domingo - 30/08/2020 - 11:16h

Produção e exportação de manga devem ser prioridades

Por Josivan Barbosa

O Polo de Agricultura Irrigada RN – CE precisa aumentar a área de produção com manga, especialmente na região da Chapada do Apodi, compreendendo os municípios que possuem mais de uma fonte de água como é o caso da região polarizada pelo município de Apodi que apresenta facilidade na exploração da água do lençol freático Arenito-Açu. A área de produção com manga no Polo de Agricultura Irrigada RN – CE é praticamente a mesma da década de 90.

Depois da desativação das áreas de produção de manga no Vale do Açu no final da década de 90 que pertenciam à Frunorte, nenhuma outra empresa avançou na produção de manga. A produção de manga para exportação está concentrada em apenas uma empresa, a antiga Finobrasa (hoje Finoagro).

Fruta tem baixa exportação (Foto ilustrativa)

A maior parte da produção de manga para exportação do Brasil está concentrada no Vale do São Francisco que responde por cerca de 85% da exportação da fruta do país. O Brasil exporta apenas 15% do que produz.

Exportação de manga II

A manga é produzida o ano todo, mas a produção concentra-se no segundo semestre (outubro a dezembro). Com a desvalorização do real frente às principais moedas dos países importadores (dólar, euro e libra) o preço para o produtor está mais atrativo, apesar do aumento no custos de produção, já que boa parte dos insumos são adquiridos de multinacionais.

Os principais concorrentes no mercado internacional são Peru (produz de dezembro a março) e países da América Central (Guatemala, Costa Rica e Honduras). Os países produtores da África (Senegal, Costa do Marfin e Mali) produzem nos meses de Maio e Junho e  Israel, que produz de  Julho a Setembro.  O mercado Europeu cresce cerca de 10 a 15% ao ano, ou seja, a cada sete anos dobra de tamanho. Há países europeus que apresentam um consumo elevado de manga e outros cujo consumo ainda é muito pequeno.

O consumo per capta médio anual europeu de manga é de aproximadamente meio quilo, entretanto, Portugal é um grande consumidor com 3,5 kg e Suiça 1, 7 kg. Isso mostra o grande potencial de crescimento do mercado europeu para a manga e, assim, o Polo de Agricultura Irrigada RN – CE tem na manga uma excelente alternativa para diversificar a produção que está concentrada no melão e melancia, com cerca de 20 mil hectares.

Exportação de manga III

Um das grandes empresas  exportadoras de manga do Brasil para a Europa no Vale do São Francisco é a Agrodan (Agropecuária Roriz Dantas) que possui uma área de 1200 hectares e que planeja aumentar nos próximos anos para cerca de 2000 ha. O mercado interno, apesar da crise financeira da população após a pandemia ter retraído, mas tem muito potencial.

Há duas áreas no Rio Grande do Norte que poderiam ser usadas pelas empresas para a produção de manga. A segunda etapa do DIBA (Distrito Irrigado Baixo-Açu) e o Distrito Irrigado Santa Cruz do Apodi.

/A Segunda etapa do DIBA possui 3000 ha, com lotes empresariais de 100 hectares cujo investimento está sendo feito pelo Governo do RN da ordem de R$ 10 milhões oriundos do empréstimo do Banco Mundial (RN Sustentável/RN Cidadão).  Até o momento já foram licitados 2000 ha e entregues às empresas que estão investindo em infraestrutura para iniciar a produção.

O projeto do Distrito Irrigado Santa Cruz do Apodi está parado, mas espera-se que a Bancada Federal viabilize a retomada da obra, que já consumiu muitos milhões de reais.

Mel

De acordo com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) produtos agropecuários menos tradicionais na balança comercial brasileira como cera, mel, lácteos, chás, mate e especiarias têm aumentado a participação nas exportações do país e ajudado a impulsionar os embarques do setor, liderados por grãos e derivados, carnes, produtos florestais, açúcar, etanol e café. A CNA mantém um projeto de promoção dessa cesta de produtos no exterior, além de frutas e pescados, ainda carentes de mercados em outros países.

A inclusão do mel nesta variedade de produtos exportados vem ao encontro dos apicultores do Semiárido Nordestino que passaram por tempos difíceis durante a última grande seca (2011-2017).

Projeto Eólico Serra do Mel

Em plena pandemia, a Echoenergia conseguiu concluir, com três meses de antecedência, as obras do projeto eólico Serra do Mel I que recebeu R$ 1,5 bilhão em investimentos. Com isso, atingiu a marca de 1 gigawatt (GW) de potência instalada, se tornando a 2ª maior geradora eólica do país, considerando ativos em operação.

A próxima grande obra é o desenvolvimento do complexo adjacente Serra do Mel II, que envolve aportes de mais R$ 1 bilhão. E, assim, a nossa Serra do Mel avança num setor estratégico, o de energia renovável.

Casa dos Ventos

A comercializadora Capitale Energia acaba de fechar um PPA (contrato de compra e venda de energia) de longo prazo com a Casa dos Ventos, uma das maiores desenvolvedoras de projetos eólicos do país. O acordo prevê o fornecimento de 13 megawatts (MW), por um prazo de 10 anos, a partir de uma das sociedades de propósito específico (SPEs) do complexo eólico Rio do Vento, que está sendo desenvolvimento pela Casa dos Ventos no Rio Grande do Norte. A empresa já está em negociação com outros geradores renováveis para novos acordos do tipo, e o próximo contrato deve envolver um empreendimento solar.

Com investimentos de R$ 2,4 bilhões, o Rio do Vento terá oito parques eólicos, com potência total de 504 MW e expansão já planejada para uma segunda fase. Apenas uma pequena parte da energia do complexo foi vendida no ambiente regulado (ACR): o principal foco está na venda ao ambiente livre (ACL), por meio de PPAs com consumidores de médio e grande porte.

Os exemplos acima mostram mais uma vez a importância da formação no Estado do RN de profissionais voltados para a geração de energia (engenheiros de energia) o que aumenta a responsabilidade da Universidade do Semiárido em reativar o curso de Engenharia de Energia.

Seguro agrícola para o melão

O seguro agrícola no Brasil com subvenção do MAPA historicamente não atende nem 10% da área plantada e tem sido restrito aos grandes produtores de grãos e às grandes cooperativas do Sul e Sudeste do país. Ocorre que, a atual ministra da agricultura, Tereza Cristina tem avançado no incremento dos valores reservados anualmente no Plano Safra, tendo a perspectiva de triplicar de valor na safra 2020/21 que era, até o Plano Safra anterior, em torno de apenas meio milhão de reais. Com o aumento no valor disponibilizado pelo Governo Federal, há uma oportunidade para que parte da produção de frutos seja beneficiada pela primeira vez na história. Nesse sentido, a cultura do melão pelas características de susceptibilidade a contratempos climáticos pode ser a primeira a despertar o interesse das seguradoras.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Rural do Semiárido (UFERSA)

Categoria(s): Artigo

Comentários

  1. Q1naide maria rosado de souza diz:

    Prof. Josivan, o Sr. me enche de esperanças!

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