Por Odemirton Filho
Sabe, caro leitor, não podemos perder a esperança. Eu sei que às vezes é difícil, dá uma vontade danada de “chutar o pau da barraca”, pois muitos dos nossos planos não são concretizados e os problemas parecem insolúveis.
No entanto, é preciso manter acesa a chama da esperança. Li o conto da poetisa Clarice Lispector que tem o nome desta crônica. Como sempre, a poetisa é singular. Então, valho-me da licença poética para discorrer sobre a esperança nesses tempos de desalentos.
Sabe, cara leitora, cada um carrega no coração uma dor, uma saudade, uma decepção. Mas, por outro lado, também carregamos na alma momentos felizes em nossas vidas.
Na verdade, se a gente pensar direitinho, recordaremos tanta coisa boa. Vez ou outra, do nada abrimos um sorriso. Voltamos no tempo, e de lá resgatamos felicidades. Eu lhes confesso: já enfrentei uma peleja medonha na vida. Contudo, ao olhar em volta, agradeço ao Filho do Homem.
Tenho ao meu lado uma amável e resiliente esposa, com a qual há trinta e seis anos compartilho os dias. Aliás, na data de hoje completamos Bodas de Cedro. O cedro, para quem não sabe, é uma árvore de grande porte e madeira nobre, conhecida por suportar ventos e tempestades.
Sim, juntos enfrentamos tormentas. Mas nunca, nunquinha, perdemos a esperança que viriam dias melhores. Assim, quando eu estou na sala de estar com o meu neto, esparramados no chão brincando de carrinho, eu tenho a certeza que tudo valeu a pena.
Os meus rebentos estão trilhando os seus caminhos. Cada um com a sua personalidade e seus objetivos. Meus velhos pais continuam “vivinhos da silva”, graça a Deus. É claro que continuamos a ter alegrias e tristezas, como em qualquer família. Entretanto, jamais perdemos a esperança em dias melhores. Sabe por quê?
Porque aqui em casa pousou uma esperança; e fazemos tudo pra não deixá-la voar.
Odemirton Filho é oficial de justiça













































