segunda-feira - 06/04/2020 - 15:20h
Opinião

Somos a humanidade?


Por François Silvestre

Essa é uma questão que levantei há tempos. Se nós somos mesmo a humanidade, decorrente da evolução dos nossos ancestrais primatas. Que viemos daí não há dúvida, pois qualquer outra tese levará à explicação criativa pelo sopapo. Faça-se isso e isso está feito. De tão infantil, não trato disso.

Nos últimos cinquenta anos nós evoluímos em tecnologia mais do que nos últimos quinhentos anos. E num compasso dialético nós regredimos em convívio com a Natureza, maltratando-a, nos últimos cinquenta anos mais do que nos últimos cinco séculos.

Essa conta a Natureza cobra.

Quando Edward Jenner, no Século Dezoito, observou na ordenha das vacas, que as mulheres acometidas das mesmas feridas que matavam pessoa na cidade, ao contato com a varíola bovina, imunizavam-se da peste urbana, nascia a vacina, de vacum, vaca.

Era original a descoberta de Jenner? Para o Ocidente, sim. Porém, os chineses há dois séculos antes já haviam descoberto a vacina.

Contra a mesma doença. O que faziam? Trituravam a casca da ferida seca de um doente e sopravam, num canudo, o pó dessa trituração no nariz de um sadio.

Ele estava imunizado.

Mas essa não é a discussão a que me proponho. Repito a pergunta: Somos a humanidade? Cumprimos o papel evolutivo que sacrificou a existência dos nossos ancestrais? Posto que desapareceram para dar lugar a nós. Não somos descendentes dos macacos existentes, descendemos de parentes deles que deixaram de existir para que ocupássemos seus lugares na Terra.

Para a evolução darwiniana, tudo aconteceu num processo natural de adaptação, superação e sobrevivência. Para o conhecimento deísta não fanático, da escola do Pe. Teilhard de Chardin, no seu fantástico Fenômeno Humano, foi assim que aconteceu, evolutivamente, sob a arbitragem de Deus.

A pergunta é: Somos a humanidade? Qualquer delas. A dos deuses gregos, moradores do Olimpo?; dos deuses caldaicos, quando a deusa Istar, do amor, ameaçou Anur, deus do tempo, de suspender por um segundo a sinfonia do erotismo universal?. De Tupã, nosso pobre deus dos Tupis?. A humanidade dos loucos, dos sábios, dos santos, dos gananciosos?

Não. Não somos ainda a humanidade. E nem sabemos se daremos a ela a chance de existir. Nós, pré-humanos, estamos de marcha batida para evitar o nascimento da humanidade que anseia por nascer. Infectamos diariamente o nosso útero. Diferentemente do que fizeram nossos ancestrais, sacrificados para que nascêssemos.

Categoria(s): Opinião
quinta-feira - 02/04/2020 - 07:38h
Crônica

O mundo virou Paris?


Por François Silvestre

Dizia Newton Navarro, pintor de cajus sem travo, poeta de palavras e gestos, que em Paris todos os dias eram Domingo.

Completava aquele verso de Valfran de Queiroz, definindo Paris: “Uma maçã no meio do caminho”.

Pois bem. O mundo virou uma Paris opaca, a negar o apodo de Cidade Luz. Por que essa comparação?

Porque nesse tempo de isolamento, confinamento e distâncias você não sabe que dia é da semana, ao acordar.

Todos os dias são Domingo.

Assim mesmo no singular, posto que são dias igualmente chatos. E o Domingo só é alegre para as crianças. Para os vividos o Domingo é apenas o anúncio da Segunda-Feira.

Agora, nem isso. Porque a Segunda não vem. E da Terça-Feira em diante todos os dias sumiram da lembrança ao amanhecer do dia. E na televisão a novidade é a mesma do dia anterior.

Apelo a Albert Camus, “com tanto sol armazenado na memória como pude apostar no absurdo”?

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Categoria(s): Política
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terça-feira - 31/03/2020 - 07:38h
Da caserna

Os militares


Por François Silvestre

Vejo nas folhas que os militares do governo defendem Bolsonaro. Onde está a estranheza? Normalíssimo. Quem está no governo defende o governo. O militar é um disciplinado por força de lei e por princípio de vocação. A hierarquia militar não permite questionar a ordem superior.

O tenente diz ao sargento: “Abra a torneira e deixe sair água à vontade”. O sargento discorda, mas pergunta: “É uma ordem”? O tenente responde: “É uma ordem”. Aí o sargento abre a torneira e deixa a água perder-se. É uma ordem equivocada, mas não ilegal.

Porém, o regimento militar abre exceção. Quando? Quando diz que o subordinado não se obriga a cumprir ordem manifestamente ilegal.

Dissesse o tenente ao sargento: “Abra a torneira e jogue água até bloquear o trânsito”. O sargento não precisaria perguntar se era uma ordem. Bastaria descumpri-la, por ser manifestamente ilegal.

Uma coisa são os militares do governo, outra coisa são os militares dos quarteis.

Lição não escrita do manual militar: Não tema o que seu inimigo quer contra você, tema o que ele pode contra você.

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Categoria(s): Artigo / Opinião
sexta-feira - 27/03/2020 - 18:16h
Opinião

Fuja da TV – Quarentena televisiva


Por François Silvestre

Ou mude de canais. Onde houver notícias sobre coronavírus, mude. Não há mais nada que não se saiba. É preciso o isolamento? É.

Tudo que já foi dito sobre os cuidados a seguir. Higiene, máscaras, isolamento. Tudo já foi dito sobre os sintomas. E todo mundo já sabe que só deve procurar unidades de saúde com sintomas graves. Mas essa maratona televisiva está fazendo mal. MUITO MAL. Imagine alguém com dor de dente ouvindo o dia todo notícia sobre cárie dental. Ou com dor de cabeça, ouvindo sobre enxaqueca. Ou com diarreia, ouvindo que não coma buchada de bode.Isso tá acentuando para graves sintomas pequenos. Que povinho sadomasoquista. Tudo em nome de audiência e de falsa preocupação com a saúde pública. TERRORISMO televisivo. FUJA. Mude de canal. Tome sol no quintal, na varanda, tome uma pinga, um vinho, uma cerveja e veja esporte na televisão. Eu peguei essa merda.

Controlei bem os sintomas. Mas só comecei a melhorar quando deixei de ver e ouvir esse amontoado de imbecilidades. É uma disputa de putas ignorâncias.

Ouça os médicos. Não os da televisão, que são obrigados a fabricar respostas “inteligentes” para perguntas imbecis.

Faça uma experiência. Continue isolado, mas para de ver noticiários televisivos e veja se você não se sentirá melhor.

Somos todos passiveis de sugestão. Muitos são hipnotizáveis. Esse noticiário massacrante diário é uma hipnose coletiva criminosa. No início prestou serviço, agora presta-se ao sadismo.

Notícia ruim repetida constantemente produz contágio. CHEGA!

Num tem mais ladroagem, nem banditismo, nem falcatrua? Num tem mais mentira politica? Num tem mais falta de saneamento? Num tem mais tráfico de drogas pra noticiar? Tô com saudade de vocês quando eram cretinos sem sadomasoquismo.

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Categoria(s): Artigo / Opinião
  • Repet
domingo - 22/03/2020 - 22:04h

Uma lição para nós, os idiotas


Por François Silvestre

Estou vendo agora na Globo News, neste momento, um festival de estultice que supera a própria ignorância educacional do nosso povo. Todas as recomendações de elementar prevenção são truísmos desnecessários.

A jornalista, jovem e risonha, que fala mais do que o entrevistado, como o faz no programa da tarde, é uma doçura de bobagem. Entrevista um senhor e uma senhora.

Um senhor quase gordo, de óculos intelectuais, professa sobre cuidados. Todos os cuidados que todos tem ouvido diariamente. E diz: “Não passe a mão no rosto”.

É uma lição do carái.

A senhora, de blusa roxa, olhar brilhante, ensina: “fique em casa, leia um livro ou aproveite para escrever suas memórias”.

Pra quem ela está falando? Pra mim não é, que nem quero ler livro nenhum nem escrever minhas memórias de merda, nessa bosta de prisão sem delito.

Deve ser pros habitantes da Rocinha, do Santa Marta, do Caju, Providência, Meyer, o escambau.

O Rio virou espanto/ As pedras que cercam a cidade/ continuam
belas/ mas a cidade cercada por elas/ nem Tanto.

E essa gente patife da televisiva informação deveria pelo menos respeitar a (in) cultura da nossa gente. Porque eles são cúmplices da deseducação estabelecida.

François Silvestre é escritor

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Categoria(s): Artigo
sexta-feira - 20/03/2020 - 08:42h
Brasil

Dois analfabetos ignorantes


Por François Silvestre

Bolsonaro e seu Raimundo Cocada. Bolsonaro nunca leu um livro, não sabe o que é filosofia, nem teologia. Duvida dos movimentos dos astros e não acredita que o homem foi à lua. Eleito, não sabe sair da campanha e mantém o país em pastoril permanente; ele numa barraca, a do Azul, arrematando num leilão maluco e provocando a outra barraca, a do Encarnado, que incompetentemente aceita o jogo bruto.

Seu Raimundo Cocada também nunca pegou num livro. Não acredita que o homem foi à lua, nem que a terra gira. “Tudo mentira. Se a terra rodasse, eu acordava cedinho e pegava café barato quando São Paulo passasse puraqui”. E ainda completa, “A lua né grande não. É do tamãe duma arupemba“.

Ele é um dos últimos, se não o último, que ainda carrega água para casa num jumentinho com ancoretas. Vai todo dia à cacimba, na fonte da Marizeira.

Analfabeto e ignorante, igualmente ao presidente do Brasil. Mas há um adjetivo dessa ignorância aboletado em Bolsonaro, que não habita em seu Raimundo.

Seu Raimundo não é irresponsável. Ele torce por sua barraca, no pastoril da Padroeira. Briga, arremata, desfaz dos torcedores da outra barraca, mas passada a festa, a amizade volta, o convívio normal.

Durante a festa, nem se falam.

Quando informaram a ele sobre essa epidemia, ele passou a levar para a cacimba um pedaço de sabão. Antes de abastecer as ancoretas ele lava as mãos com sabão. quando chega em casa, repete o gesto. E ainda obriga todos da casa a fazerem o mesmo, após acordarem.

Seu Raimundo é analfabeto e ignorante, mas, diferentemente de Bolsonaro, não é irresponsável.

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Categoria(s): Crônica
  • Repet
domingo - 15/03/2020 - 20:31h

Fuja dos extremos


Por François Silvestre

Promover aglomerados, num momento de cuidados sanitários, em que se pode espalhar doenças, seja por vírus ou bactérias, é um extremo. Um extremo irresponsável e criminoso.

Ponto.

Impedir reunião de pessoas assintomáticas, em escolas, clubes ou ambientes abertos, impedindo aulas ou trabalho, é um extremo. Um extremo paranoico e promotor de pânico.

Fuja dos dois.

O primeiro extremo fere a saúde pública. O segundo, fere a sobrevivência pública.

As pessoas precisam aprender, trabalhar, transitar. Nenhuma doença é mais grave do que a incapacidade de sobrevivência.

Se você não sobrevive sem salário, sem trabalho, sem escola; pra que sobreviver à doença e morrer de fome?

Disse um líder chinês na metade do Século passado: “O capitalismo é um tigre de papel”. Pois é.

Taí o celofane se rasgando.

E vem da China a rasgação do tigre.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
sexta-feira - 06/03/2020 - 16:28h
Brasil

Bazar de ilusões


Por François Silvestre

É uma quermesse que a política usa e abusa e sempre encontra freguesia. Agora mesmo alguns produtos foram vendidos, com defeitos de fábrica, e os consumidores só podem lamber os dedos. Ou escovar a raiva. Isto é, os que acreditaram.Primeiro produto: Reforma trabalhista.

Vendida como panaceia para resolver o problema do desemprego, desafogar o empregador e garantir direitos dos empregados. Kkkkkkk. O desemprego continua nas alturas, a informalidade disparou, o empregador continua falindo e o trabalhador jogado à incerteza.

Reforma previdenciária: Promessa de alavancar a economia, reduzir o deficit previdenciário e garantir segurança aos segurados. A economia patina feito vaca em lama, o deficit previdenciário não deu sinais de recuperação e a insegurança dos segurados disparou. Virou zorra, com aposentadorias e benefícios encalhados na burocracia e burrice oficiais. Cegos em tiroteio.

Câmbio flutuante e liberalismo financeiro. O dólar disparou, o ministro diz que é bom, mas o Banco Central torra reservas para segurar a moeda, que continua subindo. O Banco Central desmente o ministro e a moeda caga para o Banco.

O PIB virou foguete de quintal, subiu meia parede e nem vê o outro lado da rua. Qual a saída? Vender novos produtos:

Reforma tributária e Reforma administrativa. São as novas ilusões da quermesse.

Na primeira vão criar novos impostos, dizendo que abolirão os velhos. Papo. Virão os novos e os velhos ficarão. Na segunda vão prometer fim de privilégios e melhoria de serviços. Papo.

Os privilégios continuarão intocáveis, os pequenos serão punidos e o serviço público continuará uma porcaria. Tudo como dantes, no quartel de Abrantes. Sem precisar de Napoleão invadir Portugal.

Aposta? O PIB é o do público ou da privada?

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Categoria(s): Artigo
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domingo - 01/03/2020 - 20:10h

O fanatismo e a idade


Por François Silvestre

Na juventude, o fanatismo pode ser ingenuidade ou lavagem cerebral.

O da ingenuidade se cura com o amadurecimento.

O da lavagem cerebral se gruda à mente feito tatuagem, e deságua no fundamentalismo.

É assim o fanatismo da mocidade.

Na idade adulta, o fanatismo nasce decorrente da esclerose intelectual. Não tem cura.

O único jeito é evitar o contato, que não produz contágio mas enche o saco…

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
sexta-feira - 28/02/2020 - 19:40h
História

Ainda sobre militares


Lott: candidato derrotado (Foto: arquivo)

Por François Silvestre

Pra se ter uma ideia da politização nas Forças Armadas, até a década dos anos sessenta, basta observar o quadro eleitoral da redemocratização após o Estado Novo, não houve uma eleição presidencial, de 1945 a 1960, em que não estivesse na disputa um militar general.

Em 1945, foram dois. O General Eurico Dutra contra o Brigadeiro Eduardo Gomes. Brigadeiro é o general da Aeronáutica. E só nessa eleição ganhou um militar. Dutra.

Em 1950, novamente o Brigadeiro Eduardo Gomes disputou a Presidência, tendo sido derrotado pelo ex-ditador Getúlio Vargas.

Em 1955, o General Juarez Távora foi o candidato da UDN, tendo sido derrotado pelo candidato do PSD, Juscelino Kubitschek.

Em 1960, o candidato do PSD foi o General Henrique Teixeira Lott, que foi derrotado por Jânio Quadros.

Depois disso, veio a escuridão. Vinte anos de Ditadura, com a presidência transformada em carreira militar.

Leia também: O quartel não me assusta.

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Categoria(s): Artigo / Política
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quinta-feira - 27/02/2020 - 06:44h
Opinião

O quartel não me assusta


Por François Silvestre

(Texto dedicado aos amigos irmãos Alex Medeiros e Honório de Medeiros)

O que me assusta é ler opinião de amigos de bom caráter, de boa instrução, convalidar essa estultice bolsonariana.

O quartel eu conheço. Servi no Exército, sou reservista de primeira categoria. Recruta e preso político no mesmo quartel onde servi. No Regimento de Obuses, ali nas proximidades de Santos Reis. E ali fiz amizade com oficiais que me prenderam, com sargentos, com recrutas.

Alguns ainda encontro vez ou outra, muito raramente. Também fui preso no 16/RI, ali na Hermes da Fonseca.

Esse Exército ao qual servi não era um. Eram dois. Um, vindo dos anos Vinte, à esquerda, liderado por Estilac Leal. Outro, à direita, sob a orientação de Canrobert Pereira da Costa.

O de Estilac, mesmo após sua morte, apoiou os governos democráticos da redemocratização. O outro, de Canrobert, à direita, aliou-se ao lacerdismo para golpear a decisão das urnas. E viveu de golpes. E quando chegou ao poder, sem golpe, com Jânio Quadros, frustrou-se com a renúncia do maluco que apoiara. Pois é.

De quartel entendo.

E o Exército de hoje não é um clube militar com vocação política. Nem politizado como os liderados de Estilac e Canrobert. Tenentes dos anos Vinte, coronéis dos anos Quarenta e generais dos anos Cinquenta.

Há uma lição militar fundamental. O que diz?

Não tema do seu inimigo o que ele quer contra você, tema o que ele pode. E os militares nada podem contra a Democracia. Ponto.

Os de pijama tossem. Os dos quarteis não se metem nessa aventura.

As Forças Armadas merecem respeito. E o respeito merecido decorre do respeito à Democracia.

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Categoria(s): Artigo
segunda-feira - 24/02/2020 - 18:22h
Opinião

A lição do Carnaval


Por François Silvestre

As ruas estão cheias. Onde chove ou onde não chove. Em todas as cidades a festa do povo derrete em cinzas a máscara da hipocrisia.

O Brasil tem tão poucos evangélicos assim?

Pergunto porque com tantas igrejas fanáticas, vendendo milagres, era de se esperar um país recolhido ao retiro. (aqui, excluo da crítica os evangélicos luteranos, das igrejas protestantes que merecem meu respeito, trato das “igrejas” empresas da picaretagem dos Malafaias, Edir Macedo, Romildo Soares, Valdomiro e et caterva.)

Mentiram. Tem retiro nenhum.

Ou “evangélicos” de mentira no meio da esbórnia. Onde estão os evangélicos do poder? Farreando nos escombros.

Quantos blocos ou movimentações de ruas são movidos por “artistas” vinculados ao fascismo? Ou ao humor? Quantos? Nenhum.

Por quê? Porque o fascismo não tem graça.

É uma nojeira fantasiada de ordem, de sossego, de união. Sem ordem legal, sem sossego pessoal, sem união social.

Isso é o fascismo.

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quarta-feira - 19/02/2020 - 10:14h
Brasil

Que governo?


Por François Silvestre

Primeiro foi o Moro. Disputando prestígio com o chefe, gerou ciúmes no chefe, teve quase pra sair. Aí um dos generais pijamados do governo alertou o chefe: “se o Moro sair o governo acaba”.

Agora foi o Guedes (veja AQUI). Disputando com o chefe quem diz mais asneiras, besteiras e achincalhe, e sem saber o que fazer com a economia, quase se desfenestrou. Aí alguém lhe disse: “se vocês sair o governo acaba”.

Tá ou num tá um moinho de moer piadas?

Como danado pode alguma coisa que não existe acabar. Só acaba o que existe. Não há governo. Há um bando destrambelhado de analfabetos em educação, economia, meio ambiente, relações públicas, diplomacia e o escambau usufruindo do poder na condição de inquilinos de uma massa falida.

A coisa tá tão avacalhada que até um juiz federal, encarregado de julgar políticos corruptos, aparece pinotando num camarote momesco com o “presidente” da república. E os chefes dos outros poderes ficam de bico calado ou com o rabo entre as pernas, feito cão guenzo em casa caiada.

A irmã da rapariga do cabo tem mais compostura do que o “presidente” da república. E os acólitos formam a troupe mambembe de uma burlesca encenação de horrores.

A comparação remete a um fato ocorrido em Patu, meados do século passado, quando um pequeno circo acampou na cidade. Os meninos que acompanhavam o palhaço na divulgação da função recebiam uma marca de tinta no braço, era o ingresso gratuito.

À noite, o porteiro, que era o palhaço, identificava cada um para permitir a entrada. Nisso, chega uma jovem e tenta entrar sem o ingresso. O porteiro avisa que a entrada é paga. “Eu num priciso pagar”.

Indagada por que, ela responde: “Sou irmã da rapariga do cabo”.

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Categoria(s): Artigo
quinta-feira - 06/02/2020 - 19:38h
Reflexão

Ouçam Lobão


Por François Silvestre

Não sou ouvinte musical de Lobão. Aliás, em matéria de audição não tenho ouvido nem os compositores do meu agrado. No carro, na estrada, prefiro o silêncio. E em casa também. Sem paciência para o ruído. Mesmo de belas canções.

Lobão foi voz isolada (Foto: Keiny Andrade/UOL)

Lobão nunca compôs belas canções, para meu gosto. Mas acompanhei sua trajetória de infância complicada e mãe dominadora. Seu rompimento com a timidez aguda não deixou que virasse crônica. E saiu do casulo para o confronto.

Rompeu com admirações antigas. Brigou com ídolos estratificados, intocáveis. E não poupou ninguém, nem estabeleceu limites nesse rompimento.

Foi voz isolada inicialmente, depois apareceram outros. Tudo muito tímido. Menos ele, que trocou a timidez pelo escracho. E escrachou abertamente.

Agora, após a vitória da escuridão, Lobão acende uma chama. E chama a atenção para o obscurantismo estabelecido. Com a isenção e a insuspeita de ter apoiado o poder agora estabelecido.

Não é petista, não é de esquerda. Exatamente por isso sua fala vai causar estrago no miolo do fascismo.

Ouçam Lobão.

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Categoria(s): Política
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domingo - 02/02/2020 - 10:14h

Um dos melhores romances potiguares em oportuna reedição


Por Tácito Costa

Não poderia haver momento mais oportuno do que o atual para a reedição de “A pátria não é ninguém”, do escritor François Silvestre. Não apenas porque o livro está esgotado e tenha intrínseca qualidade, mas, sobretudo, devido a tenebrosa conjuntura política brasileira, que faz com que tudo ganhe assustadora urgência.

A primeira edição veio a lume em 2002, pela saudosa Editora A.S Livros, e foi muito bem recebida por críticos e leitores. A leitura causou-me forte impressão à época. É livro obrigatório em qualquer antologia ficcional que se faça no Rio Grande do Norte. Eu, que conheço relativamente bem a literatura potiguar, o coloco sem medo entre os dez melhores.

Com projeto gráfico primoroso (a capa, linda, é de Raíssa Tâmisa), a nova edição sai pela editora Sarau das Letras. Tem apresentação do escritor, crítico e integrante da ANL (Academia Norte-rio-grandense de Letras), Manoel Onofre Júnior, e prefácio do escritor e editor Clauder Arcanjo.

“Esta obra, no meu modesto entender, afigura-se importante pelo seu caráter de documento – painel das trevas – mas também pelos aspectos formais, reveladores de um artesão da palavra, no pleno domínio do seu ofício”, afirma Manoel Onofre Jr.

Em seguida, ele comenta a estrutura da obra: “A ação romanesca desenvolve-se em três planos distintos, sem preocupações de ordenamento cronológico: 1- os horrores da era Médici; 2 – a distensão ‘lenta, gradual e segura’, vale dizer, a ditadura agonizante; 3 – a infância sertaneja do narrador, no sertão pernambucano.”

“Neste livro de François Silvestre, os capítulos narram acontecimentos entre 1977 e 1982. Entrelaçados com intersecções, nem sempre em ordem cronológica, num intrincado tecido de memória, relato-reportagem e ficção”, escreve Clauder Arcanjo.

Ainda no prefácio, Clauder alerta o leitor que não irá encontrar somente “a reportagem de um período em que o medo imperava, e a tortura mostrava suas garras e sua fúria covarde nos locais eleitos pelos militares golpistas e seus áulicos-babões pra debutar maldades em cada vez mais desumanas maquinarias e procedimentos. Haverá de encontrar isso, mas verás, também que François não foge à luta de narrar tudo como uma crônica de época, madura e inventiva”.

Por decisão do autor não haverá lançamento desta nova edição de “A pátria não é ninguém”. O livro está à venda na Livraria Independência, em Mossoró, e na Cooperativa Cultural, no Centro de Convivência, da UFRN.

Senti uma vontade enorme de relê-lo, o que farei depois de acabar “Os irmãos Tanner”, romance de outro craque, o suíço Robert Walser.

Tácito Costa é jornalista e escritor

Categoria(s): Artigo
domingo - 02/02/2020 - 06:32h

Hoje não é um palíndromo…


Por François Silvestre

..é uma capicua….é uma capicua. A combinação de palavras que podem ser lidas de trás pra frente e frente pra trás é um palíndromo. Quando essa combinação se dá com números é uma capicua.

Isso não me motivou pelo fato do 02/02/2020 (hoje, domingo). Não. Mas por conta de algumas discussões no mundo restrito onde eu navego na net, com poucas e selecionadas pessoas, e veio-me a lembrança de um belo e estranho romance.O Avalovara de Osman Lins, que me foi presenteado por Vicente Serejo, após eu lhe pedir o presente. Ele viajara e eu pedi o livro. Aliás, esse adjetivo estranho ao romance foi dele.

Pois bem. Osman Lins começa o livro partindo de um quadrado e uma espiral. O quadrado é formado por cinco palavras sobrepostas, uma em cima da outra. De onde sai uma espiral infinita.

São cinco palavras do latim arcaico. Sator/ Arepo/ Tenet/ Opera/ Rotas. Ponha essas palavras, cada uma sobre a outra, que formam um quadrado. E você vai lê-las de todas as formas.

De baixo pra cima, de cima pra baixo, da direita pra esquerda, da esquerda pra direita. Há uma discussão acadêmica de que a palavra Tenet foi um arranjo. Bizantinice. Ela consta da linguagem primitiva latina na atividade agrícola.

O significado delas também acolhe várias versões. Porem, o sentido acaba dando no mesmo leito. Que é: O condutor mantem o arado nos sulcos que ele escolhe. É o domínio de quem conduz sobre o conduzido.

Esse enigma foi proposto por um escravo, desafiado por seu amo, que lhe daria a liberdade caso não o desvendasse. Não o desvendando, o senhor do escravo convenceu outra escrava a conquistar o colega. Apaixonado, ele contou o segredo do enigma à amante.

E ela entregou a descoberta ao amo. E o escravo genial perdeu a liberdade por uma noite de amor.

Mas eu falava de quê? ah! Palíndromo e capicua.

François Silvestre é escritor

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sábado - 01/02/2020 - 19:38h
Violência

Segurança é mentira oficial


Por François Silvestre

Diz o governo federal que é mérito seu a redução da criminalidade no BrasilMentira. Não é culpa do governo atual essa violência mas é sua responsabilidade a continuação dela.

Diz o governo estadual que reduziu a violência no EstadoMentira. Não deu causa, mas é ineficiente no combate à mesma. Mentem os dois governos. A “redução” ou diminuição de atos violentos dá-se por várias causas, e nenhumas dessas causas têm nos governos o protagonismo alardeado.

O acirramento ou redução da violência cumpre um ritual de fluxo e refluxo, com determinantes fora do controle oficial. O único controle oficial eficiente é o jogo de números e estatísticas.

Da mesma forma como manipulam dados de inflação e outas mogangas. Algumas prisões emblemáticas, transferências de presos, brigas internas de facções, táticas do estado paralelo, mortes de alguns bandidos, isso tudo produz uma redução momentânea da violência.

Só momentânea. Por quê? Porque não se vislumbra uma política de inteligência policial eficiente. Nem ações preventivas que evitem a sua deflagração.

A exemplificação empobrece o raciocínio abstrato, mas às vezes ela se impõe. Ontem estouraram a agência do Banco do Brasil em UmarizalA terceira vez. Quantos dos assaltantes das duas vezes anteriores foram presos? Quem assaltou? Ninguém sabe. Sabe-se que foram os mesmos. Só pode ser.

A próxima será Martins. Falta um assalto pra empatar com Umarizal. Quem estourou duas vezes a de Martins? Ninguém sabe. Sabe-se que foram os mesmos. Hoje, a estrada de Pau dos Ferros deve estar cheia de policiais revistando carros e pedindo documentos.

A bandidagem estoura o banco e a polícia no dia seguinte estoura a paciência das pessoas comuns, que trafegam nas estradas por onde os bandidos trafegaram tranquilamente no dia anterior. Onde está a mão oficial na redução do violência?

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segunda-feira - 23/12/2019 - 09:34h
Reflexão

Rio, do verbo rir…


Por François Silvestre

Não posso evitar, e rio. De rir e não de Grande do Norte ou de Janeiro. Mas é engraçado. Notícias do ocorrido são seletivas, dependendo da opinião do noticiante. Jornalismo? Pode ser, pois tudo agora pode ser.

Queiroz aconteceu, Flávio 01 também. Até pescaria em angra, coisa de rico. Num lado, alarde, mais que notícia. No outro, silêncio, ignorando a notícia.

Noticia-se a possível candidatura de Moro. A prefeito? Não. Vereador? Não. A vice-presidente.

Mas a próxima eleição é para presidente? Não. Só daqui a três anos. Pois é. Bolsonaro lança Moro provável candidato a vice, pra daqui a três anos, e vira notícia. Futurismo do fanatojornalismo.

Desvio de atenção do real. Papa na boca dos bestas. Mesmo assim, rio.

Nem do Norte, nem do Mês. do verbo rir de como riem as hienas.

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domingo - 15/12/2019 - 09:10h

Fora do casulo… Greta Thunberg


Por François Silvestre

É um sopro de brisa na escassez do vento.

Uma luz de lamparina no fogão sem lenha.

Um cantar da mãe-da-lua no silêncio da madrugada.

Um ranger de carro de boi, após a morte dos bois.

Um olhar de incômodo na cegueira do tempo.

Uma pirralha que ralha e incomoda o canalha.

Um desassossego tão novo futuca o sossego dos velhos.

Um rosto suave incomoda o focinho da pústula.

Uma casca de vida chafurda a ferida do pus.

Não foi lagarta, nem morou no casulo,

É borboleta nascida no coito da paz.

Uma menina da idade da terra, faz-se Universo mais velha que ele.

E brilha e brilha… estrela cadente.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Poesia
segunda-feira - 09/12/2019 - 20:50h
Passado e presente

Resultado do Pelourinho


Sérgio Camargo: polêmica (Foto:Web)

Por François Silvestre

O sujeito nomeado para a Fundação Palmares – Sérgio Camargo (veja polêmica AQUI) – disse que a escravidão foi uma coisa triste, só isso, triste, mas foi muito boa para os descendentes africanos nascidos no Brasil. “Nós somos mais felizes do que nossos irmãos filhos de livres na África”.

Tá qui pariu.

Isto é, “se meu bisavô foi torturado e minha bisavó foi amarrada nua no pelourinho, surrada com cipó de boi na presença do meu avô adolescente, foi triste.

Mas eu vivo melhor do que se tivesse nascido na África”.

Sacaram?

Que os avós e bisavós tenham se fodido é apenas triste, mas o resultado foi bom.

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Categoria(s): Artigo
  • Repet
segunda-feira - 02/12/2019 - 18:38h
Brasil

Ovo chinês


Espetinho de ovo; que delícia! (Foto: Web)

Por François Silvestre

A China Comunista, de partido único, põe o capitalismo ocidental de joelhos. E caga na cabeça de Trump e dos bajuladores do Tio Sam.

Agora mesmo abocanhou a carne bovina brasileira, e a classe média capitalista do Brasil vai se virar no franco com ovo.

Ocorre que a Arábia Saudita vai comprar frango do Brasil. Então a classe média capitalista brasileira vai ter de comer galinha. E sem galinha, não terá ovo.

O jeito será o criadouro de galinha chinesa. Encher os terreiros e as granjas dessa espécie pequenina de galináceo. Não dá pra comê-las porque são minúsculas, mas com dez ovinhos chineses faz-se um omolete para uma pessoa.

É só uma questão de paciência. E paciência é o que pede o Guedes.

Classe média longe dos açougues, dólar nas alturas e gasolina a preço de ouro. Turismo para o exterior? Dê por visto. Vinhos importados? Dê por visto.

Champanhe? Nem pensar. Bacalhau? Só se for sahite ou traíra escalada. O jeito, em Natal, é procurar os herdeiros de Bastos Santana e encomendar uma cesta de natal São Cristóvão.

Né não, Simonal?

Hein, Giliard?

E aí em Mossoró, como vão os capitalistas?

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Categoria(s): Artigo
segunda-feira - 02/12/2019 - 09:36h
Política internacional

Não interessa a cor do gato


Por François Silvestre

Teve de tudo, até agora, a decantada “amizade” de Trump com Bolsonaro.

Teve continência do capitão de Pindorama para o general do Tio Sam.

Teve até um “I love you” de Bolsonaro para Trump, cujo registro em público acentuou o ridículo.

Em justificativa, o capitão cantou vantagens. O Brasil seria incluído no clube fechado dos países com privilégios econômicos. Não foi. Inclusive assessores de Trump informaram que Bolsonaro mentiu, pois Trump nunca prometera tal prestígio ao capitão.

Agora, fedeu.

Trump restabeleceu as taxas tarifárias de aço e alumínio contra o Brasil e a Argentina. Trump acusou os dois países de desmoralizarem as próprias moedas. O que produz, segundo ele, prejuízo para os americanos.

Para Trump os presidentes do Brasil e Argentina merecem o mesmo tratamento; isto é, desprezo.

Tudo papo.

Esse é mais um estrago que a China impõe aos capitalistas desse lado do mundo. Para Trump quem se chega à China magoa o Tio Sam. Para a China “não interessa a cor do gato, interessa que ele pegue o rato”.

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Categoria(s): Artigo / Política
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