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domingo - 22/04/2018 - 05:50h

Fator Nobel


Por Paulo Linhares

Tudo a parecer  com a famosa “Batalha de Itararé”, aquela que jamais aconteceu embora tenha gerado enormes expectativas em 1930, episódio celebrizado por um dos pioneiros do humorismo brasileiro, Aparício Torelly que, mesmo já no Brasil republicano, passou a ostentar  título de “Barão de Itararé”.

Assim foi, também a expectativa que se gerou com a prisão do ex-presidente Lula: enquanto os antilulistas esperavam fosse ele conduzido numa daquelas carroças que, nas ruas de Paris, na época da Revolução Francesa, levavam os prisioneiros, sob apupos e impropérios da população, destinados à guilhotina, os seus partidários previam o juízo (quase) final do Brasil, com hordas descer dos morros e outras,  os “sem-terra” a bloquear estradas e saquear cidades.

Nada aconteceu. Depois de uma dramática ‘resistência’ no simbólico Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, onde o fenômeno Lula começou, este resolveu ir para a prisão no Califado de Curitiba, afinal, ordem judicial não se discute,  cumpre-se.

É bem certo que, na semana seguinte, não se falou noutra coisa, no Brasil e na grande imprensa mundial. A favor ou contra a prisão de Lula quase tudo foi dito.

Aliás, a suposta resistência armada pró-Lula, bravata que transpirou nas redes sociais,  gerou a mesma decepção da pomposa ação retórica do apoio ao ex-presidente João Goulart, em 1964, pelas tropas navais de Cândido Aragão, o “almirante do Povo”. Tiro n’água.

Certo ou errado, Lula está preso. O mundo não acabou. Sequer ocorreu o vaticínio do famoso samba de Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro “O dia em que o morro descer e não for carnaval”. Nem as hordas de sem-terras comandadas por Pedro Stédile  deram o ar de sua ‘graça’, foices e machados em riste. Nada.

Alguns rojões esparsos e uns poucos pneus queimados apenas. Só muita conversa, a favor ou contra.

Frustrações mesmo foi para o ‘povo’ da Globo e congêneres que compõem o baronato da imprensa conservadora, que esperavam o sangue dar no “meio da canela” e uma fuga espetacular de Lula para um exílio imponderável que seria habilmente explorada como uma cabal e definitiva confissão de culpa.

‘Mala’ como é, o líder petista buscou tirar do episódio de sua prisão toda energia política possível. E conseguiu, na medida em que os olhos do mundo se voltaram para o edifício-sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e plasmou a atenção da imprensa mundial, sobretudo, pelas suspeitas que pairam de que Lula seria vítima de típico caso de “lawfare”, palavra inglesa que significa o uso de manobras e instrumentos judiciais para conseguir objetivos políticos-eleitorais, em especial, para evitar candidatura de adversário político.

Do ponto de vista eleitoral, já é visível que o cacife de Lula aumentou com sua prisão espetaculosa, embora as chances de uma candidatura sua à presidência da República sejam remotíssimas. Resta saber se esse prestígio terá ‘gás’ para chegar às eleições de outubro deste 2018. Aliás, essa é uma equação (política) de muitas incógnitas e, portanto, de solução difícil e demorada que, quase sempre pode apontar para novas e inesperadas possibilidades.

Embora uma libertação de Lula seja, no curto  e médio prazos, algo difícil de ocorrer, uma dessas incógnitas pode levar a questão a outro patamar: ele é forte concorrente ao Prêmio Nobel da Paz, concedido pelo Comité Nobel Norueguês (em norueguês: Den norske Nobelkomite) que é um órgão independente, composto por cinco pessoas, nomeadas pelo Parlamento da Noruega.

Agora, certamente para pressionar o Comitê, recentemente o Ministério Público Federal (MPF) está acusando danos ambientais graves a empresa Hydro Alunorte (do grupo Norsk Hydro), maior fábrica de alumínio do mundo, controlada pelo governo norueguês e instalado no Município de Barcarena, Estado do Pará.

A Noruega, que apresenta o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os países do mundo, certamente se constrange com a acusação de promover degradação ambiental justo na região amazônica, cuja proteção faz parte da agenda do Estado norueguês.

Claro que não é mera coincidência essa ação conjugada do MPF e órgãos federais de proteção ambiental, apesar de não se poder afirmar que seria mera invencionice esses problemas de danos ao meio ambiente amazônico. Por isto não será surpresa, também, se o Nobel de Lula descer por esse ralo.

Quem viu a recente série norueguesa da Netflix intitulada “Nobel”, que mostra os megas interesses econômicos e políticos que permeiam a concessão desse prêmio e o vinculam aos interesses estratégicos do Estado norueguês, sabe o que pode estar em jogo na versão do Nobel da Paz 2018. Vale a espera para ver no que resultará esse Fator Nobel.

Paulo Linhares é professor e advogado

Categoria(s): Artigo

Comentários

  1. João Claudio diz:

    Primeiro, quem ameaçou ‘tacá’ fogo no país caso o Lula fosse preso, foi o seu filho, o Lulinha.

    Segundo, quem ameaçou fechar todas as BRs, do país, incendiar asfalto, invadir terras e fazer o diabo, caso o Lula fosse preso, foi o comandante do ‘exercito’ de Lula, João Pedro LULA Stédile.

    Terceiro, quem previu mortes, muitas mortes, caso o Lula fosse preso, foi a senador RÉ, Gleici COXA AMANTE LULA Hoffmann.

    Quarto, quem ameaçou convocar o ‘exercito’ do Stêdile para promover invasões de terras e desordens em todo o país, foi o próprio Lula.

    Quinto, quem ameaçou promover quebra quebra no brasil, caso o Lula fosse preso, foi Guilherme LULA Boulos, incentivado publicamente pelo Lula, a seguir os seus passos em um futuro breve.

    Sexto, querer que um elemento corrupto até a medula, incentivador e financiador do caos e da baderna em todo o país através do MST, MTST, sindicatos e Burros Encantados, receba o Prêmio Nobel da Paz, é querer esconder, até para si, que chupa bila sem parar e só caga rodando.

    Engana-se quem acha que Lula encantou apenas PPPs, analfabetos e desinformados.

    O Lula foi mais além. Percebe-se que é um artista nato. Artista na arte de encantar e iludir a todos.

    Ele não conseguiu me encantar. Eu não nasci com a bunda na cabeça.

    Sinto!

    • Josi diz:

      PERFEITO o comentário do João Cláudio. A mim Lula enganou enganou até o mensalão, fato escabroso que muito intelectual, politicos e jurista insiste em chamar de “mentirão”. Quanto ao dano ambiental em Barcarena, sr. jornalista, penso que o MPF que atua no Pará, não é o mesmo que faz o trabalho anticorrupção no Paraná. E o MPF tem que fazer o seu trabalho, seja anticorrupção ou defendendo o meio ambiente. E quanto a ser Nobel da Paz, é o unico nobel que o lula não merece. O lulinha paz e amo nunca existiu. Lula pacificador não existe. Nunca existiu. Ele divide o povo brasileiro em fatias, etc. Ele jamais uniu esta nação.

  2. Elves Alves diz:

    Pois é… A legião de ‘viúvas’ do bandido petralha continua inconsolável.
    Vão ter de cozinhar este galo pé-duro até tomarem consciência de que o gás, enfim, acabou.

  3. Marcos Pinto. diz:

    Não existe coisa mais repugnante do que ver e ouvir uns analfabrutos que não tem sequer um gato pra apanhar de pau ficarem rinchando contra o Cara Lula Brasil, que tirou três milhões e meio de pessoas que viviam abaixo da linha de pobreza, ou seja, da completa miséria. Comparo-os aqueles burros brabos que usam viseiras para só terem um ângulo de visão. Argh !. Vai vestir a carapuça ô cara pálida !?.

    • Elves Alves diz:

      “(…) que tirou três milhões e meio de pessoas que viviam abaixo da linha de pobreza” é ótimo. Apoteótico.
      Português escorreito, como diria Janistraquis, o “considerado” personagem das boas histórias do professor Moacir Japiassu.
      Pois sim, o apedeuta de Caetés “tirou 3,5 milhões de pessoas” e os embolsou na maciota, embora ele diga que não sabe como foi isso.

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