domingo - 17/04/2011 - 11:49h

A quem Jácome acusa?


Ao longo desta semana o deputado e ex-pastor Antonio Jácome (PMN-RN) foi manchete em quase todos os jornais (impressos e televisivos) e blogs do Estado. O assunto que o levou a ocupar este precioso espaço foi de cunho pessoal e, ao meu ver, de ordem restrita ministerial.
 
Embora advogue que quando um cidadão busca ocupar espaços públicos a sua vida e os seus atos, públicos ou privados, passam a merecer uma atenção especial da sociedade, principalmente aquela mais imediata ao sujeito.
 
Desde o início das investigações do grupo de pastores sobre o episódio atual envolvendo o ex-pastor Antonio Jácome que fiquei sabendo das comprovações e das conseqüentes medidas que a Igreja Assembléia de Deus do RN, através de seu íntegro ministério, poderiam tomar. Acredito que os meus poucos leitores esperaram que eu, que sempre estou me opondo a ações políticas do deputado Jácome, noticiasse aqui no blog o assunto. Alguns até cobraram.
 
Minhas fontes foram tão fiéis que as informações me eram repassadas, muitas vezes, na mesma hora em que os fatos e as reuniões se sucediam.
E aí você me pergunta: e por que não noticiou? Porque não detonou a bomba contra o ex-pastor Antonio Jácome aqui no blog?
 
Vou responder:

O deputado Antonio Jácome foi, como político, quase uma cria de meu pai, pastor João Gomes. Por esta ligação guardamos, apesar das divergências políticas, linhas de comunicação com familiares seus e mantemos amizades em comum na igreja e no ministério assembleiano.

O assunto tratado no âmbito da Comissão de Pastores que o investigava no princípio das acusações e logo depois na Comissão que definiu pela sua exclusão do colegiado de pastores, no meu entendimento, era um assunto muito delicado.

De posse de todas as informações mantive, em comum acordo com familiares e amigos, uma distância privilegiada. Não noticiei, não comentei. Recebi recomendações da minha genitora, irmã Angelita Gomes, amiga da família Jácome, para me manter na neutralidade sobre o referido assunto. Cumpri com estas e com as minhas próprias determinações.

 
O assunto veio à tona e houve alguns exageros.

Era impossível que algo tão maléfico à doutrina exposada pela Igreja fosse abafado e conseguisse escapar da indignação de tantos que já sofreram nas mãos de Antonio Jácome. A Bíblia Sagrada, regra de fé dos verdadeiros cristãos, condena claramente o adultério e o aborto.

Ela também afirma, de forma categórica que não há nada encoberto que não venha a ser revelado. O deputado e ex-pastor Antonio Jácome sabia e sabe de tudo isso, até mesmo porque se credenciou como um dos mais respeitados teólogos da Igreja no RN.

 
O Jornal de Hoje, periódico que levantou a questão de forma pública, tem o dever de preservar seus informantes. Isso é ponto pacífico. O que me causou estranheza foi a forma como o assunto foi tratado.

Outro equívoco partiu do próprio deputado. Ao usar a Tribuna da Assembléia e os principais jornais e telejornais do Estado para se pronunciar sobre o assunto agiu impensadamente. Sem uma boa assessoria e sem um grupo político que lhe aconselhe em decisões tropeçou na sua própria fala.

Trouxe à tona um assunto que a cúpula assembleiana já havia encerrado há quase vinte anos atrás. Na época os jornais de Natal denunciaram Antonio Jácome por abuso sexual contra menores, fato apurado por uma Comissão da Igreja que o inocentou. Os novos eleitores do deputado, aqueles de dezesseis e dezoito anos, não tinham notícia desta acusação. Agora já sabem!

 
Depois deste deslize o ex-pastor passou a acusar tudo e todos. Afirmou que se a Igreja provasse a acusação de adultério e aborto renunciaria o mandato de deputado estadual. Foi além: afirmou que estava sendo chantageado e perseguido neste episódio.
 
Ora deputado, a Comissão de Pastores que decidiu pela sua exclusão ministerial é formada por homens de conduta ilibada e sobre eles não pesa nenhuma acusação desta natureza.

Quem lhe chantageia? Pastor Raimundo Santana? Pastor Elinaldo Renovato? Não acredito que nenhum dos dois tenham o interesse em lhe prejudicar ministerial e politicamente. Quem lhe persegue? Pastor Martim Alves, seu correligionário incondicional, confidente e amigo de todas as horas? Também não creio.

 
Será que não tens, deputado, nenhum conselheiro no seu grupo que lhe oriente antes que se exponha publicamente de forma tão desastrosa?

Não acredito que a Igreja Evangélica Assembléia de Deus no Rio Grande do Norte (IEADERN), por meio das centenas de obreiros (pastores, evangelistas, presbíteros e diáconos) e nem tampouco seus quase 60 mil membros (a maioria seus eleitores) tentem lhe perseguir ou chantageá-lo de alguma forma.

Convém repensar sua estratégia de enfrentamento da questão.

É hora de se espelhar no salmista Davi, pastor e rei, homem público como você, vítima das mesmas paixões que lhe atormentam nesse momento e aceitar a disciplina e a correção imposta pela Igreja de forma humilde e aguardar o perdão de Deus.

Essa é a verdade!


Jaílson Gomes é sociólogo e cientista político

Categoria(s): Fred Mercury

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