O vice-governador Walter Alves (MDB) não exagerou nem mentiu. Alguns fatos que se encadeiam em relação ao quadro fiscal do Estado vão-lhe dando razão.
Quando justificou não aceitar assumir governo estadual, com eventual renúncia da governadora Fátima Bezerra (PT), porque cairia uma bomba em seu colo, ele sabia exatamente o que o espreitava nas contas públicas.
O novo decreto de contingenciamento de despesas dos Poderes e órgãos autônomos publicado nesta sexta-feira (29) – veja AQUI, com estimativa de R$ 500 milhões decorrente de frustração de receitas no segundo bimestre (março-abril) de 2026, não é algo isolado. Repete-se e daqui para frente, tudo pode ficar ainda pior – como previu Waltinho.
Em abril, o governo Fátima Bezerra (PT) já publicara o decreto de n° 35.429, em que a frustração de receitas no primeiro bimestre chegava a R$ 306.070.857,42.
O somatório dos quatro meses do ano, a frustração de receita orçamentária chega a mais de R$ 800 milhões. E não faltam sobrepeso de compromissos que ampliam a distância entre receitas e passivos. Aperto deve ser ainda maior para pagar o básico do básico.
Nota do BCS – Entenda a linguagem técnica da matéria:
Contingenciamento de despesas é o bloqueio temporário de parte do dinheiro previsto no orçamento do Estado para evitar desequilíbrio nas contas públicas.
Na prática, o governo segura ou adia gastos porque a arrecadação pode ficar abaixo do esperado ou porque precisa cumprir metas fiscais. Assim, determinadas despesas deixam de ser executadas naquele momento, mesmo estando autorizadas no orçamento.
Funciona como uma “freada” nos gastos públicos para evitar déficit financeiro. Despesas obrigatórias, como salários, aposentadorias e parte da saúde e educação, costumam ser preservadas ou têm menos margem para corte.
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