quarta-feira - 22/09/2021 - 09:40h
Política

Covid fake?

Por François Silvestre

É possível.

Bolsonaro e sua trupe promoveram em Nova York um festival grotesco, burlesco de fazer inveja à bufonaria francesa do Monsieur Pujol. Aquele que lotava os teatros para exercer o talento de executar instrumentos pelo controle da flatulência. Do ânus saiam os sons que ele queria.

Foi um festival de mentiras e presepadas. Destaque para o ministraço da “saúde” (veja AQUI). Estirar o dedo foi o de menos. Esse seu dedo está estirado há muito tempo para o povo do Brasil. O mesmo dedo de Pazuello.

O mais grave? A suspeita de que ele não contraiu Covid. Isso mesmo. Tudo uma armação para uma quarentena conveniente, que o livrará da CPI, no momento em que naquele palco do Senado os pujóis do governo estão sem vento suficiente para o exercício da bufonaria.

No circo de Bolsonaro a rede é dispensável, posto que o trapézio é de mentira e os trapezistas apenas bufões.

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Categoria(s): Artigo / Política
segunda-feira - 20/09/2021 - 11:18h
Piada de brasileiro

A vacina de Bolsonaro

Por François Silvestre

Até a demagogia, em Bolsonaro, é uma farsa. Bolsonaro e seus acólitos, que também são discípulos obedientes, os fardados e os à paisana, comeram pizza no meio da rua, ou melhor, numa calçada da própria pizzaria. Garoto da gargalhada que viralizou na net

Por quê? Porque nos restaurantes de Nova York você só pode entrar se provar, com atestado próprio, que se vacinou contra a Covid. Ocorre que Bolsonaro tinha o atestado de vacina. Mas, quando o exibiu, o gerente observou que o atestado não era da vacina contra a Covid.

Era contra aftosa. Aí, não serviu, e eles foram comer na rua. A cena, inclusive com o Ministro da saúde, é de uma patetice que justifica aquele diálogo de um brasileiro, amigo meu, com um português, no centro de Lisboa. Perguntou o brasileiro: “Por que vocês portugueses não fazem piadas com os brasileiros”? O portuga respondeu: “E precisa”?

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Categoria(s): Crônica / Política
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sexta-feira - 17/09/2021 - 09:00h
Crônica

Dotô Queiroga…

Por François Silvestre

...sabe tirar um bicho de pé?

Tenho cá minhas dúvidas. Médico feito nas coxas, caráter duvidoso e agora, comprova-se, cão de fila do genocida.

Ministro da Saúde do Governo Jair Bolsonaro, médico Marcelo Queiroga (Foto: Agência Brasil)

Ministro da Saúde do Governo Jair Bolsonaro, médico Marcelo Queiroga (Foto: Agência Brasil)

Faz uma leitura distorcida (veja AQUI) de uma orientação da OMS, Organização Mundial da Saúde, e tem a cara de pau de declarar que “segui uma orientação do presidente Bolsonaro, preocupado com o futuro do Brasil”. Puta que pariu!.

Um médico medíocre seguindo orientação do “cientista” Bolsonaro. O estrupício capitão nunca leu nada sobre nada, imagine orientar sobre saúde pública ou vacinação.

O OMS orientou o seguinte: Onde a vacinação para idosos ou portadores de imunodeficiência estiver atrasada, deve-se dar prioridades a estes, e adiar a vacinação de adolescentes. Isso. O que interpretaram o capitão cientista e seu tirador de bicho de pé? Que não se deveria vacinar adolescentes. Bandidos, o capitão e seu dotô.

Engraçado, ou desgraçado, é que para distorcer uma orientação da OMS, eles se valem da credibilidade da OMS. Quando a mesma OMS disse que era criminosa a informação de eficiência da cloroquina para combate ao Covid, eles ignoraram e desrespeitaram essa orientação.

Qual dos dois é mais cretino? O cientista capitão ou o médico de fragata? Pusilânimes! E o país despencando, feito bananas maduras de bananeira abandonada.

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Categoria(s): Crônica / Opinião
domingo - 05/09/2021 - 12:48h

Ode ao dia

Por François Silvestre

As décadas são das crianças/ os anos, dos adultos./

Os meses são dos devedores./ Isso mesmo, somos todos devedores./dia, sol, luminosidade

Não há credores na vida./ Até os ricos, que nada devem aos seus, devem à vida./ E ela cobra./ E a promissória é a quitação da morte./

As semanas são invenções,/ com os atropelos das Segundas/ e as ilusões dos Sábados./ Nada mais que isso./

Sobram os dias./ E quem viveu tão ilusoriamente pouco/ chegando aos Setenta/ só se aboleta na tenda dos dias./ Não mais pra viajar/ ou adiar sonhos,/ apenas e a valer a pena, esperar o nascer de cada sol./

O dia não é só do sol./ É dele e da lua na noite./ Os dois completam o dia./ Ele nasce cedo, frio, e apressadamente esquenta./ Sem sequer esquentar a esperança da demora./ A lua, matreira, tem fases./ Some, novilúnia, após minguar,/ depois cresce, suave,/ e se enche de luminosidade falsa,/ como sói ser falsa toda luminosidade./ Plenilúnio da ilusão./

Sobra a tarde./ O último e único momento honesto do Dia./ O sol descambando no poente,/ o chumbo das nuvens no nascente,/ e a semelhança do ocaso/ com a dívida da vida. Viva o dia!/ O único tempo do calendário/ que dispensa medição do tempo.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Poesia
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domingo - 29/08/2021 - 04:12h

As alternativas do bufão

bobodacortePor François Silvestre

Com olhar de possesso, aquele jeito ocular de louco, o presidente de nada, Jair Bolsonaro, num discurso em Goiânia, disse que tinha três alternativas: “Estar preso, ser morto ou vitória”.

Bufa, bufa, bufa. Preso, agora, não será. Mas tem muita chance de o ser num futuro não muito distante. Crimes contra a humanidade ele vem praticando continuamente, e contra a Democracia também. Família de milicianos, ricos à custa do erário, pois não há riqueza lícita com salários públicos, com filho mais velho comprando mansão de quatorze milhões, declarando a metade na escritura, com filho mais novo alugando mansão de quinze mil reais de aluguel, tendo a mãe do pimpolho uma renda legal de sete mil.

Riqueza com salário público é corrupção. Salário público, por melhor que seja, no máximo produz boa vida. Riqueza, nunca. E eles são todos ricos, sem nunca terem produzido nada, nem auferirem renda com atividade privada.

Morto? Não! precisa continuar vivo. Com olhar de louco e arrotando ameaças todo dia que Deus dá. De manhã, diz que à tarde vai arrebentar. De tarde, diz que será à noite. De noite, promete derrubar tudo na manhã seguinte. O que acontece? Nada. Bufa, bufa, bufa. Late, late, late e mostra mordida de cão banguelo.

Precisa continuar vivo para pagar pelos delitos. O país entregue ao desgoverno, sem qualquer medida eficiente na saúde, na educação, na segurança e a economia em disparada para o abismo. E não se cuida de nada na administração. Só de golpe e ameaças.

Vitória? Vai levar uma traulitada eleitoral muito maior do que levaram seus aliados nas eleições municipais passadas. Ele sabe disso. E tem pavor das urnas. Estivesse confiante em vitória, seria outro o comportamento. Estaria bem humorado, deixando ao sossego seus idiotas fanáticos. Não.

Está convocando os malucos da sua gangue ao desassossego da desgraça. E a cada um que vai caindo, ele vai abandonando. Tá nem aí pros seus idiotas decaídos. Ele é só ele e seus pimpolhos no ninho do próprio serpentário.

Vitória? Nem a régia…Vai engolir a régua da derrota. Escorraçado!

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Crônica
quinta-feira - 26/08/2021 - 15:34h
"Democrático"

O erro de Sérgio Reis…

Por François Silvestre

…que eu também cometi.

“Eu sou democrático”. Disse Sérgio Reis, ou rês, maltratando a “última flor do Lácio”. mas, não posso esquecer que também cometi esse erro. Quando e onde? Meados de 1964, tempos de internato no Ginásio, depois Colégio Diocesano Seridoense, em Caicó.

O cantor Sérgio Reis vive sérios problemas após fazer propagação de ideias antidemocráticas (Reprodução BCS)

O cantor Sérgio Reis vive sérios problemas após fazer propagação de ideias antidemocráticas (Reprodução BCS)

Foi o seguinte. Havia um jornalzinho na cidade, A Folha, se não me trai a memória, que me pediu um artigo sobre o “novo” regime implantado no Brasil, já no governo Castelo Branco. O pedido foi feito por Paulo Celestino, um dos dirigentes d’A Folha. E o artigo foi publicado.

Um texto ingênuo, inculto, de adolescente. Porém, falando mal do golpe militar e defendendo a Democracia. Lá pras tantas eu escrevi, “digo isso porque sou um democrático”.

Padre Tércio entrou na sala de aula, de olho aboticado para mim, trazendo o jornal e o abriu na mesa. Apontou pra mim, depois colocou o dedo sobre o texto e disparou: “Aqui tem uma coisa grave, muito grave”. Alguns colegas riram e disseram “é coisa de comunista”… Padre Tércio, ainda irado, repreendeu: “Que comunista, seus ignorantes”! E continuou: “As ideias no texto não são ruins, até são boas, mas há um crime contra a língua portuguesa”. Aí os adversários, que os tinha, vibraram.

O futuro Monsenhor, mestre e amigo de toda a vida, explicou. “Democrático é adjetivo impessoal, cabível a instituições e não a pessoas. Partido democrático, associação democrática, posição democrática, etc. Gente, não. Gente é democrata. E pronunciou bem alto as últimas sílabas,”crata”. “Eu sou democrata”.

Quando eu dirigia a Fundação José Augusto, ele me procurou para uma ajuda na construção de uma piscina olímpica no CDS. Que atenderia à prática de natação para os colégios públicos. Atendi seu pedido, que já havia sido feito por Aluísio Lacerda.

Comentamos sobre esse episódio, e rimos bastante. Ao sair, ele despediu-se assim: “Muito obrigado, senhor democrático”.

Essa ajuda rendeu um processo criminal movido contra mim pelo Ministério Público. Um dos muitos em que fui absolvido. Baixe o pano.

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Categoria(s): Crônica
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segunda-feira - 23/08/2021 - 21:08h
Opinião

O Sete de Setembro…

Por François Silvestre

é o Comício da Central de Bolsonaro?

Foi no dia Treze de Março de 1964 que Jango, iludido por um apoio militar que não tinha, deu aos inimigos o pretexto perfeito para o golpe que vinha sendo urdido há muito tempo. Uma multidão, na Central do Brasil, defronte do campo de Santana, aos gritos e com cartazes de fotos de Getúlio, aplaudiam as reformas de base anunciadas. Uma representação teatral que a ingenuidade de Jango não conseguiu alcançar o abismo que a realidade lhe oferecia.Alistamento-Militar-745x450

Muda o ato. Sem noção ou incapaz de entender a realidade, Bolsonaro aposta nesse mesmo apoio militar para golpear a Democracia e entronar-se no poder. D. Bolsonaro I e único, sob a guarda dos quartéis.

Ele tem apoio militar? Tem. Dos quartéis? Vejamos. O salário do general Braga Neto, mês passado, foi de Cem mil Reais. (100. 000, 00). Do general Heleno, Cento e Doze mil Reais. (112. 000, 00). Do general Ramos, Cento e Dezenove mil Reais. (119. 000, 00).

Uma filha e dois sobrinhos do general Pazuello receberam o auxílio emergencial durante todo o ano passado. Esse apoio e mais de vários outros militares, ativos e inativos, nos cargos comissionados do Executivo, ele tem. É o comando militar do contracheque. E os quartéis, como estão? É aí onde reside o comício da Central do Brasil.

Ele cai? Não. Ele derrete. Os militares de agora não vão tirá-lo do poder, como os de 64 fizeram com Jango. E só fizeram porque contaram com o apoio das lideranças civis, vivandeiras dos quartéis, Carlos Lacerda e Magalhães Pinto, dentre outros, e o amparo do império americano, na luta “fria” contra o império soviético. Porém, não vão golpear a democracia para entronizar Bolsonaro. Nunca. Fogo de palha. Sem chance.

Vai ser uma palhaçada de uma independência nunca consolidada, avacalhando uma data que deveriam respeitar. E as Forças Armadas, que Bolsonaro nunca respeitou, serão mais uma vez vítimas de chacotas internacionais.

O General Mourão, que merece meu respeito e admiração, sabe disso. Esses generais do contracheque merecem meu escárnio. Bostiocós. Aqui, Ó.

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Categoria(s): Opinião
quinta-feira - 19/08/2021 - 23:12h
Reflexão

A miséria filosófica…

Terra, satélite, vista aérea, planeta, espaçoPor François Silvestre

…No universo da mediocridade

O planeta é pequenino, girando num universo que o dimensiona feito grão de mostarda perdido na imensidão.

Menores que o raquítico planeta só os países que nele se aboletam, se limitam, se definem e se impõem para prover a vida em sociedade de animais “inteligentes”, auto definidos humanos, superiores aos colegas animais que não roubam, não enganam, não disfarçam e só matam para a própria sobrevivência. Legítima defesa natural.

Dito isso, vamos ao controle atual da geopolítica na Terra. Nunca, na história da humanidade, o planeta foi habitado por tanta mediocridade. Nunca.

Vejamos. Divide-se o mundo hoje entre dois impérios. O império americano e o império chinês. O americano, com seus tentáculos espalhados nas suas áreas de influências vitais.

O chinês, aproveitando os fracassos americanos, continuados, nessas mesmas áreas. Investindo no mercado de trocas, desde mercadorias agrícolas, para compra e mercadorias eletrônicas para venda. Sofisticação originária de inteligência humana e mão-de-obra servil.

E o resto? O resto é burrice e incompetência. A Europa oscila num pêndulo entre a tradição e a decadência. A África, coitada, continua a filha bastarda da História. A América do Sul, que sempre foi pouco importante na geopolítica do mundo, agora virou insignificante. Insignificante.

Desprovida até de um mínimo de dignidade humana na compleição de um estadista. Quais são os “estadistas” expostos ao conhecimento público universal da América Latina?

Respondo. Maduro, da Venezuela e Bolsonaro, do Brasil. Nossos estadistas. Um maduro que passou do ponto, estragado. E outro que passou de verde para podre sem amadurecer, Bolsonaro. Essa é a miséria filosófica do nosso tempo.

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terça-feira - 17/08/2021 - 06:10h
Opinião

Uma ilusão morta…

Talibã assumiu poder absoluto no Afeganistão (Foto: Foto: Zabi Karimi/AP)

Talibã assumiu poder absoluto no Afeganistão (Foto: Foto: Zabi Karimi/AP)

Por François Silvestre

…Uma realidade viva.

Taí o Afeganistão comprovando essa essa realidade triste e inenarrável. O Comunismo, nunca praticado, nunca sequer tentado, foi uma ilusão de várias noites de pesadelos.

Capitalismo, nunca derrotado, nunca substituído, nunca demonizado é o pesadelo permanente, continuado, cujo hábito permite a cada manhã que a humanidade acorde pensando que foi apenas um pesadelo. E não é. É a realidade maléfica do regime econômico que põe a ganância, a competição e a exploração como objetivo final da condição humana.

O mal no Afeganistão não foi a saída das tropas americanas. Não. Foi a entrada. Essa megalomania capitalista de que o regime “exemplo” do Tio Sam é a palmatória do mundo.

Não consegue pôr em prática a igualdade racial, liberdade individual, paz social, nem na sua terra, mas se acha no direito de não apenas dizer, mas impor, sua práxis de mentira nas terras distantes dos outros. Desrespeitando culturas, costumes e afinidades. Dá nisso.

O Capitalismo, repito, sem concorrente, é o patrono da miséria, do terrorismo e da degradação humana. Deixa no chinelo o feudalismo e o servilismo. Até porque esses aí nem tiveram direito à informação.

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Categoria(s): Artigo / Opinião
segunda-feira - 16/08/2021 - 07:50h

O Sertão do não sei onde

Por François Silvestre

Onde fica o Sertão? Ou melhor, onde estão suas fronteiras? Ou o Sertão é só pergunta, onde não mora nenhuma resposta!?

Em Guimarães Rosa o Sertão é linguagem. Fosse ele um pintor, seria o Salvador Dali daqui. Fritaria ovos no sol, antes da gema chegar à frigideira.

Serrota Preta (Foto cedida por Honório de Medeiros)

Serrota Preta (Foto cedida por Honório de Medeiros)

Câmara Cascudo vasculhou hábitos, alimentos, apetrechos, locas onde se esconde o destino das tradições e superstições. Mas fez isso também na urbe. Seu interesse era o cotidiano, no mato ou na praça.

Oswaldo Lamartine faz um mapa dos caminhos na crueza da pedra. Seu texto, original e único, é um ferro de ribeira em brasa a marcar o couro cru. Deixando na impressão da leitura um ferro nas ancas, informando ao retirante o dono da rês. Isso eu já disse, noutro texto antigo. Oswaldo é uma catingueira; suave e seca, pouca fronda e muita sombra. O Sertão se aboleta nos desvios dos seus sóis.

Ariano Suassuna faz, na literatura, um plágio universal na colheita do jeito sertão de ser. Com um lençol de apanhar algodão ele foi colhendo gente e jeito, na África e Ibéria. Depois teceu, num tear engenhoso, uma manta para agasalhar informes da cultura do seu povo.

O encontro literário de Pipa, ação merecedora de aplauso e apoio, tocada por Dácio Galvão, teria sua presença. Tudo confirmado, mas não contaram com o gesto inevitável e traiçoeiro da Moça Caetana. Ficou, para Dácio e sua obra meritória, esse “gosto ardido no peito”, como diria Luiz Carrlos Guimarães. Mesmo assim e apesar disso, Pipa é um marco na vida cultural do Rio Grande do Norte. Parabéns a Dácio Galvão.

Rui Facó fez do seu texto uma denúncia. Pôs o Sertão apontando o dedo na ferida da exploração e sacanagem do poder. É o Sertão discursivo e militante, impaciente e cobrador.

Euclides da Cunha, ídolo ímpar de Ariano, mexeu num cipoal de questões e dúvidas. O próprio Suassuna reconhece valor literário em Machado de Assis que Euclides não alcança, mas faz a ressalva de que Euclides é muito mais monumental na arte das letras edificada como marco trágico do povo.

Mas o texto presente apenas tenta descobrir a ausência do Sertão. Onde ele não existe. Posto que, é aí onde ele está.

E dado o direito de cada um buscar o seu sertão; o meu não está onde está, pois o seu endereço é o nunca. Nem os carteiros da China, sob o comando de Castilho da Redinha, conseguirão localizar a morada das grotas.

Descobre-se meu Sertão nas perdas que se escondem nas pedras dos cardeiros. Fernando Torre, da Maravilha, de antes tempos. Tarcísio Caldas, de Viçosa, brincador da vida. Felipe de Floresta do Navio, de sempre. Júnior Targino, do Cangaíra, hoje. Severino Ramos, da Serra Nova, de agora. Bode Lira, da Pedra Rajada, de manhã. Baíto, tão depressa quanto o gol. Décio Holanda, de Uruaçu, tarde e noite.

O meu Sertão é mais tempo do que espaço. Mais gente do que mormaço. Mais dor do que festa. Mais cerveja do que ressaca.

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quinta-feira - 12/08/2021 - 14:30h
Opinião

A fixação do mentiroso

pinóquio, mentiroso, mentir, boneco pinóquioPor François Silvestre

Vocês lembram do início da pandemia, quando o único remédio era evitar o contágio, com a dúvida pairando sobre todos, desde médicos a cientistas. Naquele momento, uma das alternativas era o isolamento. Quanto menos contato, mais prevenção ao vírus.

O que fez o energúmeno presidente? Negou a dimensão da doença. Criticou o isolamento e levantou a bandeira do trabalho e do emprego. Era a cantilena. “Importante é o emprego”, dizia ele. O tempo demonstrou que era uma farsa essa preocupação.

Hoje, com o desemprego atingindo marcas assustadores, acabou o discurso do emprego. Nem toca no assunto. Acabou o isolamento e a única coisa permanente é a mentira. E só fala no que realmente lhe interessa.

E o que é que lhe interessa? Eleições. Só. É a única preocupação. Até a “generosidade” nele é mentirosa. A crítica que ele fazia ao bolsa família, a esmola petista, ele abocanhou para fazer exatamente o que criticava. Isto é, usar o auxílio como moeda eleitoral. Só pensa nisso.

 É voto impresso, denúncia de fraude sem ter eleição, ameaça de sustar eleição, chantagem de pressão militar.

Enquanto isso, desemprego, carestia, inflação sem controle, combustíveis a preço de ouro, bares e restaurantes vazios sem isolamento, filas em caixas de supermercados escassas, carros da classe média na garagem, taxistas e ubers selecionando corridas pra economizar combustível, inadimplência pelos ares, imóveis abandonados por inquilinos, e nenhuma conversa mais sobre emprego ou renda. Só eleição.

O energúmeno fala ao seu rebanho. Que tem ou recebe de outrem, é bom averiguar, o custeio para abastecer motos turbinadas, nesses desfiles ridículos de bombados e imbecis.

O tanque de lata nem é blindado/ é tanque de água, onde bebe o seu gado./ O tanque fumaça nem é de guerra,/ é cocho onde come aquele que berra.

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segunda-feira - 09/08/2021 - 18:46h
Opinião

Peido de veia…

Peido de véia, peido de velha, peido-de-velhaPor François Silvestre

…E o ridículo desfile das “forças armadas” dos tanques de traques (veja AQUI).

Torço pra ver esses ridículos armados tentarem um golpe. Torço. Pra que eles saiam do campo da chantagem e mergulhem na realidade do improvável. E na desmoralização da ameaça.

Depois, após a explosão fajuta do traque eles serão responsabilizados pela irresponsabilidade do “risco” à Democracia. Se não hoje, amanhã.

Quando esse criminoso, Bolsonaro, estiver fora do poder, essa bandidagem fardada prestará contas da sua criminosa sustentação à tentativa de destruir a regularidade democrática da república. Com todos os seus defeitos, essa República não merece essa milicada vendida por benesses financeiras.

Serão desmoralizados.

Vão desfilar tanques em Brasília. Pompa de força. Grande merda. 

Traques Peido-de-véia. Ridículo do supra sumo do ridículo.

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quinta-feira - 05/08/2021 - 09:40h
Opinião

O caroço do angu

Por François Silvestre

Desde que iniciou o mandato, o presidente Bolsonaro montou um comitê de chantagem. E tem usado direta ou indiretamente referências a ações ilegais a serem referendadas pelas Forças Armadas. Esse é o angu. angu, prato brasileiro, caroço no anguPorém, entretanto, mas porém, (né Zé Limeira?), sabemos lá no Sertão profundo que angu dos bons tem de ter caroço. Isto é, alguma mistura consistente que dê sustança ao alimento. Pose ser um ovo cozido ou um chambão de boi.

Começou com “acabou, porra”! Lembram? foi lá no início. E o que foi que acabou? Nada. Ele continuou mentindo, o país sofrendo e as instituições funcionando. É bem verdade que ele comprou um Procurador Geral da República, um senhor Aras, que em nada tem arado. Mas, mesmo na sujeira da venalidade, preservou-se a capa formal da legalidade.

De lá pra cá, as chantagens são continuadas e repetidas. De tão repetidas, ninguém põe fé nelas. Um general dá entrevista e diz: “Não estiquem a corda”. A única corda esticada é a engolida pelo próprio general. Aí vieram notas, indiretas e bobagens que só desmoralizam os chefes das Forças. Hoje, mais uma ameaça. Cadê o caroço? O caroço é o golpe? Pois mostrem. Aqui, ó!

Mas ele precisa manter o angu. É o angu que mantém aceso o aboio ao gado. Pra ir tocando a boiada. Que espera ele chegar num cavalo fogoso ou numa motocicleta turbinada, feito Sinésio, o alumioso, com seu capacete dourado, entrando ao meio dia em Taperoá. Né, não, Ariano?

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segunda-feira - 02/08/2021 - 09:34h
François Silvestre

O lupanar de Fux

Reprodução do quadro "O bordel", de Vincent Van Gogh

Reprodução do quadro “O bordel”, de Vincent Van Gogh

Por François Silvestre

O ministro do supremo Luiz Fux, cujo nome me remete a uma antiga fábrica de fósforos, Fiat Lux, inventa o protagonismo de uma reunião que não terá nenhum resultado prático ou útil no quadro de esculhambação a que Bolsonaro levou o país, num processo nunca antes visto de desmoralização institucional.

Era como se Maria Boa, Rita Loura e Ana Raposa, damas respeitáveis da vida difícil, resolvessem marcar uma reunião para demonstrar que todas “as meninas” das suas casas eram virgens intocadas. Ou aquele embaixador britânico, idiota, que chegou de Berlim, após reunir-se com Hitler, e mostrou aos londrinos um papel onde constava a disposição do líder nazista de que a paz estava assegurada.

 Vendo aquela cena patética, o futuro premier Churchill declarou publicamente que só um idiota não percebe a enganação a que se submete.

Fux é um idiota, um charlatão ou um cooptado? Depois de Bolsonaro provar por A mais B que está cagando para o supremo, para a Democracia e para as eleições, esse lobista, que chegou ao supremo prometendo matar o Mensalão no peito, vai fazer uma reunião para que cada chefe dos poderes prometam cumprir a Constituição. Quem é Fux pra exigir isso? E quem é idiota para acreditar nesse compromisso?

Só em pensar na necessidade dessa reunião, já é uma confissão pública de que a coisa virou zorra.

Por essas e outras é que Bolsonaro nada de braçadas contra a ordem democrática. Pelo simples e elementar motivo de que os outros poderes são presididos por cagões. Bolsonaro sabe disse. Cagões. Reúnam-se, caguem e se limpem por lá. Pra que o povo não precise tapar o nariz. Bolsonaro vai sair da reunião prometendo cumprimento, e depois vai estirar o dedo comprido na direção da toga de Fux.

O Ministério Público, que vergonha, acocorou-se na latrina do servilismo. É órgão auxiliar do governo federal, jogando no esgoto suas responsabilidades de defender o Estado de Direito e a Democracia. Cadê a pose de independência, ávida de holofotes? Acocorados, ficam olhando enviesados pelas frestas da covardia, enquanto a Pátria sangra.

A Polícia Federal, que lástima, tão valente que foi contra estudantes, artistas e operários, agora se rebaixa ao lastimável papel de cão de fila a serviço do governo federal. A latir no portal do poder pra evitar a aproximação do povo e a defesa dos interesses nacionais.

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sexta-feira - 30/07/2021 - 20:42h
Anote

A verdade não tem dono…

verdade-mentiraPor François Silvestre

...mas a mentira tem sócio.

Bolsonaro, o energúmeno, disse uma verdade. Qual? “Ninguém é dono da verdade”. Descobriu a areia, a praia e o mar. Ninguém sabia disso. Depois, continuou: “eu não sou dono da verdade”. Isso é verdade ou é mentira? Depende. No fato, é verdade. Ele não tem nem promessa falsa de compra da verdade. Mas, dito por ele, é mentira.

Ele se acha dono da verdade. Mentiu sobre o que realmente acha, mesmo falando a verdade sobre o fato.

Bolsonaro não só não é dono da verdade, como é sócio majoritário da mentira. Mente diariamente. Sua mente pensante, se é que pensa, é um advérbio do disfarce. Mente meritoriamente, mente diariamente, mente usualmente, mente seriamente, com a fisionomia que desmente a casca séria da sua mentira.

Mente, como se diz nos rincões do sertão profundo, que nem o fiofó sente. É um bufão, cercado de acólitos tão mentirosos quanto. Generais que não respeitam nem o kaol que lustra suas estrelas de latão. Se gritar pega ladrão; num tem kaol, meu irmão.

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Categoria(s): Artigo
domingo - 18/07/2021 - 13:32h

Rifa macabra

apontar-geral-militar-dos-desenhos-animados-51421807Por François Silvestre

Isso não é um governo. É uma rifa clandestina entre amigos e sicários da população, posto que dos atos e omissões o resultado foi a mais cruel mortandade populacional da história do Brasil.

Amigos civis e militares, paisanos e fardados. Fardados da ativa e da reserva. E comandantes melindrados, que não aceitam a citação de mácula nos seus, intocáveis, sob pena de ameaças às instituições e à sociedade civil. Tudo com os peitos empanzinados de medalhas; de batalhas inexistentes, de guerras nunca lutadas, de heroísmo de fancaria.

Um general da ativa, tri-estrelado, reúne-se com um condenado por fraude, em 2014, pela Justiça Federal, para comprar vacinas da China, que eles renegam, por preço super faturado, após dizer na CPI que nunca se reuniu com qualquer empresa.

Talvez tenha dito a verdade, não era um empresa. Era uma quadrilha. Todos recebidos com pompa e circunstância no gabinete do arrogante general.

Estamos todos no aguardo da próxima nota do general Braga Neto, o mesmo que comandou uma operação excepcional no Rio de Janeiro, cujo resultado foi ser zoado por milicianos e traficantes.

Deixou o Rio igual ou pior do que estava. Esperemos a nota…

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Artigo
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quinta-feira - 15/07/2021 - 18:04h
Brasil

As tripas de um país fecal

intestinoPor François Silvestre

Cujo presidente dá um susto nos aliados ao ter interrompida a tripa cagaiteira. Pois pois, como diria um português de Lisboa. “Ô pá, lamento, mas se todo mundo morre um dia, como disse o próprio gajo, todo mundo também pode vez de quando ter um nó na tripa”.

Essa foto do hospital é muito suspeita, pra não dizer coisa pior. A reprise da facada chega numa hora bem conveniente. Preparem-se que ela será repetida tantas vezes quanto precisar, na época dos debates de campanha. Esse foi um ensaio bem sucedido.

Lamento, mas não consigo levar a sério esse negócio. Até porque a prisão de ventre é no intestino de um presidente que não leva a sério o país que “preside” nem o povo que o elegeu.

Ou talvez seja caso de intestino mal usado. Explico. A atividade intestinal de excreção do paciente, no caso, vem sendo realizada diariamente pelo aparelho fonador. Saindo pela fala. O que torna o intestino preguiçoso, pelo desuso.

Agora, ele é incomível, imbrochável, imorrível e incagável.

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Categoria(s): Opinião
domingo - 11/07/2021 - 12:10h

Só cagão? Não…

Bater na madeira três vezes, mão, braço, punho cerradoPor François Silvestre

Azarão também. Cagou para a CPI e azarou a Seleção (veja AQUI).

Onde Bolsonaro põe a torcida o azar hospeda-se junto.

Torceu pro Trump, Trump lascou-se.

Torceu na eleição da Bolívia, a esquerda venceu. Torceu pela candidata do Peru, ela perdeu.

Torceu na eleição da Argentina, a direita perdeu.

Torceu contra a Constituinte do Chile, perdeu.

Torceu pelo aliado de Israel, o cara lascou-se, depois de décadas no poder. 

Torceu e cantou vitória do adversário de Maduro, na Venezuela, o dito cujo sumiu.

Torce contra a China, a China caga merda líquida na cabeça dele.

Agora, trouxe a Copa América para o Brasil, num momento em que nenhum país quis sediar o evento, para fazer pose e usar a Seleção como arma de propaganda. Ferrou-se, e junto com ele levou a Seleção ao vexame de perder a Copa, em pleno Maracanã, para a Argentina. 

Esse sujeito é um manancial de azar…Toda vez que fale nele, bata três vezes textura da mesa.

François Silvestre é escritor

Categoria(s): Crônica
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quinta-feira - 08/07/2021 - 16:52h
Governo Federal

O mantra da mentira

mentiras, mentiroso,Por François Silvestre

“Nenhuma acusação de corrupção neste governo”. Repetia o presidente Bolsonaro todo dia, no chiqueirinho onde ele recebe aplausos e bajulação de representantes fiéis do seu gado. Repetia. Agora, desconversa.

Porém, nunca teve coragem de repetir sobre si mesmo esse mantra mentiroso. Ciro Gomes, que foi seu colega na Câmara dos Deputados, diz, rediz e repete todo dia: “Bolsonaro é uma ladrão pé de chinelo. Roubava dinheiro dos seus servidores fantasmas. Só aí há duas ladroagens, uma contra o erário e outra contra o “servidor”.

Repete e desafia: “Me processe por calúnia, Bolsonaro. Processa não, porque sabe que eu tenho provas do que digo”. Pois é. nenhum processo. Silêncio de resposta.

A divulgação desses áudios confirmando isso não é surpresa pra Ciro Gomes nem para os contemporâneos de Bolsonaro na Câmara. Essa a ladroagem curricular do “mito”.

Agora, o mantra de não haver corrupção no governo derrama-se num esgoto de lama e sangue. As corrupções, todas, possuem uma semelhança. Todas elas retiram dinheiro dos serviços públicos. Que vai fazer falta em hospitais, escolas, estradas, segurança. Toda corrupção é predadora da dignidade humana.

“Porém, entretanto, mas porém”, como dizia Zé Limeira, a corrupção do governo Bolsonaro tem uma pitada macabra no tempero do escândalo. Não é apenas a consequência difusa, a faltar recursos em hospitais. Não. É consequência direta e imediata na causa de mortes em níveis genocidas. Essa é uma inovação digna de uma ficção vampiresca ou de terror moderno. Tão cruel que parece uma mentira de ficcionista pervertido.

Pra completar o quadro da bufante ópera, os “comandantes” das forças armadas sentem-se agredidos com as acusações de corrupção de militares, no Ministério da Saúde. E põem a carapuça, em vez de punir a delinquência de fardados, acusados por outros fardados. No ministério, dito de saúde, escasso de médicos e empanzinado de militares lobistas, uns da ativa e outros de pijama.

Mais uma ameaça bocó, que tá virando rotina do ridículo.

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Categoria(s): Artigo
sexta-feira - 02/07/2021 - 09:18h
Lá em Brasília

Pangaré de troia

cavalosPor François Silvestre

Ou lebre no pote, em vez de peba. Foi uma trama governista com roteiro de ópera bufa, com muita bufa e pouca ópera.

Confesso que me enganei no início. Era uma denúncia de corrupção envolvendo um intermediário de negócios de vacinas, um servidor público do Ministério da Saúde e alguns militares lotados naquele Ministério. Denúncia de pedido de propina, numa soma de cordilheira.

Quando que descobri a farsa? Ao ver um jornal da CNN, a âncora do programa pergunta a Alexandre Garcia sobre o episódio. Esperei que ele desmerecesse a denúncia, como sempre faz sobre tudo que afeta a “honestidade” do governo. Aí, a surpresa. Alexandre Garcia então comenta: “É muito grave, gravíssimo, agora a CPI tem algo concreto”.

Êpa! Acendeu a luz vermelha. Alexandre Garcia não é jornalista. É negociador de opinião, com informação vendida ao governo. Aquela observação não era um ponto, era uma montanha fora da curva. Ele participara da montagem burlesca.

Não deu outra. Tudo montado para desviar a atenção do que realmente os assusta, a corrupção da Covaxim. Negócio bilionário não consumado por denúncia de um deputado escroque, ex-aliado, insatisfeito, e seu irmão servidor do Ministério da Saúde.

Esse era o motivo da nova denúncia inventada. Seria a palavra do denunciante contra a do servidor, sem prova oral, que seria depois descartada, por falta de provas, e o servidor recompensado. Tudo urdido e ardido. Mas, os troianos descobriram o pangaré. O cavalo manco, tosco, inútil.

Os governistas da CPI, inclusive o filho do presidente, defendendo o denunciante que acusava o governo. Só não é estranho porque nada nesse governo é normal. Descoberta a trama, voltam as coisas ao seu lugar. Agora, a ex-mulher de Pazuello se oferece pra depor. Será uma égua de Tróia?

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Categoria(s): Artigo
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sexta-feira - 25/06/2021 - 13:30h
Brasil

Falso, fake ou mentira?

verdade-mentiraPor François Silvestre

Nesse governo bolsopinoquiano tudo é falso. Tudo. Não gosto da palavre fake e não é por ser de outra língua. Não. É que na nossa língua, “última flor do Lácio”, há palavras melhores. A palavra boa tem sonoridade, força e fotografa o fato. Quando você diz “peixe” a palavra parece nadar. É uma palavra boa.

Falso é mais sonora do que fakementira é muito mais forte. Então, nisso o governo do Bolsopinóquio possui sonoridade franca e força de cão hidrófobo. Veio ao Rio Grande do Norte e fez o quê? Mandou uma menina retirar a máscara e ele mesmo retirou à força a máscara de um menino de colo. E os pais, cúmplices, acharam bonito a visão luciferiana de crianças vilipendiadas.

Ontem, eles se superaram no quesito mentira. Um tal Onyx Lorenzoni convocou uma entrevista coletiva. O que é entrevista? É o ato de alguém, geralmente jornalista, perguntar algo a outrem. E a coletiva? Quando alguém convoca vários veículos da imprensa para lhe fazer perguntas sobre um ou vários fatos. Pois bem.

O Ministraço num sei de quê convocou uma “coletiva”, fez um pronunciamento mentiroso e retirou-se. Ninguém pode perguntar nada.

É falso, mentira ou fake? Tudo junto. Todas as palavras feias ou belas. Onix é nome de colchão. Talvez seja a tentativa de fazer Bolsopinóquio dormir melhor. Mas a insônia parece ter vindo para ficar.

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Categoria(s): Opinião / Política
sexta-feira - 18/06/2021 - 17:54h
Brasil real

Aparato de guerra

Cerca de 200 homens estão na caçada ao psicopata Lázaro Barbosa (Foto: web)

Cerca de 200 homens estão na caçada ao psicopata Lázaro Barbosa (Foto: web)

Por François Silvestre

Algum levante revolucionário? Alguma invasão da Venezuela? Uma nova guerrilha do Araguaia? Não. Apenas um bandido, matador em série, psicopata, procurado há dez dias pela maior operação militar dos últimos tempos (veja AQUI). Uma operação de guerra, que só perde em dimensão para o ridículo da incompetência.

É esse aparato militar que ameaça a Democracia insinuando golpe para perpetuar Bolsonaro no poder? Se for, que parece ser, fiquemos tranquilos.

Tudo muito tristemente vergonhoso. Inclusive as entrevistas sobre a “batalha” e as estratégias de luta. Lembra aquele aparato na Ponte Rio-Niterói, quando o governador fascista e ladrão Wilson Witzel saiu pinotando de braços abertos, comemorando a morte do meliante. Só que essa de agora, no interior de Goiás, é bem mais volumosa.

Tudo muito estranho. Fosse um conto de ficção não teria qualquer verossimilhança. O Brasil transforma-se na República de Saló.

Um bom caçador da Chapada do Apodi, com uma espingarda de soca, e um vira-lata treinado encontrava esse sujeito em poucas horas.

De Tião Carneiro:

Tá maluco, François? Quem diabo escreveria uma ficção assim? Mas o Mourão bolou umas estratégias. Viu”?

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Categoria(s): Crônica
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