domingo - 27/03/2011 - 11:20h

O acendedor de lampiões



Lá vem o acendedor de lampiões de rua!

Este mesmo que vem, infatigavelmente,

Parodiar o Sol e associar-se à lua

Quando a sobra da noite enegrece o poente.

Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,

À medida que a noite, aos poucos, se acentua

E a palidez da lua apenas se pressente.

Triste ironia atroz que o senso humano irrita:
Ele, que doira a noite e ilumina a cidade,

Talvez não tenha luz na choupana em que habita.

Tanta gente também nos outros insinua

Crenças, religiões, amor, felicidade

Como este acendedor de lampiões de rua!

Jorge de Lima (1895-1953) – Poeta, médico e político alagoano

Categoria(s): Nélter Queiroz

Comentários

  1. MARCOS PINTO - Da AAPOL, ICOP, IHGRN e do IANTT. diz:

    …Enquanto isso,no tal “País de Mossoró” existe uma tal de “acendedora de ilusões”. DECIFRA-ME OU TE DEVORO”.

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