou profundamente no estudo da matemática, ética e geometria. Na maturidade, produziu o seu pensamento relativo a Deus. “Deus sive natura”, isto é, “Deus, ou seja, natureza”.

E ensinou que Deus não cria a coisa, Deus é a coisa. Deus não é transcendente na relação como o Universo, é imanente. Não está fora, gerindo, controlando ou julgando. É contido nele. Sem consciência de administração transcendente.

flor que desabrocha é Deus, a erva daninha que mata a roseira também. A chuva que que fecunda a terra é Deus, a seca que a resseca também.

Deus dos nossos silvícolas, Tupã, é de igual imanência. Seus templos são matas, rios, florestas e tabuleiros. Quando precisa reclamar, não o faz sem antes clarear. Por isso o índio entende que a luz do relâmpago antecipa-se ao esturro do trovão.

Quando perguntaram a Albert Einstein se ele acreditava em Deus, ele respondeu: “Acredito no Deus de Espinoza”.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
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quinta-feira - 10/09/2020 - 20:42h
História

Independência ou morte?


Por François Silvestre

Bem, a morte existiu, existe e existirá enquanto houver vida. A maioria lamenta e chora, mas há quem a comemore. Ou dela faça pouco caso, inclusive da morte de dezenas.

E a independência? A que se comemora a cada sete de Setembro não aconteceu. Não houve independência unilateral nem heroicaPapo furado. E o que houve? Houve um acerto entre o rei de Portugal, cumprindo determinação da Inglaterra, com seu filho Pedro, regente do Brasil.

A Inglaterra derrotara Napoleão e se tornara senhora dos mares e da Europa. Portugal era apenas um reino consentido, dependente da Inglaterra. Portugal e suas colônias.

A Inglaterra precisava de um país pra chamar de seu nas Américas, após a independência dos Estados Unidos da América. Esse sim, com independência unilateral e heroica. E o Brasil era apenas colônia. Precisava virar país.

E foi o que aconteceu. As Cortes de Lisboa encenaram uma ópera bufa, bem ao gosto dos acordantes. Mas uma condição foi imposta ao Regente que viraria Imperador.

O pagamento de uma indenização bilionária, pelo Brasil, à ex-metrópole. Acerto feito, o resto foi só muganga. E gasto anual de grana e paciência com esses desfiles ridículos.

Eu ainda hoje tenho raiva daqueles desfiles do dia Sete no Ginásio de Caicó. Como eu não sabia tocar tarol, desfilava lá na rabeira.

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Categoria(s): Artigo
sexta-feira - 28/08/2020 - 09:30h
Opinião

Taí a “nova” política


Por François Silvestre

Era tudo pra ser novo. E o passado, assim como o diabo, por ser velho, precisava morrer. E foi uma enxurrada de votos. De Bolsonaro aos bolsonaristas, tudo novo. E em novo sendo, tudo brilhantemente limpo.Wilson Witzel, ex-juiz federal, colega de Sérgio Moro e Marcelo Bretas, seria um hiato na vida governamental do Rio de Janeiro. Hiato de pureza, na velha política de corrupção, de longas datas, décadas de patifaria.

Ex-juiz, de dedo no nariz da sociedade, prometia um eldorado de justiça e honestidade. Hoje é afastado por corrupção. Coisa grossa (veja AQUI e foto do portal UOL nessa postagem). Com o mesmo cacoete do Sérgio Cabral, tendo a mulher como cúmplice, e não apenas conge. Bela “nova” política.

O suplente de senador de Flávio BolsonaroPaulo Marinho, informa que sua casa serviu de búnquer da campanha do presidente Bolsonaro para armar ciladas contra adversários e preparar escudos para os seus. Tudo com base em falcatruas já conhecidas e outras programadas. Esses 89 mil na conta da conge do capitão, feito pelo fantasma Queiroz, é pintinho amarelinho no meio desse cipoal. Tudo “nova” política.

O Procurador Deltan Dallagnol, justiceiro de pocilga, incluiu naquelas suas Dez Medidas contra a impunidade o fim da prescrição. Sorte dele que não passou. Agora mesmo, num julgamento de delinquência sua, no Conselho Superior do Ministério Público, o processo foi arquivado por motivo de prescriçãoArguida por ele. O Conselho acatou o pedido de prescrição, mas informou que os delitos foram praticados. O “justiceiro” deixou o rabo preso na saída do chiqueiro. Estuário da “nova” política. O coletivo dessa turma é Ruma. Aquela que fica a feder por trás da moita.

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Categoria(s): Artigo
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sexta-feira - 21/08/2020 - 15:10h
Opinião

Mais um desmascarado


Por François Silvestre

Quem? O fascista confesso Steve Bannon (veja AQUI). Esse sujeito é um craque da trampolinagem, corrupto metido a líder internacional da Direita. Aqui não se inclui a Direita democrática, que existe e merece respeito. Esse sacripanta foi o articulador das artimanhas escusas que ajudaram a eleger Trump. É dele a frase: “Trump e Bolsonaro são semelhantes, muito parecidos”.

Bannon pagou fiança para ter liberdade (Foto: UOL)

Você pergunta: “E ele conhece Bolsonaro”? Sim. Não só conhece como também era orientador. Ou ainda é. Ele está para Bolsonaro politicamente como Olavo de Carvalho está para o mesmo filosoficamente. Isto é, três ilustres analfabetos políticos e filosóficos. A estupidez pomposa.

Lembra daquele jantar oferecido pela embaixada brasileira a Trump e outros pérolas? Poi é. O Steve está ao lado de Bolsonaro. No outro lado da mesa está o Sérgio Moro, com sua “inefável” cara de bunda.

Ele imaginou um organismo internacional da “direita”. Uma espécie de Internacional do Fascismo. Sabe quem foi escolhido para representar essa “internacional” na América Latina? Eduardo Bolsonaro. Sim senhor.

O que aconteceu com ele? Foi preso por corrupção. Uma ong, que eles tanto criticam, foi a artimanha usada. Trump já se preveniu, dizendo que “nunca mais eu o vi”. mesmo ele tendo sido seu auxiliar até bem pouco tempo.

Sabe o valor da fiança? Cinco Milhões de Dólares. Uma bagatela que representa uma Mega Sena acumulada. Lá, o valor da fiança é proporcional ao tamanho do crime. Diga aí?!.

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Categoria(s): Artigo
segunda-feira - 17/08/2020 - 20:38h
Reflexão

Esterco humano à porta de um hospital


Por François Silvestre

Esses felas da puta que foram ao hospital (veja AQUI e AQUI) onde uma criança de dez anos submetia-se a um procedimento de resgate retardado da sua infância, não têm nada de cristãos. nem de religiosos.

Algumas pessoas tentaram invadir hospital em Pernambuco (Foto: Web)

São fundamentalistas da escrotice, rebentos da merda produzida por porcos, filhos legítimos do bolsonarismo. Disse resgate da infância? Qual infância ela teve? Saltou de criança violentada para adulta aviltada.

O mesmo bolsonarismo que afirma não ser laico o Estado“Que a lei é para servir às “maiorias” e que as “minorias” se adequem ou desapareçam”.

É esse o breviário, não lido, posto que analfabetos, mas decorado por essa ruma de esterco humano.

Ruma. Coletivo de merda. É o que são.

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Categoria(s): Artigo
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sábado - 15/08/2020 - 22:44h
Opinião

Dialética do saco de esmolas…


Por François Silvestre

..no socialismo nordestino, da cultura editorial no petismo papa-jerimum, as pesquisas, a incoerência de quem critica Moro pela chantagem da prisão para delação premiada, e agora reclama de não se prender Queiroz para obter a mesma safadeza…

É coisa muita. E cretinice vasta...mas tô cansado agora.

…se tiver saco escrevo depois. Se não, informo que essa bosta toda não tem lado que preste. Só o lado de fora…

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Categoria(s): Artigo
terça-feira - 11/08/2020 - 17:40h
Poesia e política

A ‘novidade’ sobre o poeta


Por François Silvestre

Vejo nas folhas que há uma novidade sobre o poeta João Cabral de Melo Neto, retirada das memórias de Tereza Goulart, viúva de Jango. Só não é novidade para mim.Ainda nos tempos do Substantivo Plural, de Tácito Costa, causei alguns arrepios quando contei esse fato. Até o cineasta e romancista pernambucano Fernando Monteiro precisou publicar um texto confirmando o que eu afirmara, para acalmar os ânimos duvidosos de um famoso poeta potiguar. Era tudo verdade.

João Cabral, poeta substantivo, ímpar, era funcionário de carreira da Diplomacia. Sofreu muita pressão da Ditadura, inclusive com transferências continuadas. Seu reduto preferido foi Sevilha, onde teve um pouco de sossego.

A pressão foi tanta que ele renegava o “Vida e morte Severina”. Dizendo publicamente que era poesia pequena, melosa. Uma forma de atenuar o ferrão.

Lotado no serviço diplomático em Buenos Aires, ele recebeu a “incumbência” de relatar os movimentos do Presidente João Goulart, exilado no Uruguai, quando de suas visitas à capital da Argentina. A “incumbência” era ordem funcional.

Ou fazia ou fazia. E ele cumpriu. Relatava em que hotel Jango se hospedava, quantas visitas recebia, a duração das visitas, e se possívelidentificação dos visitantes.

O coitado, vítima de uma cefaleia crônica, não criou qualquer problema para Jango. Criou para si mesmo. Mortificou-se, com uma velhice sofrida e dolorida.

O mal está na Ditadura, não nos perseguidos. E Cabral foi um dos perseguidos.

“Um galo sozinho não tece uma manhã/ precisará sempre de outros galos/. De um que apanhe esse grito/ e lance a outro”… João Cabral de Melo Neto.

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Categoria(s): Crônica
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segunda-feira - 10/08/2020 - 17:00h
Opinião

O silêncio confessa


Bolsonaro x Ciro: acusação e silêncio (Foto: arquivo)

Por François Silvestre

Faz tempo, muito tempo, que Ciro Gomes acusa Jair Bolsonaro de crime. “É corrupto, com desvios de dinheiro público na Câmara dos Deputados; e é ladrão, pois parte desses desvios foi para seu bolso”. Isso, em não sendo verdade, devidamente comprovada, configura-se calúnia. Punível com pena grave, contra o caluniador. No caso, Ciro Gomes.

Só que até agora, o silêncio de Bolsonaro é suspeito. Não é uma difamação, que dispensa a exceção da verdade. Por exemplo, se Ciro Gomes dissesse “Bolsonaro é um velhaco, não paga suas contas”. Seria punido mesmo se fosse verdade, pois é uma ofensa de reputação.

Não é uma injúria, que também dispensa a exceção da verdade. Por exemplo, se Ciro Gomes dissesse “Bolsonaro é um corno”. mesmo se for verdade ele não pode dizer isso publicamente, pois é uma ofensa de honra, punível mesmo se verdadeira.

Não. Ciro Gomes, que não possui foro privilegiado, está acusado Bolsonaro de corrupto e ladrão. Crimes. Em não sendo verdade, o criminoso é Ciro Gomes, se não provar a acusação. Crime de Calúnia. Porém, entretanto mas porém, Ciro só será punido se Bolsonaro processá-lo, e Ciro não provar. O que falta para provocar a Justiça? Um dos dois é criminoso. Ou um é caluniador ou o outro é ladrão. Não há terceira via. Sacou?

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Categoria(s): Artigo
terça-feira - 28/07/2020 - 16:18h
Crônica

A mocidade não me envelhece


Por François Silvestre

Convivo bem com o envelhecimento por conta dos erros adoráveis da mocidade. Não me arrependo de nada. Faço autocrítica de muita coisa, mas não é arrependimento. Essa coisa de arrepender-se é de natureza religiosa. E fui religioso, na infância. Não me arrependo de tê-lo sido. Autocritico-me.

Autocrítica difere de arrependimento. No arrependimento, você se mortifica. Autoflagela-se. Presta contas aos outros. Na autocrítica, você presta contas a você mesmo. Só. E se ampara moralmente para enfrentar a hipocrisia.

Quem se nega à autocrítica navega entre dois extremos. Ou é santo ou idiota. Não sou nenhum dos dois, graças a Tupã.

Ainda adolescente, vi meu país mergulhar desprotegido numa Ditadura. Poucos anos antes, criança, vi a morte natural do meu pai adotivo. E dois anos depois, aos dez anos, assisti à morte, por assassinato, do meu pai biológico.

A morte não me é companhia da velhiceFoi minha companheira de infância.

Na Casa do Estudante, pardieiro da Praça Lins Caldas, aprendi a lutar contra a Ditadura. Luta pequena, minimalista, de front paupérrimo.

Acreditei na solução comunista. Crença desfeita pelo tempo. Mas, a negação à exploração humana não se desfez. Não envelheceu em mim a negação ao fascismo, ao reacionarismo, à estupidez da Direita.

Não permito à velhice, que adoto sem traumas, o dedo apontado ao jovem que fui. Da mocidade incorporo tudo. Tudo. Principalmente os erros. E tenho pena de quem se mortifica da juventude que teve para vender-se à velhice da mortificação.

Meu corpo envelhece sendo o altar onde reverencio minhas crenças da mocidade. Todas elas. Até, como já disse, as que merecem autocrítica. Arrependimento, nunca.

O fascismo vive por conta e custo da deseducação. O fascismo não é uma ideologia, é um atributo comportamental. E navega em toados os lados. O pai repressor é fascista, mesmo se for socialista. A professora intolerante é fascista, mesmo se for cristã.

O governo brasileiro atual é fascista. Se é que seja governo. Não é ditadura porque não pode, mas gostaria de ser. É militarizado na forma mais avacalhada da vida militar, onde militares da ativa abocanham “as boquinhas” comissionadas, num vergonhoso cabide de empregos. Principalmente nas áreas de saúde e educação públicas.

Por ser velho, vou calar? Nunca. Vivam enquanto for vivo, em mim, as revoltas da juventude.

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Categoria(s): Crônica
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sexta-feira - 17/07/2020 - 12:24h
Opinião

“Lei seca” ilegal


Por François Silvestre

Uma coisa é o isolamento. A ser mantido, por força das circunstâncias, encontra amparo na racionalidade.

Outra coisa é flexibilizar com cautelas racionais. Princípio do razoável. Distanciamento, máscara, não permitir aglomeração, distância entre mesas e controle de higiene. Ter álcool disponível para usuários e desinfetação de utensílios, tais como pratos, copos, cardápios. Até aí é o razoável, ou melhor, o obrigatório.

Agora, não se pode ir além da legalidade. Ou como disse Apeles, o pintor grego, ao sapateiro que apontou erro numa sandália pintada. Ao ver o pintor corrigir a fivela do calçado, o sapateiro animou-se a sugerir outras modificações. Ao que Apeles repreendeu: “Sapateiro, não vá além das sandálias”.

Não há lei vigente que proíba o consumo de bebidas alcoólicas em bares ou restaurantes. E o que não é proibido por lei não pode ser proibido pelo poder públicoAbre ou não abre, tudo bemMas se abrir não pode interferir na escolha do consumo de comida ou bebida.

Quem disse que bebida alcoólica interfere na transmissão do vírusImbecilidade notória. Ilegalidade de plano.

Muitos restaurantes não abrirão. Se eu for a algum restaurante levarei a cerveja no táxi e tomarei lá. Espero ser preso.

Mandam passar álcool nas mãos, nas virilhas, no fiofó. Mas não se pode ingerir álcool? Minha gente, a estupidez e a hipocrisia também contaminam. Vão ser imbecis assim no Nepal. E me desmintam com explicação racional que eu retirarei esta postagem.

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Categoria(s): Opinião
segunda-feira - 06/07/2020 - 08:50h
Crônica

Paulo Macêdo


Por François Silvestre

Noite de velório sem companhia. Apenas na madrugada uma olhada rápida do sétimo para o corredor do oitavo, de onde nos cumprimentávamos quase todos os dias, com acenos largos.

Paulo faleceu ontem (Fotomontagem: Território Livre)

Não tive convivência com ele nos seus tempos de prestígio e de bajulações. Isso mesmo mesmo, ele não era apenas respeitado. Era bajulado. E nessa condição, o ostracismo fere o peito e produz amargura. Mas Paulo Macedo conseguia disfarçar, com seu jeito suave abastecia-se de um passado onde bailavam fatos e fantasias.

Nos últimos dez ou onze anos não fomos apenas amigos. Vizinhos de flats e convivência de irmãos.

Certa vez, um morador aqui do Ayambra, também muito conhecido em Natal, me indagou: “Você tem paciência com essas histórias de Paulo Macedo”? Respondi: “Paciência, não. Tenho prazer”.

Ele me contava sua vida, a vida do Diário de Natal e a geografia humana daquele jornal onde sua Coluna fazia a crônica diária da “vida em sociedade”, como se dizia antigamente.

E coisas deliciosas, como encontrar Marlene Dietrich num restaurante de Nova York ou cumprimentar Sophia Loren na saída de uma loja de chapéus, em Paris.

Tinha um programa numa televisão, até pouco tempo, e vivia me enchendo o saco para que eu fosse entrevistado. E eu enrolando desculpas. Ou então, me cobrando candidatura para a Academia de Letras, da qual ele era o vice-presidente. Respondia: “Paulinho, essa história de Academia é adolescência da idade intelectual”. Ele dava risada.

“Eu tenho condecorações de todas as Armas, Exército, Marinha e Aeronáutica. E títulos de cidadania de mais de cento e trinta municípios”. Me disse, certa vez. Eu respondi: “Paulinho, isso é uma mancha no seu currículo”. Ele curvou-se, rindo, que quase bate com a cabeça nos joelhos. Levantou a cabeça ainda rindo e disse: “Você num tem jeito, não”.

Ultimamente ele andava promovendo umas festas, nos fins de ano, chamadas “noite das celebridades”. Parece que era esse o nome. Aí, todo ano vinha me convidar pra ser homenageado. Como eu sabia que a regra da festa não aceitava colaboração do homenageado, eu me antecipava e fazia um cheque de colaborador. Ele recebia, fazia uma careta e dizia: “Ano que vem a gente conversa”. E assim eu me livrava da honraria.

Durante minha participação no Novo Jornal, ele era leitor cativo da minha coluna. Às vezes eu chegava de Martins e ele me atalhava pra comentar o último texto. E arrematava, “Eu quero ir a Martins. Sabia que sou cidadão de lá”? Dizia e não esperava a resposta, saindo rápido e rindo.

Noite de solidão e tristeza. Não o verei no corredor de cima, quando sair para caminhar. Nem na conveniência de Dona Sônia. Antes dele, habitantes daqui, já partiram Jansen Leiros e Fred Teixeira. Fazer o quê? Tecer saudade.

Leia também: Morre em Natal o jornalista Paulo Macêdo.

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Categoria(s): Crônica
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sexta-feira - 03/07/2020 - 14:42h
PSDB

Até que enfim chegou


Serra: alvo da Lava Jato (Foto: Edilson Rodrigues)

Por François Silvestre

Muito tarde, mas chegou (veja AQUI). A lava-jato finalmente bateu às portas de uma gangue que tinha gozado da proteção escrachada dos operadores “donos” da Operação.

A turma de uma fatia importante do PSDB. José Serra, Aécio Neves e outros menos votados sempre gozaram do amparo do juiz Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallagnol. Numa das conversas publicadas pelo Intercept, há uma advertência do juiz ao pupilo promotor: “Não vamos estender muito, para não aniquilar o sistema político nacional”.

Essa cautela não era para proteger o “sistema político nacional”. Não.

Era para acobertar os corruptos do seu afeto.

De seu amigo “in pectoris” Aécio Neves, dos tucanos paulistas e outros que certamente aparecerão.

Bastou o prestigio imperial do conje Moro decair, para o sol começar a desinfetar a operação. E abandonar a sujeira seletiva de só ter um lado a ser investigado.

Para quem não tem corrupto nem bandido de estimação é uma boa notícia.

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Categoria(s): Opinião
terça-feira - 30/06/2020 - 21:36h
Reflexão

Governadores ou bandidos?


Por François Silvestre

Ladrões? Não. Assassinos, se esse estuário indiciário bem robusto configurar provas. Não é uma corrupção comum, das que formam e forjam a vida política do Brasil. É um verdadeiro latrocínio, onde se mata pra roubar.

Refiro-me aos governadores envolvidos em operações de desvio de recursos públicos destinados a proteger acometidos pela pandemia do corona vírus. Uma canalhice que esborra podridão. Facínoras.

A corrupção produz danos a médio e longo prazos, desviando recursos que faltarão para escolas, hospitais, saneamento e demais serviços públicos.

Porém, essa corrupção na compra de equipamentos para socorrer os contaminados da pandemia, cujos efeitos são frágeis nos casos mais graves, é de uma perversidade que espanta até o reino dos infernos.

Deveriam ser afastados dos cargos imediatamente, e gozar do direito legítimo da defesa plena. Mas, longe do dinheiro público. Esses sujeitos não são políticos, são bandidos governando. E suas agremiações não são partidos, são quadrilhas, se não os expulsarem. Na dúvida, pró povo. Pró doentes. Defesa, sim. Mas longe do cofre.

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Categoria(s): Artigo / Opinião
  • Repet
segunda-feira - 29/06/2020 - 23:12h
Brasil

A imbecilidade florescente


Por François Silvestre

Essa é a luminosidade do momento político nacional. Por partes, pra não cansar o leitor.

Parte um. Um ministro da educação, notoriamente analfabeto, é defenestrado para dar ao presidente belicoso, recuante, uma trégua na sua luta inglória contra o Supremo Tribunal Federal, a togada caverna dos morcegos.

Parte dois. O substituto na referida pasta da educação, tudo minúsculo, apresenta um currículo mentiroso, editado, de graduações incompletas, com acusações de plágio, e mesmo assim, bem recebido pela comparação com o monstrengo anterior.

Parte três. O monstrengo defenestrado viaja para os Estados Unidos com visto de passaporte diplomático, e após lá chegando, teve a demissão do cargo revista no Diário Oficial, com data antecipada, o que torna sua entrada naquele país uma clara violação da lei de migração. Para completar, o imbecil anuncia sua designação para uma diretoria no Banco Mundial. Houvesse ficado calado, talvez se consumasse a indicação. Com o anúncio, a comunidade diplomática e financeira internacional já se mobilizou para impedir a entrada do sacripanta naquele Banco.

Parte quatro. Pra completar a luminosidade florescente da imbecilidade, só a Ave Maria, aff, de Bolsonaro, com o sanfonado da Embratur, libra de Damares e cara de bunda do presidente fingindo sofrimento pelos mortos da “gripezinha”.

Parte cinco. E por falar em imbecilidade consumada, o mesmo presidente da mesma Embratur, faz uma live em inglês. Deus do céu. Permita-me Fernando Monteiro, romancista e cineasta de Pernambuco, a lembrança dos epitáfios na língua da Grã Bretanha, na sua obra fantástica “O inglês do cemitério dos ingleses”.

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Categoria(s): Artigo / Opinião
domingo - 28/06/2020 - 16:16h

Mediocridade bem vinda


Por François Silvestre

Meu Deus! Em que país se esconde os escombros da instrução? Aqui, neste nosso país incomparável na geografia, que qualquer país se sentirá elevado na comparação, e miseravelmente comparado na realidade política atual, cuja comparação até o Nepal rejeita?

O presidente Jair Bolsonaro e o novo ministro com doutorado questionado (Foto: Época)

Pois é. Somos os escombros tumulares da dignidade educacional, nos dias de hoje. Ontem, não foi tão bem. Ou melhor, foi muito ruim. Muito. Mas o hoje é de tal natureza tão escabrosamente péssima que acolhemos a mediocridade com alívio.

novo ministro da educação (Carlos Decotelli) não é decididamente um luminar. Longe, e ponha lonjura nisso. É um doutor sem doutorado (veja AQUI). Mas isso não ofusca nossa expectativa, até porque esses doutorados universitários, na sua quase totalidade, são festivais de mediocridades acadêmicas, de orientações fajutas e outras mumunhas. Mais grave é a constatação de plágio, nos textos do doutorado inconcluso. Segundo denúncias.

Mesmo assim, ainda saudamos a mediocridade do novo ministro. E que seja bem vindo e bem sucedido. Gostei da sua franqueza ao declarar-se desarmado intelectualmente para embate ideológico. Parabéns!

Sua chegada, professor Carlos Decotelli, foi um sopro de alivio na catacumba a que fora transformado o ministério da educação pelo sacripanta Abraham Weintraub, filhote do bolsonarismo e lambe rabo do não menos execrável Olavo de Carvalho.

A mediocridade substitui a excrescência. É um avanço. Torço para que pelo menos a educação oficial seja respeitada, se não for eficiente. Menomale, como diria o italiano vendedor de gravatas falsificadas na Praça D. José Gaspar, no centro outrora elegante de São Paulo.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo / Educação
  • Repet
sexta-feira - 12/06/2020 - 20:22h
Poder

Você sabe quem é?


Por François Silvestre

Foi cadete de Agulhas Negras e de lá saiu oficial. Alguém sabe quem era esse cadete? Não. Depois foi subindo, como sobem os balões, ao sabor das promoções sem qualquer sinal de ser conhecido.

Ninguém sabe quem foi o capitão, depois major, depois tenente-coronel, coronel, general de brigada, general de divisão, general de exército.

Até aí, um ilustre e opaco anônimo.

Bateu continência pra Sarney, pra Collor, pra Itamar, pra Fernando Henrique, pra Lula, pra Dilma, pra Temer.

Até que, juntamente com seu colega de frustrações, desde os idos da derrubada de Silvio Frota, que tentou emparedar Geisel, e eles estavam entre os enquadrados, chegou ao governo do capitão Bolsonaro.

De quem falo? (do verbo falar e não do substantivo) Do general Ramos, ministro da defesa. Tudo no diminutivo. Ele e seu colega Heleno. Helenistas de quintal.

Pois bem. Agora, esse general que passeou de óculos escuros, num helicóptero, custeado com dinheiro público, ao lado do seu capitão, sem senso do ridículo, faz um alerta à oposição. “Não estiquem a corda” (veja AQUI).

Cá de meu insignificante canto, eu replico. General, não engula corda. Quando seus culhões, em tempos remotos, ainda ativos, não se fizeram imponentes para conhecimento deles, imagine agora, deitados feito gatos de armazém nos sacos de tricoline dos seus pijamas.

Ah…General. Lamento não dizer: prazer em conhecê-lo. Continua um ilustre desconhecido.

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Categoria(s): Artigo
quinta-feira - 11/06/2020 - 10:11h
Crônica

Cabo Januário


Por François Silvestre

A cidade tem pouco mais de cinco mil habitantes. Todo mundo se conhece, e a metade se detesta. O sonho de qualquer adolescente é se mandar. Ou então arrumar-se numa filial de facção, das que mandam na região, pra ter o luxo de moto, grana fácil, e vida curta.

O policiamento é chefiado pelo cabo Januário. Ele comanda dois soldados. Jalmir, que tem um bar, e Ademar, que nada tem. De mês em mês, quando dá certo aparece um delegado da polícia civil, que vem de Caraúbas ou Patu, seja para abrir um inquérito ou levar o cadáver de algum assassinado para o Itep de Mossoró.

Pois pois. Cada plantão, na delegacia, é dividido entre eles. Um dia de plantão e dois de folga. Portanto, o policiamento diário é de um só policial. Jalmir melhora o salário com seu bar. E Ademar gasta seu salário no bar de Jalmir. Januário é evangélico, não bebe. Nos dias folga vai à igreja “dos santos dos últimos dias” ou se embrenha nas grotas da serra vizinha caçando o que ainda resta de caça.

Na manhã de ontem, dia de seu plantão, Januário deixou a mulher cismada. Em vez de procurar a farda militar, vestiu-se à paisana para sair. Juliana perguntou: “Pronde vai desse jeito? Tá de plantão não”? E januário respondeu: “Tô de plantão, mas antes vou passar na prefeitura pra resolver esse caso da secretaria”.

A mulher não entendeu: “Qui caso da secretaria”? E ele explicou: “A secretaria da saúde, qui eu vou assumir. Sabia não? Eu sou a maior autoridade militar do município”.

Juliana: “Você num sabe nem tirar um bicho de pé, nem pra qui serve sal de fruta, vai fazer o que lá?”.

E ele: “Num interessa, é assunto militar. E deixe de cunversa qui tô atrasado”.

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Categoria(s): Crônica
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