domingo - 07/03/2021 - 14:32h

Cochilou, cachimbo cai!

Por Paulo Menezes

Em uma quadra de um passado distante, havia em Mossoró uma confraria no bar “A Brasa”, de propriedade de “Doutor”, administrado pelo seu sobrinho Olímpio Rodrigues, instalado à  rua Alfredo Fernandes em uma esquina que dava acesso à ponte Jerônimo Rosado.

o cachimbo de ouroSábado era o dia em que o encontro contava com o maior número de participantes. Fazia parte da reunião, entre os mais assíduos, eu, Chico Leite, João Pinto, Anastácio Freitas, Irineu Leite, Chico Duarte, Chico Pinto, Pedro Câncio, Fabiano Paula, Maia Pinto e Guido Leite.

Ocorreu fato interessante num dia em que a seleção brasileira de futebol disputava jogo de Copa do Mundo. Bem antes, João Leôncio Maia Pinto havia comunicado aos presentes a compra de um cachimbo folheado a ouro e que usava no mesmo um fumo importado que exalava um aroma muito agradável.

Fez tantos elogios sobre a aquisição recente que despertou na turma a curiosidade de ver a peça valiosa. Após muita insistência de Guido Leite, Maia Pinto foi até sua residência pegar o cachimbo para mostrar aos confrades.

O bem realmente era muito bonito.

Aos poucos, a peça rara foi sendo passada de mão em mão para que todos pudessem ver a beleza do pito. Terminada a revista por todos, Maia Pinto então, com esnobismo, parecendo um lorde inglês, cachimbava vaidoso e feliz da vida soltando fumaça e perfumando  o ambiente.

Foi quando o Brasil marcou um gol. “Goooool”, esgoelava o narrador e todos nós, na mesma toada.

Chico Pinto ao tempo em que pulava e gritava repetidamente o gol, brasileira, arrebatou o cachimbo da boca de Maia Pinto e rodopiou em volta de si por várias vezes, empunhando aquele objeto sob o olhar atônito dos demais amigos.

Num desses rodopios, acabou arremessando o cachimbo contra a parede. Foi caco para todos os lados.

A turma do “deixa disso” entrou em campo e conseguiu segurar a fúria do ‘descachimbado” Maia Pinto, que ameaçava acertar as contas com Chico Pinto.

De repente bateu saudade desses encontros inesquecíveis e até dos arranca-rabos. Tempo que o vento levou mas não apagou da memória amiga.

Felizmente.

Paulo Menezes é meliponicultor e cronista

Categoria(s): Crônica

Comentários

  1. Alessandra Cunha Pinto Rocha diz:

    Lembro demais do meu pai – Maia Pinto, fumando cachimbo. Era um ritual fumar e depois limpar o cachimbo, e guarda-lo com todo cuidado.

  2. Inácio Augusto de Almeida diz:

    Agradável crônica.
    O que não agrada é saber que os vereadores no dia 30/12/2020 aprovaram um aumento nos seus salários de 20,5%. Achando pouco ainda criaram vários cargos na CMM.
    O prefeito que na campanha falava em mudanças não moveu uma palha para impedir que isso acontecesse. O presidente da CMM, chegou lá com apoio do prefeito dá a entender que de nada está sabendo.
    Nas calçadas dormem mossoroenses famintos. Na CMM os vereadores e assessores só tomam água mineral paga pelo povo.
    Isto acontece com o silêncio conivente de todos vereadores.
    Cena igual só vi no filme os MISERÁVEIS.
    Realmente as mudanças estão acontecendo.

  3. Hermiro Filho diz:

    Acho que o Chico Pinto tava completamente embriagado. Destruir um Cachimbo de ouro, kkkkk kkkkk
    Boa

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