domingo - 03/09/2017 - 13:48h

O transeunte


Por Cecília Meireles

Venho de caminhar por estas ruas.
Tristeza e mágoa. Mágoa e tristeza.
Tenho vergonha dos meus sonhos de beleza.

Caminham sombras duas a duas,
Felizes só de serem infelizes,
E sem dizerem, boca minha, o que tu dizes…

De não saberem, simples e nuas,
coisas da alma e do pensamento,
E que tudo foi pó e que tudo é do vento…

Felizes com misérias suas,
como eu não poderia ser com a glória,
porque tenho intuições, porque tenho memória…

Porque abraçada nos braços meus,
porque obediente à minha solidão,
vivo construindo apenas Deus…

Cecília Meireles ((1901-1964)

Categoria(s): Poesia

Comentários

  1. naide maria rosado de souza diz:

    Beleza!

  2. François silvestre diz:

    Sem ousar comentar, peço á própria Cecília que comente:

    Não te aflijas com a pétala que voa:
    também é ser, deixar de ser assim.
    Rosas verá, só de cinzas franzida,
    mortas, intactas pelo teu jardim.
    Eu deixo aroma até nos meus espinhos
    ao longe, o vento vai falando de mim.
    E por perder-me é que vão me lembrando,
    por desfolhar-me é que não tenho fim.

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