Por Odemirton Filho
As feiras livres são um dos costumes nalgumas cidades do Brasil, sobretudo no interior. Em alguns lugares há um dia específico para a feira acontecer. Os feirantes chegam na madrugada para abrirem as suas barracas, e a freguesia costuma frequentar, cedinho, o local.
Há muitos anos, quando meu avô materno negociava com redes, ele semanalmente ia à feira da cidade de Assú. Lá, vendia a sua mercadoria, e voltava pra casa com mantas de carnes, sacas de feijão e arroz para alimentar sua numerosa prole.
Como sabemos, nas grandes feiras existe de tudo; raízes pra curar todo tipo de enfermidade, de dor nas costas a dor de cotovelo, variados tipos de chás, verduras, legumes, carnes, queijo, peixes, frutos do mar etc. Nas feiras, também, existem vendedores de vários produtos, como capas pra celular, carregadores, revistas, fumo e, se procurar direitinho, encontram-se produtos pra afastar mau-olhado.
Ora, quem não gosta de ir a Cobal, em Mossoró, pra comprar feijão-verde? Ou o queijo do botafoguense Aleixo? Meu sogro gostava de tomar sopa e comer pastéis no box do finado Eliezer; de comprar em dona Cecília, no Mercado do Bom Jardim; meu pai gosta de comprar carne de sol em Aírton, no Mercado do Alto da Conceição. Eu gostava de comer lá em Neto da Panelada, no Mercado Central.
Vez ou outra é comum a presença de artistas tocando variados instrumentos musicais. Há, ainda, fiéis que gostam de pregar a palavra de Deus. Por outro lado, há aqueles que gostam de tomar umas e, logo cedo, já estão “pra lá de Bagdá”; existem, também, os pedintes. Nas feiras e nos mercados, diga-se, existe espaço pra todos, pois é um ambiente simples e plural.
Aliás, nos grandes mercados, a exemplo de São Paulo, onde há pastel de bacalhau e sanduíche de Mortadela, e no de Belo Horizonte, come-se bem demais; é bacana o mercado de Porto Alegre. Sem esquecer da feira do Alecrim, em Natal, o Mercado de Ver-o-peso, em Belém, a Feira de Caruaru, o Mercado São José, em Recife.
Enfim, as feiras livres e os mercados fazem parte de nossa cultura. Por lá, encontramos de quase tudo; até pessoas que há tempos não víamos, carregando pra lá e pra cá as suas sacolas com compras; ocasião pra trocar um dedo de prosa ou falar da vida alheia.
Odemirton Filho é oficial de justiça














































