sábado - 28/02/2009 - 10:30h

O descaso à criança, praticados pela UNIMED Mossoró


A promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em 1990, provocou uma reorientação das políticas de atenção à infância no Brasil.

A doutrina da situação irregular deu lugar aos princípios da proteção integral e da prioridade absoluta, segundo os quais garantir os direitos de toda criança e de todo adolescente, independentemente da situação em que se encontrem, é um dever que tem de ser tratado com prioridade pelo Estado, pelas Famílias e pela Sociedade. É importante ter conhecimento, já de saída, que todo direito existente em nosso país decorre, direta ou indiretamente, de um precioso instrumento chamado Constituição Federal.

No Brasil, a Constituição Federal em vigor promulgada em 1988, para constituir, entre outros objetivos, nosso Estado Democrático de Direito tem como fundamentos principais, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a promoção do bem de todos, com o objetivo de assegurar os direitos e garantias à vida, à liberdade, à igualdade, à saúde, à educação, à segurança e à propriedade.

Em 2008, ano em que se comemorou 60 anos da promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos pelas Nações Unidas, na expectativa de construir uma sociedade com liberdade, justiça e paz.

Para celebrar essa data a ONU criou a expressão “Dignidade, Justiça e Paz para Todos Nós”. Nada mais seria necessário se, de fato, a igualdade fosse evidente entre os Homens, mas da carta ao seu exercício pleno há uma enorme barreira criada pela própria humanidade que nos separa.

Muitos de vocês dirão que, na prática, o discurso não sai do papel. Sabemos e reconhecemos essa triste realidade. Mas é exatamente por isso que temos de investigar os direitos que nos são conferidos; exercer nossa crítica e cidadania, e não nos conformar com as arbitrariedades e as mazelas dos poderes públicos ou dos particulares.

Por essa razão, que diante de todo o descaso, indiferença e negligência da Unimed perante a situação da minha filha Fernanda Hellen Sousa Duarte, 11 anos, que tem Síndrome de Rett, desde o dia 14 de janeiro de 2009 está com um exame de eletroencefalograma autorizado.

Deveria ter sido realizado no dia 3 de fevereiro de 2009 na clínica de neurologia do médico Paiva Lopes e até hoje por falta de uma medicação na mesma, o exame não se realizou. Nenhuma providência de retorno satisfatório foi tomada por parte de seu proprietário ou da Unimed, plano de saúde que minha filha é usuária há quase dez anos.

Em nenhum momento me foi dado acesso à diretoria por parte da secretária, esbarrando as negociações na assistente social que compreende a situação, mas diz que nada pode fazer.

Fernanda depende do resultado deste exame para ser medicada por sua neuropediatra.

Há desconforto experimentado por nós, seus familiares diante da situação, e por ela criatura humana agredida na violação de um direito seu, enquanto criança, pessoa com deficiência e cidadã, causada por uma Instituição que desconhece ou não respeita a legislação e nos causa revolta e indignação. 

A minha dúvida é: Se o fato envolvesse o filho (a) do Diretor da UNIMED ou da Clinica, a situação já teria sido resolvida? 

Teresa Cristina de Sousa Duarte, mãe de Fernanda Hellen Sousa Duarte, 11 anos, com Síndrome de Rett, que há quase trinta dias aguarda a sensibilidade e exercício da responsabilidade da UNIMED-Mossoró.

Nota do Blog – Sensibiliza-me  o desabafo da mãe dessa criança. Não as conheço, mas me sinto tocado.

Não emito juízo de valor, por necessitar do contraditório para tal, de modo a sustentar qualquer posição.

Em verdade, esse poderia ser um artigo como tantos outros que publico. Porém o vejo à parte.

Não costumo inserir comentário pessoal e direto em artigos assinados por colaboradores ou qualquer webleitor. Entretanto nesse pretendo fazê-lo adiante, em face de se constituir num caso particularmente especial.

O espaço está facultado à parte criticada e os comentários estão naturalmente abertos a todos os nossos internautas, obviamente atendendo às "Regras do Blog". 

Categoria(s): Fred Mercury

Comentários

  1. Paiva Lopes diz:

    Carlos Santos,desnecessário dizer que sou leitor diário de seu site.
    Em relação ao fato desta senhora vir fazendo tempestade em copo dágua, referente ao EEG que sua filha tem de fazer, gostaria de fazer alguns esclarecimentos, que tenho certeza por você será publicado.
    A (O) síndrome de Rett é uma doença congênita, devido alteração congênita (cromossomica) que acomete somente crianças do sexo feminino, que começa a se manifestar em torno dos dois anos de idade e, a partir daí só piora o quadro com alterações no desenvolvimento psico-motor,alterações motoras,crises convulsivas etc.
    É uma doença crônica,degenerativa,evolutiva ,sem cura e sem tratamento, a não ser sintomático.
    É UM DIAGNÓSTICO ESSENCIALMENTE CLÍNICO, NÃO HAVENDO NENHUM EXAME COMPLEMENTAR QUE FAÇA O DIAGNÓSTICO, A NÃO SER O QUE O MÉDICO DÁ, AO EXAMINAR A CRIANÇA.
    Portanto o EEG que a mãe se refere não vai ajudar em nada se já existe o diagnóstico, inclusive duas pacientes que eu trato nunca pedí tal exame.
    O EEG não foi realizado e foi explicada a esta senhora, da falta da medicação (hidrato de cloral a 20%) que serve pra sedar a criança enquanto se raliza o exame.Este medicamentyo usamos muito pouco e, o existente no nosso consultório estava vencido por falta de uso.A nossa secretária informou que iríamos mandar fazer em uma das farmácias de manipulação.Por ser medicamento de difícil controle não existia em nenhuma das da na nossa cidade.
    Somente ontem, a salutaris se comprometeu a nos fornecer 100 ml desta medicaçao. Aí sim poderá ser realizado o exame.
    Outrossim informo que o exame poderia ser realizado em Natal,Fortaleza já que o exame estava autorizado.
    Durante todo este tempo a mãe não fez nessas cidades.Porque? Se o exame era de urgência como ela diz!!!!!
    Que informar a você e seus milhares de leitores que em 35 anos de médico nunca comprometí a minha vida com bobagens ou qualquer outro fato que me desabone.
    É por isto e muitos outros que nós médicos cada dia estamos procurando nos afastar da profissão, nos aposentando prematuramente e, ou mesmo entrando em outras áreas.
    O médico em sua essência de antigamente (e eu me incluo nesses) está em fase de extinção.
    É lamentável.
    um cordial abraço

    Paiva

  2. Manoel Gondim diz:

    Dr Paiva o Senhor tem o apoio em sua totalidade!

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