Por Bruno Ernesto
Nada contra as medidas de segurança que adotamos hoje em dia. Muito pelo contrário.
A história da humanidade tem mostrado que a longevidade passa, antes de tudo, pela saúde, e esta pelos bons hábitos, saneamento básico e fortíssimas políticas públicas.
Todavia, certas mazelas são tradicionais, indissociáveis da infância.
Alguns, é certo, nunca perdem o espírito jovem, diria.
Quando criança, eu e você, vimos muitas crianças bolando na areia, correndo no meio do matagal em sítios, jogando bola descalço, tomando banho em bica em dia de chuva, se agarrando com gato, cachorro e galinha. Quase amofinando os filhotes.
Na verdade, fiz isso tudo com muita propriedade.
Tive até galinha de estimação, Tintinha. Um galinha preta, do pé seco, criada desde pintinho, em quem dava um cheiro quando ia e quando voltava do colégio.
Colocava debaixo do braço e corria para assistir a TV Manchete.
Certo dia, sumiu e apareceu à mesa guisada. Só depois me dei conta do destino dela. Pobre Tintinha.
Conhecendo os dotes culinários de mamãe, certamente ficou uma delícia.
E a regra dos cinco segundos do pedaço de pão que cai no chão ?
Nunca tomou água num copo de alumínio comunitário que fica na boca de um pote ou debaixo da torneira do filtro de barro?
Nunca tomou banho nos riachos formados em ruas de barro durante uma partida de futebol mirim com bola dente de leite?
Nem tomou a garrafinha sabor chiclete negociada por um litro vazio ?
Hoje é inimaginável que as crianças façam isso. Uma pena.
A verdade é que nossas lembranças são como uma velha porta que está ali aguardando para ser reaberta.
E, pensando bem, quem nunca teve piolho, pixilinga e verminose, não teve infância.
Bruno Ernesto é escritor, Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM e curador do portal cultural marsertão.com @ihgmossoro @marsertaoblog











































