domingo - 21/07/2019 - 09:36h

Alcione, marrom de todas as cores


Por François Silvestre

Bravo.

Sua resposta a esse destemperado, analfabeto e racista Jair Bolsonaro (PSL), só confirma o que eu tenho dito aqui e alhures: Nordestino que se baba de afeto por essa figura ou é masoquista ou tem complexo de jegue.

Com todo respeito ao quadrúpede. Mas, com muita pena dos bípedes.

Valeu, Alcione.

Cantora Alcione:

“Presidente Bolsonaro, eu não votei no senhor e não me arrependo. Eu sou uma brasileira que não torço contra o governo, não sou burra. Eu sei que se torcer contra, estou torcendo contra o meu país. Agora meu pai sempre me dizia, que meu avó já dizia para ele: “QUEM QUER RESPEITO, SE DÁ”. E o senhor não está se dando respeito. O senhor precisa respeitar o povo nordestino. RESPEITE O MARANHÃO. O senhor tem medo de facada, tem medo de tiro, mas o senhor precisa ter medo do pensamento. O pensamento é uma força. Pense em mais de 30 milhões de nordestinos pensando contra o senhor? Comece a nos respeitar. RESPEITE O POVO BRASILEIRO” (veja AQUI).

Uma cantora e artista brasileira que nunca se envolveu em militância política. Sua militância é a da arte.

Mas não se nega a defender sua gente e sua terra, pois é da gente que se é e da terra em que se nasce que nasce em cada um a sua arte.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
quarta-feira - 17/07/2019 - 20:10h
Brasil

Toffoli… Toffoli…


Por François Silvestre

Tofóli-se. Até que enfim uma decisão do ministro Dias Toffoli (veja AQUI), aquele que levou pau duas vezes em concurso para juiz, favorável a alguns investigados aliados dos seus ex-patrões. Pois é.

Dias Toffoli: decisão polêmica (Foto: arquivo)

Ele foi advogado e assessor de Zé Dirceu. Chegou ao Supremo sob suspeita dos tucanos.

Ocorre que Toffoli nunca perdoou Lula e Dirceu por terem-no escolhido após duas desistências de convidados mais credenciados. Nunca.

Porém, agora, nesse imbróglio do Conselho de Administração de Atividades Financeiras (COAF), Toffoli foi obrigado a proteger aliados dos seus ex-patrões. Tudo para salvar seus atuais “amigos”. Quais? Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz.

O pedido foi feito por Bolsonaro e Toffoli atendeu. Ou como diria Floriano Cavalcanti, jurista da terrinha, “Nós ainda guardamos muito dos símios de onde viemos e da sua estrutura, entendeu você, óssea”?

Esse “entendeu você” era um cacoete do mestre.

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Categoria(s): Artigo
segunda-feira - 15/07/2019 - 04:26h
Brasil

Quanto mais promete mudar…


Por François Silvestre

…mais é a mesma coisa. plus ça changeplus c’est la même chose.

É isso mesmo ou pior do que isso. nenhum dos presidentes da “era medieval”, a ser execrada, liberou tantas verbas individuais de parlamentares quanto agora (veja AQUI). Tudo para convencer o patriotismo parlamentar.

O prometedor ridículo de nova política, mais ridícula do que o próprio, não só repete a prática criticada como a esbanja milionariamente comparada com os antecessores.

E ainda por cima inventa nova definição de nepotismo.

Pergunto: Imaginou Lula nomear um filho para embaixador em Cuba?

Dilma nomear o ex-marido embaixador na Bulgária? FHC nomear a esposa embaixatriz na França?

Temer nomear um sobrinho embaixador na Argentina?

Imaginou?

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Categoria(s): Artigo
quinta-feira - 11/07/2019 - 13:14h
A arte imita...

O Júri de Dormentes


Por François Silvestre

Que se espalha da meia grota à chã da Serra do Bonsucesso. Chiquim de Madalena, briguento e perverso, matou a facadas, no meio da rua, o sacristão Pedim de Furtunato.

Clamor na cidade. Inúmeras testemunhas presenciais. Nenhuma dúvida do crime nem da torpeza que o motivou. O assassino fugiu, escondeu-se, mas foi preso. Decretada a prisão preventiva, foi marcado o Júri com data recente, direito de réu preso.

Ninguém duvidava do resultado. O réu informou que não queria advogado, desejava ser julgado só com a acusação. Não pode ser atendido. O Estado nomeou um defensor dativo. Obrigação do processo legal. Defesa não é faculdade do ofensor, é direito indisponível.

O Júri produziu o resultado esperado, 7 x 0 condenando Chiquim de Madalena. Tudo voltou ao normal? Não. A mulher de um dos jurados, conversando no salão da manicure, contou que ela mesma foi à casa do juiz informar que seu marido iria votar pela absolvição de Chiquim.

Disse ainda que o juiz pediu a ela para passar na casa do promotor e dizer a ele que fosse à casa do juiz. Segundo ela, o promotor agradeceu e confirmou que iria imediatamente conversar com o magistrado.

Uma das mulheres que ouviu a conversa, ao sair do salação, foi à casa do defensor dativo de Chiquim. E contou o fato. O defensor foi rever a ata do julgamento e percebeu que o dito jurado foi sorteado e recusado pelo promotor. Único recusado, de todos os sorteados.

Foi o alvoroço. O advogado representou junto ao Tribunal de Justiça, que mandou apurar os fatos. Das investigações ficou o fato comprovado. Até num papel que o promotor distraidamente deixara na sala do Júri, encontrado pela faxineira, constava o nome do jurado com a letra do juiz.

A cidade dividiu-se. Uns queriam a confirmação do Júri. Outros a soltura de Chiquim. Não deu uma nem outra. O Júri foi anulado, o promotor transferido de Comarca e o juiz posto em disponibilidade. Chiquim continuou preso e outro Júri foi marcado.

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Categoria(s): Crônica
terça-feira - 09/07/2019 - 20:22h
"JUSTIÇA"

Subnutrição democrática…


Por François Silvestre

… e raquitismo intelectual. Em qualquer país desenvolvido no mundo de hoje, sem exceção, um juiz que se põe a serviço de uma das partes do processo merece execração jurídica. E mesmo que as condenações prolatadas em sentença venham a ser amparadas em provas robustas, não se afasta o crime processual do juiz. O juiz em sendo parte no processo  é a maior excrescência que um sistema jurídico pode arvorar-se de compor um Estado de Direito.

Devido Processo Legal não é uma adjetivação. Devido aí não é adjetivo. Como se você dissesse o regular processo legal. Não. Devido nessa expressão é particípio do verbo Dever. Isto é, analfabetos fanáticos, a afirmação de que o Estado Deve ao indivíduo um processo legal para poder julgá-lo, absolvê-lo ou condená-lo. Deve, do verbo Dever.

Em sendo transportado esse procedimento processual da Lava-Jato para qualquer país civilizado do mundo, o juiz que se comportasse no modelo do senhor Sérgio Moro, após declarar que nada de mais foi divulgado, mesmo com a ressalva do crime da divulgação, seria preso ou impedido de exercer qualquer cargo público definitivamente.

Na Suécia, Suíça, Dinamarca, Noruega, seria preso. Na Alemanha, França, Espanha, Estados Unidos, Inglaterra, Holanda seria expelido do serviço público, pro resto da vida. Mesmo que os condenados por ele sejam culpados. E em sendo culpados continuem condenados.

Mas a culpa dos condenados não absolve o dolo da delinquência constitucional de um juiz venal. Que negocia a toga por convicção ideológica. Mesmo que não se locuplete do resultado da decisão. Porém, no caso concreto há uma locupletação.

O cargo de ministro de Estado e o acerto de uma vaga na Suprema Corte do país. Suposição? Não. Declaração pública do beneficiário das sentenças do juiz.

O ex-juiz desmentiu o chefe. E o chefe aceitou o desmentido para salvar o auxiliar. E vamos ao Maracanã. Teatro próprio da subnutrição intelectual. Ao teatro de mesmo da ribalta das artes é que não vão…

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Categoria(s): Artigo
segunda-feira - 08/07/2019 - 15:06h
Opinião

O craque da Copa América


Tite é jogado para o alto por jogadores campeões, como ele, da Copa América (Foto: Julio César Guimarães-EFE)

Por François Silvestre

Não foi Messi, não foi Soares e muto menos Neymar. Aliás, não foi um jogador. É o caso inédito de um torneio cujo vencedor não foi um time e sim um técnico. Isso mesmo.

Tite foi o craque dessa Copa, recheada de times medíocres e pobres de futebol. Paupérrimos.

Messi nunca foi craque na Argentina. É craque na Europa. Soares idem, no Uruguai. Quanto a Neymar, esse é uma fraude esportiva. Não é craque aqui nem alhures. É ruim dentro e fora de campo.

Tite conseguiu ser campeão com um elenco sofrível, quase ruim. E ainda deu uma lição de caráter à demagogia oficial de um governo inútil que usa e abusa de eventos populares para salvar-se da própria incompetência.

O presidente parlapatão e seu juiz de toga negociada foram ao Maracanã confirmar a pequenez da dignidade escassa.

Quase indignidade.

Tite os ignorou. E não caiu nas ciladas de quem tentou envolvê-lo, seja na presepada do campo ou na entrevista coletiva.

“Vamos falar de futebol”.

Perfeito!

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Categoria(s): Artigo
domingo - 30/06/2019 - 16:32h

A maçã e seus três paraísos


Por François Silvestre

As mulecas estranharam quando eu disse que vim a conhecer a maçã, pessoalmente, com dezoito anos de idade. Fins dos anos Sessenta, em Natal. É a mais pura verdade.

Eu vinha de três paraísos, no que se refere à maçã, onde essa fruta era proibida. Pelo menos para mim e meus irmãos.

Em Viçosa, só pelas notícias da Bíblia. Em Martins, tão farta de frutas na época, a maçã não fazia falta. Em Caicó, imperava o umbu, ou imbu, e a fenomenal umbuzada.

O Diocesano nunca ousou apresenta a maçã. Éramos adões forçados.

Lembro da primeira maçã. Foi no Mercado da Cidade Alta, aquele que pegou fogo, onde hoje há uma agência bancária. Aquela beleza que eu conhecia por retrato, em livros do primário, ali na minha frente. Era um alumbramento, vinda da Argentina.

Não deu outra. Como tudo que vem das plagas portenhas.

Ao abocanhar na primeira dentada, a decepção. Aquela massa porosa e sem gosto, que lembrava o sabor neutro dos bagos do ingá.

Ainda hoje, prefiro o gosta das frutas dos meus “paraísos” miseráveis. O juá da Viçosa, a jaca do Martins e o umbu de Caicó.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Crônica
sexta-feira - 28/06/2019 - 08:10h
Linguagem

Diarreia de verbos


Por François Silvestre

Vejo agora no Globo News a repórter dizer: “…e aí o Banco Central vai poder conseguir controlar“. Recentemente fui a uma dessas lojinhas de shopping comprar uma bateria de 3 volts. A moça, delicadamente, respondeu: “Lamento senhor, mas nós não vamos estar conseguindo ter“.

Essa diarreia verbal não pode ser influência da lojista sobre a repórter. Não. É influência do nosso analfabetismo televisivo sobre o falar das pessoas comuns.

Além das outras mazelas, esse é o tempo em que mais e mais se fala mal a língua portuguesa. Até entre os poliglotas da televisão. E olhe que poliglota é bicho farto nesse universo televisivo.

Belos rostos cagando verbos, sem fazer digestão dos substantivos.

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Categoria(s): Artigo
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sexta-feira - 21/06/2019 - 20:16h
Reflexão

As virtudes de Bolsonaro


Por François Silvestre

Ele as tem? Sim. São virtudes dele que, mesmo involuntariamente expostas, levam à compreensão dessa figura tosca que é legitimamente presidente de uma república burlesca.

Ele não controla a língua. E se revela. Nem sabe usar a língua e se enrola.

Essa condição em vez de ser negativa é positivamente benéfica, pois expõe o rei nu no tecido inexistente de um governo sem costura. O gaiato é ver pessoas inteligentes tentando remendar os rasgões na estopa dessa tecedura. E essa tentativa expõe inteligentes à fronteira da bobagem, quando não do fanatismo.

Até agora, o “governo” sobrevive apenas da comparação com o passado. Só. Não fez absolutamente nada que o diferencie do mesmo passado que critica. Além de nada fazer pra mudar o azimute da economia, envolve-se em trampolinagens semelhantes ao passado.

Cadê Fabrício Queiroz? É coisa pequena, mas o grande cresce na maturidade do pequeno. E essas negociações processuais do ex-juiz?

Voltemos a Bolsonaro. Todo dia, uma pérola da sua estultice. Nomeações com critérios por ele mesmo questionados. Demissões por ele mesmo informando inimizades internas.

Um governo cujo afeto da cozinha espia com desconfiança os amigos de sala de estar.

Essa é a virtude involuntária de Bolsonaro.

Aplaudamos.

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Categoria(s): Artigo / Política
terça-feira - 18/06/2019 - 07:38h
Brasil

Sem sentido


Por François Silvestre

O anarquismo perdeu o sentido, no Brasil. Refiro-me ao anarquismo filosófico, àquele de Bakunin e Proudhon.Era uma filosofia de esquerda, em confronto ao comunismo. Marx vivia às turras com os anarquistas, tendo conseguido expulsar Bakunin da Segunda Internacional.

Escreveu “Miséria da Filosofia” em resposta ao “Filosofia da Miséria” de Proudhon. Pois bem. Imaginou-se um regime anárquico, sem Estado e sem Governo. Isso perdeu o sentido, no Brasil.

Por quê?

Porque no Brasil o anarquismo instituiu-se com Estado e com Governo. Alás, Estado e Governo são os promotores desse novo modelo de anarquismo. Que faz com que Proudhon e Bakunin se revirem nas suas covas, iradamente.

Devem estar com mais raiva do Brasil do que de Marx.

Somos ou não somos uma anarquia governamental, institucional, jurídica, econômica e política?

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Categoria(s): Artigo
  • Repet
domingo - 16/06/2019 - 07:20h

Uma avó revolucionária…


Por François Silvestre

…e seus descendentes conservadores. Bárbara Pereira de Alencar era republicana e revolucionária. A primeira mulher presa política no Brasil. Presa e torturada.

Meu bisavô, João Antunes de Alencar, filho do Exu, PE, era sobrinho neto de Bárbara. Também nascido na Fazenda Caiçara, onde nascera Bárbara. O romancista José de Alencar era seu neto. Pois bem. João Antunes de Alencar era Juiz de Martins, RN, quando da Proclamação da República, tendo renunciado à magistratura em solidariedade ao Império caído.

Aqui ele ajustou o casamento da sua filha Guilhermina, minha avó Mãe Guilé, com um filho de Bisinha Suassuna.

João Antunes de Alencar, filhos, noras, genros e netos. Mãe Guilé está de luto, viúva, ao lado dele (Foto de família)

O escritor José de Alencar era monarquista, tendo exercido cargos no Império e sido eleito senador pelo Ceará duas vezes, sem que o imperador o nomeasse. Há quem o acuse de escravocrata, mas sua atuação contra o tráfico negreiro, quando ministro da justiça do Império, atenua sem negar essa condição.

O pai do escritor, filho de Bárbara, era padre. Juntou-se com uma prima menor de idade, com quem teve mais de dez filhos. Dentre eles, o autor de “Iracema”, que nasceu em Messejana, CE, quando o atual Bairro de Fortaleza era Município.

Veja parte de um texto na Wikipedia sobre Bárbara de Alencar:

“Bárbara Pereira de Alencar nasceu no dia 11 de fevereiro de 1760 em Senhor Bom Jesus dos Aflitos de Exu, sertão de Pernambuco, na Fazenda Caiçara — pertencente ao patriarca da família Alencar, o português Leonel Alencar Rego, seu avô. Adolescente, Bárbara se mudou para a então vila do Crato, no Ceará, casando-se com o comerciante português José Gonçalves do Santos.[4][5]

A heroína republicana era mãe dos também revolucionários José Martiniano Pereira de AlencarTristão Gonçalves, e avó do escritor José de Alencar.[6][7]

No contexto da Revolução Pernambucana de 1817, foi presa e torturada numa das celas da Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção. É considerada, portanto, a primeira prisioneira política da História do Brasil.[8][9]

Morreu depois de várias peregrinações em fuga da perseguição política em 1832 na cidade piauiense de Fronteiras, mas foi sepultada em Campos Sales, no Ceará. Seu túmulo está em processo de tombamento”.

Esse texto é dedicado a Silvadabanca, na Praça D. José Gaspar, vizinhança da Biblioteca Mário de Andrade, Centro de São Paulo. (Foi do nome dessa fazenda, Caiçara, que tirei a denominação da fazenda de Isaurinha da Caiçara. Em A Pátria Não é Ninguém).

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Crônica
quinta-feira - 13/06/2019 - 14:16h
Povo

A solitária multidão


Por François Silvestre

…”Nada podeis contra a carícia da espuma”/ disse aquele que chamei de o “barbeiro de Lisboa”,/ Eugênio gênio de Andrade./

Quando ouvi de um bêbado/ que a solidão era um luxo/ esnobei./ Tempos de fugas e multidões./

Não fujo mais/ ou fujo de agrupamentos e seitas./ Continuo encantado com as multidões./ Aquelas que cultivam hortas de liberdade./ As mais loucas,/ que a loucura é o alimento da luz.

Nos bares, prefiro-os cheios./ Desconhecidos, de preferência./ A menos que lá estejam Giovana, Felipe, Mariana, Leonardo./ Pela ordem de chegada./ Não no bar,/ na vida. E todos os agregados/ por eles carregados.

A solidão rega plantas,/ fermenta cerveja,/ estuda gestos,/ conhece o silêncio./

E faz barulho/ quando o calar é cumplicidade/ com a estupidez.

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Categoria(s): Poesia
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terça-feira - 11/06/2019 - 10:28h
Opinião

A cascavel mordeu o maracá


Por François Silvestre

Quando uma pessoa ou grupo de pessoas sofrem uma acusação arrimada em provas obtidas legalmente questionáveis, a primeira defesa não é negar o fato ou os fatos, mas desqualificar as provas. Isso é o corriqueiro. Aí os acusadores explicam que a fonte produtora das provas pode ser questionada, mas não desfigura a verdade do que foi apurado. E geralmente conseguem a condenação do acusado.

Isso aconteceu às pencas na Lava-Jato.

Sérgio Moro e Deltan Dallagnol foram alcançados em diálogos que ferem o Devido Processo Legal (Fotos: The Intercept Brasil)

Muitos estão condenados ou presos após inquéritos nascidos desse procedimento, com provas de fontes anônimas ou de vazamento telefônico obtido clandestinamente.

Tudo justificado na louvabilidade dos fins, justificando os meios, por mais patifes que tenham sido.

Agora, a cascavel mordeu o maracá. E os defensores dessa prática, ao sentir o gosto do próprio veneno, usam a mesma tática abusada ontem pelos seus investigados. Não negam o fato nem o defendem juridicamente. Não.

Negam e condenam a obtenção de provas por meio ilícito. Mas o fato é cristalinamente verdadeiro.

Um Juiz orientando investigação, acolitando e sendo acolitado por membros do Ministério Público. Numa aberração que desmonta o Devido Processo Legal. O Processo comporta Partes e Julgador. Acusação e Defesa são Partes.

Devem, por imposição legal, receber o mesmo tratamento do Julgador. E este não pode ter preferências.

Quando decidir pelo direito de uma das partes, deve fazê-lo pelo convencimento a que foi levado pelas provas dos Autos e pelo cotejamento das razões de cada parte, tratadas com a mesma isenção. Nunca por presunção de simpatia ou concordância com uma das partes.

Diferentemente disso, em sendo honesto, o Juiz obriga-se à declaração de suspeição.

É tudo muito ruim nesse episódio.

Uma operação que merece o respeito de todos, tem esse respeito trincado após descobrirmos que todos delinquiram nesse cipoal. Os corruptos públicos, os corruptores privados, os investigadores e os julgadores.

Cada um delinquiu na medida e na dimensão do seu gesto.

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Categoria(s): Artigo
sábado - 08/06/2019 - 16:26h
'Prisidente'

Moeda de latão


Por François Silvestre

Vejo nas folhas que nem o mercado nem o Congresso levam a sério esse estrupício de moeda comum entre o néscio Bolsonaro e o desmoralizado Macri.

Bolsonaro e Macri: Peso Real (Foto: Agustin Marcarian)

Um é o outro em tempos diferentes. Bolsonaro é Macri amanhã.

A pergunta é: O que danado pode ser levado a sério nesse “guverno”. Canclomo, coclomo quem possa responder.

O prisidente acaba de nomear embaixadora do Brasil na Venezuela indicada por Guaidó. Cadê Guaidó? Bolsonaro, o conclomante, guardou?

Fez uma zoada de tambor e mostrou ação de cuíca. Mesmo com Maduro caindo de podre. Sumiu nas mentiras de Trump e Bolsonaro, que lhe garantiram apoio e mijaram na rabichola.

Sem fazer nada, absolutamente nada, até agora, o néscio quer resolver os problemas da Argentina à custa da grana escassa dos brasileiros. Misturar o real, moeda ainda respeitada, com o peso argentino, completamente desmoralizada.

Só um ministro de economia, discípulo filosófico de Olavo de Carvalho, poderia inventar tamanha estupidez. Tudo para mascarar e iludir a realidade da sua incompetência.

Cantado em verso e prosa como salvador da economia, agora diz que tudo depende do Congresso. Ora, se tudo dependo do Congresso qualquer um poderia ser ministro da economia. Até um dos filhos do prisidente.

Em resposta à Dilma, que queria ser chamada de presidenta, Bolsonaro se diz prisidente, pois presidente significa antes do dente. Ou dente presado.

Eita que chafurdo na falta de Stanislaw Ponte Preta.

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Categoria(s): Artigo
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domingo - 02/06/2019 - 07:22h

Ontem com cara de hoje


Por François Silvestre

As eleições presidências de 1945, após a queda do Estado Novo, foram realizadas sob o comando constitucional da Carta de 1937. Essa constituição foi um diploma de inspiração fascista, elaborada por Francisco Campos, que “evoluíra” do positivismo de Comte para o fascismo ítalo-brasileiro.

Ela serviu ao projeto político de Vargas, com o fim da federação e implantação de um Estado unitário. Cuja consecução deu-se simbolicamente com a queima das Bandeiras dos Estados.

Hoje, a diferença é mais de forma e menos de conteúdo. Continuamos a ser uma Federação de mentira, sob o amparo de uma Direita obtusa, que promete ética e entrega hipocrisia; e uma Esquerda confusa, que promete progresso e entrega esmola.

As eleições foram disputadas pelos novos Partidos. O PSD, de inspiração getulista, com sustentação conservadora e base eleitoral no coronelismo e na vida rural. A UDN, de inspiração no liberalismo americano, com força nas camadas urbanas, também conservadora e refratária às transformações sociais.

O PTB, getulista puro, aliava-se ao PSD, assumindo o comando do trabalhismo urbano. Indo do sindicalismo ao peleguismo. Tudo brasileiramente macunaímico.

Pois bem. A Carta de 37 não previa a figura do Vice-presidente. A coligação PSD/PTB derrotou a UDN. O candidato do PSD, General Eurico Dutra, que fora o sustentáculo da Ditadura Vargas, derrotou o Brigadeiro Eduardo Gomes, candidato dos udenistas.

Ocorre que a Constituinte de 46 restaurou a investidura da Vice-presidência. E à própria Assembleia foi delegada, por legitimidade natural, a prerrogativa de eleger o Vice-presidente.

Nem precisa dizer que a briga de foice, na penumbra das conspirações, típicas da nossa formação política, foi deflagrada nas mumunhas do poder. O PSD lançou o nome do Senador catarinense Nereu Ramos, que não gozava do afeto pessoal do presidente Dutra.

Os dissidentes do PSD, sabendo dessa desafeição, conspiraram com os udenistas para derrotar Nereu. Dissidência política, no Brasil, não se dá por amor à pátria. Mas por interesses pessoais. Era assim ontem, é assim hoje.

Esses insatisfeitos procuraram Dutra e informaram que se eles lançassem outro candidato, da ala dissidente do PSD, teriam os votos da UDN e derrotariam Nereu Ramos.

Eurico Dutra, que ouvia muito e falava pouco, ouviu de ficar rouco. Depois falou: “Os senhores não tem o meu aval. Minha orientação é que votem no Nereu”.

Ante a perplexidade dos “dissidentes”, Dutra lecionou:

- “É verdade que eu não gosto do Senador Nereu Ramos. Mas a UDN o detesta muito mais do que eu. Se o Vice-presidente for alguém suave à UDN, ela vai conspirar todos os dias para me derrubar. Se for Nereu Ramos, eu ficarei tranquilo, pois A UDN não vai querê-lo no meu lugar”.

Assim foi feito e Dutra governou sossegado.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
sexta-feira - 31/05/2019 - 06:26h
Eu vi

Alegoria não platônica


Por François Silvestre

Subindo a serra ontem, após audiência em Almino Afonso, na ladeira que dá acesso a Serrinha dos Pintos, para chegar a Martins, vi uma cena de twitter: Um grupo de jumentos, desses abandonados nas estradas, divididos nas duas margens da estrada.

Uns à margem esquerda e outros à margem direita.

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Categoria(s): Artigo
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domingo - 26/05/2019 - 09:20h

O astrólogo de luneta


Por François Silvestre

Sem formação acadêmica, Olavo de Carvalho jacta-se de sabedoria infusa. Autointitulado filósofo, não chega sequer aos pés daqueles filósofos clássicos.

Nem ao umbigo dos filósofos modernos. Exemplo de Platão ou Sartre.

Nesse afã de amealhar seguidores incultos, malestudados, espaçosos e ridículos que infestam as redes sociais, o “mestre” Olavo bate no peito e confessa-se autodidata.

Aí me veio à memória a lição do poeta Mario Quintana: “O autodidata é um ignorante por conta própria”.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
segunda-feira - 20/05/2019 - 15:16h
EUA

Cadê o OCDE?


Por François Silvestre

O gato comeu? Lembram?

Jair Bolsonaro foi aos Estados Unidos, bateu continência para Donald Trump, abriu as pernas, digo portas, para americanos entrarem no Brasil sem qualquer controle, quando e onde quiserem, sem a recíproca para os brasileiros entrarem na terra do Tio Sam. E ainda abriu mão de interesses nacionais na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Tudo para quê?

Para Trump bancar o ingresso do Brasil na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o clube comercial dos ricos.

Bolsonaro deu mas Trump não cumpriu a promessa.

Agora, véspera do encontro desse “clube”, Trump está bancando o ingresso da Argentina e nada disse sobre o Brasil.

Os diplomatas americanos informaram que não receberam nenhuma recomendação sobre o Brasil.

É isso aí.

Trump, que nada tem de besta, percebeu que Bolsonaro é um fã e não um aliado.

Um lírico bocó, pousando de estadista de quintal.

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Categoria(s): Artigo / Política
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domingo - 19/05/2019 - 07:52h

Desgoverno, português e tabuada


Por François Silvestre

Bolsonaro curtiu e repercutiu um texto que afirmava ser o país “ingovernável sem os conchavos”, e ainda afirma que Bolsonaro até agora “não fez nada”.Quando alguém divulga um texto alheio, para deleite de outros leitores, sem contestar o que está escrito, confirma concordância com o que leu. Isso é tão elementar quanto “dois mais dois É quatro”, diria o ministraço da educação, como disse e repetiu em sua fala na Câmara.

Portanto, Bolsonaro concorda que sem cambalacho não pode governar e que nada fez até agora. Se fizer alguma coisa daqui pra frente terá de ser com cambalacho.

Essa é uma confissão pré-paga.

Depois Bolsonaro deixou-se fotografar com garotos de um colégio público.

Após a fotografia, ele aconselhou a garotada: “Primeiro obedeçam papai e mamãe, depois obedeçam os professores, que devem ensinar coisas importantes como português e tabuada”.

Pronto.

Tá explicado o desastre do governo.

Os ministros de Bolsonaro não tiveram bons professores no primário, não aprenderam português nem tabuada.

François Silvestre é escrirtor

Categoria(s): Artigo
quarta-feira - 15/05/2019 - 08:12h
Brasil

O pior tempo…


Por François Silvestre

…é o tempo da piedade.

O da caridade é uma lástima. Cobra esmola, servidão, pequenez humana. Porém, o tempo da piedade deixa o homem na condição de barata. Exposto ao primeiro pé desatento. Ter pena é o pior estágio na relação dos sentimentos.

E quando você tem pena dos inimigos, aí a coisa desce abaixo da moradia dos ratos, que fica no andar inferior das baratas.

O Brasil vive esse estágio. Não sendo fanático, torço pra que melhore. Sem olhar quem comanda.

Mas, quem comanda? Que governo temos?

Gostaria de que houvesse um governo merecedor de oposição. Existe? Não. Existe um simulacro de poder, ou de poderes, de três falácias citadas numa constituição de fantasia.

Há o quê? O que merece o país? Merece pena. Pena. Recitar Unamuno? Fá-lo-ei. Não me doem as pernas, não me doem os braços. Não me dói a cabeça. Não me dói o coração.

É o Brasil que me dói.

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Categoria(s): Crônica
sexta-feira - 10/05/2019 - 20:30h
Opinião

A mulher de César


Por François Silvestre

A Magistratura carrega a maldição da mulher de César. Não basta ser honesta, precisa demonstrar a honestidade. Em tudo. Aqui não se trata de honestidade no alcance financeiro. Não. Honestidade jurídica, mesmo.

Basta um juiz expor-se a qualquer tropeço nos princípios para alguém querer jogar farpas na Magistratura. Até com ex-juízes.

Veja o caso de um ex-juiz que virou governador – Wilson José Witzel (PSC). No Rio de janeiro. Não só defende o uso de armas ostensivamente como autoriza seu uso para tiroteios em público.

Ampliou a seu talante o instituto da legítima defesa prescrito no Código Penal. E não o fez a favor do indivíduo contra os excessos do Estado. Pelo contrário, autorizou o Estado a matar.

Criou a Pena de Morte putativa, invertendo a legítima defesa putativa do Código, quando alguém reage imaginando uma agressão fatal e iminente.

Outro ex-juiz, agora Ministro do Executivo, submete-se a vexames todo dia.

Contrário ao uso abusivo de armas de fogo, silencia numa cumplicidade típica de político profissional. Pra negar ser leitor do Guru de Bolsonaro, justificou ser sua obra muito “densa”. E ponha densa nisso.

Sobre as peripécias do filho do Presidente com Fabrício Queiroz, exatamente no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), declarou “eles já explicaram tudo”. Explicaram a quem?

Nem o MP conseguiu ouvi-los.

O mesmo Coaf que ele quer “sob” seu comando.

Acho que nesse caso ele distingue “sob” de “sobre”. Até aonde vai seu apreço e quanto ele topa pagar, em decepções, no aguardo por uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF)?

Trocou a Magistratura pela Política, lugar onde ser honesto também é obrigação, mas dispensa a ostentação de honestidade da mulher de César.

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Categoria(s): Artigo
terça-feira - 07/05/2019 - 14:46h
Brasil

Maluquice, ignorância ou safadeza?


Por François Silvestre

Esse troca-troca de acusações, agressões e desrespeito público a que chegou o “governo” Jair Bolsonaro (PSL) mostra de forma clara que essa gente não tinha preparo nem pra dirigir um time de futebol. Ou uma escola de samba.

A história nos mostra que o centro-direita é um conjunto ideólogo de defesa do laissez-faire, liberdade de mercado, liberalismo econômico. Possui no seu histórico nomes da mais elevada condição humana. Social democracia no capitalismo.

Mostra-nos também que o centro-esquerda é a fatia ideóloga da generosidade, da repartição, da promoção humana. Resume-se pela denominação de socialismo.

Ainda nos mostra que o centro é a ideologia da esperteza, fiel de uma balança que pesa o oportunismo. Mas, faz parte do jogo e cumpre suas regras.

Os extremos de direita e esquerda se encontram nas duas pontas do círculo, no centésimo octogésimo grau. De antagônicos na pregação, na verdade são vizinhos e cúmplices. Compõem a negação das ideias, pois o fanatismo não agasalha o pensar.

É onde estamos. Um governo eleito com o aval de um povo crédulo, ingênuo e deseducado. Que esperava milagres, desses que os evangélicos da modernidade vendem a torto e a direito. Quando se falava em democracia, na campanha, alguém respondia: “pela ordem”.

Era a palavra mágica da promessa contra a violência. Contra a violência, corrupção, desemprego, insegurança. Nenhum passo foi dado, sequer sinalizado, de que alguma coisa esteja sendo feita nesse rumo.

Só essa zorra ideologizada pelo viés da estupidez. Briga de cães. Pitbulls ou dálmatas enrustidos?

E somos os culpados. Ou como se dizia, no sertão: Quem pariu os maus teus que os balance.

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Categoria(s): Artigo
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