domingo - 20/01/2019 - 09:18h

O meu lado de ver e sentir


Por François Silvestre

Fui carola do catolicismo na infância. De rezar, confessar, comungar. Mãe Guilé foi minha primeira influência, no afago do seu jardim florido e no afeto que guarda minhas melhores lembranças da infância. Nunca mais eu tive nada parecido com a casa da minha avó. Seu jardim de jasmins e resedás.

Por essa dívida eu ainda concordo com Mãe Guilé? Não. A ela devo gratidão, mas abomino tudo que ela tentou impor-me de crenças e opiniões. Guardo seu colo, reverencio seu coração, mas dispenso seu pensamento. 

Depois, o Diocesano de Caicó. A primeira janela para o mundo. No trem sem linha, cujos catabis, nas estradas, de um velho caminhão de mangai eu ingressei na primeira e única universidade da minha iniciação.

Foi lá, nesse Colégio de padres, por quem guardo admiração reverencial, que comecei a duvidar dos deuses de Mãe Guilé. Monoteísmo de três deuses. Nada contra.

São os mitos mais fantásticos da criação humana. E o homem na ânsia de explicar-se criatura acaba criando os deuses que explicam sua existência. Criador criatura dos seus criadores.

Aí vem o fim da adolescência, o contato com teses revolucionárias, a constatação das injustiças sociais, o apelo à luta dosada de romantismo e esperança. Valia tudo pelo sacrifício pessoal. A negação do indivíduo, sacrificado pelo bem coletivo.

No que resultou? Na criação de mais um mito. Os deuses negados foram substituídos por novas divindades. Tudo mantido e alimentado no campo fértil do fanatismo.

Até que a ficha despenca. Ou despenha, igual a bananas maduras no cacho esquecido da bananeira.

A constatação histórica da falência dessa crença não me levou ao conluio com a crença antagônica. A esquerda foi a negação da minha esperança. A direita é a confirmação de que eu estava certo, mesmo errando.

Aqui eu mando um recado aos fanáticos. Tenho pena de vocês. Bocós. Vocês são manipulados e manipuláveis nesse embate de espertos aproveitadores da sua ignorância.

Rebanho. Cada lado cego da safadeza dos seus. E ávidos cobradores da sacanagem dos não seus. Mas todos são seus. Todos. E todos sobrevivem nessa patifaria porque contam, cada lado, com a burrice dos seus seguidores. De um lado e do outro.

A esquerda, que trocou o sonho pelo populismo esmoler; E a direita cujo sonho continua sendo a ganância.

Ambas irmãs, diferentes apenas na forma. O conteúdo é o poder, pra cujo alcance não há escrúpulo.

Não existe combatente mais fácil do que o estúpido. E o fanatismo é o estuário confortável da estupidez. Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
terça-feira - 15/01/2019 - 22:22h
Jornalismo

Tô coçando a língua


Por François Silvestre

Jornalismo é oposição, o resto são secos e molhados. Ensinou Millôr Fernandes.

Tô me coçando pra começar nesse exercício saudável, onde a língua apimentada deixa a vida alheia de lado e cuida de sarrafar o poder público.

Poder público que vive a fazer uso da privada.

Pois bem. Não me surpreende governo ruim. Nem aqui nem no Planalto.

Difícil é governo bom, ou melhor, dificílimo. Ou melhor, raríssimo.

No caso dos atuais, pra nós daqui, temos uma boa e prazerosa tarefa de baixar o sarrafo. Quem for petista vai cuidar de escrachar Bolsonaro. Anti-petista vai descascar Fátima.

Quem não é petista nem anti-petista, tipo esse locutor que vos fala, vô-lo digo: Tô afiando a língua, ansioso pra não entrar no comércio da cantina. Secos e molhados? Não é meu ramo.

Tomara que acertem.

Se acredito no acerto?

Olha, tem dia que acredito até na mãe-da-lua. Mas ela anda sumida…

Se eu tivesse uma bodega não venderia fiado nem a um lado nem ao outro.

Responderia para os portadores de Bolsonaro ou Fátima: Rasguei a caderneta.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI.

Categoria(s): Artigo / Opinião
  • Lion Brazil - 09-01-18 a 09-03-19 - Moda Masculina
domingo - 13/01/2019 - 13:26h

As razões dos militares


Por François Silvestre

Servi no Exército, Regimento de Obuses.

Tenho orgulho de ser reservista de primeira categoria do Exército Brasileiro. Respeito os militares e reconheço a excepcionalidade das suas funções. Não guardo nenhum respeito pelo militarismo ou pelas ditaduras dele decorrentes.

Militar é quem promove o civismo, quem faz apologia da violência é militarista,vizinho parede-meia da imbecilidade.

Nessa questão previdenciária eles não podem ser tratados na mesma ótica dos outros servidores, públicos ou privados.

Militar não pode sindicalizar-se, não pode fazer greve, não ganha hora extra, não ganha adicional noturno, não promove qualquer acordo individual ou coletivo para pressionar aumento ou correção salarial.

Portanto, não pode ser tratado igualmente quem não tem relação comparativa com o restantes dos servidores, em matéria previdenciária.

Militar não se aposenta, vai para a reserva. E pode ser convocado a qualquer tempo, nos primeiros cinco anos da reserva, sempre que algum fato excepcional ou guerra exija sua convocação.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
domingo - 06/01/2019 - 08:34h

O fascismo de cada lado


Por François Silvestre

O fascismo não é uma doutrina ideológica cristalizada numa das pontas da Rosa dos Ventos. É sim uma atitude comportamental que se agrega em qualquer ideologia. Seja à direita, à esquerda, ao Leste, ao Oeste, ao Norte ou ao Sul.

Hitler e Mussolini encarnavam o fascismo. Stalin e Tito também. Franco e Salazar eram fascistas. Mao-Tsé Tung e Brejnev também. Portanto, o fascismo não é uma ideologia, e sim um componente de caráter que se aboleta em qualquer lado do embate político, ideologizado ou não.Getúlio Vargas e o Estado Novo estabeleceram uma forma de poder constitucionalmente fascista. A Carta de Chico Ciência, que dele foi dito, “Quando as luzes de Chico Campos se acendem, apagam-se as luzes da democracia”, copiou em princípios e textos o ideário do  neo fascismo polonês e do fascismo italiano.

Getúlio, de pendores fascistas, apoiou o fascismo na guerra? Não. Aliou-se aos que derrotaram o Eixo. Seu fascismo era de atitude, de conveniência, para garantir o centralismo do poder, o personalismo e o controle ditatorial do Estado.

O fascismo se exerce em todos os níveis. No poder do Estado, de uma associação, num clube, num time, numa igreja, numa autarquia, e até numa casa. Um pai fascista ou uma mãe fascista.

A República do Brasil nasceu de um golpe, que teve componentes de todas os matizes e naturezas. Até um chifre que uma namorada de Deodoro da Fonseca lhe pôs com Silveira Martins, teve papel relevante. Quanto à feição doutrinária, essa República nasce no estuário do positivismo.

O positivismo é uma doutrina preparatória do fascismo. Próceres do movimento republicano pregavam e militavam sob a orientação do ideário criado por Augusto Comte. Dentre eles, destacava-se o coronel Benjamim Constant.

Prima essa doutrina pelo centralismo do poder, disciplina rígida, controle dos costumes, ordem e comando sob determinação hierárquica, encarnada na figura do líder. É ou não é o pré-fascismo? Liberdade, nesse estuário, só por concessão. E não um direito inalienável do indivíduo.

O antissemitismo é fascista. O sionismo também. Toda forma de racismo é fascista. Os alemães, da era nazista, tinham sobre os judeus a mesma opinião que tinham os russos, da era soviética.

O governo atual fala em escoimar o fascismo da legislação trabalhista, mas promete aprofundar o fascismo em matéria de costumes. É apenas um remanejamento do fascismo.

Resta saber, e o tempo dirá, onde o fascismo é mais nefasto. Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
  • Lion Brazil - 09-01-18 a 09-03-19 - Moda Masculina
sexta-feira - 28/12/2018 - 21:00h
Brasil

A democracia de cada um


Por François Silvestre

Já foi dito que cada ministro do supremo é uma constituição. E a Constituição real, de 1988, só serve para manuseio das interpretações.

Nariz de cera para contar um fato, usando a comparação, sobre a noção que cada um de nós tem da democracia.

Isso mesmo; democrata é quem concorda comigo, se discorda é autoritário.

Ah, prometi um fato.

Estava num barzinho da Rua da Glória, primeiro bairro carioca da zona Sul, de quem vem da Cinelândia para o Catete, que guarda fisionomia suburbana, segundo Norma, crítica de teatro que frequenta o local. Esquina da Rua Cândido Mendes, onde ainda mora a outrora aristocrática Casa da Suíça e o elegante e minimalista espaço de arte do Café Grégora.

Do barzinho, vê-se a Praça Paris e o Outeiro da Glória, onde foi batizada a Princesa Isabel. Ali se fala de tudo e passam de todos; boêmios, artistas, mendigos, loucos, profetas e poetas.

Numa dessas tardes, em plena campanha eleitoral, estava ao lado da minha mesa um grupo bebendo e distribuindo propaganda do candidato Haddad. Passa por eles um vendedor de óculos, oferecendo a mercadoria.

Uma jovem, do grupo, lhe oferece um decalque do candidato e diz “pela democracia”. O vendedor recebe e responde: “pela ordem”.

Aí a jovem se exalta e explica ao vendedor, que ouvia meio tímido, “a democracia precisa avançar, tudo pela democracia”.

O grupo era formado por militantes do PSol.

O vendedor de óculos foi embora, levando a propaganda. Aí, bestamente eu me meti. “Concordo com você”. Ela foi toda sorriso, de dentes à mostra. Inventei de continuar: “Também acho que a democracia é essencial, deve avançar”.

Enquanto eu falava, eles me ofereciam decalques. Continuei: “Chegamos a esse impasse por conta dos erros cometidos e a relutância em fazer autocrítica, promovendo inclusive a dissidência de vocês do PSol, por motivos éticos”…Não pude continuar.

Eles nem contestaram, apenas viraram as cadeiras e me deram as costas. Pois é.

Democracia só deles, do mesmo jeito da democracia de Bolsonaro. Só dele. Ou de Lula, só dele.

Recuso-me à filiação dessa democracia. Assim como dou-me o direito de duvidar da supremacia da nossa suprema corte.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo  TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI.

Categoria(s): Crônica
quarta-feira - 26/12/2018 - 08:38h
Natal

Trump, o Papai Noel


Por François Silvestre

O presidente Donald Trump perguntou a uma criança, por telefone, se ela acreditava em papai noel. Não sei que resposta ele recebeu.

Sei que essa criança certamente possui papai noel, crendo nele ou não. E é merecedora da boa vida que tem.

Porém, se alguém houvesse feito a mesma pergunta à criança que morreu à míngua, num acampamento de refugiados, ela certamente responderia que sim. E diria:

- “Acredito. Ele é o presidente dos Estados Unidos e eu estou indo pedir a ele um lugar de paz para morar”.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo TwitteAQUIInstagramAQUIFacebook AQUI.

Categoria(s): Crônica
  • Lion Brazil - 09-01-18 a 09-03-19 - Moda Masculina
domingo - 23/12/2018 - 09:26h

No galho da ingazeira


Por François Silvestre

Eu me pus de binóculo no galho da ingazeira. Acomodei as costas na forquilha de um gancho, daqueles que lembram o apoio da baladeira.
Embaixo da árvore armei o fojo, e um quixó ao lado. Se alguma coisa a ser observada escapar do buraco no chão, tapado com tábua falsa, o quixó desabará após ter perdido o apoio do graveto que segura a pedra.

O que vi por esses dias? Vi gente fina, dos tempos da pós- civilização, guardar dinheiro no colchão, nos cafundós das suas mansões. Isso era coisa dos matutos, dos tempos da pataca, tostão, vintém.

Aí inventaram os Bancos de guardar e render dinheiro. Quem mais iria querer a insegurança dos colchões? Os banqueiros, podres de espertos, ficaram podres de ricos. E os ricos não banqueiros passaram a ter segurança garantida para guardar seu dinheiro.

Tudo bem? Tudo, mas tem um porém. Por que danando tem tanta gente, ricos e sabidos, espertos e santos, com tanto dinheiro guardado em casa? Falta de ladrões para roubá-los ou desconfiança nos colegas banqueiros?

Ou de tudo um pouco? Ou apenas não ter explicação para a fonte ganhadora de tanta grana? Colhi uma vagem de ingá.

Girando o binóculo, vejo uma oficina moderna de Gepeto despedindo-se, de armas e matulões, com todos os seus bonecos escondidos, cada qual tentando disfarçar o seu nariz crescido. Colhi a segunda vagem de ingá.

Agora vejo um “diplomata” prometendo relações internacionais na base da canelada, só que as canelas dos pretensos atingidos estão dando dedada no fiofó das intenções do “diplomata”.

E o chefe maior, lá do reino do Norte, mandou um auxiliar para assistir à posse do novo chefe da tribo do Sul.

Tinha coisa importante na agenda, por exemplo, escrever uns twitters contra imigrantes miseráveis.

A terceira vagem caiu, sem que eu tenha conseguido pegá-la.

Antes da terceira visão, cochilei e derrubei o binóculo. E mesmo assim, vejo a olho nu a repetição manjada da promessa de novos tempos.

Como se o tempo tivesse idade, quando na verdade é a apenas a mentira que renasce. Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Crônica
domingo - 16/12/2018 - 10:56h

Triste fim, ou a constatação de um delírio


Por François Silvestre

Conheci e admirei Osmundo Faria, pai do governador Robinson Faria (PSD). Lembro-me dos dois em vários e variados episódios. Osmundo quase foi governador, nomeado pelo regime militar. Estava tudo certo.

Viajou a Brasília para encomendar o terno da posse. Seu avalista era o general Dale Coutinho, ministro do Exército. Não havia contestação.

Numa manhã daquela semana, após barbear-se, o general sofre um infarto fulminante e morre. Com ele morreu a posse de Osmundo Faria.

Robinson Faria tomou posse no Governo do RN no dia 1º de janeiro de 2015 (Foto: Arquivo/Assessoria)

O resto é outra história, e acho que o Estado saiu perdendo, pois o nomeado foi Tarcísio Maia, paridor de mais uma oligarquia a explorar o Rio Grande do Norte. E deu no que aí se mostra.

Também é outra história. Quadro décadas, se não erro, após Osmundo ter perdido a chance de assumir o governo, seu filho Robinson Faria torna-se governador num pleito historicamente atípico.

Derrotou o maior conjunto de apoio oligárquico e político a um candidato ao governo, Henrique Alves, em quem votei.

Votei e declarei meu voto. Sou surpreendido por um apelo do jornalista Alex Medeiros e do Publicitário Jenner Tinoco, amigos que não serão inimigos nem que queiram, para montar o discurso de posse de Robinson Faria.

Num restaurante onde nunca eu estivera, encontrei Robinson. Ele disse: “Sei que você não votou em mim, mas preciso da sua colaboração”. Respondi: “O que precisar para você a para o Estado, conte comigo”.

Foi tudo muito improvisado. Pedi papel ao garçom, ele trouxe uma caderneta de páginas minúsculas. Pedi folhas de ofício ou pautadas. O dono ou gerente, não sei, providenciou as folhas. Tudo muito apressado.

Robinson foi explicando sua plataforma, e eu anotando. Espécie de taquigrafia. Num certo momento, já quase no fim das suas informações, eu falei: “Se você fizer dez por cento do que eu vou expor no discurso, já é suficiente para eu me arrepender de não ter votado em você”.

Três dias depois, o discurso estava pronto. Vinte e tantas laudas. Esse foi o discurso que ele pronunciou, na sua posse. Com o acréscimo de uma lauda e meia que ele fez agradecendo o apoio de Mossoró e exaltando a aliança com PT, que não foi da minha lavra.

Nem Mossoró nem o PT foram contemplados no meu texto. Também é outra história.

Faltam quinze dias para o fim do governo cujo discurso de posse eu escrevi.

Sou ficcionista. Ruim, mas sou. Já escrevi contos, romances, novela policial, uma peça de teatro inédita, crônicas de invenção e outras mogangas.

Tudo na saudável invenção da literatura.

Porém, nunca menti tanto quanto no discurso de posse do governador Robinson Faria.

Té mais.

François Silvestre é escritor

* Veja AQUI a íntegra do discurso de Robinson Faria no dia 1º de janeiro de 2015.

Categoria(s): Artigo
  • Lion Brazil - 09-01-18 a 09-03-19 - Moda Masculina
sexta-feira - 14/12/2018 - 21:18h
'Civilização'

De que inferno fogem?


Por François Silvestre

De onde vêm esses desvalidos? Desgraçados da vida e da terra onde nasceram, que pedem abrigo nas terras que os rejeitam. Quem são esses fugitivos do inferno que encontram satanases nas terras pra onde vão?

Uma criança (veja AQUI) nascida na pobreza do seu torrão, antes de sentir o gosto cultural do seu nascer junta-se, sem ser consultada, aos pais foragidos. E não são foragidos da justiça, mas da miséria.

E a esperança da Canaã decantada, de pão e leite, que luxo raquítico, falece ante a barbárie da xenofobia. Em vez de pão, pau. Em vez de leite, escarro.

É essa humanidade que o discurso contemporâneo vitorioso oferece ao estudo do nosso miserável presente aos estudiosos do futuro. Se o tempo for, no futuro, melhor que hoje esses estudiosos terão vergonha da civilização.

Desgraçada civilização!

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI.

Categoria(s): Artigo
domingo - 25/11/2018 - 09:06h

Autoritarismo, de onde?


Por François Silvestre

Os que temem o autoritarismo com a eleição de Bolsonaro precisam ver que não é aí que mora o perigo.

O Executivo é o mais vulnerável dos poderes em matéria de infraestrutura legal.

Até as medidas provisórias, sucessoras dos decretos-leis, têm alcance limitado. Ou limitadíssimo.

Não é pela eleição de um presidente autoritário que chegaremos ao autoritarismo.

O perigo do autoritarismo reside em dois outros endereços. No Legislativo e no Judiciário.

O nosso Legislativo, leia-se Congresso nacional, possui vasta tradição de venalidade. É a metade do perigo.

O nosso Judiciário, leia-se Supremo e Tribunais superiores ou federais, possuem vasta tradição de corporativismo e complexo de inferioridade aristocrática.

São condes, marqueses e barões frustrados.

Não são duques porque só tivemos um. Mas formam um ducado fantasmagórico.

É a outra metade do risco.

Aí sim, precisamos ficar de olho e denunciar.

Até por que todo aristocrata, puro ou de cruza, é vulnerável à pressão.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
  • Repet
segunda-feira - 19/11/2018 - 07:30h
Brasil

Vasta moita


Por François Silvestre

Poucas palavras têm a força da edificação que habita o substantivo “fundamento” e o adjetivo “fundamental”. Pois bem; basta uma desinência para desmoralizá-los.

Há um sufixo prostituto que deforma a semântica dos fundamentos. É o “ismo”. Quando se agrega a uma palavra dificilmente lhe preserva a dignidade originária. Vírus semântico. É o caso do fundamentalismo.

O fundamentalismo está espalhado em todo o mundo. À espreita em cada canto, angariando adeptos e recrutando idiotas.

No Brasil, onde tudo tem um toque de hipocrisia, há formas disfarçadas de fundamentalismo.

Basta ver o festival de estupidez nas ditas redes sociais durante a última campanha eleitoral. Nos dois lados.

Burrice política e assassinato cotidiano da nossa maltratada língua.

O estuário do analfabetismo, na “escrita”, cagando regras teóricas numa vasta moita de defecação.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI.

Categoria(s): Artigo
sexta-feira - 16/11/2018 - 10:03h
Rio

Verso revisto


Por François Silvestre

O verso de Gil

virou espanto.

As pedras que cercam o Rio

continuam belas,

mas a Cidade cercada por elas

nem tanto!

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI.

Categoria(s): Poesia
  • Lion Brazil - 09-01-18 a 09-03-19 - Moda Masculina
domingo - 28/10/2018 - 12:30h

Templo de taipa


Por François Silvestre

Eu sou um templo.

Não com a pompa das catedrais,

Nem as torres de proteção.

Um templo de taipa.

Mourões de cumarus, estacas de jurema, varas de marmeleiros.

No meio delas, rebolos de barro úmido, do massapê dos Dormentes.

Aí está a feitura do templo que sou.

Venha ao meu interior.

Achegue-se, abolete-se, hospede-se.

Use-me. Até abuse. Mas não passe ao longe do terreiro.

Pois o desuso pode antecipar o desmoronamento.

Não espere minha atenção. Faça de conta que nem estou onde você estiver.

Farei o mesmo. Nem darei sinal de que você entrou.

Mas venha. Se gostar de quixaba, não deteste o outro visitante que gosta de juá.

Ou um terceiro que prefere resina de cajazeira. No templo de taipa todos os gostos se acomodam.

Achou estranho? Pois é. Tudo que é belo parece esquisito, no meio da feiura.

A taipa é a facilidade da feitura.

Achegue-se, sem ranço. Faça-se ao rancho.

A varanda da casa é uma latada.

E o dono é o templo de barro, molhado na água, socado na mão, seco no vento.

É isso que sou:

Um templo de taipa brincando de tempo. Venha!..

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI.

Categoria(s): Poesia
terça-feira - 23/10/2018 - 10:18h
Opinião

Forensic business


Por François Silvestre

Os negócios do foro. Dois ministros do Supremo atingirão a aposentadoria compulsória durante o próximo governo. De um lado, já há mobilizações para ocupação das vagas.

A divulgação da delação de Palloci foi um jato de relembrança sobre o petrolão, que estava meio esquecido.

Sérgio Moro fez aceno, “olha eu aqui, Bolsonaro”. É candidato antecipado à primeira vaga.

E a segunda vaga?

Já tem pretendente escancarado.

O atual ministro do TST, Ives Gandra Filho, cujo pai é o arauto jurídico da direita brasileira, já visitou Bolsonaro.

Os de segunda, tipo Bretas, vão chupar o dedo. Ou compensação em tribunais inferiores.

É o nosso “forensic business”.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI.

Categoria(s): Artigo
  • Repet
domingo - 21/10/2018 - 10:10h

Curral brasilis


Por François Silvestre

No próximo dia 29 de Outubro, pela manhã, todos verão quem mentiu sobre pesquisas.

No dia 30, os mentirosos preparam as explicações, tudo “matematicamente” convincente.

Em Dezembro, a hipocrisia natalina junta desafetos, mesmo numa convivência de mentira, e tudo é esquecido. Até que chegue a próxima eleição e o trono da farsa volte à disputa.

Os mesmos mentirosos de sempre voltarão a vender miçangas de enganação. Nos palanques e nas mídias de patifaria. Portais, Blogs, twitter, inclusive todos; Facebook, televisão, jornais, inclusive tudo.

E o pré-povo aduba a horta, onde tanto a chuva quanto o sol fertilizam a vitória dos espertos sobres os ingênuos.

Os espertos sabem que são poucos, num clube fechado, e os ingênuos são a grande manada, cujo clube é o curral.

Cada um pensando que se conhece e manda na própria opinião.

Na verdade, a opinião de cada um é propriedade dos espertos, senhores da manipulação.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
quinta-feira - 18/10/2018 - 08:10h
O eleitor

O caráter coletivo


Por François Silvestre

O brasileiro, em matéria política, tem caráter pastoso. Ora, amolece e toma a forma do recipiente. Ora, enrije e fica gelatinoso.

Nesse momento, toma partido, se descabela, briga e faz intrigados.

Daqui a um ano, ou até menos, estará “desiludido”, falando mal de todos os políticos. Dizendo que ninguém presta, tudo é ladrão e incompetente. Esquece até em quem votou. Até que chegue outra eleição e tudo se reverta.

Talvez por isso os políticos não levem a sério essa “irritação”.

Sabem que o caráter coletivo do brasileiro tem a mesma solidez e merece a mesma credibilidade das promessas e princípios dos políticos.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI.

Categoria(s): Opinião
  • Lion Brazil - 09-01-18 a 10-03-19 - Moda Masculina
segunda-feira - 15/10/2018 - 12:10h
Candidatos

Tatibitates


Por François Silvestre

Os dois candidatos à presidência têm pelo menos uma coisa em comum. Ambos são tatibitates.

Não no sentido infantil, de trocar consoantes.

Mas na condição adulta, de linguagem tartamudeada.

Os dois têm carência de articulação, cada um do seu jeito, e ambos tropeçam na pronúncia e têm dificuldade de expressão.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo TwitteAQUIInstagram AQUIFacebook AQUI.

Categoria(s): Opinião
quinta-feira - 11/10/2018 - 11:42h
Pesquisas

Empulhação da margem de erro ou cartel de pesquisas?


Por François Silvestre

Essa gente, digo Ibope e Datafolha, é somente cínica ou aposta na nossa estupidez absoluta? Nem esperaram a cinza das mentiras recentes e já voltaram descaradamente repetindo tudo.

“A porcentagem de que esses dados refletem a realidade é de 95% por cento, e a margem de erro é de 2% por cento”. Os 95% caíram para menos de 45%. A margem de erro foi, em alguns casos, de 85%. E cinicamente já voltaram com a mesma empulhação.

Cá no Rio de Janeiro, um aventureiro lançou mão. O que estava em quinto lugar, lá na rabeira, com “95% por cento de certeza”, passou para o primeiro lugar. O que estava em primeiro, disparado, desabou para um terço dos votos previstos nas pesquisas. E observe que s& atilde;o combinados.

Os números são sempre aproximados entre os dois institutos.

Um cartel de pesquisas. Patifes, e cadê essa tão decantada jaboticaba de Justiça Eleitoral?

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI e o Instagram clicando AQUI.

Categoria(s): Opinião
  • Lion Brazil - 09-01-18 a 10-03-19 - Moda Masculina
quinta-feira - 04/10/2018 - 22:40h
Eleições 2018

A melancolia do ocaso


Por François Silvestre

A estarem certas as pesquisas, ou refletirem o resultado das urnas, veremos, no Rio Grande do Norte, o ocaso de lideranças calcificadas. Saindo do êxito do sem-árido para a hospedagem no cristalino.

Vejamos.

Garibaldi Filho (MDB), imbatível em quase todos os pleitos. Só perdeu uma vez. Para Wilma de Faria, que de imbatível noutras eras foi eleitoralmente humilhada nas urnas ao aliar-se com os tradicionais adversários.

Pelo que dizem as pesquisas, Garibaldi vai perder o emprego no Senado.

José Agripino (DEM), prefeito nomeado de Natal, conseguiu o feito de vencer Aluízio Alves, imbatível até então, e transformar-se numa liderança dona de metade do Estado. Agora, para não ser derrotado desceu a ladeira do Congresso, saindo da disputa ao Senado e, humilhantemente, tomando o lugar do filho na disputa para deputado federal.

Geraldo Melo (PSDB) é um caso atípico. Após eleger-se governador, depois senador, foi aposentado ao perder a disputa para o senado.

Ficou de fora por “longo tempo”.

Ao ser preterido na chapa do “amigo” Garibaldi, resolveu tomar rumo próprio buscando ressurreição política. Parecia ter dado certo.

Só que havia no meio do caminho um capitão prendedor de motoristas e uma deputada inteligentemente escolada para ser a “nova” esquerda.

O Rio Grande do Norte escreve certo e errado por linhas retas.

Torto aqui só o casarão do Ferreiro Torto. Macaíba é nosso porto!

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI e o Instagram clicando AQUI.

Categoria(s): Política
terça-feira - 02/10/2018 - 22:34h
Segundo turno

Disputa de rejeitados


Por François Silvestre

O segundo turno será a disputa dos rejeitados. O Lula, que é tudo e todos no PT, cujo partido e individualidades não existem, só o divino Lula e seu acólito Zé Dirceu, o Mourão de Lula, contra os anti-petistas, que votariam em qualquer um contra essa divindade lulista.

Bolsonaro não é ninguém. É apenas o fantoche de uma rejeição monstruosa parida nesse maniqueísmo. Uma catarse que a ignorância oferece a um momento de culpa social. Uma penitência a purgar a sociedade pelos erros de escolha.

Muito triste.

Miserável tempo, que oferece saudade dos tempos de chumbo.

Eu nunca imaginei que teria essa saudade.

No meio da desgraça daquele tempo, o miasma do sangue coagulado nas vestes do torturado exalava um “estranho cheiro de súplica”.

Hoje, não há cheiro nenhum, só o fedor do suor de sovacos dos farsantes carregados por multidões de idiotas.

O preço por isso será cobrado antes e muito antes do que se espera.

Os vivos verão.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI e o Instagram clicando AQUI.

Categoria(s): Artigo / Opinião
  • Lion Brazil - 09-01-18 a 10-03-19 - Moda Masculina
segunda-feira - 01/10/2018 - 22:22h
Opinião

Eles sabem o “povo” que têm


Por François Silvestre

Passadas as eleições, todo mundo detesta políticos e política. Ninguém quer saber de política. Tudo que acontece de ruim é culpa dos políticos. E os políticos nem aí.

Nem precisam mudar de atitude ou comportamento. Por quê?

Porque eles sabem o “povo” que têm.

Nas primeiras pesquisas ninguém vota em ninguém. Aí começa a campanha, com os mesmo candidatos antes detestados. Com o mesmo comportamento de sempre, as mesmas caras e mesmas atitudes. Aí os números vão mudando.

Quando chega perto das eleições, o mesmo “povo” que detestava a política começa a se descabelar, brigar e esfolar em favor dos seus.

Ninguém mais acha ninguém ruim, ou melhor, são ruins só os adversários. Cada lado com seus santos a combaterem os diabos do lado oposto. Até que passe um ano, e aí os políticos voltarão ao estágio de satanás.

Para serem canonizados no próximo pleito.

Ah!…vão catar piolho em cu de macaco.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI e o Instagram clicando AQUI.

Categoria(s): Opinião
segunda-feira - 01/10/2018 - 06:30h
Basta!

A civilização contra o fascismo


Por François Silvestre

As manifestações de sábado (29), pelo Brasil e pelo mundo, foram um sobro de espanto que fez os fascistas usarem o velho e surrado escudo da mentira.

Vi e participei da movimentação na Cinelândia.

Indescritível a beleza do movimento.

Enquanto isso, alguns resíduos do fascismo esperneavam em Copacabana. O que apareceu, nalguns focos da net, foi uma foto da época do Impeachment como se ontem fora.

Em todo o Brasil as mulheres deram uma lição de democracia e civilidade. Só no Brasil? Não. No mundo. E não foi em Cuba ou Venezuela. Foi na Dinamarca, Noruega, Irlanda, França, Alemanha, Austrália, Argentina, Inglaterra, África do Sul e vários outros países.

Quem apostou nas experiências da direita fascista começa a arrepender-se.

Veja o caso emblemático da Argentina.

A autocrítica feita pela Itália, Espanha e Portugal.

O fascismo andava escondido, com vergonha do holocausto e das ditaduras latino-americanas. Mas a estupidez de algumas “esquerdas” personalistas e desonestas ressuscitaram o fascismo.

É preciso acabar essa história de Esquerda e Direita. São duas merdas testadas e comprovadamente maléficas. A saída é a Democracia, o socialismo democrático. Sem amarras da burrice ideológica.

Viva a Liberdade, vivam a tolerância e a paz!

Fora o fascismo, de qualquer lado.

Acompanhe o Blog Carlos Santos pelo Twitter clicando AQUI e o Instagram clicando AQUI.

Categoria(s): Artigo
Home | Quem Somos | Regras | Opinião | Especial | Favoritos | Histórico | Fale Conosco
© Copyright 2011. Todos os Direitos Reservados.