domingo - 17/01/2021 - 07:24h

O médico e o enfermeiro

Médico e enfermeiro - ilustração corretaPor Paulo Menezes

Vassimon Negreiros e Lenilton Moreira Maia foram contemporâneos nos estudos e hóspedes no mesmo hotel na famosa rua Senador Pompeu, em Fortaleza. Tanto um quanto o outro gostava de “aprontar”.

Final do mês o dinheiro de Lenilton ainda não tinha chegado quando Vassimon o convidou para uma cervejada nos cabarés situados na zona portuária da capital alencarina.

– Estou liso, afirmou Lenilton.

– Meu dinheiro esse mês veio com sobra. Não se preocupe, é tudo por minha conta, garantiu Vassimon.

E lá se foram os dois para mais uma aventura.

Por volta das 17 horas, quando já tinham tomado todas as cervejas a que tinham direito, chamando Jesus de Genésio, Vassimon disse a Lenilton que como ele, também estava liso de pegar verniz.

A reação do colega de manguaça foi desoladora. Nem titubeou nas palavras e no destino que previa para ambos:

– Pois hoje não escapamos do camburão.

Nesse ínterim, eles notaram uma movimentação além do normal em um dos quartos do bordel. Perguntaram então ao garçom o porquê daquela situação estranha.

– É que uma mulher está passando mal. Ela está com umas dores na barriga e chegou a desmaiar. Vendo aquela situação, Vassimon vislumbrou se livrar do fantasma do xadrez. Avisou logo que era médico e poderia intervir em socorro àquela pessoa. Lenilton, aquele cara a seu lado, era enfermeiro.

Se dirigiram ao cômodo e mandaram que todos se retirassem do recinto. Pediu que lhe trouxessem uma bacia com água fervendo e uns cinco panos limpos. Ao chegar o material solicitado, submergiu o pano na água quente, segurou numa ponta e mandou o “ajudante” segurar na outra.

Ato contínuo rolaram o pano quente na barriga da mulher com movimentos subindo e descendo. Imediatamente a mulher diminui o gemido dizendo que a dor estava passando. O fato é que antes de ser aplicada a quinta compressa, a paciente se disse completamente curada.

Foi quando o ‘doutor’ se aproveitou da situação e pediu a conta. O garçom começou a contar os vasilhames, a coisa foi se complicando, um olhando para o outro, quando de repente vem o alívio.

A proprietária do “estabelecimento” avisou que a conta ficava para a “casa”. Assumiu as despesas e consequentemente livrou os aventureiros do temível camburão.

Já que a coisa estava boa, Vassimon resolveu abusar, pedindo a saideira de lambuja, para dividir com o amigo e ‘enfermeiro’ Lenilton.

Depois, saíram lépidos e fagueiros de volta para o hotel. Nem ressaca tiveram.

Paulo Menezes é meliponicultor e cronista

Categoria(s): Crônica

Comentários

  1. Odemirton Filho diz:

    Boa, boa. Não conhecia esse lado de Vassimon Negreiros, rsrsrs.
    Sei que ele é gente boa, da melhor qualidade.

    Parabéns, Paulo. Bela crônica. Leve e solta, como deve ser.

    Abração!

  2. Ramalho Costa diz:

    Boa crônica Paulo. Está se revelando um bom cronista

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