domingo - 12/09/2021 - 10:00h

Safra 2021/22 chega à Europa com mais espaço de mercado

Por Josivan Barbosa

Após uma temporada difícil para os melões espanhóis, os primeiros carregamentos de melão e melancia brasileiros chegaram para dar início a temporada de exportação de frutos para a Europa da safra 2021/22.

As informações que chegam da Europa é que a qualidade do melão brasileiro está bem acima do concorrente europeu, a Espanha. A qualidade do melão espanhol já estava deixando muito a desejar e o espaço de mercado passa a partir de agora a ser ocupado pelo melão brasileiro.

Produtos chegam à Europa com boa competitividade (Foto: JB)

Produtos chegam à Europa com boa competitividade (Foto: JB)

O preço do melão Galia está na faixa de 9 -9 euros/caixa. O melão amarelo e o cantaloupe estão sendo vendidos por 9 – 10 euros/caixa. Também já há algum volume de melancia brasileira no mercado europeu, a qual atinge valores de 10 – 11 euros/caixa, ao passo que as melancias sem sementes atingem 12 – 13 euros/caixa. A Espanha também coloca melancias sem sementes na Europa e concorre com a melancia brasileira.

O preço da melancia sem semente pode ainda ser recuperado ao longo da temporada, pois no início ainda há muita melancia sem semente fornecida pelo produtor espanhol.

O preço do transporte marítimo não sofreu baixa, o que dificulta a abertura do mercado de exportação para novos exportadores. Com os custos elevados do frete marítimo, só compensa exportar com segurança de mercado.

O importador europeu tem sido informado que a temporada brasileira tende a fornecer menos melão do que na temporada passada, mas ele sempre desconfia de que não passe de mais uma estratégia de mercado dos exportadores brasileiros.

Pitaya

Já defendemos neste espaço que a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Estado do RN poderia em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) implantar um programa de cultivo de pitaya no Médio e Alto Oeste do RN, pois é uma região desértica no que diz respeito ao cultivo de frutas. Como a água é o principal fator limitante para a agricultura irrigada naquela região, o cultivo de pitaya pode ser altamente lucrativo para o produtor. Nesta semana o quilo de pitaya estava sendo vendido em Mossoró a R$ 35,00.

Para exemplificar que o projeto pode ser uma boa oportunidade, usamos o exemplo do Peru, um dos principais países exportadores de frutas do mundo.

Os produtores peruanos das comunidades de Sullana e Piura estão articulando a formação de uma cooperativa agrária para exportar pitaya. As áreas serão de pequenos produtores com até três hectares.

Um projeto dessa natureza precisa de apoio do Estado, pois os custos para implantação de um hectare de pitaya são elevados.

No Peru os custos para a instalação de um hectare oscilam entre 40 mil e 50 mil dólares.

Outra alternativa poderia ser apenas a Secretaria de Agricultura estabelecer um canal de comunicação com ONGs internacionais que tenham interesse no financiamento do projeto. Essa alternativa está sendo usada pelo Peru com uma ONG holandesa.

A pitaya é um fruto que é altamente valorizado em toda a Europa. Outro grande produtor de pitaya é o Equador.

Engenharia de Energia

Em 2007 tivemos a felicidade de constituir uma comissão formada por três docentes para instalar na UFERSA o primeiro curso de Engenharia de Energia do Norte/Nordeste e o terceiro do país.

Após pouco mais de uma década, o Nordeste se transforma na principal região exportadora de energia sustentável para o Sudeste e passa a precisar dos nossos engenheiros de energia.

Engenharia de Energia: mercado (Foto ilustrativa)

Engenharia de Energia: mercado (Foto ilustrativa)

Há 70 anos foram definidas as diretrizes para o setor elétrico brasileiro, a partir de grandes usinas hidrelétricas. Naquela ocasião, o Brasil possuía cerca de 4 mil MW de potência instalada. A solução então desenhada funcionou bem por 50 anos. Graças às grandes hidrelétricas, dominamos tecnologias de construção de barragens e erguemos um parque produtor de equipamentos.

Nos últimos 20 anos, por vários problemas, sujamos a nossa matriz de geração, enfrentamos um racionamento e estamos a caminho – quase inevitável – de outro.

Tais problemas imediatos, porém, são pequenos face ao desafio de neutralizar nossas emissões de carbono até 2050. Para que isso seja possível, governo e sociedade civil devem acordar e começar imediatamente a adotar um conjunto de medidas para aumentar a participação de fontes não poluentes na matriz energética brasileira.

A capacidade instalada resultante para atender o crescimento orgânico do consumo de eletricidade e as substituições da energia tradicional  em 2050 serão de cerca de 450 mil MW (atualmente são 170 mil MW). Dos 450 mil MW, cerca de 340 mil MW seriam oriundos de novas fontes limpas, parte intermitentes (eólicas e solares) e parte de geração de base.

As fontes intermitentes limpas eliminariam não só todas as emissões de gases de efeito estufa do setor de energia elétrica, metade ou mais das emissões do setor de óleo e gás e ainda criariam um poderoso instrumento de gestão territorial, cuja inexistência hoje é responsável por 2/3 das emissões de carbono brasileiras. E assim, o Nordeste, que até o século passado  exportava mão de obra para o Sudeste, agora para a exportar energia solar e eólica.

A eficiência dessas neo matrizes energéticas dependem muito dos técnicos que vamos formar nas nossas universidades, como é o caso dos nossos engenheiros da área de energia.

Águas do Velho Chico

As perspectivas não são boas para os usuários das águas do Velho Chico. Nos próximos meses será intensificado o uso das águas para a geração de energia para ser exportada para o Sudeste.

Uma das ações tomadas nesta semana pelo Ministério de Minas e Energia, que acabou sendo ofuscada pelo aumento da bandeira tarifária e pelo bônus dado aos consumidores para uma redução voluntária da demanda, foi liberar mais água das usinas hidrelétricas no curso do São Francisco. Com isso, o objetivo do governo é gerar mais energia na região Nordeste e transferir esse excedente para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, onde está a pior situação dos reservatórios no país.

A decisão do Governo Federal fez com que o Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, que tem governos estaduais e usuários do rio entre seus integrantes, criticasse duramente as mudanças de vazão nas usinas hidrelétricas do Velho Chico a fim de ampliar o fornecimento de energia do Nordeste para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste.

Após essa decisão do Governo Federal cai por terra qualquer tentativa de instalar novas áreas de agricultura irrigada no Polo de Agricultura Irrigada RN – CE que dependa das águas da transposição.

Mais uma fábrica de cloro-soda

A Prefeitura de Mossoró e o Governo do Estado precisam de sintonia para que a região seja escolhida como sede da nova fábrica da Unipar Carbocloro que planeja operar uma nova fábrica no país, na região Nordeste. A quarta unidade da companhia, que já tem operações no Sudeste e na Argentina, poderá ser construída do zero – um projeto “greenfield”, mediante investimentos de algumas centenas de milhões de reais.

A intenção da Unipar é produzir o cloro e explorar as oportunidades que virão com o novo marco. Não está nos planos acoplar uma linha de produção de PVC à futura unidade, ao menos inicialmente. A decisão final de investimento provavelmente será tomada em 2022.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

Categoria(s): Artigo
domingo - 05/09/2021 - 10:42h

Maisa, história de exuberância no campo e um fim que deu frutos

Por Josivan Barbosa

Durante a semana conversei demoradamente com um ex-agrônomo da antiga Maisa (Mossoró Agro Industrial Sociedade Anônima). Lembramos das grandes áreas de maracujá, acerola, manga, melão, melancia e a cultura original, o caju. Na Maisa também havia uma área bem representativa com o cultivo de sapota.

No auge da produção da empresa, registrava-se uma área de cultivo por safra de cerca de 4000 ha de melão e melancia. A empresa foi a grande responsável pela abertura inicial do mercado do Reino Unido e depois conquistou a Europa e os Estados Unidos, colocando o melhor melão do mundo no mercado de frutas frescas mais exigente do planeta (veja vídeos abaixo produzidos nos anos 80 e 90, inclusive  reportagem nacional com o jornalista Goulart de Andrade, falecido em 2016, na ativa, com 83 anos).

A Maisa tinha ainda uma fábrica de suco e uma fábrica de castanha, ambas de excelente padrão técnico.

O escritório da Maisa, que ainda se pode observar as suas ruínas ao passar pela BR 304, era uma estrutura invejável para os padrões da época. Havia dentro do escritório um restaurante terceirizado para atender apenas aos funcionários que ali trabalhavam e que residiam na sede do município de Mossoró ou em Fortaleza.

Uma imagem que nos faz lembrar do padrão Maisa é a presença no estacionamento de diversos veículos importados usados pelos seus diretores. No final da década de 80 era raro encontrar um desses veículos rodando pelas ruas de Mossoró, mas no estacionamento do escritório eram vários os exemplares. Lembro bem que pela primeira que conheci uma Cherokee foi exatamente lá.

O fim

A pergunta que cabe e que já foi feita por vários leitores dessa coluna é: por que uma empresa do porte da Maisa fechou as suas portas?

Claro que não estamos aqui querendo trazer para o debate as inúmeras razões que levaram ao fracasso da empresa, mas a exemplo de outras agroindústrias que também fecharam as portas na mesma época, como a Frunorte Ltda, Agro Now e Fazenda São João, um ponto que pesou muito para a descontinuidade dessas empresas foi a instabilidade financeira que o país atravessou.

Todas essas empresas trabalhavam com crédito agrícola e se submeteram à inflação exorbitante que em março de 1990 alcançou 84,22%. Essas empresas também se submeteram a diversos planos econômicos, alguns deles de grande fracasso. Elas não alcançaram o período da nova matriz econômica instalada a partir de 1999 no segundo Governo de FHC.

Acreditamos que se tivessem ultrapassado a instabilidade econômica da década de 90, ainda estariam vivas.

Outro aspecto que contribuiu para o fechamento dessas empresas foi a instabilidade do câmbio, onde houve um período em que a valorização do real de forma artificial passou de 4 reais por dólar para 0,80. Isso foi fatal para as empresas exportadoras de frutos, pois os contratos dessas empresas eram todos feitos em moeda estrangeira. Foram poucas as empresas que conseguiram se readaptar e redirecionar o produto para o mercado nacional.

Também não podemos esquecer que a partir do momento em que alguma dessas empresas passaram a cumprir com os compromissos dos empréstimos bancários corrigidos pela gigantesca inflação, houve dificuldade de se manterem adimplentes com os bancos. Esse problema contribuiu muito para que algumas fossem tomadas pelos bancos e leiloadas ou mesmo vendidas para assentamentos rurais.

É o caso da Maisa em que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) constituiu a partir do início da década de 2000 o assentamento Eldorado do Carajás II, formado inicialmente por mais de 1000 famílias assentadas e a Frunorte, onde em apenas uma das fazendas localizada no município de Carnaubais, o Incra instalou três assentamentos. Também em parte das terras da Fazenda São João, há dois assentamentos instalados. Um que fica na RN 015 e outro que fica na comunidade rural de Alagoinha.

Grande Maisa

A região que hoje é denominada de Grande Maisa é a mais produtiva do Polo de Agricultura Irrigada RN – CE que vai de Touros – RN até Limoeiro do Norte – CE, numa distância de cerca de 400 km.

A Maisa representou, na prática, uma verdadeira escola de produção de frutas. Os agrônomos que ficaram desempregados após o fechamento dela adquiriram áreas por compra ou arrendamento no seu entorno (Pau Branco, Sítio Jardim, Pedra Preta, Córrego Mossoró, Mata Fresca, Cajazeiras, Santa Maria, Aroeira, Cacimba Funda, entre outros) e se instalaram no formato de associações, cooperativas ou empresas individuais.

Esses técnicos representam o principal pool de produtores da região da Grande Maisa e continuam adquirindo áreas para ampliar a produção ou servir como alternativa para o plantio alternado ano após ano (descanso das áreas), prática muito necessária nas culturas de melão e melancia.

Preservação e construções

A nova lei aprovada na semana passada na Câmara dos Deputados pode mudar a realidade de construções ao longo do trecho urbano do Rio Apodi – Mossoró.

Rio Apodi-Mossoró no centro da cidade de Mossoró (Reprodução)

Rio Apodi-Mossoró no centro da cidade de Mossoró (Reprodução)

O plano diretor dos municípios poderá determinar uma área de preservação menor nas regiões urbanizadas do que a prevista hoje em lei federal, desde que estabeleça regras para “não ocupação de áreas de risco de desastres” e que os empreendimentos instalados sejam de “utilidade pública, interesse social ou baixo impacto ambiental”.

A lei hoje determina que as construções urbanas são proibidas a menos de 30 metros de rios e lagos menores. O tamanho da faixa aumenta de acordo com o tamanho do curso d’água, podendo chegar a até 500 metros de preservação no caso de rios ou lagos com largura superior a 600 metros. Se o projeto for sancionado, a área de proteção pode ser menor.

O texto que será discutido no Senado teve apoio do governo e do setor de construção civil, mas passou sob protestos de ambientalistas.

Como a nova Lei não estabelece uma faixa mínima para as cidades corre-se o risco de   que ocorra invasão de novas áreas por construções. Outro aspecto negativo é que os prefeitos e vereadores estarão mais sujeitos a pressões locais por flexibilização.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

Categoria(s): Artigo
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domingo - 29/08/2021 - 12:00h

Uma estrada longe demais

Por Josivan Barbosa

Durante a semana tivemos a oportunidade de mais uma vez trafegar pela famosa Estrada do Cajueiro (BR 437 – projeto encaminhado pelo deputado Betinho Rosado). Diferente das outras vezes, iniciamos o percurso a partir do novo entroncamento com a RN 015 (terceira etapa da Estrada do Melão), à altura da comunidade de Boa Sorte.

O trecho até a divisa com o Ceará (Comunidade de Baixa Branca) está em péssimas condições de tráfego, apesar da pouquíssima chuva que caiu na Chapada do Apodi no último período de chuvas.

Encontro da Estrada do Melão etapa III com a BR 437 - Estrada do Cajueiro na comunidade rural de Boa Sorte (Foto: Josivan Barbosa)

Encontro da Estrada do Melão (etapa III) com a BR 437, Estrada do Cajueiro em Boa Sorte (Foto: Josivan Barbosa)

Não temos condições de falar sobre o trecho compreendido entre o Distrito de Jucuri e o entroncamento com a RN 015, mas não deve estar em boas condições, pois, é uma região de solos rasos e, assim, há muitas pedras na superfície.

A parte do Rio Grande do Norte da BR 437 tem extensão de apenas 32 km e se continuarmos com essa capacidade de articulação da Bancada Federal em Brasília, é provável que passaremos mais uma década sem a sua pavimentação.

O trecho que se inicia no Km zero (parte da estrada no estado do Ceará) na comunidade de Baixa Branca e que tem uma extensão de 52 km até a BR 116, após o município de Tabuleiro do Norte (sentido Sul), está em ótimas condições de trafegabilidade até o DIJA (Distrito Irrigado Jaguaribe – Apodi).

Inclusive, há um trecho que já foi pavimentado que se inicia na comunidade do Km 60, onde está instalada a Calcário do Brasil, uma grande fábrica de cal do grupo Carbomil.

Em toda a extensão da Estrada do Cajueiro é visível os sinais de êxodo rural. Há inúmeras casas abandonadas, mesmo sendo de boa qualidade para a região. O isolamento e a dificuldade de transportes coletivos provocaram a saída de inúmeras famílias ao longo da Estrada do Cajueiro.

Apesar de ser uma região com poucas possibilidades de desenvolvimento da agricultura irrigada em função da limitação de água, mas os poucos produtores sempre tiveram muita dificuldade de escoar a produção, o que tornou a Estrada do Cajueiro um deserto de projetos.

Estrada do melão

Tivemos também a oportunidade de conhecer a terceira etapa da Estrada do Melão que é um prolongamento da RN 015 a partir do eixo viário de Baraúna e que tem uma extensão de 18 km. Fiquei surpreso com a quantidade de produtores da agricultura irrigada que estão se instalando ao longo daquele trecho, o que mostra que estrada sempre implica em desenvolvimento de novos projetos. São produtores de banana (principal cultura instalada), melão, melancia, mamão formosa, maracujá, entre outros.

Há logo no início da estrada uma área com maracujá que com certeza é a maior já instalada nos últimos anos na região compreendida pelo Polo de Agricultura Irrigada RN – CE que vai de Touros – RN até Limoeiro do Norte, numa extensão de cerca de 400 km.

O Governo do Estado do RN está de parabéns pela conclusão da terceira etapa da Estrada do Melão e agora é partir para concluir a segunda etapa que vai da BR 304 (altura da comunidade rural do Km 31) após a sede da antiga Maisa até a sede do município de Baraúna. No trecho da segunda etapa há várias comunidades rurais tradicionais e inúmeros assentamentos que serão beneficiados com o projeto. É um trecho que tem muitos produtores rurais de pequeno e médio porte.

A gestão política para a construção da Estrada do Melão iniciou-se em 2005 no Governo de Wilma de Faria. Já são 16 anos de luta pela Estrada do Melão. Até o momento foram feitos menos de 40 km, faltando ainda cerca de 32 km.

O município mais beneficiado com a Estrada do Melão é, sem dúvidas, Baraúna. Mas, por incrível que pareça, é o município que menos tem feito gestão política para a conclusão da estrada.

Exportação do melão e melancia

Iniciou-se na semana passada a temporada de exportação de melão e melancia da safra 2021/22 para a Europa e outros continentes.  A exportação sempre se inicia entre as semanas 33 e 34, o que novamente se repetiu em 2021.

Os primeiros embarques foram marcados por atraso de navios e os três portos (Pecém, Mucuripe e Natal) estão sendo utilizados pelos exportadores, conforme a frequência de navios. A concentração de frete marítimo na mão de poucas empresas multinacionais é o grande problema enfrentado pelo produtor por ocasião de negociação dos contratos de frete.

Rio Jaguaribe

O volume de água disponibilizado no Rio Jaguaribe para atender os produtores da agricultura irrigada dos perímetros irrigados como o DIJA e o DISTAB (Distrito Irrigado Tabuleiro de Russas) está colocando em dificuldade os novos projetos de agricultura irrigada da região da Chapada do Apodi e Vale do Jaguaribe.

Durante a semana estivemos na Barragem das Pedrinhas (Limoeiro do Norte) e na Barragem de Quixeré. Em ambas, a vazão é mínima e não atende a necessidade do produtor. Não acreditamos que a integração da bacia do Rio Jaguaribe com a bacia do São Francisco mude a situação. Já será de bom tamanho se a água do São Francisco (Velho Chico) atender a demanda de Fortaleza e entorno.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

Categoria(s): Artigo
domingo - 22/08/2021 - 10:44h

Com a “Melon & Co.”, Agrícola Famosa amplia sua força internacional

Por Josivan Barbosa

A Agrícola Famosa, umas das principais empresas produtoras e exportadoras de melão do mundo, criou uma nova empresa no Reino Unido denominada de Melon & Co. (veja AQUI). A nova empresa nasce com a missão de ampliar e cuidar mais de perto do cliente inglês.

A Inglaterra representa em torno de 35% do destino do melão e melancia produzidos pela empresa genuinamente mossoroense que nasceu na última década do século passado mediante a bravura de Carlos Porro e Luiz Barcelos.Melon & Co. - Agrícola Famosa

A Agrícola Famosa aproveitou muito bem o espaço comercial de frutas frescas deixado por empresas como Maisa, Nolem e Delmont e ampliou a sua participação na Europa no fornecimento do produto.

O grupo detém cerca de 70% da quota de mercado do melão e melancia do Reino Unido, através de venda direta às grandes redes de supermercados que anteriormente era feito em sintonia com a empresa FESA UK.

A empresa mossoroense trabalha com a expectativa de melhorar o serviço que presta ao cliente inglês acompanhando em detalhes a qualidade do produto que chega ao consumidor. Ela fornece atualmente cerca de 3.300 contêineres por ano ao mercado da Inglaterra e vizinhos.

A Agrícola Famosa pode, também, a partir de agora firmar parcerias com empresas produtoras de frutos na América Central e na própria Europa (especialmente Espanha) para fornecer o produto na época da entressafra do melão e da melancia no Semiárido Nordestino.

Frete marítimo

A safra 2021/22 do melão e melancia começa com uma incerteza para o exportador. Trata-se da dificuldade em função do alto preço das tarifas de frete marítimo. Algumas rotas ultramar terão dificuldades de disponibilidade de contêineres refrigerados, equipamento indispensável para a exportação de melão e melancia do Nordeste Brasileiro para a Europa, Estados Unidos e Ásia.

As tarifas de frete dos contêineres refrigerados sofreram aumentos consideráveis durante o primeiro semestre e ainda se trabalha com a expectativa de incremento no segundo semestre e no próximo ano.

O caos logístico global e a disparada nos fretes marítimos provocados pela pandemia deverão se estender ao menos até 2022. Isso significa preços altos e prováveis atrasos na chegada de produtos pelos próximos meses.

O Índice Global de Tarifas de Contenedores Reefer de Drewry, uma média ponderada das tarifas das 15 principais rotas ultramar com uso intensivo de contêineres refrigerados confirma um aumento de 32% até o segundo quadrimestre do ano em curso e espera que até o final do terceiro quadrimestre esse valor chegue a 50%.

O principal problema do aumento de preço do frete dos contêineres refrigerados é o alto preço que ele alcança quando é usado para o transporte de carga seca, e o mundo todo está convivendo com escassez de contêineres de uma maneira geral. O mercado tem operado no limite, com escassez de contêineres e falta de navios em todo o mundo. Com o início da temporada de pico – o terceiro trimestre, em que empresas abastecem seus estoques para o fim de ano -, a situação não só deve se prolongar, como poderá se agravar.

A crise afeta todos os segmentos que usam contêineres: calçados, vestuário, higiene pessoal, eletrônicos, equipamentos, alimentos, frutas, carnes refrigeradas, celulose, veículos.

Espera-se que esse problema seja minimizado somente a partir de meados do próximo ano, o que pode trazer um certo alívio no preço dos fretes marítimos.

Produção tem safra com boas expectativas (Foto: cedida)

Produção tem safra com boas expectativas (Foto: cedida)

Safra de melão e melancia

A safra de melão e melancia começou com boas expectativas para o produtor, apesar de que novamente a disponibilidade de água pode ser um problema, especialmente para as empresas que concentram a sua produção na região da Grande Maisa (Mossoró, Tibau, Icapuí, Jaguaruana e Aracati).

Os principais tipos de melão fornecidos para a Europa são: Piel de Sapo, Galia, Cantaloupe e Amarelo.

A tendência é um aumento no fornecimento da melancia sem sementes e da mini melancia que facilita o consumo, evitando desperdício em nível de consumidor, mas ainda há espaço para a melancia tradicional (grande e com sementes).

Energia solar

Se sua empresa pretende instalar uma usina de energia solar, não hesite em acelerar o processo. A Câmara dos Deputados aprovou durante a semana o marco legal da microgeração e minigeração distribuída e trata dos incentivos concedidos à geração de energia solar por pequenos produtores (como consumidores domésticos e empresas menores). A proposta segue para discussão do Senado Federal.

BRF no RN

A BRF decidiu pela construção de um parque para geração de energia eólica no Complexo Eólico Cajuína (Lajes, Angicos, Pedro Avelino e Fernando Pedrosa). O investimento estimado no projeto é de R$ 5,2 milhões por MW instalado. A BRF deverá investir diretamente cerca de R$ 80 milhões. O início das operações está previsto para 2024.

O parque eólico terá capacidade instalada de 160 megawatts médios (MWm), com geração de 80 MWm.

Consórcio de municípios

O município de Mossoró silencia diante de uma boa oportunidade para reduzir os custos de insumos da área de saúde. Trata-se do Consórcio Conectar que reúne mais de 2,5 mil municípios para compra compartilhada de medicamentos e insumos na área de saúde. A gestão do consórcio trabalha com a expectativa de conseguir uma redução de pelo menos 15% nos custos com compras de insumos da saúde.

Os pedidos poderão ser feitos bimestralmente pelo prazo de seis meses, prorrogáveis por mais seis meses.

A compra em grandes volumes de fornecedores nacionais vai favorecer principalmente municípios pequenos e médios, que compram insumos de distribuidores regionais e pagam mais caro.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

Categoria(s): Artigo
domingo - 08/08/2021 - 13:34h

Estados e prefeituras devem ter mais dificuldades para empréstimo

Por Josivan Barbosa

A partir de agora tanto a governadora Fátima Bezerra (PT) quanto o prefeito Alysson Bezerra (Solidariedade) terá dificuldades de conseguir contrair empréstimos que necessitem de aval do Governo Federal. O problema é que o governo federal pretende subir a régua que determina se deve ou não entrar como avalista em operações de crédito contratadas por Estados e municípios. Novos critérios para o cálculo da Capacidade de Pagamento (CAPAG) dos entes subnacionais, que entraram durante a semana em audiência pública, vão exigir a intensificação do ajuste fiscal e a auditoria dos dados.dinheiro, real, empréstimo, fazenda, economia, finanças, fazenda, investimento, rentista, área financeira

Pelos critérios atuais, um Estado ou município cuja relação entre despesas correntes e receitas correntes seja de até 90% é considerado um “espetáculo de solvência” e recebe Capag A. A proposta do Tesouro é que essa relação seja baixada para 85%.

Para a Capag B, atribuída hoje a quem tem relação entre despesas correntes e receitas correntes entre 90% e 95%, a proposta é reduzir para 85% a 95% ou para 85% a 90%.

A Capag C, que impede o aval da União, é dada atualmente à relação maior do que 95%. A proposta é manter assim reduzir para 90%.

Outra alteração proposta pelo Tesouro Nacional é exigir que as contas apresentadas por Estados e municípios sejam validadas pelos tribunais de contas locais ou mesmo por uma auditoria privada.

De 2016 até junho deste ano a União gastou R$ 37,5 bilhões para pagar prestações não honradas de dívidas de Estados e municípios em que entrou como avalista. O Rio Grande do Norte está na lista desses Estados.

CEF Agronegócio

O município de Mossoró precisa fazer gestão junto a presidência da Caixa Econômica para que o município seja contemplado com uma agência voltada para o negócio rural. A região polarizada por Mossoró possui num raio de 150 km as principais empresas produtoras e exportadoras de frutos tropicais do Estado. São cerca de 200 empresas potenciais para atendimento de crédito e outros serviços voltados para o setor.

A Caixa elevou para 268 o número de agências que deverão ser abertas em todo o país para ampliar sua rede de atendimento até o fim do ano. Serão 168 unidades focadas no varejo e outras 100 especializadas no agronegócio.

A condição de reciprocidade negocial com a prefeitura se dá em locais onde, atualmente, não há viabilidade financeira para abertura de unidades, mas este não é o caso de Mossoró. Entre as obrigatoriedades da prefeitura estão a cessão não onerosa de espaço físico para a unidade, a transferência de folha de pagamento do município para a Caixa, a centralização de convênios e a arrecadação e cobrança dos tributos, entre outros.

Juros

O BC aumentou em um ponto percentual a Selic, para 5,25%, e indicou que, sem modificações substanciais no cenário, repetirá a dose na reunião do Copom de setembro. Resta saber agora até onde vai o ciclo de aperto e em que magnitude cessará. A nova intenção do BC é ir além do juro neutro, algo que, se a meta de 2022 for cumprida, será de 6,5%. No comunicado do Copom, com a Selic a 7% no ano corrente e sua manutenção em 2022, os 3,5% da meta seriam atingidos. Mas esse é um terreno movediço. Quando pressões inflacionárias deixam de ser temporárias e se tornam permanentes, a própria taxa neutra de juros se eleva, dizem economistas.

Pernambucanas

Após o silêncio da Havan sobre a instalação de uma unidade em Mossoró, agora será a vez do município atentar para atrair de volta as lojas Pernambucanas. A empresa vai ampliar as suas unidades no Norte e no Nordeste. As Pernambucanas era uma das mais importantes lojas de tecidos instalada na Praça do PAX, ao lado do antigo Armazém Narciso.

Transnordestina

O desenvolvimento regional do Nordeste está em baixa. O governo decidiu levar à frente a construção de apenas um dos dois trechos da ferrovia Transnordestina, o que liga o interior do Piauí, em Elizeu Martins, até o porto de Pecém, no Ceará.

O projeto da Nova Transnordestina foi concebido ainda no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com previsão de conclusão em 2010, as obras da ferrovia sofreram inúmeras interrupções e até hoje não há prazo para entrar em operação. O orçamento do projeto mais do que dobrou. Já foram gastos cerca de R$ 7 bilhões.  Outro montante equivalente a esse ainda precisaria ser gasto.

O governo tem reconhecido o esforço da concessionária Transnordestina Logística, comandada pela CSN e responsável por construir e operar a ferrovia. As obras estão em andamento com praticamente 1.000 trabalhadores em campo, tendo investido R$ 300 milhões somente ano passado.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

Categoria(s): Artigo
domingo - 01/08/2021 - 10:06h

A aposta no ensino profissionalizante e nossa corrida contra o tempo

Por Josivan Barbosa

O Governo do RN lançou importante programa de ampliação das escolas técnicas estaduais que foi iniciado há uma década numa parceria com o Governo Federal. Tanto a governadora do Estado, professora Fátima Bezerra (PT), como o secretário de Educação do Estado, Getúlio Marques, tem ampla experiência no assunto. A professora Fátima Bezerra articulou junto ao MEC a ampliação das unidades do Institutos Federais de Educação no Estado do RN em duas dezenas e Getúlio Marques era, na ocasião, o secretário nacional do MEC responsável pelo ensino técnico.

 Centro Estadual de Educação Profissional e Tecnologia Professor Gilmar Rodrigues de Lima, no Distrito de Linda Flor, zona rural de Assu (Foto: Secom/RN)

Centro Estadual de Educação Profissional e Tecnologia Professor Gilmar Rodrigues de Lima, no Distrito de Linda Flor, zona rural de Assu (Foto: Secom/RN)

Assim, os dois à frente desse programa têm amplas condições de tornarem o ensino técnico do RN um modelo para o restante do país. O problema agora é administrar os recursos alocados com a velocidade que a população necessita. A situação clama por urgência, pois os jovens do nosso RN precisam de amparo.

O número de jovens que não trabalham nem estudam, os chamados “nem-nem”, cresceu na pandemia, mais pela deterioração do mercado de trabalho para esse grupo do que por um aumento da evasão escolar.

Estima-se que esse crescimento foi da ordem de 25%. Um número assustador para um Estado que apresenta outros fatores negativos para o sucesso profissional dos jovens. A urgência e a importância de se tratar de forma prioritária o planejamento e execução de como preparar melhor os jovens para sua entrada no mercado foi percebida ainda em tempo pela nossa governadora.

Prioridade da educação dos jovens

A educação dos jovens é um tema que periodicamente é debatido na academia, por representantes de várias áreas do governo e por organizações não governamentais voltadas para a educação. Mas efetivamente pouco se faz e a questão se torna ainda mais relevante diante da retomada do crescimento econômico que se desenha, segundo os indicadores macroeconômicos mais recentes.

Sem ensino profissionalizante que os ajudem no início da carreira, o nosso RN terá novamente gerações de jovens à margem do mercado de trabalho. É mais do que sabido que o RN precisa investir mais e com maior objetividade na educação e no ensino profissionalizante. Inúmeras pesquisas mostram que muitos jovens chegam ao mercado de trabalho sem disporem de ferramental que os capacite a atender as demandas das empresas e mesmo do setor público. Portanto, o programa chega num bom momento e esperamos que traga frutos o mais breve possível.

Os números da FGV           

Uma pesquisa recente da FGV mostrou que os maiores percentuais de pessoas que não trabalhavam nem estudavam no fim do ano passado eram mulheres (31%), pretos (29%), moradores na região Nordeste (32%) e na periferia das grandes cidades (27%), assim como chefes de famílias (27%) e pessoas sem instrução (66%). A pesquisa revelou ainda que a porcentagem de pessoas de 15 a 29 anos que não estudam nem trabalham aumentou para 25,52% no quarto trimestre de 2020, ante 23,66% no fim de 2019. Ao longo do ano passado, esse número bateu recorde, atingindo 29,33% no segundo trimestre. 

Superávit de Estado e municípios

O Governo do RN e o município de Mossoró, contarão com recursos mais significativos na arrecadação de impostos no ano em curso. O quadro tem sido impulsionado pela disparada na arrecadação do ICMS e também pela contenção de gastos com pessoal determinada pela Lei Complementar 173, aprovada em meio à pandemia e que congelou os vencimentos dos servidores dos entes até o fim do ano.

O ICMS, principal imposto dos Estados (e que também é compartilhado com as prefeituras), está tendo forte expansão, impulsionado pelo “boom” de commodities, a alta da inflação interna e o próprio crescimento econômico. Além disso, o tributo tem forte peso em combustíveis e energia, itens com preços em alta este ano.

Só nos Estados, a arrecadação de janeiro a abril (dado mais recente disponível com detalhamento) subiu 13,5%, ante 2,4% do IPCA do período. As despesas subiram apenas 2,6% no dado agregado dos Estados, praticamente igual à inflação.

Não se pode comemorar antecipadamente. A leitura do governo e de especialistas é que é cedo para se considerar que a melhora fiscal dos entes federativos, em especial dos Estados (em crise crônica desde 2015), veio para ficar. Não há garantia sobre o comportamento da receita e há grande dúvida sobre como os governadores se comportarão em 2022, quando não haverá mais restrições para aumento de despesas ao mesmo tempo em que o país irá às urnas.

Bons projetos

Diante da perspectiva de ampliação da arrecadação, tanto o RN quanto o município de Mossoró precisam se preparar para ampliar a sua limitada capacidade de investimento. A prefeitura e o Governo do Estado têm limitações para tocar projetos complexos. Há, historicamente, um problema de má governança dos recursos, o que inclui falta de planejamento, de programação, de bons projetos, de fiscalização e de supervisão.

Uma das piores coisas que podem acontecer a uma obra, seja ela pública ou privada, é parar antes da conclusão, o que aumenta custos e prazos previstos em orçamento. Tanto no RN quanto em Mossoró falta condições para elaborar projetos de qualidade. Não adianta ter dinheiro se não conseguir usá-lo de forma eficiente. O desafio é como evitar o desperdício de dinheiro público.

Parceria com o BNDES

O Governo do RN e a Prefeitura de Mossoró precisam procurar o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) BNDES para implementar bons projetos. O BNDES apoia os estados e municípios na estruturação de projetos. O banco tem conhecimento nessa área e presta serviços nas três esferas: União, Estados e municípios.

PAX

O Parque Científico Tecnológico Augusto Severo (PAX) é um desses bons projetos que o Governo do RN precisa acelerar com recursos oriundos da ampliação das receitas. O projeto do PAX precisa da sintonia entre as três universidades públicas e o Governo do RN. Será instalado em Macaíba numa área de 50 ha que a UFRN precisava destinar a alguma finalidade, pois já se aproximava de uma década sem uso.

A área, de propriedade da UFRN, conta com 70 salas (10m² a 172m²) com 15 mil metros quadrados de área construída e que irá abrigar centros de pesquisa e capacitação, laboratórios multiusuário, incubadoras tecnológicas e observatórios. Os recursos da ordem de R$ 8 milhões anunciados pelo Governo do Estado oriundos do Banco Mundial não são suficientes para tocar o projeto na sua fase inicial. Daí a necessidade de uma ampla parceria das universidades com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para a liberação de recursos.

Interiorização do PAX

O PAX precisa ter uma unidade em funcionamento em Mossoró. Para isso a Prefeitura de Mossoró, a UFERSA e a UERN necessitam trabalhar a articulação junto ao Governo do Estado e ao MCT&I. A UFERSA dispõe de um prédio em construção no Complexo Judiciário que foi cedido pela Procuradoria Geral do Trabalho, o qual pode funcionar como escritório.

A UFERSA possui, também, uma área de 60 ha, ao lado do antigo CEDUC, com fácil acesso pela BR 304, que pode abrigar o PAX do interior. Não podemos deixar que, a exemplo de muitos outros projetos que não ultrapassam a Reta Tabajara, o PAX se concentre apenas na grande Natal.

Reta Tabajara

Nesta semana tive a oportunidade de passar pela Reta Tabajara. Após uma década de início, as obras da Reta Tabajara seguem a passos de tartaruga. Se continuar na velocidade dos últimos anos, teremos mais uma década sem a Reta Tabajara duplicada. E, assim, perdemos a esperança de um dia termos a BR 304 melhorada, com pelo menos alguns trechos com terceira via.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

Categoria(s): Artigo
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terça-feira - 20/07/2021 - 20:54h
Alerta

Ex-reitor da Ufersa tem número de celular clonado

Bloqueei o número que tentou usar indevidamente o número da vítima (Reprodução BCS)

Bloqueei o número que tentou usar indevidamente o número da vítima (Reprodução BCS)

O professor Josivan Barbosa – ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) – teve seu celular clonado.

Usaram uma falsa pesquisa sobre Covid-19 para esse fim e estão pedindo dinheiro em seu nome.

Bloquei o número clonado e denunciei o caso ao sistema operacional do WhatsApp, além de alertar a própria vítima sobre o caso.

Cheguei a dialogar com um interlocutor que se passava por Josivan, mas rapidamente notei que havia algo estranho e fiz o bloqueio

Fica o alerta.

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Categoria(s): Gerais / Segurança Pública/Polícia
domingo - 04/07/2021 - 11:00h

A realidade em números do Polo Cloroquímico em Mossoró e região

Por Josivan Barbosa

Muito se tem falado e se questionado sobre o futuro polo cloroquímico do RN (Polo Cloroquímico Koyo-PCK em Mossoró) recém anunciado e com boas perspectivas para ser iniciado no próximo ano. Trata-se de um projeto ambicioso, que nasceu há mais de duas décadas com vistas a agregar valor ao sal marinho e a outros recursos naturais abundantes no Rio Grande do Norte.

Prefeito Allyson e Dr. Joaquim Franco Junior, vice-presidente do Koyo/FTB & Energy (Foto: Célio Duarte)

Prefeito Allyson Bezerra e Dr. Joaquim Franco Junior, vice-presidente do Koyo/FTB & Energy (Foto: Célio Duarte)

O plano que compreende Mossoró e outros três municípios, finalmente assegurou os primeiros investidores e parte, agora, para as fases de normatização, licenciamento e estudos de viabilidade técnica e econômica.

O projeto ganhou força quando o grupo, até então desconhecido, formado pelas empresas Koyo Intership Trading, do Panamá, e TFB & Energy, constituída no país para investir em energia renovável, assinou protocolos de intenção com as prefeituras de Mossoró (veja AQUI) e Guamaré, referentes à primeira fase de implantação do polo.

Essa etapa englobará complexo de produção de cloro-soda e derivados, incluindo PVC, usina solar com 350 megawatts (MW) de potência e um terminal portuário, com investimentos da ordem de US$ 2,5 bilhões.

Os municípios – além de Mossoró e Guamaré, Porto do Mangue e Macau serão abrangidos pelo projeto – têm 150 dias, a partir da assinatura dos protocolos, para garantir aos investidores as condições de execução do projeto, incluindo base legal, e então serão iniciados os desembolsos efetivamente. Embora estudos preliminares de impacto ambiental já tenham sido executados, será preciso produzir um novo EIA-Rima. Pelo projeto original, a primeira etapa do polo entrará em operação no segundo semestre de 2024.

Os desembolsos iniciais somam US$ 800 milhões, direcionados à infraestrutura para geração de energia, estudos e aquisição de tecnologia.

O projeto industrial, propriamente, virá na sequência e receberá US$ 1,3 bilhão – há ainda necessidade de outros investimentos para garantir as condições de operação, que resultam nos US$ 2,5 bilhões previstos inicialmente.

Segunda etapa do polo cloroquímico

Na segunda etapa, que será executada futuramente e quando a produção de cloro-soda já estiver estabelecida, o plano é produzir também barrilha – beneficiando-se também da reserva de calcário no Estado -, fertilizantes e outros produtos químicos. Nessa etapa, os investimentos estão estimados em mais US$ 2,5 bilhões.

Em grandes números, o polo cloroquímico poderá produzir até 500 mil toneladas anuais de PVC, até 600 mil toneladas anuais de barrilha e 600 mil toneladas anuais de cloro-soda e seus derivados. Em geração de emprego, serão 7 mil postos de trabalho diretos e indiretos quando todas as fases estiverem em operação – a expectativa é atrair transformadores de PVC para a região do polo, cujos custos devem ser favorecidos pela proximidade das principais matérias-primas (sal e calcário, no segundo momento).

O exemplo do polo cloroquímico de Alagoas

O impacto econômico para o Rio Grande do Norte de um polo cloroquímico dessa natureza pode ser esclarecido quando analisamos o polo cloroquímico de Alagoas (veja AQUI), que é explorado pela gigante Brasken. A companhia, que encerrou definitivamente a extração de sal-gema na capital alagoana após o solo ceder em regiões próximas à mina, retomou as operações na fábrica de cloro-soda em fevereiro, utilizando matéria-prima importada.

Na outra unidade em Alagoas, em Marechal Deodoro, prevê executar 24 projetos de melhoria somente neste ano.

Polo em Alagoas: realidade (Foto: Reprodução)

Polo em Alagoas: realidade (Foto: Reprodução)

Em Maceió, os investimentos permitirão a retomada plena das operações, que está prevista para o segundo semestre. Segundo a companhia, a produção integrada PVC e soda cáustica ajuda a movimentar cerca de 40 indústrias da cadeia produtiva da química e do plástico, que geram cerca de 12 mil empregos entre os dois municípios.

A retomada teve efeito na arrecadação estadual. A Secretaria da Fazenda estima alta de 67,18% no ICMS arrecadado em maio, na comparação anual, tendo como principal fator os indicadores do setor industrial.

O RN e a LRF

Mesmo com o aumento da arrecadação na maioria dos Estados, os governos do Acre, Minas Gerais, Paraíba, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte gastaram mais com pessoal do que o permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) no primeiro quadrimestre deste ano, ou seja, estão destinando mais de 49% de sua Receita Corrente Líquida (RCL) ao pagamento de pessoal.

O Rio de Janeiro foi o que mais comprometeu sua RCL com gasto com pessoal, ao atingir 57,1%. É seguido por Rio Grande do Norte (53,2%), Minas Gerais (52%), Acre (51,3%) e Paraíba (49,6%).

A situação do nosso Rio Grande do Norte é preocupante, pois isto acontece num momento em que a arrecadação é crescente. As maiores altas na arrecadação foram registradas em Roraima, Rio Grande do Norte e Piauí.

Em Roraima, as receitas cresceram 31% no período, enquanto as despesas avançaram 12%. No Rio Grande do Norte, a alta na arrecadação foi de 27% e os gastos cresceram 21%. Já no Piauí, as receitas subiram 25%, e as despesas, 12%.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

Categoria(s): Artigo
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domingo - 27/06/2021 - 12:48h

Pesquisa mostra caminho para aumento da produção do trigo

Produção de trigo no semiárido é uma realidade e ao mesmo tempo, um cabedal de dúvidas (Foto ilustrativa)

Produção de trigo no semiárido é uma realidade e ao mesmo tempo, um cabedal de dúvidas (Foto ilustrativa)

Por Josivan Barbosa

Uma pesquisa da Embrapa Trigo (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária)e da rede técnica das cooperativas do Rio Grande do Sul (RTC/CCGL) mostra ser possível ampliar a produção de trigo no Brasil sem que necessariamente haja aumento de área de plantio. Os resultados do estudo surgem em um momento em que voltam a ganhar corpo as discussões sobre a necessidade de o país produzir mais o cereal. A alta dos preços do milho encareceu a cadeia de carnes – e um pode substituir o outro como matéria-prima para nutrição animal.

Segundo os pesquisadores, associar sementes de boa qualidade com melhor manejo pode reduzir em 20% (ou R$ 415 por hectare) o custo variável da produção do trigo, que é de R$ 2 mil, em média – e a diminuição ocorreu sem afetar a produtividade das lavouras. Se considerados os 900 mil hectares de trigo cultivados no Rio Grande do Sul em 2020, a economia com sementes e fungicidas chegaria a R$ 360 milhões no Estado.

A pesquisa avaliou duas linhas de manejo, uma visando à redução da população de plantas e outra com o uso racional de fungicidas, aproveitando fatores da genética das cultivares. A economia de R$ 415 por hectare é resultado da soma de R$ 140 por hectare em sementes e R$ 275 por hectare em fungicidas. Com o preço de comercialização do ano passado (R$ 70, em média) como parâmetro, a redução de custos corresponde ao valor de seis sacas de trigo por hectare.

A pesquisa atestou o que se conhece na prática: no Estado, por hábito, os triticultores usam mais sementes do que precisam. “Em geral, o produtor tem adotado 150 quilos de sementes de trigo por hectare, mas na soja e no milho o cálculo é efetuado em plantas por metro linear. Queremos mostrar nesse trabalho que a implantação do trigo também deve seguir essa lógica de plantas por metro linear, e não a de quilos por hectare”, afirma Geomar Corassa, engenheiro agrônomo da CCGL.

Os pesquisadores instalaram faixas de população de plantas em 20 áreas diferentes, distribuídas por 17 municípios. A cultivar utilizada foi a BRS Belajoia, instalada nas áreas com três densidades de semeadura: 40, 60 e 80 plantas por metro de fileira. Em cada local, a área total chegou a 3 hectares, destinando um hectare para cada faixa de população.

A pesquisa mostrou que o aumento na densidade de plantas não representou ganhos significativos no rendimento dos grãos, mesmo em diferentes ambientes de produção. A média de rendimentos ficou entre 64 e 67 sacas por hectare, mas os custos quase dobraram, passando de R$ 234 por hectare na densidade de 43 plantas por metro para R$ 415/hectare nas faixas de 76 plantas por metro.

“Quando se usa mais sementes, as plantas têm que crescer mais em busca da luminosidade, isso eleva a tendência de tombamento”, explica Giovani Faé, engenheiro agrônomo da Embrapa Trigo. Como consequência desse tombamento, costuma-se usar mais fertilizantes nitrogena.

Sementes certificadas

As sementes certificadas e resistentes a doenças reduzem os gastos com insumos. Para a Embrapa, com essa economia, os produtores poderiam investir em outras frentes na lavoura, o que aumentaria a produtividade do trigo e também nas culturas subsequentes, como a soja no verão.

O custo da semente de trigo no Rio Grande do Sul foi, em média, de R$ 2,20 por quilo na safra 2020. Para a população recomendada de 43 plantas por metro, a redução de custos chega a R$ 140 por hectare quando se compara com os 150 kg de sementes por hectare do método tradicional.

No estudo, quatro aplicações de fungicidas ao longo da safra custaram R$ 390 por hectare. Com o monitoramento, foi possível fazer uma única aplicação, ao custo de R$ 115 por hectare.

Fonte:  https://valor.globo.com/agronegocios/noticia/2021/06/07/pesquisa-da-embrapa-eleva-desempenho-de-lavouras-de-trigo-no-rs.ghtml

Produtores de frutas precisam ficar atentos

Diante da possibilidade da União Europeia, principal destino das frutas exportadas pelo nosso Semiárido (Polos de Agricultura Irrigada RN – CE e Vale do São Francisco), rejeitar os nossos produtos exportados em função da questão de relaxamento com a sustentabilidade da Amazônia, os nossos produtores de frutas precisam mostrar para os europeus que as nossas áreas não possuem relação nenhuma com a problemática da região Norte.

Sustentabilidade é o xis da questão (Foto ilustrativa)

Sustentabilidade é o xis da questão (Foto ilustrativa)

Isso precisa ser feito o quanto antes. Depois não adianta chorar o leite derramado.

O Brasil está cada vez mais isolado na comunidade internacional na questão ambiental e o risco agora é de boicote de produtos nacionais pelos consumidores de países em que esse tema ganha mais relevância.

Assim, a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (ABRAFRUTAS) precisa divulgar para a Europa e entorno que os produtores de frutas tropicais do Semiarido brasileiro se preocupam com os recursos hídricos, trabalham com manejo adequado dos solos e preservam a vegetação nativa da caatinga e de outros biomas e que desenvolvem ações sociais na região.

É importante compreender que o nosso produtor de frutas já sofre com o retrocesso das negociações do Acordo Comercial Mercosul-UE ocasionado por problemas relacionados à forma como o país encaminha as questões climáticas nos últimos anos e, assim, as negociações comerciais entre a União Europeia e o Mercosul não avançam por causa do desmatamento.

Sucesso da energia eólica no RN

A Casa dos Ventos fechou um contrato de longo prazo (PPA) com a Energisa Comercializadora para a venda da energia do complexo eólico Rio dos Ventos (RN), que está entrando em operação comercial. O acordo prevê o fornecimento de 20 megawatts (MW) médios de 2023 a 2038.

Com a conclusão da rodada de comercialização da primeira fase de Rio do Vento, a companhia de geração eólica vai focar agora nos acordos para a venda da energia da segunda fase do complexo e do projeto Babilônia (BA).

Outra boa notícia para o RN é que o grupo quer transformar suas usinas eólicas em unidades híbridas, também com geração solar. Com isso, nos próximos dois anos, o portfólio do grupo deve atingir a marca de 1,6 gigawatts (GW) de capacidade eólica e 400 MW de geração solar fotovoltaica.

Além disso, o desenvolvimento de um projeto exclusivamente solar também está nos planos. A companhia avalia diversificar não somente seu portfólio de geração, como também sua atuação geográfica, até o momento concentrada no Nordeste.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

Categoria(s): Artigo / Economia
domingo - 20/06/2021 - 13:48h

A alternativa da produção e exportação do limão

Por Josivan Barbosa

Durante muito tempo temos defendido a diversificação da produção de frutas no Polo de Agricultura Irrigada RN – CE como forma de ampliar a nossa participação nos mercados americano, europeu e agora o asiático. Uma dessas alternativas é, sem dúvida, o limão Tahiti.

Há algumas experiências de cultivo do limão Tahiti no Semiarido, como no Estado do Piauí, na região de Petrolina – PE e na região de Baraúna.limao_tahiti_adulto_em_vaso_com_180cm_167_1_20201203181849

O produto fresco é muito aceito na Europa e nos Estados Unidos. Um exemplo disso é a sua comercialização durante o ano todo na Espanha.

O Brasil é um dos principais fornecedores do produto para a Europa, mas a sua produção concentra-se no Estado de São Paulo. Normalmente, o Brasil reduz os volumes exportados no verão, quando se importa do México que é outro grande exportador do limão Tahiti para a Europa. O México exporta de maio a janeiro.

Em função da proximidade do México com os Estados Unidos, em algumas épocas do ano o mercado americano pode ser mais atrativo do que o Europeu. O fruto é mais consumido na Europa no verão e, portanto, com a reabertura do canal horeca (hotéis,  restaurantes e bares) as perspectivas são muito boas para o  pós-pandemia.

Atualmente, os preços na Europa têm aumentado para 8 a 10 euros por caixa de 4,5 kg, sendo que o Brasil está aproveitando bem a demanda e enviando quantidades significativas nesse momento.

Outro grande importador europeu do limão brasileiro é o Reino Unido que nesse período aumentou em mais de 50% a importação do fruto a partir do Brasil.

Há, também, a expectativa de que alguns importadores passem a adquirir o produto transportado por via aérea como forma de manter o fornecimento sem qualquer interrupção na Europa.

Outro mercado potencial para o limão Tahiti é a Itália que trabalha com o prognóstico de ampliação da demanda nesse verão com o aumento do fluxo de turistas estrangeiros para as praias, montanhas e, consequentemente, o aumento da demanda por bares e restaurantes.

O mercado no atacado do Norte da Itália está trabalhando com o preço do limão Tahiti na faixa de 2 euros por quilo, o que representa 9 a 10 euros por caixa de 4,5 kg.

Aproximadamente, 90% do limão Tahiti importado pela Itália desembarca no Porto de Roterdã. Na semana passada, num supermercado do Norte da Itália, o limão proveniente do Brasil de alta qualidade estava sendo vendido a 5,30 euros/kg, ao passo que o de segunda categoria era comercializado a 2,89 euros/kg.

A lima ácida (como é conhecido o limão Tahiti) na Europa é cultivado na Itália para o mercado doméstico, mas os frutos são muito susceptíveis ao aparecimento de fungos, bactérias e outras doenças dos citrus, o que torna o produto pouco atrativo.

Na África do Sul que é outro importante importador do produto do Brasil, a temporada do limão Tahiti vai de janeiro a março, quando cai no outono. O preço no mercado oscila de 20 rands (1,2 euros/kg) a 25 rands (1,5 euros) por kilo.

Outro grande mercado internacional do limão Tahiti é o americano que importa o produto principalmente do México. Alguns países da América Central como Guatemala e República Dominicana fornecem o produto para o mercado americano. A Colômbia também exporta. Geralmente o limão proveniente desses países atinge o Leste do Estados Unidos e o Canadá.

O tamanho mais comum é o limão pequeno, com o calibre 6230 predominando, sendo que a faixa de 200 a 250 é aceita. O mercado tende a refratar os calibres maiores.

Os frutos exportados via marítima não conseguem competir com o produto que é importado a partir do México. Os frutos ultramar só conseguem competir quando a fruta mexicana atinge valores de 20 a 30 dólares ou acima disso.

Um bom projeto para a agricultura familiar

Durante muito tempo temos feito uma verdadeira peregrinação para recomendarmos algum projeto para a agricultura familiar do Alto Oeste do RN, uma região que tem sérios problemas de água para o consumo humano, o que torna muito difícil viabilizar qualquer recomendação nesse sentido.

Mas, vem da América Central um projeto que pode ser avaliado pela nossa Secretaria de Agricultura Pecuária e Abastecimento. Trata-se de um projeto com o cultivo da pitaya. Em Honduras o Plan Nacional de Pitahaya está transformando a vida de 2000 produtores do Corredor Seco.

Depois de muitos anos de sofrimento das famílias daquela região com perdas dos cultivos pela falta d`água, elas passaram a colher com êxito volumes consideráveis de pitaya com o apoio do Governo de Honduras no fornecimento de raquetes de pitaya e acompanhamento técnico.

O Governo daquele país apostou no cultivo de pitaya e a aceitação do produtor em aderir ao cultivo dessa fruta é justificado pelo valor nutricional, o seu valor de mercado, sua aceitação por parte do consumidor e a facilidade de adaptação da pitaya a condições climáticas extremas.

O Plan Nacional de Pitahaya de Honduras prevê uniformização das práticas de preparação dos solos, manejo de cultivo e práticas de pós-colheita capazes de assegurar alto padrão de qualidade do fruto para o consumo doméstico e internacional. O projeto busca, também, potencializar a capacidade técnica dos produtores através de equipes técnicas de extensão rural.

Naquela região de difícil convívio com as condições hídricas em Honduras, a exemplo do nosso Médio e Alto Oeste, já há cerca de 180 novos produtores depitaya distribuídos em 10 municípios do Corredor Seco que servirão de modelo para novos produtores. O projeto acima mostra claramente que não precisa inventar a roda para que possamos implementar novos projetos para a agricultura familiar do Médio e Alto Oeste do RN.

Mas, precisa de vontade política dos diferentes níveis de governo (Federal, Estadual e Municipal) e de trabalho em sintonia. Um projeto dessa natureza no nosso RN poderia aproveitar toda a logística de exportação do melão, melancia, mamão e outras frutas e avançar na colocação da pitaya produzida por pequenos produtores nos mercados americano e Europeu.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

Categoria(s): Artigo
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domingo - 13/06/2021 - 11:34h

Os desafios do melão brasileiro na China

Melões já no Aeroporto de Xangai na China, em 2020 (Fotos: Arquivo Ftrade Brasil)

Melões já no Aeroporto de Xangai na China, em 2020 (Fotos: Arquivo Ftrade Brasil)

Por Josivan Barbosa

No ano passado os exportadores brasileiros de melão receberam a permissão para exportar o melão para a China. No primeiro ano os embarques foram mínimos e alguns importadores testaram o melão brasileiro e logo deixaram de importar. Claro que a questão da pandemia teve forte influência, o que se verificou com outros tipos de frutas na importação pela China.

Apesar disso, os nossos produtores já estão plantando as variedades que interessam ao mercado chinês, como o Piele de Sapo, Dino e Amarelo.

O melão brasileiro é considerado pelo mercado chinês como um produto prêmio e os consumidores precisam se acostumar com o preço que é fortemente afetado pelo custo de transporte devido ao tempo que o produto necessita para chegar naquele mercado e por taxas de importação.

Normalmente, quase três o tempo para atingir o mercado europeu e quase cinco vezes o tempo de transporte marítimo para o mercado americano.

O nosso melão entra na China quando termina a temporada doméstica. Apenas o melão da província de Hainan ainda compete com o nosso melão.

Um pequeno número de países possui permissão para exportar melão para a China, entre eles Myanmar e Kirguistán. Mesmo assim, não pode comparar a qualidade do melão brasileiro com os melões produzidos e exportados por esses países. O nosso melão tem flavor (sabor e aroma) diferenciados.

Além disso, o peso do nosso melão Piele de Sapo pode atingir até três quilos, o que passa a ser mais um fator de atratividade naquele mercado.

O mercado trabalha com a expectativa de que a partir de agosto, os produtores brasileiros anunciem os valores do melão destinado ao mercado chinês, cuja exportação deve começar no final de setembro ou outubro.

O momento é de dúvida sobre o sucesso desse mercado para o melão brasileiro, mas os importadores precisam de um tempo para que o consumidor possa se acostumar com os preços elevados do melão brasileiro que chega na China quando comparado com os frutos do mercado doméstico

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

Categoria(s): Artigo
domingo - 06/06/2021 - 19:02h

Parque Tecnológico, caminhos e futuro

tecnologia, informática, parque tecnológico, internet,Por Josivan Barbosa

Durante a semana conversamos como o novo coordenador do projeto do Parque Tecnológico da Universidade do Semiárido, o administrador Júlio César Rodrigues. Ele confirmou que está trabalhando para aproveitar como escritório geral do Parque Tecnológico (ainda sem nome, mas que seria razoável que seja denominado de Parque Tecnológico do Semiárido) as instalações que foram cedidas pela Procuradoria Geral do Trabalho em Mossoró que não conseguiu recursos para concluir a obra e a repassou para a Ufersa.

Trata-se de uma edificação moderna e bem localizada. Fica dentro do Complexo Judiciário de Mossoró, ao lado das edificações da Justiça do Trabalho.

As instalações ainda estão muito longe de serem concluídas e estima-se que a Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) vai precisar investir cerca de R$ 5 milhões para que o prédio tenha condições de abrigar os vários órgãos internos da IFES ligadas ao desenvolvimento científico e tecnológico da instituição.

Aproveitamos para lembrar ao novo coordenador do projeto que na década passada havíamos reservado uma área de 60 hectares localizada ao lado do antigo Centro Educacional (CEDUC) para abrigar o projeto do parque tecnológico da Ufersa A referida área já havia sido objeto de invasões por parte da comunidade do bairro Dom Jaime Câmara e adjacências, mas, na época, a universidade tomou as devidas providências junto ao Judiciário e a área foi recuperada e protegida com estacas de alvenaria que facilmente identifica como pertencente ao seu patrimônio.

Trata-se de uma excelente área que se bem planejada pode abrigar dezenas de startups dentro do parque tecnológico.

Não podemos confundir o escritório que abrigará a entidade com o parque tecnológico. O escritório é apenas uma pequena parte do parque tecnológico. Também não precisamos inventar a roda para elaborar o projeto do parque tecnológico da Ufersa. Basta verificar o que já se conseguiu fazer em outras universidades federais, especialmente as do Paraná e de Santa Catarina.

Parque Tecnológico Augusto Severo (PAX)

Defendemos, também, que o parque tecnológico possa ser iniciado como um complemento das atividades de interiorização do Parque Tecnológico do Rio Grande do Norte Augusto Severo (PAX). Não vejo com bons olhos a Universidade Federal do RN (UFRN) instalar um parque tecnológico na grande Natal com recursos do Governo do Estado oriundos do empréstimo junto ao Banco Mundial, sem a participação da Ufersa, Universidade do Estado do RN (UERN) e Instituto Federal do RN (IFRN). Isso não é bom para o RN e nem para as instituições universitárias públicas. Acredito até que não podemos deixar as universidades e faculdades particulares de lado nesse projeto.

As instalações do PAX deverão ser em Macaíba, em uma área de 15 mil metros quadrados, que será adaptada para este tipo de projeto de fomento ao desenvolvimento de inovação, com a integração entre o setor produtivo e a universidade. No local, haverá centro de inovação, incubadora multissetorial, aceleradora, agência de inovação e laboratórios de tecnologia.

Além disso, as empresas que se instalarem na área vão contar com uma infraestrutura, incentivos fiscais, relacionamento com os pesquisadores, base de dados e outras condições adequadas ao desenvolvimento tecnológico.

A ideia é que o Parque Cientifico e Tecnológico esteja voltado principalmente para as áreas de Energias, Reabilitação em Saúde e Indústria 4.0.

Nada do que se propõe no PAX é diferente do que o parque da Ufersa necessitará. Não justifica um esforço duplicado para a instalação de dois parques isolados numa época de vacas magras.

Fontes de recursos

É importante, também, que seja analisado as possíveis fontes de recursos para a implementação do projeto. E nesse sentido, as emendas de bancada sempre se apresentam como uma boa oportunidade de recursos, a exemplo do que aconteceu na UFRN com o Instituto Metrópole Digital que surgiu a partir de uma emenda de bancada coordenada pelo atual ministro do desenvolvimento regional, o ex-deputado Rogério Marinho.

Em síntese, a Ufersa deveria reavaliar e se juntar à UFRN nesse projeto do parque tecnológico e levar para a UFRN a proposta de ampliar as ações do PAX no interior do RN com uma unidade em Mossoró.

Para isso a Ufersa já oferecia um escritório e uma grande área para abrigar as empresas que queiram se instalar no interior. As duas instituições juntas e se somando ao IFRN e à UERN melhoram em muito a sintonia com a Bancada Federal na captação de recursos nos ministérios e nas decisões de Emenda de Bancada.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Ufersa

Categoria(s): Artigo
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domingo - 30/05/2021 - 09:00h

RN sem recuperação de crédito

Tesouro nacionalPor Josivan Barbosa

O Estado do Rio Grande do Norte continua em condição delicada junto ao Tesouro Nacional no tocante ao risco de crédito no Sistema de Classificação (CAPAG).

No Nordeste, os Estados de Pernambuco, Piauí e Bahia tiveram avanço na classificação de risco. Os três estados tiveram elevação de C para B, o que indica situação de solvência fiscal, tornando-se habilitados a tomar empréstimo com aval do Tesouro.

A elevação das notas dos estados nordestinos ocorreu antecipadamente porque eles apresentaram ao órgão central pedido de antecipação do cálculo da Capag, normalmente divulgado entre julho e agosto. Para tanto, eles anteciparam o envio de seus demonstrativos de contas anuais e dos seus balanços.

Agora, resta ao RN esperar pela classificação definitiva que será publicada no segundo semestre. As perspectivas não são boas, pois o nosso RN não tem cumprido com parcelas de empréstimos, as quais estão sendo pagas pelo Tesouro.

Indústria do calcário

Sempre defendemos neste espaço que o Rio Grande do Norte deveria avançar na atração de empresas para a exploração da indústria do calcário. Agora vem a boa notícia de um grande investimento nesse setor de uma multinacional da indústria de cimento.

A empresa Cementos La Union implantará o projeto ABG Mineração com quase 3000 ha de área sob reserva (veja AQUI).

PPP longe de Mossoró

Com um orçamento cada vez mais limitado, as gestões municipais iniciadas neste ano reforçaram suas apostas nas parcerias público-privadas para melhorar a oferta de serviços à população.

De janeiro até a semana passada, os prefeitos novos ou reeleitos avançaram em 132 projetos de concessão ou parcerias. Mas, aqui na Terra de Santa Luzia o gestor municipal limita-se a usar os recursos do Programa de Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (FINISA), acreditando que são infinitos e não pensa em novos projetos para fazer a diferença em relação aos últimos gestores. É uma gestão doméstica e limitada ao feijão com arroz da gestão pública na nossa região.PPPs - Parceria Público-Privado (PPP), união, grupo, quebra-cabeça

Durante a semana, num ato surpreso nesses tempos de ajuste fiscal, o prefeito resolveu criar duas novas secretarias, contemplando mais cargos e mais despesas de custeio (veja AQUI).

Esperamos que o gestor municipal abra os olhos para a importância da equipe na elaboração de bons projetos de PPP.

Projetos de eficiência energética, iluminação pública, água e esgoto, resíduos sólidos e mobilidade urbana são os mais comuns na relação das PPPs em prefeituras de médio e grande porte do país. As dificuldades orçamentárias atuais e a demanda por melhores serviços, faz com que a intensificação das parcerias passe a ser um caminho sem volta.

Um bom exemplo da importância das PPPs está acontecendo no município do Recife. O prefeito do Recife, João Campos (PSB), lançou neste mês um programa com o objetivo de captar R$ 1 bilhão em parcerias estratégicas com a iniciativa privada – entre investimentos e pagamento de outorgas – até 2024.

A principal dificuldade do nosso município que não é diferente dos demais é a falta de experiência da equipe de gestores em PPPs – nenhum contrato foi assinado até hoje – e a escassez de recursos humanos para elaborar projetos, preparar editais, conversar com o mercado ainda são assuntos estranhos para a gestão municipal.

Energia Eólica no Brasil e no RN

Em 2020, a energia gerada pelos ventos se tornou a segunda principal fonte da matriz elétrica brasileira, atrás apenas da hidrelétrica. Os 713 parques eólicos instalados hoje em 12 Estados abastecem o equivalente ao consumo mensal de 28,8 milhões de residências. São 19 Gigawatts (GW), que correspondem a 11,2% da capacidade instalada do país.

O Rio Grande do Norte é o segundo Estado da Federação em número de parques eólicos com 183 unidades e a Bahia é o primeiro com 196. Em capacidade instalada o nosso RN lidera com 5266,20 MW, seguido da Bahia com 5094,70 MW instalados.

Um exemplo do potencial do nosso Estado na energia eólica é o Parque Rio do Vento construído pela Casa dos Ventos que começa a operar no segundo semestre. Quando estiver em plena carga, Rio do Vento será um dos maiores complexos eólicos do mundo, com 1.038 MW de capacidade instalada.

Diante desses números, o Nordeste se consagra como região exportadora de energia para o resto do país, principalmente, o Sudeste onde estão concentradas as indústrias.

Um ótimo exemplo da importância do Nordeste é o da Engie que tem quatro conjuntos eólicos em operação no Brasil – um no Ceará e três na Bahia. Também está implantando o conjunto eólico Santo Agostinho (RN).

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estuda novas expansões da malha interligada, para assegurar conexão melhor entre a região Nordeste, principal produtora de energia eólica e solar, e o Sudeste, onde ocorre a maior carga.

Engenharia de Energia

Temos defendido neste espaço que a Ufersa deveria reativar o curso de Engenharia de Energia fechado na gestão passada, sob frágeis argumentos e contrário à evolução da matriz energética do Semiárido que a cada dia avança para o viés da sustentabilidade, onde o papel do engenheiro de energia, profissional que atua na geração e distribuição de energia passa a ser de importância ímpar. Assim, o fechamento do curso se deu na contramão desse avanço. Ainda há tempo de se fazer a correção de rumo.

Um exemplo claro da importância do engenheiro de energia é o que está projetado para a nossa região nos próximos anos.

Nova fronteira da energia eólica, a geração marítima está no radar dos gestores públicos e privados. A fonte consta do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE), documento anual em que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indica perspectivas nacionais no horizonte de dez anos. Existe potencial para abastecer o país com 700 Gigawatts (GW) a partir da Zona Econômica Exclusiva, em locais com até 50 metros de profundidade, segundo o estudo “Roadmap Eólica Offshore Brasil”. Metade das áreas favoráveis fica na região Nordeste.

Várias empresas estão com projetos prontos, à espera da definição do marco regulatório e do momento adequado para investir. O  Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA)  já recebeu pedidos de licenciamento ambiental para 20 empreendimentos em sete Estados, que somam uma oferta de aproximadamente 40 GW.

A Petrobras solicitou ao Ibama a licença ambiental para instalação do projeto-piloto de uma torre eólica offshore no campo de Ubarana, litoral do Rio Grande do Norte. Com 5 MW de potência nominal, ela será conectada através de um cabo submarino elétrico-óptico à plataforma de Ubarana 3 e terá equipamentos para mensurar o potencial da região, já estimado em 140 MW no RN e CE. O objetivo da empresa é desenvolver conhecimento na atividade, que pode eventualmente ser aproveitada para a eletrificação de plataformas de petróleo.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

Categoria(s): Artigo
domingo - 09/05/2021 - 11:00h

O começo do sonho de um parque tecnológico

tecnologia, parque tecnológico,Por Josivan Barbosa

Durante a semana o assunto de Mossoró a Brasília foi a possibilidade do município ser dotado de um parque tecnológico. A Universidade do Semiárido está levantando a bandeira e, inicialmente, conta com um compromisso do deputado federal Girão (PSD) para a colocação de recursos no OGU 2022.

Tudo bem que o valor anunciado só seria suficiente para a contratação de uma empresa especializada para elaborar o projeto executivo das edificações do parque tecnológico, mas, já é alguma coisa nesses anos de escuridão no que diz respeito à recursos do MCT&I (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação).

Não há qualquer possibilidade da bancada colocar uma Emenda de Bancada para o projeto do Parque Tecnológico do Semiárido (provável nome) sem que haja uma proposta clara e viável do que seria esse projeto. Por isso que a contratação dessa empresa com os recursos que serão alocados no OGU 2022 deverá ser o caminho mais curto para que a Universidade do Semiárido consiga iniciar a gestão política para a implementação do projeto.

Parcerias são fundamentais

A Universidade do Semiárido precisa compreender que somente contando com a parceria e a consultoria de universidades públicas que se tornaram referência nacional na gestão de parques tecnológicos, é que avançará nesse projeto. Nesse sentido, as universidades públicas de Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e a nossa vizinha Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) são referência no país e podem facilitar e fazer com a Universidade do Semiárido avance com mais firmeza e acertos no projeto.

Um projeto dessa natureza não avança sem uma sintonia clara e coerente com a nossa competente UFRN. É necessário o envolvimento da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado do RN e o comprometimento político da Prefeitura Municipal de Mossoró.

Não conseguimos compreender como a Universidade do Semiárido quer instalar um parque tecnológico sem dialogar com a UFRN e com o seu projeto do Parque Tecnológico denominado de PAX que tem encontrado muitos gargalos. Se o RN tem um PAX que ainda não avançou, como os nossos representantes políticos em Brasília vão justificar junto ao MCT&I a instalação de um novo parque tecnológico se o primeiro ainda não consegue sequer dar os primeiros passos.

Plano de Desenvolvimento do Semiárido

Esse tema já foi abordado neste espaço no ano passado. Novamente é necessário voltar ao assunto. Durante a semana a Universidade do Semiárido anunciou no seu site que está passando para a condição de protagonista na implementação da gestão política do Plano de Desenvolvimento do Semiárido.  A pergunta que não quer calar é: quem da nossa instituição assumirá a liderança para trabalhar o Plano de Desenvolvimento do Semiárido? Em primeiro lugar é importante que se diga que esse plano envolve praticamente as ações do Governo Federal na gestão política do Projeto de Integração do São Francisco (PISF).

Estamos tendo o cuidado de acompanhar, em detalhes, durante os últimos 15 anos toda a evolução da gestão política desse projeto e, até o momento, não conhecemos efetivamente a participação da Universidade do Semiárido nesse projeto de integração de bacias que oficialmente é denominado de PISF.

A missão da Universidade do Semiárido é árdua. Sem ter participado do PISF, está se candidatando para ser protagonista do Plano de Desenvolvimento do Semiárido.

Um exemplo para a Universidade do Semiárido

A nossa coirmã Universidade Federal do Espírito Santo, sem nenhuma tradição no ensino de Ciências Agrárias no país, conseguiu instalar um importante projeto de fruticultura voltada para a agricultura familiar.

Com foco na fruticultura, a iniciativa envolve a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a Embrapa Mandioca e Fruticultura e o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). O objetivo é que a região seja capaz de produzir 1.250 toneladas de frutas ao ano a partir do segundo ano de implementação do novo projeto.

Com 70 hectares, a fazenda da universidade já produz banana, abacaxi, goiaba, graviola, acerola, citros e cajá. A ideia é que os produtores possam receber a capacitação com todas as variedades de frutas no campus.

É importante lembrar que a Fazenda Experimental da Universidade do Semiárido possui uma área de 419 hectares e se encontra no epicentro do Polo de Agricultura Irrigada RN – CE, o segundo mais importante do Semiárido. A Fazenda da Ufersa possui dois poços profundos o que facilitaria muito um projeto dessa natureza.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

Categoria(s): Artigo
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domingo - 02/05/2021 - 10:28h

O “lucro social” de uma marca brasileira que é referência mundial

Por Josivan Barbosa

Nessa última semana, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) divulgou os números do que ela tem denominado de “lucro social”.agricultura, agronegócios, economia no campo,O impacto da adoção das inovações da Embrapa gerou um “lucro social” de R$ R$ 61,85 bilhões em 2020. O número leva em conta o uso de 152 soluções tecnológicas e 220 cultivares desenvolvidas pelos pesquisadores. Como a receita líquida da estatal foi de quase R$ 3,5 bilhões no ano passado, o balanço apresentado durante a semana mostrou que para cada R$ 1 aplicado a empresa consegue devolver R$ 17,77 em benefícios para a sociedade.

A Embrapa tem trabalhado para ampliar a integração com o setor privado, que financia hoje 20% dos projetos de pesquisa e responde por 35% dos investimentos feitos na estatal – a meta é chegar a 40% do portfólio em 2023.

Somente a fixação biológica de nitrogênio, tecnologia lançada em 1993, gerou economia de R$ 28 bilhões no ano passado ao Brasil ao evitar a importação de adubos nitrogenados.

A Embrapa tem um quadro de pesquisadores acima de 2.500 doutores e é referência mundial em pesquisa agropecuária.

Bioinsumo

A Embrapa aproveitou o momento de comemoração da divulgação do seu lucro social de 2020 para anunciar uma inovação tecnológica para o semiárido: o bioinsumo, que é produzido a partir de bactérias encontradas no mandacaru, espécie de cacto comum no Nordeste brasileiro, e promove “uma parceria com a raiz” para resistir ao estresse hídrico.

Esse é o primeiro produto biológico registrado no Brasil para essa finalidade. Durante uma década, os pesquisadores observaram a planta do mandacaru e a relação com as bactérias existentes no solo, que foram selecionadas para a criação do insumo.

A tecnologia vai chegar ao mercado por meio de uma parceria público-privada com uma empresa do setor e será indicada, inicialmente, para a cultura do milho, para uso com as variedades resistentes à seca desenvolvidas pela estatal. A expectativa é que o bioinsumo possa ser aplicado também na segunda safra do cereal no Centro-Oeste, mais suscetível a desajustes no clima, e também em outras culturas.

A ideia é que o bioproduto funcione na planta do milho da mesma maneira que funciona no mandacaru. Ela estabelece essa relação quase que simbiótica e faz com que a planta consiga conviver com essa baixa disponibilidade de água.

Embrapa em Mossoró

Os números e a qualidade dos produtos tecnológicos acima justificam porque temos defendido muito neste espaço que a Universidade do Semiárido, a Prefeitura de Mossoró, o Governo do RN e os nossos representantes em Brasília avancem na gestão política para a instalação no nosso RN Sem Sorte de uma unidade da Embrapa. Iniciamos essa luta em 2005, ainda no Governo de Wilma de Faria, uma entusiasta do projeto e grande aliada do setor produtivo da agricultura irrigada e da agricultura familiar.

O Rio Grande do Norte e o Espírito Santo são as duas unidades da federação que ainda não possuem um centro nacional da Embrapa. O nosso vizinho Ceará há várias décadas já possui duas unidades dessa natureza. Uma em Sobral que trabalha com tecnologias para a ovinocaprinocultura e uma na capital que trabalha com agroindústria tropical.

A questão climática mais próxima

Uma situação que aparentemente poderia apenas interferir na nossa exportação de commodities, o grosso do negócio rural do país, poderá também ser uma preocupação para a agricultura irrigada do Semiárido, principal negócio rural responsável pela exportação de frutas. Estamos falando da questão climática e de seus impactos sobre a exportação de produtos do negócio rural.

Amazônia: desmatamento e queimadas (Foto: Web)

Amazônia: desmatamento e queimadas (Foto: Web)

O ritmo de devastação da Amazônia levará as principais nações do mundo, atentas à questão climática, a promoverem sanções contra as exportações brasileiras no médio ou longo prazo.

Lembremos que o Brasil tem como principais parceiros na exportação de frutos tropicais a União Europeia e os Estados Unidos, ambos, muito emblemáticos na questão climática.

Um dos grandes vilões ambientais da exportação de frutos ultramar é o consumo de combustíveis fósseis pela frota de navios, o que pode mudar com novas tecnologias de energia renovável e com o uso de contêineres marítimos mais eficientes no consumo de energia. Como o transporte marítimo é um negócio na mão de poucas empresas, a adoção de novas tecnologias ambientalmente sustentáveis não seria complexa.

Temas prioritários

Após mais de um ano de pandemia, as nossas instituições públicas deslizam sobre os temas que seriam prioridade e não conseguem apresentar resultados. O que as nossas universidades públicas, o Estado do RN e a PMM têm a mostrar em temas como: saúde, educação; diversidade e inclusão; meio ambiente e mobilidade; inovação e empreendedorismo?

Nestes tempos de lives (aproveitando para adicionar ao vocabulário), estas instituições precisam se apresentar para a sociedade e mostrar resultados mensuráveis, sem contornos. Infelizmente, alguns gestores aproveitam o cargo para mera exibição e esquecem do principal, mas, mesmo assim, fazem o jogo do marketing e assim seja.

Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF)

O governo federal publicou durante a semana um decreto que altera as definições para acesso dos agricultores familiares às políticas públicas. O novo decreto cria o conceito de Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) que vai substituir a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), documento atual que comprova o enquadramento dos produtores nessa categoria.

O decreto muda os conceitos de empreendimento familiar rural, cooperativa singular da agricultura familiar, cooperativa central da agricultura familiar e associação da agricultura familiar. Ele também altera os percentuais mínimos exigidos para a configuração das figuras associativas. Ao invés de estabelecer que 60% dos cooperados ou associados sejam comprovadamente agricultores familiares, a nova redação exige comprovação para 50% no caso das cooperativas e mais da metade (50% mais um) para as associações.

Além disso, para que se configure uma Unidade Familiar de Produção Agrária (UFPA), a exigência passa de “no mínimo, metade da força de trabalho familiar” para “predominantemente, mão de obra familiar”.

Cimento

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RN (SEDEC)poderia se antecipar e buscar parceria com a CSN Cimentos, pois a empresa pretende ampliar o seu parque fabril no Norte e Nordeste.

Depois da bem-sucedida abertura de capital do negócio de mineração de ferro, em janeiro, a CSN vai concentrar esforços na oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da CSN Cimentos, outro negócio para o qual a companhia enxerga amplas oportunidades de crescimento. Tanto por novas fábricas quanto por fusões e aquisições de ativos (M&A, no jargão do mercado financeiro).

Um dos planos para o futuro é diversificar geograficamente a atuação da Cimentos, hoje concentrada no Sudeste, em Arcos (MG) e Volta Redonda (RJ). A empresa tem cinco projetos em desenvolvimento, sendo um deles “brownfield”, que prevê aumento de 30% do volume de produção de Arcos. Outros quatro são “greenfields” (novos) e envolvem sites no Paraná, Sergipe, Ceará e Pará.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa)

Categoria(s): Artigo
sexta-feira - 30/04/2021 - 15:20h
Domingo, 2

Ney Lopes estreará no Blog Carlos Santos

Ney: Revolução do Liberalismo Social (Foto: arquivo)

Ney vai abordar a “A revolução do Liberalismo Social” na sua chegada ao Nosso Blog (Foto: arquivo)

Quem vai estrear em Nosso Blog no domingo (2) é o advogado, jornalista e ex-deputado federal Ney Lopes.

Abordará o tema “A revolução do liberalismo social”. Está supimpa. Meninos, eu vi!

Reforçará nosso time que já tem uma turma ótima. E chegando mais.

No domingo passado, a estreia foi do escritor e procurador federal Marcelo Alves.

Com eles, gente há mais tempo conosco dominicalmente, como Paulo Menezes, Odemirton Filho, Honório de Medeiros, Josivan Barbosa, Marcos Pinto, François Silvestre, Eduardo Cavalcanti, Phabiano Santos, Paulo Linhares, Gutemberg Dias, Marcos Araújo e Zildenice Guedes.

Mais recentemente, a chegada de Marcos Ferreira e Lúcia Rocha.

Além dos bissextos David Leite e Francisco Edilson Leite Pinto Júnior.

Esses estão devendo, que se diga, ora!

Domingão promete.

Até lá!

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Categoria(s): Artigo / Comunicação / Política
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domingo - 28/03/2021 - 11:30h

A agenda ambiental na administração pública

Por Josivan Barbosa

Há uma tendência crescente entre prefeitos eleitos de se preocuparem mais com a pauta da sustentabilidade. Este é um dos resultados de uma análise inédita feita a partir dos programas dos prefeitos eleitos nos 5.570 municípios do país nas últimas três eleições. Mas a boa notícia termina aí. A agenda aparece em menos da metade das candidaturas vencedoras, um indicador de que o tema socioambiental não tem forte compromisso político nas cidades.

Aqui em Mossoró não tem sido diferente. A nova gestão municipal não emite sinais de ter uma agenda ambiental. O nosso penoso Rio Mossoró continua sem ser visto pela gestão municipal, apesar de todo dia muitos gestores da PMM passarem sobre as pontes que unem os dois lados da cidade.

Saneamento básico faz parte de uma pauta diversificada em termos de meio ambiente (Foto ilustrativa)

Saneamento básico faz parte de uma pauta diversificada em termos de meio ambiente (Foto ilustrativa)

Lembremos que falar de sustentabilidade é falar de direitos básicos da população relacionados a saúde, ambiente, saneamento, mobilidade, energia e desenvolvimento econômico.

Mercado de frutos na Europa

Os produtores da agricultura irrigada do Polo de Agricultura Irrigada RN – CE estão temerosos quanto à situação da pandemia da COVID – 19 na Europa, principal mercado de exportação das frutas tropicais produzidas no Semiárido. Com exceção da Inglaterra que é um grande cliente das nossas frutas, o restante da Europa pode apresentar retrocesso na recuperação econômica no segundo semestre em função do lockdown em vários países, como Alemanha, Itália, França entre outros.

Na UE, só 12 pessoas em cada 100 receberam a primeira dose da vacina contra a covid-19, de 37 nos EUA e 43 no Reino Unido, segundo o rastreador do “Financial Times”. O avanço da vacinação na Europa tem sido dificultado por problemas de oferta e, na semana passada, vários países suspenderam temporariamente o uso da vacina da Oxford/ AstraZeneca.

Os economistas avaliam que as restrições de mobilidade na Europa só serão suspensas no fim do segundo trimestre. Isto enfraquecerá a demanda interna e, consequentemente, as importações. Eles mantiveram sua previsão de crescimento para este ano em 3,9%, mas reduziram a do ano que vem de 5,3% para 4,3%.

Oportunidade de recursos

A Governadora do RN e o prefeito de Mossoró precisam urgentemente afastar as diferenças politicas e aproximar o diálogo com o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) relativo à liberação de recursos dentro do OGU 2021 para projetos prioritários e para a retomada dos projetos que estão parados a exemplo da adutora Santa Cruz do Apodi e o Projeto de Irrigação Santa Cruz do Apodi.

A Pasta comandada por Rogério Marinho passou a ser a mais beneficiada no OGU de 2021 que está prestes a ser aprovado pelo Congresso Nacional.

O MDR recebeu o maior acréscimo proporcional de recursos entre os ministérios no parecer do Orçamento para 2021. Em uma vitória para Rogério Marinho, sempre às turras com o ministro da Economia Paulo Guedes, a pasta que é vitrine de obras para os políticos terá R$ 10,6 bilhões – ante R$ 6,4 bilhões em despesas previstas anteriormente, um generoso aumento de 65,6% em relação à proposta original.

A subida para o MDR foi proporcionada pelas emendas parlamentares, com os congressistas já de olho na eleição de 2022.

Recursos

O relator-geral do OGU – 2021, senador Márcio Bittar (MDB-AC), apresentou uma complementação de voto com remanejamento de despesas de R$ 26,5 bilhões.

Para isso, ele retirou recursos que estavam destinados a gastos com benefícios previdenciários (R$ 13,5 bilhões), abono salarial (R$ 7,4 bilhões) e para seguro-desemprego (R$ 2,6 bilhões) e  abasteceu emendas voltadas à realização de obras por meios dos Ministérios do Desenvolvimento Regional (MDR) e da Infraestrutura.

Políticos

As mudanças agradaram políticos que têm nestas obras uma vitrine eleitoral. O MDR, que na proposta original tinha apenas R$ 6,4 bilhões previstos alcançou quase R$ 21 bilhões em recursos (pouco mais de R$ 20,8 bilhões). Ganhou mais R$ 10,2 bilhões na complementação, além dos R$ 10,6 bilhões que já tinha obtido.

Universidades

Para superar a obstrução feita pela oposição, o líder do governo, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), firmou um compromisso para que seja feita futuramente uma recomposição de recursos que foram retirados na proposta para universidades federais e para a realização do Censo Demográfico de 2021.

Os recursos cortados foram distribuídos para outras áreas. No caso das universidades, o corte foi de R$ 1,1 bilhão.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

Categoria(s): Artigo
domingo - 21/03/2021 - 09:50h

No caminho da agricultura irrigada em nosso semiárido

Por Josivan Barbosa

Nas nossas visitas à diversas regiões do nosso Semiárido, é comum a pergunta: quais as razões do sucesso da agricultura irrigada nas microrregiões do Médio Jaguaribe (CE), Médio Oeste (RN), Vale do Assu e outras circunvizinhas? Embora não se desconheça, a história na íntegra, mas, no início dos anos 80, havia apenas uma agroindústria de sucesso na fruticultura, a Mossoró Agroindustrial S/A (MAISA) – veja AQUI, que cultivava caju gigante.

Desenvolvimento tecnológico ao longo das últimas décadas levou agricultura a avanços (Foto ilustrativa)

Desenvolvimento tecnológico ao longo das últimas décadas levou agricultura a avanços (Foto ilustrativa)

Na microrregião do Vale do Rio Açu (RN), as experiências com a fruticultura estavam apenas iniciando, pois a região apresentava sérias limitações com água, o que melhorou a partir da inauguração da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves no ano de 1982.

Nas microrregiões do Médio Jaguaribe (CE) e Médio Oeste (RN), não havia experiências de êxito ligadas à atividade de produção de frutas irrigadas.

Sem querer atribuir o sucesso unicamente aos esforços da então Escola Superior de Agricultura de Mossoró, hoje, Universidade Federal Rural do Semiárido, é preciso reconhecer que, obrigatoriamente, esta instituição teve importância ímpar no processo.

Em 1979 a então direção da ESAM conseguiu aprovar, juntamente com mais cinco universidades do Nordeste que tinham competência instalada na área de Ciências Agrárias (UFC, UFPI, UFRPE e UFPB), um importante projeto de desenvolvimento tecnológico dentro do PDCT (Programa de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Nordeste). A ESAM foi contemplada com recursos da ordem de 45 milhões de dólares por um período de cerca de seis anos.

Os recursos eram provenientes do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e do Governo Brasileiro, através do CNPq na proporção de contrapartida de 1:1. Foi o maior projeto da história dessa instituição de ensino superior. Os principais benefícios do projeto para o desenvolvimento da nossa IFES foram:

  • Contratação de 110 profissionais de nível médio e superior (laboratoristas, engenheiros agrônomos, trabalhadores de campo, motoristas, técnicos de informática e técnicos agrícolas)
  • Construção dos Laboratórios de Água e Solos e Hidráulica
  • Construção da Biblioteca Central Orlando Teixeira
  • Aquisição de inúmeros equipamentos científicos de apoio à pesquisa
  • Ampliação do Laboratório de Sementes
  • Ampliação dos Laboratórios de Alimentos
  • Instalação de módulos demonstrativos de irrigação nos municípios de Touros, João Câmara, Mossoró, Baraúna, Gov. Dix-Sept Rosado, Pau dos Ferros, São Miguel, Zé da Penha e Rafael Fernandes. Os módulos eram instalados em áreas particulares, após rígido trabalho de seleção dos beneficiados feito pelos pesquisadores.

Projetos de desenvolvimento tecnológico

A instituição instalou experimentos de pesquisa em várias microrregiões do Estado. Cada módulo demonstrativo era composto de uma área irrigada (2 a 4 hectares de fruteiras – banana, mamão, goiaba, graviola e maracujá), apicultura de sequeiro (capim buffel) e caprinos (10 matrizes e um reprodutor). Após três anos de instalação dos módulos, eram feitas avaliações. A área de sequeiro mostrou-se ineficiente. A única área de sequeiro que mostrou bom rendimento para o produtor foi o plantio de abacaxi no município de Touros (RN).

Abacaxi teve avanço (Foto: Portal do Agronegócio)

Abacaxi teve avanço (Foto: Portal do Agronegócio)

O abacaxi foi testado na área do Sr. José Joventino. Naquele município, já havia uma experiência de um produtor oriundo do município de Sapé (PB). Na época, a região plantava apenas 180 hectares de abacaxi. Após os trabalhos de pesquisa desenvolvidos pelos técnicos da antiga ESAM houve um considerável aumento da área cultivada com abacaxi, atingindo o pico de cerca de três mil hectares no início dos anos 90, incluindo os municípios de Ielmo Marinho, Pureza e Touros.

Nas áreas de sequeiro com capim buffel e algaroba não houve registro de nenhum caso de sucesso. A apicultura foi regular e o destaque ficou por conta das áreas irrigadas, nas quais o produtor conseguia excelentes rendimentos. Um bom exemplo de sucesso foi o plantio de bananeira em consórcio com tomate. Uma das culturas que, também, mostrou excelente rendimento foi o mamão formosa. A cultura que se mostrou mais rentável para o produtor foi a banana, seguida de goiaba, graviola, mamão e maracujá. O sistema de irrigação utilizado era o xique-xique (mangueira de polietileno com furos e vazão de 45 – 50 litros/hora).

O sucesso das pesquisas

O sucesso obtido nos experimentos da ESAM (hoje UFERSA) com a cultura do mamão, é, em parte, responsável pelo incremento no cultivo desta fruta nos últimos anos no Estado do RN e no Estado do Ceará. Antes de 2012, nas microrregiões de Mossoró (RN) e, mais especificamente, no município de Baraúna e Baixo Jaguaribe (CE), incluindo os municípios de Quixeré e Limoeiro do Norte, o cultivo do mamão formosa passou a ser a principal cultura complementar do binômio melão-melancia.

Hoje, a fruta é exportada e muito bem aceita nos  mercado local, regional, Sudeste e internacional (Europa). Um dos principais produtores dessa fruta em Baraúna (RN), era o engenheiro agrônomo Wilson Galdino de Andrade, formado pela antiga ESAM, e não por coincidência, foi o técnico executor das pesquisas nos módulos instalados no projeto piloto em 1979.

Na região Agreste (RN), no município de Ceará Mirim, no início dos anos 2000 se instalaram três conceituadas empresas produtoras de mamão papaia (Caliman, Gaia e Batia) cuja produção de mamão era predominantemente exportada pelo Porto de Natal para a Europa e Estados Unidos. A agroindústria Caliman chegou a se instalar, também, na região de Baraúna, com infraestrutura para exportar mamão formosa para a Europa. O mamão formosa produzido na região de Baraúna possui qualidade superior (formato do fruto, cor e teor de açúcar).

O sucesso da banana

No caso da banana, o Polo de Agricultura Irrigada RN – CE (principalmente, Quixeré, Russas, Jaguaruana, Tabuleiro do Norte, Limoeiro do Norte, Aracati e Icapuí e  Baraúna, Apodi, Felipe Guerra, Upanema, Assu, Ipanguaçu e Alto do Rodrigues ) possuía antes de 2012 uma área instalada acima de cinco mil hectares. Na microrregião do Vale do Açu (RN) predominava o cultivo de banana para o mercado externo (Mercosul e Europa).

Bananas no semiárido (Foto: Grupo Cultivar)

Bananas no semiárido (Foto: Grupo Cultivar)

Já no projeto de irrigação DIBA (Distrito Irrigado Baixo Açu)  e na microrregião do Médio Oeste (RN), na Chapada do Apodi, o cultivo da banana era direcionado ao  mercado interno. Antes de 2012, somente uma agroindústria instalada naquela microrregião, produzia individualmente, 1.200 hectares e mais 600 hectares, terceirizados, de pequenos produtores agregados.

Atualmente o cultivo de banana para exportação foi reduzido na microrregião do Vale do Açu (RN), embora tenha sido ampliado na microrregião do Baixo Jaguaribe (CE), mais especificamente em Limoeiro do Norte, onde há duas empresas instaladas com cerca de 800 hectares. Nessa região as empresas utilizam água do canal de irrigação do DIJA (Distrito Irrigado Jaguaribe-Apodi). Recentemente, não temos avançado com a cultura da banana em função da limitação de água na barragem do Castanhão nos últimos 10 anos.

Outras fruteiras

As outras fruteiras (goiaba e maracujá), como demonstrado nas pesquisas feitas pela antiga ESAM, começam a ganhar importância na região. A goiaba é uma fruteira muito cultivada em Petrolina (PE), mas os pomares instalados naquela região têm sido dizimados por nematóides.

O maracujazeiro amarelo foi plantado em grande escala, no final da década de 80 pela MAISA, mas devido à alta incidência de pragas, principalmente fusariose, a empresa foi obrigada a erradicar a cultura.

Atualmente, algumas empresas de agricultura irrigada situadas nas microrregiões Médio Jaguaribe (CE) e Médio Oeste (RN) estão iniciando projetos com o cultivo do maracujá.

A graviola ainda é pouco cultivada e há poucos plantios nessas microrregiões. O cultivo é direcionado para a produção de polpa para atender ao mercado regional.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

Categoria(s): Artigo
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domingo - 07/03/2021 - 09:52h

O custo das águas do São Francisco após a transposição

Por Josivan Barbosa

Durante a semana, o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) enfatizou para a imprensa do Semiárido e do Brasil a chegada das águas do São Francisco ao Estado do Ceará através da Bacia do Rio Jaguaribe.

Ao mesmo tempo que o Governo Federal comemora o impacto do projeto para mitigar os problemas decorrentes da seca na região, a imprensa do Sudeste questiona o valor do custeio anual do funcionamento do projeto e quem pagará a conta.

Trecho da transposição do rio São Francisco em Cabrobó, município de Pernambuco (Foto: Web)

Trecho da transposição do rio São Francisco em Cabrobó, município de Pernambuco (Foto: Web)

Por que a prioridade nesse gasto, e o que esperar depois dele feito? Vale a pena conhecer um pouco dessa obra iniciada no governo Lula, que terá custado R$ 11 bilhões. Ela, como tantas outras, enfrentará desafios para ser operada depois de entregue. Além disso, poderá ter repercussões na modelagem de uma eventual privatização da Eletrobras.

O projeto é mais do que os canais e túneis que aparecem na televisão, ainda que seus dois eixos atravessando o Nordeste sejam o que mais marca a percepção popular. O primeiro eixo, de 400 km de comprimento e 3 estações de bombeamento, liga o São Francisco a várias bacias hidrográficas no Ceará e Rio Grande do Norte. O segundo, com 220 km de comprimento e 6 estações, liga o rio a bacias na Paraíba e Pernambuco.

O projeto não deveria ser conhecido como de transposição, mas sim de integração do rio São Francisco às bacias no Nordeste e à suas redes de açudes, porque seu objetivo principal é permitir maior flexibilidade na operação desses açudes, ou seja aproveitar melhor uma infraestrutura que vem sendo construída há várias décadas, o que tem interesse fiscal.

Açudes

Como as secas no Nordeste podem durar vários anos, os açudes que recebem água de rios temporários devem ser mantidos bastante cheios em tempos normais, o que aumenta a evaporação e o risco deles “transbordarem” nos períodos de chuva. Acaba-se, assim, usando de forma regular apenas uma pequena fração da água represada. Com uma fonte externa contínua de água (e.g., o São Francisco), pode-se usar a água acumulada com mais liberdade, baixando o nível médio do reservatório e aproveitando melhor as chuvas. Segundo os relatórios originais do projeto, cada litro de água vinda de longe pode aumentar em até três litros a vazão regulada do reservatório, o que é eficiente e positivo do ângulo da sustentabilidade.

O ganho da melhor regularização das bacias do Nordeste não deveria ter um custo extraordinário para a vitalidade do rio São Francisco, já que a intenção é tirar na base o equivalente a apenas 1,4% da sua vazão média. O volume retirado pode excepcionalmente ser aumentado em 450%, quando a barragem de Sobradinho estiver quase cheia. Nessa hora, a água não teria outro uso e poderia ser bombeada praticamente de graça, porque a hidrelétrica estaria podendo ceder energia para as estações de bombeamento. É uma hipótese ambiciosa, mas atraente.

Evidentemente, o perigo está nos detalhes. Primeiramente, deve ser lembrado que o uso prioritário dessa água deverá ser para consumo humano (e animal). Em princípio ela se destinaria para irrigação apenas na condição excepcional descrita acima, e seu eventual uso pelo setor industrial deve se dar com cuidado.

Ainda não está claro quem pagará pela água transportada por centenas de quilômetros. Finalmente, a expectativa de fartura de água no Rio São Francisco não tem se verificado, tornando a expectativa de irrigação mais problemática do que desejado para a operação atual da usina de Sobradinho.

Sobradinho não verteu desde 2009, apesar de outrora verter em dois de cada sete anos. Esse desafio ambiental imprevisto pode, no entanto, vir a ser reduzido na medida em que a operação do sistema elétrico brasileiro for se adaptando à maior participação das energias renováveis intermitentes.

Questões em aberto

Com a entrega do projeto do São Francisco se aproximando, o próximo desafio será operá-lo de maneira financeiramente sustentável. Como observado pelo ex-presidente da Agência Nacional de Águas, Jerson Kelman, bombear os 26,4 m3 /s outorgados à demanda essencialmente urbana exigirá 750 GWh/ano (0,1% da eletricidade do Brasil). Considerando a energia a R$ 150/MWh, isso representa mais de R$ 100 milhões de energia além de gastos de manutenção, perdas, etc. que se traduziriam em quase R$ 1/m3 de água. Supondo o consumo médio de 35m3 /pessoa por ano e os custos de distribuição, a conta de água para uma família de três pessoas pode ser alta.

Se houver água para irrigação, a precificação ajudará a evitar o desperdício, podendo se dar, por exemplo, a partir do custo da água de poços artesianos. É importante, portanto, considerar como as distribuidoras de água da região vão tratar essas questões e se, além de um gesto como o proposto pelo governo na recente MP da Eletrobras, é necessária uma instituição que proporcione a governança requerida para que o investimento traga os benefícios desejados e não se deteriore nem vire um problema fiscal.

Agrícola Famosa

A grande maioria da imprensa local não atentou para um dos eventos de fusão e aquisição mais importante desse século após o fechamento da Maisa no início da década passada (Leia tambémAgrícola Famosa se associa a grupo europeu em negócio de vulto.). A empresa brasileira, essencialmente mossoroense e muito conhecida na Europa, a Agrícola Famosa (maior produtora e exportadora de melão e melancia do país) associou-se ao grupo espanhol Citri&Co, o maior produtor e distribuidor europeu de frutos cítricos e de caroço.

Exportação do melão ganha logística mais forte (Foto ilustrativa)

Exportação do melão ganha logística mais forte (Foto ilustrativa)

Esta nova formatação foi facilitada pelo fundo Miura Private Equity que fará toda a engenharia financeira dessa fusão.

O melão, melancia, e os frutos cítricos representam mais de 30% do consumo total de frutas no mercado europeu. As frutas cítricas são as preferidas durante o inverno europeu, ao passo que o melão e a melancia são demandadas pelo europeu no verão. Espanha e Brasil (Polo de Agricultura Irrigada RN – CE) lideram a produção dessas frutas nas estações de colheita e, também, fora da temporada, o que representa uma vantagem competitiva para atender o mercado da União Europeia e do Reino Unido.

Plataforma Global

A fusão da Citri&Co com a Agrícola Famosa criará uma plataforma global de liderança no fornecimento de cítricos, melão e melancia, o que fortalecerá sua capacidade operativa e as relações comerciais com o sistema de varejo de frutas e hortaliças na Europa e em outras partes do mundo. As duas empresas já possuem forte tradição familiar e compartilham os mesmos valores comerciais.

Os Estados do Rio Grande do Norte e do Ceará precisam compreender o novo formato de funcionamento desse grupo e apoiar com infraestrutura necessária de estradas, energia e recursos hídricos.

Plano diretor

A nova gestão do município de Mossoró silencia diante da necessidade de requalificação do Plano Diretor do Município. Mossoró precisa de um Plano Diretor Estratégico (PDE), no qual se faça uma análise sobre as novas necessidades do município, após duas décadas de quando se fez os primeiros encontros do  Plano Diretor atual.

O isolamento social, com número expressivo de pessoas trabalhando em “home office” ressalta a necessidade de se discutir temas como diminuição dos deslocamentos das pessoas e possibilidade de mudanças do uso de imóveis públicos para uso  habitacional, adensar o centro com moradias verticais em terrenos públicos pode ser uma saída para minimizar os problemas com a péssima qualidade do sistema de transporte público.

Apartamentos de metragem menor

A intenção é avaliar quais pontos do Plano Diretor deram certo e quais precisam ser mudados. A partir daí, será elaborado estudo técnico e, posteriormente, preparado documento para ser encaminhado ao Legislativo.

Precisamos trazer a informalidade para dentro da formalidade.

Entre as principais demandas do setor de incorporação, estão o estímulo à construção de unidades de maior porte, destinadas a famílias de classe média e alta, nas regiões dos chamados eixos estruturantes – proximidades dos corredores de ônibus, onde o potencial construtivo aumentou com o atual Plano Diretor atual. Nessas regiões, o PDE poderia incentivar a produção de apartamentos de metragem menor.

O secretário da Pasta responsável pela revisão do Plano Diretor precisa se posicionar diante da discussão do que deve ser feito com os imóveis ociosos que a PMM e o Governo do Estado possuem na cidade, levando em conta o agravamento do déficit habitacional na pandemia. Estas duas esferas de governo precisam servir de exemplo no uso social dos prédios públicos fechados ou de uso antieconômico.

BR 304

Uma alternativa para que o Estado do RN possa avançar no projeto da duplicação da BR 304 através de convênio com o Governo Federal pode estar no que o mercado financeiro conhece como ‘project finance’. O exemplo vem de Mato Grosso do Sul com a rodovia estadual MS-306, um trecho com 220 quilômetros que receberá R$ 932 milhões em investimentos. Não se trata de uso de recursos do BNDES, como é de praxe em investimentos dessa natureza.

O financiamento está se dando por meio de R$ 315 milhões em debêntures incentivadas (com isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas) emitidas na semana retrasada. A demanda pelos papéis foi tamanha – mais que o dobro do valor oferecido – que a concessionária conseguiu até mesmo reduzir o custo de captação: a taxa diminuiu de 6,4% para 6% ao ano (mais IPCA). As debêntures têm um prazo de 15 anos e pagamento semestral de juros. Os recursos já entraram no caixa da empresa.

Uma lição a ser tirada do financiamento montado é que o setor pode depender menos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), buscando fontes alternativas de crédito. No limite, rodovias podem se transformar em ativos como linhas de transmissão de energia, que atraem fundos e empresas de menor porte.

Engenharia financeira

A operação da MS-306 foi assumida pela concessionária em abril de 2020. Após trabalhos iniciais, que vão da recuperação preliminar do pavimento à limpeza dos canteiros, a cobrança de pedágio começará dia 22 ou 23 de março. Serviços como socorro mecânico e ambulâncias estão funcionando. No contrato, com 30 anos de duração, há exigência de construção de acostamentos e terceiras faixas.

Além dos R$ 932 em investimentos, com cerca de dois terços nos primeiros cinco anos, mais R$ 843 milhões serão desembolsados em manutenção das vias e serviços de atendimento aos usuários.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

Categoria(s): Artigo
domingo - 21/02/2021 - 09:14h

Mossoró e sua pobreza de bons projetos

Por Josivan Barbosa

Passada a metade dos 100 primeiros dias do mandato do prefeito Allyson Bezerra (Solidariedade), não se registra a sua ousadia de falar em novos projetos para Mossoró e região. Falta pragmatismo do prefeito de uma cidade com mais de 300 mil habitantes e que necessita tanto de investimentos em infraestrutura, como a complementação da Avenida do Contorno e uma via ligando o grande Vingt Rosado às Barrocas, desafogando a Leste Oeste e a duplicação da avenida Francisco Mota.

O prefeito também não deu importância à sinalização do deputado Girão em relação ao compromisso assumido com a reitoria da Ufersa em alocar recursos de Emenda Parlamentar para a duplicação da Avenida Francisco Mota, que corta essa instituição em Mossoró.

Ufersa fica em posição estratégica no gargalo da Avenida Francisco Mota (Foto: Eduardo Mendonça)

Ufersa fica em posição estratégica no gargalo da Avenida Francisco Mota (Foto: Eduardo Mendonça)

A duplicação da Francisco Mota é um projeto da década passada que foi elaborado por uma empresa especializada em serviços de Engenharia sob a contratação da Prefeitura Municipal de Mossoró e que até o momento encontra-se no DNIT para adequação à realidade do tráfego nos dias de hoje. É normal que o prefeito ao assumir avalie a necessidade de retomar as negociações com a Bancada Federal no tocante ao andamento desse projeto.

Ignorar e esperar sentado não vai resolver o problema do nosso município no tocante à mobilidade da Grande Alto de São Manoel.

O prefeito precisa entender que naquela região da cidade encontram-se quatro instituições de ensino superior e técnico públicas, uma universidade particular e o Complexo Judiciário de Mossoró, cujo projeto é único entre as cidades do Norte e Nordeste.

Além disso, a Avenida Francisco Mota servirá de acesso ao Hospital Maternidade que está sendo construído dentro do campus da UERN e à Escola SENAT recém-inaugurada no Vingt Rosado.

Ainda como importância daquela avenida, representa a principal ligação da cidade com grandes conjuntos habitacionais como o Vingt Rosado e o Maria Odete.

Não estamos aqui defendendo que o prefeito de Mossoró consiga duplicar a Francisco Mota com recursos próprios, pois sabemos que a exemplo do Governo do RN, a PMM não tem recursos para investimentos. Mas, uma articulação política em torno desse projeto é fundamental e urgente. Afinal de contas, foi através de uma articulação dessa natureza que o projeto da Reta Tabajara está sendo desenvolvido.

Mossoró não pode se intimidar diante da necessidade de captar recursos para os seus grandes projetos. Se assim fizer, está contribuindo para que os recursos oriundos de Brasília permaneçam predominantemente sendo alocados pós-Reta Tabajara como tem sido nos últimos anos.

Basta analisar a distribuição das Emendas de Bancada nesta década e fazer a proporcionalidade levando em consideração a concentração da população nas macrorregiões do RN que se percebe facilmente que o pêndulo está sempre a favor da Grande Natal.

Novo São Camilo

Para não se injusto com o prefeito Allyson Bezerra, ele tem dado demonstração de que lutará para um novo hospital municipal psiquiátrico, uma espécie de novo São Camilo.

A estrutura é mais do que urgente. O São Camilo que é um equipamento alugado pela municipalidade só serve para passar a máquina, demolir e ser aproveitado para o mercado imobiliário. Não compensa fazer qualquer tipo de investimento numa estrutura tão comprometida.

O problema é que o município não tem recursos para construir um hospital de tanta complexidade. Novamente será necessário uma ampla articulação com a Bancada Federal e com o Governo do Estado para avançar nessa direção.

Outro grande problema é que se construído esse equipamento a prefeitura não tem recursos de custeio para mantê-lo em funcionamento. Em saúde o mais caro é o custeio, e não o investimento. Expandir na área de saúde exige certa estrutura, espaço, equipes. O mais difícil, contudo, é a manutenção desse gasto.

RN fora da curva

         O pacote de ajuda da União aos governos regionais para fazer jus aos efeitos econômicos da pandemia contribuiu para que Estados tivessem recursos disponíveis para investimentos.

Mesmo com uma arrecadação própria agregada que cresceu apenas 2% nominais em 2020, abaixo da inflação de 4,5% no ano, os investimentos do conjunto dos 27 entes federados avançaram 10,8% nominais contra o ano anterior. Em 13 Estados a variação ficou acima de 20% e em dez deles a alta superou os 30%.

Nem todos os Estados, porém, elevaram os investimentos no segundo ano de mandato dos governadores. Entre as exceções ficaram Paraíba, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido

Categoria(s): Artigo
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domingo - 24/01/2021 - 10:52h

Hospital do Vale do Jaguaribe pode ser alternativa para RN

Por Josivan Barbosa

Na semana passada colocamos neste espaço (veja AQUI) que o Hospital Regional do Vale do Jaguaribe (HRVJ) deveria se transformar na opção número 1 para os estudantes de Medicina da Universidade do Semiárido como espaço de desenvolvimento das atividades práticas do curso.

Implantado em localização estratégica, nas proximidades da BR-116 no entrocamento entre Limoeiro do Norte, Russas e Morada Nova, o HRVJ funcionará para dar cobertura à Macrorregião Litoral Leste/Jaguaribe, garantindo atendimento médico-hospitalar à população de pelo menos 20 municípios. Contará com unidades de emergência e urgência, ambulatório, centro de imagem e diagnóstico, centro de parto, centro cirúrgico com seis salas, e enfermarias clínica, cirúrgica, traumatológica e pediátrica, somando 304 leitos.

Construção de hospital deve ensejar inauguração ainda esse ano no Ceará (Foto: autor)

Construção de hospital deve ensejar inauguração ainda esse ano no Ceará (Foto: autor)

Terá ainda Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) neonatal e UTIs neonatal, pediátrica e adulta, além de espaço para ensino e pesquisa.

A nova unidade vai ampliar a rede da Secretaria de Saúde do Ceará (SESA), que hoje possui três hospitais regionais em operação: o Hospital Regional Norte (HRN), em Sobral; o Hospital Regional do Cariri (HRC), em Juazeiro do Norte; e o Hospital Regional do Sertão Central (HRSC), em Quixeramobim. O Consórcio Marquise/Normatel é o responsável pela construção.

A estimativa é que o HRVJ seja equipado e entre em funcionamento ainda em 2021.

O HRVJ como alternativa número um

            O Hospital Regional do Vale do Jaguaribe terá três vezes mais capacidade de receber alunos de Medicina para desenvolver a parte prática do curso do que o nosso Hospital Regional Tarcísio Maia e fica localizado a apenas 70 min de deslocamento de Mossoró até a sua sede, ou seja, pouco mais de 100 km de distância.

A Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA) é a única instituição de ensino superior que oferece curso de Medicina e que fica localizada no raio de atuação do referido hospital. Seria o mesmo grau de dificuldade em termos de logística de deslocar os nossos discentes para o Hospital Geral de Assu, se aquele hospital tivesse condições de receber os nossos discentes para realizar as atividades práticas.

A Ufersa precisa se antecipar e procurar a Secretaria de Saúde do Governo do Estado do Ceará e buscar apoio da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH), do MEC e do Ministério da Saúde para viabilizar essa importante parceria, que preencherá uma lacuna no currículo dos nossos discentes de Medicina enquanto o Hospital Universitário do Semiárido não é construído.

Maquete do hospital cearense (Reprodução BCS)

Maquete do hospital cearense (Reprodução BCS)

Recursos federais

            As universidades federais e os demais órgãos que necessitam de repasses de recursos do OGU correm o risco de passar por sérias dificuldades nesse início de ano. O problema é que a equipe econômica prepara um decreto de programação orçamentária e financeira que deve prever um “bloqueio preventivo” mais restritivo nos pagamentos de despesas deste ano. A ideia é que o “bloqueio” não seja linear, como feito em anos anteriores. O decreto de programação orçamentária e financeira, que está sendo analisado, deverá fixar, para algumas despesas, o limite de 1/18. Segundo fontes da área econômica, o assunto está em análise, mas, ainda não há uma decisão tomada.

Na proposta orçamentária, o governo estimou uma inflação no ano passado, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), de apenas 2,09%. Esse foi o percentual utilizado para corrigir o salário mínimo, que é o piso dos benefícios previdenciários e assistenciais, bem como os benefícios de valor acima do mínimo. O problema é que o INPC ficou em 5,45%.

Shutdown

O governo está, agora, refazendo suas contas, levando em consideração o INPC de 5,45%. As avaliações preliminares da área técnica indicam que o impacto do INPC, somado ao gasto adicional com a prorrogação da desoneração da folha de salários para 37 setores da economia, elevará as despesas obrigatórias em cerca de R$ 20 bilhões.

Com isso, o governo será obrigado a realizar um contingenciamento mais drásticos nas despesas discricionárias, principalmente nos investimentos. O corte mais profundo nos investimentos e no custeio da máquina terá que ser feito para que o governo possa cumprir o teto de gastos da União neste ano. Os técnicos admitem que existe o risco de paralisia de alguns serviços públicos, o chamado shutdown.

Parque Tecnológico

         O segundo projeto mais importante da Universidade do Semiárido para a década que se inicia é a instalação de um parque tecnológico. São poucas as universidades federais que ainda não avançaram nesse tema. A instalação de parques tecnológicos nas universidades federais tem se tornado umas das excelentes oportunidades para captação de recursos nos diferentes ministérios. Não há saída para a nossa IFES. Basta seguir o exemplo das universidades federais de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina.

O assunto de um parque tecnológico para a nossa Ufersa foi iniciado em 2012, mas se perdeu nos últimos oito anos sem qualquer rumo. Na próxima semana retornaremos neste espaço com o referido tema.

Novo parque eólico no RN

         Reforçando o compromisso de tornar sua matriz energética mais renovável, a Braskem acaba de fechar um acordo de compra de energia com a Casa dos Ventos, uma das maiores investidoras na fonte eólica do país.

O contrato, que supera R$ 1 bilhão, tem prazo de 20 anos e vai viabilizar a construção de um novo parque em Rio do Vento, complexo eólico com capacidade instalada total de 504 megawatts (MW) que está sendo desenvolvido pela Casa dos Ventos no Rio Grande do Norte.

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

Categoria(s): Artigo
domingo - 03/01/2021 - 16:48h

Ano começa com péssima expectativa para a economia

Por Josivan Barbosa

O ano termina com péssima perspectiva para os números do Produto Interno Bruto (PIB) per capita (por cabeça) do país.  Antes da pandemia do novo coronavírus, esperava-se que o PIB per capita se consolidasse neste ano ao redor de R$ 35 mil, o que seria o melhor resultado desde 2015, segundo projeção do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Naquele ano, o país passava por uma recessão, iniciada no fim de 2014 e que se estendeu até 2016, período em que a queda acumulada do PIB per capita ficou perto de 9%.

Nos três anos seguintes, o fraco crescimento do PIB praticamente empatou com a expansão da população. Se esta estimativa se confirmar, a queda do PIB per capita será de 5,4% neste ano, mais acentuada do que a do próprio PIB, calculada em cerca de 4,5%. Será também o maior recuo de todos os tempos do PIB per capita, depois dos 6,3% registrados em 1980.

Pior do que isso é a previsão de que vai levar ainda uma década para se voltar ao melhor patamar de todos os tempos. Ou seja, somente em 2030, o PIB per capita vai se igualar ao que foi registrado em 2013, quanto estava ao redor de R$ 37,5 mil a preços constantes de 2019, calculados pelo Ipea.

IDH

O país termina 2020 com uma péssima notícia em termos de desenvolvimento econômico. O Brasil perdeu cinco posições no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), calculado pela Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com o relatório referente ao ano de 2019, o país passou da 79ª para 84ª posição, atrás de vizinhos como Colômbia e Argentina.

O relatório – que está completando 30 anos – mostra o Brasil com uma pontuação de 0,765, em uma escala que vai de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, mais desenvolvido é o país em termos de expectativa de vida ao nascer, nível de escolaridade e de renda. A Noruega aparece na liderança, com um IDH de 0,957, seguida pela Irlanda e pela Suíça, as duas com 0,955. A China aparece logo atrás do Brasil, com um IDH de 0,761.

Telhanorte

O novo secretário de Desenvolvimento Econômico de Mossoró, Franklin Filgueira, já inicia o mandato com um grande desafio. Acreditamos que a secretaria vai se antecipar e colocar na mesa as facilidades legais para atrair para o município a empresa gigante da área de comércio Telhanorte. Integrante do grupo francês Saint-Gobain, vai entrar mais pesadamente no segmento de atacado de material de construção com o lançamento da bandeira Obra Já.

A empresa já atuava na área de forma tímida, com duas lojas da PRO Telhanorte, mas falhas na execução do formato atrapalharam o plano de expansão, e optou-se por lançar um novo modelo.

A varejista estuda a entrada em novas regiões do país por meio de abertura de “dark stores”, lojas para atender apenas a venda on-line. No Brasil, a concorrente Leroy Merlin é líder no varejo de construção e vinha acelerando a expansão ao testar novos conceitos, algo que a Telhanorte passou a focar mais após 2017.

A Telhanorte tem 77 lojas e diz que atingirá investimentos recordes em 2021, após forte expansão do seu mercado neste ano, um dos que mais cresceram no varejo depois do início da pandemia.

Devem ser investimentos de 20% a 25% maiores que 2020. Serão R$ 150 milhões nos próximos três anos, sem considerar os desembolsos em lojas, que na soma total superam os R$ 150 milhões

Sobre a operação no atacado, o plano é ter 20 unidades em 10 anos. Os dois pontos atuais da rede PRO Telhanorte, na capital paulista, voltadas para esse segmento, serão transformados em lojas da nova marca em 2021. E a primeira unidade da Obra Já será aberta na primeira quinzena de janeiro, em Campinas (SP), com a conversão de uma Telhanorte em Obra Já.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico precisa elaborar imediatamente um portifólio mostrando o potencial da cidade para o comércio ´de materiais da construção civil e se antecipar a cidades grandes do interior do Nordeste como Caruaru, Feira de Santana e Petrolina.

Os investimentos em cada loja giram em torno de R$ 100 milhões, quase o dobro do desembolso em uma unidade de varejo (entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões), considerando tamanho da área e características do formato. Haverá menos itens, cerca de 15 mil, versus de 40 a 50 mil nas lojas de varejo, porque o foco do modelo é outro.

Prefeito Allyson Bezerra

No discurso de posse do novo prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, não deu para compreender quais serão os seus grandes projetos para Mossoró nos próximos quatros anos. Também não conseguimos perceber como fará para desenvolver a chamada região metropolitana de Mossoró e nem como irá melhorar a qualidade dos serviços públicos.

Prefeito Allyson Bezerra discursou em sessão solene de posse no dia 1º de janeiro (Foto: divulgação)

Como a nossa educação fundamental está com sérios problemas de gestão e complicou ainda mais com a pandemia, esperávamos que no seu discurso a atenção seria especial para o problema da educação. Mas, também não conseguimos entender como pretende fazer a diferença na área de educação.

Esperamos e torcemos muito para que a nova equipe de secretários municipais apresente nos 100 primeiros dias de mandato um arcabouço dos grandes projetos que Mossoró precisa para não ficar atrás de municípios como Petrolina e Juazeiro na Bahia, Feira de Santana (Bahia) e Caruaru (Pernambuco).

O desafio é grande, pois Allyson Bezerra vai administrar um município com baixíssima capacidade de investimentos e a sua gestão só fará a diferença se conseguir convencer os ministérios com bons projetos para Mossoró e região.

A sintonia com as duas universidades públicas e com as universidades particulares será fundamental na elaboração desses bons projetos, mas não pode ficar apenas na intenção.

Auxílio emergencial

O fim do Auxílio Emergencial é a prova de que no Brasil não há entendimento social. Num país onde pouco menos de um quarto da população (50 milhões de pessoas) vive abaixo da linha de pobreza (com menos de dois dólares por dia), e todos conhecemos essa realidade há pelo menos quase 20 anos, afinal, graças a um dos poucos consensos de nossa história, criou-se nesse período um programa de transferência de renda para lidar com o problema – o Bolsa Família é excelente, cuida das consequências de políticas equivocadas que seguem provocando tanta miséria e desequilíbrio entre nós, brasileiros.

O Brasil de 2021

Mais um ano se passou e pouco avançamos nos grandes problemas do país. Sem saneamento básico, não há saúde. Sem saúde, não há cidadania. Junte-se esta precariedade à outra (a baixa qualidade do ensino fundamental público), o que temos? Que futuro aguarda o país com a 5ª população do planeta, habitante do 4º maior território em terras contínuas?

Josivan Barbosa é professor e ex-reitor da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA)

Categoria(s): Política
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