• Vale Norte - Nativa Comunicação
quinta-feira - 23/08/2012 - 19:53h
Crise

Casos de assédio moral inundam Justiça e afetam Petrobras


A Petrobras tem agido em duas frentes distintas, mas que se interligam pelo foco comum, para estancar uma crise que ganha proporções inimagináveis na Gerência de Mossoró. O caso, por enquanto, tem maior elouquência na esfera judicial.

Emmanoel: Irmão influente do TST

Ao mesmo tempo, há diligências para ser encontrada uma via negociada, pacífica e menos traumática que não exponha ao público o nome da empresa.

Mas o problema jorra de forma crescente e torrencial, contaminando outros setores.  Ganha eco até na sede nacional dessa poderosa transnacional do petróleo e energia, no Rio de Janeiro.

Seu epicentro é a Gerência de Serviços Especiais, comandada por Luiz Antônio Pereira. Ele é visto por empregados litigantes, na Justiça comum e do Trabalho, como um chefe de perfil intolerante e despótico.

Dessa relação conflituosa tem surgido uma série de ações que acuam a empresa na esfera trabalhista. A questão passou a gerar também uma série de demandas judiciais que acusam Luiz Antônio de “assédio moral” e outros excessos correlatos.

No ambiente judicial, a Petrobras passou a jogar duro e com as armas que tem à mão, para rechaçar os empregados. Não tem tido sucesso até aqui.

Causas que tratam de exploração de mão-de-obra passam a formar uma bomba-relógio de milhões e milhões de reais.

No início do mês de julho a Petrobras foi condenada a pagar mais de R$ 620 mil a empregado da Gerência de Serviços Especiais, comandada por Luiz Antônio Pereira. O empregado fez jus ao pagamento porque mesmo submetido ao regime de turno – que prevê jornadas ininterruptas de 12 horas em um regime de embarque de 7 x 7 dias e 7 x 14 -, restou comprovado que trabalhava 17 horas por turno.

Desse modo, o juiz determinou o pagamento de “70 (setenta) horas extras por cada mês de efetivo serviço que devem ser pagas com o adicional de 50% (cinqüenta por cento), em relação a todo o período laborado pelo reclamante não atingido pela prescrição”.

Luiz Antônio pousou na Petrobras, graças àqueles arranjos conhecidos na política nacional. Qualquer pessoa medianamente bem-informada sobre a terra Brasil, sabe, que o pindorama verde-e-amarelo tem uma vocação para acertos de compadrio.

TST

Ele, a propósito, não é funcionário de carreira da Petrobras, uma empresa que se transformou em orgulho nacional por sua pujança e é símbolo do nacionalismo vencedor. Luiz chegou à Gerência graças ao “QI” (Quem Indica).

Seu irmão mais influente, não se surpreenda, é Emmanoel Pereira, ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST).  A corte é o órgão máximo de julgamento no país dos conflitos entre capital e trabalho, patrão e empregado.

Nos intramuros da Petrobras, qualquer estafeta sabe, que Luiz ascendeu ao cargo por essa influência e a força política de um amigo da família, o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB).

Henrique: aborrecimento previsível

Agora, patinhando em seu estilo atrabiliário, Luiz Antônio compromete quem o indicou e contamina diretamente a Petrobras.

Esta semana, um graduado executivo da empresa desembarcou sem alardes em Mossoró, para se reunir com uma série de empregados que estão travando esse prélio com o ‘gerentão’. O clima é de beligerância. Digladiam-se sem perspectiva de pacificação.

O graduado executivo retornou de sua missão diplomática sem êxito na investida. Confessou, sem rodeios, que o problema está lhe tirando o sono e de outros figurões destacados. E tudo pode ficar ainda pior. Não duvide.

Sabe-se que há um movimento crescente, articulado, para formalização de denúncia a veículos de imprensa de nível nacional. Dossiê engorda a cada dia. As perseguições poderiam ser comprovadas em farto material. Pior é quando forem relacionados o vigor e condição de “imexível” de Luiz Antônio, no cargo, à relação familiar com um ministro do TST e ao poder de Henrique Alves. Prato cheio para que sejam abertos manchetões na chamada Grande Imprensa. Tudo que Emmanoel e Henrique não desejam. Nem podem deixar correr solto.

Para engrossar o “caldo”, essa crise pode desfiar outras situações ainda mais delicadas e que comprometeriam o status de seriedade da Petrobras, na relação com prestadores de serviços e fornecedores de produtos.

Há algo de podre no reino da Dinamarca? Quem sabe?

O Blog ouviu pelo menos cinco pessoas que estão nesse redemoinho. Algumas delas, em face do que estariam sofrendo, estão até sob tratamento psicológico e psiquiátrico.

Quem tem muito a acrescentar ao assunto é o jornalista e blogueiro Daniel Dantas. Ele, que se diga, até bem pouco tempo era funcionário da estatal. Sabe muito. Tem muito a contar.

Veja AQUI.

 

Categoria(s): Administração Pública / Gerais

Comentários

  1. DOUGLAS ALESSANDRO VITAL ALVES diz:

    ISTO É UMA VERGONHA PARA A PETROBRÁS, PERSEGUIR FUNCIONÁRIOS QUE AJUDARAM A CONSTRUIR UMA DAS MAIORES EMPRESAS DO MUNDO. SÃO GERENTES COMO ESTE LUIZ ANTÔNIO QUE DENIGREM A IMAGEM DA EMPRESA NO BRASIL E NO MUNDO; PENSO EU, QUE A FOSTER NÃO CONCORDA COM TAIS ATITUDES.

  2. FRANSUELDO VIEIRA DE ARAUJO diz:

    O FAMOSO “QI” NUNCA FOI, NÃO É E NÃO SERÁ BOA RECEITA PARA A DINÃMICA E MUITO MENOS A MORALIDADE NO SERVIÇO PÚBLICO.

    TORÇAMOS PRÁ QUE NESTE CASO, O DITO CUJO SEJA EFETIVAMENTE DEFENESTRADO DO CARGO PARA O BEM DOS TRABALHADORES, DA PETROBRA´S E DO BRASIL.

    Um Abraço

    FRANSUÊLDO VIEIRA D E ARAÚJO.
    OAB/RN. 7318.

  3. Arthur Néo diz:

    Caro Carlos Santos:
    Tenho um colega que iniciou o curso de Medicina na UERN e por motivos de assédio moral dentro da Petrobrás, teve que trancar o curso. No entanto por relatos dele (o aluno), já teria tempo de se aposentar para realmente iniciar a faculdade que é são grande sonho. Conforta-me saber que tal noticia extrapola os muros da instituição e tomara logo que chegue a “grande imprensa”. Absurdo !!!

  4. Carlos Freitas diz:

    É por essas e outras que sou contrário ao monopólio seja em que âmbito for, e outra, duvido muito de empregados e patrões bonzinhos.

  5. Assediados diz:

    Conheça e faça parte do blog “Assediados”.
    http://www.assediados.com
    Um espaço onde vítimas de assédio ou dano moral podem relatar suas histórias, compartilhar experiências, e buscar caminhos para tornar o ambiente de trabalho um espaço seguro, onde seres humanos sejam tratados com o respeito e a dignidade que merecem. Um espaço onde você encontrará informações atualizadas sobre Assédio Moral no trabalho.
    “Sofrimento é passageiro, desistir é para sempre”

  6. José Pedro De Souza diz:

    Não é só Luiz Antônio que é autoritário , no setor IPERF da Petrobras/Mo há também o gerente Edgar Miranda que aje da mesma maneira perseguindo funcionários como eu e o colega Holanda Cavalcante que
    já está com precesso judicial por assédio moral.

  7. Rafaela diz:

    Caro Carlos Santos:
    Lamentável que uma empresa tão grandiosa, que é motivo de orgulho dos brasileiros admita através de seus superiores que este senhor e outros iguais a ele envergonhe a nação e exponha um conjunto de trabalhadores que noite e dia dão seu sangue e convívio de seus lares para contribuir para este grande patrimônio nacional, e que muitas vezes não reconhecidos porque existe poderosos que usam cargos e influencia em beneficio próprio manchando de forma covarde a soberania e democracia do pais e das instituições que tem a função de servir a nação. Mas, acredito hoje ainda será tomado uma ação para corrigir este desmando visto a credibilidade deste conceituado blog que tem compromisso com a verdade e transparência em sua linha jornalistica e que rompe as fronteiras nacionais.
    A Petrobras é maior que estes senhores citados e um assunto com esta envergadura tem que ter resposta imediata.

  8. Junior diz:

    O BRASIL AINDA NÃO SAIU EFETIVAMENTE DA MONARQUIA, EXISTEM MUITAS FAMÍLIA “REAIS” NO SETOR POLÍTICO QUE CONTAMINAM A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA E POR MAIS INCRÍVEL QUE PAREÇA QUANDO UM DESTES “QI” FAZEM O CERTO, HONRAM O CARGO EM COMISSÃO/CHEFIA TORNANDO-SE LIDERES E ATÉ ADMIRADOS PELOS SERVIDORES DE CARREIRA, NÃO RARAS VEZES SÃO ATÉ PERSEGUIDOS PELO “QI” DO “ALTO’ É COMO SE O “MODELO DESTES ESTIVESSEM ERRADO” (FATO VERÍDICO). O CONSELHO PARA AQUELES ESTÃO EM SITUAÇÃO DE ASSÉDIO MORAL, BUSQUEM SEUS DIREITOS, NENHUM DINHEIRO OU PRIVILÉGIO COBRI O FATO DE SER HUMILHADO EM QUALQUER INSTITUIÇÃO OU EMPRESA PRIVADA.

  9. Hélio Silva diz:

    Caro Jornalista, li a matéria, é incrível o grau de veracidade e consistência em todo o contexto do que foi escrito. Verdade, pura verdade. Sou uma das vítimas e concedi a seguinte entrevista a um blog, colaciono aqui na integra afim de que algum leitor tenha um pouco da dimensão do sofrimento das vítimas.

    “O assédio moral foi devastador em minha vida”, diz Hélio Oliveira da Silva, empregado da Petrobras há 30 anos
    É lamentável, mas são cada vez mais comuns – ou cada vez mais conhecidos -, os casos e situações em que trabalhadores sofrem consequências profissionais, pessoais e mesmo sérios problemas de saúde devido àquilo que se convencionou chamar de assédio moral – mas que alguns preferem classificar como violência simbólica no ambiente de trabalho.
    Na maior empresa do país, a Petrobras, os casos também são frequentes. Trabalhadores e trabalhadoras que sofrem consequências pessoais e até casos graves de saúde debilitada devido ao assédio de seus superiores.
    É essa a história de Hélio Oliveira da Silva, 48 anos e trinta de Petrobras. Filho de família pobre, cuja pai era carteiro, seu sonho era ser médico. Mas, aos dezoito anos, passou no concurso para a Petrobras. “A proposta salarial era irrecusável”, diz Hélio. O sonho de ser médico foi adiado em troca de uma carreira como técnico de perfuração e poços. “Como Técnico de Perfuração e Poços Sênior, atuo na complexa atividade de Pescaria, Teste de Formação e Testemunhagem, atividades essas desenvolvidas sempre em campo, junto a sondas de perfuração e produção, terrestres e marítimas”, explica. “Sou um técnico multidisciplinar”, conclui.
    Hélio trabalha atualmente na gerência setorial de Serviços Especiais, na gerência geral de Construção de Poços Terrestres, em Mossoró. Ele é uma das vítimas de maior dramaticidade do assédio moral na Petrobras.
    O que é assédio moral?
    Segundo explicação do site Assédio Moral no Trabalho, a prática é “a exposição dos trabalhadores e trabalhadoras a situações humilhantes e constrangedoras,repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, sendo mais comuns em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, em que predominam condutas negativas, relações desumanas e aéticas de longa duração, de um ou mais chefes dirigida a um ou mais subordinado(s), desestabilizando a relação da vítima com o ambiente de trabalho e a organização,forçando-o a desistir do emprego”.
    O assédio moral pode ser caracterizado pela “degradação deliberada das condições de trabalho em que prevalecem atitudes e condutas negativas dos chefes em relação a seus subordinados, constituindo uma experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a organização”. Entre outras atitudes, a vítima de assédio passa a ser isolada do restante do grupo, hostilizada, ridicularizada, desacreditada entre seus pares.
    O assédio é uma violência que causa “danos à saúde física e mental, não somente daquele que é excluído, mas de todo o coletivo que testemunha esses atos”. Diz o texto, também, que uma pesquisa da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em países desenvolvidos aponta para distúrbios da saúde mental relacionado às condições de trabalho em países como Finlândia, Alemanha, Reino Unido, Polônia e Estados Unidos. Segundo a OIT, no futuro, como resultado das práticas de assédio nas organizações, predominarão como doenças que acometem os trabalhadores as depressões, angústias e outros danos psíquicos.
    Essa é a história de Hélio, que aceitou conversar com o blog. Leia sua entrevista a seguir.

    Há quanto tempo você trabalha na Petrobras?

    Antes de tudo agradeço-lhe a oportunidade, pois falar do problema, ser ouvido é uma forma de aliviar a intensidade dos meus sofrimentos. Trabalho há exatos trinta anos, cinco meses e vinte dias. À época, já tinha metas de vida estabelecida. A principal? Ser Médico. De família pobre, filho de carteiro, com doze irmãos. Passei no concurso da Petrobras aos 18 anos, a proposta salarial era irrecusável. Adiei o meu sonho, mesmo assim trabalhei na companhia com esmero e indiscutível dedicação o que me proporcionou uma carreira vitoriosa.

    Qual o seu cargo?

    Técnico de Perfuração e Poços Sênior. Como Técnico de Perfuração e Poços Sênior, atuo na complexa atividade de Pescaria, Teste de Formação e Testemunhagem, atividades essas desenvolvidas sempre em campo, junto a sondas de perfuração e produção, terrestres e marítimas. Sou um técnico multidisciplinar.

    Você é reconhecido pela especialidade em uma atividade relacionada à perfuração e a completação de poços. Explique para o leitor, em rápidas palavras, o que é completação de poços e qual a atividade em que você se destaca. O que sua expertise possibilitou a você no âmbito da empresa?

    A execução de um poço de petróleo passa por duas grandes etapas, obviamente a primeira é a perfuração do poço propriamente dito; e a segunda a completação. Em ambas as etapas surgem a necessidade de serviços especiais. Por exemplo: O poço precisa ser avaliado quanto a sua capacidade de produção (vazão) quer de forma quantitativa, quanto qualitativa. Nas duas etapas, imprevistos podem ocorrer, ou seja, as ferramentas que são descidas no poço podem quebrar, por diversos motivos podem tornar-se presas ou ainda caírem no poço. Quando isto acontece inicia-se um trabalho especial chamado pescaria, a depender da complexidade do problema uma situação desta pode demorar vários dias e alguns casos meses, para isto o especialista tem que ser detentor de um conhecimento holístico e possuir paciência e grande experiência para solucionar a questão, via de regra esses serviços são potencialmente muito perigosos. Sou funcionário laureado da empresa, tendo recebido grande homenagem no ano de 2000 por ter salvado um poço de altíssimo custo, estratégico e de importância relevante para os negócios da companhia. Após a empresa ter instituído no ano de 2001 o prêmio “Destaque do Ano”, para o empregado que prestasse serviços mais relevantes para a companhia, fui agraciado com o prêmio Destaque 2002, constando na certificação: “A Hélio Oliveira da Silva, em reconhecimento pela disseminação de conhecimentos na área de operações de pescaria, contribuindo para formação e aprimoramento da equipe de serviços especiais.” Quanto ao Know how, expertise, que possuo posso dizer quer solucionar um problema que envolve investimentos de milhões de dólares, do contrário pode significar a perda do poço e de todo dinheiro investido, é como fazer um gol de placa aos 45 min. do 2º tempo, há uma alegria e um clima de êxtase. Trabalhar na Petrobras é ter experiência que nos proporciona um grande patrimônio, não me refiro ao material e sim ao imaterial, já que, não tenho dúvidas e sem demérito a outras empresas, a inteligência brasileira gravita em torno da empresa, há muita gente inteligente e competente trabalhando nela. Razão pela qual a Petrobras é uma companhia vencedora, eu recomendo a qualquer jovem que se esforce para fazer de sua equipe. O meu caso de dor e sofrimento é pontual e em nada diminui a empresa, são distorções que ocorrem em qualquer grande instituição, mas que precisam ser corrigidas e combatidas.

    Quando começaram seus problemas na empresa?

    Sempre fui considerado um profissional exemplar, cheguei a técnico sênior ainda muito jovem, topei na carreira há mais de 15 anos, mesmo assim mantive o entusiasmo. Certo dia, perguntei ao gerente local se era justo trabalhar e sequer ser apontado o meu dia de trabalho. Fui defenestrado, desrespeitado. Comecei a pensar duas coisas que foram determinantes para uma tomada de posição, que culminou com a fase mais difícil da minha vida. Primeiro, o país tem uma lei cruel, injusta e perversa que se chama fator previdenciário, tal lei pela sua fórmula matemática empurra pouco a pouco o aposentado para a mendicância. Segundo, como posso trabalhar na maior empresa da America Latina, a quarta maior do mundo em energia, tendo a clareza e observando as injustiças a mim acometidas por ocasião do meu regime extremo de trabalho e a supressão de direitos sociais e trabalhistas que não vinham sendo pagos pela empresa, notadamente a subtração de horas extras (tanto inter quanto extrajornada), ingressei com a ação judicial n.º 100200-86.2011.5.21.0012 (Segunda Vara do Trabalho de Mossoró/RN) para fins de postular os meus respectivos direitos. Aí se iniciou um inequívoco processo orquestrado de perseguição.

    Você se considera vítima de violência no local de trabalho, aquilo que costumamos chamar de assédio?

    Indubitavelmente. Poderia citar várias situações além do rigor excessivo aplicado. Darei apenas dois exemplos, cristalinos e elucidativos: Pois bem, no dia 21/12/2011, quarta feira, as 08h20min, dia do embarque, fui convocado para comparecer à sala do gerente local. Aí começou o massacre e a verborragia descontrolada e assim foi dito pelo dirigente: “por causa da ação trabalhista das horas extras eu vou destruir você, vou acabar com você, eu posso tudo, tenho todo poder e faço o que bem entendo e além do mais ai de você se for à faculdade de Medicina fazer provas. A partir de hoje você deve ficar na base de 06h00min as 18h00min. Vou desfazer esta ação porque não vai dá em nada, a Petrobras desmancha a ação com facilidade” Coincidentemente era a semana de provas na UERN e fiquei transtornado pela virulência e ameaças que sofri. Ao sair da sala de hostilizações tive uma crise de nervos e de choro presenciado por Sóegima Cristina e Valdenildo. São público e notório que ninguém do sobreaviso nunca foi obrigado a permanecer na base durante 12h, uma vez que o trabalho é eminentemente no campo.

    No segundo exemplo, no dia 05/03/2012, numa reunião em Natal, às 10h20min, houve uma reunião do Gerente Regional com o Sindicato dos Petroleiros para tratar de assuntos relativos a perseguições e agressões nas relações de trabalho. Estava presente o Gerente dos Recursos Humanos. Os diretores sindicais Márcio Dias, José Araújo (Dedé), Pedro Idalino e Belchior, além dos empregados da Petrobras Décio, Hélio, Jaime, Soégima Cristina e Valdenildo. O Gerente Regional reforçou os desatinos do Gerente local, foi extremamente duro e cruel. A angústia que já vinha sofrendo, a depressão devidamente diagnosticada, aumentou com a insensibilidade daquele Gerente e a dor doeu mais forte, saí da reunião em completo desatino porque de dedo em riste e na condição de ser proibido de falar, de forma ríspida e autoritária foi dito: “Hélio, você vai ficar no administrativo porque eu quero, e quem vai buscar conhecimento em área que não é de interesse da empresa, eu não tenho compromisso e o ônus é todo do empregado.” Reconheceu que em toda Petrobras sobrara dinheiro no ano de 2011 e disse textualmente que tinha a missão de lapidar o gerente local.

    O que o assédio sofrido já lhe trouxe de consequências pessoais, profissionais e de saúde?

    O assédio moral foi devastador em minha vida. Passei, em dezembro, da condição de um feliz e vibrante acadêmico de Medicina para um paciente com necessidades de fazer uso de ansiolíticos e antidepressivos já no mês de fevereiro, adoeci gravemente, deixei de freqüentar as aulas, perdi todas as disciplinas. A depressão se acentuou e imuno deprimido, tive a infelicidade de ser acometido de dengue hemorrágica, fui internado na UTI do Hospital Português, tive uma experiência de morte. Os problemas são muitos: sofro de transtorno ansioso-depressivo, severo distúrbio do sono, dores de cabeça dilacerantes, inapetência, perda de peso, diminuição da libido e diminuição da eficácia do sistema imunológico. O que tanto afeta meus amigos e fundamentalmente a minha esposa, meus três filhos é o desinteresse e o isolamento social. Digo, a depressão é malvada, quem já passou por isso sabe muito bem do que estou falando. Na foto que você vai publicar os leitores podem ver o estado de saúde a que cheguei, evidentemente, não me conformo com isso. Reduziram meu salário cerca de 40% e mudaram meu regime de trabalho do campo, onde sou especialista para o administrativo. Tenho sentimento de indignação e ponho minha esperança em Deus e na justiça, que sabiamente não terá dificuldades de equacionar a problemática.

    E a justiça? O que ela já disse do seu caso?

    Bem, acredito na justiça do meu país, a minha ação trabalhista tem forte embasamento. O juiz para bem decidir precisa de provas, as minhas são incontroversas, incontestáveis e insofismáveis, não tenho dúvidas disso. Caso ocorra uma análise bem feita, não haverá a mínima dúvida de que trabalhei em regime excessivo, por que não dizer como uma espécie de semi-escravidão. Com sobrecarga de trabalho e com as folgas desrespeitadas, inclusive nas férias. Tudo isto, sem o pagamento devido. Diga-se da passagem que a Petrobras em sua essência não concorda com isto, o problema é localizado, regional. Estou entrando com uma ação de assédio moral que é de estarrecer e causar espanto em qualquer um pelo puro desrespeito ao acordo coletivo e próprio código de ética da empresa. Repito, confio na justiça, há homens de bem em todos os lugares e o mal será de alguma forma reparado. Em termos de sentença das ações de horas extras proferida pela justiça trabalhista duas dentre as quatro já foram julgadas favoráveis, as outras duas estão em tramitação. Quanto à ação de assédio acredito que ela é de uma clareza solar e assim sendo, espero um posicionamento favorável do magistrado.

    Há outros colegas em situação semelhante?

    Sim. Não obstante, não foi apenas eu quem ingressou com a medida judicial em disceptação. Diversos outros colegas, sentindo-se injustiçados com o não pagamento das horas extras em foco, assumiram a mesma postura e vêm pleiteando judicialmente o pagamento de suas jornadas extraordinárias. Agora, sou o bode expiatório, como sempre acontece na história da humanidade. Há seis colegas extremamente afetados, todos passam por tratamentos psiquiátricos, diga-se de passagem, com profissionais médicos diferentes. O que não é coincidência são os diagnósticos e o tratamento, uma vez que todos estão tomando medicação com tarja preta (antidepressivos e ansiolíticos). São eles: Décio (depressão crônica e sem avanço com o tratamento); Jaime, Hollanda, Sóegima Cristina e eu.

    Qual a sua expectativa? O que você espera que possa acontecer nesse caso?

    Primeiramente a minha maior expectativa é ver a minha saúde ser restabelecida. A mudança do regime de sobreaviso foi para inviabilizar a minha freqüência no curso, que é o sonho da minha infância. Estando em sobreaviso, poderia comparecer em tempo integral na faculdade nos dias que estava de folga. Em regime administrativo sou obrigado a trabalhar todos os dias, justamente nos horários em que se desenvolvem as aulas da Faculdade de Medicina. A inviabilidade de consensualização do horário de trabalho novo com as obrigações do curso é evidente. Dito isto, sonho em poder voltar a estudar Medicina na UERN; ver a justiça erguida e fundamentalmente que práticas perversas como estas não venha ocorrer com nenhum outro trabalhador. Que as gerações futuras na companhia tenham o prazer de dedicar-se com afinco e zelo e por isso ser reconhecida, e não castigada como está sendo no meu caso. Visto que a pior dor é a da alma, a depressão é malvada e insiste em não ir embora justamente porque estou levando uma vida a qual não suporto, pois não há como agüentar ver a minha decência e dignidade ser subtraída pela arrogância e insensibilidades de uns poucos.

    Fique à vontade para dizer mais alguma coisa.

    Constata-se que o assédio moral é prática odiosa, cometida pelo superior hierárquico ou colega de trabalho, que fragiliza o trabalhador assediado e o expõe a doenças de ordem psíquica e física. A vítima, não raro, é levada a pedir demissão e, em casos mais graves, chega até a cometer o suicídio.

    Os prejuízos desses afastamentos para a empresa tendem a ser ainda mais danosos quando o assediado é um empregado especializado na sua atividade, devido à maior dificuldade em sua substituição.

    Quando não está afastada do trabalho para tratamento de saúde (como é o meu caso), a vítima do assédio moral trabalha com medo, estressada, abatida, confusa, intranqüila, insegura, sem possuir, portanto, as condições ideais para que desempenhe adequadamente as suas funções.

    Esse quadro adverso afeta o trabalhador e reduz a sua produtividade. Particularmente, na noite anterior ao trabalho os remédios não surtem efeitos, não consigo dormir e são fortes as dores de cabeça.

    Os efeitos danosos para a sociedade não param por aí. O assédio, ao debilitar a saúde física e psíquica da vítima, aumenta a demanda por benefícios previdenciários pagos pelo INSS.

    Como vimos, a prática odiosa do assédio moral provoca efeitos danosos às empresas e à sociedade, a par daqueles ainda mais graves causados à saúde dos trabalhadores que dele são vítimas.

    Conseqüentemente, deve ser combatido, de modo contundente, por toda a sociedade e pelo estado.

  10. ANTONIO HOLANDA CAVALCANTE NETO diz:

    Está claro um caso de nepotismo dentro da Petrobras, a relação de um deputado federal com um ministro do TST, indicando um colega para assumir uma função de gerente setorial.
    Este fato já é de conhecimento de todos, revoltando o corpo gerencial, de engenheiros e técnicos. Todos sabem sobre isso e não se conformam com a situação. Mas, ninguém fez nada, até agora.
    A linha gerencial da Presidenta Graça Foster não é esta, pois ela quer banir, segundo reportagens nos grandes jornais, o favorecimento político-partidário dentro da Petrobras.
    Como o José Pedro de Souza, falou muito bem, estávamos diante de um gerente inexorável, que por ironia do destino foi destituído do cargo.
    São ações gerenciais desastrosas, mostrando abuso de poder e medidas infraconstitucionais.
    O nosso embate foi necessário, no meu caso, e não me restou outra medida se não protocolar uma ação de assédio moral contra o gerente citado pelo Pedro.
    A Petrobras, assim como o Estado do Rio Grande do Norte, com ação de seus funcionários e sociedade em geral, respectivamente, tem que fazer cair por terra estas velhas estruturas que só trazem destruição para o convívio humano.
    Não podemos deixar se instalar, dentro da`Petrobras, uma ditadura gerencial.
    Existem diversos casos de assédio moral, ao longo de sua história, mas sempre a maioria se acorvadaram para manter o “status quo” e não expor a forma como a empresa é gerida.
    O sindicato é nosso único aliado para denunciar a forma como a empresa é gerida, participando assim, de uma co-gestão com seus quadros gerenciais.
    É triste saber que a Petrobras foi escolhida como a empresa dos sonhos dos jovens brasileiros, mas eles não sabem o que já fizemos e passamos dentro de sua estrutura.
    O Brasil já não é o mesmo e devemos lutar para que prevaleçam os direitos constitucionais e, acima de tudo, a dignidade humana.

    Um Grande Abraço a todos, Antonio Holanda Cavalcante Neto

  11. @diariodoassedio diz:

    Algumas notícias que trouxeram a baila casos de Assédio Moral envolvendo a Petrobrás:

    “O Ministério Público do Trabalho (MPT) na Bahia pede multa de R$ 100 milhões para a Petrobras por suposta prática de assédio moral coletivo em uma ação civil pública em tramitação na Justiça do Trabalho de Salvador. Por meio da assessoria, a estatal negou a ocorrência de casos de assédio em unidade da empresa na Bahia.” Fonte: PRT22

    “Como a determinação prevê que a campanha deverá ir ao ar na emissora brasileira de maior au­diência nos intervalos da pro­gra­mação do horário nobre, entre os me­ses de março e abril, a Petrobrás terá a indigesta tarefa de veicular na Rede Globo a discriminação que vem cometendo contra os terceirizados.”
    Fonte: http://fnpetroleiros.org.br/?p=1557

    Sobre a 2ª notícia. Esta veiculação, eu pude assistir porque estive atento por ter sabido de antemão. O telespectador desatento, com certeza entendeu a campanha e até deve ter elogiado. A Petrobrás fazendo campanha em parceria com Ministério Público do Trabalho? Que bonito! Mas quem acompanha o tema sabe muito bem que a Petrobrás tem despendido indenizações vultuosas para com as vítimas.

    Os casos de Assédio Moral, infelizmente não tem diminuido, pelo contrário, dados dos Tribunais Regionais Trabalhistas dão conta do aumento. Isto leva a crer que para os empregadores vale o risco. Não há punição para os reais agressores. São as empresas ou os órgãos públicos que arcam com as indenizações.

    Há um Projeto de Lei – PL 4742/2001 que torna o Assédio Moral um CRIME. É só assim que poderemos mudar os rumos de quem pretende comandar através da truculência. Cobremos de nossos políticos posicionamento e engajamento, desde os vereadores, que hoje estão disputando suas cadeiras, até o presidente. Eles se interagem para articulações. Façamos nossa parte, cobrando primeiro quem está mais próximo e asssim por diante, através de e-mail´s também, que estão disponíveis nos sites das Câmaras e Assembléias.

  12. Anna e Carlos diz:

    Indignação é o que sentimos frente a situações dessa magnitude. Ao mesmo tempo somos convidados a refletir e também nos posicionar, afinal, não existe mais condições nem contexto para que se fique de braços cruzados quando se trata de injustiças e total falta de escrúpulos. Ao mesmo tempo, em meio a todo esse leque de informações também encontramos a alegria em ver a colaboração (verdadeiras demonstrações aqui postas) de colegas que tomaram conhecimento do problema. O desejo é que muitos e muitos outros venham a saber do que se passa nos bastidores, são problemas como esse que levam pessoas a sofrerem, são pessoas como essas (ditos gestores) que nos levam a pensar em onde e quem são os verdadeiros gestores, salientamos aqui que conhecemos verdadeiros gestores (são raros), enquanto que chefes existem de milhões, pessoas que pararam no tempo e congelaram ou até esqueceram valores (ou nunca os tiveram). Fica aqui a certeza de que somos vigilantes da justiça (e praticantes da mesma). E para aqueles que são chefes e acham possuir “poder intocável e infinito” uma alerta de que os olhos do mundo se abrem cada vez mais para atos irracionais e desumanos, traduzindo, pede-se licença para uma nova era, onde pessoas conhecem e buscam seus direitos, onde gestores assumem suas equipes como parte delas e pessoas enxergam além do que é dado, além de propagandas que passam na TV, muito além, vamos onde inteligência e coração nos levam e eles nos levam a busca por justiça! Registramos ainda nosso apoio incondicional a Hélio e demais que passaram ou passam por esta situação, registrando ainda nosso abraço forte e a certeza de que a justiça será feita e que suas vidas voltaram ao curso normal e tão sonhado.

  13. IVAM PASSOS VINHAS diz:

    Sou Engenheiro de Petróleo aposentado admitido em 1963 através de concurso.
    Por mais de 25 anos ocupei cargos de chefia e durante 10 anos fui Superintendente da Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão RPBC.
    Sempre joguei duro contra aqueles que agiam de uma forma não ética com consequências que poderiam denegrir o nome da empresa.
    Varias vezes não aceitei imposição de politicos que procuravam colocar pessoas nos quadros da Petrobrás.
    Em uma das dessas situações recebi o telefonema de um Deputado Federal de São Paulo dizendo que ele era o porta voz do Presidente da Petrobrás Sr. Ozires Silva e que se eu não admitisse a pessoa que ele estava recomendando meu cargo estava em risco porque a indicação era do Presidente e eu estaria contrariando uma ordem do Presidente.
    Respondi que iria pedir para o Presidente mandar me uma ordem por escrito para admitir tal pessoa e se ele mandasse eu o admitiria imediatamente.
    O Deputado desligou o telefone dizendo que eu iria arrepender.
    Nunca mandei perguntar nada para o Presidente e também nunca mais recebi telefonema do Deputado.
    Antes do nosso PT assumir o comando da Petrobrás essas situações eram comum mas, que eu saiba, ninguem entrava por indicação política.
    Ivam

  14. JOTA CARVALHO diz:

    Pergunta-se: Quando é que as autoridades competentes irão justificar sua existência para esse caso??? Por que o Ministério Publico não atua??? Por que não acionou a Polícia Federal para investigar o que ocorre as escondidas nesses contratos suspeitos que envolvem o denunciado??? Quem mais será que tem medo de tocar no imexível gerente, que se gaba em dizer que se cair, levará seus superiores (imediato e Gerente Geral)??? Quantos rabos presos numa trama só, hein??? E agora? Quem poderá nos livrar de assistir tamanha impunidade, e inanição das autoridades competentes, que em assistindo inertes, sinalizam a certeza de impunidade que tranquiliza o coração de todos os que acreditam que no Brasil o crime compensa sim!!! Lamentável.

  15. CARLOS EDUARDO diz:

    INFELIZMENTE ESSA SITUAÇÃO NÃO É EXCLUSIVIDADE DA GERENCIA DO RN AQUI EM MINAS GERAIS FATOS MUITO PIORES FORAM PALCO DO RECONEHCIMENTO JUNTO AO INSS (NA 1ª PERÍCIA) DO NEXO CAUSAL ENTRE O AFASTAMENTO DO EMPREGADO E O ASSEDIO MORAL POR ELE SOFRIDO DENTRO DA EMPRESA.

    PELO QUE ME CONSTA, ESTE FOI O 1ª CASO NO BRASIL DE RECONHECIMENTO DO NEXO CAUSAL DE ASSÉDIO MORAL JÁ NA 1ª PERÍCIA PELO INSS MOSTRANDO QUÃO GRAVES FORAM AS SITUAÇÕES VIVENCIADAS PELO EMPREGADO.

    MAS NÃO PARA POR AI, SEGUNDO INFORMAÇÕES, O SINDIPETROMG FOI OBRIGADO A EMITIR UMA CAT – ISSO MESMO OBRIGADO – PORQUE TINHA CONHECIMENTO DO CASO E NÃO TOMOU NENHUMA MEDIDA PARA EVITAR ESSA SITUAÇÃO MUITO MENOS TOMOU QUALQUER ATITUDE NOS INTERESSES DOS EMPREGADOS DA EMPRESA.

    ONDE ISSO VAI PARAR? A QUEM PODEMOS RECORRER? SERÁ QUE A GRAÇA FOSTER VAI COMPACTUAR COM ESSA SITUAÇÃO?

  16. Jacirio Inácio diz:

    Aos amigos Petroleiros vamos torcer para que o MINISTÈRIO PÙBLICO ainda tome conta destes escandalos, tenho fé em Deus de uma bomba estourar fipo a dos Precatorios aqui em Natal, isso só acontece no Rio Grande do Norte. este sofrimento tambem fui vitima de uma transferência forçada onde quase que minha esposa tambem perdia seu contrato como funcionária Pública.

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