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domingo - 27/02/2011 - 16:51h

A morte civil de um jornalista



"Carlos Santos não está sendo processado: ele está sendo caçado" (Emanoel Barreto)

Ao que percebo, o jornalista Carlos Santos não está sendo alvo unicamente de uma atitude, digamos assim, judicial, por parte da Prefeita: o volume de atos processuais, a gana. 0 desejo agudo, o apetite jurídico intencionado, vai muito além da retribuição punitiva a seus comportamentos editoriais: o intento que se percebe à sombra de tal cachoeira jurídica é de destruição, de devastação mesmo; aniquilamento, extermínio moral, quero dizer.


Ao que suponho, a mente jurídica encarregada de julgar os feitos, como se diz no esoterismo típico do mundo das leis, deveria levar em consideração o que está por trás da intenção do volume de processos enfeixados. O quero dizer é o seguinte: o fardo de processos formula uma assertiva subliminar, uma outra mensagem que não é a de apenas processar .

Uma assertiva social e antidemocrática, algo que vai além do processo: revela o que acabei de sinalizar: não se pretende punir um jornalista por excessos ou até mesmo injustiças praticadas via juízos de valor errôneos cometidos a respeito da Prefeita.

O intento é bem outro: trata-se de atitude política – que vai além do jurídico para chegar a outro plano: o que se pretende é uma certa forma de morte civil do processado, sua sufocação e débâcle, impedimento total a que manifeste suas opiniões.

Carlos Santos não está sendo processado: ele está sendo caçado. 


Quem entende minimamente de comunicação saberá do que estou falando: atos, gestos comportamentais, são também atitudes de comunicação positiva; sendo assim, o ato de acusá-lo em tal volume compõe uma mensagem subtextual. Uma mensagem comportamental, que trai o intento opaco, contido na massa da mensagem jurídica dos processos: o que está dito?

Entendo que seja o seguinte: não admitiremos quaisquer opiniões desse jornalista; tudo o que ele disser e puder ser juridicamente apenado será apenado. 

Daí a obsessiva, enfática atitude de processar, processar, processar, processar, processar, processar… Nem Kafka faria melhor.
Para não render mais: falhas de jornalistas podem e devem ser juridicamente questionadas. No caso, todavia, o intento é bem outro. Creio que fui bastante claro.

Emanoel Barreto é jornalista e professor de Comunicação Social da UFRN, doutor em Ciências Sociais e editor do blog "Coisas de Jornal" AQUI.


Categoria(s): Fred Mercury

Comentários

  1. Cláudinha Dias diz:

    Olá,
    Carlos
    Boa tarde!!!
    Sou leitora assidua do seu blog, moro em Brasília a quase 5 anos e seu blog esta na minha lista de favoritos, gosto de seu textos e vejo no senhor um jornalista diferenciado.
    Estou acompanhando mesmo de longe a LUTA da Governadora por recursos e obras para o meu querido RN, mais não tem sido fácil e olhe que aqui ela tem um Ministro a disposição para acompanha la e ajuda la nos pleitos do Estado, sem contar o prestigio do lider do PMDB que fez a mesma ter um encontro com a Presidenta Dilma em menos de 240 minutos de solicitação, mais acredito que sua força de vontade e determinação fará dela uma Governadora diferenciada, sem contar do privilégio de ter ao seu lado não apenas um marido, mais um homem de espirito público fantástico que faço questão de chama lo de PROFESSOR.
    Cláudinha Dias

  2. Graça Sabino diz:

    Belo texto! Gostaria apenas de acrescentar à interpretação da “mensagem sub textual” que não apenas trai o intento da mensagem jurídica dos processos, o “dito” velado: a verdade insuportável trazida à tona pelas palavras do jornalista. Ela trai também os resultados desse ato: não assistimos apenas “a morte civil do jornalista” como sugere o título do texto. Muito mais do que isso, assistimo a ascensão de um jornalista/blog a nível nacional e internacional – basta ler as repercussões nos blogs do Brasil e do mundo (Journalism in the Americas, entre outros). Realmente, nem Kafka faria melhor.

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