domingo - 17/01/2021 - 12:20h
Em Natal

Morre Haroldo Bezerra, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado

Do BZN Notícias (Eliana Lima)

Haroldo de Sá Bezerra, 84, era dos homens mais cultos que conheci e de um humor sarcástico que enchia uma boa conversa. Bissexto do dia 29 de fevereiro, este ano não teria dia para celebrar. E as próximas palmas serão na dimensão iluminada.

Lembro do seu festão de 70 anos. Um dos mais incríveis que tive o privilégio de presenciar. Era à fantasia. Eu de Branca de Neve. Que festa! Tudo sob a batuta da sua esposa, também de imensa cultura, artista plástica e elegância ímpar: Selma Bezerra.Haroldo de Sá Bezerra, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN)Haroldo sofreu uma queda. Sua saúde já não lhe era tão favorável. Uma pneumonia foi mais forte. Partiu a grande figura que nasceu em Ceará-Mirim no dia 29 de fevereiro de 1936.

Por ser ano bissexto, seus pais José Bezerra de Araújo e Yvete de Sá Bezerra optaram por registrá-lo em 1° de março.

Mas boa parte da sua infância foi em Currais Novos, onde os pais tinham fazendas destinadas à pecuária e ao plantio de algodão. Era conselheiro aposentado do TCE (Tribunal de Contas do Estado).

Veio morar em Natal na década de 1950. Formou-se em Agronomia pela Escola Superior de Agronomia do Recife (PE) e em Economia pela UFRN. Atuou no Ministério da Agricultura, na direção do BDRN e Bandern. Foi presidente da Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do RN. E secretário de Agricultura do RN, no final do governo de Tarcísio Maia. Também, secretário de Fazenda Fazendo no governador Radir Pereira.

Belo texto

Nada melhor que a filha Elza Bezerra Cirne para descrever a grande figura que foi Haroldo, na crônica que publicou no dia 29 de fevereiro do ano passado, sob o título “Linhas sobre meu pai”, no seu ótimo blog, de excelentes textos, com a foto (ao lado) clicada pelo irmão Haroldo de Sá Bezerra Filho.

Eis o belo texto:

– Reproduzo o texto que escrevi sobre meu pai, depois de uns dias preocupantes com sua saúde. Graças a Deus, já está em casa recuperado.

Linhas sobre o meu pai

No ano passado, o Tribunal de Contas me convidou para escrever sobre ele, Haroldo de Sá Bezerra, filho de José Bezerra de Araújo. Confesso que essa tarefa me soou mais difícil do que os livros que publiquei.

Sou descendente de sertanejo, povo que tem dificuldade em exprimir sentimentos, não gosto de floreios, arrodeios, enfeites. Então fica complicado falar de quem está vivo, bem junto ao coração. Mas como assumi o compromisso, o jeito foi enfrentar o desafio e traçar essas linhas sobre sua vida. Republico o texto aqui no blog, como forma de celebrar a sua data:

Haroldo de Sá Bezerra nasceu bissexto, em 29 de fevereiro de 1936. Como a época não era de tanta burocracia, seus pais acharam melhor registra-lo em 1º de março, para garantir o aniversário todos os anos. Mesmo a data oficial constando no papel, preferiu poupar e só celebrar de quatro em quatro anos.

Nasceu em Ceará-Mirim, terra de sua mãe, Yvette de Sá Bezerra, minha avó. Ela optou por ter o primogênito junto aos pais, na segurança e conforto do verde dos canaviais, apesar de morar em Currais Novos/RN.

Haroldo foi criado em fazenda, com educação rígida e conservadora. No seu álbum de fotografias de infância, sua mãe indagava se seria padre ou fazendeiro. Estudou no Colégio Marista, mas se diz ateu, apesar de eu achar que tem uma fezinha em Deus. Virou fazendeiro.

Formou-se em agronomia e economia. Uniu as duas formações para colocar em prática a tradição da família na lida com a terra e os ensinamentos de seu pai com o zelo e a parcimônia no trato com dinheiro. Criou fama de amarrado.

Eu nasci e cresci absorvendo os seus ensinamentos: poupar é muito importante, nunca gaste tudo que ganha; apague a luz, energia é muito cara. Na fazenda tivemos os maiores ensinamentos sobre poupar água: dentes escovados com um copo de água, mãos lavadas em bacia de ágata, chuveiro fechado para ensaboar o corpo. Lições hoje replicadas mundo afora para salvar o planeta, que foram essenciais para quem convive com a escassez de bem tão precioso no Sertão.

As lições da vida privada ele levou para o setor público, onde fez carreira. Trabalhou na ANCAR, SACRAFET e Ministério da Agricultura, foi diretor do BDRN e do BANDERN, Presidente da CIDA, Secretário Estadual da Fazenda, Secretário Estadual de Agricultura e Conselheiro do Tribunal de Contas até a aposentadoria compulsória em 2006.

Sua atuação foi marcada pela rigidez no trato com o dinheiro público e pelas exigências com os servidores. Nem sempre foi compreendido, mas procurava repetir os ensinamentos da vida privada. Marcou sua gestão no Tribunal com o início da informatização da Corte de Contas.

Depois da aposentadoria, ocupou o tempo cuidando dos seus negócios. Hoje só quer a tranquilidade, os filhos assumiram as atividades. Papai pode ficar tranquilo, seus exemplos e ensinamentos foram bem assimilados.

Seu coração suavizou, soltou as amarras, deixou que o tempo cumprisse sua missão. Como dizia Mario Quintana, segue em frente, fumando seu cigarrinho, jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas, cercado pela família que construiu: Selma, sua mulher; Tonico, o filho mais velho; eu, a única filha, casada com Henrique Cirne, mãe de Luiz Henrique, casado com Eduarda Soares, e Cecília; Haroldinho, o caçula, casado com Rachel Vasconcelos, pai de Mariana, Marina e Luiz Felipe.

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Categoria(s): Crônica / Gerais

Comentários

  1. Q1naide maria rosado de souza diz:

    Beleza ler a letra de uma filha sobre um pai admirável.

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