domingo - 13/05/2012 - 00:14h
Para ti

Um beijo que não posso dar…


Ligo para um amigo e o alcanço ‘passando por Assu’, diz-me ao celular. A voz é quase inaudível; foge e torna a interlocução quase impossível.

- Amigo, vou para Recife! Vou ver minha mãe. Não posso perder a oportunidade de ficar com ela mais um pouco – adianta-me.

- Ela tem 82 anos e cada momento como esse é precioso – justifica.

A conversa poderia se alongar. Mas não era preciso. Ouvi o suficiente. Restou-me o gosto seco, na boca, para lhe dizer… “vai, vai beijar sua mãe. Diga-lhe que mandei um beijo também.”

O beijo que não posso dar mais à minha…

Categoria(s): Crônica
domingo - 06/05/2012 - 10:50h
Só Pra Contrariar

A arte do silêncio e a vingança pelo sucesso


Só o silêncio e o sucesso podem combater, à altura, a agressão vil. Agressão não se rebate. Revida-se.

A indiferença e o sucesso pessoal destroem qualquer agressor infame.

Eis a vingança. O revide.

Categoria(s): Crônica
  • Câmara de Mossoró
quinta-feira - 05/04/2012 - 21:31h
Microcrônica

Um tempo de cura pelo afeto


Sou das antigas. Daquele tempo em que sentávamos à calçada, brincávamos de ‘tique’, ‘garrafão’, ‘queimado’ e trocávamos figurinhas.

Das figurinhas vinha o jogo de ‘bafo’, em que batíamos com a mão côncava sobre elas, tentando virá-las com o deslocamento de ar e certa malícia. Muita malícia.

Tinha jogo de botão e meu Fluminense, imbatível. Sob meu comando, claro.

A porta de minha casa ficava aberta. A dos nossos vizinhos, também. Crime hediondo, no máximo, era furto de galinha e aqui e acolá aparecia alguém morto: normalmente por violência passional, decorrente de bebedeira ou em em nome da honra.

Serpenteávamos de uma casa a outra e a TV não era tão atraente assim. Internet? Não existia nem nas aventuras futuristas de Júlio Verne, que eu já lia.

Éramos felizes. Inocentes. Talvez felizes por isso.

Até médico da família nós tínhamos. Era comum. A nossa casa tinha o seu, sempre vestido num branco impecável.

Médico que tomava café à cozinha e sabia o nome de todos, sem embaraços. A valize parecia trazer o milagre da cura. O estetoscópio rastreava e ascultava supostas mazelas cardíacas e respiratórias. Sua caneta deslizava sobre o receituário uma letra ininteligível, puro hieroglifo a meus olhos.

A medicina tinha o poder de curar pela atenção e afeto.

Mas faz muito tempo. Nem sei por que ainda lembro disso…

Categoria(s): Crônica
quinta-feira - 23/02/2012 - 18:56h
A vida como ela é

O carnaval dentro de cada um de nós


Ouvi vários relatos sobre o Carnaval 2012. Uns que gostaram, outros que odiaram, aqueles que ficaram num meio termo.

O que percebo é que muitos tentam, no Carnaval, desafogar angústias e estresses do seu cotidiano. Frustram-se.

Carnaval é um estado de espírito e não um divã.

Uma bancária, hoje, tendo-me como interlocutor e ouvinte atento, fez a reprodução do que vivenciou num retiro espiritual: “Eu estava precisando”, contou-me.

Acostumada à folia, encontrou dentro de si outra forma de se alegrar.

Renovou-se.

Categoria(s): Crônica
  • Oral Clinica
sábado - 04/02/2012 - 18:56h
Veto ao verbo

A involução da espécie humana


Às vezes não entendo o ser humano.

Surgiu há 65 milhões de anos, aprendeu a falar, mas adora fazer barulho com música às alturas para se comunicar por sinais, como se fosse um surdo-modo.

Vá entender.

Categoria(s): Crônica / Opinião da Coluna do Herzog
quinta-feira - 02/02/2012 - 19:44h
Sejamos leves

Vidas secas e pesadas


Impressiona-me a quantidade de pessoas preocupadas com peso nas redes sociais e fora delas.

E há aqueles ainda mais preocupados com o peso alheio.

Como não sou halterofilista nem cabeceiro, tenho outras preocupações.

Peso?

Que a vida nos seja leve.

Categoria(s): Crônica
sexta-feira - 27/01/2012 - 14:38h
TCE

“Céu” do Rio Grande do Norte fica de frente pro mar


Já cunharam uma frase em que se definia em tom lírico: “O Senado é o céu”.

No Rio Grande do Norte, é apropriado se afirmar – seguindo essa linha de raciocínio – que o céu é o Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Uma beleza! “Tem até vista pro mar”, lembra a webleitora Sara Varela.

O mar de Netuno, de Caymmi, das caravelas, dos vikinks, de Atlântida. E também dos corsários e piratas.

O mar é sempre inspirador.

Categoria(s): Crônica / Política
quarta-feira - 28/12/2011 - 11:28h
Microcrônica

A felicidade e a infelicidade de Anna em Tolstói


Sei lá por que, mas de repente veio à minha mente a genial abertura de “Anna Karenina”, de Leon Tolstói:

“Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira”.

É uma leitura obrigatória. O romance de Tolstói remete-me à reflexão sobre família, felicidade, infelicidade.

Por ser feliz, não me privo da realidade dos que são infelizes. Eu também já fui um deles.

Somos iguais.

Categoria(s): Crônica
domingo - 25/12/2011 - 11:28h
Microcrônica

A ausência do aniversariante


Senti um Natal em família.

Por onde circulei, gente reunida em casa, à calçada, celebrando.

Crianças enroscavam-se e esbaldavam-se com presentes.

Cores, música, aromas. Sorrisos. Noite feliz!

Só senti uma ausência na maioria dessas casas: do aniversariante.

Categoria(s): Crônica
sábado - 24/12/2011 - 11:03h
Microcrônica

Um doce para o Natal


Uma dica àqueles que estão em dúvida se compram um presente ou uma “lembrancinha” para quem gosta, neste Natal:

- Seja doce!

Categoria(s): Crônica
  • Câmara de Mossoró
sábado - 24/12/2011 - 10:38h
Microcrônica

Um inventário para ser feliz – ou não – no Natal


A atmosfera do Natal deixa muita gente mais suscetível às emoções ou predispostas à hipocrisia.

Para saber se você faz parte da primeira ou da segunda categoria, faça um inventário honesto de como tratou cada ser humano nos últimos meses, de 1º de janeiro até aqui.

Se você abre um sorriso com o sucesso alheio, sente-se bem em desejar “bom-dia”, “boa tarde” e “boa noite”, é um dos nossos.

Caso contrário, guarde seu “Feliz Natal” para o próximo ano.

Quem sabe, até lá, você descubra que o Natal nasce a cada dia e não apenas num dia qualquer de dezembro, o obrigando a ser generoso e fraterno.

Nota do Blog – Feliz Natal.

Categoria(s): Crônica
quarta-feira - 21/12/2011 - 10:00h
Microcrônica

Natal robótico e virtualmente feliz


A comunicação online está pulverizando mensagens natalinas, via email. Em sua maioria, protocolares. Sem espírito natalino. Robóticas.

Argh!

Sou muito antigo. No meu tempo, as pessoas eram felizes no Natal. Ou infelizes nele.

Hoje, virtualmente felizes.

Categoria(s): Crônica / Política
segunda-feira - 19/12/2011 - 08:06h
Microcrônica

O Natal dos infantes


Semana do Natal.

Segundo nossa tradição religiosa, um tempo de nascer, renascer.

Eu, confesso: serve-me como período para inventário de minhas perdas.

Mas aprendi a atenuá-las, observando o cintilar de olhos infantes, que fazem do Natal a alegria do viver.

Nelas, as crianças, o Natal existe.

Eu acredito. Assim, também existo um pouco.

Categoria(s): Crônica
sexta-feira - 16/12/2011 - 04:34h
Microcrônica

A felicidade transferida


O Facebook tem sido campo fértil para manifestações de desamor, angústias e desalentos.

São desabafos ao mundo virtual, que às vezes parecem agir como uma autoterapia.

Em quase todos os murmúrios, a mesma causa: gente que acredita poder ser feliz transferindo essa aspiração a outro (a).

Uns, buscam a cara-metade; outros, o príncipe encantado. O primeiro é fruto da mitologia grega e o segundo da literatura. Irreais, portanto.

Acho que as duas correntes vão continuar infelizes.

Amor é uma conquista, nunca uma concessão por piedade ou gratidão.

Nos dois casos, procuram fora o que só pode ser encontrado dentro de si, gostando-se primeiro.

Felicidade estimula e atrai.

Masoquismo não é amor. É desamor.

Categoria(s): Crônica
quinta-feira - 15/12/2011 - 06:49h
Microcrônica

Confissão para fazer direito


Estou em vias de concluir mais um período do meu curso de Direito. Não houvesse sofrido solução de continuidade, ao final do ano passado eu já estaria “formado”.

Não é uma queixa; faço um relato. Vale o final. Princípio e meio são caminhos de aprendizado, do ser em luta contra o não-ser.

Vários amigos ficaram na UnP, num momento em que desembarquei por lá desacreditando na amizade, tocado pela ingratidão e perfídia. Hoje, distante deles, os tenho próximos. São uma benção.

Nos últimos períodos a Faculdade Mater Christi tem sido minha casa. Casa do saber, do conhecer, do reconhecer, de um refazer de história.

Uma chance, novamente, de fazer direito. O certo, o reto.

Nova oportunidade que ganhei para pegar a parte do “destino”, que me cabe, para torná-lo um escrito de próprio punho.

Terreno fértil à tessitura do bem-querer e da amizade. Em cada rosto, gesto e verbo, uma parte do que é-me semelhante e conivente ou discrepante e arredio. É a argamassa do que me faz melhor: as diferenças.

Se precisei parar, lá atrás, é porque de algum modo faltava me situar. Se há destino, ei-lo: estou nele.

Agradeço por isso.

Categoria(s): Crônica
quarta-feira - 14/12/2011 - 10:42h
Microcrônica

Eu quero, eu posso!


As pessoas não mudam. Elas melhoram ou pioram. E duas forças agem nessa transformação: uma de ordem interna, outra de influência externa. São fatores endógeno e exógeno.

Há uma essência imutável em cada indivíduo.

Nas duas, há sempre uma faceta de cunho egoísta, às vezes imperceptível. No fundo, alteramos a “rota” parar sermos felizes.

Ninguém melhorar ou piora por determinação alheia e, sim, por influência desta.

Mas a grande transformação deriva mesmo da vontade própria.

Essa é a chave de tudo: o querer. Ele, filho do livre arbítrio.

Seu lema? “Eu quero, eu posso!”

Categoria(s): Crônica
terça-feira - 13/12/2011 - 10:05h
Microcrônica

O menino que herdou a fé


Cá, em minha terra, os católicos reverenciam sua padroeira: É Santa Luzia.

Mossoró vai às ruas e avenidas revelar seu fervor religioso. Um mar de gente até de outros estados aporta aqui, para pedir-agradecer.

Eu ainda sou o menino do tiro ao alvo, da pescaria e de outros jogos inocentes. Menino encantado com as cores, sabores e emoção da festa.

Sou o menino de roupa nova, sapatos brilhosos, asseado, cabelos finos e escorridos, sobre corpo mirrado, encantado com tudo que era lúdico e inocente.

Sou o menino que herdou a fé como um bem de família. Um homem que fundamentalmente crê!

Categoria(s): Crônica
sábado - 10/12/2011 - 09:25h
Microcrônica

A descoberta da mortalidade


Quando, precisamente, descobri que eu era mortal?

Fiz-me essa pergunta dia desses, após habitual meditação. A resposta ainda está incompleta. É-me difícil apontar uma hora, dia, uma situação, um lugar.

Mas é certo que é pela dor, às vezes em seu paroxismo, que colocamos os pés no chão. Aí, bem Sócrates, precisamos proclamar: “Só sei que nada sei”.

Mortal na perda de um amor; mortal ao sepultar um amigo; mortal diante da ingratidão; mortal na impotência perante a injustiça.

Mortal. Renascido na esperança.

Categoria(s): Crônica
quarta-feira - 07/12/2011 - 07:53h
Bom-dia sempre!

E-mail da fé contínua no bem-amado


Bom-dia, meu filho.

Mantenha-nos informados.

Eu, sabes, apesar de ser um Rapaz Velho Encruado, sou aberto ao diálogo e aprendi a ouvir, depois de muitos tentarem sufocar minha palavra.

Não desanime, não desista nunca dos seus sonhos.

Eu, sabes, repito, posso até não ser um motivo de orgulho para ti e outras pessoas que gosto, mas jamais serei de vergonha.

Aprendi a ganhar, perdendo; aprendi a crescer, quando quiseram me diminuir; aprendi a viver, quando parecia morto.

Se caí algumas vezes, foi por não me permitir à omissão e à covardia, para não ser apenas aquela espuma que vai na enxurrada ou fica presa à margem de tudo, até sumir no nada.

Se é para lutar, lute. Se caírdes, não temas: a mão mais próxima a te levantar será a minha, mesmo que aqui, talvez, eu já nem esteja.

Beijos.

Carlos Santos – Pai

Categoria(s): Crônica
segunda-feira - 05/12/2011 - 09:21h
Pobre diabo

A deselegância do novo rico


Deparei-me ontem com outro novo rico: carrão parando trânsito, filhinho sobre a direção e nem aí pro buzinaço. Ele precisava dizer que chegou “lá” empinando o nariz.

Pobre diabo.

O problema de boa parte dos novos ricos, é que o status e o dinheiro não conseguem lhe dar educação e finesse. Precisariam de berço, boa extração.

Uma das pessoas mais finas e educadas que conheci, morava numa tapera: chão batido, paredes depreciadas, teto quase à cabeça. Mas fina. Fina.

Elegância realmente não se alcança com algumas patacas a mais.

Categoria(s): Crônica
terça-feira - 22/11/2011 - 08:39h
Bem-querer

Universo particular de quem amamos


Recife-PE (ou Santa Cruz-RN) é “bem ali”, diria o sertanejo, em meio às veredas, árvores retorcidas e sol escaldante do meu sertão.

Mesmo assim, parece uma lonjura, quando a gente sente saudades.

“Filho é pro mundo,” diz uma máxima que atravessa o tempo. Mesmo assim, concordando com ela, tenho meus filhos num universo particular.

Só eles brilham, para que eu assim possa continuar “iluminado”. Beijos!

Categoria(s): Crônica
segunda-feira - 07/11/2011 - 11:02h
Para meus filhos

Se eu não fosse pai…


Não parei ainda para pensar nessa hipótese. Não ser pai?

Nem pensar. Há reencarnação? Quero ser pai!

De um, de dois filhos, três, quatro… Sê, diria o poeta! Ser. Um ser-pai.

A vida tem outro sentido. A lanterna sai da popa e vai pra proa.

Amar? Ah, só se for muito! Devoção.

O bem não é pela espécie que continua, mas pelo brilho que passamos a ter à própria vida. Ela finalmente passa a ter sentido.

Nosso coração pulsa fora do corpo; bombeia a existência de outro ser, sem sair do lugar.

Se eu não fosse pai…?

Seria o não-ser.

* Singela homenagem de um pai aos seus filhos, aos filhos dos meus amigos, aos filhos que não conheço.

Categoria(s): Crônica
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