terça-feira - 27/01/2026 - 11:36h
Agenda

Tibau recebe I Festival Literário

Evento vai reunir amantes da literatura - Foto: reprodução

O primeiro Festival Literário de Tibau – FliTibau- promete movimentar a cena cultural no litoral do oeste potiguar. As vagas para novos participantes foram esgotadas durante o primeiro dia de divulgação. O evento acontece no dia 31 de janeiro, a partir das 15h, no Espaço Villa do Tibau, localizado na Avenida 22 de Dezembro, em Tibau- RN. O encontro representa um mergulho na Literatura Potiguar, reunindo escritores, leitores e apreciadores da arte em uma tarde dedicada aos livros, à poesia e cultura nordestina.

A iniciativa parte dos jornalistas Emanuela de Sousa, Lúcia Rocha e Raí Lopes, além do poeta Júlio Rosado, com a ideia de aproximar o universo literário na cidade-praia de Tibau. Haverá sessão de autógrafos dos livros de Emanuela de Sousa, Júlio Rosado e Leila Tabosa. Um dos momentos mais aguardados da programação será o lançamento do livro Tibau de Todos os Tempos – Volume II, de autoria de Lúcia Rocha, obra que resgata memórias, histórias e identidades de nativos e veranistas nascidos a partir da década de 1920. Valor do exemplar: R$ 60.

O FliTibau é aberto ao público e contará com a participação da confraria literária Café & Poesia, representada por Ângela Gurgel, Vanda Maria Jacinto, Dulce Cavalcanti, Marlene Maurício Maia, Sueldo Câmara, Airton Cylon, Marcelo Almeida, Danny Santos e Marcos Antônio de Oliveira que também estarão autografando suas obras.

Além da contadora de estórias Magaly Holanda e da mostra de peças de artesanato produzidas pela Associação de Artesãos de Tibau, valorizando a produção da arte local.

Para completar a experiência, os visitantes poderão desfrutar da culinária da cafeteria do Villa do Tibau, que oferece cardápio com sabor regional. Haverá, ainda, uma apresentação da atriz Tony Silva, da Banda Filarmônica de Tibau e Exposição Xilogravura Potiguar. Venha viver esse momento e celebrar os talentos de nossa gente.

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Categoria(s): Cultura
terça-feira - 27/01/2026 - 11:02h
Licitações

PF cumpre 35 mandados e recolhe dinheiro com empresário

Dinheiro estava numa caixa de isopor (Reprodução: vídeo da PF)

Dinheiro estava numa caixa de isopor (Reprodução: vídeo da PF)

A operação desencadeada nesta terça-feira (27) pela Polícia Federal e Controladoria-Geral da União (veja AQUI) teve alvos em várias municípios do Rio Grande do Norte: Natal, Mossoró, Pau dos Ferros, Upanema, São Miguel, Paraú, José da Penha e outras.

A PF cumpriu 35 mandados de busca e apreensão no estado. Num dos endereços, pacotes de dinheiro foram apreendidos na casa de um dos sócios de empresa investigada.

Empresas fornecedoras de insumos à saúde estariam sendo beneficiadas em licitações. É o ponto central das apurações.

Elas atuam também fora do RN e investigação é focada na relação delas com o poder público.

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Categoria(s): Administração Pública / Política
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terça-feira - 27/01/2026 - 09:22h
RN

PF faz operação em municípios; prefeito Allyson se pronuncia

Mensagem anual terá apresentação a partir de 9 horas (Foto: Arquivo/2024)

Prefeito se pronunciou em nota de advogados (Foto: Arquivo/2024)

A Polícia Federal, em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União, deflagrou, nesta terça-feira (27/1), operação com o objetivo de desarticular um esquema voltado ao desvio de recursos públicos e a fraudes em procedimentos licitatórios. Empresas sediadas no Rio Grande do Norte que fornecem produtos, a dezenas de municípios, são investigadas.

Estão sendo cumpridos 35 mandados de busca e apreensão no Rio Grande do Norte, além da adoção de medidas cautelares e patrimoniais.

O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), está entre os alvos. Seus advogados Caio Vitor Barbosa e Fabrizio Feliciado emitiram Nota: “A apuração conduzida pelas autoridades federais tem como objeto central contratos firmados entre municípios do Rio Grande do Norte e empresas de medicamentos, envolvendo fatos ocorridos em diferentes entes municipais, e não se confunde com a atuação pessoal do chefe do Poder Executivo de Mossoró.”

As investigações apontam indícios de irregularidades em contratos de fornecimento de insumos para a rede pública de saúde, envolvendo empresas sediadas no Rio Grande do Norte que atuavam junto a administrações municipais de diversos estados. Auditorias identificaram falhas na execução contratual, incluindo indícios de não entrega de materiais, fornecimento inadequado e sobrepreço.

Os investigados poderão responder por crimes relacionados a desvios de recursos públicos e por fraudes em contratações administrativas.

Nota

NOTA À IMPRENSA – DEFESA DO PREFEITO ALLYSON BEZERRA

A defesa do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, vem a público esclarecer que, na data de hoje, foi cumprido mandado judicial de busca e apreensão no âmbito de investigação.

A apuração conduzida pelas autoridades federais tem como objeto central contratos firmados entre municípios do Rio Grande do Norte e empresas de medicamentos, envolvendo fatos ocorridos em diferentes entes municipais, e não se confunde com a atuação pessoal do chefe do Poder Executivo de Mossoró.

Pelo que já se teve acesso, não há qualquer fato que vincule pessoalmente o prefeito Allyson Bezerra, tendo a medida sido deferida com base em diálogos envolvendo terceiras pessoas.

O cumprimento da medida cautelar decorre de decisão judicial proferida em fase investigativa, sem qualquer juízo de culpa, sendo importante destacar que o prefeito Allyson Bezerra não foi afastado de suas funções e não sofreu qualquer medida pessoal restritiva. Desde o primeiro momento, o prefeito colaborou integralmente com a diligência, franqueando acesso às informações solicitadas, em respeito às instituições e à legalidade, convicto de que a apuração técnica e imparcial dos fatos demonstrará a correção de sua conduta. Como medida preventiva e de fortalecimento dos mecanismos de controle e transparência, ainda em dezembro de 2023, o prefeito Allyson Bezerra editou o Decreto no 6.994/2023, que tornou obrigatória a utilização do Sistema Nacional de Gestão da Assistência Farmacêutica – Hórus como sistema oficial de controle de estoque e dispensação de medicamentos no âmbito da Prefeitura de Mossoró, além de atribuir à Controladoria Geral do Município a responsabilidade direta pela fiscalização e acompanhamento de sua correta utilização.

A defesa reafirma a confiança no trabalho das autoridades, nas garantias constitucionais, na preservação da presunção de inocência. O prefeito Allyson Bezerra segue exercendo normalmente suas funções, com foco na gestão pública, na transparência administrativa e no interesse da população de Mossoró.

CAIO VITOR R. BARBOSA e FABRÍZIO FELICIADO Advogados

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Categoria(s): Política
terça-feira - 27/01/2026 - 07:32h
Assustador!

O problema multiplicador das faculdades precárias de Medicina

Unidade Temporária para Pronto Atendimento poderá realizar vários procedimentos (Foto ilustrativa)

Quatro em cada 10 formados saem sem capacidade mínima das faculdades privadas (Foto ilustrativa)

Do The News e BCS

Na semana passada, dados do Exame Nacional de Formação Médica (ENAMED) 2026 revelaram que 4 em cada 10 médicos formados em faculdades privadas no Brasil saem sem a capacidade mínima para exercer a profissão.

Dos 24 mil formandos de cursos privados, 38,8% não atingiram a nota mínima (60 de 100). Já entre as universidades públicas, o desempenho foi bem melhor: das 49 instituições que tiraram nota máxima, 40 são federais ou estaduais.

Hoje, mais de 70% dos formandos são originários de instituições privadas.

Em números, o Brasil mais que triplicou o número de escolas médicas em 20 anos, saltando de 143, em 2004, para 448, em 2024.

Assustador!

Leia também: Avaliação de cursos de Medicina vê Facene bastante deficiente

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terça-feira - 27/01/2026 - 05:38h
Câmara dos Deputados

Oito vagas e concorrência pesada e ameaçadora

Benes, Carla, Robinson, João, Gonçalves, Girão, Mineiro e Bonavides: votos distintos (Fotomontagem Web)

Benes, Carla, Robinson, João, Gonçalves, Girão, Mineiro e Bonavides: mandatos em foco (Fotomontagem Web)

Pelo menos três nomes despontam  este ano como fortes candidatos à eleição à Câmara dos Deputados pelo RN. Nenhum é estreantes à concorrência. São ‘desafiantes.’

O deputado estadual Dr. Bernardo Amorim (PSDB), a secretária de Desenvolvimento de Natal, Nina Souza (UB), e a vereadora natalense Samanda Alves (PT).

Porém, só existem oito vagas.

Benes Leocádio (UB), Carla Dickson (UB), Fernando Mineiro (PT), João Maia (PP), General Girão (PL), (PL), Natália Bonavides (PT), Robinson Faria (PP) e Sargento Gonçalves (PL) são deputados e devem concorrer à reeleição.

Quem pode sobrar?

Faça suas apostas.

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Categoria(s): Política
segunda-feira - 26/01/2026 - 23:50h

Pensando bem…

“Você não encontra paz, evitando a vida.”

Virginia Woolf

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segunda-feira - 26/01/2026 - 16:38h
Boa nova

Petrobras reduz preço da gasolina em 5,2%

Arte ilustrativa

Arte ilustrativa

G1

A Petrobras vai reduzir o preço da gasolina para as distribuidoras a partir desta terça-feira (27). Essa será a primeira redução do combustível promovida pela petroleira neste ano.

Com isso, o preço médio da gasolina A passará a ser de R$ 2,57 por litro — uma redução de R$ 0,14 por litro.

A última alteração no preço da gasolina havia ocorrido em outubro de 2025.

“Desde dezembro de 2022, os preços de gasolina para as distribuidoras foram reduzidos em R$ 0,50 / litro. Considerando a inflação do período, esta redução é de 26,9%”, diz a empresa em nota. (veja a íntegra abaixo)

A companhia também informou que deve manter inalterados, neste momento, os preços de venda do diesel para as distribuidoras. Nesse caso, segundo a Petrobras, a redução acumulada nos preços do diesel é de 36,3% desde 2022.

Preços nas bombas

Segundo a Petrobras, os preços praticados pela empresa representam cerca de um terço do valor final pago pelos consumidores nos postos.

A petroleira explica que o preço da gasolina nas bombas é composto por diversos fatores, além do valor cobrado pela estatal.

São eles:

Custos e margem de lucro de distribuidoras e revendedores;

Custo do etanol anidro, que é misturado à gasolina A para formar a gasolina C;

Impostos federais, como Cide, PIS/Pasep e Cofins;

Imposto estadual (ICMS), cuja alíquota varia conforme a unidade da federação.

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Categoria(s): Economia
segunda-feira - 26/01/2026 - 15:38h
Negócios

Gigante do comércio virtual quer ser enorme em loja física

Modelo de megaloja na visão da Amazon ((Imagem: Geek Wire)

Modelo de megaloja na visão da Amazon ((Imagem: Geek Wire)

Do The News para o BCS

A Amazon acaba de receber sinal verde para construir uma loja de 21.300 m² na região de Chicago-EUA. O projeto vai ser um modelo de megaloja de departamento — um “Amazon-Mart” para bater de frente com os maiores supermercados do país.

Por que o movimento? Embora hoje a Amazon seja líder no digital, o mundo real ainda é onde o volume acontece.

Nos EUA, o comércio em lojas físicas representa 84% das vendas, enquanto o e-commerce fica com apenas 16%.

Outro dado que tira o sono da Big Tech é que 93% dos seus clientes Prime compram regularmente no Walmart.

Mesmo tendo tentando de tudo nos últimos anos, desde livrarias, lojas de presentes e de conveniência, agora a estratégia da empresa é outra: a megaloja.

A ideia é que o formato sirva também como um mini-hub logístico, usando o estoque para despachar rapidamente produtos comprados pelo site.

Curiosidade: O valor de mercado da Amazon é maior (US$ 2,5 trilhões vs US$ 939 bilhões), mas a receita do Walmart supera a da companhia de Jeff Bezos: US$ 703 bi contra US$ 691 bi).

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segunda-feira - 26/01/2026 - 08:40h
Inclusão

Festival “A Praia Para Todos” tem êxito impressionante

Evento foi o maior já realizado, com condução de Petras Vinícius (Fotomontagem do BCS)

Evento foi o maior já realizado, com condução de Petras Vinícius (Fotomontagem do BCS)

O município de Tibau viveu neste domingo (25), um momento histórico com a realização da maior edição do Festival “A Praia Para Todos”, que movimentou a área da Pedra do Chapéu, na Praia do Ceará. Estima-se um público em torno de 15 mil pessoas ao longo do dia, em um grande encontro de inclusão, cultura, lazer e cidadania.

O evento teve uma proporção impressionante.

Idealizado pelo Fórum de Mulheres com Deficiência de Mossoró e Região, o festival acontece em parceria com o vereador de Mossoró Petras Vinícius (UB) e apresentou uma programação diversificada e totalmente adaptada, recebendo caravanas de Mossoró e de diversas cidades da região.

“O Festival ‘A Praia Para Todos’ se consolida como o maior festival inclusivo, de cidadania e cultural das praias do Brasil. É um evento que cresce a cada edição e, neste ano, estamos vivenciando um público histórico, com caravanas lindas de Mossoró e de toda a região”, destaca Petras Vinícius.

Com uma estrutura montada especialmente para o evento — incluindo tenda, palco, sonorização e área decorada e adaptada —, o festival ofereceu atrações musicais como Renata Falcão, Nataly Vox e Júnior Farra, garantindo um dia de celebração, lazer e integração para pessoas de todas as idades.

Entre os destaques da programação houve o Espaço Zen, com serviços de relaxamento e massagens; atividades recreativas adaptadas com a AMARTI – Associação Mossoroense de Arte Inclusiva, FQ Recreações e o SESC; além de futebol de sabão, brinquedos inclusivos e modalidades esportivas como vôlei sentado e futebol para cegos.

Um dos momentos mais aguardados do festival é o banho de mar assistido, que possibilita acesso seguro e inclusivo ao mar por meio de cadeiras anfíbias, caiaques e outros equipamentos adaptados. Não faltou ainda uso dos triciclos do projeto “Inclusão Sobre Rodas”, ampliando a mobilidade e a autonomia das pessoas com deficiência.

As cadeiras anfíbias utilizadas foram adquiridas por meio de emenda parlamentar no valor de R$ 50 mil, destinada pelo deputado estadual Kleber Rodrigues.

Sustentabilidade e parcerias

O Festival “A Praia Para Todos” também reforça ações de sustentabilidade e solidariedade, com pontos do projeto “Tampinha da Inclusão” e a instalação de lixeiras, contribuindo para a limpeza da praia e a preservação ambiental.

A realização teve o apoio da Lei Câmara Cascudo, do Governo do Estado, da Prefeitura de Tibau, da Prefeitura de Mossoró, além do Banco do Nordeste Cultural, Câmara Municipal de Mossoró, FunciteRN, Atacadão Queiroz, WSC, Pipoca Bokus, Indaiá, Tempero Regina, Mais Leve, Marilux, Cinsal, TCM, UniCatólica, UERN, BYD Carmais, Cimento Mizu, Pé Direito, AEC e diversas empresas, instituições e projetos parceiros.

Multidão vinda de várias partes participou da festa (Foto: Divulgação)

Multidão vinda de várias partes participou da festa (Foto: Divulgação)

O evento contou com a presença de importantes lideranças políticas, entre elas a senadora Zenaide Maia; o prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, e o vice-prefeito Marcos Medeiros; a prefeita de Tibau, Lidiane Marques, e o vice-prefeito Haroldo Souza; os deputados estaduais Kleber Rodrigues, Neilton Diógenes e Ivanilson Oliveira; o presidente da Câmara Municipal de Mossoró, Genilson Alves, além de vereadores da cidade; a vereadora Rafaela de Nilda, do município de Parnamirim; prefeitos de Governador Dix-Sept Rosado, Felipe Guerra, Riacho da Cruz e Apodi; bem como presidentes de câmaras municipais e vereadores de toda a região, reforçando o apoio institucional às pautas da inclusão, acessibilidade e cidadania.

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segunda-feira - 26/01/2026 - 04:00h
Juris1

Cursinho preparatório para a OAB abre matrículas

Banner de divulgação

Banner de divulgação

Nesta segunda-feira (25), data prevista para a publicação do edital do Exame de Ordem da Ordem dos Advogados do Brasil (OOAB/RN), o cursinho preparatório “Juris1” dará início às matrículas para a “OAB 46.” Fique ligado.

O Juris1, segundo seus dirigentes (advogados e professores), é um cursinho voltado exclusivamente para a aprovação na primeira fase do Exame da OAB, com uma metodologia estratégica, prática e direcionada ao perfil da banca. Trabalhamos com análise estatística das provas anteriores, foco nos temas mais recorrentes e organização inteligente do conteúdo, sempre valorizando o potencial individual de cada aluno.

É formado por 9 professores especialistas, jovens advogados, engajados e comprometidos com resultados reais.

“Atuamos de forma próxima ao aluno, oferecendo material próprio, aulas objetivas e acompanhamento durante toda a preparação, com o propósito claro de transformar estudo em aprovação”, salienta o Juris1.

Mais informações neste endereço do Instagram: Instagram Juris1

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domingo - 25/01/2026 - 23:56h

Pensando bem…

“O exercício do silêncio é tão importante quanto a prática da palavra.”

William James

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domingo - 25/01/2026 - 11:24h

Empresas familiares podem durar séculos

Por Eduardo Valério

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

As empresas familiares brasileiras enfrentam hoje um desafio semelhante ao das organizações que atravessaram séculos: evoluir sem perder o núcleo que lhes dá identidade. As antigas guildas medievais já lidavam com esse dilema ao transformar ofícios transmitidos entre gerações em sistemas formais de reputação, qualidade e influência econômica. Elas entenderam que tradição é método, não apego sentimental, e que conhecimento só se perpetua quando deixa de ser individual para se tornar estrutura.

No Brasil, ainda é comum tratar legado como memória afetiva, quando ele deveria funcionar como tecnologia organizacional.

No varejo asiático, especialmente em conglomerados familiares do Japão, Coreia e Singapura, a longevidade nasce da disciplina e do preparo estruturado. Sucessores passam por ciclos extensos de rotação, imersão internacional e exposição a desafios reais antes de assumirem qualquer posição estratégica. Essa metodologia cria líderes que conhecem profundamente o negócio e evita decisões impulsivas. Enquanto isso, muitas empresas brasileiras ainda tratam a sucessão como anúncio tardio, guiado por afinidades pessoais, não por competências.

Nas holdings familiares do Oriente Médio, a perenidade surge de uma engenharia precisa entre propósito e execução. O conselho da família preserva valores e visão, enquanto executivos especializados conduzem a operação com rigor técnico e metas claras. Esse arranjo fortalece o protagonismo familiar ao longo do tempo, pois libera a família para atuar onde ela é mais necessária: direção, estratégia e legado. Em nosso país, ainda há receio de que profissionalizar seja abrir mão de controle, quando, na prática, é justamente o que garante relevância para as próximas gerações.

O traço comum entre esses modelos históricos e contemporâneos é a capacidade de projetar o futuro como narrativa compartilhada. Guildas operam com cartas que definiam função e responsabilidade. As famílias asiáticas trabalham com planos de longo prazo que atravessam décadas. Holdings árabes conectam projetos empresariais a visões nacionais de desenvolvimento. Essa construção coletiva de futuro reduz conflitos, orienta decisões e cria coerência entre gerações. Aqui, a governança ainda costuma girar em torno da figura do fundador, uma referência forte, mas insuficiente para sustentar décadas à frente.

Outro ensinamento consistente é enxergar a empresa familiar como ecossistema, não como estrutura fragmentada. As guildas criavam redes de apoio econômico e formativo. Conglomerados asiáticos tratam o núcleo familiar como um conjunto de competências complementares. Famílias do Golfo enxergam seus negócios como instrumentos de impacto social e econômico. Localmente, ainda prevalece a tentativa de separar empresa e família como blocos independentes, quando, na prática, são forças que se moldam mutuamente.

A formação de novas lideranças consolida ainda mais esse ponto. Nas guildas, anos de prática transformavam aprendizes e mestres preparados para inovar. Nos conglomerados asiáticos, vivência e qualificação antecedem sobrenomes. Nas holdings árabes, avaliações externas e conselhos independentes garantem justiça e transparência. Em muitas empresas brasileiras, planos sucessórios são acionados apenas quando a urgência já se instalou, criando instabilidade e perda de valor estratégico.

A excelência operacional é outro pilar recorrente dessas organizações longevas. Rotinas precisas, sistemas de controle robustos e disciplina na execução evitam que o cotidiano dependa da vontade de um único líder. Quando a operação funciona com autonomia e qualidade, a família pode se dedicar à visão de longo prazo, à inovação e à construção de identidade. A profissionalização não substitui a família; ela sustenta o espaço para que a família exerça seu papel de guardiã do propósito.

Essas organizações também se distinguem pela forma como tratam crises. Para as guildas, momentos de ruptura eram oportunidades de modernização. Famílias asiáticas aprenderam a ajustar modelos após crises financeiras. Holdings árabes transformaram dependências históricas em plataformas diversificadas de investimento. Empresas familiares brasileiras, por sua vez, muitas vezes reagem a crises com apego ao passado, quando a sobrevivência depende justamente da capacidade de rever crenças, abandonar padrões ineficientes e reconstruir caminhos.

A lição central que emerge desses exemplos é a relação madura que constroem com o tempo. Elas operam em horizontes que atravessam gerações e tomam decisões que continuarão ecoando quando seus líderes não estiverem mais presentes. Enxergam seus negócios como obras em evolução, não como patrimônios estáticos. Para empresas familiares que desejam alcançar um século ou dois talvez o ponto de virada esteja justamente nisso: compreender que cada decisão de hoje pavimenta a empresa que os herdeiros ainda não conhecem, mas da qual dependerá o futuro da família.

Eduardo Valério é fundador e presidente do Conselho da GoNext

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domingo - 25/01/2026 - 10:22h

O Mestre e Margarida, de Bulgakov

Por Honório de Medeiros

O Mestre e Margarida, de Bulgakov em ilustração de domínio público melhorada por IA para o BCS

O Mestre e Margarida, de Bulgakov, em ilustração de domínio público melhorada por IA para o BCS

Em uma avaliação muito pessoal considero que os dois maiores romances escritos no século XX foram Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez, e O Mestre e Margarida, de Mikhail Bulgakov.

Li O Mestre e Margarida adolescente.

Estávamos em plena ditadura e Aluízio Alves, líder político norte-rio-grandense cassado pelos militares montou uma editora para sobreviver. Dentre os livros lançados por sua editora estava a grande obra de Bulgakov, que ele ofereceu a uma tia minha sua seguidora em cujo entorno se reunia a fina flor da intelectualidade oposicionista e provinciana de minha cidade natal.

A primeira leitura registrou e apreciou a insólita trama, o roteiro absurdo, a parte epidérmica da alegoria do grande escritor ucraniano.

A segunda nada acrescentou, exceto mais prazer. A terceira, entretanto, deixou marcas profundas em meu espírito de leitor agora engajadamente crítico, principalmente quando a comparei com a leitura de Cem Anos de Solidão e, em ambas, pensei ter encontrado o fundamento básico do que se convencionou denominar, nos círculos acadêmicos, de “realismo fantástico”.

Mas não é disso que se quer tratar aqui.

Em certo momento inicial de O Mestre e Margarida, aquele que vai ser a chave da trama, o desconhecido que se intrometeu na conversa entre Ivan Nikolaievitch e Mikhail Alexsándrovitch Berlioz, e que se apresentou com o nome de Woland, mas que na verdade era Satanás, após ouvir de ambos que eles não acreditavam em Deus, lhes diz o seguinte:

“- Também acho uma pena – confirmou o desconhecido com um olhar cintilante, e prosseguiu: – Mas eis a questão que me preocupa: se não há Deus, então pergunta-se, quem administra a vida humana e, em geral, toda a ordem na terra?”

“- O próprio ser humano – o enfurecido Ivan apressou-se em responder essa questão admitidamente não muito clara.”

“- Perdão – replicou docilmente o desconhecido -, mas para governar, queira ou não queira, é necessário possuir um plano preciso com alguns prazos estabelecidos, nem que seja o mínimo. Permita-me perguntar: como é que pode o ser humano governar, se não apenas não tem condições de fazer qualquer plano, mesmo que seja com um prazo ridiculamente curto de, digamos, mil anos, como também é incapaz de garantir sequer seu dia de amanhã? E realmente – o desconhecido virou-se para Berlioz – imagine, por exemplo, que o senhor comece a governar, dispondo de sua vida e da vida de outras pessoas, e então passe a tomar gosto pela coisa, e de repente o senhor… hum… hum… descobre que está com câncer de pulmão… – o estrangeiro sorriu docemente, parecia que a ideia do câncer lhe dava prazer -, é, câncer – repetiu a palavra sonora e apertou os olhos feito um gato -, pronto, seu governo chegou ao fim! Não lhe interessa o destino de mais ninguém, somente o seu.”

“Os parentes começam a mentir para o senhor. Pressentindo algo errado, o senhor recorre a médicos formados, depois a charlatães e até mesmo videntes. Assim como o primeiro e o segundo, o terceiro não ajuda em nada. Tudo termina tragicamente: aquele que, ainda há pouco, acreditava administrar algo de repente se vê imóvel em um caixão de madeira, e as pessoas que o cercam, compreendendo que não mais nenhuma utilidade naquele que está deitado, o queimam no forno. E existem casos piores: o sujeito pode decidir ir a Kislovôdsk, o estrangeiro olhou para Berlioz com os olhos apertados, uma coisinha de nada, pode-se pensar, mas nem isso ele consegue realizar, assim como não sabe por que ele de repente resolve escorregar e vai parar debaixo do bonde! Será que o senhor dirá que foi ele quem planejou isso para si mesmo? Não seria mais razoável pensar que ele foi governado por alguém? E aqui o desconhecido desatou a soltar estranhas gargalhadas.”

Como sabem os que leram o romance, Berlioz, de fato, escorregou e foi parar debaixo do bonde e teve a cabeça decepada – e esse foi o ponto-de-partida de toda a confusão instalada por Satanás na Moscou da primeira metade do século XX.

Caso se leve em consideração aquilo que Satanás diz, o revolutear caótico da folha seca nas águas do riacho é resultado do planejamento de algo ou alguém que lhe é incompreensivelmente superior.

Não seria estranho supor que se trata, ali, da concepção de que nossas vidas obedecem, no geral, a desígnios sobrenaturais além de nossa capacidade de compreendê-los, muito embora mantenhamos uma possibilidade de atuação livre, nos limites desse plano.

Os limites da folha seca são as margens do riacho.

Essa, grosso modo, é a doutrina de Santo Agostinho, que com matizes diferentes em cada época, ainda constitui o cerne do pensamento oficial da Igreja Católica.

O fluxo no qual nós nos movemos, ou seja, as águas do riacho, tal teoria podemos rastrear até Heráclito de Éfeso.

Podemos, também, encontrá-la no pensamento oriental – basta ler Sidarta, de Herman Hess. Também é, por incrível que possa parecer, guardando os limites óbvios, o núcleo da filosofia marxista, de forte influência hegeliana.

Hegel, como sabemos, bebeu exageradamente na fonte heraclitiana.

Assim temos: no primeiro caso, Deus; no segundo, a eterna realidade em fluxo; no terceiro, a luta de classes como motor da história, no âmbito da qual se desenrolam nossas vãs tentativas individuais de extrapolar os limites do determinismo.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura de Natal e do Governo do RN

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Categoria(s): Crônica
domingo - 25/01/2026 - 09:10h

Dona Mafisa

Por Bruno Ernesto

Foto ilustrativa do autor da crônica

Foto ilustrativa do autor da crônica em janeiro de 2026

No último dia 21 de janeiro, despercebidamente, comemorou-se mais Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa no Brasil. Me arrisco a dizer – literalmente – que, certamente, a conquista permanece em luta diuturna.

Para quem torce o nariz e olha atravessado para certos ritos e rituais religiosos que não os de sua preferência, não por onde, desconfio que talvez já esteja com sua roupa branca e azul claro bem limpa já cheirando a lavanda, já tenha escolhido um belo adereço prateado, assim como também continuo a desconfiar que já estejam encomendadas flores e mais flores; um bom perfume de alfazema, frutos e, quem sabe, até um Veuve Clicquot. O patuá, lembre-se do patuá.

Se você não se deu conta, já se aproxima o dia 2 de fevereiro, e ninguém quer perder a oportunidade de reverenciar a Rainha do Mar, para que o ano seja de bons e duradouros fluídos, muita paz, prosperidade e amor, muito amor. Há quem só pense nisso, mas pouco faz para merecê-lo.

Os poucos que se lembram, agradecem os pedidos do ano passado, afinal, para muitos, o que importa é a conexão com seu orixá predileto, ainda que não haja uma obrigação do pedido ser contemplado. Lembre-se, Iemanjá, vez ou outra, devolve a oferenda.

A despeito dessas questões paralelas, outro costume que inconscientemente se tem, todavia para alguns mantido às escondidas, é que ainda recorremos às rezadeiras ou benzedeiras.

Não, não. Não entenda errado! Sim, é o puro e mais alto grau do sincretismo religioso, unindo orações cristãs arcaico-populares com a sabedoria ancestral indo-africana.

Por acaso, você achava que prece com roupa branca, gestos sincronizados, defumação, alecrim, lavanda, arruda, guiné, azeite, terços e água eram o quê?

Quem tem criança por se criar ou já criada, ou já levou ou ainda levará a uma rezadeira, em caso de reforço espiritual. No meu caso, me lembrarei eternamente de Dona Mafisa, a benzedeira que minha mãe me levava lá em Natal quando havia necessidade.

Nunca esqueci daquele pequeno chão sagrado, uma pequena sala – minúscula -, que ao mesmo tempo servia de quarto e cozinha e ali ficava sendo rezado, naquele benzimento e aquela ladainha incompreensível para mim, e os repetidos e ritmados toques com galhos de ervas no meu corpo e cabeça.

Só Dona Mafisa quem falava e se mexia. À meia-luz eu só a observa e a escutava. Imóvel e atento, muitíssimo atento. Mamãe nunca imaginou, mas foi ali que descobri a espiritualidade que me habita.

Com o passar dos anos e outra cosmovisão, embora tenha um batalhão sincrético para luta corpo a corpo, essa semana precisei tanto da ciência, com doses generosas de cloridrato de ondansetrona, benzetacil, cloridrato de naratriptana e dipirona, quando de uma boa reza.

Aos trancos e barrancos sigo firme e forte, para a decepção de muitos e alegria de poucos, claro. Tudo genuíno, penso e percebo.

Se Dona Mafisa ainda estivesse viva, certamente esta semana teria ido por lá, não só para a me benzer, mas para agradecê-la, afinal, até hoje me sinto benzido.

Bruno Ernesto é advogado, professor, escritor e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró (IHGM)

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 25/01/2026 - 08:30h

Nos alpendres de Tibau

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Corre o mês de janeiro.

Nos alpendres de Tibau, resenhas, churrasco e cerveja. E, claro, política, muita política. Os anfitriões recebem os convivas para lautos almoços. Abraços, sorrisos, conversas e cochichos. É ano eleitoral. Os interesses precisam ser afinados, as rotas precisam ser traçadas.

Porém, dos alpendres de Tibau vem à memória a minha infância. A família reunida, uma ruma de redes armadas, conversas e risadas dos primos. Contavam-se histórias de “trancoso”, de alma penada, tudo pra nos fazer medo.

Já na adolescência, recordo-me dos churrascos. Meu pai, tios e amigos bebendo, com força. Não conto as vezes que fui comprar cerveja na rua do restaurante Brisa. No finalzinho da tarde, as minhas tias chegavam da casa dos meus avós maternos pra jogarem conversa fora com minha mãe.

O alpendre sempre estava repleto de pessoas. O bate-papo adentrava noite adentro, regado a café coado, pães e bolo fofo ou de leite e, claro, o grude, iguaria tradicional da cidade praia.

Vale salientar que escrevo sobre os alpendres de Tibau, “porque o passado me traz uma lembrança do tempo que eu era criança”. No alpendre de Tibau os meus filhos também brincaram e fizeram peraltices, como um dia eu fiz.

No tocante aos arranjos político-eleitoral, em uma crônica datada de 16 de janeiro de 2023, o editor deste Blog escreveu que “é coisa do passado a lenda sobre a influência dos alpendres de Tibau. Subsiste no imaginário popular e em escassas resenhas políticas”.

“E em nada pesa, segundo ele, pro destino de Mossoró e do estado o que se conversa por lá. Some ao vento nos escassos alpendres que ainda não viraram muro de condomínios fechados”.

Creio que é verdade, uma vez que o dileto editor é versado no assunto. Aliás, eu conheço um alpendre em Tibau que já não recebe ninguém. Encontra-se vazio. O que é natural, ressalte-se, pois o poder é efêmero. É vã a crença na eternidade do poder e do prestígio.

Embora, para mim, já não tenham o brilho de outrora, vez ou outra, ainda fico nos alpendres de Tibau sentindo o vento que vem lá das bandas do Porto-ilha. Vislumbro o azul do mar, o horizonte e algumas jangadas, as quais trazem, além do carcomido cesto onde se colocam os peixes, boas lembranças. Nada é como antes. E nunca será.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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Categoria(s): Crônica
domingo - 25/01/2026 - 07:40h

Outra formação

Por Marcelo Alves

Faculdade de Direito de Recife (1914), foto do acervo da Fundação Joaquim Nabuco

Faculdade de Direito de Recife (1914), foto do acervo da Fundação Joaquim Nabuco

Gilberto Amado (1887-1969) foi jornalista e político (deputado federal e senador), boêmio e diplomata (na América Latina, nas Zoropa e na ONU), jurista e escritor, às vezes tudo junto e misturado. Sergipano, diplomou-se e lecionou direito penal na célebre Faculdade de Direito do Recife. Fez-se também grande no direito internacional. Escritor de renome, aparentado do não menos talentoso Jorge Amado (1912-2001), o amado Gilberto foi imortal da Academia Brasileira de Letras. E meteu-se em alguns perrengues, sendo o mais célebre o assassinato à bala do também deputado federal e escritor Aníbal Teófilo (1873-1915), do qual, justa ou injustamente, foi absolvido pelo Júri (e só esse fato daria ensejo a inúmeras crônicas).

Em meio a tudo isso, Gilberto Amado é o autor de um livro/formação que reputo extraordinário: “Minha Formação no Recife” (1955). Li-o, lembro-me muito bem, faz muitíssimos anos, por sugestão do meu pai, numa edição já velhinha mas encadernada da Livraria José Olympio Editora. Precisamente em seguida à leitura de “Minha Formação” (de 1900 e sobre o qual conversamos faz alguns dias), do grande Joaquim Nabuco, como se fosse – e era – mais um passo à frente na minha própria formação. E a “Formação” de Amado me tocou até mais, posso dizer (aliás, repetir), que a “Formação” do Nabuco, com todo respeito à imensa pluralidade cultural do autor de “Um Estadista do Império”.

Há algumas razões bem objetivas, mesmo em detrimento da “Formação” do grande Abolicionista, para a presente badalação de “Minha Formação no Recife”.

Como já disse certa vez, “Minha Formação no Recife”, sob o ponto de vista estilístico, com linguagem fluente, sem pedantismos, coloquial às vezes, é uma obra-prima (embora quanto à linguagem devamos dar o desconto de que Amado escreveu mais de 50 anos após Nabuco).

As observações feitas por Gilberto Amado na sua “Formação”, com total naturalidade, acerca de si e dos outros (e “o inferno são os outros”, já dizia Sartre), são também impagáveis. Tenho mesmo na memória algumas passagens do livro e uma, em especial, gosto sempre de repetir. É uma repreensão que Amado fazia a um amigo poeta, que, “autor de versos extraordinários, rodeado de aclamações, gemia de raiva por ser pequenino de corpo”. Se a natureza lhe prodigalizara, entre milhões de pessoas, dons excepcionais, por que, exclamava Amado, “em vez de dançar como Davi na frente dos exércitos, indiferente à chacota, chorava por não ser um Golias!?”. Amado era mesmo o que chamamos hoje de um grande frasista.

Abro aqui um parêntesis para recontar um episódio atribuído a ele que, acredito, li em outro lugar que não na sua “Formação” recifense. Diplomata no Velho Continente, mas sempre boêmio, ele foi a uma festança em Paris ou Roma levando a tiracolo garotas de vida fácil ou difícil (tudo depende do ponto de vista). O segurança do estabelecimento, identificando Amado, ainda na portaria, o alertou: “Embaixador, essas garotas são suspeitas”. Ao que Amado respondeu: “Suspeitas são as que estão aí dentro. Estas são garantidas. Entram comigo!”.

Afora a modernidade e a naturalidade no escrever e essa perspicácia em sondar a alma humana (em especial, a brasileira), penso que foi também o pano de fundo de “Minha Formação no Recife” que me encantou deveras. Sou formado em direito. Trabalho na capital de Pernambuco. Dali e dos bons tempos de Olinda tenho às vezes saudade. A “Formação” de Amado rememora exatamente os cinco anos que o autor passou, como jovem estudante, na antiga Faculdade de Direito do Recife. Lê-la é uma forma ao mesmo tempo mais intelectualizada e comportada de sussurrar “voltei, Recife…”.

Por estes dias, aqui na praia, procurei por uma versão digital, de preferência em PDF, de “Minha Formação no Recife”. Para reler e escrever esta crônica. Cascavilhei meus e-mails (tinha certeza de que o querido Humberto de Paiva Araújo e o saudoso Haroldo Ferraz da Nóbrega tinham me mandado algo a respeito). Perguntei também aos amigos. Diretamente e em grupos de WhatsApp. E xeretei a Internet (aqui até encontrei uma versão que vai até o capítulo V, sendo-me, assim, de alguma valia). Mas uma edição completa digital, nada, infelizmente. Bom, se alguém tiver, me manda, urgente.

O carnaval já está chegando…

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

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Categoria(s): Crônica
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domingo - 25/01/2026 - 04:30h

Domingo produtivo

Por Marcos Ferreira

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Amanheceu. Levantei-me a fim de urinar e não encontrei mais sono para retornar à cama. A preguiça me largou, desapareceu. São precisamente quatro e quarenta e sete aqui na telinha do computador. O efeito dos psicofármacos teve fim bem antes do corriqueiro. Os remédios me deixam fora de combate até por volta das nove. Às vezes mais que isso. Chega fácil às dez ou às onze.

Ontem não escrevi. Sentia-me desmotivado, sem ânimo para a redação. Há pouco fiz café, deixei a cafeteira trabalhando e fui cuidar das minhas abluções. A temperatura está amena. O dia se mostra deliciosamente nublado. Não digo que há (ao menos por enquanto) indícios de chuva. As nuvens não estão cheias, com aquele aspecto carregado, exibindo um cinza uniforme. Mesmo com a quantidade de nuvens, o céu se encontra azul. Penso que não seria nada mau se caísse uma tranquila, ampla e duradoura garoa. Quem me conhece, ou tem o hábito de ler certas coisas que escrevo, sabe que tenho preferência por dias chuvosos ou tão somente frios.

Eis que súbito o vento se intensificou. A aragem traz um cheirinho bom. Será que vem água por aí? Indago a mim próprio. O domingo fica interessante. Ainda não comi nada, todavia estou aqui bebericando um cafezinho. Sinto-me confortável usando camisa de algodão de mangas compridas e uma surrada e macia bermuda jeans. Ainda não enviei o meu texto dominical para o BCS — Blog Carlos Santos. Quem sabe esta metade de página prospere e finde em uma crônica.

Este é o último domingo de janeiro, dia 25. Imagino que desta feita me darei bem na escrita. Os pequenos cães da vizinha da esquerda se puseram a latir não sei por qual motivo. Minha cachorrinha, que agora está com um ano e dois meses de idade, também começa a ladrar. Suponho que não viu coisa alguma, contudo acompanha os cachorros vizinhos. Parece-me tão só camaradagem.

Juju é de raça absolutamente pura: uma legítima vira-lata. Trata-se de uma criaturinha cativante e manhosa, carente em excesso. Enquanto escrevo estas linhas, ela ronda a cadeira no intuito de pular no meu colo. Aqui e acolá abandono o teclado para atender aos seus anseios. De igual forma é quando estou na rede na sala vendo tevê à noite, ou à mesa da cozinha fazendo alguma refeição. Abana a cauda e fica me fitando com um ar irresistível, os olhos como se lacrimosos.

Esqueçamos Juju. Abri a porta da frente e a de trás. O vento se intensifica, continua trazendo um agradável perfume de chuva. Vejo que o céu está tomado por nuvens cinza. Contudo não pinga uma gota d’água. Fui ao muro frontal conferir isso. De repente, “não mais do que de repente”, um trovão ribombou ao longe. Mais outro (pelo que me pareceu) explodiu sobre este domicílio. Fico logo animado com a possibilidade de uma precipitação pluviométrica. Noto que os cãezinhos da vizinha emudeceram. Percebo que minha cadela acompanha essa quietude.

Dou mais uma olhada no relógio e constato que passam trinta e dois minutos das seis horas. Deixei a cadeira do computador e fui comer um pão francês com manteiga e café. A ventania açoita a mangueira da moradora aos fundos desta residência. Decorridos alguns minutos, enfim, começou a garoar. Entretanto não passou disso. De qualquer modo, apesar dos pesares, ganhei o meu dia. A crônica está pronta. É o momento de enviar este escrito para o e-mail do meu editor.

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Crônica
sábado - 24/01/2026 - 23:56h

Pensando bem…

“Solidão não se cura com o amor dos outros. Se cura com amor próprio.”

Martha Medeiros

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sábado - 24/01/2026 - 18:50h
Situação delicada

RN soma 1,94 bilhão de m³ em reservas hídricas superficiais

Boqueirão de Parelhas  ainda tem 7.811.730 m³ - 9,21% (Foto: Igarn)

Boqueirão de Parelhas ainda tem 7.811.730 m³ – 9,21% (Foto: Igarn)

O Instituto de Gestão das Águas do Rio Grande do Norte (IGARN) apresenta mais um levantamento sobre a situação da reserva hídrica do estado. Os dados foram divulgados nessa sexta-feira (23).

O acúmulo totalizador é de 1.941.898.521 metros cúbicos de água, o que corresponde a 36,71% da capacidade total, estimada em 5.290.123.351 m³.

A barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, maior manancial do estado, acumula 1.034.780.599 m³, volume equivalente a 43,61% da sua capacidade total, que é de 2.373.066.000 m³. A barragem de Oiticica, localizada no município de Jucurutu, registra 110.329.653 m³, correspondendo a 14,86% da capacidade, que é de 742.632.840 m³.

Já o açude Santa Cruz do Apodi apresenta um volume acumulado de 324.385.080 m³, o que representa 54,09% da sua capacidade, que é de 599.712.000 m³, enquanto o açude Umari, em Upanema, acumula 149.546.805 m³, equivalente a 51,07% da capacidade total, que é de 292.813.650 m³.

Situação crítica

Atualmente, 25 reservatórios acompanhados pelo Igarn encontram-se em situação crítica, com níveis inferiores a 10% da capacidade.

Estão nessa condição os açudes: Tabatinga (Macaíba), com 8.606.481 m³ (9,58%); Boqueirão de Parelhas (Parelhas), com 7.811.730 m³ (9,21%); Itans (Caicó), que se encontra seco; Sabugi (São João do Sabugi), com 530.368 m³ (0,86%); Passagem das Traíras (São José do Seridó), com 17.210 m³ (0,03%); Esguicho (Ouro Branco), com 131.754 m³ (0,47%); Carnaúba (São João do Sabugi), com 406.995 m³ (1,58%); Japi II (São José do Campestre), com 1.499.622 m³ (7,26%); Bonito II (São Miguel), com 562.231 m³ (5,17%); Dourado (Currais Novos), com 777.721 m³ (7,53%); Apanha Peixe (Caraúbas), com 333.333 m³ (3,33%).

Também estão em quadro sofrível esses mananciais: Gangorra (Rafael Fernandes), com 300.000 m³ (3,0%); Jesus Maria José (Tenente Ananias), com 12.172 m³ (0,13%); Beldroega (Paraú), com 490.041 m³ (6,08%); Tourão (Patu), com 171.279 m³ (2,14%); Zangarelhas (Jardim do Seridó), com 667.875 m³ (8,44%); Brejo (Olho-d’Água do Borges), com 16.030 m³ (0,25%); 25 de Março (Pau dos Ferros), com 203.577 m³ (4,31%); Currais Novos (Currais Novos), com 162.400 m³ (4,26%); São Gonçalo (São Francisco do Oeste), com 96.625 m³ (2,57%); Mundo Novo (Caicó), que também se encontra seco; Inspetoria (Umarizal), com 170.937 m³ (5,52%); Dinamarca (Serra Negra do Norte), com 226.088 m³ (8,30%); e Lulu Pinto (Luís Gomes), com 250 m³ (0,01%).

O Igarn reforça que o acompanhamento contínuo dos volumes dos reservatórios é fundamental para subsidiar ações de planejamento, gestão e uso sustentável dos recursos hídricos, especialmente diante das irregularidades climáticas que caracterizam o semiárido potiguar.

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Categoria(s): Gerais
sábado - 24/01/2026 - 18:30h
Atento

Walter Alves reforça garantias para evitar surpresas no MDB-RN

Viagem internacional da governadora leva Walter novamente substitui-la Foto: Divulgação)

O seguro morreu de velho, hein Waltinho!? (Foto: Arquivo)

Com o zunzunzum solto por aí de que o PT do RN tentava ejetar o vice-governador Walter Alves da presidência do MDB, no estado, ele não perdeu tempo. Emitiu comunicado nessa sexta-feira (23), em que “requenta” informação repassada no último dia 7 (veja AQUI a postagem): o MDB Nacional esticou o seu mandato como presidente até março de 2027.

“A prorrogação do mandato comprova a confiança da direção nacional no trabalho que vem sendo desenvolvido no estado”, destacou “Waltinho” mais uma vez.

“As decisões recentes do MDB, além de terem sido tomadas ouvindo os correligionários potiguares, também contam com a total concordância da Direção Nacional”, reforçou, numa referência ao anúncio de apoio do partido ao nome do prefeito mossoroense Alllyson Bezerra (UB), à sucessão estadual (veja AQUI).

Antecedente assustou

A ‘carta de seguro’ de Waltinho faz sentido. Antes da campanha municipal de 2024, o PSB foi literalmente tomado do ex-deputado federal Rafael Motta, que precisou saltar para outra legenda, o Avante, pela qual foi candidato a prefeito de Natal. O partido foi entregue pelo petismo à ex-deputada estadual Larissa Rosado, aliada da governadora Fátima Bezerra (PT). Veja: Depois do expurgo de Rafael Motta, PSB é repassado.

Sandra e Larissa tentaram e não conseguiram PSB com Rafael: PT resolveu parcialmente o problema (Fotomomontagem do BCS/Foto de Brunno Martins: 2022)

Fátima e o PT tiraram Motta do PSB e entregaram sigla ao grupo Rosado (Fotomomontagem do BCS/Foto de Brunno Martins: 2022)

Em março do ano passado, a governadora botou de novo o PSB na ‘bandeja’ e o ofereceu ao ao aliado e presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira (PSDB) – veja AQUI -, como opção à chegada do senador Styvenson Valentim ao PSDB. Ou seja, tiraria Larissa Rosado do comando.

Nota do BCSO seguro morreu de velho, hein Waltinho!?

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Categoria(s): Política
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sábado - 24/01/2026 - 16:52h
Alerta é feito

Projetos de energia solar podem ter grandes prejuízos e desemprego

Dirigentes da Aper foram recebidos por superintendente e equipe (Foto: Divulgação)

Dirigentes da Aper foram recebidos por superintendente e equipe (Foto: Divulgação)

A Associação Potiguar de Energias Renováveis (APER) participou nesta sexta-feira (23) de reunião com o superintendente do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Jeová Lins, e sua equipe. O encontro teve como pauta principal a recente exigência de utilização exclusiva de equipamentos nacionalizados nas operações da linha de financiamento FNE Sol. Medida que tem gerado grande preocupação e debate no setor fotovoltaico.

Durante a reunião, a Aper apresentou um panorama detalhado dos impactos dessa nova diretriz, evidenciando o aumento expressivo dos custos dos projetos solares. Conforme dados levantados pela Associação, a diferença de preços entre equipamentos nacionalizados e importados pode atingir entre 70% e 80%, inviabilizando diversos empreendimentos e comprometendo a competitividade do mercado.

Outros pontos de alerta incluíram a limitação do portfólio tecnológico disponível para os desenvolvedores de projetos, os reflexos negativos sobre as empresas integradoras que operam no estado e a potencial redução na geração de empregos, um setor que tem sido um motor de crescimento econômico para o Rio Grande do Norte.

Necessidades

O presidente do Conselho Deliberativo da Aper, Paulo Morais, e Waldemilson Silva, da empresa Casa Solar, um dos associados presentes, relataram em primeira mão as dificuldades práticas enfrentadas por suas empresas e a crescente insatisfação gerada pela política de financiamento atual.

O presidente da Aper, Williman Oliveira, entregou ao superintendente Jeová Lins ofício com informações técnicas, econômicas e operacionais que detalham as preocupações do setor. O superintendente se comprometeu em levar o tema para discussão na reunião geral do Banco. Prometeu ainda um retorno ágil à entidade.

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Categoria(s): Economia / Gerais
sábado - 24/01/2026 - 16:02h
Trabalho e renda

Parceria com empresas procura ampliar ofertas do “Painel de Emprego”

Gérson Nóbrega, gerente de Indústria e Comércio da Sedint, com equipe que contacta empresas (Foto: PMM)

Gérson Nóbrega, gerente de Indústria e Comércio da Sedint, com equipe que contacta empresas (Foto: PMM)

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Turismo (SEDINT), por meio da equipe da Empregabilidade, esteve visitando nesta semana quatro empresas da cidade. Iniciativa

“Tenho avaliado esse trabalho de forma extremamente positiva. As visitas técnicas têm cumprido um papel fundamental de aproximação real entre o poder público e o setor produtivo, e a grande satisfação demonstrada pelas empresas visitadas reforça que estamos no caminho certo”, salienta Gérson Nóbrega, gerente de Indústria e Comércio da Sedint.

Todos os dias a Prefeitura de Mossoró divulga em seu site, na aba do Painel de Empregos, vagas de trabalho que em parceria com essas empresas ofertam aos mossoroenses oportunidades em diversos segmentos. Para se informar sobre as vagas disponíveis, é só acessar //paineldeempregos.prefeiturademossoro.com.br/ e se cadastrar.

“Ir até as empresas, ouvir suas demandas e apresentar ferramentas como o Painel de Empregos mostra que a Prefeitura de Mossoró está comprometida com políticas públicas na geração de emprego e fortalecimento da economia local. Esse diálogo direto nos permite planejar ações mais eficazes e alinhadas com a realidade da indústria e do comércio do nosso município”, declara Gérson Nóbrega,

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Categoria(s): Administração Pública / Economia
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