sexta-feira - 30/06/2017 - 16:31h
Reflexão

O discurso que esconde uma verdade


O discurso de que pelo estudo se chega ao alto, pelo menos em termos de cargos públicos de alta remuneração, esconde intencionalmente uma outra verdade – insofismável: o ponto de partida não é igual para todos.

À grande maioria não faltaria apenas força de vontade. Ou inteligência. Faltam meios.

Ser juiz, promotor público etc., com boa retaguarda financeiro/familiar, bons colégios, cursinhos etc., deve ser menos difícil do que nascendo na periferia, em famílias desestruturadas, ocupando sala insalubres em colégios públicos e ambientes sociais muitas vezes inóspitos.

Nem todos têm a “sorte” de sair desse tipo de ambiente, dando salto vertiginoso em termos de emprego e renda.

Existem as exceções, mas são mesmo exceções.

Infelizmente.

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog

Comentários

  1. François Silvestre diz:

    Perfeito, Carlos. Não se raciocina cientificamente com exceções. Nem filosoficamente. As exceções servem para amparar o argumento da regra. É isso mesmo que você disse. E o mais grave: sem sinalização sequer de um início de mudança. Nem tentativa. É um quadro de depressão coletiva.

  2. Ciro de Medeiros Leite diz:

    Perfeito Carlos Santos. Meritocracia é importante e válido, mas, e para quem não teve condições apropriadas para seguir em frente?

  3. FRANSUÊLDO VIEIRA DE ARAÚJO diz:

    Sem nenhuma dúvida, esse propagandismo a respeito de concursos públicos, deveras tenta esconder o cínico discurso que envolve a dita meritocracia, especialmente num país, povo e nação em que, de fato e de direito, as oportunidades reais passam ao largo da maioria excluída desde as Capitanias Hereditárias.

    Sempre digo e repito. Não caiam no conto da meritocracia seletiva…à brasileira.
    Ela já exclui quando quer igualar os desiguais…
    Tal história, não passa de conto da carochinha que quer apenas com muita astúcia, preservar os bons lugares da sociedade para as minorias que por ali sempre esteve…
    O Brasil não pertence a uma minoria… O Brasil é do povo Brasileiro!
    É da nossa gente trabalhadora que carrega nosso país nas costas e tem o direito de ter as oportunidades que as minorias abastas têm!

    Nesse sentido, peço vênia para transcrever escrito do Advogado Tiago Leão Monteiro.

    O Lindo Conto da Meritocracia Brasileira
    Por Redação| Política 1 comentário

    Por Tiago Leão Monteiro,

    De acordo com o site da entidade Ironman (Brasil), este é o “maior evento de Triátlon do mundo, que desafia os atletas a percorrer(em) 3.8 km de natação, 180.2 km de ciclismo e 42.2 km de corrida” e aqueles que conseguem terminar o percurso podem levar de oito a dezessete horas de sufoco para fazê-lo.

    Sabemos que na nobilíssima competição desportiva todos os participantes largam do mesmo lugar, ao mesmo tempo, segregando os preparadíssimos homens e mulheres, ou seja, em total (ou quase) igualdade de oportunidades, e nada menos que a nata do atletismo mundial participa do evento.

    Já no Ironman da vida profissional brazuca, a maioria esmagadora dos participantes divide-se, não entre triatletas, mas entre aqueles “maratonistas” de araque fantasiados que se destacam na largada e não aguentam meio quilômetro de corrida, e aqueles que, mesmo levando a sério, alcançam no máximo a marca de 20km dos 42,195 km.

    Há também aquela minoriazinha que incrivelmente consegue alcançar o fim, mesmo que transbordem a barreira das dezessete horas, como o caso do “sem teto” que estudava com livros achados no lixo e virou médico.
    Mas atenção ao detalhe. No Ironman brazuca, cada participante larga de uma posição diferente.

    Diretamente de Ibiza, o triatleta radicado nas tracks da Universidade de Massashusets chega de possante, é filho de
    um diretor da competição e larga a menos de 10km do fim da corrida.

    Depois dele, alguns não tão abastados e não tão preparados largam do fim da natação e se estrepam para alcançar alguma das poucas bicicletas disponíveis para a próxima etapa. Os sortudos se apaixonam pela magrela e nunca mais a abandonam.

    Chegando de busão, van, a pé e até de carro de boi, aqueles matutos que, ainda aprendendo a andar, mal largam e já são excluídos da disputa por um maluco já saído da corrida, algum agente da segurança ou mesmo por outro participante.

    Tem até o que nem ao menos consegue largar. A direção da prova não permite, sabe-se lá (será?) por que.
    Alguns coitados desnutridos, não sabendo nadar, quase se afogando na praia são agraciados com uma boiazinha bem pequena, daquelas de por no braço de bebês, e ficam ali boiando eternamente (essa “colher de chá” é nova – é pegar ou largar), ao menos até um daqueles três lá de cima resolver excluí-los da prova.

    Meritocracia é, ou deveria ser um sistema que visa sempre justiça e equidade, não dando espaço para distinções de gênero ou raça, posição social, status ou condição financeira, e outros mais fatores. Não me parece muito justa essa peleja ou, ao menos próximo do conceito, mas essa é a meritocracia à brasileira tão defendida pelos ditos neoliberais.

    Pergunto-te, agora: A quem realmente interessa o Ironman brazuca?

    (*) Tiago Leão Monteiro é advogado.

    Um baraço

    FRANSUÊLDO VIEIRA DE ARAÚJO.
    OAB/RN. 7318.

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