segunda-feira - 21/09/2026 - 15:00h
Mossoró

Petras anuncia 100ª cadeira entregue pelo “Tampinha da Inclusão”

Petras fala sobre importância da iniciativa (imagem feita a partir de vídeo)

Petras fala sobre importância da iniciativa (imagem feita a partir de vídeo)

Nesta segunda-feira (21), Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, o vereador Petras (PSD) anunciou uma marca histórica do Tampinha da Inclusão. Chega a entrega da cadeira de rodas de número 100 pelo programa, coordenado em Mossoró e região por ele.

A iniciativa já beneficiou 100 famílias, além de instituições que atuam diretamente no atendimento à população, como a Liga Mossoroense de Estudos e Combate ao Câncer (LMECC), o Instituto Amantino Câmara, a APAE e UPAs.

Além de promover inclusão e ampliar o acesso à mobilidade, o Tampinha da Inclusão também contribui para o cuidado com o meio ambiente por meio da reciclagem de 30 toneladas de tampinhas plásticas. O material arrecadado é transformado em recursos destinados à aquisição de cadeiras de rodas e outros equipamentos de mobilidade, unindo solidariedade, sustentabilidade e responsabilidade social.

Parceiros

O projeto conta com uma ampla rede de parceiros em Mossoró, entre eles o Grupo QZR, dos Supermercados Queiroz, e os espaços Herbalife’s Shake Invictus, Fit Lounge Zen, Protein Hype, Shake São Manoel, Fit Brazil e Shake Rio Branco, entre outros pontos espalhados pela cidade. Ao todo, já são mais de 500 pontos de arrecadação em Mossoró, facilitando a participação da população nessa corrente de solidariedade e preservação ambiental.

“São 100 cadeiras entregues, mais de 100 famílias atendidas e muitas histórias transformadas. Anunciar essa marca no Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência mostra que inclusão se faz na prática, transformando solidariedade em mobilidade e dignidade. Ao mesmo tempo, cuidamos do meio ambiente por meio da reciclagem e fortalecemos uma rede de parceiros e voluntários que acredita nessa causa”, destacou o vereador.

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segunda-feira - 21/09/2026 - 14:28h
Inclusão

“Preconceito” tem apresentação hoje no Teatro Dix-huit Rosado

Banner de divulgação (Reprodução)

Banner de divulgação (Reprodução)

A Companhia Arte Sem Limites apresenta, no nesta segunda-feira (21), o espetáculo de dança contemporânea “Preconceito.”

Acontecerá no Teatro Municipal Dix-huit Rosado, em Mossoró, às 19h.

O espetáculo apresenta histórias relacionadas à resistência, aos afetos e às barreiras vivenciadas por pessoas com deficiência, além de propor uma reflexão sobre inclusão, respeito e ocupação de espaços.

Os ingressos custam R$ 10 e estão à venda com integrantes da CIA Arte Sem Limites e no Centro Ótico, localizado na Rua Idalino de Oliveira, nº 18, no Centro de Mossoró.

Também haverá venda de ingressos na bilheteria do Teatro Municipal Dix-huit Rosado, se não esgotar antes.

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segunda-feira - 21/09/2026 - 12:04h
Hoje

TV Tropical realiza debate com candidatos ao governo

Banner de divulgação

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A TV Tropical realiza, nesta segunda-feira (21), o Debate com os candidatos ao Governo do Rio Grande do Norte.

A partir das 18h, acompanhe as propostas e os principais temas que estão no centro das Eleições 2026.

Allyson Bezerra (UB), Álvaro Dias (PL), Cadu de Lula (PT) e Robério Paulino (Psol) são os candidatos a governador definidos ao debate.

Debate Governo do RN

21 de setembro 18h

TV Tropical | Record

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segunda-feira - 21/09/2026 - 11:30h
Caravana do Azulão

Pau dos Ferros fecha programação de fim de semana com multidão

Allyson foi recebido por Marianna Almeida em Pau dos Ferros (Foto: Assessoria)

Allyson foi recebido por Marianna Almeida em Pau dos Ferros (Foto: Assessoria)

A Caravana do Azulão realizou nesse domingo (20) uma mobilização política de grande porte em Pau dos Ferros, no Alto Oeste potiguar. A carreata e comício reuniram apoiadores e lideranças políticas de municípios das regiões do Alto e Médio Oeste do estado, com a presença do candidato a governador Allyson Bezerra (União Brasil), da coligação Esperança e Trabalho.

Antes do percurso pela Avenida da Independência, Allyson Bezerra e representantes dos grupos políticos que integram a campanha discursaram para o público. Na sequência, os participantes percorreram ruas do município.

Durante o evento, o deputado Galeno Torquato (União Brasil) falou sobre a atuação da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e defendeu a construção de um restaurante universitário no município.

O deputado federal Benes Leocádio (União Brasil) também participou da mobilização e afirmou que pretende ampliar ações de seu mandato em Pau dos Ferros e em outros municípios da região Oeste.

A senadora Zenaide Maia (PSD) declarou apoio à implantação de cirurgias laparoscópicas no Hospital Regional de Pau dos Ferros. Segundo ela, a medida teria como objetivo ampliar a oferta de procedimentos e reduzir a necessidade de deslocamento de pacientes para outras cidades.

A prefeita de Pau dos Ferros, Marianna Almeida (PSD), agradeceu pela escolha para coordenar a campanha de Allyson Bezerra no Alto Oeste e destacou demandas do município e da região.

Durante seu discurso, Allyson Bezerra agradeceu a participação da prefeita, dos prefeitos e das demais lideranças políticas. O candidato também apresentou propostas relacionadas à educação, à UERN e ao atendimento do Hospital Regional de Pau dos Ferros.

Prefeita de Pau dos Ferros em carreata (Foto: Assessoria)

Prefeita de Pau dos Ferros em carreata (Foto: Assessoria)

Fim de semana intenso

No fim de semana, a programação de Allyson Bezerra percorreu Mossoró com carreata de mais de 20 km e também esteve em vários outros municípios da região Oeste. Antes de chegar em Pau dos Ferros à noite, ainda no domingo esteve em Rafael Fernandes, Água Nova, Riacho de Santana, José da Penha,  Luís Gomes, Major Sales, Marcelino Vieira, Tenente Ananias e Alexandria. No sábado (19), a caravana passou por Encanto, São Miguel e São Francisco do Oeste, antes da mobilização de Mossoró.

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segunda-feira - 21/09/2026 - 11:20h
Eleições 2026

Flávio Bolsonaro faz campanha nesta segunda-feira no RN

Álvaro recebe Flávio para programação conjunta (Foto: Arquivo/Assessoria)

Álvaro recebe Flávio para programação conjunta (Foto: Arquivo/Assessoria)

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) chega ao Rio Grande do Norte nesta segunda-feira (21) para uma série de mobilizações. A agenda reúne Flávio, o candidato a governador Álvaro Dias (PL), o candidato ao Senado Coronel Hélio (PL), o senador Rogério Marinho (PL), além de lideranças e apoiadores da coligação Endireita RN, em uma programação com motocarreata e comício na capital potiguar.

A programação começa com a chegada de Flávio ao Aeroporto Internacional Aluízio Alves, prevista para as 11h22.

Veja programação abaixo:

11h22 – Recepção no Aeroporto Internacional Aluízio Alves
15h22 – Concentração da Motocarreata Onda 22 – Centro de Convenções
16h22 – Saída da motocarreata
19h22 – Comício Onda 22 – Praça Cívica, Natal

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segunda-feira - 21/09/2026 - 10:26h
Paternidade

“Ele é meu filho”, o primeiro e definitivo encontro

O ator Marcello Antony fala sobre a experiência única de adoção de uma criança que ele nunca tinha visto.

“Ele é meu filho”, disparou instantaneamente, quando a colocou nos braços.

🎥 @contasuahistoriaa

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  • Art&C - PMM - Festa da Liberdade - Setembro de 2026
segunda-feira - 21/09/2026 - 09:00h
2026

Zé Vicente e Colo de Deus são atrações da Festa de Santa Luzia

Colo de Deus e Zé Vicente foram anunciados por padre Antoniel Alves (Fotomontagem: Divulgação)

Colo de Deus e Zé Vicente foram anunciados por padre Antoniel Alves (Fotomontagem: Divulgação)

A Festa de Santa Luzia 2026 já tem duas atrações musicais confirmadas. O cantor e compositor Zé Vicente e o grupo Colo de Deus foram anunciados na sexta-feira (18) pelo coordenador-geral da festa e pároco da Catedral de Santa Luzia, padre Antoniel Alves da Silva.

O anúncio ocorreu durante o lançamento oficial da festa, realizado no Colégio Sagrado Coração de Maria. O Colo de Deus será a atração do dia 1º de dezembro, data que marca a abertura dos festejos. Já Zé Vicente se apresenta no dia 12 de dezembro, na programação que antecede o encerramento.

De acordo com padre Antoniel, a escolha das atrações considera diferentes aspectos da vivência da Diocese de Mossoró. A presença de Zé Vicente representa o resgate da tradição e da história da música religiosa, enquanto o Colo de Deus dialoga especialmente com a juventude, em sintonia com o Ano da Juventude vivido pela Diocese.

“Queremos convidar toda a comunidade de Mossoró, os fiéis da nossa Diocese e todos aqueles que têm carinho por Santa Luzia a participarem conosco. Será um tempo de fé, oração, cultura, música e encontro. Preparem-se para viver conosco esses 13 dias de festa em honra à nossa padroeira”, destaca padre Antoniel.

Com o tema “Jesus, olhando para ele, o amou” (Mc 10,21), a Festa de Santa Luzia será realizada de 1º a 13 de dezembro. Durante os 13 dias, milhares de fiéis são esperados para participar das celebrações religiosas e da programação sociocultural em homenagem à padroeira de Mossoró.

Além das celebrações religiosas, a festa contará com apresentações culturais e musicais, fortalecendo uma tradição que integra o calendário religioso e cultural do município.

A programação completa da Festa de Santa Luzia 2026 ainda deverá ser divulgada, com outras atrações e atividades previstas ao longo dos 13 dias de celebração.

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Categoria(s): Gerais
segunda-feira - 21/09/2026 - 08:24h
Mossoró

Cronograma de obra da “Arena Nogueirão” será apresentado

Banner de divulgação da Nacional Incorporadora e Construtora (Reprodução do BCS)

Banner de divulgação da Nacional Incorporadora e Construtora (Reprodução do BCS)

O empresário Júnior Rebouças, proprietário da Nacional Incorporadora e Construtora LTDA, apresenta nesta terça-feira (22) o cronograma das obras da nova Arena Nogueirão, em Mossoró.

A coletiva de imprensa está marcada para as 16h e será realizada no canteiro de obras do novo estádio.

A empresa comandada por Rebouças venceu o processo licitatório para a construção da arena. O empreendimento será executado por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), que prevê a permuta de uma parcela do terreno onde está localizado o atual estádio por uma área destinada à construção do novo Centro Administrativo Municipal.

De acordo com o projeto apresentado pela construtora, a nova Arena Nogueirão terá capacidade para 15.229 espectadores. O complexo, onde funcionou por décadas o Estádio Manoel Leonardo Nogueira (Nogueirão), bairro Nova Betânia, contará com 76 assentos destinados a pessoas com deficiência e terá 100% das arquibancadas cobertas.

O campo de jogo seguirá padrões internacionais, com gramado natural e sistema automatizado de irrigação. A estrutura também prevê dez camarotes corporativos climatizados, arquibancada premium, cabines para comentaristas, tribunas de imprensa e dois estúdios de televisão.

Além da estrutura voltada para partidas e eventos, o projeto inclui bares, lanchonetes e núcleos de banheiros distribuídos pelos diferentes setores da arena.

Outro destaque é a criação do Museu do Esporte Mossoroense, espaço destinado à preservação e valorização da história esportiva de Mossoró.

Centro Administrativo

Além da Arena Nogueirão, a Nacional vai edificar um Centro Administrativo para a Prefeitura Municipal de Mossoró, na continuidade da Avenida Rio Branco, próximo do atacarejo Dia a Dia (do mesmo grupo empresarial) – veja AQUI e AQUI mais informações.

Empresário com atuação em diferentes segmentos, Júnior Rebouças também está à frente do Supermercado Rebouças, rede com atuação no setor supermercadista e atacadista do Rio Grande do Norte.

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Categoria(s): Esporte / Gerais
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 20/09/2026 - 23:54h

Pensando bem…

“Os erros são parte do tributo que se paga por uma vida plena.”

Sophia Loren

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Categoria(s): Pensando bem...
domingo - 20/09/2026 - 12:50h
Pois é...

Vídeo registra Moraes em jatinho de Vorcaro, após novo contrato

Notícia da coluna de Lauro Jardim, jornal O Globo, neste domingo (20): Numa nota oficial que o Supremo Tribunal Federal (STF) emitiu em abril, Alexandre de Moraes foi peremptório. Disse que “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”.

Não é bem assim.

Foram vários voos e pelo menos um deles, ocorrido em 22 de agosto de 2025. Nele, Moraes e Viviane Barci aparecem desembarcando de um jatinho no Aeroporto Santos Dumont.

Pois é…

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Categoria(s): Política
  • Art&C - PMM - Festa da Liberdade - Setembro de 2026
domingo - 20/09/2026 - 10:50h
Ponto de vista

“O Poder Judiciário não está em crise”

“Não é o Poder Judiciário que está em crise. O Poder Judiciário são os 19 mil juízes e desembargadores que estão fazendo as instituições funcionarem com seriedade.”

Durante a posse do juiz Hélio Pinheiro Pinto como desembargador eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), sexta-feira (18), a presidente da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), Vanessa Mateus, destacou a atuação séria e responsável da magistratura brasileira e defendeu a apuração rigorosa de eventuais condutas, sem generalizações que atinjam os milhares de magistrados que cumprem diariamente sua missão de entregar Justiça à sociedade.

Assista a um trecho da fala da presidente da AMB. 🎥 @magistradosbr

Leia tambémSTF segura julgamento de Moraes em sessão tumultuada e vulgar

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Categoria(s): Gerais / Justiça/Direito/Ministério Público
domingo - 20/09/2026 - 09:14h

STF – de usinas do mal e Lampedusa

Por Honório de Medeiros

Lampedusa: tudo feito para ficar como sempre foi (Foto licenciada pela Creative Commons)

Lampedusa: tudo feito para ficar como sempre foi (Foto licenciada pela Creative Commons)

O ex-ministro Luís Roberto Barroso, do STF, certa vez concedeu deu uma entrevista na qual afirmou que “o sistema político brasileiro é uma usina do mal”.

O ex-ministro parece não saber o que é “sistema”, tampouco “política”, ou estava fazendo jogo-de-cena.

Ora, um sistema político está para o Poder Político assim como a espuma está para as ondas do mar.

Simples assim.

Tal é o animismo moderno, que evoluiu da concepção de que as coisas têm vida, para a concepção de que as abstrações têm vida.

Algo muito primitivo, sem dúvida, mas que presta um enorme serviço a quem detém o Poder Político.

Sua expressão máxima é o funcionalismo americano. É algo mais ou menos como imaginar que a culpa dos pneus estarem descalibrados é inerente a eles mesmos, e, não, às estradas ruins.

Troca-se o pneu e fica tudo bem.

Dessa visão do mundo também nasce nossa medicina, na qual os seres humanos precisam apenas melhorar as peças de reposição, que tudo fica otimizado.

Uma variante humorística – e crítica – de uma percepção funcionalista da realidade está na estória do homem que flagra a esposa em adultério. Revoltado, desfaz-se da cama onde ocorreu a traição.

Assim fez o ministro: não podendo se desfazer dos corruptos, quer modificar o sistema político.

Como se em cada sistema político não existissem corruptos.

Antes tivesse lido Lampeduza, ministro, Giuseppe Tomasi di Lampedusa.

É dele, em “Il Gattopardo”, a frase célebre: “tudo deve mudar para que tudo fique como está”…

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura de Natal e do Governo do RN

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Categoria(s): Artigo
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 20/09/2026 - 08:30h

Catucaí amarelo

Por Bruno Ernesto

Foto de autoria de Bruno Ernesto, 19/09/2026

Foto de autoria de Bruno Ernesto, 19/09/2026

Nada melhor que acordar bem cedo num domingo qualquer, esquentar água e despejar sobre um café moído em flagrante, mexer três ovos caipiras, assar uma lasca de queijo de coalho bem dessorado, uma banana em rodelas com mel de abelha e canela; outra com mel de engenho lá de nós. Se tudo for preparado no fogão a lenha, melhor ainda.

Aquela mistura de cheiros do cumaru e da imburana estalando, exsudando a seiva, enquanto queimam agarrados no fogão, tal qual um casal apaixonado; perfuma, inebria e extasia onde o seu cheiro alcançar. E vai longe.

Mas, falemos do café; pois num certo momento da vida, tomar uma xícara de café deixa de ser hábito aparentemente banal, e passa a ter um outro significado, outro contexto.

Se antes pegávamos um pacote de café na prateleira olhando apenas o preço, e não dávamos o devido valor, agíamos observando apenas um conceito da teoria econômica Valor-Preço, onde o que importava era apenas a variável nominal, o número, a quantidade de dinheiro que você estaria disposto a pagar por ele. Apenas isto.

Grosso modo, é aí onde Adam Smith diz que a mão invisível do mercado, com a oferta e a procura, vira um enxadrista.

Já o Valor-Utilidade, que qualquer economista diplomado – em tese – deve saber de cor, o que se paga é determinado pela satisfação pessoal com a aquisição daquele produto. Ou seja, caro ou barato, quem compra o faz pela satisfação pessoal.

Aliás, como falamos de um café de boa qualidade, diria que você pagaria um bom valor de utilidade para degustar xícara de um grão Catucaí amarelo, de torra média, com nota sensorial floral, caju e licoroso, acompanhando por uma lasca daquele queijo de coalho bem dessorado, ou queijo de manteiga feito pelo Galego da Serra, lá de Tenente Larentino Cruz.

Com todo respeito – convenhamos – há coisas na vida que não precisam do aval da academia. E uma delas, é que todo brasileiro com mais de quarenta anos de idade, de uma certa forma, compulsoriamente também virou economista.

Naquele tempo, do dôtô em medicina, ao simples zelador do cemitério, todos sabiam que tudo estava pela hora da morte, e que aquele café que há duas horas havia sido pego na prateleira do supermercado a um preço, na mesa de casa, já era outro bem maior.

E isso tudo, caro leitor, pude extrair de uma conversa travada entre dois senhores distintos durante um evento em alusão aos cinquenta anos da Noite da Cultura anteontem, parceria cultural entre a Loja Maçônica Jerônimo Rosado e Coleção Mossoroense, selo editorial criado por Vingt-Un Rosado em 1949, e que agora é conduzido pelo Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró, que foi convidado a continuar com a parceria e reafirmou o seu compromisso com a preservação da cultura mossoroense.

Entre uma conversa e outra, também disseram em alto e bom som perante os ilustres convidados – muitos -, que era irônico ver naquela mesma sessão alguém que há poucas semanas esnobara publicamente o Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró, e a própria Coleção Mossoroense, ao não dar o devido Valor-Utilidade, mas quis os frutos e beber do café da histórica comemoração do Jubileu de Ouro da Noite da Cultura.

– Visivelmente desambientado! Mas viu foi a reafirmação da parceria umbilical, um amálgama, entre o Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró e a Noite da Cultura.

Disse um dos distintos senhores, enquanto bebericava um café na Sala dos Passos Perdidos.

Como diria Nelson Rodrigues, “Não há admiração mais deliciosa do que a do inimigo”, e se for acompanhado de uma generosa xícara de Catucaí amarelo recém moído, melhor ainda.

Lembre-se, caro leitor: assim como na economia, na história, tudo tem um valor e um preço a se pagar.

Bruno Ernesto é escritor, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM e curador do portal cultural marsertao.com @ihgmossoro @marsertaoblog

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Categoria(s): Crônica
domingo - 20/09/2026 - 08:14h

O homem que nunca impõe

Por George Macedo Heronildes

Elder Heronildes faleceu aos 92 anos (Foto: Reprodução/Acervo familiar)

Elder Heronildes faleceu aos 92 anos (Foto: Reprodução/Acervo familiar)

Exmo. Sr. Presidente da Academia Norte-rio-grandense de Letras (ANRL), Professor Diógenes da Cunha Lima, por intermédio de cuja autoridade, cumprimento a todos os membros desta Academia.

“In memoriam”, cumprimento os amigos Vingt-Un Rosado e Dorian Jorge Freire (com os quais, hoje, papai, se confraterniza alegremente).

Respectivamente, as minhas queridas mãe, Zélia Macedo Heronildes, e esposa, Andréa Holanda Heronildes, por intermédio de cujas pessoas cumprimento a todos os demais familiares e amigos.

Exmo. Sr. Desembargador Manoel Onofre Júnior, membro desta Academia, a quem cumprimento agradecendo a belíssima oração proferida em homenagem ao meu estimado pai, Elder Heronildes.

Minhas Senhoras, meus Senhores.

“O HOMEM QUE NUNCA IMPÕE, SIM PROCURA CONQUISTAR”

Por conta dos problemas de saúde, que começaram, mais seriamente, a acometer o meu pai nos últimos tempos, passei a ir com bastante assiduidade a Mossoró.

De vez em quando, sozinho, tarde da noite, sentava-me na cadeira giratória dele, no escritório da casa e ficava olhando os objetos que, lá, ainda, se encontram, dentre os quais, no birô, representativamente: sua primeira máquina de escrever; seu computador, a cujo emprego já aderira; um porta-canetas; uma lupa, que, por conta da visão prejudicada, o auxiliava nas leituras e alguns livros sobrepostos entre si. Pendurados na parede frontal (sob a ótica de quem entra), ladeando o janelão que se abre para o jardim da casa, os retratos dos seus pais (o Velho Darico e Dona Tita) e dos sogros (Francisco Macedo e Maria Lopes de Macedo).

Na parede lateral direita, enfileirados, os retratos dos respectivos irmãos (Elpídio, Eudes, Nias, Puca, Epitácio, Laura e Dita), além de medalhas e comendas. Nas outras duas paredes, as estantes com os livros e alguns banners em sua homenagem, dentre os quais, um deles, (idealizado pelo Lions Club Mossoró – Centro), chamou-me a atenção pelos dizeres: “O HOMEM QUE NUNCA IMPÕE, SIM PROCURA CONQUISTAR”.

É, em apenas oito palavras, o resumo da personalidade de papai. Adorne-as com alguns poucos substantivos da mesma natureza (pacificidade, serenidade e cordialidade) e eis Elder Heronildes.

A frase me descortinou a razão respeitante a determinados comportamentos dele acontecidos há muitos anos, conjugando-os com outros mais recentes.

Lembro-me que, há mais de 50 anos, determinado jornalista, cumprindo o dever da livre manifestação, criticava-o quase diariamente, no Jornal, onde escrevia e, contudo, papai, cotidianamente, ia visitá-lo para um cafezinho na dita empresa jornalística. Mamãe admoestava: “Elder, não sei como você suporta fazer isso!” E eu ficava pensando: deveras … qual o motivo? Parecia-me contraditório.

Mas, então, passei a comparar com outras atitudes dele, dentre as quais, cito mais esta: papai sempre foi defensor de um lado partidário político na Cidade. Todos sabem, até porque participava das campanhas e discursava nos palanques e trios-elétricos. Certa feita, passada a eleição e sagrando-se eleito o candidato por nós apoiado, eis que, no comício da vitória, ele resolveu colocar no próprio automóvel duas bandeiras: uma com a cor do nosso partido e a outra com a cor do partido adversário.

Novamente, mamãe admoestou: “Elder, você não está vendo que isto vai dar errado? No mínimo, quebrarão e arrancarão a bandeira adversa tão logo estacionarmos.” Foi, exatamente, o acontecido. Só isto, graças a Deus.

Dizia Gandhi: “Não há caminho para a paz, a paz é o caminho”.

Juntando esses e outros fatos, passei a entender: simplesmente, papai queria, pacífica, serena, cordial e, às vezes, transversalmente, conquistar a união de todos (sem exceção) em prol do bem comum. Um idealista, um sonhador.

Mas, como disse, de forma magistral, o Monsenhor João Medeiros Filho, ilustre membro desta Academia, em uma de suas últimas crônicas: “Sonhar pode não determinar o lugar ao qual iremos chegar, mas produz a força necessária para nos libertar da estagnação.” … “Sonhar faz parte da energia divina, latente na alma humana.”

Ao fim, para não cansar, cito a derradeira, por ser mais recente.

Nestes últimos dias, o estimado Filemon Rodrigues (Vice-presidente da Academia Mossoroense de Letras – AMOL) contou-me que, segundo a respectiva ótica, a Vice-presidência daquela Instituição deveria ser ocupada por um Acadêmico mais jovem, possuidor de engenhos renovados, para ajudar adequadamente à Presidência. Dessarte, procurou papai, visando a expor tal opinião e dizer que, portanto, não gostaria de concorrer na eleição seguinte. Obteve a concordância como resposta inicial, apenas sob a condição de que encontrasse um nome para a consequente mudança.

Contudo, quando já ia saindo pela porta de nossa casa, papai o chamou de volta e disse: “por favor, encontre, também, um nome para a Presidência, pois sem a sua ajuda não conseguirei administrar”. Resultado: Filemon resolveu mudar de ideia.

Querido pai, ou, como disse o Prof. Diógenes, “nosso querido Elder”: que Deus o tenha junto aos seus familiares, antes mencionados, mais os seus velhos e estimados amigos Joaquim Borges, Emerson Azevedo, Canindé Alves, João Escóssia, Dorian Jorge, Jaime Hipólito, Vingt-Un, Vingt, Dix-Huit, Dix-Neuf e muitos, muitos outros.

Com estas palavras, fico assaz obrigado.

George Macedo Heronildes é advogado e Filho de Elder Heronildes

*Discurso proferido na Academia Norte-riograndense de Letras (ANRL) – em Natal – no dia 18 de agosto, em evento que homenageou Elder Heronildes, falecido dia 30 de junho deste ano (veja AQUI).

Leia também: Elder Heronildes, um cidadão irradiante de alegria e otimismo

Leia também: Tenho para mim que você não partiu

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Categoria(s): Crônica
  • Art&C - PMM - Festa da Liberdade - Setembro de 2026
domingo - 20/09/2026 - 07:42h

Direito através da arte

Por Marcelo Alves

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA, em estilo barroco, para o BCS

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA, em estilo barroco, para o BCS

Já defendi, em vários dos meus artigos, a utilidade de se estudar o direito através da literatura e do cinema. Sou um entusiasta dessa tendência atual, dessa interdisciplinaridade, aqui entendida como a interação, nos mais diversos níveis de complexidade (multidisciplinaridade, pluridisciplinaridade, interdisciplinaridade em sentido estrito e transdisciplinaridade), entre direito e literatura/cinema, visando à compreensão – e até mesmo ao aperfeiçoamento – daquele através das linguagens destes.

Hoje, a partir da leitura de um livro que sugiro deveras – “O espelho infiel: uma história humana da arte e do direito” (Nova Fronteira, 2020), de José Roberto de Castro Neves –, vou um pouco mais longe. Na verdade, farei uma indagação mais abrangente: é possível, é útil, abordar e mesmo estudar o direito através da arte em geral, incluindo, assim, as artes plásticas?

Minha resposta é, mais uma vez, sem titubear, sim!

Alguns dos motivos tiro do “Espelho infiel”: “A fim de entender e aplicar o direito, é necessário conhecer a história e a cultura de um povo. Certamente, o mais íntegro e erudito juiz indiano terá dificuldades em julgar da melhor forma se for importado para uma corte brasileira e ficar sujeito a examinar casos em disputa no Brasil. O julgador – e o mesmo serve para o advogado – não pode ser um alienado da realidade, mas deve viver em sintonia com a sociedade em que atua”. “A arte e o direito, pois, são manifestações fundamentais da sociedade. Elas explicam a nossa história. É melhor conhecê-las do que ignorá-las”. (…) “O segundo motivo pelo qual se deve conhecer arte e direito é o de que todas as manifestações sociais se comunicam e interagem. As áreas do conhecimento não estão isoladas. Um grande médico não sabe apenas medicina, mas se familiariza com a humanidade. Os artistas renascentistas se distinguiam pelo seu amplo saber humanístico. Para executar qualquer mister de forma eficiente, deve-se compreender o mundo. Os maiores atores têm enorme bagagem cultural, bem como os verdadeiros homens públicos e, é claro, os juízes e advogados”. (…) “Por fim, o terceiro motivo pelo qual se deve conhecer a arte e o direito se relaciona à forma como o homem se manifesta. A força do homem depende, em grande parte, de como ele externa sua causa e como percebe as informações que lhe chegam. A arte é uma linguagem. Na verdade, a arte é a mais poderosa das linguagens. O contato com a arte nos permite reconhecer mais claramente a mensagem, recebê-la, processá-la e transmiti-la da melhor forma (ou das melhores formas)”.

Abandonemos os preconceitos. Abandonemos a ideia de que o direito só pode ser apreendido e aprendido por meio dos seus enfadonhos manuais e tratados. Como indaga Julio Cabrera, em “O cinema pensa: uma introdução à filosofia através dos filmes” (Rocco, 2006): “Existe alguma ligação interna e necessária entre a escrita e a problematização filosófica [no nosso caso, jurídica] do mundo? Por que as imagens não introduziriam problematizações filosóficas [ou jurídicas], tão contundentes, ou mais ainda, do que as veiculadas pela escrita?”.

De minha parte, sempre digo que não enxergo qualquer coisa na essência do direito que o “condene” para sempre a se manifestar tão somente por meio da escrita tradicional. Ao contrário, com os grandes artistas, com suas belas obras, devemos apreender e aprender que o direito não é um fim em si mesmo, isolado do mundo. Ele faz parte da vida cotidiana. Talvez seja até essa a razão principal pela qual a arte interessa ao direito. Dito isso, grito: viva a arte!

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

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Categoria(s): Artigo
domingo - 20/09/2026 - 07:28h
Politização

Gilmar Mendes sugere que membro do TSE se afaste de função

Para Mendes, existe "um risco que vem de dentro: o da politização da Justiça Eleitoral" (Foto: Sérgio Lima/Poder 360)

Para Mendes, existe “um risco que vem de dentro: o da politização da Justiça Eleitoral” (Foto: Sérgio Lima/Poder 360)

Do Poder 360

O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes disse neste sábado (19.set.2026) que o principal risco à Justiça Eleitoral “vem de dentro” e sugeriu que magistrados do Tribunal Superior Eleitoral que atuam de forma politizada devam deixar seus cargos.

Depois de citar possível intervenção estrangeira no processo eleitoral brasileiro, Gilmar escreveu no seu perfil na rede social X: “Mais grave, porém, é o risco que vem de dentro: o da politização da Justiça Eleitoral. Quem tenta engajar o Tribunal em proselitismo partidário deve avaliar se reúne condições de nele permanecer. E os partidos políticos e o Ministério Público Eleitoral devem fiscalizar atentamente se essas condições estão presentes, arguindo a suspeição nos casos em que ela se configure”.

Gilmar disse ainda que o STF continuará agindo como “instância de supervisão” sobre o processo eleitoral, “intervindo sempre que necessário à preservação de seus próprios precedentes e da Constituição”. Em suma, afirmou que o Supremo vai se sobrepor ao TSE sempre que julgar necessário.

A declaração de Gilmar se dá dias depois de o decano da Corte ter chamado o ministro André Mendonça de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”  durante sessão do STF e em publicação no X. Mendonça é vice-presidente do TSE.  Ao falar de “pixuleco”, Gilmar fez referência ao boneco inflável levado ao ato de 7 de Setembro na avenida Paulista.

O ministro retirou o sigilo do relatório que mostrava conversas do ministro Alexandre de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, com Daniel Vorcaro, às vésperas do feriado.  Gilmar disse que a medida foi intencional e envolveu o Supremo na campanha eleitoral de forma indevida. Mendonça respondeu que levantou o sigilo de um procedimento específico, em decisão fundamentada, e negou ter usado o Supremo como “palanque”.

Veja abaixo, íntegra da postagem de Gilmar Mendes na rede social “X”:

Reprodução do Poder 360

Reprodução do Poder 360

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domingo - 20/09/2026 - 07:00h

Canavial – um conto capital

Por Júlio Rosado

Arte ilustrativa exclusiva, com recursos de IA, para o BCS

Arte ilustrativa exclusiva, com recursos de IA, para o BCS

O que deveria ter sido um fogo contido, comumente utilizado para queimar as palhas secas da plantação, se tornou avassalador. As fagulhas incontroladas ameaçavam, agora, atingir os tanques de armazenamento de etanol da usina de produção.

João Batista, dedicado capataz, cuja família havia sido um dos muitos proprietários de parte das terras que hoje compõem o patrimônio da União Açucareira do Vale do Maruim, pertencente ao fazendeiro Gervásio Dantas, não poderia deixar que aquele sinistro acabasse com as poucas memórias que ainda possuía daquele lugar em que nascera e onde tivera os momentos mais felizes de sua vida. Ali crescera tomando banho nas águas do rio Tapuyos que banha as terras outrora pertencentes a seus pais.

No meio da verdejante plantação de cana, foi de onde pode admirar, pela primeira vez, desfilando na varanda da casa grande, a beleza arredia de Ritinha Dantas, filha mais velha do então mercador de açúcar que se tornaria arrendatário de algumas áreas de plantio e que, posteriormente, viria a ser o proprietário de quase todas as terras da região.

Naquele solo, João Batista tornou-se homem no sentido pleno da palavra. Descobriu que paixões nem sempre são correspondidas e que as diferenças socioeconômicas são argumentos fortes o bastante para afastar as pessoas e se sobrepõem a qualquer rompante de paixão verdadeira ou gesto juvenil de rebeldia.

À época, duplamente abalado, com seus pais endividados no banco por conta da produção previamente comprometida com os compradores a preços irrisórios e inibido em expressar seu amor por aquela linda moça que recebia todos os mimos da sede da fazenda, João Batista viu-se forçado a entregar a posse do terreno em que seus familiares viviam e trabalhavam e ao qual haviam dado, premonitoriamente, o nome de sítio Canavial, para a Indústria Açucareira de Gervásio Dantas.

Restou a João Batista aceitar, como compensação, o emprego de capataz. Gervásio Dantas demonstrava saber identificar um homem trabalhador e, ademais, tratava-se de alguém que conhece as terras e as pessoas do lugar, fala com os nativos e para os nativos.

Sem alternativas, João Batista agarrou-se às novas tarefas com todo seu fervor. Seria justo permanecer naquelas terras, ainda ganharia por isso e teria sempre a oportunidade de estar próximo à, agora, ‘Erredê’ (pseudônimo formado pelas iniciais da artista plástica e designer Ritinha Dantas). Era o máximo que aquele iletrado filho de pobres agricultores se julgava capaz de almejar.

O calor do fogo, todavia, chamava o dedicado funcionário à realidade. Ele, que vivenciou desde pequenino – ainda que sem consciência de sua realidade – a transformação daquele antes exuberante pedaço de mata atlântica em uma das maiores expressões do capitalismo não se conformaria em ficar apenas observando as labaredas devorarem seu ambiente. O bravo sertanejo, num ato de ousadia e coragem, montou em seu cavalo e avançou campo adentro. Com seu facão, começou a cortar os talos de cana fazendo um acero na intenção de isolar e, assim, conter o avanço do incêndio.

Aquele gesto do heroico trabalhador, misto de loucura e desprendimento, foi suficiente para estimular os demais trabalhadores a se incorporarem voluntariamente à sua improvisada brigada anti-incêndio criada no calor dos acontecimentos. Homens e máquinas, aos poucos, foram sendo arrebanhados para combater o sinistro. Tratores derrubavam as plantações e empurravam a areia para cima do fogo, isolando-o. Trabalhadores se uniam com pás e baldes em volta do depósito de inflamáveis e da sede da fazenda visando conter, se preciso, expondo o próprio corpo, o avanço em direção às instalações.

Finalmente, após exaustiva luta, o descanso. As chamas foram debeladas. Os danos materiais foram minimizados. A pouca criação de gado que havia, foi preservada. Mas a imagem era de terra arrasada.

Avaliando assim, poder-se-ia afirmar que tudo terminou bem. No entanto, este não foi o pensamento dos proprietários da companhia que explora a produção daquela fazenda e que calcularam que as mudas que que foram arrancadas do solo pelos trabalhadores a despeito de conter o fogo somavam um valor imensurável para eles. Além disso, o maquinário foi exposto ao ser utilizado em meio às chamas depreciando seu valor comercial.

Embora não se tenha registrado perdas humanas, alguns trabalhadores foram hospitalizados após terem sofrido queimaduras e intoxicação por inalação de fumaça. No que diz respeito às despesas médicas por conta da iniciativa, considerada insanidade pelos executivos, os valores foram estratosféricos.

Tudo seria superlativizado na ótica do ganancioso Gervásio Dantas e seus sócios. Mas a pior projeção foi quanto à perda dos ganhos que eles teriam com o pagamento do prêmio do seguro caso os tonéis de armazenamento do produto tivessem sido atingidos pelo incêndio (o recebimento de tal valor garantiria a modernização da empresa, permitindo a troca de todo o maquinário antigo e a consequente supressão de mão de obra com a aquisição de equipamentos computadorizados que substituiriam centenas de trabalhadores).

Quem iria arcar com esse ‘prejuízo’?

Como seria custeada a modernização do maquinário, agora que não se poderia pleitear o benefício do seguro caso aquele fogo ‘acidental’ tivesse consumido todo o ‘estoque’ contabilizado dos velhos tanques de seu engenho ultrapassado?

Só restava, na visão dos industriais canavieiros, uma decisão a tomar: providenciaram a punição sumária de todos os trabalhadores que se envolveram naquele ato de ‘insubordinação e despreparo’, cobrando-os judicialmente pelos prejuízos acumulados e pelo lucro cessante. Pagariam centavo a centavo, nem que isso lhes custasse o pouco que possuíam.

Nem é preciso dizer que nosso herói, João Batista, foi demitido sem direito ao menor reconhecimento, obrigado a manter-se distante das terras do Canavial e a responder um processo por imperícia sob a acusação leviana de haver, com suas atitudes, colaborado para aumentar o risco de agravamento da situação. Ainda assim, o castigo que mais lhe afetou foi não mais poder admirar a beleza de Ritinha Dantas, sua platônica Erredê. A distância do amor não correspondido, para o dedicado capataz, seria seu maior castigo.

Júlio Rosado é escritor

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Categoria(s): Conto/Romance
domingo - 20/09/2026 - 06:40h

Tempos vividos

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa

Arte ilustrativa

“O tempo, inabalável na mansa malha dos dias e das noites, nunca ofega. Inspira e expira o ventre onde tudo se cria. A mais sutil mudança na pedra, o deslocamento da menor partícula de ar divisível o mínimo escorrer das águas, a insignificante transformação humana se dão nas tramas airadas do tempo. O tempo flutua invisível e em espesso presente. Nada apodrece sem ele. Nada floresce. Nada se torna amável. Nenhum ódio viceja. Nenhuma umidade seca. Nenhuma sede cede. As tempestades não inquietam nele ventos, as avalanches não podem soterrá-lo, a perplexidade não o paralisa, o mal não o ameaça e o bem não faz com que se demore”.

As palavras acima foram extraídas do livro Véspera, de autoria da escritora Carla Madeira. É certo que nada escapa ao tempo. Com ele, aprendemos, amadurecemos, sorrimos, choramos. Acontece, no entanto, que na maioria das vezes não percebemos o tempo passar.

E, ao volvermos os olhos para o passado, sentenciamos: Ah, o tempo passou rápido, como envelheci, os meus filhos estão adultos, eu nem joguei bola com eles, e nem brinquei no parquinho da praça com os meus netos.

Então, percebemos que deixamos de viver o que há de melhor. Às vezes bate algum arrependimento, pois deixamos de estar ao lado de quem amamos ao eleger outras prioridades. Aí, no crepúsculo da vida, quando já gastamos toda saúde, tentamos fazer um acordo com o tempo, pedindo-lhe que passe devagar.

Concluímos que pequenos momentos da vida são extraordinários. Ou seja, deixamos pra depois as visitas a alguém especial, as demonstrações concretas de amor, os almoços com a família, o cafezinho com os amigos, a viagem dos sonhos, os reencontros.

O que vivemos valeu a pena? Ou será que os tempos vividos foram consumidos somente pelo trabalho? Cabe a você, dileto leitor, responder. De toda forma, nunca é tarde para refletir e, se quiser, usufruir do tempo que nos resta.

Odemirton Filho é oficial de justiça

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Categoria(s): Crônica
  • Art&C - PMM - Festa da Liberdade - Setembro de 2026
domingo - 20/09/2026 - 05:22h

Violinos infernais

Por Marcos Ferreira

Artes ilustrativas exclusivas com recursos de IA para o BCS

Artes ilustrativas exclusivas com recursos de IA para o BCS

Pode ser que eu esteja mal comparando. É bem provável que sim. Entretanto, com uma boa dose de licença poética, o equipamento que me vem à cabeça neste minuto não é outro senão o violino. Inúmeros. E todos, via força de expressão, considero bestiais. Lógico que não há nenhum Stradivarius. Muito menos a mestria de um Antonio Vivaldi, uma Viktoria Mullova ou o jovem prodígio Guido Sant’Anna, este nascido em São Paulo, primeiro músico sul-americano a vencer, em 2022, o prestigiado Concurso Internacional Fritz Kreisler, em Viena, na Áustria, com apenas dezessete anos. Claro que, para não soar pernóstico, preciso revelar que pesquisei na internet algumas informações sobre esses artistas, em especial acerca de Sant’Anna.

Sem rodeios, então, digo que os mencionados violinos não são outra coisa além dessas malditas muriçocas, praga denominada pernilongos ou tão só mosquitos. Pois é, elas, as muriçocas, produzem um som que ligeiramente semelha o do nobre instrumento com o qual o insuperável Paganini consagrou-se, este um velho conhecido meu, modéstia à parte.

Aqui há enxames de muriçocas que parecem se multiplicar e são mais atrevidas na hora em que o dia vai mudando para a noite. Acreditem-me; parecem até triplicadas durante o crepúsculo. Pode-se ouvir-lhes facilmente o concerto caótico. Imagino se a superpopulação desses insetos desgraçados ocorre em toda parte desta província ou se é privilégio unicamente dos lares suburbanos.

Penso que nos condomínios verticais, sobretudo, não existe essa espécie de problema. As desgraçadas talvez tenham medo de altura e não se arriscam pegando o elevador desses edifícios. Suponho que, quanto mais altos os prédios, menos problema com a sinfonia dos infernos. Aqui na periferia, no entanto, estamos entregues ao sedento ataque dos minúsculos demônios alados. A prefeitura, embora nos encontremos às portas de outra eleição, não toma nenhuma providência.

Enquanto escrevo estas linhas, justo no momento mais crítico, uso calça jeans, calço meias e visto camisa de algodão de mangas compridas. Além disso, para evitar que esbarrem nos meus ouvidos, posiciono o ventilador bem à minha esquerda, para amenizar o calor e afastar as pestes. Este bairro inteiro, o Conjunto Walfredo Gurgel, parece estar condenado. Nem sinal de um carro fumacê.

Embora com o ventilador próximo é possível escutar a musiquinha que as muriçocas produzem ininterruptamente. Tenho conhecimento de que alguns vizinhos recorrem a inseticidas, veneno que pulverizam pela casa toda. Daqui, em meio a essas criaturas abomináveis, posso ouvir as bombinhas de spray e aquelas raquetes eletrificadas. Particularmente, apesar de todo o incômodo, não recorro a nenhum inseticida.

Temo, além de mim próprio, que minha cadelinha Juju seja envenenada de algum modo. Do final da tarde para a noite permaneço embalado nas roupas que mencionei há pouco. Termino indo para a cama assim, com esse tipo de armadura.

Torço que essa calamidade seja algo transitório. Há meses lidamos com a superpopulação de muriçocas e os seus violinos infernais. Quem sabe daqui a um determinado tempo, assim como surgiram, elas súbito desapareçam e fiquemos livres desse caos. Preciso abreviar este relato. O momento é crítico. Querem o meu sangue a todo custo. Que Nossa Senhora do Bom Parto nos ajude.

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Crônica
sexta-feira - 18/09/2026 - 23:48h

Pensando bem…

“Nada sujo, nada faltando, nada fora do seu lugar.”

Provérbio Judaico

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Categoria(s): Pensando bem...
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
sexta-feira - 18/09/2026 - 19:14h
Violência

Petistas e bolsonaristas brigam em frente à Ponta Negra

Batalha campal à noite desta sexta-feira (18), em Natal, em frente à sede da TV Ponta Negra.

Militantes petistas e bolsonaristas entraram em luta corporal, antes do debate entre candidatos ao governo estadual, na emissora, hoje.

🎥 ZN News

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Categoria(s): Política
sexta-feira - 18/09/2026 - 18:36h
Futebol

Madeireira Beira Rio e Atlético Sete decidem Copa Dinâmica Sports

Beira Rio x Atlético Sete: jogo decisivo (Fotomontagem do BCS)

Beira Rio x Atlético Sete: jogo decisivo (Fotomontagem do BCS)

Madeireira Beira Rio e Atlético Sete decidem, neste sábado (19), às 15h30, o título da Copa Dinâmica Sports Master 2026. O confronto no Campo da Reffesa, em Mossoró-RN, reúne os campeões das duas edições anteriores da competição: o Atlético Sete em 2024 e a Madeireira Beira Rio, em 2025.

O campeonato contou com a participação de 14 equipes e chegaram à final os dois times de melhores campanhas. O Atlético Sete está invicto com 7 vitórias e 1 empate, além de ter o melhor ataque (29) e a melhor defesa (05). A Madeireira Beira Rio também venceu 7 jogos, mas sofreu uma derrota, tendo marcado 25 gols e sofrido 6.

Nas fases eliminatórias, a Madeireira Beira Rio sobrou, aplicando duas goleadas por 4 a 1 sobre o Cemax e a Voltec, nas quartas de final e semifinal, respectivamente. O Atlético Sete teve vida mais difícil. Foram duas vitórias magras: 1 a 0 no BH Junior’s e 2 a 1, de virada, sobre o ABC, nas quartas de final e semifinal, respectivamente.

O poderio ofensivo dos dois times se reflete na disputa pela artilharia. Cinco jogadores de cada time, aptos a disputarem a final, anotaram entre 3 e 5 gols. Cleber, da Madeireira Beira Rio, e Jackson e Max, ambos do Atlético Sete, dividem a artilharia atualmente, com 5 gols, ao lado de Raimundinho (Serra do Mel), Miltinho (BH Junior’s) e Messin (ABC).

A final conta com diversos nomes que fizeram história no futebol profissional de Mossoró e em estados vizinhos, incluindo os goleiros Érico, Nilson, o zagueiro Nildo, os volantes Jozicley e Everton, os meias Max, Paulinho Mossoró e Márcio Mossoró, e os atacantes João Batista, Sideny, Robertinho, Wilton, Jackson e Adeilson.

O título será decidido em condições de igualdade. Em caso de empate, o campeão será conhecido na disputa de pênaltis.

Arbitragem

Valdick Leão e Vivaldo Dantas, árbitros AMOAF, apitam a decisão.

Transmissão

O canal MAGNOS TV no Youtube transmite a decisão ao vivo e com imagens.

Premiação

A competição vai distribuir R$ 7.700,00 em premiação em dinheiro, além de troféus.

Campeão: R$ 4.000,00 + Troféu

Vice-campeão: R$ 2.500,00 + Troféu

3º Colocado: R$ 500,00

4° colocado: R$ 500,00

Artilheiro: R$ 100,00 + Troféu

Goleiro campeão: R$ 100,00 + Troféu

Técnico campeão: Troféu

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Categoria(s): Esporte
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