domingo - 17/05/2026 - 09:56h
Conversando com... Jairo Nicolau

“O país dividido” e o que de real existe entre números e nomes

Por Flávia Tavares e Giullia Chechia do Canal Meio para o BCS

"Dos 30 políticos brasileiros com mais prestígio em redes sociais, 26 são de direita e quatro são de esquerda", mostra o entrevistado (Foto: Reprodução)

“Dos 30 políticos brasileiros com mais prestígio em redes sociais, 26 são de direita e quatro são de esquerda”, mostra o entrevistado (Foto: Reprodução)

O Brasil que elegeu pela primeira vez Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2002, já não existe mais. Naquele país, o eleitorado era majoritariamente jovem e de baixa escolaridade, e a disputa presidencial ainda cabia no velho eixo entre PT e PSDB. Vinte anos depois, o Brasil que devolveu Lula ao Planalto, por uma margem apertada, tornou-se outro. Mais velho, mais feminino, mais escolarizado, mais evangélico. Nesse percurso, as bases sociais do voto se deslocaram. O PT perdeu força entre homens, nas grandes cidades e entre jovens de escolaridade média. A direita avançou justamente nesses segmentos, enquanto mulheres negras consolidaram o grupo de maior coesão eleitoral do país.

No livro O País Dividido, que será lançado no início de junho, Jairo Nicolau, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas – Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (FGV CPDOC), reconstrói duas décadas de eleições presidenciais a partir de um extenso cruzamento de dados eleitorais, pesquisas de opinião e séries históricas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), compondo um retrato que, quadro a quadro, revela como o Brasil fracionado entre petistas e tucanos tornou-se uma nação organizada pela lógica do lulismo versus bolsonarismo. Mostra ainda como a entrada de Jair Bolsonaro (PL) transformou a própria natureza da polarização no país: menos ideológica, mais emocional e personalizada. Aliás, a partir de uma metodologia inédita para medir esse fenômeno, o cientista político identificou um salto expressivo no contingente de eleitores polarizados, que passou de 31%, em 2002, para 64%, em 2022.

Durante uma longa conversa com o Meio, disponível na íntegra em vídeo no nosso streaming, Nicolau detalhou os bastidores da pesquisa que deu origem ao livro e explicou as mudanças silenciosas, de longo prazo, e também as rupturas abruptas que identificou no comportamento do eleitor. Para além das páginas, compartilhou suas leituras sobre o peso decisivo das mulheres na vitória de Lula em 2022, a consolidação do voto evangélico à direita e as razões pelas quais algumas clivagens parecem cada vez mais cristalizadas, talvez até impermeáveis a escândalos da grandeza do revelado pelo Intercept Brasil nesta semana, com áudio de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro. Confira os principais trechos da entrevista.

Que país dividido é esse descrito nos anos que você cobriu em seu novo livro?

Minha ideia inicial de título para o livro era 20 Anos: o PT Versus a Direita. Mas essa ideia do país dividido me pareceu resumir bem. Especialmente numa eleição de dois turnos, como nas seis eleições dessas duas décadas, o país quase que, por natureza, se divide no segundo turno. Talvez o livro mostre que a natureza dessa divisão mudou. Ela passou de uma divisão em que um dos atores está sempre presente, que é o PT, e, do outro lado, nas primeiras quatro eleições, nós tínhamos uma força de centro-direita, uma direita moderada, que é o PSDB. Não estou dizendo que os 20 anos foram de divisão como a gente entende o termo hoje: polarização, radicalização. Houve uma divisão entre o PT e os seus adversários, para ser mais preciso, mas esses adversários mudaram. Um dos esforços foi mostrar o que aconteceu em 2018 e se confirmou em 2022, e por que isso era discrepante em relação ao que nós tínhamos antes no país. Então, o “dividido” fica como uma sinalização de que existe alguma divisão no país, mas não necessariamente de que ele seja um país polarizado. Se eu chamasse de “país polarizado”, estaria sendo injusto com os meus achados.

Por quais mudanças essa divisão passou?

Nós sabemos que o Brasil mudou muito e em várias dimensões. Era um país que tinha uma forte base industrial, e hoje grande parte das pessoas está no setor de serviços, além de ter aparecido uma nova versão do setor de serviços, que é dessa economia de entregas e transporte. Mas a minha escolha foi olhar para o eleitorado. Por sorte, o TSE publica frequentemente um banco de dados com o perfil dos eleitores de cada eleição. Claro, tem uma série de cuidados para trabalhar com esses dados. O TSE não tem dados sobre renda, cor, economia ou religião. Então, eu não poderia falar sobre isso. Escolhi três temas que eu pudesse, de certa maneira, contemplar com os dados do TSE e que são muito relevantes: sexo — eleitores homens e mulheres, como é a divisão do TSE —; idade — e eu fiz ali uma agregação à minha maneira, porque as faixas de idade da Justiça Eleitoral são mais de 20 —; e, por fim, escolaridade. A escolaridade é um dado mais difícil, porque há uma diferença entre a escolaridade registrada quando a pessoa tira o título aos 18 anos e depois ela pode continuar ou não estudando. Mas é um indicador presente em todos os levantamentos do TSE.

E o que você encontrou?

Primeiro, algo que já sabíamos: o eleitorado ficou mais envelhecido, por razões da demografia brasileira. A expectativa de vida aumentou, a taxa de fecundidade diminuiu, é um país que tem mais idosos e menos jovens. Ao mesmo tempo, quando Lula foi eleito em 2002, nós tínhamos mais ou menos metade dos eleitores homens e metade mulheres, classificados dessa maneira. Vinte anos depois, há um predomínio das mulheres no eleitorado, numa taxa maior do que a presença delas na própria população. Há também uma divisão educacional entre homens e mulheres. Elas são, em média, bem mais escolarizadas que os homens. Há muito mais eleitoras com Ensino Médio e superior do que homens nessas faixas. E uma última mudança, que talvez resuma melhor a dimensão social, é que, quando o Lula foi eleito em 2002, o Brasil era um país de baixíssima escolaridade. Cerca de 70% dos eleitores tinham ensino fundamental. Era um país com muitos analfabetos ainda, uma herança da nossa péssima política educacional. Vinte anos depois, e pouca gente assinala isso, o eleitorado é dominantemente de Ensino Médio, completo ou incompleto. Então, o típico eleitor brasileiro, em 2002, seria um homem de ensino fundamental. Hoje é uma mulher de Ensino Médio. O país é mais envelhecido, mais escolarizado e mais feminino.

Vamos focar primeiro na questão de gênero.

Há uma tendência em todo o livro e que eu, obviamente, não sabia que ia encontrar. Se eu soubesse, talvez o título fosse algo como As Mulheres e a Política. Porque fui descobrindo que um aspecto permanente, em todos os capítulos, é a questão das mulheres. Um deles é que, em 2014, 2018 e 2022, anos em que há dados sobre isso, as mulheres comparecem às urnas em maior número proporcionalmente. E, pelo menos em 2022, quanto faltam, as mulheres também justificam mais a ausência do que os homens.

Que outras diferenças de gênero surgiram?

Há outra descoberta que eu também não imaginava encontrar. Quando fiz a segmentação em faixas etárias (jovens, adultos e idosos, para simplificar), eu esperava encontrar alguma diferença relevante entre esses segmentos, coisa que eu já tinha procurado no meu livro anterior sobre 2018 e não tinha encontrado. Mas pensei: “Bom, vai que isso é uma característica de outras eleições. Pode ser que, sei lá, em 2002 os jovens tenham sido mais à esquerda do que os idosos.” Mas não encontrei nada. Ou seja: a idade, por si só, não é um fator que divide o eleitorado brasileiro. Na verdade, os segmentos etários funcionam quase como uma amostra do resultado final. Bolsonaro, em 2018, ganhou entre jovens, idosos e adultos. A mesma coisa aconteceu com outros presidentes, que ganharam de maneira relativamente parecida em todas as faixas, com pequenas variações aqui e ali. O passo seguinte foi segmentar as idades por sexo, homem e mulher. E aí apareceu a diferença. As mulheres jovens sempre votaram majoritariamente na esquerda. Mesmo em 2018, Bolsonaro perdeu entre as mulheres jovens. Enquanto isso, naquela eleição, os meninos foram em massa para a direita. Ali houve uma assimetria de gênero, como chama a literatura, um gender gap. Isso se reproduziu, com menos força, em 2022: as mulheres jovens apoiaram maciçamente a esquerda, enquanto os meninos jovens ficaram com Bolsonaro.

É um fenômeno que se repete em outros países, não?

Sim. Faço referência aos Estados Unidos, onde as meninas tomaram caminhos mais progressistas, enquanto os meninos viraram apoiadores do Donald Trump. Isso aconteceu também no Reino Unido e na Alemanha. Em geral, partidos de ultradireita têm apoio masculino maior, sobretudo entre os jovens. Talvez por isso as meninas rejeitem mais Bolsonaro. Lembrando que essas jovens já têm uma escolaridade, em média, mais alta do que os rapazes jovens. Estão cursando a universidade, algumas já concluíram. Lembrando também que, em 2018, aquele movimento “Ele Não” foi cultivado por essas jovens. Nas outras faixas etárias, a diferença entre homem e mulher não fez tanto sentido. Mas o dado que agora eu posso dizer com certa ênfase é: a vitória do Lula em 2022 deveu-se às mulheres.

O que mais te faz ter tanta certeza agora?

Entre os homens, usando dados de survey, fazendo todos os testes, Bolsonaro foi vitorioso em 2018 e em 2022. Em 2018, Bolsonaro também ganhou entre as mulheres. Não entre as mulheres jovens, mas outros segmentos deram a ele uma diferença e ele acabou, no cômputo geral, chegando à frente. Mas, em 2022, a distância entre as mulheres foi pró-Lula. E aí junta tudo: tem mais mulher, elas vão mais às urnas e elas foram mais lulistas. Isso somado pode ter sido decisivo. Porque, se elas fossem mais lulistas, mas fossem do mesmo tamanho dos homens, não sei o que teria acontecido na eleição. Ou, se elas fossem maioria, mas fossem menos às urnas, podia ter dado diferença. Grande parte das mulheres que são mais simpáticas ao Lula poderia não ter ido votar, e isso teria dado um diferencial para Bolsonaro.

O que se pode aprender sobre essa ascensão do Ensino Médio na demografia brasileira? 

Se o livro mostra que a feminização do eleitorado acabou favorecendo a esquerda nas últimas eleições, uma outra mudança demográfica, que é esse crescimento da escolaridade — e ela ainda está em curso —, tem favorecido a direita. Eu imaginava que os eleitores de Ensino Médio estivessem com a esquerda, mas o que encontrei em 2018 foi que justamente ali estava o núcleo do bolsonarismo. Mais do que entre os eleitores de Ensino Superior, e muito mais do que entre os eleitores de baixa escolaridade. Isso já me acendeu uma luz. Quando olhei para 2022, falei: “Uau, o Bolsonaro ganhou entre as pessoas de Ensino Médio”, e isso inclui completo e incompleto. Tem alguma coisa acontecendo aí, e a esquerda precisa olhar para entender o que está se passando. Quais são os problemas de comunicação com os jovens, sobretudo os do sexo masculino, que se tornaram antipetistas, de direita, diferentes dos jovens dos anos 2000 que chegaram à universidade? Esse jovem continua se beneficiando de programas que foram abertos, mas talvez tenha naturalizado esse acesso. Talvez não associe o seu acesso à universidade a um governo específico. Mas a universalização, a ampliação do Ensino Médio, parece jogar água na direção da direita, e não da esquerda, pelo menos nas duas últimas eleições.

“Uau, o Bolsonaro ganhou entre as pessoas de Ensino Médio!”, cita Jairo sobre 2022 (Foto: Web)

“Uau, o Bolsonaro ganhou entre as pessoas de Ensino Médio!”, cita Jairo sobre 2022 (Foto: Web)

O que mais você encontrou sobre a transformação da base social do PT?

Uma coisa que deu muito trabalho são os gráficos que fiz com a linha do tempo do apoio à direita e ao PT em vários segmentos: religião, escolaridade etc. E aí a gente pode ver tendências. Essa do Ensino Médio, já que estamos falando disso, esse declínio do apoio vinha acontecendo há mais tempo. Por outro lado, a permanência do apoio entre os eleitores de baixa escolaridade é praticamente onde o PT está se segurando. Há outros aspectos que não tratei no livro, mas sobre os quais acabei de escrever um artigo, ainda não publicado, sobre geografia do voto. A concentração de votos nas cidades pequenas do Nordeste, associada à baixa escolaridade e à renda mais baixa, mostra um perfil mais interiorano do voto do PT. É chocante perceber como o PT vai se tornando um partido menos urbano, menos metropolitano. Quando se compara com partidos social-democratas europeus, ou mesmo com o Partido Democrata nos Estados Unidos, há uma diferença muito grande no perfil da votação. Nos Estados Unidos, as grandes cidades e os centros metropolitanos são democratas.

E na base do bolsonarismo?

O que mais me impressiona é o crescimento da direita entre os homens, entre os evangélicos e nas grandes cidades. Então, entendendo “bolsonarismo” apenas como apoio eleitoral ao Bolsonaro nessas duas eleições, o desempenho eleitoral dele é metropolitano — parece com a social-democracia europeia. Em 2018, Bolsonaro ganhou por muito nessas cidades grandes do Sudeste, sobretudo nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio e Belo Horizonte. Em 2022, ele continuou ganhando no Sudeste e em quase todas as cidades, mas por pouco. Então não conseguiu tirar a diferença que o Lula abriu nas cidades pequenas. É um perfil muito surpreendente. Eu não sei se isso vai mudar. Não faço prognóstico porque sei que essas mudanças são decantadas ao longo do tempo, mas também podem acontecer de maneira abrupta. Acabamos de ver a eleição do Reino Unido, com a vitória de duas forças: Partido Verde pela esquerda e um partido de direita, o partido do Brexit, vamos dizer assim, deixando os partidos centenários de trabalhistas e conservadores com um número de representantes baixo. Isso foi uma mudança abrupta. As eleições estão cada vez mais instáveis nas democracias tradicionais.

O que foi abrupto por aqui?

Esses achados do livro mostram que algumas coisas que pareciam abruptas talvez não fossem. Por exemplo, a noção de que Bolsonaro virou de repente o voto das pessoas de Ensino Médio. Não. O apoio do Ensino Médio à esquerda já vinha caindo antes. Mas, entre os evangélicos, embora já houvesse uma queda, Bolsonaro produziu uma mudança abrupta, não foi só o aprofundamento de uma tendência. Esse esforço de encontrar padrões onde parece haver apenas ruído é muito difícil. Primeiro porque eu não quero forçar padrão onde não tem, que é uma tendência humana. E, segundo, porque os padrões às vezes são quebrados da noite para o dia em eleições tão voláteis como as nossas, com partidos que já não organizam o eleitorado como antes e com redes sociais acelerando a difusão de informação.

Você propõe, no último capítulo do livro, uma metodologia própria e nova para estudar a polarização brasileira.

O tema da polarização está em todas as bocas, de jornalistas, de políticos, em todas as conversas. E comecei a pensar: “Bom, será que eu tenho como dimensionar a polarização política olhando para trás, mesmo quando a gente não falava dela?”. Não existem dados. Em 2002, ninguém falava essa palavra. Me dei conta de que a polarização no Brasil tem uma forte dimensão pessoal. Ela não é uma polarização apenas ideológica. Mas eu me perguntava: como dimensionar a polarização num país em que as pessoas nem sabem avaliar os partidos? Você pergunta: “Como o senhor avalia o PL?”. E 60% nem sabem o que é o PL. O PT as pessoas conhecem mais, mas outros partidos, não. Nos Estados Unidos, por exemplo, mede-se polarização entre republicanos e democratas. No Reino Unido, entre conservadores e trabalhistas. Usei, então, as pesquisas do Estudo Eleitoral Brasileiro, feitas por acadêmicos, com a pergunta: “Como o senhor ou a senhora avalia, de 0 a 10 — 10 gosto muito e 0 rejeito — determinado político?”. Nas seis ondas que foram a campo entre 2002 e 2022, a pergunta está lá. Fiz, então, um cruzamento dessas duas coisas. As pessoas polarizadas são aquelas que gostam muito de um candidato, ou seja, estão num polo, têm alta preferência pelo seu candidato, e rejeitam muito o candidato do outro lado.

E o que você achou?

Com essa medida ficou claríssimo que, até 2014, as pessoas diziam: “Ah, gosto do Lula”, mais ou menos, mas sem grande intensidade. O Serra também não tinha uma intensidade tão grande de amor e ódio. O Brasil tinha diferenças, era dividido, mas não era polarizado. A presença do Bolsonaro de repente galvanizou uma alta polarização. As pessoas gostavam muito do Bolsonaro e simultaneamente rejeitavam muito o PT. Ou seja, houve uma polarização à direita em 2018. Curiosamente, à esquerda, não. Os eleitores do Haddad não odiavam o Bolsonaro no grau que a gente viu em 2022. Em 2022, aconteceu o contrário. O eleitorado petista passou não só a valorizar mais o seu candidato — que agora era o maior de todos para se campo, o Lula —, com nota 7, 8, 9, 10, mas também a rejeitar o Bolsonaro com nota 0, 1. Essa é a ideia que a literatura fora do Brasil começou a chamar de polarização afetiva. Ela não tem a ver necessariamente com posições ideológicas. Eu rejeito a tribo de lá porque acho que eles são odiosos, que têm valores e concepções de vida que me fazem querer levantar da mesa quando alguém chega no jantar. Aqui a gente fala muito de polarização, mas a literatura mede isso de outra maneira. É um exercício, mas que mostrou uma mudança do nível de polarização medida em relação aos candidatos a presidente.

E essa polarização se reflete em todo o eleitorado?

Tenho uma interpretação que não está no livro, mas que venho tentando trabalhar mais. A polarização no sentido mais forte do termo, de engajamento político, envolvimento com redes sociais, ficar tuitando, indo a eventos, mobilizando amigos, essa é a mobilização que nós conhecemos, mas não é a polarização ampla da sociedade. É o topo da pirâmide. Talvez 15%, 20% dos eleitores brasileiros operem nesse registro. Sabem o que o Flávio falou, acompanham o caso Master, vão para as redes sociais, conversam de política, abrem as páginas de jornal, se interessam, querem votar, acham que quem não acompanha política é alienado. Mas, quando a gente vai descendo, encontra um segmento que até cai para um lado ou para o outro — “sou da tribo vermelha”, “sou da tribo azul” — por causa do pastor, da família, do sindicato, da história com o PT, sei lá. Mas sem esse grau de envolvimento. E existe uma grande massa de eleitores no Brasil para quem essa polarização simplesmente não chega.

Mas essas não são as mesmas pessoas que responderam à pergunta sobre gostar e rejeitar Lula e Bolsonaro?

São, mas aí tem a ver com avaliação do líder. Todo mundo conhece Lula e Bolsonaro. Na hora H, a pessoa pode falar: “Ah, gosto mais dele”. Quase como futebol. Agora, dizer que essas pessoas são comunistas, fascistas, genocidas, é transbordar para o Brasil algo que está acontecendo no topo. A gente não tem evidência, para além desse sentimento em relação a Lula e Bolsonaro em 2022, de que exista uma polarização que corte a sociedade brasileira de cima abaixo. Se você vai para o interior do Brasil, para pequenas cidades ou áreas populares do Rio, e pergunta se fulano já foi cancelado de algum grupo de WhatsApp porque disse que vai votar no Bolsonaro, as pessoas levam muito menos a sério esses temas do que nós, que estamos enfronhados nisso, olhamos política por uma lente muito sofisticada em termos de ideias, acompanhamos políticas públicas. Tanto que, em média, 30% dizem não ter interesse nenhum por política. E 40% dizem que, se o voto não fosse obrigatório, ficariam em casa. Por isso eu não sei se a polarização vai continuar no mesmo nível sem Bolsonaro. O Bolsonaro ativa muito, tanto os sentimentos positivos dos eleitores de direita quanto os sentimentos negativos em relação ao PT. Minha impressão é que a polarização deve cair em 2026. Mas é só impressão.

Como entender, então, o efeito desse escândalo de Flávio Bolsonaro e o Master? É um escândalo que está ligado a um candidato da polarização, que herda do pai o eleitorado.

O que acontece é o seguinte: quando acontece qualquer evento dessa magnitude, a tendência nossa é fazer comentários peremptórios: “Acabou para o Flávio”, “Quem vai ser o candidato da direita?”, já dando como certo que a candidatura do Flávio está inviabilizada. Um escândalo parecido, guardadas as proporções, afetou a Roseana Sarney, no caso Lunus. Ela era a candidata que estava lá na frente nas pesquisas, apareceu dinheiro, e ali foi o fim de uma candidatura. Mas num mundo em que a imprensa controlava muito mais, digamos assim, a narrativa dos eventos. O país inteiro acompanhava o Jornal Nacional. Era um mundo muito diferente do nosso. Vou ser prudente, porque fiquei muito impressionado com a subida do Flávio. Hoje é fácil dizer: “Ah, o filho do Bolsonaro pegou o nome”. Mas quem imaginaria, em novembro do ano passado, que alguém com o nome Bolsonaro teria o prestígio que o Flávio está tendo? Muita gente julgava, por conta das investigações sobre o movimento golpista, a exposição do Moraes, prisões, tudo isso, que Bolsonaro tinha acabado. O nome do Flávio e a velocidade com que ele chegou a esse patamar de apoio foram, para mim, uma surpresa. De novo: todo mundo olha para trás e fala “era natural”. Não era nada natural um senador razoavelmente apagado, um político que sempre priorizou mais negociação parlamentar do que exposição de palanque, chegar ao patamar de apoio que chegou.

Isso quer dizer que ele está imune a esse escândalo?

Eu não sei como esse escândalo vai bater. Porque as denúncias estão em curso. A gente não sabe o que vem por aí. Não sabe se vai parar, se haverá mais gravações, mais vídeos, mais denúncias. Não sabe se vai estourar algo que afete também a esquerda. É um mundo imprevisível. Mas, só com o que apareceu no primeiro dia, a grande questão para mim é: como isso decanta para o eleitorado para além do topo? Existe esse eleitorado mediano, que tem inclinações de esquerda ou de direita, e existe o eleitorado lá embaixo, menos politizado. Eu não sei como isso é processado. Hoje eu conversei com uma mulher de baixa escolaridade, com simpatias mais à direita, e ela me disse: “Olha, esse negócio do detergente foi um grande movimento contra uma empresa. Não tem nada no detergente. Eu uso e continuo usando”. Ela não acredita. Ou seja: a informação chega torta, filtrada. Antes ela era filtrada pelas conversas e pelo tempo. Hoje ela é filtrada pelas redes sociais, pelo ambiente de trabalho, pelos grupos religiosos. E a direita domina as redes sociais. Eu vi um levantamento do Sólon Data mostrando que, dos 30 políticos brasileiros com mais prestígio em redes sociais, 26 são de direita e quatro são de esquerda. Os brasileiros usam muito redes sociais. Uma parte do Brasil já não liga mais certos canais de televisão. E há também filtros religiosos. Então eu não sei como isso chega lá embaixo.

Pela reação da campanha, há potencial de estrago.

Mas qual o tamanho do estrago? Como o Flávio resistirá — ou não —, especialmente porque não existe outra alternativa clara no curto prazo? Aí vem Copa do Mundo, vem o tempo passando, vem uma notícia substituindo a outra. Existe uma guerra de interpretações sobre todos os fatos. E por isso eu acho que a gente se afastou do cenário da Roseana. Naquele tempo aparecia um escândalo, aparecia dinheiro, e o cara estava liquidado. Hoje não. Hoje aparece um escândalo, ele é gravado, daqui a pouco dizem que a voz foi adulterada, que houve montagem, que existe perseguição. Não estou dizendo que não seja grave. É um escândalo gravíssimo. As denúncias são fortíssimas. Mas eu não teria segurança para dizer que a candidatura dele está ferida de morte. As pessoas discutiram durante dias o efeito do carnaval do Lula no Rio: “Foi um erro”, “foi uma humilhação”, “virou carro alegórico”. E aí? Cadê o efeito do carnaval hoje? As coisas decantam. As pessoas superam. Não estou comparando os dois escândalos, esse é muito mais grave. Mas nós operamos assim: acontece alguma coisa, vemos a reação das redes sociais, esperamos a próxima pesquisa, e imediatamente tentamos concluir o cenário. Flávio está muito bem posicionado nas pesquisas. São raríssimos os candidatos, na história das eleições brasileiras, que chegam em maio ou junho com mais de 30 pontos.

Mas isso sugere, de certa maneira, a resiliência desse eleitorado, né? Podemos estar diante de uma situação em que hecatombes podem acontecer e ainda assim o cenário seguir cristalizado?

País dividido e extremado no topo, mas abaixo existem outras realidades (Foto: Canal Meio)

País dividido e extremado no topo, mas abaixo existem outras realidades (Foto: Canal Meio)

Quando acabei de escrever o livro, em novembro, Flávio não era candidato. E a minha expectativa era a seguinte: “Bom, se o Flávio não é candidato, vai vir algum outro nome que fale mais com o centro e que desinfle um pouco esse sentimento de polarização afetiva que capturei no livro”. Afinal, esse sentimento tinha muito a ver com a presença do Jair Bolsonaro, que é a maior liderança popular de direita desde a redemocratização. Não é pouca coisa o que o Bolsonaro conquistou nesses poucos anos. Veio Flávio e, se ele se confirma como a principal liderança da direita para enfrentar Lula, aí aumenta a probabilidade de que as mesmas clivagens de 2022 se repitam. A divisão Nordeste versus resto do Brasil, a disputa voto a voto em São Paulo e nas grandes cidades do Sudeste, o papel das mulheres — que talvez rejeitem menos o Flávio do que rejeitavam o Bolsonaro. Isso pode ser um ponto positivo para ele. Provavelmente, se eu fizesse uma nova edição do livro, colocaria quatro eleições “PSDB versus PT” e três “PT versus Bolsonaros”, no plural. Mas eu ainda não sei se vai ser essa configuração. Agora, essa configuração aumenta de fato a probabilidade de a gente observar o que você está chamando atenção: uma cristalização prévia.

Cristalização também das rejeições.

Sim, tenho levantado também uma hipótese que precisa ser mais bem explorada: a avaliação que se faz do presidente Lula já não está mais tão contaminada pelas políticas públicas. O Lula pode fazer chover que os eleitores bolsonaristas continuarão achando o governo ruim. Aliás, como aconteceu no final do governo Bolsonaro: a inflação começou a cair, os indicadores econômicos começaram a melhorar, mas isso já não mudava a avaliação negativa dele. Ela estava cristalizada. Claro que existe uma margem de oscilação. As pesquisas variam dois, três pontos para cima ou para baixo, são esses eleitores que ficam olhando para um lado e para o outro. Mas, quando se colocam os dois no segundo turno, é quase como se ativasse um sentimento mais explícito das redes: “Eu sou dessa tribo, não sou daquela. Então eu vou com ele”. É por isso que eu acho que Lula pode fazer muitas políticas públicas, como o Bolsonaro também fez no fim do mandato. São medidas muito ad hoc, voltadas para certas clientelas. O Pé-de-Meia não. O Pé-de-Meia foi estudado, pensado. Ele pode ter um efeito positivo sobre certos eleitores, como esses de Ensino Médio que a gente comentou. Mas as pessoas estão um pouco cristalizadas em suas preferências. E a presença de um Bolsonaro na campanha — que, para mim, parecia improvável — reforça essa tendência.

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domingo - 17/05/2026 - 09:00h
RN

Duas eleições suplementares marcam política neste domingo

Banner informativo do TRE/RN

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O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) realiza, neste domingo (17), eleições suplementares nos municípios de Itaú e Ouro Branco para os cargos de prefeito e vice-prefeito. A votação ocorre das 8h às 17h.

As novas eleições foram determinadas pela Resolução TRE-RN nº 165/2026, após a cassação dos prefeitos e vice-prefeitos dos dois municípios por abuso de poder e prática de condutas vedadas pela legislação eleitoral.

Segundo o DivulgaCand, foram registradas duas candidaturas para prefeito e vice em cada município. Inclusive os dados sobre os candidatos que pediram registro à Justiça Eleitoral e suas contas eleitorais e partidos políticos, podem ser consultados através do site: divulgacandcontas.tse.jus.br.

Itaú

Fabrício Régis (PT) – Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) – Vice – Branco Basilio (PT)

Zé Roberto Pezão (União Brasil) – Federação União/Progressista (União/PP) – Vice – Rosa Basílio (União Brasil)

Ouro Branco

Dra. Fátima (PT) – Coligação com Fé no Povo – Vice – Denis Rildon (PSDB)

Professor Amariudo (PP) – Federação União Progressista (União/PP) – Vice – Doutor Araújo (PP)

Os eleitos aos cargos serão diplomados no dia 9 de junho e permanecerão nos cargos até 31 de dezembro de 2028.

Ao todo, cerca de 10 mil eleitores estão aptos a votar nas duas cidades. Em Ouro Branco, pertencente à 23ª Zona Eleitoral, em Caicó, são 4.527 eleitores. Já Itaú, da 45ª Zona Eleitoral, em Apodi, possui 5.085 eleitores aptos ao voto.

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Categoria(s): Política
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domingo - 17/05/2026 - 08:50h

O dobro

Por Bruno Ernesto

Missa Convento Santo Antônio/RJ (Foto de autoria de Bruno Ernesto, 01/2026)

Missa Convento Santo Antônio/RJ (Foto de autoria de Bruno Ernesto, 01/2026)

Ajudar alguém nem sempre é questão de princípio. Por vezes, pode ser de meio e, até mesmo, de fim.

Pior do que o calor, falta de tempo ou quando alguém mastiga de boca aberta ao seu lado cuspindo mais do que come, sugando o café feito um aspirador de pó de 1500 watts de potência, conversando aos berros na mesa ao lado, escutando mensagens de uatizape no volume máximo, como se estivesse em casa sentado no vaso sanitário – algumas delas indecorosas -; sem falar naquelas gargalhadas hiperbolicamente desproporcionais e descompassadas, dentre outras coisas, nada pior que ser abordado por um pseudoprofeta.

Não sei você, caro leitor; mas acredito que ultimamente alguns deles estejam considerando que deixei de criar gatos e adotei baphomet como animal de estimação.

Talvez até tenha cadastro ativo de Mémé – sim, é o seu hipocorístico – no programa SinPatinhas, na plataforma pontogove.

Amiúde, e em locais cada vez mais improváveis, tenho sido abordado por oradores ávidos por me desencapetar e, confesso, fico surpreso com algumas abordagens.

Às vezes chego até a me aliviar por pensar tratar-se de um assalto. Ledo engano.

Não se engane; numa fração de segundo – milionésimo de segundo, melhor dizendo – todos nós somos potencial, perigosa e repetidamente violadores de leis. Ora divinas, ora morais, ora seculares.

A par disso, numa dessas abordagens, após muita insistência e já estar encabulado por ter aquele braço em riste mirando meus olhos com um panfleto na ponta dos dedos, tal qual uma baioneta, perguntei o porquê dele concluir que eu precisava de uma oração enquanto tomava um café e esticava as pernas num canto.

Olhei para a mesa e tive certeza que não havia adoçado o café. Também não estava com o fecho-éclair das alças aberto – estava sentado – ou mesmo fumando – parei há muito tempo. Nem mesmo blasfemei.

Será que aparentava estar contrito? Onde pequei, afinal?

Aliás, se me permitir uma colocação neste ponto do texto, proponho aos proprietários de restaurantes, cafeterias, sorveterias, clínicas médicas, hospitais etc., que instalem um decibelímetro, se não em cada mesa ou assento, ao menos num lugar visível; e se pensam em laurear alguém considerando a métrica, a disputa será acirrada.

Após uma breve contenda espiritual, enquanto eu bebericava calmamente o café, ele se virou e me abençoou com um sentimento preterdoloso tão genuíno e um olhar tão fulminante, ao dizer que Deus lhe daria em dobro tudo o que eu lhe desejasse, que não me contive e concluí aquela oração: então, certame iremos de mãos dadas para o inferno.

Você também já pensou.

Quem nunca?

Bruno Ernesto é escritor, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Mossoró – IHGM e curador do portal cultural marsertao.com @ihgmossoro @marsertaoblog

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Categoria(s): Crônica
domingo - 17/05/2026 - 08:16h
Martins

Apesar de grupo dividido, prefeito fica com “seleção” de Cadu Xavier

Em evento partidário em Pau dos Ferros nesse sábado (16), o prefeito de Martins, Paulo César Galdino (conhecido como César Móveis, do PSB), anunciou publicamente sua escolha ao governo estadual. Vai de Cadu Xavier (PT).

César Móveis assinalou que time de Cadu Xavier é uma verdadeira “seleção”, com apoio da governadora Fátima Bezerra (PT).

Apesar do anúncio, ele não leva consigo o vice-prefeito do município, Gileno Oliveira Carvalho (Progressistas). Influente e articulado, decisivo nas eleições municipais de 2024, Carvalho trabalha pré-candidatura de Allyson Bezerra em Martins e região.

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Categoria(s): Política
  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
domingo - 17/05/2026 - 07:40h

Sociedade do cansaço

Por Odemirton Filho

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

Arte ilustrativa exclusiva com recursos de IA para o BCS

A vida sempre nos obrigou a travar uma luta constante. Na contemporaneidade, a multiplicidade de informações na internet e a exposição da vida privada nas redes sociais exercem uma enorme pressão no cotidiano. Em um livro que tem o título deste texto, o autor Byung-Chul Han, filósofo e ensaísta sul-coreano, descreve com propriedade sobre alguns aspectos do mundo atual.

Referida obra trata sobre alguns temas, como a Violência Neuronal, Além da Sociedade Disciplinar, o Tédio Profundo, Vita Activa e a Pedagogia do Ver.

No capítulo sobre a Violência Neuronal, o autor aborda como o excesso de positividade tem afetado, sobremaneira, a cidadão moderno. A busca incessante por desempenho e sucesso, deixa o homem atual vivendo sob enorme pressão. Não é fácil conciliar o dia a dia de nossas vidas, diante de tantos problemas que temos que enfrentar, com a imperiosa exigência de uma produtividade cada vez maior, o que tem ocasionado casos de depressão e síndrome de Burnout, por exemplo.

Noutro capítulo, denominado Além da Sociedade Disciplinar, comenta-se sobre a sociedade de desempenho, a qual substituiu a sociedade disciplinar, anteriormente batizada por Michel Foucault. Se antes a coercitividade era a característica indelével da sociedade disciplinar, na atual sociedade de desempenho é o próprio ser humano que se cobra internamente, com o escopo de performar, buscando excelência naquilo que se propõe a fazer.

Abordando o Tédio Profundo, o autor analisa a necessidade de o homem “colocar o pé no freio”, na busca do seu eu. O tédio seria o momento de procurar refletir o caminho a ser seguido, pois novas ideias somente surgem quando paramos a correria da vida para poder redimensionar as nossas ações.

No tocante à abordagem sobre a Vita Activa (vida ativa), termo usado pela filósofa Hannah Arendt, o autor enfatiza como o homem atual está sempre ativo, em constante movimento, tendo como objetivo conseguir mais e mais produtividade, deixando de lado o criativo, pois, como não consegue diminuir o ritmo de sua vida, não encontra tempo para refletir e engendrar coisas novas.

Por fim, no capítulo que trata da Pedagogia do Ver, Byung-Chul Han afirma que o homem moderno perdeu a sua capacidade de contemplação, uma vez que vive numa correria em busca de desempenho, tornando-se hiperativo e superficial.

Eis, de forma sucinta, alguns pontos abordados no referido livro. Concorde-se ou não com o pensamento do autor é, sem dúvida, um texto que nos leva a refletir sobre os dias atuais.

Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos

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Categoria(s): Crônica
domingo - 17/05/2026 - 05:50h

Rimado e metrificado

Por Marcos Ferreira

Arte ilustrativa com recursos de IA para o BCS

Arte ilustrativa com recursos de IA para o BCS

Havia muito tempo que eu não forjava um soneto. Anteontem, entretanto, eis que de repente me apareceu um versinho decassílabo. Pois é, surgiu assim do nada, harmonioso e dentro da métrica e do ritmo, com tônicas na sexta e décima sílabas. Além da cesura, esse primeiro verso já tinha algo de socialista. A única inconveniência é que o futuro soneto me bateu na cuca quando eu acabara de apagar a luz e me espichara na cama, isso em horário avançado, perto da meia-noite. Tive que voltar à sala e religar o computador. Precisava registrar o verso, elaborar ao menos o primeiro quarteto e deixar a conclusão dos quatorze versos para a manhã seguinte.

Após faturar a primeira estrofe e salvar o arquivo com um título provisório, desliguei o notebook, voltei para a cama e, encurtando o papo, peguei no sono. Na manhã de ontem, enfim, dediquei-me à missão de trazer o referido poema a este mundo. O segundo quarteto e os dois tercetos não deram trabalho. Com pouco mais de uma hora de carpintaria o dito-cujo estava prontinho da silva.

Aviso logo que não vou transcrever aqueles versos aqui. Farão parte de um livro rigorosamente inédito que pretendo lançar de uma maneira ou de outra. Quem sabe por meio de um concurso literário que banque a publicação. Trata-se de um projeto monotemático que está próximo das noventa páginas. Posso adiantar, entretanto, que a obra aborda a triste realidade de pessoas desamparadas, os sem-teto, uma imensa e lastimável quantidade de gente que vive nas ruas, sem o mínimo de apoio; cidadãos invisíveis aos olhos dos bem-nascidos, entregues ao deus-dará, ignorados pela maior parte da sociedade, pelos apáticos homens e mulheres públicos.

Bem, não entremos agora em detalhes. A finalidade destas linhas é meramente dar notícias acerca do meu expediente (repito) com o enredo, as rimas e a métrica de um soneto. Deixo esta breve crônica com precisamente quatro parágrafos, a exemplo das quatro estrofes da referida modalidade poética.

Marcos Ferreira é escritor

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Categoria(s): Crônica
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sábado - 16/05/2026 - 23:56h

Pensando bem…

“Uma mudança sempre deixa o caminho aberto para outras.”

Nicolau Maquiavel

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sábado - 16/05/2026 - 14:46h
CPMI

Styvenson desafia Rogério e Zenaide à investigação do Master

Em vídeo em seus canais em redes sociais, neste sábado (16), o senador Stycenson Valentim (PSDB) anunciou que assinou pedido para instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Investigação (CPMI) do Banco Master.

E lançou um desafio para que os colegas de Senado, que representam o estado do RN, façam o mesmo.

“Não tenho amizade com bandido, não quero conversa com bandido, não gosto de bandido”, vociferou.

E agora? Assinam?

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Categoria(s): Política
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sábado - 16/05/2026 - 08:36h
Inverno 2026

Uma sangria muito esperada

O Açude do Paulista, localizado no município de Patu (RN), voltou a sangrar depois de período de 15 anos sem atingir sua capacidade máxima.

Um sabadão maravilha!

🎥 Não obtivemos informação sobre autoria do vídeo.

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sábado - 16/05/2026 - 06:24h
Derradeiro de Maio

Forró e chuva em pleno sertão do Rio Grande do Norte

Na primeira noite do “Derradeiro de Maio” nessa sexta-feira (15), em Olho D’Água do Borges, Fazenda Tomé Xote, teve tudo que o sertão adora, de forró à chuva benfazeja.

O evento é promovido pelo cantor e compositor Dorgival Dantas, na Cidade do Forró, ambiente cenográfico que retrata uma pequena comuna típica do Nordeste.

Dorgival Dantas, Waldonys, João Gomes, Os Três do Nordeste, Alcymar Monteiro e Joyce Alane foram as atrações da sexta-feira.

Neste sábado (16), Flávio José, Eliane, Dorgival Dantas, Lucy Alves, Cambinho do Acordeon e Luiz Fidelis.

Já no domingo (17), os nomes em destaque serão Ana Clara e Ítalo Poeta, alem de William Sanfona.

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  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
sábado - 16/05/2026 - 04:30h
Negócios

Cristiano Ronaldo passa a ser sócio de canal esportivo brasileiro

Cristiano e Cazé, negócios de cifras altíssimas (Fotomontagem do Chat GPT)

Cristiano e Cazé, negócio de cifras altíssimas (Fotomontagem do Chat GPT)

The News para o BCS

Cristiano Ronaldo, o craque português do futebol, virou o novo acionista da Live Mode, empresa dona da CazéTV— e talvez essa seja a parceria mais improvável do esporte e da internet brasileira dos últimos anos.

Como tudo começou: Em 2017, Edgar Diniz e Sergio Lopes, ex-Esporte Interativo, fundaram a LiveMode. Em 2022, buscando uma parceria para transmitir jogos da Copa na internet, se juntaram ao criador de conteúdo Casimiro Miguel. E deu muito certo…

Só para se ter uma ideia, a LiveMode tem 11 das 16 maiores transmissões ao vivo da história do YouTube. Em 2025, o canal bateu 3,7 bilhões de views.

Com o sucesso por aqui, a companhia passou a mirar a expansão internacional, com o primeiro destino sendo Portugal. Seguindo o modelo do Cazé, eles buscaram um nome conhecido para ter de sócio…

Após rumores, eles anunciaram como novo investidor simplesmente Cristiano Ronaldo, que tem cerca de 1 bilhão de seguidores nas redes. Os valores do acordo ainda não foram divulgados.

Agora, CR7 é sócio da divisão internacional da empresa com o objetivo de globalizar a marca. A ideia é começar por Portugal, já na Copa do Mundo de 2026, com jogos transmitidos de graça no YouTube.

De um lado, o Robozão expande seus investimentos já se preparando para a vida após aposentadoria. Do outro, a LiveMode dá um passo chave mirando virar, na prática, a ESPN do mundo digital e das novas gerações.

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Categoria(s): Esporte / Gerais
sexta-feira - 15/05/2026 - 23:58h

Pensando bem…

“Deus ama aquele que se esforça para ajudar a si mesmo.”

atribuída a Esopo

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  • Repet - Arte Nova - 16=03=2026
sexta-feira - 15/05/2026 - 22:50h
Programação

“Mossoró Sal & Luz” terá Aline Barros, Leandro Borges e Maria Marçal

Programação foi anunciada nesta sexta-feira (Reprodução)

Programação foi anunciada nesta sexta-feira (Reprodução)

O “Mossoró Sal & Luz” chega a sua 5ª edição com grandes nomes da música gospel como Aline Barros, Leandro Borges, Morada, Maria Marçal, Thalles Roberto, Anderson Freire, entre outros. O anúncio das atrações nacionais do evento foi realizado pela Prefeitura de Mossoró na noite desta sexta-feira (15), em evento realizado no Teatro Municipal Dix-huit Rosado.

Em 2026, o festival será realizado em dois fins de semana, com programação nos dias 17, 18, 23, 24 e 25 de julho, na Estação das Artes Poeta Elizeu Ventania. Serão momentos de fé, louvor e adoração para toda a família.

No ano passado, o “Mossoró Sal e Luz” reuniu mais de 200 mil pessoas durante os dias de festival. Um evento consolidado no calendário cultural de Mossoró e do Rio Grande do Norte.

O “Mossoró Sal & Luz” movimenta setores como o turismo, atraindo caravanas de cidades do Rio Grande do Norte e estados vizinhos. E ainda, fomenta a economia, aquecendo o comércio, impulsionando vendas dos comerciantes.

A acessibilidade garante a participação de todos os públicos. Além disso, haverá pontos de inclusão para acolhimento a pessoas com deficiência e a presença de intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Nesta edição, o “Espaço Kids” será ampliado, com brinquedos e brincadeiras para as crianças. E o evento ainda contará com praça de alimentação, gerando renda aos comerciantes.

Programação

17 de julho:
Valesca Mayssa
Jefferson & Suellen

18 de julho:
Anderson Freire
Leandro Borges
3 Palavrinhas
Cícero Oliveira

23 de julho:
Morada
Julliany Souza

24 de julho:
Thalles Roberto
Aline Barros

25 de julho:
Crianças DT
Maria Marçal
Som & Louvor
Novo Som

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Categoria(s): Gerais
sexta-feira - 15/05/2026 - 22:08h
Linda!

Cachoeira do Poço Verde deslumbrante

Imagem da Cachoeira do Poço Verde, em Água Nova, região Oeste do Rio Grande do Norte.

Ela fica localizada no Sítio Nafuê, zona rural desse município.

No período de inverno, com densas chuvas, as suas três cascatas surgem de forma idílica.

Lá embaixo, acaba formando uma piscina natural de águas claras.

🎥 @realizefilmes

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sexta-feira - 15/05/2026 - 21:24h
Kleber Rodrigues aponta:

“Pesquisas estão levando adversários de Allyson ao descontrole”

Para o deputado estadual Kleber Rodrigues (PP), existe uma forte motivação para recrudescimento de ataques orquestrados na mídia e redes sociais contra a pré-candidatura ao governo de Allyson Bezerra (UB). Também é fácil identificar o porquê do descontrole emocional de figuras até comedidas nas palavras, como no recente episódio de deboche – veja AQUI e abaixo – do senador Rogério Marinho (PL).

O congressista ridicularizou o pré-candidato por uso de um chapéu de couro “esquisito” e o desqualificou como gestor e político.

“Para mim, de uma forma muita clara, as pessoas estão tendo acesso a números (pesquisas registradas e internas). Isso envolve um pouco da emoção (…). Eu consigo ver um nível de descontrole dos adversários, porque sabem que tudo caminha para elegê-lo em 4 de outubro”, apontou ao Podcast Trampolim 360, de Parnamirim.

Leia tambémAllyson lidera com 35,5%; Álvaro tem 22,9% e Cadu pontua 6,6%

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Categoria(s): Política
sexta-feira - 15/05/2026 - 18:50h
Governo do RN

Ainda sem vice, Cadu quer uma mulher como companheira de chapa

Cadu foi entrevistado por Tárcio Araújo e Saulo Vale (Foto: Divulgação)

Cadu foi entrevistado por Tárcio Araújo e Saulo Vale (Foto: Divulgação)

Do Blog Saulo Vale

Pré-candidato do PT ao Governo do RN, o ex-secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), admitiu nesta sexta-feira (15) que a definição do PSDB será decisiva para o fechamento da chapa governista de 2026, já que a escolha do vice-governador depende diretamente das conversas com o partido.

Ao comentar as articulações com o grupo liderado pelo deputado estadual Ezequiel Ferreira, presidente do PSDB no estado, Cadu deixou claro que o PT trabalha para manter os tucanos na base da governadora Fátima Bezerra (PT) e consolidar uma frente política para a disputa estadual.

“Há uma boa possibilidade do PSDB se integrar a esse projeto. O presidente Ezequiel é aliado da governadora Fátima desde o segundo turno de 2018, foi aliado em 2022 e a gente conversa para que o PSDB permaneça conosco”, afirmou, em entrevista aos jornalistas Saulo Vale e Tárcio Araújo, no Meio Dia TCM, da 95 FM de Mossoró.

A fala reforça a ofensiva do PT para atrair o PSDB ao arco de alianças petista, diante da pressão de setores do partido ligados a Ezequiel que defendem apoio ao grupo do ex-prefeito de Natal, Álvaro Dias (PL), pré-candidato ao Governo do RN.

Cadu também indicou que o nome do vice pode sair diretamente do entorno político do deputado tucano. Questionado sobre a vice-prefeita de Currais Novos, Milena Galvão (PSDB), irmã de Ezequiel, o petista admitiu que ela “é um dos nomes que têm possibilidade nesse processo”.

Nos bastidores, a eventual indicação de Milena é vista como um gesto direto ao grupo de Ezequiel, numa tentativa de selar a aliança do PSDB no arco governista para 2026.

Cadu afirmou ainda que defende pessoalmente que a vaga de vice seja ocupada por uma mulher.

“Seria muito importante para mim e para o PT que a vice fosse uma mulher”, declarou.

Cadu também citou o ex-prefeito de Assú, Gustavo Soares (PSDB), como exemplo de liderança tucana que já apoia sua pré-candidatura ao governo.

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Categoria(s): Política
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sexta-feira - 15/05/2026 - 17:30h
Rádio Rural

Bispo diocesano anuncia lançamento da 101.9 FM

Vem aí um novo tempo para a comunicação em Mossoró e região. O bispo diocesano Dom Francisco de Sales convida todos para acompanhar o lançamento oficial da 101.9 Rural FM, que acontecerá nos dias 30 e 31 de maio.

Em breve mais detalhes do lançamento.

História

Ligada à Fundação Santa Luzia, da Diocese de Mossoró, a Rádio Rural de Mossoró foi inaugurada no dia 02 de abril de 1963, com a presença do presidente da República, João Belchior Goulart, do governador do Rio Grande do Norte – Aluizio Alves, senador Dix-huit Rosado, deputado federal Vingt Rosado, outras autoridades políticas da época e, claro, do futuro diretor da emissora, monsenhor Américo Simonetti.

A Rural começou com potência de 1 KW nos primeiros anos, depois com 5 Kw a partir de 21 de outubro de 1980 e finalmente com 10 Kw desde 15 de agosto de 1986. Agora, ela faz a migração necessária para a Frequência Modulada (FM).

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Categoria(s): Comunicação
sexta-feira - 15/05/2026 - 08:10h
Mossoró

BNB Cultural ressuscita o Teatro Lauro Monte Filho

Teatro foi reaberto após investimento que o aprontou para pleno aproveitamento (Foto: Carlos Costa)

Teatro foi reaberto após investimento que o aprontou para pleno aproveitamento (Foto: Carlos Costa)

O Teatro Lauro Monte Filho voltou a respirar arte, música e emoção nesta quinta-feira (14), em Mossoró. Ressuscitado e revitalizado depois que saiu do controle do Governo do Estado, sendo incorporado à rede do Banco do Nordeste Cultural. O espaço histórico foi reinaugurado como novo centro de formação, circulação artística e valorização da cultura potiguar e nordestina à noite dessa quinta-feira (14).

A cerimônia reuniu a governadora Fátima Bezerra (PT), a ministra da Cultura Margareth Menezes, o presidente do Banco do NordestePaulo Câmara, além de artistas, produtores culturais e representantes de instituições parceiras.

Inaugurado originalmente como Cine Cid, em 1964, o espaço atravessou gerações como ponto de encontro para cinema, teatro e manifestações culturais.

Agora, após ampla revitalização, o teatro inicia uma nova fase integrado à rede de centros culturais do Banco do Nordeste, ao lado de unidades em Fortaleza, Juazeiro do Norte e Sousa, inserindo Mossoró de forma definitiva no circuito cultural nordestino.

“Não estamos apenas reabrindo um teatro. Estamos devolvendo ao povo um patrimônio histórico, agora fortalecido, vivo e preparado para cumprir uma função pública essencial: democratizar o acesso à cultura, fomentar a economia criativa e criar oportunidades para artistas e produtores culturais do nosso estado”, afirmou Fátima Bezerra.

A governadora destacou ainda que a cessão do equipamento ao Banco do Nordeste, formalizada em 2024, representou uma decisão estratégica para garantir investimento, gestão permanente e programação contínua.

Com investimento aproximado de R$ 4 milhões, as obras incluíram revisão estrutural, modernização elétrica, troca de piso e cadeiras, além da implantação de novos sistemas de som, iluminação e projeção. O espaço passou a contar com capacidade para 426 pessoas e estrutura apta a receber grandes produções artísticas.

Oportunidades

A ministra Margareth Menezes destacou o papel da descentralização dos investimentos culturais.

“Estamos fazendo a cultura acontecer em todos os estados e cidades brasileiras, fortalecendo a economia criativa e ampliando oportunidades”, disse.

Desde 2024, o Banco do Nordeste investiu R$ 3,32 milhões em ações culturais em Mossoró, com realização de 679 atividades e público superior a 88 mil pessoas.

A iniciativa conta ainda com parceria da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, responsável pelo serviço e segurança do equipamento.

Homenagem

O teatro homenageia Lauro Monte Filho (1933-1997), ator, escritor, advogado e um dos principais articuladores da cena cultural mossoroense nas décadas de 1950 e 1960. Fundador do Teatro de Estudantes Amadores de Mossoró (TEAM) e integrante da Academia Mossoroense de Letras, Lauro foi figura central na consolidação do teatro como expressão artística na cidade.

Sua trajetória agora dá nome a um equipamento que retorna renovado, mas preservando sua vocação original de ser espaço de encontro, formação e arte.

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Categoria(s): Cultura
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sexta-feira - 15/05/2026 - 07:22h
PF investiga

Dinheiro do Master pode ter financiado Eduardo Bolsonaro nos EUA

Vorcaro e Eduardo Bolsonaro estão na mira das investigações (Fotos: Reprodução Redes Sociais e Saul Loeb/AFP

Vorcaro e Eduardo Bolsonaro estão na mira das investigações (Fotos: Reprodução Redes Sociais e Saul Loeb/AFP

Do Canal Meio e outras fontes

A Polícia Federal apura se parte dos recursos solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro teria sido usada para custear a permanência do deputado cassado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A investigação busca esclarecer se os valores enviados ao exterior foram efetivamente destinados à produção cinematográfica Dark Horse ou se o projeto serviu como justificativa para transferências financeiras ligadas a outras atividades políticas e jurídicas no exterior.

Segundo reportagem do Intercept Brasil, Vorcaro teria repassado cerca de R$ 61 milhões para o filme entre fevereiro e maio de 2025. Um dos documentos citados aponta transferência de US$ 2 milhões para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e ligado a um advogado de Eduardo Bolsonaro. (Globo)

Em entrevista à GloboNews, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou ter usado o dinheiro que pediu a Vorcaro para bancar as despesas pessoais do irmão, mas admitiu ter mentido ao negar relações com o ex-dono do Master, alegando que estava vinculado a uma cláusula de confidencialidade relacionada ao financiamento de Dark Horse. “Eu menti. Eu podia descumprir uma cláusula contratual?”, declarou o senador, ao ser questionado sobre entrevistas anteriores nas quais dizia não ter contato com Vorcaro nem haver ligação da família Bolsonaro com o banqueiro. Flávio insistiu, porém, que sua relação com Vorcaro era “exclusivamente” ligada ao financiamento do filme. (g1)

Apesar de afirmar que sua relação com Daniel Vorcaro se resumia a financiar Dark Horse, Flávio Bolsonaro tentou organizar um encontro entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e o banqueiro do Master para a exibição de um documentário em Brasília. Flávio e o deputado Mario Frias (PL-SP) queriam levar Jair Bolsonaro à casa do banqueiro para assistir ao documentário A Colisão dos Destinos. O encontro acabou não acontecendo. (Intercept Brasil)

Já a Go Up, produtora de Dark Horse negou ter recebido recursos de Vorcaro para financiar Dark Horse. Karina Ferreira da Gama, sócia-executiva da empresa, afirmou que a produção conta apenas com investimentos estrangeiros e que não há qualquer vínculo financeiro com Vorcaro ou empresas ligadas ao banqueiro. Segundo ela, Flávio pode ter buscado apoio privado por iniciativa própria, mas isso não teria resultado em contratos, transferências ou negociações formais. Karina também controla organizações culturais beneficiadas por emendas parlamentares de deputados do PL, entre eles, Mario Frias. Ele é produtor-executivo do longa e também negou que tenha havido repasses financeiros do banqueiro para a produção. (Folha)

A ligação entre Frias e Karina Ferreira anda na mira do STF. O tribunal tenta há mais de um mês intimar o deputado para que ele preste esclarecimentos sobre possíveis irregularidades no uso de emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por ela. A investigação foi aberta após representação da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que pediu apuração sobre repasses de recursos públicos ao que classificou como um “ecossistema” de empresas e organizações ligadas à produção do filme Dark Horse. (g1)

Além disso, a empresa Entre Investimentos e Participações, apontada como intermediadora de pagamentos do Banco Master para o filme, movimentou ao menos R$ 139 milhões para empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro e ligação com esquemas criminosos ligados ao PCC e à máfia italiana. (Globo)

E o diretor americano Oliver Stone negou que seu documentário Lula tenha recebido qualquer recurso de Daniel Vorcaro, em resposta a movimentações de aliados bolsonaristas que tentavam associar o ex-banqueiro também a produções ligadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. (Folha)

Produção caríssima

O valor que teria sido solicitado por Flávio Bolsonaro a Vorcaro para financiar Dark Horse coloca a produção entre os projetos cinematográficos mais caros já associados ao mercado brasileiro. É muito até para padrões internacionais. Com US$ 24 milhões, seria possível financiar diversos vencedores recentes do Oscar de melhor filme, incluindo produções independentes como ParasitaMoonlight e Anora. (InfoMoney)

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Categoria(s): Política
sexta-feira - 15/05/2026 - 03:32h
Voos

Aeroporto aumenta em 18% o fluxo de passageiros

O aeroporto somou quase 80 mil passageiros internacionais (Foto: Alexis Regis)

O aeroporto somou quase 80 mil passageiros internacionais (Foto: Alexis Regis)

O Aeroporto Internacional Aluízio Alves, de São Gonçalo do Amarante, encerrou os quatro primeiros meses de 2026 com crescimento de 18% no fluxo de passageiros em comparação ao mesmo período de 2025. Ao todo, foram 961 mil passageiros, distribuídos em 6.359 voos, entre embarques e desembarques. Os dados são da Zurich Airport Brasil, concessionária responsável pelo terminal.

O período foi marcado por resultados expressivos em todos os meses, com fevereiro, março e abril registrando os melhores desempenhos desde a inauguração do aeroporto, em maio de 2014. Em fevereiro, o terminal movimentou 234 mil passageiros; em março, 228 mil; e, em abril, 217 mil. Os números incluem voos domésticos e internacionais.

Na movimentação internacional, o crescimento foi ainda mais significativo. O aeroporto somou quase 80 mil passageiros internacionais no quadrimestre, um avanço de 107% em relação ao primeiro quadrimestre de 2025. Já o número de voos internacionais aumentou 87%, totalizando 575 operações.

Nova companhia

A ampliação da malha aérea internacional foi impulsionada, entre outros fatores, pela chegada da companhia JetSMART, que iniciou operações em 30 de dezembro com voos entre Natal e Buenos Aires. Atualmente, o aeroporto também conta com ligações diretas para Montevidéu e Lisboa, operadas pela GOL e pela TAP Air Portugal, respectivamente.

O desempenho positivo é resultado de ações conjuntas de promoção do destino e da atuação integrada entre Zurich Airport Brasil, poder público, trade turístico e companhias aéreas.

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quinta-feira - 14/05/2026 - 23:56h

Pensando bem…

“Os dois dias mais importantes da sua vida são: O dia em que você nasceu, e o dia em que você descobre o porquê.”

Mark Twain

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quinta-feira - 14/05/2026 - 23:30h
Fique atento

Vacinação alcançará nove pontos extras neste sábado (16)

Vários imunizantes são oferecidos pela municipalidade (Foto: Arquivo/PMM)

Vários imunizantes são oferecidos pela municipalidade (Foto: Arquivo/PMM)

A Prefeitura de Mossoró disponibilizará o serviço de vacinação em nove pontos extras, neste sábado (16). A imunização acontecerá em Unidades Básicas de Saúde e ainda em ações sociais desenvolvidas por instituições parceiras.

A imunização aos fins de semana tem o objetivo de ampliar para a população o acesso ao serviço. Com isso, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) busca aumentar os índices de cobertura vacinal e, consequentemente, promover a proteção contra doenças e agravos.

Na oportunidade, o público terá acesso aos imunizantes, conforme critérios estabelecidos pelo Ministério da Saúde para cada faixa etária. E ainda, no caso da vacina contra gripe, ela estará disponível para os grupos prioritários da campanha, como crianças de seis meses a menores de seis anos, idosos, gestantes, puérperas, entre outros.

Locais e horários

UBS Dr. Chico Costa – Santo Antônio (8h às 16h)

UBS Francisco Marques – Alameda dos Cajueiros (8h às 16h)

UBS Duclécio Antônio – Teimosos (7h às 11h e das 13h às 17h)

UBS Antônio Soares Júnior – Bom Jesus (13h às 18h30)

UBS José Fernandes – Lagoa do Mato (8h às 16h)

UBS José Holanda – Dom Jaime Câmara (8h às 16h)

Escola Municipal Celina Guimarães Viana – Barrocas (7h30 às 11h)

Praça do Alto da Conceição – ao lado da Igreja Matriz (16h)

Praça do Boa Vista  – Rua Manoel Cirilo (16h às 18h)

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Categoria(s): Saúde
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