domingo - 05/01/2020 - 10:26h

Morros de areias coloridas


Por Odemirton Filho

Tibau não é somente uma praia. É muito mais. É, para mim, e certamente para outros, a inocência da infância, os arroubos da juventude e a maturidade da vida adulta.

É passado, presente e desejo de futuro.

Em tempos de outrora, era-me comum ir aos morros de areias coloridas brincar no famoso “labirinto”, no qual a infância não encontrava medo.A “guerra” com pedras de areia entre os amigos e primos era a diversão. Um verdadeiro salve-se quem puder, pois a pontaria poderia acertar qualquer parte do corpo.

Cadê o morro? O labirinto?

Foram destruídos para dar lugar a modernidade atual.

Cedinho ou à tardinha, as jangadas com suas velas brancas traziam peixes aos montes, em um espetáculo que somente a natureza pode nos ofertar.

As ruas eram sem calçamento, onde andávamos a esmo, descalços, sem nenhum compromisso com a formalidade, com os pés sujos do barro vermelho das ruas.

Éramos crianças livres.

Armar redes e dormir à noite nos alpendres das casas, sem medo da violência, já que violência só conhecíamos nos filmes.

Nada de ficar grudado com o rosto na tela de um aparelho celular. À época se tinha, no centro da cidade, um posto telefônico, no qual, somente se necessário, faziam-se ligações.

Dia sim, outro também, faltava energia. E na escuridão da noite as histórias de assombração faziam com que as crianças ficassem quietas.

Pela manhã ir à praia. O almoço poderia ser servido a qualquer hora. À tarde esperar o “grude” para sorver um café. À noite, o jantar com os pais que passavam o dia em Mossoró, trabalhando.

Mas, e os morros das areias coloridas?

Estão, sem dúvida, preservados no melhor recanto das saudades.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficia de Justiça

Categoria(s): Crônica

Comentários

  1. Inácio Augusto de Almeida diz:

    Ponta Negra ficou famosa pelo Morro do Careca.
    E o que é o Morro do Careca?
    Uma pequena faixa do morro onde a vegetação não cresceu e alguém, inteligentemente, batizou de careca. Hoje o Morro do Careca é o Cartão Posta de Natal.
    Tibau tem os morros de areias coloridas. Beleza indescritível e não divulgada. E se não é divulgada a beleza destas areias a quase totalidade dos turistas, nacionais e internacionais, ficam sem saber o que estão a perder ao não visitarem Tibau.
    Nesta crônica, mais do que oportuna, Odemirton Filho nos lembra que é preciso divulgar Tibau.
    A prefeitura de Tibau deveria investir na divulgação destes morros de areias coloridas.
    Outra cidade que poderia melhor divulgar seus encantos é Areia Branca.
    As montanhas de sal com sua brancura a lembrar a pureza da alma potiguar são desconhecidas dos turistas que visitam o Rio Grande do Norte e até mesmo dos norte-riograndenses.
    As praias existentes nesta região do Oeste potiguar são belíssimas.
    Parabéns ao Odemirton Filho por ter nos lembrado das belezas de Tibau.

  2. Amorim diz:

    Grande sensibilidade; lindo!

  3. FRANSUELDO VIEIRA DE ARAÚJO diz:

    Como certamente diria o lado poeta/poético do articulista Odemirton Filho num átimo de revelador roteirista, cineasta e ator protagonista da sua própria infância….QUANDO REVISITO A PRAIA DA MINHA INFÂNCIA, SOU TOMADO DE MELANCOLIA; O MAR, A AREIA, ESTÃO LÁ. MAS O MENINO, ONDE ESTÁ…!!!???

    Na existencialidade das reminiscências de uma parte da infância e adolescência vivenciadas numa Cidade Praia do Tibau, ainda de areias coloridas, bem como, não tão poluídas e devastadas pelo maior predador do planeta terra, mais conhecido como bicho homem.

    Nesse contexto tão impiedoso quanto triste para com a mãe natureza, nosso Odemirton Filho, como sempre simples e preciso, nos tece considerações de enorme importância que resvalam e revelam o quão não ainda compreendemos a importância da questões de ordem ambiental, em pleno século XXXI….!!!

    Um baraço

    FRANSUÊLDO VIEIRA DE ARAÚJO.
    OAB/RN. 7318.

  4. Rocha Neto diz:

    Bateu forte o sentimento da saudade e um vídeo type de recordações rolou com imagens pretéritas aonde estava não só um menino no universo de Tibau, mais sim duas figuras já quase adolescentes que ao passar pelo paredão da Lagoa da Gangorra o coração batia ansioso para terminar logo com os 13 quilômetros para alcançar e pisar nas águas salgadas dos Estados do Rio Grande do Norte e Ceará, estas batendo forte na pedra do chapéu que faz o limite imaginário demarcado por um minúsculo monumento de cimento que ainda hoje existe e está protegido pelos muros da casa dos herdeiros do senhor Otávio Ferreira, hoje conservado pela família do ex-deputado Francisco José. Pena que a Tibau vislumbrando pelos dois adolescentes, já não mais existe, hoje simplesmente é outra história sem inspirações para sonhos.
    Que pena!! Que saudades!!!

  5. Q1naide maria rosado de souza diz:

    Escrevi antes. Acusou erro. Amo Tibau de minha infância e adolescência…dos morros coloridos…da turma querida, das festas e de ouvir a minha primeira serenata…saudades, sempre!

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