domingo - 05/04/2020 - 08:44h

A teimosia em tempos de Covid-19


Por Odemirton Filho

O meu pai anda entediado e chateado. Diz que depois de idoso os filhos querem mandar em sua vida e lhe dizer quando poderá sair de casa.

A sua rotina, segundo me disse, é ficar vendo a TV, lendo, aguando as plantas, limpando a casa do cachorro e, de vez em quando, acessando a internet, uma vez que não é afeito às redes sociais.

Para ele, esse isolamento social é um verdadeiro tormento. Minha mãe não o deixa quieto. Sempre pedindo de forma “carinhosa” para que faça algum serviço doméstico.Reclama, ainda, que ao ver o noticiário não sabe em quem confiar. Há opiniões contraditórias sobre o distanciamento social, se deverá observar o isolamento vertical ou o horizontal.

A saída de casa, às vezes, é para ir à padaria comprar pão. Até a feira é por delivery, veja só.

Segundo ele, ainda tem o noticiário diário batendo na mesma tecla: ficar em casa, usar máscara, lavar bem as mãos e usar álcool gel 70, enfim, o que todos devemos fazer para impedir a disseminação do coronavírus.

Como começou a trabalhar ainda criança, ajudando na mercearia de Pedro Pereira da Costa que no ficava mercado central de Mossoró, acha que deixar de trabalhar é um exagero.

O pior não é ficar em casa, o pior é ter que aguentar a sua mãe chamando constantemente para reclamar ou mandar fazer algo. Nessa idade ficar levando “batido”!

Tento convencê-lo, por telefone, que o isolamento social é imprescindível, conforme os especialistas.

Seja qual for o isolamento social indicado, como ele faz parte do grupo de risco, com isso mais vulnerável à Covid-19, é recomendável que permaneça em sua residência.

Apesar de continuar a reclamar, entende a gravidade da situação e, por enquanto, encontra-se sem “arredar” o pé de casa.

Ô velho teimoso.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Categoria(s): Crônica

Comentários

  1. FRANSUELDO VIEIRA DE ARAÚJO diz:

    Caro Odemirto, no caso, absolutamente compreensível as lamúrias,reclamações incompreensões e reclamações “naturais” da idade e do tempo em que vosso pai nasceu.

    Ainda assim, temos que, ao mesmo tempo ser empáticos e relativamente severos quanto às regras de isolamento social , não só para com os idosos, haja vista termos conhecimento de varias mortes de pessoas, as quais, inicialmente, em tese, não teriam maiores preocupações, já que não estariam insertas no chamado grupo de risco…!!!

    Um baraço
    FRANSUÊLDO VIEIRA DE ARAÚJO.
    OAB/RN. 7318.

  2. Rocha Neto diz:

    Amigo, realmente ficamos ranzinza com o passar do tempo, tô no grupo do seu velho pai, é não saio de casa só pra comprar o pão não, saio pra resolver dezenas de assunto. Respeito às orientações técnicas para me precaver contra este invisível inimigo COVID19, vejo-o como um alerta de Deus para a humanidade que nos atuais dias não têm freios e sentimentos humanitários, são incrédulos com as coisas do alto. Então estamos pegando um preço por diversos motivos, é um deles talvez o pior, a falta de respeito, fé, caridade, fraternidade e igualdade. Que o atual momento sirva de lição para todos. E que politização cafajeste encetada pelos que vivem nos palácios de Brasília, está sim receba a sua maior punição. Que Deus abençoe todos que a Ele teme e treme.

  3. Q1naide maria rosado de souza diz:

    Prof. Odemirton, difícil ficar em casa quando se tem, desde cedo, vida ativa. No entanto, sem opção, só nos cabe aceitar o confinamento. Ando aprendendo umas fórmulas na Internet. Quase virando alquimista, freei a atividade quando temi um ingrediente agressivo. Seria uma idosa explosiva, quase terrorista, com as minhas fórmulas mágicas.
    Amanhã começam as aulas por vídeo, então estarei bem ocupada atenta ao trabalho escolar dos netos mais velhos.

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