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domingo - 01/12/2019 - 08:54h

O complexo caminho das águas no Alto Oeste do RN


Por Josivan Barbosa

A Adutora de engate rápido construída para levar a água da Barragem de Santa Cruz em Apodi para Pau dos Ferros (Alto Oeste do RN) não resolveu o problema da água daquele município. Após cinco anos de construída, a adutora apresenta sérios problemas de manutenção e a cidade vive uma situação delicada em relação ao abastecimento de água após o longo período de baixa precipitação na bacia hidrográfica da Barragem de Pau dos Ferros.

Adutora de engate de Pau dos Ferros foi iniciativa tomada para "resolver" falta de abastecimento (Foto: Caern)

A solução mais duradoura poderá ser a construção de uma adutora definitiva a partir da água do manancial hídrico Arenito Assu, cuja água é de qualidade inquestionável. Não é a toa que ao longo da região compreendida pelos pontos de recarga do lençol há várias indústrias de água mineral instaladas ou em processo de instalação.

Diante das dificuldades de recursos de investimento do Governo do Estado e da situação financeira da Caern (concessionária dos serviços de abastecimento de água no RN), a solução poderá ser a abertura de um processo de licitação para uma PPP (Parceria Público Privada).

O problema exige celeridade e a cada dia a população do município clama por uma solução definitiva.

Produção de frutas em Felipe Guerra

Após o longo período de seca na região do Polo de Agricultura Irrigada RN-CE, o município de Felipe Guerra está conseguindo atrair diversas empresas da área de fruticultura. Recentemente, uma grande empresa da região adquiriu uma área de 600 Ha próximo à Comunidade de Santana.

Pretende produzir melão e melancia no primeiro semestre do ano, em função das características arenosas do solo, o que permite produzir na época de chuvas.

Uma outra importante empresa da área de produção e exportação de melão e melancia instalou-se ao lado da BR 405 antes do trevo Felipe Guerra – Apodi (sentido Mossoró – Apodi) e construiu uma excelente infraestrutura, além de adquirir mais de 2 mil hectares na região da Chapada do Apodi.

Na microrregião de Felipe Guerra já haviam se instalado dois outros produtores de banana e mamão e, recentemente, umas das maiores empresas de exportação de mamão está fincando os pés em Felipe Guerra. A Interfruit produzirá mamão em parceria com um pequeno produtor que está se instalando na microrregião.

A empresa pretende inovar e produzir mamão com resíduo zero e mamão orgânico, além da melancia para o mercado interno.  A Interfruit atuará como compradora e exportadora.

A previsão inicial é de instalar áreas de 3 ha a cada dois meses e a primeira área já está pronta com sistema de irrigação, automação, mangueiras estiradas, bombeamento e rede de energia. Como a Intefruit já detém toda a logística de exportação, a colocação do produto no mercado será facilitada.

Cachaça Malhada Vermelha

A Nova Malhada Vermelha é a mais recente cachaça produzida na região do Vale do Apodi. Trata-se de excelente produto que, aos poucos, está conquistando o paladar regional.

A Malhada Vermelha era uma cachaça muito conhecida – originária de Severiano Melo, região Oeste – que tornou-se referência regional em termos de qualidade. Ainda há alguns exemplares da antiga cachaça que nos remete à década de 80. Apreciadores do produto guardam-na como verdadeiro troféu e relíquia.

Pátria Amada

Falando em cachaça, uma outra boa opção da região tem sido a Pátria Amada. Trata-se de excelente produto e possui boa apresentação de embalagem. Exatamente o que está faltando na Nova Malhada Vermelha. Ambas não deixam nada a desejar em relação a rótulos tradicionais do Brejo Paraibano.

Receitas bilionárias

Apesar do desempenho morno da economia brasileira, o número de municípios “bilionários” no país aumentou em 2018. Passou de 77, em 2017, para 87 no ano passado, de acordo com levantamento do Observatório de Informações Municipais (OIM), que levou em consideração as prefeituras com receita orçamentária anual acima de R$ 1 bilhão. O avanço foi impulsionado em parte pela expansão dos recursos provenientes de royalties e participação especial. E, também, pelo crescimento no volume de transferências governamentais.

O número de municípios com receita acima de R$ 1 bilhão passou de 77, em 2017, para 87 no ano passado.

Mossoró está longe de se tornar um município bilionário. A velocidade do crescimento verificada nas décadas de 80 e 90 não se repetiu nas duas últimas décadas e agora a nossa economia, precisa ser reinventada. Nessa discussão em torno da eleição municipal do próximo ano, o eleitor precisa ficar atento aos programas dos candidatos visando essa temática.

Garantias da União

A União gastou R$ 625,57 milhões em outubro para honrar dívidas garantidas dos entes subnacionais. Foram R$ 305,13 milhões relativos a inadimplências do Rio de Janeiro; R$ 204,71 milhões de Minas Gerais; R$ 88,63 milhões de Goiás; R$ 9,82 milhões do Rio Grande do Norte e R$ 17,28 do Amapá.

Frutas para a China

O Comitê Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte (COEX) e a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (ABRAFRUTAS), representados pelo seu presidente, empresário Luiz Roberto Barcelos, demonstraram otimismo com a possibilidade de exportação do melão para a China.

De acordo com Barcelos, apesar da dificuldade de logística (30 dias de navio para exportar a fruta para a Ásia), a região já produz híbridos de melão cantaloupe que apresentam vida útil pós-colheita suficiente para chegar ao mercado asiático com qualidade.

O presidente das duas entidades defende, ainda, que não haverá problema com a expansão das novas áreas no tocante à disponibilidade de água. O representante argumenta que o meloeiro usa muita água salina que não se presta para o consumo humano ou animal e que ao usar a água do manancial Arenito-Assu, esta pode ser misturada com a água salina, reduzindo a quantidade a ser utilizada.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal do RN.

Categoria(s): Artigo

Comentários

  1. Josafá Caua diz:

    Pois é, vc começou falando da agua e terminou falando da fruticultura. Só faltou juntar as pontas. Cadê a gestão de aguas do Igarn? Visto que as empresas de fruticultura depenaram e acabaram a agua de Barauna, e agora estão fazendo isso no alto oeste? são milhares de poços artesianos secando o aquifero potiguar de aguas potáveis. Cadê o governo petista:

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