quarta-feira - 07/01/2026 - 15:26h
Indicador

Custo da construção civil do RN tem elevação

Arte ilustrativa

Arte ilustrativa

O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio Grande do Norte (SINDUSCON/RN) divulgou a atualização do Custo Unitário Básico (CUB/m²) referente aos meses de outubro e novembro de 2025, indicador fundamental para o acompanhamento dos custos da construção civil no estado.

Em outubro, o CUB/m² foi fixado em R$ 1.993,99, apresentando uma variação positiva de 1,95% em relação ao mês anterior. Já em novembro, o índice alcançou R$ 1.996,59, com um aumento mais moderado de 0,13%.

O CUB é o principal parâmetro utilizado pelo setor da construção civil para o planejamento, orçamento e acompanhamento financeiro de obras e novos empreendimentos, refletindo a variação dos custos com materiais e equipamentos.

A atualização mensal do índice permite maior previsibilidade para construtoras, incorporadoras, investidores e demais agentes do mercado, contribuindo para decisões mais estratégicas e alinhadas à realidade econômica do setor no Rio Grande do Norte.

Acesse nosso Instagram AQUI.

Acesse nosso ThreadsAQUI.

Acesse nosso X (antigo Twitter) AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Economia
quarta-feira - 07/01/2026 - 14:54h
RN

Sancionada lei que institui ‘Farmácia Viva’ na rede de saúde

Divaneide Basílio é autora  da proposição (Foto: João Gilberto)

Divaneide Basílio é autora da proposição (Foto: João Gilberto)

Um novo marco para a saúde pública potiguar foi estabelecido com a recente sanção da Lei nº 12.593 pelo Executivo Estadual. Aprovada por iniciativa da deputada Divaneide Basílio (PT), a legislação institui o Programa Farmácia Viva na rede estadual de saúde, ampliando o acesso a terapias baseadas em plantas medicinais e fitoterápicos, sob rigorosa supervisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

A nova legislação abrange desde o cultivo e beneficiamento até o armazenamento, manipulação e distribuição de plantas medicinais, além da dispensação de fitoterápicos no âmbito da Assistência Farmacêutica estadual.

“A iniciativa visa ampliar as opções terapêuticas para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) potiguar, promovendo o uso racional e embasado cientificamente de plantas medicinais e fitoterápicos, ao mesmo tempo em que reconhece e valoriza a cultura popular e os saberes tradicionais, orientando a comunidade sobre o uso adequado desses recursos”, justifica Divaneide Basílio.

Um dos pilares da Lei nº 12.593 é a inclusão e o fortalecimento de comunidades tradicionais. Entidades territoriais de Matriz Africana, populações indígenas, unidades produtivas de agricultura familiar, urbana e periurbana, além de outros povos e comunidades tradicionais, poderão atuar como parceiros. A lei enfatiza a importância de acolher esses saberes populares, conciliando-os com o conhecimento científico e as pesquisas desenvolvidas por universidades e institutos.

O programa também se propõe a fortalecer a cadeia produtiva de plantas medicinais, incentivando o cultivo sustentável, com prioridade para técnicas orgânicas, na agricultura urbana e em comunidades tradicionais, gerando renda e promovendo a educação ambiental. A legislação prevê ainda a promoção de pesquisas, o desenvolvimento de atividades de extensão, a realização de rodas de conversa, oficinas e campanhas educativas, além da conscientização e formação contínua de profissionais de saúde para incentivar a prescrição desses produtos. A criação de um banco de sementes também é um objetivo primordial para a preservação da biodiversidade local.

Para garantir a padronização e a segurança, a lei estabelece conceitos claros para planta medicinal, fitoterápico, chá e horto de plantas medicinais. O Programa Farmácia Viva deverá ter ações articuladas entre os municípios potiguares, seguindo as diretrizes nacionais do SUS para o uso de plantas medicinais e fitoterápicos, e poderá celebrar parcerias com universidades, laboratórios e institutos.

Acesse nosso Instagram AQUI.

Acesse nosso Threads AQUI.

Acesse nosso X (antigo Twitter) AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Política
  • San Valle Rodape GIF
quarta-feira - 07/01/2026 - 14:00h
Brisa Bracchi

Comissão arquiva pedido de cassação contra vereadora

Brisa está com processo para ser julgado pela Câmara Municipal de Natal (Foto: Arquivo)

Brisa se livrou de um dos processos ano passado, devido sucessivos erros contra Regimento Interno (Foto: Arquivo)

A Comissão Processante instaurada na Câmara Municipal de Natal decidiu arquivar o processo de denúncia e pedido de cassação do mandato da vereadora Brisa Bracchi (PT).

A parlamentar foi denunciada por destinação indevida de emenda parlamentar para evento de caráter político-partidário no ano passado, em que o destaque era movimento pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em reunião virtual nesta quarta-feira (7), o relator Daniell Randall (Republicanos) proferiu seu voto rejeitando o pedido de arquivamento apresentado pela defesa prévia da acusada. No entanto, a presidente da comissão, vereadora Samanda Alves (PT), apresentou voto divergente que foi seguido pelo vereador Tárcio de Eudiane (União).

Com a maioria optando pelo arquivamento, a comissão encaminha agora a decisão para a Mesa Diretora da Câmara, que deve levar o caso ao plenário, para decidir se cassa Brisa ou arquiva o processo.

É o segundo processo, com o mesmo foco e base de denúncia, contra Bracchi. Foi denunciada pelo vereador Matheus Faustino (UB), mas após série de atropelos ao Regimento Interno da própria Casa, a matéria foi arquivada dia 25 de novembro do ano passado (veja AQUI).

Ele reiterou o pedido de cassação, que tem agora reprovação da comissão, mas ainda sobrevive para ir a plenário.

Brisa foi eleita em 2024 com 6.877 votos.

Acesse nosso Instagram AQUI.

Acesse nosso Threads AQUI.

Acesse nosso X (antigo Twitter) AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Política
quarta-feira - 07/01/2026 - 13:18h
Sala de aula

RN convoca 1.607 aprovados do concurso da Educação

Convocados entram no lugar de professores em regime temporário (Foto: Carmem Félix)

Convocados entram no lugar de professores em regime temporário (Foto: Carmem Félix)

A governadora Fátima Bezerra (PT) anunciou, na tarde desta quarta-feira (7), a primeira convocação do concurso público da Educação, realizado no último ano, chamando 1.607 professores e especialistas para reforçar a Rede Estadual de Ensino. A chegada dos novos profissionais para o início do ano letivo de 2026 é vista pela gestão como uma medida estratégica para garantir continuidade pedagógica nas escolas e fortalecer o processo de ensino-aprendizagem.

Ao comunicar a primeira chamada, a governadora destacou o simbolismo do momento e o impacto direto na rede: “É com muita alegria que anunciamos a convocação de 1.607 professores e especialistas da educação para a rede estadual de ensino. Receber esses novos profissionais logo no início do ano letivo é motivo de grande felicidade”, afirmou Fátima Bezerra, ao ressaltar que a medida fortalece a educação potiguar, ampliando a capacidade de acolhimento e atendimento aos estudantes.

O concurso previa, incialmente, 598 vagas distribuídas entre os cargos de Professor e Especialista em Educação, conforme necessidades mapeadas nas 16 Diretorias Regionais de Educação e Cultura (DIRECs). Esse número foi ampliado para 1.607, garantindo capilaridade do reforço em todo o território potiguar, do litoral ao sertão. Além das vagas imediatas, a estrutura do certame contempla a formação de cadastro de reserva, considerado essencial para repor servidores em situações não totalmente previsíveis, como exonerações e novas vacâncias.

Substituição

Na avaliação da secretária de Educação do RN, professora Socorro Batista, a primeira convocação marca a retomada de uma política de provimento efetivo após quase uma década sem concurso, com impacto na organização das escolas e na valorização da carreira. A medida não impacta nas despesas do Estado, visto que é substituição de profissionais temporários, e fortalece o planejamento pedagógico. “A aposta é que a recomposição do quadro efetivo crie um ambiente propício para sustentar a expansão de ofertas de matrículas, como por exemplo, na Educação em Tempo Integral, que será, por mais um ano, ampliada”, afirmou.

A seleção também responde a um fator administrativo, o último concurso da área foi regido pelo Edital nº 001/2015 e teve sua vigência expirada, o que tornou necessária a abertura de um novo certame para assegurar reposições regulares e planejamento de pessoal na rede.

Do ponto de vista legal e fiscal, a Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer sustenta que a reposição de profissionais da Educação encontra amparo na Lei de Responsabilidade Fiscal,  permite a reposição de pessoal nas áreas de educação, saúde e segurança mesmo em cenários de restrição, por se tratarem de serviços essenciais.

O financiamento das contratações, conforme a secretaria, será realizado com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB).

Acesse nosso Instagram AQUI.

Acesse nosso Threads AQUI.

Acesse nosso X (antigo Twitter) AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Educação
  • Repet
quarta-feira - 07/01/2026 - 08:30h
Allyson-Marcos

“Dança das cadeiras” sinaliza que começou a transição de governo

Print feito pelo BCS, a partir de vídeo do prefeito, com uso de "lupa" para ampliar caracteres

Print feito pelo BCS, a partir de vídeo do prefeito, com uso de “lupa” de edição, para ampliar caracteres

Começou a transição de governo em Mossoró?  Pelo visto, sim.

A “dança das cadeiras” em ritmo de valsa vienense (veja AQUI), anunciada pelo prefeito Allyson Bezerra (UB) no dia passado, ao lado do vice-prefeito Marcos Medeiros (PSD), mostra que a reforma administrativa municipal é também política. É um caminho-ponte.

Sinalizador forte de que Bezerra dá mais um passo para materializar o que até agora não afirmou com clareza, ou seja, se será ou não candidato a governador.

E as muitas mudanças (veja AQUI) são uma tessitura a quatro mãos, com forte possibilidade de se aprofundar mais ainda (veja AQUI).

Vem mais alterações na equipe? Possivelmente.

É, 2026 começou!

Acesse nosso Instagram AQUI.

Acesse nosso ThreadsAQUI.

Acesse nosso X (antigo Twitter) AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Política
quarta-feira - 07/01/2026 - 07:44h
Lógica do jogo

O novo poder em que uns mandam e outros apenas obedecem

Trump manda e Delcy obedec. Simples assim (Fotomontagem da AFP)

Trump vai dando as cartas e Delcy obedece, num misto de poder. Simples assim (Fotomontagem da AFP)

Do The News para o BCS

Delcy Rodríguez? Donald Trump? Marco Rubio? Quatro dias após a operação que capturou o ditador Nicolás Maduro, ainda não se sabe ao certo quem dita as regras na Venezuela.

Por um lado, você pode responder Delcy Rodríguez. Empossada como presidente interina, a então vice de Maduro e apoiadora do chavismo tenta caminhar numa corda bamba.

Por outro, você poderia dizer Trump. Até porque ele respondeu um simples e direto “Eu”, quando perguntado sobre quem governa o país.

Mas a resposta que parece mais próxima da realidade é… Um mix dos dois. O presidente americano declarou que não haverá eleições na Venezuela nos próximos 30 dias, mantendo indiretamente Delcy no poder.Pode parecer contraintuitivo, uma vez que, em público, ela fala em independência e critica a ação americana. Porém, nos bastidores, a presidente interina mantém canais abertos com Washington e até já sinalizou “cooperação”.

Paz pública e petróleo na mão

Eleições imediatas, assim como entregar o poder à oposição, poderia causar revolta das forças militares, que são alinhadas ao regime de Maduro.

Trump parece querer evitar um caos civil para que as petroleiras americanas consigam retomar suas atividades na Venezuela sem sofrerem pressão.

Bottom-line: Ele estima que, só para “consertar” a infraestrutura do setor, elas devem demorar 18 meses. Na noite de ontem, o presidente americano publicou em suas redes afirmando que a Venezuela concordou em entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo “de alta qualidade” aos EUA.

Acesse nosso Instagram AQUI.

Acesse nosso ThreadsAQUI.

Acesse nosso X (antigo Twitter) AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Política
  • San Valle Rodape GIF
terça-feira - 06/01/2026 - 23:46h

Pensando bem…

“Há pessoas que quanto mais você faz por elas, menos elas farão por si mesmas.”

Jane Austen

Compartilhe:
Categoria(s): Pensando bem...
terça-feira - 06/01/2026 - 21:38h
Mossoró

Veja todas as mudanças no secretariado de Allyson Bezerra

Cópia de INSTAGRAMO prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, e o vice-prefeito, Marcos Medeiros, anunciam, nesta terça-feira (06), uma série de mudanças no secretariado municipal, com o objetivo de fortalecer a gestão, promover ajustes administrativos e dar continuidade às políticas públicas em andamento no município.

Entre as alterações, Marcos Oliveira deixa a gestão após importante contribuição à administração municipal, tendo atuado como secretário de Educação e, mais recentemente, como secretário de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas.

Para a Secretaria de Gestão e Desenvolvimento de Pessoas (SEGEPE), assume Rodrigo Forte, advogado com experiência na advocacia, com ênfase em Direito Constitucional, Administrativo e Previdenciário. Atualmente Secretário de Governo, Rodrigo já atuou em outras áreas da gestão do prefeito Allyson Bezerra, como Consultoria e Previ, acumulando ampla experiência na administração pública municipal.

A SEGEPE passa a contar também com Alessandra Dantas como secretária adjunta. Advogada, Alessandra possui atuação consolidada na gestão municipal, tendo exercido as funções de procuradora-geral adjunta do Município e secretária-adjunta de Planejamento, Orçamento e Finanças, contribuindo de forma técnica e estratégica para o fortalecimento da administração pública.

A Secretaria de Governo (SEGOV) passa a ser comandada por Isabela Freitas, advogada e gestora pública com importante trajetória em cargos estratégicos. Isabela já integrou a gestão do prefeito Allyson Bezerra e, atualmente, exerce a função de Diretora-Geral da Câmara Municipal de Mossoró.

Também deixa a gestão Janaína Holanda, que, ao longo da administração do prefeito Allyson Bezerra, desempenhou relevantes funções como secretária de Assistência Social, Ouvidora do Município e, no último ano, secretária de Cultura.

Para a Secretaria Municipal de Cultura, assume Cícero França, que já atua na gestão municipal na concepção de projetos estratégicos na Secretaria de Programas e Projetos Estratégicos (SPPE). Destaca-se sua participação na organização e idealização de ações do Mossoró Cidade Junina, especialmente na consolidação do Polo Cidadela. Além da atuação técnica, Cícero mantém forte ligação com a cultura mossoroense, integrando espetáculos tradicionais como o Chuva de Bala no País de Mossoró e o Auto da Liberdade.

Na área de infraestrutura, Rodrigo Lima deixa a gestão após atuação desde 2021, período marcado pela execução de importantes obras estruturantes no município.

Assume a Secretaria de Infraestrutura Josenildo Gomes, engenheiro civil, que exercia a função de secretário adjunto da pasta e agora passa a ser titular. Josenildo tem especialização em estruturas e projetos de infraestrutura e é um dos projetistas responsáveis pela obra do Complexo Viário 15 de Março. Para o cargo de secretário adjunto de Infraestrutura, assume Augusto Cavalcante, também engenheiro civil, ex-secretário de Programas e Projetos Estratégicos (SPPE) e atual Diretor de Obras.

Na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Turismo (SEDINT), Marckuty, ex-vereador e então secretário adjunto, passa a assumir a titularidade da pasta. Com forte atuação na zona rural, Marckuty desenvolve trabalho voltado à produção agrícola e preside o Polo de Agricultura Sustentável do Oeste Potiguar, vinculado ao Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional.

Outra mudança ocorre na Secretaria de Comunicação Social. Wilson Fernandes deixa a gestão e, para o seu lugar, assume Wesley Duarte, jornalista com ampla experiência na área. Wesley atuou como Assessor de Comunicação e Diretor de Jornalismo da Secom no primeiro mandato do prefeito Allyson Bezerra e, atualmente, exerce a função de Diretor de Comunicação da Câmara Municipal de Mossoró.

Ainda no âmbito da reorganização administrativa, Naldo Feitosa chega para somar como secretário adjunto da Secretaria de Serviços Urbanos. Ex-vereador, Naldo atualmente atua como diretor de Esportes na gestão municipal e possui relevantes serviços prestados à comunidade mossoroense.

Na Secretaria de Administração, assume Washington Filho, contador com experiência em gestão financeira, fiscal e auditoria. Ele ocupava o cargo de Controlador-Geral do Município desde 2022. Por fim, a Controladoria-Geral do Município passa a ser comandada por Luana Lima, advogada e servidora efetiva da UFERSA, com ampla atuação em contratos e licitações públicas. Luana deixa a Secretaria de Administração, onde estava desde 2023, para assumir a nova função.

Leia tambémMudança em secretariado de Allyson será bem profunda

Acesse nosso Instagram AQUI.

Acesse nosso ThreadsAQUI.

Acesse nosso X (antigo Twitter) AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Administração Pública / Política
  • Repet
terça-feira - 06/01/2026 - 15:28h
Nossa Senhora da Conceição

Paróquia realizará missa de despedida do padre Giuseppe Venturelli

Padre Giuseppe Venturelli chegou em Areia Branca em 1978 (Foto: divulgação)

Padre Giuseppe Venturelli chegou em Areia Branca em 1978 (Foto: divulgação)

Por Luciano Oliveira do Costa Branca News

A Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Areia Branca celebrará nesta quinta-feira (08), às 19h, missa de despedida do padre Giuseppe Venturelli, um dos primeiros salesianos missionários vindos da Itália para o município, em 1978.

A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição convida toda a população, grupos, pastorais, movimentos e comunidades para a missa de despedida e gratidão ao padre Giuseppe Venturelli, “um verdadeiro pilar da Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Areia Branca-RN. Sua trajetória, marcada por dedicação e amor pelo próximo, deixou um legado inestimável em nossa comunidade e nas cidades vizinhas”, destaca a paróquia na nota/convite publicada nas suas redes sociais.

No convite, a paróquia traça a trajetória e o legado do padre Giuseppe Venturelli desde sua chegada em 1978, destacando seu compromisso com a justiça social, a defesa das comunidades e a promoção da dignidade humana. “Atuou na organização popular, na consolidação de assentamentos e na luta por direitos fundamentais, como acesso à terra e à água. Desenvolveu importantes iniciativas educacionais e sociais, como escolas, centros juvenis, a Escola Família Agrícola e a Oficina Escola Dom Bosco, que contribuíram para a formação de jovens e o desenvolvimento socioeconômico da região”, cita.

Conforme a nota, o padre Venturelli também esteve envolvido na construção de igrejas, centros comunitários e casas populares em diversas cidades. Mesmo após seu retorno em 2014, seguiu atuando nas comunidades rurais e na catequese.

“Neste dia especial, convidamos todos a se unirem a nós para celebrar a vida e o legado do padre Giuseppe Venturelli um dos primeiros salesianos missionários em nossa comunidade. Juntos, vamos expressar nossa gratidão por suas lutas, seu amor e seu compromisso inabalável com a comunidade. Sua presença é essencial para esta celebração na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição”, encerra.

Acesse nosso Instagram AQUI.

Acesse nosso ThreadsAQUI.

Acesse nosso X (antigo Twitter) AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Gerais
terça-feira - 06/01/2026 - 15:00h
Estava escrito

Mudança em secretariado de Allyson será bem profunda

Arte ilustrativa

Arte ilustrativa

Reforma administrativa que o prefeito Allyson Bezerra (UB) começa a esquadrinhar vai alterar titularidade de pelo menos oito secretárias.

Por enquanto.

Mas as mudanças podem ser mais amplas, bem mais. Antecipamos que aconteceria essa “Dança das Cadeiras” no último dia 09 de dezembro (veja AQUI).

Durante o dia de hoje e até o fim de semana os anúncios vão pipocar.

Ouvido ao chão como bom índio Sioux, Comanche, Cherokee, Navajo, Apache ou Cheyenne.

Acesse nosso Instagram AQUI.

Acesse nosso ThreadsAQUI.

Acesse nosso X (antigo Twitter) AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Política
  • Repet
terça-feira - 06/01/2026 - 10:48h
Livro

Palavras para dias bons e dias difíceis

Livro sai em português e inglês (Fotomontagem do BCS/Foto do autor de Brunno Martins)

Livro sai em português e inglês (Fotomontagem do BCS/Foto do autor de Brunno Martins)

Nem nos maiores dos meus sonhos imaginei que receberia como presente, de um filho, livro de sua própria autoria para me ensinar tanto. Um beijo já me realiza, um abraço sempre me preenche…

“Mais perto de você (Closer to you) – Notas de amor e cura”, de Carlos Júnior (@carlosoliveira.coo), é reflexo de sua jornada pelo caminho da ansiedade, depressão, desilusões, luto e reencontro.

Lançado em português e inglês, esse livro não é uma publicação de autoajuda, ou manual de sobrevivência.

“Se você está atravessando a dor da perda, buscando paz ou simplesmente desejando se sentir inteiro, este livro é para você”, prescreve o autor.

Para mim é um filho que me faz continuar vivo, intensamente vivo.

Palavras constroem mundos.

Serviço:

Como adquirir? //closertoyou.co/pt/buy

Acesse nosso Instagram AQUI.

Acesse nosso ThreadsAQUI.

Acesse nosso X (antigo Twitter) AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Crônica / Cultura
terça-feira - 06/01/2026 - 10:20h
Prefeitura de Mossoró

Servidores tem calendário de pagamento salarial definido para 2026

Servidores efetivos recebem 13º no mês do seu aniversário (Foto ilustrativa)

Servidores efetivos recebem 13º no mês do seu aniversário (Foto ilustrativa)

A Prefeitura de Mossoró divulgou o calendário de pagamento de servidores para o exercício do ano 2026, no âmbito da Administração Pública Direta e Autárquica do Município. As datas de pagamento estão no decreto n.º 7.493, de 30 de dezembro de 2025, publicado no Diário Oficial de Mossoró (DOM).

A divulgação do calendário de pagamento dos servidores é uma prática da gestão municipal desde 2021. Desde então, a Prefeitura vem cumprindo rigorosamente o calendário, inclusive pagando antecipadamente (antes da data prevista no calendário).

A gratificação natalina será paga até a data de 18 de dezembro de 2026 (sexta-feira), salvo os servidores efetivos que receberão a gratificação no mês de aniversário do servidor, na forma do art. 69 da Lei Complementar n.º 29, de 16 de dezembro de 2008.

Calendário de pagamento dos servidores:

JANEIRO – 30 de janeiro (sexta-feira);

FEVEREIRO – 27 de fevereiro (sexta-feira);

MARÇO – 31 de março (terça-feira);

ABRIL – 30 de abril (quinta-feira);

MAIO – 29 de maio (sexta-feira);

JUNHO – 30 de junho (terça-feira);

JULHO – 31 de julho (sexta-feira);

AGOSTO – 31 de agosto (terça-feira);

SETEMBRO – 29 de setembro (terça-feira);

OUTUBRO – 29 de outubro (quinta-feira);

NOVEMBRO – 30 de novembro (segunda-feira);

DEZEMBRO – 30 de dezembro (quarta-feira).

Acesse nosso Instagram AQUI.

Acesse nosso ThreadsAQUI.

Acesse nosso X (antigo Twitter) AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Administração Pública
  • Repet
domingo - 04/01/2026 - 23:56h

Pensando bem…

“Quando um homem é bom amigo, também tem amigos bons.”

Nicolau Maquiavel

Compartilhe:
Categoria(s): Pensando bem...
domingo - 04/01/2026 - 23:54h
De volta

Engarrafamento marca retorno de Tibau

Vários quilômetros de engarrafamento em pista duplicada: Tibau-Mossoró Foto: cedida)

Vários quilômetros de engarrafamento em pista duplicada: Tibau-Mossoró Foto: cedida)

Neste domingo (04), engarrafamento de alguns quilômetros em pista duplicada marcou, ainda à noite, o retorno de centenas de veículos à cidade de Mossoró.

A grande maioria partiu principalmente de Tibau (a 42 Km), para onde afluiu no fim de ano.

Acesse nosso Instagram AQUI.

Acesse nosso ThreadsAQUI.

Acesse nosso X (antigo Twitter) AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Gerais
  • Repet
domingo - 04/01/2026 - 11:30h

O babaca era eu

Por Cid Augusto

Arte ilustrativa com recurso de Inteligência Artificial

Arte ilustrativa com recurso de Inteligência Artificial

Pedalei durante anos, até ser vítima de um assalto na Duodécimo Rosado, à época já uma das ruas mais movimentadas de Mossoró. Depois, ao superar o trauma, caí na Amaro Duarte. Estabaquei-me no chão feito jaca madura. Recentemente, por ordem da minha junta médica – ortopedista, endocrinologista, cardiologista e psiquiatra – matriculei-me na musculação e ressuscitei a bicicleta.

Um dos poucos exercícios físicos com os quais me identifico é o pedal e, mesmo assim, nem tanto. Minha vocação de “mermo-mermo” é o sedentarismo. Sou sedentário convicto e militante desde a infância. Se dependesse de mim, passaria o dia lendo e escrevendo. Aliás, embora cumprindo a obrigação de paciente bem-comportado, ainda não estou convencido da real necessidade de tanto esforço corporal.

No primeiro dia do recomeço, a bike me conduziu por 10 quilômetros. No segundo, cravei 13 em 50 minutos – e aqui não vai qualquer mensagem subliminar como o disco da Xuxa tocado de trás para frente ou a suposta guinada comunista das Havaianas. Poderia ter feito percurso maior, mas preferi não forçar a barra. Lembrei-me de Trupizupe interpretado por Nonato Santos: “Devagar com a ligeireza, que a vagareza se cansa”.

Fiz as duas últimas rotas em vias de Capim Macio e de Ponta Negra, a primeira em um início de noite e a segunda hoje de madrugada. Natal tem ótimas ciclovias, embora várias delas não me tranquilizem nem um pouco, por congregarem, no mesmo espaço, as faixas de ônibus e de bicicletas. O ciclista se sente o próprio Capitão Ahab desafiando uma Moby Dick a cada cinco minutos, no oceano de carros.

Desculpa se a comparação parece antiecológica. Reconheço que as baleias são criaturas inocentes. Elas não criam problemas, a não ser quando provocadas, diferentemente dos ônibus enfurecidos e dos carros e motos inconsequentes, que invadem a “ciclo-bus-faixa” e ultrapassam quase se esfregando em nós, para evidenciar a relação de poder desigual entre o Senhor Volante e o Senhor Pedalante.

“Ok”, “ok”, “ok”, tomo por empréstimo a expressão do grande Afonso Lemos para anunciar que devo testar áreas menos caóticas nos próximos dias. A Via Costeira – entre Ponta Negra e a Ponta do Morcego – parece segura quanto ao risco de atropelamento. Há também a Rota do Sol. Posso ir ao Pium e voltar sem maior sacrifício, suponho. Só temo o vento. Na hora em que esse camarada se lança com as quatro patas nos peitos de um indigitado, parece até que as catracas estão engatadas em marcha a ré.

Qualquer coisa, se eu não aguentar o tranco, peço a Clarisse Tavares que me resgate na estrada, circunstância previsível que me lembra certa viagem que tentei fazer, com um grupo de ciclistas turbinados, de Mossoró a Assú, em Noite de Lua Nova, na contramão da ventania. Antes da metade do caminho, arreguei e pedi ajuda ao repórter fotográfico Luciano Lellys, que logo saiu em meu socorro no Fiat Uno do jornal O Mossoroense.

Para não ficar esperando na BR-304 – passava das 21h e eu ainda estava assustado com o assalto –, continuei pedalando na expectativa de alcançar Zé da Volta. De repente, vi Luciano passar, lépido e fagueiro. Gritei, gesticulei… e nada. Chegando ao posto, a cerca de 40 quilômetros de distância de Mossoró e 30 de Assú, consegui um telefone emprestado e liguei para Lellys, que há tempos acompanhava o comboio do qual eu me separara por falta de preparo físico e de velocidade.

Meu amigo voltou, ajudou-me a arrumar, no bagageiro do carro, a bicicleta que depois vendi a Gilson Cardoso. Arriamos o banco traseiro do Uno e tiramos o pneu dianteiro da bike para caber. Na volta, já na zona urbana, perguntei se o socorrista, ao passar, não havia me visto no acostamento. E ele respondeu: “Não! Eu vi um babaca quase morrendo, pedalando sozinho, e fui embora”. Pois bem, o babaca era eu.

Cid Augusto é jornalista, advogado, professor, poeta e escritor

Compartilhe:
Categoria(s): Crônica
domingo - 04/01/2026 - 11:04h

Cônego Bernardino e a Casa Grande da Fazenda João Gomes

Por Honório de Medeiros

Cônego Bernardino José de Queirós e Sá (1820-1884), com melhoria de imagem feita com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Cônego Bernardino José de Queirós e Sá em imagem refeita com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Muitos anos depois, ao recordar, com a leitura de As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley, o relato do desaparecimento lento e inexorável da cultura celta na Bretanha do ciclo Arturiano, substituída pela opressiva aliança entre o cristianismo, tal qual o entendia a Igreja Católica de então, e o poderio do Estado romano, associei o sentimento quanto a essa perda à minha própria amargura com a extinção, também impossível de ser detida, da antiga tradição cultural sertaneja nordestina, iniciada no ciclo do gado, nos idos do século XVI.

Rcordei, então, enquanto caminhava, garoto, pelas ruas da minha infância, tangido suavemente por meu pai, a cumprimentar, tímido, os vizinhos, dentre eles seu colega de trabalho, Francisco Alves Cabral (Seu Chico Cabral), a quem eu conectava imediatamente, por ser filho de Pedro Alves Cabral, com a Casa Grande da Fazenda São João, uma das três ou quatro construídas no “início das eras” naquela Região, o Alto Oeste Potiguar, de onde os Fernandes, todos descendentes de Mathias Fernandes Ribeiro, filho de portugueses, se espalharam pelo Brasil.

Pedro Alves Cabral nasceu lá, na lendária Casa Grande que Lampião recusou atacar, por artes de Massilon, quando invadiu o Rio Grande do Norte dirigindo-se a Mossoró, e ouvira suas histórias e estórias nos serões familiares, testemunhou algumas e foi, ele mesmo, o epicentro de um evento contado aos sussurros entre os adultos Fernandes, mas escutados por meninos de ouvidos ávidos, que atribuía seu nascimento em 1879, no dia de São Pedro, às infidelidades do Capitão Childerico José Fernandes de Queirós e Sá, então proprietário do solar senhorial, por casamento com Maria Amélia Fernandes, a Dona Marica do João Gomes, única herdeira de todo o patrimônio do Tenente Coronel Epiphanio José Fernandes de Queirós, conhecido como Major Epiphanio, falecido em 1884, e seu construtor.

Childerico I se casou duas vezes. A primeira com Guilhermina Fernandes Maia, filha do primeiro casamento de Diogo Alves Fernandes Maia com Maria Fernandes Maia. Desse casamento nasceram:

1. Adolpho José Fernandes, conhecido por Sinhô, casado com Primitiva Fernandes;

2. Marcionila Fernandes;

3. Childerico José Fernandes Filho;

4. Maria Fernandes Ferreira;

5. Joana Fernandes Ribeiro;

6. Levina Fernandes;

7. Guilhermina Fernandes de Queiróz;

8. Honorina Fernandes;

9. Francisca Fernandes de Souza.

Do seu segundo casamento, com Maria Amélia Fernandes (Dona Marica do João Gomes), teve os seguintes filhos:

1. João Câncio Fernandes;

2. Ernesto Fernandes de Queiróz;

3. Umbelina Fernandes da Silveira;

4. Francisca Fernandes Távora.

A história de Dona Marica é, por si mesma, uma lenda na família Fernandes.

Consta que Antônio Fernandes da Silveira Queirós (o Major do Exu) teve vários filhos, dentre eles o Major Epiphanio e o Cônego Bernardino José de Queirós e Sá, que foi vigário de Pau dos Ferros de 1849 a 1884.

O Major Epiphanio não teve filhos; o Padre, dez a doze, segundo alguns, dezesseis, dizem outros, de várias mulheres, dentre eles Dona Marica, a primogênita, adotada por seu irmão e dele futura e única herdeira.

Ao assumir a fazenda João Gomes, o Capitão Childerico, ao que consta, segundo as lendas, manteve a tradição inaugurada pelo Cônego Bernardino de povoar os oitões, sótãos e porões da Casa Grande, e dele nasceu Pedro Alves Cabral, pai de Seu Chico Cabral, a quem eu sempre associei ao lendário Solar da família e a proteção que recebeu, ao longo da vida, dos Fernandes descendentes do seu avô.

Bem como lembro, imediatamente, de outras tantas e preciosas histórias e estórias que o pó do tempo insiste em sepultar, lentamente encaminhando toda uma cultura da qual, hoje, quase não há mais testemunhas vivas, para o desaparecimento.

Honório de Medeiros é professor, escritor e ex-secretário da Prefeitura de Natal e do Governo do RN

Compartilhe:
Categoria(s): Crônica
  • San Valle Rodape GIF
domingo - 04/01/2026 - 10:40h

Dias de aventuras

Por Odemirton Filho

Foto de Jânio Rêgo (Arquivo)

Tibau e suas “naus”, em foto de Jânio Rêgo (Arquivo/2018)

O barco estava ancorado. Seria o barco do velho pescador Tidó? Quem sabe.

O que sei é que eu e alguns primos estávamos na adolescência, e ficávamos conversando sobre a possibilidade de irmos até lá. Tomávamos coragem, e íamos. Eram cinco ou seis meninos púberes. Vez ou outra, um tio ou um primo maior de idade ia nadando à frente. Nadávamos o mais rápido que podíamos.

Medo? Sim, tínhamos. No entanto, o desejo de se aventurar era maior. Para um menino entrando na primeira adolescência o medo é de somenos importância. O que realmente importava era desbravar o novo, fazendo-se homem, com uma coragem inabalável; nenhum de nós queria ser tachado como um frouxo.

Não foi uma ou duas vezes. Inúmeras vezes fomos aos barcos que estavam ancorados na praia de Tibau, pois o mês de Janeiro era o momento de se libertar dos compromissos escolares. Era o momento de curtir as férias; de nadar, de jogar bola na areia; de “pegar ondas”, principalmente no período da lua cheia, quando o mar ficava agitado e perigoso. Não conto as vezes que nadava para sair da água, e o mar me puxava, como se tivesse mãos.

Quando chegávamos ao local, subíamos na embarcação e ficávamos mergulhando, sob um sol de rachar o juízo. Conversávamos sobre as próximas aventuras, sobre as paqueras que já começavam a despontar, enfim, conversávamos sobre assuntos de adolescentes.

Depois de um certo tempo, nadávamos de volta pra areia da praia. Estávamos exaustos, queimados pelo sol e com sede. Comprávamos um picolé e íamos para casa, à espera do almoço. À tarde, ficávamos deitados nas redes, no alpendre, jogando conversa fora e aguardando passarem na rua vendendo grude e gelé.

No dia seguinte, tudo de novo. Eram dias de imensa alegria. Sem pressa. A areia da praia e o mar eram nossos amigos inseparáveis.

Hoje, entretanto, “o mar não está pra peixe”. Quando estou à beira-mar, apenas vislumbro o horizonte e os barcos ancorados, mas já não tenho coragem, nem fôlego, de nadar até lá. Então, recordo-me da minha juventude; são lembranças açucaradas, ou melhor, salgadas, daqueles dias de aventuras.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

Compartilhe:
Categoria(s): Crônica
domingo - 04/01/2026 - 10:04h

A formação de Dante

Por Marcelo Alves

A Barca" de Delacroix, espelhando "A divina comedia" (Reprodução do BCS)

A Barca” de Delacroix, espelhando “A divina comedia” (Reprodução do BCS)

Os romances de formação são um tipo de “gênero literário”, muito comum na literatura alemã, cujo enredo está centrado na evolução moral e psicológica de um protagonista, geralmente desde a sua juventude até a idade adulta. “Os anos de aprendizado de Wilhelm Meister” (1795-1796), obra seminal de Goethe (1749-1832), é o seu marco referencial, ao mesmo tempo um ponto de chegada e de partida, que exerceu enorme influência sobre a subsequente literatura ficcional no estilo. No mais, eles são universalmente designados pela expressão alemã “bildungsroman”, que, “desconstruída” para o português, nos dá “romance de formação” ou “romance de educação”.

Embora típico da literatura alemã, os “bildungsromane” não são desconhecidos em outras literaturas. Em inglês, por exemplo, podemos apontar “Jane Eyre” (1847) de Charlotte Brontë (1816-1855), “David Copperfield” (1850) e “Grandes Esperanças” (1861) de Charles Dickens (1812-1870) e “As aventuras de Huckleberry Finn” (1884) de Mark Twain, entre tantos outros.

Outrossim, muito embora “estritamente falando o termo não possa ser aplicado a texto anterior ao Wilhelm Meister”, o “bildungsroman”, de fato, como bem registrado na “Benét’s Reader’s Encyclopedia” (HarperCollins Publishers, 1996), “representa a culminância de uma longa tradição”. E podemos citar, como grande exemplo de “romance de formação” anterior ao “Wilhelm Meister”, nada mais nada menos que a “Divina Comédia” (1321), de Dante Alighieri (1265-1321), texto fundador da língua italiana e, de resto, uma das obras fundamentais da literatura mundial. Nela, como consta da minha edição da “Comédia” (Martin Claret, 2015), “acompanhado por Virgílio [seu mentor e guia], o poeta percorre o Inferno, o Purgatório e o Paraíso” em busca da verdade revelada. Dante, claro, também vai ao encontro da amada Beatriz.

Noves fora a Bíblia e Shakespeare, nenhum outro autor ou obra é tão badalado e dissecado quanto Dante e a sua “Comédia” (não só nas letras, mas também na arte pictórica, tendo ela assim formado a nossa visão – falo aqui de imagem mesmo – do mundo, dos céus ao inferno e vice-versa). Há inúmeras maneiras de se ler a “Comédia”, todas elas, como não poderia deixar de ser com esse tipo de monumento-esfinge do saber, incompletas. E numa dessas leituras, a Comédia é interpretada como “um épico do aprendizado”.

Como anota George Steiner (em “Lições dos mestres”, Record, 2005), “as fontes, o moto spirituale da Comédia, são as da pedagogia. O poema instrui no seu desenrolar e isso se dá através de sucessivas lições e master classes. As condições e ações de mestre e discípulo são essenciais à jornada”.

Lembremos sempre que, para Dante, o seu maestro supremo é uma “Divindade Suprema”, mas o seu mestre/guia, como peregrino do aprendizado, pelo Paraíso, Purgatório e Inferno, é o grande pagão Virgílio (70aC-19aC). De fato, “o grande achado de Dante, radical e determinante de sua obra, foi fazer do autor da Eneida o guia do peregrino, figura paterna, exemplar. A parceria eletiva entre Mestre e discípulo torna-se o eixo da jornada.

A densidade da interação, articulada e subconsciente, é tal que qualquer abordagem adequada requer, virtualmente, uma releitura verso por verso tanto do Inferno quanto do Purgatório. A condição de pupilo é declarada desde o início: ‘Tu sei lo mio maestro e ‘l mio autore’. (…) A Comédia é a anatomia dessa natureza de rapport. Mais do que qualquer outro texto a partir de então, ele é o nosso Bildungsroman”.

De toda sorte, há algo de curiosamente trágico na interpretação da “Divina Comédia” como “bildungsroman”, em especial no final da relação entre Dante e Virgílio, entre o pupilo e seu mentor/guia: a negação a Virgílio, por parte de Dante, de qualquer possibilidade de salvação na vida em Cristo. Como se cumprindo o seu fatum ao mesmo tempo teológico e literário, Virgílio, o mestre/pagão, que guia seu pupilo à luz, é, ao final da peregrinação de ambos, condenado ao limbo, o primeiro círculo do Inferno.

E nos resta a questão: não havia mesmo jeito de Dante “salvar” o seu “dolicissime patre” Virgílio? Ou estamos diante, como se referiu o já citado George Steiner, da “sombra da traição projetada onde mais se concentrava a luz da felicidade [paternidade]”?

Sobre essa “tragédia da comédia” nós conversaremos na semana que vem. Paciência.

Marcelo Alves Dias de Souza é procurador Regional da República, doutor em Direito (PhD in Law) pelo King’s College London – KCL e membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras – ANRL

Compartilhe:
Categoria(s): Crônica
  • San Valle Rodape GIF
domingo - 04/01/2026 - 09:28h

Cerca

Por Bruno Ernesto

Foto do autor da crônica (Outubro de 2025)

Foto do autor da crônica (Outubro de 2025)

Não é só impressão sua, o final do ano também muda no sertão. A caatinga tem essa beleza peculiar.

Aliás, de tudo que já vi, não há bioma mais bonito que ela. Até o seu cheiro é melhor.

O que olhos de quem não está acostumado mostram, nunca foi, não é, e nunca será morta.

Sua aparência, especialmente de setembro em diante, é um contraste entre cinzas, marrons, amarelos, vermelhos e surpreendentes verdes pontuais.

Quando passar por ela em dezembro, estenda o seu olhar e verá belos pereiros, juazeiros e cactáceas  verdes, como o Cereus Jamacaru que tanto encantou Frans Post.

Se Claude Monet, Van Gogh e Rembrandt tivessem seguido os passos de Frans Post, a história da arte teria sido outra. Muito mais impressionante, que se diga.

Embora os incautos ainda julguem que a seca nos cerca como uma ferida que nunca cicatriza, como bem disse Neruda, há feridas que abrem a nossa pele; já outras, os nossos olhos.

Bruno Ernesto é advogado, professor, escritor e presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró (IHGM)

Compartilhe:
Categoria(s): Crônica / Pensando bem...
domingo - 04/01/2026 - 06:24h
O Código Master

O contraste entre o discurso e a realidade no mundo do STF

Fachi e Moraes compõem o STF, centro de muita polêmica, um mundo próprio sem controle (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Fachi e Moraes compõem o STF, centro de muita polêmica, um mundo próprio sem controle (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

Por Breno Pires (Revista Piauí)

Desde que assumiu a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin passou a trabalhar pela adoção de um código de conduta para os ministros da Corte, de modo a estabelecer parâmetros claros, explícitos e próprios de comportamento.

Inspirado no código de conduta do equivalente ao STF na Alemanha, Fachin fez a sua defesa mais explícita à proposta no discurso de encerramento do Ano Judiciário de 2025, em 19 de dezembro. Na ocasião, a reputação institucional do STF passara a ser questionada no caso do Banco Master. Fachin disse que a corte, para 2026, tem um “encontro marcado” com temas entre os quais estão as “diretrizes e normas de conduta para os tribunais superiores, a magistratura em todas as instâncias e no Supremo Tribunal Federal”.

“Cabe-nos exercer nossas atribuições com rigor técnico, sobriedade e consciência histórica. Não poderia, nessa direção, deixar de fazer referência à proposta, ainda em gestação, de debatermos um conjunto de diretrizes éticas para a magistratura. Considerando o corpo expressivo que vem espontaneamente tomando o tema no debate”, disse o presidente do STF, cuja proposta tem um único aliado público até agora entre os membros da corte: a ministra Cármen Lúcia.

A reação foi imediata. Oito ex-presidentes do STF defendem a adoção do código de conduta. Em outubro, o ex-ministro Cezar Peluso foi um dos subscritores de um documento da Fundação FHC com propostas para o aprimoramento do judiciário, incluindo, entre os pontos, um manual de conduta para o STF. Em 22 de dezembro, Ayres Britto, Carlos Velloso, Celso de Mello, Marco Aurélio Mello e Rosa Weber expressaram apoio à ideia, em reportagem de Rafael Moraes Moura, no jornal O Globo.

O ex-ministro Joaquim Barbosa, relator da ação penal do mensalão, afirmou à piauí que “apoia 100%” a criação do código, e que o caso Master reforça a necessidade de fazê-lo. “As duas coisas estão entrelaçadas. Código de conduta é o mínimo que se pode fazer neste momento”, disse Barbosa, em sua primeira declaração sobre o assunto.

Além deles, o antecessor de Fachin na presidência, Luís Roberto Barroso, apoia a iniciativa, mas ainda não se pronunciou publicamente. “Não é difícil imaginar o que eu penso. Mas desde que saí do Supremo, estou procurando ficar abaixo do radar e evitando declarações”, disse à piauí.

Internamente no STF, os demais ministros têm evitado falar do assunto, mas por outro motivo. “O silêncio da bancada desconfortável com o código de conduta é o sinal mais gritante da sua conveniência, para não dizer necessidade”, escreveu o colunista Elio Gaspari, dos jornais O Globo e Folha de S.Paulo.

Gilmar acha tudo “bobagem”

O principal – e até agora único – porta-voz da resistência é o decano do tribunal, Gilmar Mendes, que falou sobre a proposta de Fachin em conversa com jornalistas de diversos veículos, na segunda-feira, 22. O ministro sustentou que já existem regras suficientes para regular a conduta de magistrados no Brasil, o que torna desnecessário adotar um código próprio para o STF.

Na conversa com os jornalistas, o decano chamou de “bobagem” as cobranças da imprensa sobre participações de magistrados em eventos e expressou seu desacordo em relação à ideia de moderação nas manifestações públicas de ministros, inclusive sobre processos em julgamento. “Eu travei toda aquela batalha contra a Lava Jato falando, denunciando. Se eu não tivesse falado, certamente nada teria mudado”, afirmou.

No mesmo dia, o gabinete de Gilmar Mendes divulgou aos jornalistas um levantamento comparativo para demonstrar que tudo aquilo que o código alemão exige de seus juízes — independência, imparcialidade, cuidado com a vida privada, recusa de benefícios, moderação na comunicação pública, quarentena depois da aposentadoria — já está contemplado, de uma forma ou de outra, no ordenamento jurídico brasileiro.

O levantamento divulgado por Mendes  cita a Constituição brasileira, a Lei Orgânica da Magistratura e o Código de Ética da Magistratura Nacional do Conselho Nacional de Justiça, além das regras previstas no Código de Processo Civil e no Código de Processo Penal. “Não há vácuo no ordenamento jurídico brasileiro quanto à disciplina da conduta, independência e imparcialidade dos juízes”, conclui o texto.

Entre os críticos da falta de contenção no comportamento de alguns magistrados, há aqueles que concordam que talvez não haja “vácuo” nas leis brasileiras. O problema, na verdade, está em outro lugar: o descumprimento das normas existentes, que vem sendo justificado por uma interpretação cada vez mais elástica das próprias normas.

Afinal, o próprio comparativo divulgado por  Gilmar afirma que o código de conduta alemão recomenda que os magistrados divulguem os rendimentos obtidos por palestras e eventos. Até hoje não se sabe quanto cada ministro recebeu ao participar de eventos como os fóruns do Lead, Esfera, grupos econômicos do setor dos bancos, planos de saúde e mesmo em eventos como o bancado pela Refit em Nova York neste ano. Neste ponto, o vácuo é explícito: nenhuma norma brasileira exige a divulgação de remuneração.

O código da Alemanha também veda que os juízes se envolvam em eventos que provoquem “dúvidas sobre independência, imparcialidade e integridade”. Mesmo assim , aqui no Brasil, Dias Toffoli pegou carona no jatinho do advogado do Master para ver a final da Libertadores em Lima, no Peru. E, ao desembarcar de volta, puxou para si o caso do Master e decretou sigilo sobre o assunto. Solicitado a explicar sua atitude, Toffoli disse que só recebeu o processo do Master depois da viagem e que não conversa sobre processos em ocasiões como essa. No entanto, o ministro já estava na capital do Peru quando foi sorteado relator do caso.

Ocaso que tornou o debate sobre código de conduta mais urgente envolve o ministro Alexandre de Moraes e, mais uma vez, o Banco Master. Primeiro, a jornalista Malu Gaspar*, de O Globo, revelou que o escritório de advocacia da mulher do ministro, Viviane, tinha um contrato milionário com o Master. Ganhava 3,6 milhões de reais por mês. Se o contrato não tivesse sido rompido depois do escândalo do Master, renderia um total de 129 milhões — um valor fora do padrão do mercado .

O escopo do contrato do Master com o escritório da mulher do ministro era amplo: representar os interesses do banco nos Três Poderes,  em órgãos como o Banco Central, a Receita Federal e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Mensagens apreendidas pela Polícia Federal indicavam que os pagamentos ao escritório eram tratados internamente pelo Master como prioridade absoluta. Até agora não surgiram registros formais de atuação do escritório da mulher de Moraes junto ao Banco Central ou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica em favor do Master. O ministro Alexandre de Moraes e o escritório foram procurados pela imprensa, mas não responderam aos questionamentos.

Depois do contrato, a repórter Malu Gaspar revelou que o ministro manteve ao menos quatro contatos (três telefônicos e um pessoal) com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante o período mais sensível da crise do Master. Segundo a reportagem, o ministro Moraes buscou informações sobre o andamento da compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB). Ouviu do regulador que havia indícios de fraude que inviabilizavam a transferência de mais de 12 bilhões de reais de crédito do Master para o BRB.

Moraes lançou duas notas em menos de 24 horas. Na primeira, afirmou que as reuniões com dirigentes do sistema financeiro ocorreram “exclusivamente” para tratar dos impactos da Lei Magnitsky – e não fez nenhuma menção ao Master. A jornalista Daniela Lima, do UOL, antecipou a versão de Moraes, mas divergiu em um ponto da nota: afirmou que, sim, houve menção ao Master em conversa com Galípolo.

Na segunda nota, Moraes foi mais explícito e disse que “em nenhuma das reuniões jamais foi tratado qualquer assunto ou realizada qualquer pressão referente à aquisição do BRB pelo Banco Master”. Admitiu dois encontros com Galípolo, em seu próprio gabinete no STF, em 14 de agosto e 30 de setembro. Disse também que “jamais esteve no Banco Central e que inexistiu qualquer ligação telefônica entre ambos, para esse ou qualquer outro assunto” e que “o escritório de advocacia de sua esposa jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central”. Sobre este último ponto, ninguém havia dito o contrário.

Segundo uma nova reportagem, agora do jornal O Estado de S. Paulo, Moraes chegou a ligar seis vezes em um único dia para Galípolo. Em sua resposta, o Banco Central não mencionou números, mas afirmou que todas as interações foram documentadas e que a instituição está à disposição para prestar esclarecimentos. Em coletiva de imprensa, em 18 de dezembro, Galípolo declarou publicamente que o BC registrou reuniões, telefonemas e trocas de mensagens relacionadas ao caso.

Daniel Vorcaro deixa membros do STF em situação embaraçosa (Foto: Arquivo pessoal)

Daniel Vorcaro deixa membros do STF em situação embaraçosa (Foto: Arquivo pessoal)

A única nota à imprensa divulgada pelo Banco Central, em 23 de dezembro, diz“O Banco Central confirma que manteve reuniões com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, para tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky”Nada do que se discute no caso Banco Master desmerece ou contamina os julgamentos dos envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro, conduzidos pelo ministro Alexandre de Moraes com base em um conjunto robusto e incontroverso de provas.

Confundir esses planos significa politizar as suspeitas, criando uma equivalência inexistente entre investigações sem relação entre si — algo distinto do que ocorreu em episódios como o da Lava Jato, em que a condução dos processos por Sérgio Moro violou os próprios princípios da operação.

Paradoxalmente, quem caiu na armadilha de criar a falsa equivalência entre o caso Master e o julgamento dos golpistas foi a própria esquerda, que invadiu as redes sociais atacando Malu Gaspar, como se suas revelações fizessem parte de um complô para desmoralizar o ministro que condenou Bolsonaro e seus militares.

A onda chegou a tal ponto que a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI) lançou uma nota em defesa da jornalista. “Infelizmente, nos últimos anos, se tornaram comuns os ataques misóginos a mulheres jornalistas que fazem reportagens sobre pessoas que ocupam importantes espaços de poder”, diz a nota. “Quando qualquer jornalista sofre intimidação por exercer o seu ofício, perde a sociedade como um todo.”

STF sem controle

Nenhuma norma de conduta foi capaz de evitar todos esses acontecimentos. “Do ponto de vista institucional, não é tanto sobre a qualidade ou efetividade das normas”, diz o professor Rubens Glezer, da FGV-SP, “mas sobre a forma como o Supremo se organiza para controlar a atuação cotidiana de seus próprios ministros”. Glezer destaca que, ao reconhecer a constitucionalidade do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o próprio STF estabeleceu que seus ministros não estariam sujeitos a controle externo regular, e em razão disso o STF não tem uma instância institucional de controle sobre equívocos, atitudes abusivas, excessos e violações éticas de seus ministros.

“O controle existente é basicamente entre os próprios ministros e, no limite, o impeachment pelo Senado. E não é um bom instrumento”, afirma Glezer. Nesse contexto, de acordo com o professor, a proposta de um código de ética é uma tentativa de estruturar esse controle interno e preservar a autonomia do tribunal, evitando que a única resposta possível a crises recorrentes seja a intervenção externa ou soluções excepcionais.

Além disso, em 2023, o STF derrubou um dispositivo do Código de Processo Civil que ampliava as hipóteses de impedimento de juízes quando escritórios de seus parentes advogassem junto à corte. A decisão reduziu restrições criadas para prevenir conflitos indiretos de interesse e reforçou a aposta na autocontenção individual dos magistrados. Hoje, Brasília está tomada por parentes de ministros com escritórios de advocacia. De alguma forma, tornou-se comum que familiares de ministros do STF que já advogaram ou advoguem na corte – entre eles, as mulheres de Moraes, Toffoli e Cristiano Zanin, a ex-mulher de Gilmar Mendes, o filho do ministro Luiz Fux e a irmã do ministro Kassio Nunes Marques.

Um dos pontos que o caso Master evidencia é o despautério da presença frequente de ministros do STF em eventos patrocinados por empresas com causas bilionárias na corte. Antes disso tudo, entre 2022 e 2024, o Banco Master bancou ao menos cinco eventos — dos quais quatro no exterior: Nova York, Paris, Londres e Roma –, que contaram com a presença de ministros do STF, como Moraes, Gilmar, Toffoli, Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski, segundo levantamento do Poder360.

Um dos episódios mais citados ocorreu em 2022, durante a Brazil Conference, quando o controlador do Master, Daniel Vorcaro, ofereceu um jantar em Nova York que reuniu ministros do STF. No Fórum Jurídico Brasil de Ideias, realizado em Londres em abril de 2024, Moraes, Gilmar e Toffoli compareceram, assim como o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, que foi indicado recentemente por Lula para o STF e aguarda sabatina e votação de seu nome no Senado.

Nestes eventos, não há registro de encontros ou reuniões paralelas, não há divulgação de agendas, nem comunicação prévia de potenciais conflitos. A resistência a transformar esses escrúpulos em norma obrigatória revela mais do que divergências técnicas ou jurídicas, segundo o professor Davi Tangerino, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Ela reflete um traço estrutural da vida pública brasileira: o patrimonialismo. “Muitos agentes públicos se sentem donos do cargo”, afirma Tangerino. Segundo ele, isso se manifesta em decisões moldadas por visões pessoais, na construção de posições de poder em relação a outros Poderes e, em casos extremos, há risco de corrupção.

Editoriais

A leitura dos editoriais publicados nos últimos dias por O GloboFolha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo revela enfoques distintos, mas convergentes. O Estadão afirmou que conexões pessoais mal explicadas de ministros do Supremo com o Banco Master “arriscam a credibilidade do STF” e colocam a Corte em “terreno pantanoso”, ao converter episódios individuais em um problema institucional. A Folha enquadrou o episódio como expressão de um déficit mais amplo de controles, advertindo que a ausência de freios institucionais favorece excessos e reforça a percepção de que “poderosos se protegem”.

Já o Globo, em editorial intitulado STF fracassa em transparência e prestação de contas, destacou que a corte demorou duas semanas para se manifestar sobre o vínculo entre Moraes e o Master. O jornal carioca classificou como “inaceitável” a continuidade do segredo imposto por Toffoli e defendeu explicitamente a adoção de um código de conduta para os ministros do Supremo, como forma de “dirimir todas as situações que gerem conflito de interesse” e preservar a integridade institucional da Corte.

No centro do debate não está um banco, nem um contrato, nem um voo, nem um telefonema. Está uma questão mais ampla: se um tribunal que cobra transparência dos demais poderes está disposto a submeter a si mesmo a regras capazes de transformar princípios éticos em procedimentos objetivos. Enquanto essa resposta não vier na forma de normas claras, casos como o do Master continuarão a explicitar que confiança pública é uma construção permanente.

Acesse nosso Instagram AQUI.

Acesse nosso ThreadsAQUI.

Acesse nosso X (antigo Twitter) AQUI.

Compartilhe:
Categoria(s): Política / Reportagem Especial
  • San Valle Rodape GIF
domingo - 04/01/2026 - 04:00h

Curral dos Porcos – Capítulo 1

Por Marcos Ferreira

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de Inteligência Artificial para o BCS

Consultou o reloginho de aço que ganhou de presente do falecido marido no Natal do ano passado. Eram nove horas e cinco minutos da manhã. Ainda não havia parado de chover por inteiro. Caía uma garoa em meio a um vento frio. O sol permanecia oculto. Alguns postes da rede elétrica continuavam acesos desde a noite anterior. Era possível que o mau tempo voltasse a qualquer instante. Apesar disso Matilde colocou sua máscara, pegou o velho guarda-chuva, afagou a cabeça das meninas e disse que não abrissem a porta para ninguém. Exceto se fosse Das Neves, única irmã de Euclides, ou a antipática senhora Esmeralda, mãe do morto. Incomodava-a o fato de se ver obrigada a deixar as filhas sozinhas.

Naquele momento, porém, não tinha opção. No armário da comida restara apenas massa de milho, um pouco de açúcar e um pacote de café. Apreensiva, olhos tristonhos, seguiu para o armazém do senhor Euzébio Suassuna, uma das vendas mais sortidas do pequeno município de Curral dos Porcos.

O bairro de Boa Vista se encontrava quase deserto. Poças d’água e lama logo atingiram as sandálias de Matilde, sujando seus dedos e calcanhares. O bairro não tinha pavimentação, contudo se encontrava distante das áreas inundadas. Pendurada no ombro direito, para a eventualidade de que o comerciante lhe confiasse a compra dos mantimentos, conduzia uma bolsa de palha de tamanho médio.

Ruas quase desertas. Aqui e acolá, debaixo dos seus guarda-chuvas e usando máscaras de proteção contra o vírus, alguns moradores se aventuravam na garoa. Decerto por força das circunstâncias. É evidente que não estariam ali por espontânea vontade; vultos em meio à neblina. Ninguém parava para conversar com ninguém àquele instante. Outros simplesmente observavam o mínimo movimento com os cotovelos apoiados sobre o parapeito de suas janelas. Pássaros dispersos riscavam o céu escurecido. O vento foi ficando mais forte, sibilando nos fios do posteamento.

Indiferente às condições climáticas, a jovem mulher seguiu seu rumo exposta à possibilidade de a chuva cair de vez e alcançá-la no meio do trajeto. Quando dobrou na esquina da farmácia, Matilde empalideceu. A mercearia do senhor Euzébio estava de portas fechadas. Ocorreu-lhe chamá-lo na casa contígua ao comércio, residência do homem, e explicar-lhe o momento de sufoco em que se encontrava. Considerou, entretanto, que seria audácia importunar alguém naquelas condições para comprar sob promessa de pagamento. Com os pés enlameados e roupas enxovalhadas, deu meia-volta levando a bolsa de palha. Não tinha outro lugar onde pudesse conseguir crédito. Recordou-se de que era sábado e que talvez o senhor Euzébio tivesse resolvido não abrir por causa disso. Aquelas chuvaradas representavam um motivo a mais.

Parou sob a marquise da farmácia e se pôs a refletir.

— E agora, meu Deus? — murmurou.

Precisava engolir o orgulho e pedir ajuda a quem ela não gostaria. Embora não fosse muito bem-vinda ali, restava-lhe a casa da sogra, com a qual nunca tivera boa relação. E os problemas pioraram após a morte de Euclides. A senhora Esmeralda, como é comum entre as famílias do interior, desejava que o filho namorasse e se casasse com uma certa prima. Contudo ele se encantou por Matilde desde quando a conheceu trabalhando em casa do senhor prefeito Gilberto Pedrosa. Ela fora recomendada à família do político por uma irmã deste, a senhora Albertina, residente em Aroeira Santa e patroa dos pais de Matilde. Os genitores da moça haviam morrido num desastre com um ônibus na estrada de Aroeira Santa para a capital, Belo Jardim.

Não tardou e Euclides e Matilde começaram a namorar. Ele tinha à época seus vinte e oito anos e ela contava apenas vinte e três. Após dezoito meses de relacionamento, contrariando todos os cuidados, ela engravidou e deu à luz a primeira filha, batizada com o nome Vanda. Na metade da gravidez Matilde precisou deixar o trabalho na casa do prefeito. Depois do parto, dispondo da ajuda de Das Neves, dedicou-se a cuidar da filha e da casa.

O imóvel foi adquirido graças à generosidade do patrão, que lhes vendeu o terreno por uma pechincha e deu baixa na carteira de Euclides, de maneira que este pudesse fazer uso da verba rescisória. Pouco depois o senhor Gilberto o readmitiu no serviço da olaria. Euclides, apesar da contrariedade da mãe, foi ajudado pela própria senhora Esmeralda e pelo pai, o senhor Adonias, funcionário aposentado da Receita, morto também no ano passado em decorrência de um enfarto.

Claro que a saída de Matilde da residência do senhor Gilberto causou frustração. O prefeito nutria expectativas de ter um caso com a moça. Esta, contudo, sempre se esquivou das indiretas e diretas do empregador.

Do modesto lar de Euclides e Matilde, entretanto, foi concluída tão só a parte estrutural, algo que consideravam uma grande vitória. Pois, ao contrário de muita gente, não estavam no cabresto do aluguel nem morando com os pais de Euclides, suportando os humores da senhora Esmeralda. “Vamos fazendo o restante aos poucos”, dizia o oleiro. Assim passaram a residir na modesta casa dispondo do básico. Estavam felizes com essa nova fase de suas vidas, em particular pela chegada de Vanda. O piso, o reboco, revestimento do banheiro, entre outras pendências, planejavam fazer mais adiante com as economias que pudessem manter em uma caderneta de poupança. Mas veio Ritinha (segunda filha) e as melhorias do domicílio emperraram.

Quase dez horas. A ventania açoitava o guarda-chuva com mais força. Matilde chegou à casa da sogra e esta a recebeu de cenho trancado. A velha já supunha que a moça estava ali por necessidade. Do contrário não teria saído de casa naquelas condições. Logo pôde concluir, para aumentar-lhe o ranço gratuito, que outra vez a nora deixara suas netas sozinhas. Demorou alguns segundos para abrir a porta.

— O que faz aqui, com esse tempo? — resmungou.

— Vim lhes pedir ajuda. Estamos sem comida. O dinheiro acabou e não disponho de nada para dar às meninas de hoje para amanhã.

— Podemos ajudar — antecipou-se Das Neves, sua cunhada.

— Agradeço. Só me abalei até aqui por causa disso.

— Claro que vamos ajudar — confirmou a sogra. — Não vou deixar as minhas netas com fome. Não sou tão cruel como você pensa. Bata os pés no capacho e pode entrar. Sinta-se em casa — disse com alguma ironia.

— Eu nunca falei que a senhora é cruel.

— Pelo seu olhar, é como se imaginasse.

— Que olhar? Está enganada. Sou muito grata a vocês.

— Chega dessa conversa — interveio Das Neves. — Venha, Matilde, vamos à cozinha. Podemos lhe arrumar algumas coisas. Não é muito, mas irá lhe socorrer até que consiga dinheiro para fazer umas compras.

— Fui ao comércio do senhor Euzébio Suassuna, mas estava fechado. Eu queria saber se ele me venderia algumas mercadorias no fiado.

A senhora Esmeralda transferira a entrega dos víveres para a filha. Continuou na sala, na cadeira de balanço, manejando as agulhas de tricô. Apesar da cara trancada de costume, sentia que precisava ajudar a nora e, sobretudo, as netinhas. No íntimo, como de outras vezes, gostava que Das Neves tomasse a iniciativa de ir à despensa e arranjar alguns alimentos para aquelas pobres necessitadas.

Das Neves encheu a bolsa de palha com gêneros alimentícios, inclusive leite em pó, e a entregou sorridente. A outra parecia ter os olhos marejados. Quando passou pela sala, a viuvinha disse “obrigada” à sogra. A velha fez de conta que não ouviu. Matilde deu um abraço em Das Neves e voltou para casa. Ao abrir a porta encontrou as meninas no sofá, diante da televisão, que ela deixara ligada.

As crianças notaram que a mãe trazia a bolsa cheia de mantimentos, todavia não imaginavam a origem das coisas. Matilde já havia batido os pés na calçada, de modo que a terra caísse das sandálias, mas ainda assim deixou os calçados perto da porta, pois os recolocaria somente após tomar um banho.

Pendurou o guarda-chuva em um armador de rede da sala, retirou a máscara de proteção e começou a distribuir o conteúdo da bolsa sobre a mesa da cozinha. Em seguida, ao respirar fundo, foi guardando os gêneros no armário de metal fixado na parede, entre a geladeira e o fogão. Sentia-se aliviada com o fato de que teria alimento para si e para as filhas por mais três ou quatro dias.

Marcos Ferreira é escritor

Compartilhe:
Categoria(s): Conto/Romance
sábado - 03/01/2026 - 23:40h

Pensando bem…

“Todo o ser humano é um estranho ímpar.“

Carlos Drummond de Andrade

Compartilhe:
Categoria(s): Pensando bem...
Home | Quem Somos | Regras | Opinião | Especial | Favoritos | Histórico | Fale Conosco
© Copyright 2011 - 2026. Todos os Direitos Reservados.