Por Odemirton Filho
O ano era 1982. Eu tinha somente dez anos de idade. Em ano de eleição, vem à memória campanhas eleitorais que presenciei. Ao lado dos meus pais, que sempre gostaram de ver as movimentações eleitorais, principalmente, os comícios, acompanhávamos pelas ruas de Mossoró as passeatas e carreatas dos candidatos.
Talvez, daí eu tenha herdado o hábito de, até hoje, ficar nas esquinas, “curiando” as movimentações eleitorais dos candidatos de todas as tendências partidárias, em ano de eleição. Como o voto ainda é secreto, somente eu e a urna conhecemos os meus “eleitos”.
Naquela eleição, a disputa para o Governo do Rio Grande do Norte foi entre Aluízio Alves e José Agripino. Foi a primeira campanha eleitoral guardada na minha lembrança. Antes, no entanto, houve campanhas memoráveis, sobretudo as realizadas pelo “cigano feiticeiro”. “Rio Grande do Norte, cem anos avançou, depois que Aluízio Alves se elegeu governador” .
Cabe um regaste histórico: Aluízio Alves foi governador entre 1961 e 1966; Monsenhor Walfredo Gurgel de 1966 a 1971; Cortez Pereira governou de 1971 a 1975; Tarcísio Maia de 1975 a 1979 e Lavoisier Maia de 1979 a 1982. Em 15 de novembro de 1982 houve a eleição para governador. Apurados os votos, depois de dias de expectativa, Zé Agripino obteve 389,677 (57,59%) e Aluízio Alves 283.366 (41,88%).
Na campanha eleitoral de 1982 se falava muito sobre o voto “camarão”. Eu, ainda criança, não entendia bem essa questão, e indagava: que danado é o voto “camarão”? Meus pais devem ter explicado, ou, pelo menos, tentaram explicar.
Lembro que esperamos o candidato, no caso Zé Agripino, para acompanhá-lo na movimentação, no aeroporto de Mossoró. Depois, saímos em carreata/passeata pelas ruas. Era uma ruma de gente; o povo bebendo e cantando as músicas.
Parecia uma festa. E era, na verdade, pois cantores consagrados nacionalmente faziam showmícios, na década de oitenta. Não lembro se à época já tocava a famosa ‘lambada”, música que, até hoje, embala quase todas as campanhas eleitorais.
Como já contei em crônicas anteriores, o ato final da movimentação, o comício, era realizado no largo do Jumbo ou da Cobal. Ali, os candidatos, fossem “bacuraus ou bicudos”, usavam toda a sua oratória para envolver a multidão, falando bonito, utilizando frases de efeito. A retórica permanece a mesma de lá pra cá, apenas saiu das ruas para as redes sociais.
Foi há quarenta e quatro anos. O povo esperava por dias melhores. E ainda espera.
Odemirton Filho é colaborador do Blog Carlos Santos














































