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domingo - 31/12/2017 - 02:28h

As escadarias de Zé Félix

Por Odemirton Filho

O veraneio em Tibau se aproxima. Lembranças daquele tempo. A nossa infância e juventude são marcadas por momentos, alegres e tristes, pitorescos, que afloram na nossa mente. É o passado que sempre assalta o presente, na vã tentativa de resgatá-lo.

Na infância, as ruas não eram pavimentadas, pisávamos na areia, descalços, sem compromisso de formalidade ou de vestimenta adequada. Livres, leves e soltos, como se diz. As moças não tinham no rosto as maquiagens, eram simples, também bonitas. Os rapazes sem cultuar os músculos ou seus corpos. Somente éramos.

Pela manhã, íamos à praia sob um sol escaldante, ficávamos horas a fio, sem medo do bronze. O picolé barato, de morango, derretia em nossas mãos. À tarde, no alpendre das casas, esperávamos o “gelé” e o grude, que logo passavam, regado a café.

No fim da tarde o morro de areias coloridas era o nosso parque de diversões. Com amigos e primos brincávamos, atirando pedra de areia uns nos outros. Era o labirinto. Nos escondíamos e voltávamos sujos, mas alegres.

Na adolescência eram as festas no Creda, clube do português Patrício, no qual as paqueras e namoros se desenhavam, sem compromisso. Brigas? Quase não existiam, um ou outro amigo mais afoito, que logo conseguíamos acalmar.

Mas, eram nas escadarias de Zé Félix que tudo acontecia. Paqueras, conversas, bebedeiras.

O vai e vem dos carros na rua principal era, como se diz, o “point” da galera. A juventude se encontrava e marcava para depois tomarem outro rumo. Todos estavam ali. O comerciante, no seu jeito de atender os clientes, era respeitado. Não se ousava desafiá-lo.

Hoje, o ponto de encontro mudou, é na entrada da cidade. Paredões de som disputam entre si, na tentativa de impressionar. O medo e a insegurança, marca atual do RN, pairam sobre cada um.

Os alpendres já não são seguros. O grude e o “gelé” quase não se encontram. A escadaria de Zé Félix está silenciosa. O Labirinto foi destruído pelo  crescimento da cidade. O Creda já não promove suas memoráveis festas. Do álibi se extrai pouco som.

Ressalte-se, por fim, que não são críticas à realidade atual. São lembranças. Cada época tem a sua magia e suas saudades.

Em cada recorte da vida temos momentos que nos marcam.  A vida são saudades.

Que venha o próximo ano! Traga-nos paz.

Odemirton Filho é professor e oficial de Justiça

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Categoria(s): Crônica

Comentários

  1. Adílio diz:

    Ah, que saudade!

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