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quinta-feira - 11/01/2018 - 08:04h
Brasil

A serventia da bagunça


Por François Silvestre

Até a bagunça tem serventia. Nesse caso, é a bagunça institucional que põe uma fresta de luz na escuridão do seu tumulto.

Cristiane e Roberto Jefferson (Foto: Folhapress)

Do que falo? (do verbo falar) Da desnomeação de uma “ministra do trabalho”.

A deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ), a filha de Roberto Jefferson, co-operador do mensalão, sob a chefia de Zé Dirceu, foi nomeada por Michel Temer, que tem prerrogativas para tal, no meio do escambo para mexer na Previdência. Mexer não é reformar.

Aí, um Juiz, devidamente provocado, decidiu suspender a posse da distinta. É uma bagunça institucional? É.

Porém, entretanto mas porém, essa decisão traz a marca da serventia.

Foi um serviço prestado à moralidade.

O tucanato e o peteberato não podem reclamar, posto que aplaudiram essa mesma ação quando o despossado foi Lula, o indicado para a “casa civil”.

Mesmo com a serventia configurada, não se nega o reinado da bagunça.

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Categoria(s): Administração Pública / Opinião / Política
domingo - 07/01/2018 - 04:26h

A velhice dos anos


Por François Silvestre

Dizia o professor de Medicina Legal, Milton Ribeiro Dantas, que nós começamos a compreender a vida contando as décadas. E com o passar delas, descíamos a contagem para os anos, meses, semanas e dias.

Lembro ainda dos tempos de criança, quando se queria dizer que alguém estava à beira da morte, usava-se a expressão “está só contando as horas”.

Cada ano começa a contar as horas após a ceia de Natal. E agoniza entre festas, salamaleques, votos, abraços. Há um clima suave de música triste embalada por sinos femininamente sílfides.

É o único período em que a hipocrisia não parece maldosa. Pelo contrário, fica até fantasiada de candura.

O Nazareno certamente não teria tempo suficiente, nestes tempos de agora, nem chibatas disponíveis, para expulsar os vendilhões dos templos. Ou talvez nem o fizesse, pelo simples fato de que esses prédios pomposos, onde se encastelam as igrejas não seriam por ele reconhecidos como a sua edificação sobre a pedra de Pedro.

O Cristo que nós embalamos na manjedoura, aos sinos de Dezembro, para três meses depois o pendurarmos na cruz. Tudo regado a muita festa, comes e bebes; orações decoradas para afugentar medos e labaredas.

Jacques Anatole François Thibault, o popular Anatole France, dizia que as crucificações eram tão comuns naquele tempo, que nem despertavam interesse. Sugerindo que a pompa e circunstância da crucificação de Cristo foi uma invenção posterior.

Porém, nem ele, com seu ferino ceticismo, pôde negar que aquela crucificação produziu a mais profunda influência nas relações da fé humana ao longo do tempo.

O Cristianismo é núcleo e periferia. Vai do belo ao horrendo, da luz às trevas. Depende do tempo e das relações com o poder temporal. Da humanidade plena de um Ângelo Roncalli, o João XXlll,  à barbárie do Bispo Torquemada, na inquisição. Os extremos, com infinidades de configurações entre suas pontas.

Certamente o Cristo merece melhores emissários do que os vendedores de milagres, saltimbancos da fé, que infestam a angústia dos nossos tempos.

Mas eu falava da idade dos anos. Cuja adolescência impúbere despede-se ali por Maio e se veste de noivado; depois, a juventude atravessa as fogueiras a comemorar a colheita, nos folguedos de São João. Chega a maturidade e perdura até por meados de Outubro. E aí começa a velhice.

As rugas dos anos são tristes. É por isso que ele morre fazendo festa. Mas a festa não consegue enganar. Por isso a música da despedida é melancólica.

Mesmo assim, e até por isso, brindemos. Cristo está acima de nós. Da nossa fé ou da nossa descrença.

Morrer não é coisa da morte. Não. É coisa da vida! E pra viver é preciso entusiasmo. Os anos morrem entusiasmadamente.

Recorro a Anatole France, para fechar o texto. “Eu prefiro o erro do entusiasmo à indiferença do bom senso”. Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
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quarta-feira - 03/01/2018 - 08:40h
Crenças e descrenças

Tempo, o Orixá!


Por François Silvestre

Da descrença que angustia, à pluralidade que conforta. Creio em vários deuses. Tupã é o meu preferido. Depois, Tempo. O Orixá. De onde vejo a lua agora, ela está vestida de amarelo queimado com uma faixa de preto, formada por uma nuvem. São as cores de Tempo.

Caetano Veloso homenageou meu Orixá com uma bela e singela canção. “És um senhor tão bonito, quanto a cara do meu filho, Tempo…Tempo…Tempo”. Sou filho de Tupã e Tempo.

O nome original de Tempo é Iroko. A primeira das árvores, daí sua irmandade com Tupã. Um da África sofrida e o outro da América assaltada. Dos seus filhos, diz o Candomblé:

“Os filhos de Iroko são tidos como eloquentes, ciumentos, camaradas, inteligentes, competentes, teimosos, turrões e generosos.

Gostam de diversão: dançar e cozinhar; comer e beber bem.

Apaixonam-se com facilidade e gostam de liderar.

Dotados de senso de justiça, são amigos queridos, mas também podem ser inimigos terríveis, no entanto, reconciliam-se facilmente.

Um defeito grande, é o facto de não conseguirem guardar segredos.

Iroko Kisselé; Eró Iroko issó, eró”!

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Categoria(s): Crônica
terça-feira - 02/01/2018 - 18:32h
"Justiça"

A próxima decisão


Por François Silvestre

A próxima decisão da justiça, ouvidos todos os ministérios públicos, federal, estadual, de contas e de contos será proibir o governo de pagar os salários atrasados de quem ainda não recebeu sequer Novembro.

Venha o dinheiro de qualquer fonte, não poderá pagar.

Será uma decisão para assegurar recursos aos beneficiários dessas categorias, que “legalmente” recebem vencimentos acima do teto constitucional.

Somados todos os tipos de auxílios disponíveis no vernáculo da sabedoria.

Mas o que é um policial diante de um promotor? Nada. O que é um professor diante de um juiz? Nada. O que é um médico diante de um conselheiro de contas? Nada.

Uma coisa é o Brasil do primeiro mundo, com togas e salamaleques a desfrutarem férias em Paris e Nova York. Outra coisa é a ralé. Metida e ingrata, que não vê essa gente sofrida montando processos, fazendo julgamentos e audiências do vazio.

Suados com tanta roupa preta, que nem o ar condicionado evita o auxílio-refrigeração.

A ralé, que antigamente chamava-se povo, que se exploda.

E deixe o Brasil bacharelar-se com toda a pompa de um país do futuro. Mesmo sem futuro…

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Categoria(s): Artigo / Justiça/Direito/Ministério Público / Opinião da Coluna do Herzog
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segunda-feira - 01/01/2018 - 20:28h
Segurança

O poder civil


Por François Silvestre

O Exército, do qual sou reservista de primeira categoria, pois fui recruta, servindo no Regimento de Obuses, em Santos Reis, onde também fui preso por subversão, é uma instituição merecedora do respeito nacional. Naquela época, o Exército arquivou o direito ao respeito por bancar uma Ditadura que prendeu, exilou, torturou e matou.

Retornando ao estuário da legalidade democrática, sob o comando do poder civil, emanado do povo, o Exército brasileiro merece nossa deferência, respeito e orgulho nacional. Hoje, nas ruas de Natal, região metropolitana e Mossoró, o Exército impõe o cumprimento do poder civil.

E as cidades agradecem, adormecendo mais tranquilas.

E eu, na desimportância da minha pequenez, volto à memória os dias do serviço militar; vendo hoje o Exército que eu imaginara naquele tempo.

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Categoria(s): Artigo / Segurança Pública/Polícia
domingo - 31/12/2017 - 04:28h

Caronte


Por François Silvestre

“Quatro rios há nos espaços tenebrosos e subterrâneos dos Infernos: o Estige, o Aqueronte, o Cocito e o Flegetonte ou Piriflegetonte. Os três primeiros levam suas águas lentas, através de marnéis, pântanos e volutabros infectos, cobertos de tristes plantas aquáticas, a gargantas estreitas, onde o ruído das águas se torna espantoso. O quarto rola ondas de enxofre e fogo, arrastando no seu curso rochedos retumbantes”.

“Às bordas do Estige vêm dar as sombras dos que deixaram os corpos na região das luzes. Sobre a onda imóvel desliza, sem cessar, sem ruídos, uma barca com a madeira podre, suja, dirigida por horrenda criatura”. É Caronte, o barqueiro do inferno.

É assim que Tassilo Spalding inicia o verbete que define e expõe à visão gráfica a figura símbolo do que seria o capitalismo na mitologia.

E informa que o filho de Érebo e da Noite, desconhecido de Homero e de Hesíodo, era um deus ancião, mas imortal. Velho, repugnante, intratável e avaro.

Para realizar a travessia dos mortos à outra banda do Estige ou do Aqueronte, cobrava três óbolos, a menor das moedas, que valia uma sexta parte do dracma.

E só carregava os que tinham merecido a honra do sepultamento. Cujas almas, desligadas, tinham a posse das moedas que lhes garantiam a travessia.

As despossuídas vagavam pelas margens dos rios citados, até que um dia conseguissem o pagamento da travessia.

A descrição de Caronte e suas atribuições compõem o mais perfeito retrato do capitalismo e suas navegações pela história humana, a cobrar de cada um os óbolos de sua ganância e devolver a cada um a travessia no barco podre de Caronte.

Quando vejo um rico perdulário ou muquirana, esbanjador ou mealheiro, enojar-se com a palavra comunismo, eu compreendo. O que não compreendo é ver um pobre esganar-se de admiração ao capitalismo.

O comunismo, minha gente, nada tem a ver com pilantras que se definiram comunistas. O comunismo é Marx, não é Stalin.

O comunismo é São Francisco de Assis, Thomaz de Aquino, Padre Vieira, Portinari, Vulpiano Cavalcanti, Carlos Prestes, não é Chaves, Fidel, Dirceu ou Brejnev.

Caronte não recebia seres vivos na sua barca. O capitalismo não recebe seres livres nos seus negócios. Todos são livres, no capitalismo, para servirem aos capitalistas. Fora daí, a liberdade é apenas uma figura retórica. Onde se avolumam nas margens dos rios podres as almas despossuídas de óbolos.

Caronte pagou com a perda de função, durante um ano, por ter transportado Hércules, ainda vivo, e o fizera movido pelo medo.

Aí estão os dois instrumentos do aparato capitalista: a moeda e o medo. Sem a moeda e sem o medo, a exploração fracassaria.

Posta indevidamente nos ombros da ganância capitalista a bandeira das liberdades fundamentais, pelo falso comunismo, o antagonismo do mal se transformou no estandarte justificador do próprio mal.

Té mais.

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Categoria(s): Artigo
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quinta-feira - 28/12/2017 - 22:30h
Opinião

Dupla fraude


Por François Silvestre

Vejo nas folhas que o governador Robinson Faria, cujo sobrenome coincide com o condicional do verbo fazer, vai dizer hoje se cumpre a promessa feita de pagar atrasado o mês de Novembro.

Ora, a sua promessa, para o salário de Novembro, independeria da “ajuda” federal.

Posto que vinha pagando com dois meses de atraso sem essa ajuda.

Ocorre que ele precisa da autorização de suas equipes, que são várias, em vários e estranhos setores, para prometer. Se prometer sem autorização, precisa desprometer.

Essa é a mumunha inovadora. Se ele fizer nova promessa, poderá mudá-la ao amanhecer.

Dependerá de uma das equipes concordar ou não.

Igualzinhoa Temer, que se valeu de um parecer ineficaz para mijar pra trás. Por que digo isso? Porque os tribunais de contas não têm competência para julgar contas do presidente nem dos governadores.

É atribuição do Congresso e das Assembleias Legislativas.

Essa ameaça do procurador de contas, tucano do bico faminto, é tão factível quanto o crime impossível, inimputável pela ineficácia do instrumento.

Nem o Ministério Público de Contas nem os tribunais de contas julgam crimes de responsabilidade. Nem são partes legítimas para processá-los.

Temer sabe disso.

O que confirma sua mentira da ajuda.

Tudo para ganhar um votinho a mais na sacanagem da Previdência.

Infelizmente estamos entre duas fraudes, a fraude constitucional de Temer e a fraude administrativa de Robinson.

Categoria(s): Opinião
domingo - 24/12/2017 - 05:28h

Constituinte Originária ou zorra continuada


Por François Silvestre

Não se reforma uma casa pintando as paredes ou substituindo o teto se o alicerce estiver comprometido. A querer salvar o imóvel, só tem uma saída. É refazer a fundação.

Ou se faz assim, ou adiam-se, ad perpetuam, os mesmos e velhos problemas. A mexer aqui, alterar ali, esconder a sujeira, fazer pose e consolidar a desordem. E nos cantos escondidos do barco “reformado” continuarão a habitar os ratos, senhores do porão, comandando o convés.

É o caso do Brasil. Uma casa que se sustenta numa fundação institucionalmente falida. Superada e esgotada na gambiarra de uma ordem constitucional completamente desadequada no tempo, espaço e realidade social.

A Constituição de 1988 é o Diploma da “boa intenção” a florir o caminho do inferno. Como diria Marx.

Porém, num aspecto é preciso fazer justiça.  O constituinte de 88, sabiamente, percebeu que o momento da feitura da Carta Magna estava comprometido com a frivolidade cívica e a ligeireza jurídica. Onde se engalfinhavam num mesmo saco todas as tendências. Tendenciosas, como é da sua natureza.

O que fez o constituinte? Previu, nos Atos das Disposições Transitórias, uma reforma geral da Constituição. Para cinco anos após a promulgação.

Chegou 1993, ano da reforma prescrita. Não se cumpriu a determinação constitucional. Omissão combinada. Governo, oposição, sociedade “civil organizada”. Todos agasalhados na latada da constituição “cidadã”.  Lula, FHC, Ulisses Guimarães e et caterva. Todos convenientemente quiseram deixar tudo como estava.

Faça-se Justiça a Leonel Brizola, que cobrou essa revisão, para chamar o feito à ordem. É o único que não deve essa conta à História.

A partir daquele ano, a ordem constitucional brasileira, nascida da Constituinte de 1988, entrou no processo de caducidade constitucional. Esclerose institucional.

O quadro aí está para comprovar o dito, sem muito esforço de perquirição. Corrupção fora de controle, economia em frangalhos, educação pública analfabetizante, saúde pública abandonada, segurança pública de fratura exposta, instituições sem prerrogativas claras, legislação caótica. Ninguém sabe quem manda. Nem onde nem no quê.

Essa história de “constituinte” específica para fazer reforma política é uma escrachada demagogia.

Tem saída? Sim. Uma Constituinte Originária Exclusiva de composição aberta para prover uma nova ordem constitucional. Ou isso ou a consumação do caos.

Originária. Isto é, criar nova ordem. Preservando as conquistas democráticas e recepcionando o que se salva. Legitimadora de nova ordem institucional, sem qualquer dependência. Seja política ou jurídica. Com poderes que sejam poderes e órgãos que sejam apenas órgãos e não poderes disfarçados. Como está hoje. Procurador dando parecer sem ser provocado, depois de decisão prolatada. O nome disso é zorra institucional.

Exclusiva. Assembleia Constituinte com a única finalidade de elaborar a Constituição. Dissolvida após a promulgação.

Composição aberta. Com candidaturas avulsas, sem prejuízo dos candidatos partidários.

É a única forma de recuperar a dignidade institucional pela via democrática e pacífica. Sob pena de cairmos na vala comum das sociedades dispersas e sem esperança. Ou na carnificina de revoltas populares ou intervenção de quarteladas. Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
  • Repet
sexta-feira - 22/12/2017 - 19:08h
Reflexão

Tarda, falha, mortalha


Por François Silvestre

Havia nos tempos do sertão profundo um adágio que dizia: “Quem aos vinte não barba, aos trinta não casa, aos quarenta não tem; não barba, não casa, não tem”.

Pois bem.

Prenderam Maluf e Marin. Dois corruptos notórios.

Maluf foi delegado diligente da Ditadura. Marin bancou com dinheiro roubado um esquema de tortura em São Paulo.

Todo mundo sabia disso. Menos a justiça.

Agora, a justiça se fez.

Tardou, falhou e oferece a mortalha.

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Categoria(s): Opinião
quarta-feira - 20/12/2017 - 09:25h
MDB

Farsa ou café requentado?


Por François Silvestre

O MDB nasceu sob o signo da suspeita. Quando a Ditadura aboliu os partidos políticos da ordem constitucional de 1946, criou dois “partidos” para dar feição de normalidade política. Arena e MDB.

Os adversários mais consequentes do regime imposto torceram o nariz para os dois. Um declaradamente a ser “partido do governo” e o outro “partido de oposição”.

Oposição consentida, era o rótulo do MDB.

Passado o tempo, o partido da oposição consentida criou estatura de oposição respeitável. E muitos dos que não se filiavam a correntes ideológicas extremadas abrigaram-se no seu ninho.

E prestou um grande serviço na luta pelo retorno da Democracia.

Com o fim do bipartidarismo, a ditadura imaginou desfigurar o MDB. E legislou exigindo a palavra “partido” em todas as siglas partidárias.

Ao ganhar o “P”, o MDB prostituiu-se. E só piorou ao longo do tempo.

Agora, sem jeito de remendo querem retirar o “P”, como se o fim de uma letra fosse o fim da patifaria.

Não.

É apenas a farsa da tragédia originária.

Café requentado muito tardiamente.

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Categoria(s): Opinião
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terça-feira - 19/12/2017 - 19:22h
Reflexão

Justiça ou esmola social?


Por François Silvestre

Após vinte vinte anos de Ditadura Militar, falando de inchar o bolo para distribuí-lo, a redemocratização da Nova República prometendo liberdade e democracia de mentira, a fantasia ética da era Collor roubando a poupança do povo, só do povo, pois os ricos que poupavam foram alertados e sacaram tudo antes da extorsão; a social-democracia do plano real a implantar o neoliberalismo da dependência, o governo petista com seus cúmplices, hoje no poder, anunciando a inclusão social pela esmola, tudo isso resultou na Pátria da Miséria que se estabeleceu.

E aí está.

Executivo ineficiente, legislativo inexistente, judiciário de califas.

Ministério Público a cuidar da sua riqueza privada, brigando por prerrogativas.

Tribunais de Contas sob suspeitas intermináveis.

Pátria dos patriotas?

“O último refúgio dos canalhas”, da lição de Samuel Johnson.

Justiça ou esmola social?

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Categoria(s): Opinião
domingo - 17/12/2017 - 03:28h

Uma noite, na casa de Radir Pereira


Por François Silvestre

* Para Honório de Medeiros

Campanha para senador em 1978. Uma espécie de substituição democrática, posto que o “governador” era “eleito” pelo “colégio eleitoral”, sob o controle do regime militar. “Governador” era apenas o delegado da Ditadura, nos Estados.

O que todos esperavam era uma chapa do MDB imbatível, após a vitória, quatro anos antes, de Agenor Maria sobre o candidato da Arena, Djalma Marinho. Nessa eleição, de 1974, eu estava preso. A chapa dessa espera, em 1978, seria formada por Odilon Ribeiro Coutinho, Radir Pereira e Varela Barca.

Seria um banho de água gelada na fervura do regime de mentira, aqui no jerimunzal. Ficou na ilusão. O MDB, sob o comando da Família Alves, mesmo com três irmãos cassados, resolveu fazer um acordo com o regime que os punira.

Nesse acordo, o MDB aluizista lançou, para a convenção, três candidatos ao Senado, tudo de faz de conta. Olavo Montenegro, Paulo Barbalho e Chico Rocha. Os três renunciariam e o MDB apoiaria a candidatura de Jessé Freire, candidato da Ditadura. A motivação desse acordo será tratada noutro texto.

O grupo autêntico do MDB potiguar, sob a liderança de Roberto Furtado e Odilon Ribeiro Coutinho, não se resignou e lançou as candidaturas de Odilon e Radir Pereira. A luta teria desfecho na convenção.

Contando os votos dos delegados, chegamos à constatação de que, mantidas as duas postulações, os autênticos não indicariam ninguém. O desprendimento de Odilon, retirando a candidatura, garantiu a candidatura de Radir Pereira contra o acordão. (Autêntico foi o nome dado ao bloco emedebista, no Congresso, em oposição ao bloco Moderado).

Resultado da convenção: saíram candidatos Radir Pereira, Olavo Montenegro e Chico Rocha. Olavo Montenegro cumpriu o acerto do acordo e renunciou. Chico Rocha manteve a candidatura.

Radir perdeu as eleições para o Senado, mas venceu em Natal por quase quinze mil votos de maioria. Contra tudo e todos. Governo federal, governo estadual, prefeitura da Capital, federação de indústrias, de comércio, Alves e Maias no mesmo palanque.

Os Maias não tinham votos naquele momento, a invenção de Aluízio Alves os colocou no patamar de liderança. E o inventor pagou caro por isso.

Quatro anos depois foi derrotado para governador. O voto vinculado explica a derrota no interior; mas na Capital, em que ele fora o eleitor maior, desde os anos Sessenta, apenas empatou com o candidato dos Maias.

Radir teve melhor desempenho.

Na casa de Radir, após a conquista da candidatura insurgente, reunimo-nos, naquela noite, para comemorar e montar “estratégias”.

Casa lotada. Todos os ambientes cheios. Delegados do partido, assessores, jornalistas, lideranças municipais, puxa-sacos, espiões, o escambau.

Numa mesa larga, dona Alda, mulher de Radir, nos colocou. O Próprio Radir, o ex-governador Cortez Pereira, primo e concunhado de Radir, Odilon Ribeiro Coutinho, Júnior Targino, Rubens Lemos, Agenor Maria e eu.

Essa mesa ficava o tempo todo cercada de perus. Como se estivessem peruando um jogo de cartas.

Muito uísque Bells, vinho, caipirinhas. E tome papo. Não me lembro do começo da confusão que deu. Ocorre que Cortez Pereira, num certo momento, dirigiu-se a mim. Tínhamos referências anteriores de afetos e brigas.

Tarcísio Maia e Cortez Pereira em 1974 (Foto: arquivo)

Ele fora meu professor. Eu fizera aquele discurso na Casa do Estudante, em que Dona Aída Cortez fez uma visita de proselitismo político para o marido governador.

Estraguei a festa e fui preso no dia seguinte. Não fui preso pelo governo estadual, que não tinha força para prender nem prestígio para soltar. Tempos do torturador Médici. A Polícia Federal me prendeu, sob as ordens do DOPS.

Pois bem. Cortez dirigiu-se a mim e disse: “Nós fomos punidos pelo mesmo regime”. Hoje, eu ficaria caldo. Naquela noite, fui grosseiro e respondi: “Fui punido por um regime que sempre combati. Você foi punido pelo mesmo regime ao qual serviu da forma mais torpe”. Desse jeito.

Eu era muito cabeludo. Meus cabelos desciam sobre os ombros. Ele respondeu: “Só desculpo a infâmia da sua fala porque a inteligência contida nela não tem a mesma dimensão da sua cabeleira”.

Confusão ao redor da mesa. Eu maneirei: “Tudo bem. Eu retiro o torpe”. Cortez aceitou as desculpas. Mas Odilon interveio: “Retire não. Foi muito bem colocado”.

Cortez vira-se para Odilon: “Você declarou que a ditadura se redimira, no Rio Grande do Norte, quando me escolheu governador”.

Radir Pereira (Foto: arquivo)

Odilon rebate: “É verdade, mas depois eu fiz autocrítica e disse que você entrara no Palácio pela porta dos fundos”. Cortez retruca: “Eu li e respondi que entrara pela porta dos fundos para abrir a porta da frente do Palácio a empresários mal sucedidos como você”.

Aí a confusão tomou conta. Todos os ambientes da casa vieram para esse local. Dona Alda, coitada, pedia quase gritando: “Vocês estão de que lado? Do lado dos adversários”? Radir pedia calma. Rubens Lemos cofiava o bigode e ria. Targino sugeriu: “Vamos enchiqueirar eles”.

Serenados os ânimos, houve o enchiqueiramento. Puseram uma mesa ao lado oeste do quintal, longe da festa, onde ficamos Odilon, Cortez, Targino e eu. Varamos a madrugada, entre reflexões de direito, filosofia, história e muita birita.

Cortez e eu, por sugestão de Odilon, combinamos a abertura de um escritório, em Natal, de advocacia criminal. Targino faria parte. Tempos depois, Targino me disse que nunca acreditou naquele empreendimento.

Ele estava certo. O “escritório” nasceu e morreu naquela madrugada. O tempo passou, como é imposição do destino, não ampliou a inteligência da minha fala, mas engoliu a minha cabeleira. Té mais.

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domingo - 10/12/2017 - 07:26h

A maldição da escrita


Por François Silvestre

Ou a “dura escritura” a que se referia Clarice Lispector. É certo que ninguém, do ramo de mesmo, escapa impune dessa maldição.

Tranquilizem-se os que fazem da escrita apenas um exercício de redação, principalmente na internet, onde todas as línguas são maceradas pelas penas infames dos redatores de shoppings. Não serão alcançados pela maldição.

Aliás, nesse caso a maldição atinge o leitor. O coitado pune os olhos e ainda maltrata a escassa instrução. São leitores de copistas que nem sabem de onde vem o palimpsesto. Nem pra onde vai.

Mas essa não é a maldição de que trata o presente texto. Aqui eu quero cuidar da real escrita, maldita e carcereira que mantém sob cadeados os que a usaram ao longo da vida sem perceber que é ela a usá-los e não o contrário.

E quando percebem, já nada podem fazer. Apenas esperneiam, deprimidos e angustiados. Sentindo os grilhões que lhes aprisionam o juízo.

Foi assim com Manoel de Barros. Poeta da desfeitura, do desaprender para atingir o miolo do desconhecimento. Da inutilidade mais útil do que todas as utilidades práticas. Essa inutilidade a que se refere Kerubino Procópio, como exercício do envelhecer.

E o castigo foi a morte do riso do poeta, ainda em vida. Abatido pela depressão que não perdoa nem a poesia.

Com Câmara Cascudo. Escreveu mais livros do que os leitores que tem. Escreveu mais do que a maioria lê durante toda a vida. Também viveu, e o fez intensamente. Mas não se livrou da maldição, ao pronunciar uma única vez a amargura provinciana. “Não consagra nem desconsagra”…

Com José Lins do Rego. Sua escrita é a tentativa frustrada de espantar o fantasma de um garoto a cuja morte lhe deu causa.

Com Ariano Suassuna. A tragédia que abateu sua família, quando um parente seu matou João Pessoa. E o resultado mais brutal foi o assassinato do próprio pai. Diniz Quaderna, d’A pedra do Reino, confirma o revelado. Que nem Sinésio, o alumioso, conseguiu alumiar.

Com Guimarães Rosa, o “reacionário da palavra”, a feitura nova da frase. “Pela fraqueza do meu medo e pela força do meu ódio, acho que fui o primeiro que cri”. Premonitor da própria treva.

Com Drummond de Andrade. A poesia mais chafurdada por críticos e acadêmicos. O esplendor poético na pele de um funcionário tímido, da burocracia oficial.

Com João Cabral de Melo Neto. A poesia de pedra a ser jogada secamente na cara dos sentimentos, para negá-los. E a rendição final, ante a fraqueza física que não se nivelou à fortaleza poética.

Com Mário de Andrade. Angústia antropofágica e partida precoce. As letras e a música modelaram a maldição íntima de um homem além do tempo. “No Pátio do Colégio, afundem meu coração”.

Com Clarice Lispector. “Liberdade é pouco. O que desejo ainda não tem nome”. A dor invisível do próximo instante desconhecido. Ou presentemente visível. Em Manoel Bandeira, Oswaldo Lamartine, Zila Mamede, Augusto dos Anjos. Nenhum anjo.

E assim é com quem paga o preço dessa maldição. Da palavra escrita com jeito novo, mesmo sendo palavra velha. Do espanto que causa a cópula das palavras a embuchar a frase e parir o rebento.

Té mais.

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sexta-feira - 08/12/2017 - 18:48h
É?

Viva! A inflação baixou


Por François Silvestre

A inflação baixou? É o que diz o poder.

Vejamos: A gasolina subiu, o etanol subiu, o gás de cozinha subiu, a carne de primeira subiu, a de segunda também, o frango subiu, o arroz branco subiu, o arroz roxo também, o macarrão subiu, o açúcar subiu, a cerveja subiu, o vinho também, o queijo subiu, o iogurte também, o leite subiu, o café também.

O transporte subiu, os serviços também.

O aluguel subiu, as temporadas também.

O que baixou?

Os pegadores de roupa baixaram, os pentes Flamengo também. Saco de estopa baixou, arame farpado baixou, mourão de cerca também.

Saco de açúcar pra fazer lençol baixou, chita pra saia baixou, tomada elétrica antiga baixou, lâmpada incandescente baixou, pito de bicicleta baixou, catraca também.

Vergonha na cara tá bem baratinha…Por isso a inflação baixou!

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quarta-feira - 06/12/2017 - 15:34h
Opinião

A pressa dos mancos


Por François Silvestre

Estudos de alguns especialistas informam que em 2050 a previdência social estará falida, dada a crescente média de vida do brasileiro. Não se pode negar que é preciso reformar a previdência. A questão é quando se deve fazer isso.

Há tempo suficiente para que essa reforma seja feita após o esgotamento de todas as dúvidas. Ou a maioria dessas dúvidas.

Um governo não legitimado nas urnas e um congresso moralmente rasteiro não possuem legitimidade para reformar coisa alguma, muito menos a previdência social, que sustenta a vida de enfermos e aposentados.

Falta apenas um ano para que esse problema seja resolvido. Governo e congresso eleitos com essa legitimidade.

Se forem os mesmos, não se poderá reclamar. Terá sido vontade do povo.

Pra que a pressa desses mancos morais?

Sabe do que se trata?

De muita grana envolvida nessa coisa estranha.

Grana de corporações empresarias para comprar o governo e grana do governo para comprar deputados e governos estaduais falidos.

É disso que se trata!

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Categoria(s): Administração Pública / Artigo / Opinião
domingo - 03/12/2017 - 08:28h

A crise educa


Por François Silvestre

Não é fácil conviver com a crise. Nem com a seca. Nem com a escassez. E menos ainda com a “ética” dos métodos, banquete de hipocrisia. Pra cada sujeira apontada no quintal vizinho, um charco de lama na própria soleira.

Já houve quem sustentasse não ser pessimista para não parecer chato; nem otimista, para não parecer bobo. E chegou a inventar o realismo consciente. A moderação na crença e a tolerância no descrédito.

O candidato contamina-se de otimismo para convencer o eleitor a segui-lo. E ao eleitor é oferecido um pacto de entusiasmo. E a surrada promessa de mudança. E ambos fingem. Cada um no seu botão.

O eleitor se faz de besta e oferece o bolso bobo para receber a prebenda do esperto. O eleitor sabe que seu voto é uma mercadoria e o candidato intui que o comprado e pago não comporta cobrança.

Mesmo assim e talvez por isso mesmo a crise seja um rompimento de trevas. Uma lanterna a clarear no quarto escuro. Um puxão de orelhas da realidade. A crise institucional escancara-se. Mais grave do que a econômica. A economia se arruma. Instituições sem crédito não se recuperam. Só com nova ordem.

Nem a Democracia é plena nem o voto é livre. Fosse livre, o voto não seria obrigatório. Tanto a Esquerda quanto a Direita defendem o voto obrigatório. Por quê? A Direita sabe que o voto livre seria muito mais caro. E a esquerda sabe que o voto voluntário seria muito mais exigente.

A Direita precisaria de mais grana para arrancar alguém de casa e a Esquerda precisaria revisar a baboseira sofista para convencer o eleitor desobrigado de votar. O voto obrigatório é democracia de curral.

A crise rasga a mentira. O discurso, a liberdade do voto, a promessa, a propaganda, os debates ocos, a mídia venal, a fiscalização de fachada. Esse é o útero onde se fecunda o óvulo do embuste e nasce feto da crise.

Os candidatos são espermatozoides. O eleitorado é o óvulo maduro a esperá-los, no cérvix da urna. No ovário, eles se encontram. Após a caminhada difícil que veio do gozo, enfrentando cada um a hostilidade da militância inimiga.

E a conquista? O candidato excitado penetra o cio da militância. Os lados oponentes abrem as pernas do povo, no berço esplêndido. E há o coito. O resultado do coito é o coitado.

Reina o Estado Cérbero, falido, e suas castas famintas de privilégios e empanzinadas de hipocrisia.

E a seca? Apenas “uma eterna e monótona novidade”, como disse Cunha, o Euclides. Eterna porque sempre existiu. Monótona porque vem em ciclos. E novidade porque nunca nos preparamos para seu retorno inevitável.

De todo modo a crise educa, seja no aprendizado ou na reflexão.

Nas trevas descobrimos o valor da luz; na retirada, recuperamos a memória do torrão. E no aperreio valorizamos a pobreza da posse precária. A dignidade da posse legítima, que não seja esmola. Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
  • Curso de Oratória de Francisco Lavor em Mossoró 15 a 28-01-18 veiculação - RODAPÉ
quinta-feira - 30/11/2017 - 21:14h
RN

O defeso do caos


Por François Silvestre

Ouvido num fórum da região. A bandidagem organizada estabeleceu um rodízio do defeso. O que é isso?

O defeso é uma proteção da fauna da terra e das águas para evitar a extinção dos frutos da caça e da pesca. Não se pesca no tempo da desova, nem se caça no período da prenhez.

O que tem a bandidagem a ver com isso?

Explica-se.

Eles perceberam que o assalto constante nos mesmos lugares estava escasseando a “renda” dos roubos. Bancos sem abastecer Caixas Eletrônicos, Correios sem receber pagamentos, lojas fechando as portas.

Bolaram o defeso.

Aquela cidade foi foi assaltada recentemente fica em quarentena por um bom tempo. Sem ser molestada. Até que o Banco reabasteça regularmente, Correios voltem ao movimento financeiro e os logistas se esqueçam do último ataque. T&aacute ; assim.

Ao lado, havia um Cabo da Polícia. Perguntado sobre a situação da sua Delegacia, respondeu: “Num tem dinheiro nem pra comprar uma espingarda de soca”.

Baixe o pano.

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Categoria(s): Artigo / Segurança Pública/Polícia
quarta-feira - 29/11/2017 - 08:12h
Desabafo

A tabuada robinoquiana


Por François Silvestre

Não recebi um centavo do salário de Outubro, que deveria ter sido pago no último dia daquele mês. Não recebi um centavo do salário de Novembro, que termina amanhã.

Agora, eu pergunto à “governança inovadora”, qual é a tabuada que me desmente? São ou não são dois meses de atraso?

Ganho um salário bem acima da média do trabalhador brasileiro, reconheço, mas abaixo do teto constitucional. Só passa do teto quando nos terços de férias ou no mês de Dezembro. Isto é, quando havia governos, não velhacos.

Sou lotado na Regional de Pau dos Ferros, que cobre dez Comarcas. De São Miguel, Luiz Gomes, Alexandria, Marcelino Vieira, Pau dos Ferros, Martins, Portalegre, Almino Afonso, Umarizal e Patu.

Faço audiências defendendo o Estado inadimplente, por má gestão, viajando no meu carro e sendo meu próprio motorista.

Subindo e descendo serras.

Não conheço, por dentro, o carro oficial que presta serviço àquela regional. O atual ou os antigos. Basta perguntar aos servidores de lá.

O Estado nunca me deu um copo de gasolina. É uma atividade de risco, viajar muitas vezes quase à noite, em estradas mal cuidadas e segurança abandonada.

Raramente encontro um carro da polícia. A não ser nas blitz esporádicas de Pau dos Ferros.

E esse governo, por seus lacaios, tem a desfaçatez de querer alterar a tabuada.

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Categoria(s): Artigo
  • Lion, Moda Masculina, de João Paulo Araújo - 11-08-15
segunda-feira - 27/11/2017 - 20:18h
Opinião

A superioridade da ignorância


Por François Silvestre

Os nazistas sul-americanos, se tivessem algum conhecimento de História, deveriam saber que nós daqui éramos e somos considerados “raça inferior” para os nazistas originais.

Assim como eram considerados os negros, judeus, homossexuais, deficientes físicos ou mentais. Até os japoneses, seus aliados eventuais, eram aceitos como companheiros de luta, mas não reconhecidos como igualdade humana. Também considerados “raça inferior”.

Basta estudar um pouco para não ser mente inferior.

Somos uma única raça, a raça humana.

Mas enquanto formos racistas, somos sub-humanos.

Todos nós, nazistas ou anti-nazistas.

A ignorância nos faz inferiores, uns aos outros, sem superioridade; a não ser a superioridade da própria ignorância.

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Categoria(s): Artigo / Opinião
domingo - 19/11/2017 - 08:46h

A roda dos pavões


Por François Silvestre

Ou a vida na política. Impossível nas relações da vida a ausência da política. Posto que sua interferência na convivência humana independe da nossa vontade.

Assim ocorre na fisiologia orgânica, cujas necessidades estimuladas, manifestadas na vontade, fogem do nosso controle; tanto na intensidade quanto no momento escolhido pelo organismo. Inclusive o impulso sexual, que não é escolha ou opção.

É bem verdade que aqui não se fala de política estritamente eleitoral, partidária ou participativa. Essa sim, pode ser descartada pela vontade ou enfado. Porém, a política, no sentido amplo do conviver familiar ou social, está presente de forma tão indispensável que nem notamos. Da mesma forma que não percebemos o ar ao respirarmos. Só sentimos sua falta no afogamento ou na asma.

Politizar-se é uma forma de aprimoramento da dignidade. Seja pela participação ostensiva ou pelo simples observar conscientemente. E essa observação consciente se dá pela crítica.

A crítica é o mecanismo instrutivo que liberta. Da lição de Karl Marx: “A crítica não pretende enfeitar as grades, com flores, para atenuar o cárcere. Mas quebrá-las, para a colheita da flor viva”. Inclusive para quebrar amarras ideológicas. Marx não era marxista. Da mesma forma que Cristo não era cristão.

O que tem produzido certo enfado, ou até mesmo asco, com a prática política é a deformação do seu exercício, piorada a cada pleito. De tal forma que leva suas consequências ao embate primitivo das campanhas. Nesse teatro onde viramos ancestrais dos símios. De moderno, só o jogo das moedas.

Torcidas organizadas de times de pernas-de-pau. O que garante à demagogia a dominação do mando. E asseguram aos inquilinos dos palácios um atestado de quase usucapião.

Mesmo estando presente em tudo a política não é ciência. Colega do Direito, no campo da arte/técnica. Para que um conjunto cognitivo se configure ciência é imprescindível a presença de Leis. O que há na matemática, física, química, biologia.

No Direito e na Política não há Leis. Há normas. A Política produz normas e o Direito as aplica. É uma impropriedade semântica a expressão “cientista político”. É comentarista de política. A sociologia não é ciência; não há Leis nas relações sociais e humanas. Só normas, jurídicas ou consuetudinárias.

Há uma linha tênue e invisível que une a política à literatura. Toda ela no campo da ficção. Poucos romancistas conseguem inventar roteiros tortuosos e falsos quanto os políticos. Se bem que estes estão mais para mentirosos do que ficcionistas.

É raro o país que consegue o milagre brasileiro de sobreviver à instabilidade institucional. Onde a vaidade dos membros das instituições as reduz ao tamanho do ridículo individual.

Quanto maior o ego dos componentes, menor a eficiência da instituição. Para essa gente, a exigência de impessoalidade, na Carta Magna, só serve para o povão. Não se aplica aos pavões.

Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
  • Repet
domingo - 12/11/2017 - 07:24h

Ilusão emergente


Por François Silvestre

Não faz muito tempo corria mundo uma informação de que o Brasil estava incluído no rol dos emergentes, com amplas chances de virar potência econômica. Com a descoberta do pré-sal, substituiu-se a demagogia do biocombustível pela mentira da autossuficiência energética.

É bem verdade que não se chegou à ingenuidade de incluir o Brasil entre os países de níveis sociais aceitáveis. Seríamos uma potência econômica, com desigualdades sociais ao modelo quase haitiano. O emergente, hoje, é o Paraguai.

Dentre outros emergentes, caso da Rússia, África do Sul e Índia, o quadro não é tão diferente. Exclui-se a China pelos motivos especialíssimos que cercam aquele mundão de riqueza e miséria habitando o mesmo espaço.

A China fica fora dessa comparação exatamente por ser incomparável. Uma ditadura de casta estatal, indevidamente chamada de comunista, praticante do capitalismo de Estado. Usando mão de obra sub-humana, de baixo custo, enquanto empanturra o mundo com produtos baratos e de qualidade duvidosa.

A Rússia, que saltou do feudalismo para o bolchevismo de 1917, sem esgotar as fronteiras do próprio feudalismo nem iniciar as relações capitalistas, da previsão de Marx sobre o processo revolucionário de superação dos sistemas econômicos, vive a incerteza de uma economia frágil numa democracia de faz de conta. Saltou etapas, patina nas patas. Potência militar, ainda da herança soviética. Tão corrupta e corruptora quando o Pindorama de frei Coimbra.

O Brasil, semelhante na euforia emergente, difere bastante da China e da Rússia. Não tem um mercado internacional de trocas sequer próximo ao da China, nem a influência política da Rússia.

Levamos algumas vantagens internas. Somos uma democracia consolidada; ingênua e marota, esperta e bocó, mentirosa e corrupta, mas formalmente livre. Só formalmente. Materialmente, ainda estamos longe da liberdade. E a ética, por aqui, é o paraíso dos privilégios. Castas polpudas, à tripa forra, a escarnecerem da miséria reinante.

Não se pode chamar de liberdade material uma realidade onde o poder público não tem autoridade sequer para combater criminosos comuns. Um aparato caríssimo dos poderes constituídos e seus agregados, perdidos na escuridão, no meio de uma briga de foice e bala. Os órgãos de controle só controlam os próprios privilégios.

O poder público vai de foice e a bandidagem de metralhadora. Tráfico de drogas e armas às escâncaras, sem política de prevenção. E a repressão ineficiente.

Pois bem. De emergente para a emergência. O Produto Interno Bruto empacou, encruado na estagnação. Inflação diária. Liberdades públicas só na Lei, sem alcançarem as ruas e as casas.

Potência? Só se o resto do lado rico do mundo empobrecer, chegando a nós.

Demagogia e mentira armam a tenda e se aboletam no poder. Mentem governo e oposição.  A atividade política regrediu no caráter e prosperou no embuste.

Economia, sem rumo.

Segurança pública, um terror. Saúde pública, um tumor. Educação pública, uma lástima. Creio no futuro do Brasil, por ele mesmo, mas não confundo esperança com ingenuidade ou fanatismo.

Té mais.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
sábado - 11/11/2017 - 09:18h
Vazio

Afastar de quê?


Por François Silvestre

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou pedido do Ministério Público Federal (MPF) para afastar das funções o governador Robinson Faria (PSD). Agiu corretamente.

Primeiro, porque o MP é pródigo em pedidos e recomendações sem fundamentação legal. Segundo, porque não se afasta quem já está afastado.

Isso me leva à memória de um episódio de ocupação de uma cadeira na Academia Brasileira de Letras (ABL). Era para ocupar a cadeira de Rui Barbosa.

Um grupo de acadêmicos defendia a tese de que a cadeira de Rui deveria ficar vazia. Outro grupo, vitorioso, discordou e elegeu Osvaldo Orico para ocupar a cadeira.

Agripino Grieco, crítico literário, escreveu: “Nessa disputa, os dois grupos venceram. Os que queriam um acadêmico ali sentado, conseguiram. E os que queriam a cadeira vaga, também”.

O STJ agiu dentro da avaliação do ilustre crítico.

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Categoria(s): Opinião
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