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domingo - 29/05/2011 - 12:11h

Apanhadas no chão



- De um amigo meu, no bar: "Trabalho tanto que não tenho tempo para nada; à noite, bebo um pouco para lembrar as minhas mágoas."

– De um vendedor de cinzeiros de barro em Belém: "Se eu escrever com C, em vez de S, ninguém vai comprar."

– De um conhecido meu, quando lhe disse que certo homem público, embora de poucas luzes, era grave e honesto: "O jumento também é grave e honesto."

– Do mais preto, passando por mim, quando o menos preto lhe disse que ele só pensava em mulher: "Ué, pensar então em quê?"

– De uma expressão mineira: "Fala mais que pobre na chuva."

– Do finado Humphrey Bogart: "Um homem está sempre duas doses abaixo do normal."

– De um forjador de provérbios: "Caranguejo idoso pensa muito e brinca pouco."

– De um velhinho, ante o ar conjectural do caixeiro, quando pediu na livraria um manual sobre limitação de filhos: "Não é para mim; é para papai."

- Do matuto para o médico: "Foi tiro e queda, doutor: a pílula desceu e parou direitinho na casa da dor."

- De um velho do interior ao provar soda pela primeira vez: "Tem um gostin de pé dormente."

– De Jaime Ovalle: "O importante não é saber se a pessoa gosta de uísque, mas se o uísque gosta da pessoa."

– De Camilo Paraguassu, em um poema: "Vista de Paquetá, a lua é linda."

– De Garrincha, muito absorto, meio segundo antes de ser dada a saída no jogo do Brasil com o selecionado soviético em 1958: "Olha ali, Nilton, aquele bandeirinha é a cara de seu Carlito…"

– Do mesmo, contando ao colega onde comprara uma gravata (Roma): "Foi naquela cidade onde seu Zezé levou aquele tombo no vestiário."

– Do mesmo para um companheiro de pelada: "Quer parar de driblar!"

– De Osvaldo Cabeça de Ovo, no dia em que seu time de areia perdia de cinco a zero: "Arrecui os arfe para invitar a catastre."

– Do treinador, também de praia, Trindade: "A missão do centrefór é atrapaiar os beque."

– De um outro treinador para o goleiro: "Carambolou, arreia."

– De um torcedor a meu lado, vendo uma jogada magistral do enciclopédia Nilton Santos, errando, paroxismado, na tônica: "Dá-lhe, catédra!"

– De Graciliano Ramos, quando ouviu pela primeira vez um rouxinol: "Eta passarinho chato!"

– Do cabo Firmino, na revolução de 30, promovido pelo comandante da Força Pública Mineira, por ato de bravura em batismo de fogo: "Uai, seu coronel, tava pensando que era manobra."

– De Hemingway sobre a famosa modelo Kiki de Montparnasse: "A única mulher que nunca dormiu em sua própria cama."

– De um estudante para mim: "Escritor é o Euclides! Olha só: O sertanejo é — vírgula! — antes de tudo — vírgula! — um forte — ponto!"

Paulo Mendes Campos – (1922-1991) – Escritor e cronista mineiro

* Crônica extraída do livro "Rir é o único jeito", Editora Tecnoprint – São Paulo, 1976, págs. diversas.

Categoria(s): Blog

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