quinta-feira - 05/09/2019 - 05:04h
Eleições 2020

A força do não voto e o decisivo papel da catequese eleitoral

Políticos têm pré-campanha e campanha pela frente para convencimento de uma multidão decisiva

Banido da Presidência da República após comandar um longo regime de exceção denominado de Estado Novo”, Getúlio Vargas mantinha postura de equidistância das eleições presidenciais de 1945. Contudo acabou sendo cabo eleitoral decisivo de um candidato na reta final da campanha: seu ex-ministro da Guerra – general Eurico Gaspar Dutra (PSD).

No dia 27 de novembro de 1945, cinco dias antes do pleito, ele pronunciou-se e defendeu o voto útil em favor de Dutra: “A abstenção é um erro. Não se vence sem luta, nem se participa da vitória ficando neutro”, resumiu em pronunciamento que contribuiu à vitória contra o principal adversário, o brigadeiro Eduardo Gomes (UDN).Noutro momento e num espaço geopolítico completamente diferente, a lição de Vargas segue valendo. Pode ser capaz de decidir os rumos das eleições sucessórias municipais em Mossoró, no próximo ano.

O não voto (abstenção/branco/nulo) é um contingente capaz de promover a vitória de um e a derrota de outro candidato, em face do tamanho de sua representatividade. Caso seja convertido para o modo ativo (voto válido), é uma massa poderosíssima.

Numa observação mesmo superficial e até simplista dos números das últimas eleições municipais (2016), em que houve vitória de Rosalba Ciarlini (PP), logo se contata que o não voto (ou alienação eleitoral) foi indiretamente importante à conquista dela. Bom número de eleitores não se identificou com ninguém e o capital próprio que a candidata possuía foi suficiente para fazê-la ganhar.

Dos 167.120 mil votantes habilitados, 131.988 tiveram votos validados. O não voto somou 35.073, sendo 22.683 (13,59%) de abstenções, 2.974 (2,06%) de votos em branco e 9.416 (6,54%) de votos anulados.

Eleições 2016

– Rosalba Ciarlini (PP) – 67.476 (51,12%)
– Tião Couto (PSDB) – 51.990 (39,39%)
– Gutemberg Dias (PCdoB) – 11.152 (8,45%)
– Josué Moreira (PSDC) –  1.370 (1,04%)
– Francisco José Júnior (PSD) – 602 (Votos inválidos)
– Branco – 2.974 (2,06%)
– Nulo – 9.416 (6,54%)
– Abstenção – 22.683 (13,59%)
– Válidos – 131.988
– Eleitores Aptos – 167.120
– Maioria pró-Rosalba Ciarlini de 15.486 (11,73%).

A maioria de Rosalba Ciarlini sobre seu principal adversário, Tião Couto (PSDB à época), foi de 15.486 votos (11,73%). Mas quando se somam os votos de todos os seus quatro adversários (um deles desistente, o então prefeito Francisco José Júnior-PSD), sua vantagem cai para apenas 2.362 votos (1,74%).

Tião Couto, Gutemberg Dias (PCdoB), Josué Moreira (PSDC) e Francisco José Júnior totalizaram 65.114 votos (49,38%), contra 67.476 (51,12%) de Rosalba.

Caminho pro vencedor

Da pré-campanha à campanha do próximo ano, as forças políticas envolvidas na disputa mossoroense não podem desconsiderar esses números e ignorar o poder decisivo do não voto. Identificar o porquê do alheamento e convencer parte dessa multidão a refletir sobre seu papel, deixando de ser um peso “neutro”, como identificou Getúlio Vargas, é uma missão arrojada que pode abrir caminho pro vencedor.

Há alguns meses, mesmo de forma tímida e desarticulada, algumas vozes oposicionistas passaram a defender a realização de uma campanha de esclarecimento para convencer milhares de eleitores que residem em Mossoró, mas que votam noutros municípios, a formalizarem domicílio eleitoral no município.

Eleitores aptos em Mossoró (10 Eleições Municipais)

2016 – 167.120

2014 – 164.940 (pleito suplementar)

2012 – 164.975

2008 – 153.027

2004 – 143.235

2000 – 127.894

1996 – 114.218

1992 – 99.623.

1988 – 80.397

1982 – 67.041

A esperança é de que possam provocar realização de um segundo turno, com alcance de 200 mil eleitores já no próximo ano. Trata-se de  um atalho complexo, baseado em desconhecimento mínimo dessa situação. Nas eleições estaduais do ano passado, o eleitorado em Mossoró foi de 174.189.

Poucas variações

Em relação ao pleito municipal de 2016, o aumento foi de 7.069 novos eleitores. Mas daí a saltar para 200 mil em tão  poucos meses, é puro delírio. Há uma estrada mais curta, apesar de acidentada, para se aproximar de um sucesso eleitoral.

Se há insatisfação, se existe indignação com o que se testemunha, não existe outra saída. O caminho não é sair da cidade ou se homiziar em casa. O remédio é ir às urnas. A classe política que se vire para ser convincente na catequese, até porque o não voto é um comportamento historicamente minoritário, com poucas variações de eleição para eleição, mas de suma importância na soma final.

Basta lembrar de Vargas.

Leia também: Conheça resultados e história de quase 50 anos de eleições municipais.

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Categoria(s): Política / Reportagem Especial

Comentários

  1. Inácio Augusto de Almeida diz:

    O problema maior é que falta na oposição mossoroense um nome que empolgue o eleitorado.
    Aparecerem candidatos que só faltam gritar pedindo ser o vice na chapa situacionista. O povo não é bobo e tudo percebe. Percebe e desacredita do candidato que busca apenas uma boquinha.
    Um dia vai aparecer um nome sem ambições pessoais e que tenha como objetivo único levar Mossoró ao seu destino de grandeza. Será uma campanha de cunho popular, sem grandes partidos apoiando e com as redes sociais totalmente dedicadas a trabalharem em prol da candidatura sem nada esperar em troca.
    A dor ensina a gemer.
    Um dia Mossoró se cansará de ver os mesmos políticos de sempre, políticos que estão destruindo Mossoró,
    DEUS SEMPRE MANDA ALGUÉM.

  2. Bruno diz:

    Quando vc acha que teremos segundo turno em Mossoró ?

  3. Q1Naide Maria Rosado de Souza diz:

    Uma multidão não votou. Se apresentando, elegerá o futuro prefeito. Os que se calam diante das urnas parecem desconhecer a sua força.

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