domingo - 10/08/2014 - 05:07h

Da brancura areada


Por Leonam Cunha

De Tertuliano, fiz-me cais;
Fiz-me barcaça, ilha, porto
Sou das águas escuras do rio;
Da calçada da matriz,
Jesus, Conceição, Ogum,
Xangô, Iemanjá, procissão.
Sou do tétano também
do ferro encalhado no mangue;
Da maternidade onde luzi,
Frente ao campo incrustada.
Fiz-me gentil, areia fina
Que embranquece como sal

Fiz-me urubu em beira
d´estrada, deglutindo o asno.
Fiz-me algaroba e ladrão
Tão somente de tamarindo.
Fiz-me burrinha de pano,
Urso batendo tambor e tarol

Fiz-me Areia Branca, seu moço,
Sangue irmão de Chico, José,
Maria, Josefa, Bastião, Joaquim.
Fiz-me , para sempre, menino:
Bucho grande e perna fina d´interior;
Não te esqueces, não confundes,
O ouvido é uma lágrima, Senhor.

Leonam Cunha é poeta areia-branquense e acadêmico de Direito da Universidade Federal do RN (UFRN)

* Extraído do livro “Dissonante”, segundo livro do autor, da Editora Sarau das Letras.

 

Categoria(s): Poesia

Comentários

  1. Hermiro Filho diz:

    O que admiro na crônica é o português dificimimo entre frases. Acho linda.

  2. naide maria rosado de souza diz:

    Leonam Cunha, parece-me jovem pois ainda acadêmico. No entanto há maturidade, profundeza em seu estilo poético. Parabéns. Bela e enraizada poesia.

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