“Quando a aflição aperta, quando o corpo se nos desmanda de dor e angústia, então é que se vê o animalzinho que somos.”
José Saramago
Jornalismo com Opinião
“Quando a aflição aperta, quando o corpo se nos desmanda de dor e angústia, então é que se vê o animalzinho que somos.”
José Saramago
O Senado aprovou nesta terça-feira (26) a Medida Provisória que reajusta o piso salarial dos professores da educação básica para R$ 5.130,63 em 2026 — um aumento de 5,4% sobre o valor anterior, de R$ 4.867,77, com ganho real de 1,5 ponto percentual acima da inflação. Como o texto sofreu alterações durante a tramitação, a Medida Provisória MP 1.334/2026 foi convertida no Projeto de Lei de Conversão PLV 4/2026 e vai à sanção.
O texto aprovado muda o critério de atualização do piso. Pelo novo cálculo, o reajuste anual será a soma do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e 50% da média de crescimento real das receitas do Fundeb nos cinco anos anteriores. A fórmula anterior teria resultado em recomposição de apenas 0,37% — a nova garante 5,4%.
O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) é o principal mecanismo de financiamento da educação pública no Brasil. O fundo repassa recursos a estados e municípios para custear a educação básica.
Valor nominal
A relatora, senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), incluiu o valor nominal de R$ 5.130,63 diretamente no texto para evitar disputas judiciais sobre a aplicação do novo critério já neste ano.
— Essa medida provisória vem para dar segurança aos professores e também aos gestores, na medida em que define critérios claros em relação ao piso salarial do magistério. Não existe educação de qualidade se os profissionais não forem devidamente valorizados — apontou a senadora.
Impacto nas contas públicas
Se aplicada por todos os entes federativos, a nova regra deve gerar um impacto de R$ 6,4 bilhões em 2026. As receitas do Fundeb, que financiam 70% dos salários dos professores, cresceram 120% em termos reais entre 2020 e 2026.
Fonte: Agência Senado
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Uma nova parcela referente ao processo dos precatórios do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF) deve ser depositada para o Rio Grande do Norte ainda nesta terça-feira (26). O valor de aproximadamente R$ 108 milhões estará disponível nas contas dos beneficiários nesta quarta-feira (27), contemplando cerca de 21 mil professores e professoras da rede estadual de ensino, entre ativos, aposentados e pensionistas.
Mas 40% dos recursos serão destinados ao custeio do Estado, conforme previsto na legislação.
A União Federal já depositou no processo do Fundef o montante de R$ 225.680.766,26, referente à segunda e terceira parcelas do acordo firmado com a Advocacia-Geral da União (AGU).
Desse total, 60% correspondem ao rateio entre os profissionais do magistério que atuaram em sala de aula, alcançando o valor de R$ 136.096.934,31. Os outros 40% foram destinados ao custeio da Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e do Lazer (SEEC).
Erro da União
A liberação ocorreu após decisão do STF que reconheceu que a União repassou aos estados valores abaixo do devido durante a vigência do Fundef, entre 1998 e 2006. O erro estava relacionado ao cálculo do valor mínimo anual por aluno, o que levou à determinação de recomposição financeira. Cada ente federativo (estados e municípios) possui o seu próprio cronograma de pagamento e plataforma de consulta.
Quem tiver direito ao rateio do Fundef pode fazer consulta dos valores individuais Acesse link AQUI.
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Há mais de seis décadas fazendo parte da história da comunicação potiguar, a Rádio Rural de Mossoró inicia um novo capítulo em sua trajetória. Fundada em 2 de abril de 1963, a emissora passa agora a operar em Frequência Modulada (FM), trazendo uma proposta mais moderna, conectada e ainda mais próxima da população de Mossoró e região.
“A Rural FM 101,9 nasce reafirmando seu compromisso com a informação, o entretenimento, a música e a evangelização, mantendo viva a essência construída ao longo de gerações”, destaca a emissora em comunicado oficial.
Entrará no ar como FM a partir das 5 horas de segunda-feira (01), com Martins Coelho, uma legenda da radiofonia potiguar.
Em uma sintonia renovada, a emissora chega com uma programação voltada para toda a família, fortalecendo a missão de comunicar com responsabilidade, proximidade e serviço à vida.
“Uma verdadeira metamorfose”
Para o diretor de programação da emissora, Padre Talvacy Chaves, a transição representa muito mais do que uma simples mudança de frequência.
“Esse momento representa uma verdadeira metamorfose na Rádio Rural. Não estamos apenas migrando do AM para o FM; estamos entrando em uma nova fase, com nova linguagem, nova cultura e mais qualidade. A Rural AM cumpriu uma missão histórica: esteve perto do povo, evangelizou, informou, prestou serviço e fez parte da vida de Mossoró e região por mais de seis décadas. Agora, a Rural FM 101,9 nasce para ampliar essa missão em um novo tempo”, destacou.
O diretor também ressaltou que a modernização da emissora acontece sem perder a identidade construída ao longo dos anos.
Lançamento e Celebração
A nova fase da emissora será celebrada em dois momentos especiais promovidos pela Diocese de Santa Luzia de Mossoró, por meio da Fundação Santa Luzia. O lançamento oficial da Rural FM 101,9 acontecerá no próximo sábado, dia 30 de maio, às 9h, no Teatro Lauro Monte Filho.
Já no domingo, 31 de maio, às 11h, será celebrada uma Missa em Ação de Graças, presidida pelo bispo diocesano Dom Francisco de Sales, na Catedral de Santa Luzia.
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O pioneirismo de iniciar a cobertura eleitoral de forma antecipada e levar ao público debates que fortalecem a democracia é uma marca histórica da Band. No Rio Grande do Norte, o primeiro debate com os candidatos ao Governo do Estado já tem data marcada: será no dia 09 de agosto, dentro da programação da Band RN.
O programa vai reunir os principais nomes na disputa pelo Governo do Estado em um encontro marcado pela apresentação de propostas, confronto de ideias e discussão dos temas mais importantes para os potiguares. A mediação será da jornalista Anna Ruth Dantas.
Será um espaço democrático para que os concorrentes ao governo estadual possam apresentar seus planos de gestão e responder aos questionamentos sobre áreas estratégicas como saúde, segurança, educação, infraestrutura e desenvolvimento econômico.
O debate será transmitido ao vivo pela Band RN e também pelas plataformas digitais da emissora, ampliando o alcance e permitindo que o público acompanhe cada momento em diferentes canais.
Em breve, a emissora divulgará as regras do encontro, mediação, participação dos candidatos e demais detalhes da cobertura especial das Eleições 2026.
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Mais de 120 juízes foram “punidos” com aposentadoria nos últimos 20 anos (Foto: Antônio Augusto/STF)
Do Correio Braziliense
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu por unanimidade, nesta terça-feira (26/5), acabar com a aposentadoria compulsória remunerada como a penalidade máxima aplicável a magistrados que cometem infrações.
Com a decisão, juízes e ministros — exceto os do próprio STF — condenados administrativamente deverão sofrer a perda do cargo e do salário, em vez de serem afastados mantendo vencimentos proporcionais, o que era frequentemente criticado como um “prêmio”.
O colegiado validou o entendimento do relator e seu presidente, ministro Flávio Dino, de que a Reforma da Previdência de 2019 extinguiu o fundamento constitucional da “aposentadoria-sanção”. A decisão confirma uma liminar monocrática de Dino proferida em março de 2026.
Como o cargo de juiz é vitalício, a maioria da turma entendeu que, após uma decisão de expulsão pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o caso deve ser enviado ao Supremo para referendar a perda definitiva do cargo, visando evitar que processos se arrastem por anos sem conclusão.
“Punição” em crimes graves
A medida atinge diretamente uma prática consolidada nas últimas décadas no Judiciário brasileiro.
Nos últimos 20 anos, pelo menos 126 magistrados foram punidos com aposentadoria compulsória remunerada no Brasil. Esses juízes foram punidos por crimes e faltas graves, como a venda de sentenças, assédio moral e sexual, e favorecimento a facções criminosas.
O julgamento se originou de um recurso de um juiz da Comarca de Mangaratiba, no Rio de Janeiro, Marcelo Borges Barbosa, que havia sido aposentado pelo CNJ por condutas como direcionamento de liminares para milicianos e favorecimento de grupos políticos.
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O ex-prefeito de Carnaubais Luizinho Cavalcante (PSB) anunciou a retirada de sua pré-candidatura ao Senado Federal. Decisão proclamada nesta terça-feira (26).
Paralelamente, ele declarou apoio ao projeto político de Rafael Motta (PDT) para a disputa de 2026.
“Tenho convicção de que a política deve ser feita com diálogo, equilíbrio e compromisso com as pessoas. Por isso, optei por somar forças ao projeto de Rafael Motta, que reúne capacidade, experiência e disposição para representar o Rio Grande do Norte no Senado Federal”, afirmou.
Rafael Motta agradeceu o gesto e ressaltou a importância da união para o fortalecimento de um projeto voltado ao desenvolvimento do estado.
“Recebo o apoio de Luizinho com muita alegria e responsabilidade. É um gesto importante, que reforça nosso compromisso de construir um projeto amplo, democrático e conectado com os interesses do povo potiguar”, declarou o pré-candidato.
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A Secretaria Municipal da Fazenda (SEFAZ) realiza nesta terça-feira (26) uma coletiva de imprensa para a apresentação do Programa de Recuperação Fiscal do Município de Mossoró, denominado Refis Mossoró 2026, a partir das 10h, na sede da Sefaz. O Refis 2026 é destinado à regularização de créditos tributários e não tributários inadimplidos. Na última quinta-feira, a Prefeitura sancionou a Lei Complementar nº 240, de 21 de maio de 2026.
A iniciativa do município busca dar oportunidade para que cidadãos e empresas regularizem sua situação fiscal, com mais facilidade, por meio da Sefaz. A proposta incentiva o cidadão a ficar em dia com a cidade, oferecendo condições especiais para pagamento de dívidas vencidas até 31 de dezembro de 2025.
O Refis 2026 vai permitir desconto de até 99% em juros e multas para pagamento à vista. Para quem optar pelo parcelamento da dívida, também haverá redução nos encargos. O programa contempla tributos como IPTU, ISS e diversas taxas municipais, alcançando débitos inscritos ou não em dívida ativa, inclusive aqueles que já foram parcelados.
“Nesta terça-feira, vamos realizar uma entrevista coletiva com a imprensa municipal para fazer a apresentação do Programa de Recuperação Fiscal da Prefeitura de Mossoró. Este será o maior Refis da história, com a possibilidade de o contribuinte mossoroense que está em débito com as taxas municipais pagar suas dívidas com até 99% de redução em juros e multas ou até em 84 meses”, explica Edilson Júnior, titular da Sefaz Mossoró.
O secretário da Fazenda destaca ainda que foram convidadas entidades de classe para acompanhar a apresentação do Refis 2026. “Convidamos entidades de classe como o Conselho de Contabilidade, OAB, Sinduscon, CDL e outras entidades para acompanharem a apresentação na sede da Secretaria da Fazenda, sobretudo, para tirar dúvidas da operacionalização do Refis 2026, que vai poder ter sua adesão também pela primeira vez de forma 100% digital, através do Sefaz Digital da Secretaria da Fazenda”, completou.
O contribuinte que aderir ao Programa Refis Mossoró 2026 deverá recolher o valor do débito consolidado, com os seguintes percentuais de redução exclusivamente nos acréscimos legais:
I – 99% (noventa e nove por cento) no caso de pagamento do débito em uma única parcela;
II – 95% (noventa e cinco por cento) no caso de pagamento do débito em até 4 (quatro) parcelas;
III – 90% (noventa por cento) no caso de pagamento do débito em até 8 (oito) parcelas;
IV – 80% (oitenta por cento) no caso de pagamento do débito em até 12 (doze) parcelas;
V – 70% (setenta por cento) no caso de pagamento do débito em até 24 (vinte e quatro) parcelas;
VI – 60% (sessenta por cento) no caso de pagamento do débito em até 36 (trinta e seis) parcelas;
VII – 50% (cinquenta por cento) no caso de pagamento do débito em até 48 (quarenta e oito) parcelas;
VIII – 40% (quarenta por cento) no caso de pagamento do débito em até 60 (sessenta) parcelas;
IX – 30% (trinta por cento) no caso de pagamento do débito em até 72 (setenta e duas) parcelas;
X – 20% (vinte por cento) no caso de pagamento do débito em até 84 (oitenta e quatro) parcelas.
Confira aqui a íntegra da Lei Complementar.
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The News para o BCS
Você provavelmente já passou minutos conversando com o seu cachorro ou tentando decifrar o tom do miado do seu gato. Mas, por mais que você jure que entende o seu companheiro de quatro patas, a comunicação ainda ficava na base do palpite. Pelo menos até agora…
Isso porque a startup chinesa Meng Xiaoyi lançou a PettiChat, uma coleira inteligente de US$ 118 que promete traduzir os latidos e miados dos pets em frases humanas completas.
Como funciona
O dispositivo vai usar microfones, sensores de movimento e a inteligência artificial Qwen — da Alibaba — para ler a linguagem corporal e as vocalizações dos animais.
A empresa alega uma precisão de 95% nas traduções, baseada em um banco de dados com mais de um milhão de amostras vocais de animais, cobrindo mais de 20 emoções em um tempo de resposta de 1,2 segundo. O interesse foi tão grande que já gerou +10 mil pré-vendas.
Além de você entender o seu bichinho, a coleira também faz o caminho inverso. Você fala uma frase, como ‘’calma, vai ficar tudo bem’’, e o dispositivo promete traduzir para latidos ou miados que fazem sentido para o animal.
Menos crianças, mais bichinhos
Por que isso é relevante? Com a queda global na taxa de natalidade, o número de pets nas casas tem aumentado a cada ano. Só no Brasil já são +160 milhões de animais de estimação.
Para se ter ideia, o mercado de pet tech deve crescer cada vez mais, chegando a US$ 24 bilhões até o fim da década.
Mas nem todo mundo comprou a ideia… Como ainda não existem estudos científicos independentes validando o produto, muitos usuários passaram a questionar nas redes sociais se a AI está realmente traduzindo algo ou apenas gerando palpites bem-humorados.
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“A disciplina é uma conquista que necessita da aquisição de novos hábitos e do abandono de antigos.”
Carlos Hilsdorf
O Sindicato da Indústria da Construção do RN (SINDUSCON-RN) divulgou o Custo Unitário Básico (CUB) do mês de abril.
O padrão R-9N, referente ao modelo de edifício padrão com 8 ou 9 pavimentos, foi calculado em R$ 2.082,01, representando uma variação positiva de 0,15% em relação ao mês anterior.
O indicador, utilizado como referência pelo setor da construção civil para acompanhamento da evolução dos custos das obras, reflete o comportamento dos preços de insumos e serviços utilizados no segmento.
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Vinte alunos da rede pública municipal de ensino de Mossoró, com histórias e realidades diferentes, se tornaram iguais ao vivenciarem a primeira oportunidade de conhecer outro estado, a primeira viagem de avião e o reconhecimento pelo esforço e dedicação na vida escolar. Essa é a descrição do grupo de alunos da rede municipal de ensino que foram aprovados para realizarem a 2ª edição do programa “Partiu, Brasil”.
A segunda viagem do programa aconteceu nesse domingo (24), quando os alunos seguiram de ônibus de Mossoró para o Aeroporto Pinto Martins de Fortaleza-CE. Da capital cearense eles partiram de avião às 12h55, com destino a cidade de Brasília-DF, com conexão antes em São Paulo-SP.
No avião, antes de levantarem voos, uma surpresa que ninguém esperava. Foram saudados pela tripulação da aeronave, que exaltou a educação como grande investimento.
Nessa segunda edição, os alunos viajaram acompanhados de monitores da Secretaria Municipal de Educação e do secretário municipal da pasta, Leonardo Dantas. “Chegou o grande dia. Nós estamos aqui com os 20 alunos contemplados na edição 2026. Esses alunos, como eu venho lembrando, são os melhores alunos da rede, eles têm frequência acima de 85%, nota média em todas as disciplinas acima de 7, e fizeram a prova do Partiu Brasil sendo os 20 primeiros colocados”, ressaltou.
Brasil e mundo
O programa levou para Brasília, dia 19 de janeiro deste ano, a primeira delegação com 20 alunos de desempenho destacado. A experiência agora é renovada com mais esse grupo.
Em março (veja AQUI), o programa “De Mossoró para o mundo”, também da Prefeitura de Mossoró, encaminhou dez alunos e dois professores de carreira do município para estada em Londres-Inglaterra. Tiveram imersão no ensino do inglês e excursionaram por 15 dias, numa outra ação inédita de fomento ao ensino.
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Michelle é uma opção, mas em outra patamar de chapa majoritária, no grupo de Bolsonaro (Foto: Pedro H. Tesch | Getty Images))
De acordo com reportagem da jornalista Mônica Bergamo da Folha de São Paulo, aliados de Jair Bolsonaro indicaram que o ex-presidente descartou a possibilidade de Michelle Bolsonaro (PL) se candidatar à presidência.
Contudo, caso a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) não tracione, existiria a chance da esposa de Bolsonaro ser candidata a vice numa chapa com Ronaldo Caiado (PSD-GO) ou Tereza Cristina (PP-MS).
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Em pré-campanha a governador à tarde desta segunda-feira (25), em Tangará, Agreste do RN, o ex-prefeito mossoroense Allyson Bezerra (UB) foi surpreendido por dezenas de pessoas que o saudaram com chapéus de couro.
O chapéu “esquisito” utilizado por Allyson Bezerra, denominado assim pelo senador e adversário politico Rogério Marinho (PL) – veja AQUI, virou símbolo espontâneo e de massa.
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Área surgiu como esperança, virou lugar para se recomeçar e hoje é tomado pelo medo (Foto ilustrativa: Ney Douglas/Arquivo)
O conjunto Nova Vida, malfadadamente apelidado de “Malvinas”, na região Oeste de Mossoró, é hoje área conflagrada e sem controle da segurança pública do Estado. Com quase 41 anos de existência, o Nova Vida nasceu como esperança de centenas de famílias desabrigadas por enchentes em 1985, virou lugar para se recomeçar e transformou-se num ambiente de medo.
O noticiário especializado lista série de crimes de execução à bala em seu espaço físico e adjacências.
Sobram registros de guerra entre facções por controle de “território” e confrontos também com policiais.
Em meio ao fogo cruzado existem centenas de famílias e população flutuante, que correm perigo iminente de morte.
Nesse domingo (24), por exemplo, duas pessoas foram baleadas. Entre elas, uma mulher. Foi atingida por bala perdida dentro de sua própria casa, quando criminosos tentaram matar outra pessoa em sua rua.
Nas páginas policiais chegam apenas as situações de maior impacto. Porém a rotina do lugar é muito pior. São comuns disparos de armas de grosso calibre à luz do dia ou noite/madrugada e outras formas de terror.
O Estado não consegue dar uma responsa à violência. Salve-se quem puder.
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O espetáculo ‘Chuva de Bala no País de Mossoró’ estreia sua temporada 2026 no próximo dia 11 de junho, à noite, dentro da programação do Mossoró Cidade Junina (MCJ) 2026. As apresentações acontecem no tradicional adro da Igreja São Vicente, palco que revive anualmente um dos episódios mais marcantes da história mossoroense: a resistência ao bando de Lampião em 1927.
Neste ano, o espetáculo chega ao público com um marco histórico: pela primeira vez, a direção-geral é assinada por uma atriz mossoroense. À frente da montagem está Joriana Pontes, artista da Cia Bagana de Teatro.
A atriz e diretora é reconhecida pelo trabalho voltado à valorização da cultura popular, da identidade nordestina acumulando participações em importantes montagens e projetos culturais. Com trajetória consolidada nas artes cênicas, Joriana Pontes construiu sua carreira no teatro mossoroense e potiguar, atuando como atriz, palhaça, diretora e produtora cultural.
Sócia fundadora da Cia Bagana de Teatro, que está junto na execução do espetáculo Chuva de Bala, Joriana tem na sua trajetória profissional a atuação nos espetáculos: Auto da Liberdade, Chuva de Bala, Oratório de Santa Luzia, Capitães da Areia, A revolta dos Brinquedos, Medéia, Shakespariano, entre outros. Participou de filmes como: O mundo de Ana, A Trupe, Cidade das quatro Torres, Era uma Vez Lalo, Casa do Louvor: o filme.
Direção
Como diretora produziu e dirigiu vários espetáculos como Shakespeariano, Nas Ondas do Rádio com Chiquinha Gonzaga, Auto de São João Batista na cidade do Assú, fez assistência de direção em dois anos consecutivos (2015 e 2016) do Chuva de Bala no País de Mossoró e mais recentemente, dirigiu o Auto de Santana (2025) e Amadores (2025/2026).
Sob sua direção, o Chuva de Bala 2026 aposta em uma encenação que une tradição e renovação, com artistas experientes e também, novos talentos que encontram na dança e no teatro espaço para crescimento artístico:
“Cada diretor(a) traz a sua perspectiva para o conjunto do espetáculo que é também uma construção com todo o grupo envolvido. Como diretora, pude montar um elenco que reúne tradição e renovação artística. Da mesma forma que teremos jovens artistas no palco, teremos muita experiência cênica, nomes que engrandecem o Chuva de Bala 2026. Também temos um conjunto de mulheres que se destacam nas interpretações e novos elementos em cena”, explica Joriana, sem adiantar as surpresas que serão a novidade neste ano.
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Na manhã desta segunda-feira (25), o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Norte (CREMERN) fez uma coletiva para apresentar para imprensa uma resolução criada para a valorização e defesa da dignidade médica potiguar. Foi aprovada a Resolução CREMERN nº 11/2026, que estabelece um cerco rigoroso contra empresas médicas (hospitais, clínicas, cooperativas ou intermediadoras de serviços) que atrasarem de forma injustificada o pagamento de salários, honorários ou plantões aos profissionais da medicina. As sanções preveem desde a suspensão temporária das atividades até o cancelamento definitivo do registro da pessoa jurídica no Conselho.
A resolução, aprovada em sessão plenária, determina que o atraso por período superior a 5 dias, a contar do vencimento do contrato, já sujeita a instituição à abertura de processo administrativo. De acordo com o texto, a alegação de “falta de repasse de verbas por parte da gestão pública” não será aceita como justificativa legal para o calote ou atraso, acabando com uma prática comum de transferência do risco financeiro para o trabalhador.
“A Resolução Cremern N° 11/2026 permite uma nova era de responsabilidade ética e administrativa para empresas médicas no Rio Grande do Norte. Esta resolução transforma o atraso da remuneração injustificada contra médicos em um problema não apenas contratual, mas ético-administrativo perante o Conselho Regional de Medicina”, declara a presidente do colegiado, Dra. Giana da Escóssia Melo.
Para o conselheiro federal e relator da medida, Dr. Jeancarlo Fernandes Cavalcante, a resolução atende a um clamor antigo da categoria. “A finalidade é reforçar a regularidade do exercício da atividade médica por pessoas jurídicas, assegurando as normas éticas. Buscamos resguardar a dignidade do exercício profissional médico, coibindo o inadimplemento remuneratório e garantindo maior segurança aos profissionais e à assistência prestada à população”, destaca o relator em sua exposição de motivos, ladeado pelo presidente do Cremern, Dr. Marcos Jácome.
A inadimplência será apurada mediante denúncia protocolada pelo médico prejudicado junto ao Departamento de Processo Ético Profissional do Cremern, munido de provas mínimas do serviço prestado.
A resolução também cria um escudo protetor contra retaliações: caso um médico seja retirado de escalas ou desligado de forma imotivada após denunciar atrasos ou condições inadequadas de trabalho, a empresa e o seu Diretor Técnico responderão ético-profissionalmente por infração grave ao Código de Ética Médica.
Como funcionará a punição e o rito de julgamento:
Trâmite célere: Recebida a denúncia, a empresa terá 15 dias para apresentar defesa prévia. Um conselheiro relator será nomeado para expor os fatos e o caso será julgado em Sessão Plenária, garantindo o direito à ampla defesa (com 10 minutos de sustentação oral para cada parte).
Penas Aplicáveis: As sanções administrativas do CREMERN são gradativas e severas: Suspensão do registro da inscrição por 180 dias; Suspensão do registro da inscrição por 1 ano e cancelamento definitivo do registro de inscrição.
Recuperação difícil: Se a empresa for punida com a suspensão, o registro é reativado após a quitação integral da dívida. Porém, se a plenária aplicar a pena de cancelamento definitivo, pagar a dívida não devolverá o registro anterior; a empresa terá que passar por todo o processo burocrático de uma nova inscrição do zero (taxas, vistorias e novas exigências).
Para evitar que os pacientes fiquem desassistidos por causa da irresponsabilidade financeira de gestores, a resolução determina que, em caso de suspensão ou cancelamento do registro da empresa inadimplente, o gestor público ou privado contratante terá o prazo improrrogável de quinze dias para efetuar a troca da empresa responsável pela gestão do serviço de saúde.
A Resolução CREMERN nº 11/2026 foi assinada pela presidente do Conselho, Giana da Escóssia Melo, e pela secretária-geral, Elvira Maria Mafaldo Soares, entrando em vigor em sua publicação no último dia 15 de maio.
Nota do BCS – Tenho a impressão que cooperativas, OS’s, empresas médicas, hospitais etc. que consigam essa feito serão pouquíssimos. Raríssimos, que se diga.
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A Prefeitura de Mossoró informa a programação completa do “Pingo Da Mei Dia” 2026, que acontecerá no próximo dia 6 de junho. A abertura oficial do “Mossoró Cidade Junina” (MCJ), o maior São João do Rio Grande do Norte, começará pontualmente às 12h, na avenida Rio Branco, no Corredor Cultural.
São 14 atrações na programação do maior bloco junino do Brasil. Bandas e artistas nacionais, regionais e locais, animarão o evento.
Em circuito de trios elétricos, o público fará a festa com Banda Grafith, Nattan, Bell Marques e Dan Ventura.
O evento ainda terá shows de Analu, Gianinni Alencar, Forró dos 3, Caroline Melo, Aline Reis, Nilson Viana e Banda Inala. Além dessas atrações, a festa estará garantida com Banda Guto Fortunato, Alex do Acordeom, Darlan Dias.
As atrações em trios elétricos percorrerão a avenida Rio Branco, animando a multidão de mossoroenses e turistas que prestigiam anualmente o maior evento do Rio Grande do Norte e um dos principais do país.
Veja acima nesta postagem, o novo jingle do MCJ 2026. Abaixo, programação completa do Pingo da Mei Dia.
Programação
Banda Grafith
Nattan
Bell Marques
Dan Ventura
Analu
Gianinni Alencar
Forró dos 3
Caroline Melo
Aline Reis
Nilson Viana
Banda Inala
Banda Guto Fortunato
Alex do Acordeom
Darlan Dias
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The News para o BCS
Imagine que por mais de 70 anos sua vida se resume a mesma coisa todos os dias: entrar em um hospital, examinar pacientes e desvendar os mistérios do cérebro humano.
Essa foi a rotina do Dr. Howard Tucker, um neurologista americano que trabalhou ativamente até os 100 anos de idade e entrou para o Guinness World Records como o médico mais velho de todos os tempos. Era um neurologista de Cleveland, Ohio, que mesmo durante a pandemia não parou suas atividades.
Antes de falecer, aos 103 anos (dia 22 de dezembro de 2025), ele deixou o que chamaram de ‘’receita médica’’ para uma vida mais longa e saudável. Diferente de ideias mirabolantes ou dietas restritivas, o segredo dele era simples:
1. A mente é um músculo
O primeiro grande pilar do Dr. Tucker era a recusa em parar de aprender. Para ele, a aposentadoria precoce é uma das maiores armadilhas para o cérebro.
Aos 60 anos, ele decidiu cursar Direito à noite, logo após os plantões médicos. Passou no exame da Ordem dos Advogados aos 67 anos, apenas pelo prazer de exercitar a mente.
Quando o hospital onde trabalhava fechou, ele não parou. Passou a fazer revisões médico-legais e até aprendeu a mexer nas redes sociais para continuar conectado com o mundo.
Para ele, se você não usa a mente, ela enfraquece. É como deixar de treinar braço na academia por 2 meses e esperar que ele continue crescendo.
2. O preço físico do ressentimento
Quando as pessoas perguntavam sobre exames de sangue ou rotinas de exercícios, o médico preferia falar sobre a saúde emocional. Para ele, carregar amargura é um veneno biológico.
A ciência médica hoje comprova o que o Dr. Tucker aplicava no dia a dia: a raiva crônica e o ressentimento aumentam a pressão arterial, disparam os hormônios do estresse e elevam drasticamente o risco de doenças cardíacas.
No fim das contas, o ódio consome uma energia preciosa que o corpo precisa para se regenerar. O segredo não é esquecer os problemas, mas simplesmente escolher seguir em frente.
3. Aprecie tudo com moderação
Sabe aquele papo de que você precisa se privar para viver melhor? Para Dr. Tucker, a lógica não funcionava bem assim. Ele disse não abrir mão de “um bom bife e de seu martini no final do dia”.
Ao lado de sua esposa, com quem foi casado por 68 anos, a regra de ouro na cozinha e na vida era o equilíbrio. O excesso desgasta o corpo, mas a restrição absoluta tira o prazer de viver. Para ele, a moderação é a única ferramenta capaz de tornar o prazer sustentável a longo prazo.
A longevidade, afinal, depende tanto da biologia quanto da nossa perspectiva diante dos dias.
No fim das contas, a receita do homem que venceu o tempo envolve manter a mente ocupada, o coração leve e a mesa equilibrada. Um plano simples o suficiente para qualquer um começar a praticar a partir de hoje.
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“Se você quer alguém em quem possa confiar, confie em si mesmo.”
Bob Dylan
Por Bruno Ernesto

Peça “A Invenção do Nordeste”, Grupo Carmin, Teatro Lauro Monte Filho (Foto: Bruno Ernesto, 14/05/2026)
Todo palco teatral é, e sempre deve ser, um espaço sagrado, livre de mordaças, instigador, contestador, incitador, revolucionário e, sobretudo, acolhedor.
Arte que é arte, deve provocar os melhores e piores sentimentos em nós. Nisto reside a sua essência.
A maturidade de um povo se mede também pelo alcance da arte. A identidade e memória de um povo passa pela cultura; arte, literatura, cinema e teatro.
A arte pode ser o remédio para muitos males e mazelas, muito embora seja necessário reconhecer que ainda precisamos avançar muito para que ela seja e esteja, de fato, ao alcance de todos.
O apoio à cultura deve ter mão dupla, incentivar e apoiar tanto quem produz quanto quem a consome, num verdadeiro processo simbiótico, pois não podemos criar, permitir ou manter um abismo estrutural, geográfico e econômico, de modo a impedir o seu pleno acesso. Na cultura não deve existir elite.
Neste ponto, é dever do poder público manter uma política cultural permanente, especialmente para os artistas locais os quais, muitas vezes são os primeiros a nos apresentar a face viva da arte e cultura, porém são injustamente preteridos. É um paradoxo.
Tomemos como exemplo o que a Noruega estabeleceu como política de incentivo cultural, ao exigir que toda cidade mantenha um teatro, mínimo que seja, de modo a garantir o acesso da população local a grande parte os espetáculos, o que fortalece tanto os grupos teatrais locais quanto a própria comunidade, que tem acesso fácil aos espetáculos.
Uma coisa se interliga com outra. Se há um evento cultural, toda a cadeia econômica local se beneficia instantaneamente.
E isso reflete diretamente em outros campos da economia como, por exemplo, a redução da jornada de trabalho, renúncia de receita fiscal, valorização de espaços, busca por conhecimento cultural, dentre tantos outros aspectos.
Parece inatingível para nossos padrões, não é? Mas, e se fosse uma realidade?
A capilaridade cultural é extremamente importante e necessária para toda e qualquer política cultural, pois ninguém deixa de prestigiar o que está ao seu alcance, especialmente o livre acesso à cultura.
Assim, a inauguração ou reabertura de qualquer equipamento cultural é sempre motivo de comemoração, não só para a classe artista, mas para todos que fazem parte dessa engrenagem cultural, especialmente para o público, que sempre aguarda por bons eventos, com mais espetáculos, mais literatura, mais arte e mais lazer.
E é justamente o caso do Teatro Lauro Monte Filho que, após dezoito anos sem atividades, foi reaberto no último dia 14 de maio, e pelos próximos vinte anos abrigará o projeto Banco do Nordeste Cultural, ampliando a rede cultural na cidade de Mossoró/RN e região.
Foi emocionante assistir à sua retomada, ver aquele palco pulsar novamente, e saber que nele não deve haver neutralidade, lado A ou lado B, dualismo ou dicotomia, pois o torpor que ele proporciona é único, e tão democrático, que nele há espaço para Deus e para o Diabo – às vezes até ao mesmo tempo -, e ambos agradam à plateia.
Bruno Ernesto é escritor, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM @ihgmossoro e curador do portal cultural marsertao.com @marsertaoblog
Por Marcello Benevolo – Especial para o BCS
Uma operação silenciosa de corte de pensões militares em curso no país ameaça deixar mulheres – idosas e doentes – sem o seu único sustento. O portal teve acesso exclusivo aos casos de duas pensionistas no Rio Grande do Norte que hoje travam uma batalha na Justiça para não perder um direito concedido há mais de 40 anos.
O drama dessas duas famílias é apenas a ponta de um iceberg. Uma fonte interna da Base Administrativa do Exército em Natal (RN) revelou, sob sigilo, que os processos de cancelamento de pensões em andamento somam quase 50, mas a tesourada pode atingir quase 3.000 mulheres pensionistas do Exército no Brasil.
A reviravolta acontece por causa de uma mudança de postura do Exército, baseada em um novo entendimento jurídico da Advocacia-Geral da União (AGU) emitido em 2024 (Parecer nº 00744/2024/CONJUR-EB/CGU/AGU). O documento defende que, se a pensionista se casar, ela perde automaticamente o direito ao benefício — não importa há quantas décadas ela já receba o dinheiro.
No caso das duas norte-rio-grandenses, ambas eram solteiras quando começaram a receber as pensões de seus irmãos falecidos e se casaram anos depois com conhecimento do Exército. Pela nova interpretação, a mudança no estado civil agora é motivo para cortar o pagamento de forma definitiva.
A pensionista Ana Teresa Xavier Rodrigues, de 62 anos, recebe o benefício devido à morte trágica de seu irmão, José Benevolo Filho, ocorrida em 17 de outubro de 1963. O jovem, então com 18 anos, cumpria o serviço militar obrigatório no 16º Regimento de Infantaria, localizado na Avenida Hermes da Fonseca, em Natal, quando morreu vítima da explosão de uma granada deixada por negligência nos arredores do quartel.
Ana Teresa tinha apenas três meses de vida quando o irmão morreu. A pensão foi concedida com base na lei da época (Lei nº 3.765/1960) como o único amparo para a família diante da tragédia provocada pelo Estado. Pelas regras tradicionais do Direito Previdenciário, uma pensão deve seguir estritamente a lei que valia no momento da morte do instituidor.
Diferente de quem tenta esconder informações para fraudar a administração pública, Ana Teresa jogou limpo. Quando se casou, em 23 de junho de 1984, ela informou o Exército em menos de dois meses e pediu a atualização do seu sobrenome. O setor de pensões da 7ª Região Militar não apenas aceitou, como registrou oficialmente em documento (apostilamento) a mudança de nome em função do casamento.
Durante mais de 40 anos, Ana Teresa fez a prova de vida e o recadastramento obrigatório anual. Sempre se apresentou com o nome de casada e entregou documentos atualizados ao setor de pessoal do Exército em Natal, sem nunca receber qualquer questionamento.
A surpresa desagradável veio no início deste ano. Isso porque em 31 de dezembro de 2025 (Processo NUP 64241.009107/2025-20), após quatro décadas de pagamentos regulares, o Exército abriu uma investigação interna (sindicância) para aplicar a nova regra da AGU de forma retroativa, tentando mudar o passado.
“O meu nascimento foi motivo de grande alegria lá em casa, pois eu sou a caçula de 5 filhos homens. Somente três meses após o meu nascimento ocorreu a tragédia com o meu irmão. Aquela alegria deu lugar a extrema tristeza. Meu pai e minha mãe viveram o luto por anos seguidos e jamais conseguiram superar a morte de José, um jovem alegre e cheio de vida”, conta Ana Teresa.

José Benevolo FIlho teve morte trágica, com granada, aos 18 anos Foto: cedida e restaurada com uso de IA)
A pensionista lamenta que agora, repentinamente, o Exército trabalhe para cancelar um benefício recebido por ela durante toda uma vida, sob uma justificativa que não tem sequer fundamento na lei que instituiu a pensão. “Vamos lutar para manter esse direito. A pensão é uma questão de honra para nossa família diante da trágica morte do meu irmão; é uma justa reparação pela morte dele ocorrida dentro das dependências de um quartel do Exército”, diz.
Tratamento de câncer
O drama da potiguar Lucy Rodrigues Santos de Souza, de 64 anos, é idêntico, mas agravado por sua condição de saúde. Ela recebe a pensão como irmã do soldado Eliezer Rodrigues dos Santos, falecido em 16 de março de 1973. O benefício também foi concedido com base na mesma lei de 1960.
Sem nenhuma proibição na lei da época, Lucy se casou em 15 de dezembro de 1983 e nunca escondeu o matrimônio. Assim como Ana Teresa também informou o casamento ao Exército e a pensão foi paga normalmente todos esses anos, sem qualquer contestação.
Porém, recentemente, a chefia do Exército em Natal igualmente abriu um processo administrativo (NUP 64241.000214/2026-73) e decidiu, em 17 de março de 2026, cortar o benefício, alegando que o casamento quebrou a exigência de Lucy ser solteira.
Lucy atualmente se encontra em tratamento para um câncer e teme pela interrupção do tratamento, pois dependente exclusivamente da FUSEx (serviço de saúde do Exército). A pensionista não dispõe de condições financeiras para arcar com um plano de saúde comercial, caso o benefício previdenciário seja cassado e ela, por consequência, perca direito à assistência médica mantida pela força militar.
Estabilidade e boa-fé
Especialistas em direito previdenciário e militar ouvidos pela reportagem afirmam que esse pente-fino nas forças armadas atropela o direito à estabilidade e à boa-fé do cidadão. Como o próprio Exército autorizou e carimbou a continuidade dos pagamentos das pensões décadas atrás, ele próprio criou uma situação que durou quase meio século e não pode ser desfeita de uma hora para outra.
Para os advogados consultados, mudar o sentido da lei décadas depois para tirar o único sustento das pessoas – já fora da idade laboral – é uma manobra ilegal. A regra básica é clara: se a lei da época não proibiu o casamento como motivo objetivo para cancelar a pensão, o Exército não pode inventar essa proibição agora para prejudicar quem depende desse dinheiro para comer e comprar remédios.
“O legislador, na época, escolheu apenas a maioridade dos homens como motivo para cortar o benefício, deixando claro que as filhas e irmãs mulheres não tinham essa restrição”, explica a advogada Emanuelle Campbell, do escritório Aguiar, Leite e Campbell. Segundo ela, ser solteira era apenas uma exigência para começar a receber a pensão lá atrás, e não uma condição para manter o recebimento do benefício.
Na avalição da especialista, o novo parecer da AGU erra ao inventar uma punição que a lei de 1960 nunca previu. Segundo a advogada, uma lei de 1999 proíbe expressamente o governo de usar uma interpretação nova para punir ou tirar direitos do passado.
Na opinião dos advogados Stephanie Revoredo e Esdras Lopes, do escritório Revoredo e Lopes Advogados, a cassação da pensão militar também gera uma grave violação à segurança jurídica e ao princípio da confiança legítima, configurando um desrespeito ao direito adquirido.
Segundo a advogada Stephanie Revoredo, o Exército estaria adotando uma interpretação extensiva, sem base legal expressa, para cessar o pagamento, com fundamento em uma suposta perda automática do benefício em razão de matrimônio posterior. “A conduta reiterada da Administração Pública consolida uma situação estável ao longo do tempo, de modo que essa ruptura, após 50 anos, não poderia ocorrer dessa forma sem fundamento legal inequívoco”, argumenta.
O advogado Esdras Lopes complementa: o caso ultrapassa uma discussão estritamente financeira e esbarra no princípio da dignidade da pessoa humana e no direito à saúde. Caso o corte da pensão ocorra, a senhora Lucy, por exemplo, perderá, automaticamente, o vínculo com FUSEx, estrutura médico-hospitalar da qual ela depende integralmente para a continuidade do seu tratamento contra o câncer.
Questão humanitária
Procurado pela reportagem, o deputado federal pelo Rio Grande do Norte, General Girão (PL), posicionou-se de forma contundente sobre o processo de revisão das pensões de filhas e irmãs de militares, garantindo que o seu mandato está atento aos desdobramentos do caso.
O parlamentar revelou que a pauta já foi objeto de pronunciamento em plenário na Câmara dos Deputados e motivou cobranças formais, enviadas por escrito, ao Comando do Exército. Segundo ele, o cerne do debate envolve a garantia do direito adquirido, que deve sempre obedecer rigorosamente ao princípio da legalidade.
Além da discussão técnica, Girão chamou a atenção para o impacto social da medida, defendendo que a conduta do Estado precisa ser balizada pelo princípio da humanidade. O deputado ponderou sobre a situação de vulnerabilidade das pensionistas que recebem o benefício há mais de quatro décadas de forma pacífica, sem que houvesse qualquer contestação anterior por parte da administração pública federal.
“Se as pessoas se consideraram beneficiárias há mais de 40 anos e não houve questionamento anterior em relação a isso, existe, sim, um princípio do direito que tem que ser considerado também”, ponderou o deputado.
Egresso das Forças Armadas e atuando como um dos representantes dos militares no Congresso Nacional, o parlamentar sinalizou que pretende dar um encaminhamento prático e legal à questão através do Poder Legislativo. Após compartilhar uma resposta oficial encaminhada pelo Comando do Exército sobre o tema, Girão colocou seu gabinete à disposição para acolher os casos específicos e ajudar com providências. “Eu entro na briga sim”, assegurou o deputado, reforçando o compromisso de buscar uma saída institucional e justa para as famílias afetadas.
Resposta da AGU
A Advocacia-Geral da União (AGU) rechaçou a tese de que haja uma mudança ou “inovação jurídica” na recomendação para cassar os benefícios. Em nota enviada pela Assessoria de Imprensa, o órgão federal justificou que o Parecer nº 00744/2024/CONJUR-EB/CGU/AGU apenas segue o entendimento já pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo a instituição, a jurisprudência é clara ao determinar que filhas e irmãs habilitadas na condição de solteiras, com base na redação original da Lei nº 3.765/1960, perdem o direito à pensão civil caso contraiam casamento ou união estável em momento posterior.
A instituição também negou que a revisão tenha motivação econômica para promover ajuste fiscal nas contas da União. De acordo com a nota, a manifestação da Consultoria Jurídica Adjunta (Conjur-EB) teve caráter “estritamente jurídico” e foi elaborada exclusivamente para responder a uma consulta pontual da Diretoria de Assistência ao Pessoal do Exército. A AGU confirmou ter ciência de que, no caso analisado que originou o parecer, as beneficiárias recebiam os valores há décadas, mas pontuou que o documento não abrangeu a análise de outras pensionistas.
Questionada sobre o impacto humanitário do corte para mulheres que hoje são idosas e sem capacidade laborativa, a AGU argumentou que a lei das pensões militares não possui fundamento de assistência social a idosos ou incapazes. Por essa razão, critérios como idade ou vulnerabilidade não foram avaliados pela consultoria, restringindo-se o foco do parecer apenas à alteração formal do estado civil das beneficiárias.
Ao tratar dos impactos do Parecer nº 00744/2024/CONJUR-EB/CGU/AGU, a AGU informou, a partir de dados fornecidos pelo próprio Exército, que a medida não engloba esposas e filhas de militares. Contudo, há um contingente expressivo de pensionistas habilitadas na condição de irmãs que pode ser afetado pela verificação do estado civil. Hoje, existem 2.196 beneficiárias nessa situação em todo o Brasil, sendo 47 delas no Rio Grande do Norte, segundo dados apurados pela reportagem.
Procurado pela reportagem do BCS para se manifestar sobre o cancelamento das pensões o Comando do Exército não respondeu às perguntas enviadas por E-mail à Assessoria de Imprensa em Brasília.
De pires na mão
O pano de fundo desse cerco às pensionistas é seguramente a forte pressão financeira sobre as contas públicas para atingir o chamado equilíbrio fiscal. Uma reportagem da revista Veja, publicada em junho de 2025, revelou que o governo federal havia anunciado um corte de R$ 31 bilhões no Orçamento Geral da União para cumprir as metas fiscais. A Defesa foi a segunda pasta mais atingida, sofrendo uma tesourada de R$ 2,6 bilhões.
Como mais de 80% do orçamento total do Ministério da Defesa (que era de R$ 133 bilhões) é usado para pagar pessoal, a conta ficou pesada. Os gastos com militares da ativa (cerca de R$ 30 bilhões) e com os da reserva (outros R$ 30 bilhões) dividem espaço com os custos dos pensionistas. Pressionados para cortar despesas, o Exército mira justamente na parcela mais vulnerável e silenciosa dessa folha de pagamento.
As decisões que estão por vir da Justiça Federal, onde tramitam as ações de Ana Teresa e de Lucy contra a União, vão decidir o futuro delas e de centenas de outras mulheres, pensionistas do Exército – e quiçá das três Forças Armadas – que serão afetadas por essa batalha jurídica em todo o País.
Marcello Benevolo é advogado e jornalista e colabora regularmente para o Blog Carlos Santos
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