domingo - 17/01/2021 - 16:40h

Hospital Universitário precisa ser uma prioridade urgente

Por Josivan Barbosa

A comunidade acadêmica da nossa Universidade do Semiárido está dando importância a temas paralelos e que não deveriam fazer parte dos grandes problemas da nossa instituição nesses tempos tão difíceis do Sistema Federal de Ensino Superior. Não há como explicar a perda de energia e tempo gasto com  processos administrativos e judiciais no Ministério Público Federal, Justiça Federal, Polícia Federal,   Defensoria Pública da União, Justiça Estadual entre outras para a resolução de questões tão minúsculas diante dos grandes problemas que a universidade tem e que,  se não despertarmos no tempo certo, corremos o risco de perder uma década como fizemos no final do século passado, quando perdemos a década de 90.

Hospital Universitário pode ensejar contratação de cerca de mil profissionais (Foto ilustrativa)

Hospital Universitário pode ensejar contratação de cerca de mil profissionais (Foto ilustrativa)

A Universidade do Semiárido precisa de grandes projetos e qual o principal projeto que não podemos abrir mão de imediato? Claro que esse projeto é o Hospital Universitário do Semiárido. O curso de Medicina está prestes a formar a primeira turma e até o momento não conseguimos sequer elaborar o projeto do referido hospital.

A comunidade acadêmica está muito silenciosa diante de tão importante projeto. Infelizmente, usa o tempo para discutir se um quadro pode permanecer ou não numa parede ou se um discente pode ou não se manifestar numa solenidade. Claro que estes são temas próprios da academia e merecem todo o respeito, mas, de longe, não podem ser o foco da discussão nos corredores digitais da nossa Instituição Federal de Ensino Superior (IFES).

O caminho a ser percorrido pelos representantes da comunidade acadêmica para a aprovação do projeto do Hospital Universitário junto aos principais órgãos em Brasília como Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), Ministério da Educação e Ministério da Saúde já é bastante claro e para isso se tornar realidade não precisamos inventar a toda. Basta seguir os mesmos passos que recentemente foram percorridos pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), uma instituição menor do que a nossa na matriz orçamentária da Secretaria de Educação Superior (Sesu – MEC).

Bancada Federal

                        O projeto do Hospital Universitário do Semiárido precisa ser discutido em detalhes com os oito deputados federais e com os três senadores urgentemente. E precisa chegar em Brasília tendo como defensores principais a Reitoria da Ufersa, a Prefeitura Municipal de Mossoró, Câmara Municipal de Mossoró, Assembleia Legislativa e Governo do RN.  Mas, para acelerar a liberação de recursos, independente da fonte, o projeto executivo (Arquitetônico e Engenharia) precisa ser elaborado por uma empresa especializada.

E para isso, precisa de um edital de licitação bem elaborado para que o projeto não seja entregue à Universidade do Semiárido já com problemas na raiz. A Universidade do Semiárido não deve esperar e deveria aproveitar esse tempo de pandemia, que tem recursos de custeio mais favoráveis porque reduziu os gastos com vários serviços, como energia, transporte, manutenção do campus, entre outros, e abrir o processo licitatório do referido projeto.

Não podemos perder o terceiro ano de mandato dos atuais representantes em Brasília e do Presidente da República sem colocar uma Emenda de Bancada para iniciar a construção desse hospital. Se fizermos isso, estamos no caminho que é o roteiro normal para qualquer universidade federal que implanta um curso de Medicina. Não precisa de milagre, mas a Pró-Reitoria de Planejamento da nossa IFES tem a obrigação de acelerar a elaboração desse projeto. Sem o projeto, corremos o risco de novamente ficar de fora da principal fonte de recursos para investimentos do Governo Federal que são os recursos de Emenda de Bancada.

Prefeito Allyson Bezerra

O projeto do Hospital Universitário não é um projeto exclusivo da Universidade do Semiárido. É um projeto que a exemplo da própria Ufersa, é de Mossoró, do Rio Grande do Norte e do Semiárido. Para ser acelerado precisa que o novo prefeito – Allyson Bezerra (Solidariedade) se torne um grande articulador político desse projeto porque quem vai se beneficiar é a cidade com cerca de 1000 novas vagas de concurso público para profissionais da área de saúde.

Allyson: liderança de movimento (Foto: arquivo)

Allyson: liderança de movimento (Foto: arquivo)

Assim, a Reitoria da Ufersa e o prefeito precisam aproveitar o momento que o RN tem dois ministros em Brasília e não deixar o cavalo passar selado. Lembremos que quando o RN teve o Presidente do Senado e o presidente da Câmara Federal, nós conseguimos cerca de R$ 300 milhões para construir quatros campus universitários e, agora, para o hospital universitário precisamos de pouco mais da metade.

Lembremos, também, que os recursos para o início da construção do campus da Ufersa – Angicos e de Pau dos Ferros foram oriundos de emendas da bancada, após várias reuniões em Brasília e em Natal com deputados e senadores potiguares.

O principal fator que contribuiu para que a Universidade do Semiárido conseguisse iniciar em três anos a instalação de três campi no interior do RN foi que, antecipadamente, contratamos uma empresa especializada para elaborar o projeto do campus de Angicos, podendo ser replicado para os demais municípios. Isso foi decisivo para antecipar a liberação de recursos em no mínimo 24 meses.

Hospital Geral do Vale do Jaguaribe

                        A solução para apoiar os nossos discentes de Medicina na parte prática do curso enquanto o Hospital Universitário do Semiárido não é construído está a pouco mais de uma hora de percurso, a partir da sede do município de Mossoró. Trata-se do Hospital Geral do Vale do Jaguaribe que está sendo concluído pelo Governo do Ceará, no município de Limoeiro do Norte, distante cerca de 100 km de Mossoró, ou a mesma distância Mossoró – Angicos. O curso de Medicina da Ufersa é o mais próximo daquele futuro hospital em funcionamento. Portanto, uma grande unidade hospitalar que vai servir à toda região e nada melhor do que ser aproveitado pelos nossos discentes para o treinamento profissional. Na próxima semana vamos fazer uma visita a Limoeiro do Norte e daremos mais detalhes desse importante equipamento para os serviços de saúde do Semiárido.

Melão brasileiro na Europa

                        Neste início de 2021 o mercado de melão amarelo, Galia e Cantaloupe na Europa oriundo do Brasil (Polo de Agricultura Irrigada RN – CE) é considerado bom. O melão Galia tem apresentado melhor aceitação pelo consumidor europeu neste início de ano.  O preço do melão Galia está em torno de 8 euros e acredita-se que melhorará de preço nos próximos dias.  O melão que chega do concorrente (Honduras) nesta época do ano apresenta qualidade inferior ao melão oriundo do nosso Semiárido.

O melão cantaloupe apresenta menor demanda em relação ao Galia, devido, principalmente aos tamanhos que são oferecidos ao mercado (tamanho grande). O mercado europeu prefere melões de calibres 5/6.

O mercado de melão amarelo está mais complicado nessa temporada em função do preço considerado elevado pelo mercado europeu. Mas, o  preço atual de 8,50 – 9,50 euros  mostra-se favorável para o importador.

A melancia está sendo comercializada em nível de importador a 0,80 – 0,85 euros por quilo.

Atualmente o melão brasileiro tem monopólio na Europa até que o melão da Costa Rica (grande concorrente) comece a ser importado, o que deve acontecer a partir de fevereiro. Ao contrário do Brasil, a Costa Rica apresenta boa parte da produção na agricultura praticada por pequenos produtores, o que dificulta o mercado.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

Categoria(s): Artigo

Comentários

  1. FRANCISCO DE ASSIS COSTA diz:

    OS COMENTÁRIOS DO PROF° JOSIVAN, SÃO OS MAIS AGUARDADOS POR MIM, POIS RETRATAM ASSUNTOS DE UMA LUCIDEZ IMPRESSIONANTE. É LAMENTÁVEL QUE NÃO PRODUZAM RESULTADOS.

  2. Inácio Augusto de Almeida diz:

    PARABÉNS pelo excelente artigo.
    Um dia, quando a politicagem não mais preterir o mérito, o RN saberá reconhecer o valor de JOSIVAN BARBOSA.
    Inacreditável que não participe de nenhuma administração.
    Talvez aí esteja a explicação para o atraso e a miséria em que o RN vive mergulhado..

  3. Q1naide maria rosado de souza diz:

    Parabéns, prof.Josivan. O Hospital Universitário é a alma de uma faculdade de Medicina.

  4. barbosa Gomes diz:

    Meu caro Carlos o Ceará da exemplo com o investimento de 274 milhões na construção de um hospital em Fortaleza

  5. Lair Solano Vale diz:

    Temos prédios suficientes em Mossoró :
    Concluir o hospital materno-infantil pelo governo estadual, Urgente;
    Com a saída do atendimento de obstetrícia da Apamim, a mesma pode se tornar hospital geral em parceria com os governos;
    O hospital da Polícia é retaguarda para clínica médica do Tarcísio Maia
    O hospital São Luiz pode se tornar um Hospital de politrauna
    Tudo isso serve como locais para os estudantes universitários .
    CHEGA DE PRÉDIOS COM VALORES SUPERFATURADOS, NAO PRECISAMOS DE ARENA DAS DUNAS .

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