domingo - 25/02/2018 - 10:32h
COLUNA DO HERZOG

A tragédia da omissão que se repete na terra do já-teve


Por Carlos Santos

A Universidade do Estado do RN (UERN) vive um momento crucial de sua história, que se aproxima dos 50 anos. Apesar de toda essa longevidade, ela não está firme, forte e consolidada.

Em boa parte, essa instabilidade pode e deve ser creditada à própria fragilidade do erário estadual e uma conjuntura nacional delicada. O governador Robinson Faria (PSD), chanceler da instituição estadualizada ainda nos anos 80, é o alvo das principais críticas, como se fosse culpado de tudo.

Mas é preciso também que olhemos nessa crise (que não é nova nem pontual) para a própria sociedade mossoroense, berço e útero da Uern, que costumo definir como “a maior obra humana de Mossoró”.

É estranho que nesse instante crucial da universidade, a sociedade praticamente fique alheia ao que acontece com a instituição. Para muitos, uma greve de mais de 100 dias não passa de radicalismo de professores e servidores em relação ao governo. Para outros, “devia fechar mesmo e pronto”.

Enfim, não é problema meu ou nosso.

Que a maioria pense assim, até por não ter capacidade crítica e conhecimento suficiente sobre o papel e importância da Uern, é compreensível. Mas é inaceitável que o próprio Executivo municipal não tenha uma atitude proativa no episódio. Esconde-se.

Como achar natural que entidades como Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Sindicato do Comércio Varejista (SINDIVAREJO), Associação Comercial e Industrial de Mossoró (ACIM), Rotary, Lions, Maçonaria e outras instituições de peso ignorem tudo e não se juntem – escudando “nossa Uern”?

Talvez só percebam seu valor numa eventual perda. Aí ficará valendo aquela máxima: somos a “Mossoró do já-teve”.

A história de omissão se repete como uma tragédia. É a prova também de que o epíteto “Terra da liberdade” deve ser compreendido como uma piada de mau gosto. Farsa. Não o leve a sério.

PRIMEIRA PÁGINA

Tem zunzunzum por aí sobre articulação para rifar a candidatura à reeleição do senador José Agripino (DEM). A empreitada envolveria gente do empresariado e até do outro extremo – a esquerda. Não faltaria ainda o “fogo-amigo”, digamos. Ouvido ao chão, senador. Acautele-se. O mais inocente aí gosta  de dar rasteira em cobra e olhar a mãe do outro tomar banho nua.

Apesar de ter ruminado a ideia de ser candidato ao Senado no auge da sua aceitação político-administrativa no primeiro semestre de 2014, o ex-prefeito mossoroense Francisco José Júnior (sem partido) calibra os passos noutra direção. Ele e a ex-primeira-dama Amélia Ciarlini projetam fazer curso de medicina no Paraguai, mas com residência em Foz do Iguaçu-PR. Um filho do casal já cursa medicina no Ceará. A política pode esperar.

Amélia Ciarlini e Francisco José Júnior já têm um filho como acadêmico de medicina no estado do Ceará (Foto: PMM, 2014)

O presidente da Câmara Municipal do Natal, da Federação das Câmaras Municipais do RN (FECAM) e mais recentemente do partido Avante, Raniere Barbosa, decidiu que não será candidato à Assembleia Legislativa, como chegou a planificar e agir durante muito tempo. A “Operação Cidade Luz” (veja AQUI) arranhou sua fuselagem política. A aposta é mesmo numa candidatura à Câmara Federal, de sua mulher Karla Barbosa, e montagem de uma nominata que viabilize eleição de pelo menos um deputado estadual.

O nome do empresário Luiz Roberto Barcelos (sem partido) é o preferido por algumas lideranças políticas e empresariais influentes, como segunda opção ao Senado. Mas nada dessa balela de “chapa empresarial”. As conversas podem evoluir nesse mês de março. Ou não.

O governador Robinson Faria (PSD) anima-se e sonha com a possibilidade de ser reeleito. Suas movimentações na mídia na última semana deram sinais disso. A estratégia no campo administrativo é criar uma bolha de otimismo e viabilizar saneamento de deficit da folha de pessoal, além de sensação de melhoria na segurança/saúde. Na esfera política, ele começou a provocar polarização com o atual prefeito do Natal e virtual candidato ao governo, Carlos Eduardo Alves (PDT). O Blog Carlos Santos na Coluna do Herzog do domingo passado (18) postou comentário sob outro viés. Leia: Tratem bem Robinson Faria; vocês podem precisar dele.

Ninguém ouse pelo menos insinuar que o deputado federal Beto Rosado (PP) será encaixado como vice, numa chapa majoritária este ano. Seu pai e ex-deputado federal Betinho Rosado (PP) é absolutamente arredio a ideia. Seu irmão e líder do rosalbismo, ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado, sabe bem disso.

Pai e filho: vice, não (Foto: Web)

Alerta, alerta geral. Para 2018, os partidos terão que alcançar ao menos 1,5% dos votos válidos, distribuídos em, no mínimo, nove estados, com ao menos 1% dos votos em cada um deles. Trata-se da “Cláusula de Desempenho” (entenda melhor clicando AQUI). Como alternativa, as siglas devem eleger ao menos nove deputados, distribuídos em, no mínimo, um terço das unidades da Federação. As exigências aumentarão de forma gradativa até 2030. Se não atingirem um desempenho eleitoral mínimo, não terão direito ao tempo de propaganda e acesso ao fundo partidário. Morrerão por inanição paulatinamente. Por isso que a prioridade dos partidos este ano não é disputa a governador, mas à Câmara Federal.

Costuras preliminares nos intramuros da política de Mossoró buscam a formação de um grupo político alternativo às próximas eleições municipais, lá em 2020. Nele, não entrariam as forças tradicionais nem emergentes que apareceram nas urnas nas eleições municipais de 2016. Ah, tá!

O PR pode ter um sobrepeso na chapa proporcional à Assembleia Legislativa neste ano. Nomes como do deputado estadual George Soares, da primeira-dama de São Gonçalo do Amarante, Terezinha Maia, além do empresário e ex-candidato a vice-prefeito de Mossoró em 2016, Jorge do Rosário, devem carregar a votação. Mesmo bem votado, alguém pode sobrar.

O quociente eleitoral (divisão dos votos válidos pelo número de cadeiras em disputa) da eleição à Assembleia Legislativa em 2014 ficou em 69.097 votos. A expectativa que se tinha à época, era de que chegasse aos 75 mil votos. Em relação a 2018, se houver confirmação de debandada de eleitores e ampliação de votos nulo/branco, esse número pode cair mais. Campeão de votos como Ricardo Motta (PROS à época, hoje no PSB), com 80.249 votos, é praticamente impossível. Vamos recapitular como ficou a distribuição de votos à AL àquela época: Votos apurados – 1.935.105; Votos válidos – 85,70% (1.658.348); Brancos – 6,43% (124.441); Nulos – 7,87% (152.316); Abstenção – 16,83% (391.478); Quociente eleitoral – 69.097. Veja AQUI a relação dos eleitos e respectivas votações em 2014.

A vereadora grossense Clorisa Linhares (PSDC) movimenta-se desde o ano passado como o primeiro nome declaradamente pré-candidato ao governo do estado em 2018. Mas seu olhar de verdade mira outra disputa executiva. Objetivo é a Prefeitura de Grossos (região da Costa Branca) em 2020, num ambiente político em que a oposição há anos racha e sempre favorece o governismo.

Partido do vice-governador Fábio Dantas, o PCdoB vai se inclinar à coligação com o PT da senadora e pré-candidata a governador Fátima Bezerra (PT). A saída da legenda do vice-governador e de sua mulher e deputada estadual Cristiane Dantas será o divisor de águas dessa alteração de rumos. Fábio e a mulher já afivelam malas para o troca-troca partidário. Ele costura desembarque no PSB. Ela pode se encaminhar para o PPL ou outra sigla de pequeno porte.

EM PAUTA

Diocesana – A Faculdade Diocesana de Mossoró (FDM) lançou nova campanha de Pós-graduação, com 19 novos cursos oferecidos. Ao todo, a instituição sediada em Mossoró alcança 34 pós-graduações e marca o seu projeto de extensão para outros municípios. A primeira cidade a ter a presença da faculdade é Apodi. Depois virão Assu e Caicó. Acesse AQUI a página da FDM.

Pneumonia – Depois de passar alguns dias em repouso e afastado do trabalho, o radialista Haroldo Jácome retoma ritmo normal na Rádio Difusora de Mossoró esta semana, com o programa “Super Manhã Difusora”. Um princípio de pneumonia o afligiu. Pádua Júnior substituiu-o com louvor. Saúde, meu querido. Simbora!

Haroldo: saúde (Foto: arquivo)

Diária – O Governo do Estado publicou nesse sábado (24) no Diário Oficial do Estado (DOE), Lei Complementar que “Dispõe sobre o pagamento de diária operacional. O valor fica em R$ 107,40 (cento e sete reais e quarenta centavos). Veja detalhes AQUI.

Sátiro – O ex-reitor da Universidade do Estado do RN (UERN) e um dos mentores de sua estadualização, padre Sátiro Cavalcanti Dantas, apareceu na assembleia geral dos professores na sexta-feira (23). Aos 88 anos, segue na defesa da maior obra humana de Mossoró (veja AQUI).

TJRN - Sempre tão criticado, também merece aplausos o êxito do Tribunal de Justiça do RN (TJRN), que alcançou o 1º lugar entre as 27 cortes congêneres do país, em termos de desempenho na resolutividade processual. Atingiu esse patamar com o percentual de 154,12% em 2017, julgando maior número de demandas do que o número recebido. Bravo!

Pedro Lenza – O consagrado professor e escritor forense Pedro Lenza estará em Mossoró no dia 26 de abril, no Teatro Municipal Dix-huit Rosado. Ele é autor do livro de Direito Constitucional mais vendido do Brasil!

SÓ PRA CONTRARIAR

Alguém aí notou que Mossoró ficou sem prefeita e vice e a Câmara Municipal só retornará dia 2 de março? Ótimo.

GERAIS… GERAIS… GERAIS

Relo: "Mãe-Dágua" (Foto: Luís Gomes Tur)

A Cachoeira do Relo em Luís Gomes (a 195 quilômetros de Mossoró), nascente do Rio Mossoró, começou a vicejar com as chuvas desse inverno que ainda está longe de se consolidar. Ela tinha desaparecido há cerca de 6 anos, devido a seca. É nossa “Iara”, a Mãe-D’água.

São as mesmas águas que encharcam o chão/E sempre voltam humildes/Pro fundo da terra“. (Planeta Água, Guilherme Arantes – veja letra e música AQUI).

Em função de sobrecarga de trabalho, o chargista Túlio Ratto “pediu um tempo”. Sua secção “Janela Indiscreta” desta coluna vai ficar um período fora do ar, até ele dar outra vez o ar de sua graça. Combinado.

Obrigado à leitura do Nosso BlogChrystian de Saboya (Natal), Mário Ilo (Tibau) e João Carlos Brito (Mossoró).

Veja a Coluna do Herzog do domingo (18) passado, clicando AQUI.

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Categoria(s): Política

Comentários

  1. Bruno de Lira Alves diz:

    Sabe, os professores, na última assembleia, tiveram a oportunidade de acabar com a greve e recomeçar… Mas não fizeram isso. Decidiram continuar. Decidiram ficar em casa, recebendo, mesmo que atrasado, os seus salários, muitas vezes, até sem os merecer… Sim, sem merecer. Fui, há bem pouco tempo, aluno da UERN, em Mossoró. E foi bem fácil perceber a pouca, ou quase nenhuma, dedicação dos docentes em fazer com que a sociedade e o governo, ou quem quer que seja, desse o devido valor à instituição. Professores que chegavam às 8h, quando a aula tinha início às 7h. Professores que faltavam às aulas, ah… esses eram muitos. E o que dizer das aulas em bloco?! Sim, na UERN existe a tal aula em bloco. Funciona assim: as quatro aulas semanais são ministradas em menos de duas horas, em um único dia da semana; em vez de duas aulas em dois dias da semana, como acontece nas outras instituições superiores, como na UFRN, por exemplo, onde também fui aluno. Quando eu estudava na UERN, pela manhã, a aula que deveria começar às 7, começava às 8h. Decorrida 1h de aula, ou seja, às 9h, muitos alunos que haviam saído cedo de casa, muitas vezes sem comer nada, sem falar daqueles que saíam ainda mais cedo, por morarem numa cidade diferente, já estavam implorando pelo intervalo, que era, de plano, atendido pelo pontual e assíduo professor. Mas todos nós sabemos que o intervalo nunca é respeitado, (nem na UERN, nem em lugar algum) sempre se ultrapassa o seu limite, que é de apenas 15 minutos. Assim, os 15 eram transformados em 30, no mínimo. Ainda, não era raro, temos de aguardar a volta do Professor, que ainda estava não havia voltado do seu intervalo… Então, às 10h, depois de mais 1h de aula, chegava a hora de acabar a aula, pois muitos alunos tinham de sair nesse horário, para que assim não perderssem o seu ônibus, ou a carona… Ah… lembrei-me agora das muitas vezes que fiz prova sem professor, ficalizado apenas por um monitor, ou algum servidor da secretária ou do departamento, função que lhes era atribuída, indevidamente, pelo professor… Poucos são os professores da UERN que merecem ser ressalvados, assim como são poucos àqueles que merecem ganhar o que ganham… Dedicação exclusiva na UERN? Sim, muitos recebem para isso, mas não é o que se vê, na prática…Portanto, se a UERN se encontra, hoje, fragilizada, sendo alvo de comentários cujo objetivo é desqualificá-la, extingui-la, a culpa é tão somente daqueles que realmente mandam na UERN: os professores! E mandam muito mal. Nunca vi gestores tão ruins. Um dos piores descalabros administrativos que vi foram os núcleos avançados, que foram criados sob o argumento fajuto de interiorização da UERN e do ensino púbico, gratuito e de qualidade… Ora, ora, foram criados para encher, ainda mais, os bolsos dos professores com os petitosos adicionais… Professores que viajavam quilômetros para ministrar aulas para 3 ou 4 alunos. Esse foi só um exemplo das muitas falhas cometidas! Enquanto isso, faltava papel higiênico nos banheiros e, quando se tinha um ar-condicionado na sala de aula, era consequência de uma rifa realizada pelos alunos… É por isso e mais algumas outras coisas, as quais não terei paciência de relatar, que a UERN se encontra fragilizada… É por isso que a sociedade, a CDL, a Lions e outras entidades preferem se omitir a defender uma universidade mandada por professores que brincam de administradores…

  2. Amorim diz:

    Não.

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