sexta-feira - 01/06/2012 - 12:14h
Mudança de estação

Primavera de pragas

Período de campanha eleitoral é como a primavera: parece que as pessoas ficam mais simpáticas, joviais, comunicativas, saltitantes, abertas. Alegres.

Estão sempre com a mão à frente do próprio corpo, à cata de um cumprimento.

Principalmente os políticos.

Estamos vivendo uma espécie de “primavera de pragas” na política. É uma época em que todo mundo é simpático, desabrochando à cordialidade.

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segunda-feira - 28/05/2012 - 20:39h
Prazer da leitura

Freud, na intimidade com os mais simples

Chego para abastecer meu ‘transporte’ num posto de combustível de Mossoró e a frentista demora a me atender. Nem me queixo. Estamos próximos das 22h do sábado (26).

– Está lendo, ? – brinco.

A leitura de uma revista com texto sobre psicanálise a tirara de sintonia em pleno horário de expediente. Lia sobre Sigmund Freud, o “pai da psicanálise”.

– Adoro Freud – transborda ela. E passa a falar sobre a personalidade do autor de estudos emblemáticos quanto à mente e o corportamento humano. Parece ter intimidade com ele. Fala com ar que oscila entre o professoral e o coloquial.

Vez por outra a gente encontra essas preciosidades: a leitura que empolga e os mais simples envolvidos por ela. São um alento para um país que não lê.

Ontem, direto de Paris-França, via Twitter, Jean-Paul Prates (ex-secretário do Governo Wilma de Faria-PSB) dizia: “Antigamente, a cena típica do metrô de Paris era o leitor de jornais. Hoje são os operadores de iPhones.”

Parisienses letrados, agora sob outra plataforma de leitura e gosto pela cultura, o conhecimento.

Nós, aqui do outro lado do Atlântico e abaixo da linha do Equador, ainda engatinhando no prazer da escrita – seja ela impressa ou digitalizada.

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domingo - 13/05/2012 - 00:14h
Para ti

Um beijo que não posso dar…

Ligo para um amigo e o alcanço ‘passando por Assu’, diz-me ao celular. A voz é quase inaudível; foge e torna a interlocução quase impossível.

– Amigo, vou para Recife! Vou ver minha mãe. Não posso perder a oportunidade de ficar com ela mais um pouco – adianta-me.

– Ela tem 82 anos e cada momento como esse é precioso – justifica.

A conversa poderia se alongar. Mas não era preciso. Ouvi o suficiente. Restou-me o gosto seco, na boca, para lhe dizer… “vai, vai beijar sua mãe. Diga-lhe que mandei um beijo também.”

O beijo que não posso dar mais à minha…

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domingo - 06/05/2012 - 10:50h
Só Pra Contrariar

A arte do silêncio e a vingança pelo sucesso

Só o silêncio e o sucesso podem combater, à altura, a agressão vil. Agressão não se rebate. Revida-se.

A indiferença e o sucesso pessoal destroem qualquer agressor infame.

Eis a vingança. O revide.

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quinta-feira - 05/04/2012 - 21:31h
Microcrônica

Um tempo de cura pelo afeto

Sou das antigas. Daquele tempo em que sentávamos à calçada, brincávamos de ‘tique’, ‘garrafão’, ‘queimado’ e trocávamos figurinhas.

Das figurinhas vinha o jogo de ‘bafo’, em que batíamos com a mão côncava sobre elas, tentando virá-las com o deslocamento de ar e certa malícia. Muita malícia.

Tinha jogo de botão e meu Fluminense, imbatível. Sob meu comando, claro.

A porta de minha casa ficava aberta. A dos nossos vizinhos, também. Crime hediondo, no máximo, era furto de galinha e aqui e acolá aparecia alguém morto: normalmente por violência passional, decorrente de bebedeira ou em em nome da honra.

Serpenteávamos de uma casa a outra e a TV não era tão atraente assim. Internet? Não existia nem nas aventuras futuristas de Júlio Verne, que eu já lia.

Éramos felizes. Inocentes. Talvez felizes por isso.

Até médico da família nós tínhamos. Era comum. A nossa casa tinha o seu, sempre vestido num branco impecável.

Médico que tomava café à cozinha e sabia o nome de todos, sem embaraços. A valize parecia trazer o milagre da cura. O estetoscópio rastreava e ascultava supostas mazelas cardíacas e respiratórias. Sua caneta deslizava sobre o receituário uma letra ininteligível, puro hieroglifo a meus olhos.

A medicina tinha o poder de curar pela atenção e afeto.

Mas faz muito tempo. Nem sei por que ainda lembro disso…

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quinta-feira - 23/02/2012 - 18:56h
A vida como ela é

O carnaval dentro de cada um de nós

Ouvi vários relatos sobre o Carnaval 2012. Uns que gostaram, outros que odiaram, aqueles que ficaram num meio termo.

O que percebo é que muitos tentam, no Carnaval, desafogar angústias e estresses do seu cotidiano. Frustram-se.

Carnaval é um estado de espírito e não um divã.

Uma bancária, hoje, tendo-me como interlocutor e ouvinte atento, fez a reprodução do que vivenciou num retiro espiritual: “Eu estava precisando”, contou-me.

Acostumada à folia, encontrou dentro de si outra forma de se alegrar.

Renovou-se.

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sábado - 04/02/2012 - 18:56h
Veto ao verbo

A involução da espécie humana

Às vezes não entendo o ser humano.

Surgiu há 65 milhões de anos, aprendeu a falar, mas adora fazer barulho com música às alturas para se comunicar por sinais, como se fosse um surdo-modo.

Vá entender.

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quinta-feira - 02/02/2012 - 19:44h
Sejamos leves

Vidas secas e pesadas

Impressiona-me a quantidade de pessoas preocupadas com peso nas redes sociais e fora delas.

E há aqueles ainda mais preocupados com o peso alheio.

Como não sou halterofilista nem cabeceiro, tenho outras preocupações.

Peso?

Que a vida nos seja leve.

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sexta-feira - 27/01/2012 - 14:38h
TCE

“Céu” do Rio Grande do Norte fica de frente pro mar

Já cunharam uma frase em que se definia em tom lírico: “O Senado é o céu”.

No Rio Grande do Norte, é apropriado se afirmar – seguindo essa linha de raciocínio – que o céu é o Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Uma beleza! “Tem até vista pro mar”, lembra a webleitora Sara Varela.

O mar de Netuno, de Caymmi, das caravelas, dos vikinks, de Atlântida. E também dos corsários e piratas.

O mar é sempre inspirador.

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quarta-feira - 28/12/2011 - 11:28h
Microcrônica

A felicidade e a infelicidade de Anna em Tolstói

Sei lá por que, mas de repente veio à minha mente a genial abertura de “Anna Karenina”, de Leon Tolstói:

“Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira”.

É uma leitura obrigatória. O romance de Tolstói remete-me à reflexão sobre família, felicidade, infelicidade.

Por ser feliz, não me privo da realidade dos que são infelizes. Eu também já fui um deles.

Somos iguais.

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domingo - 25/12/2011 - 11:28h
Microcrônica

A ausência do aniversariante

Senti um Natal em família.

Por onde circulei, gente reunida em casa, à calçada, celebrando.

Crianças enroscavam-se e esbaldavam-se com presentes.

Cores, música, aromas. Sorrisos. Noite feliz!

Só senti uma ausência na maioria dessas casas: do aniversariante.

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sábado - 24/12/2011 - 11:03h
Microcrônica

Um doce para o Natal

Uma dica àqueles que estão em dúvida se compram um presente ou uma “lembrancinha” para quem gosta, neste Natal:

– Seja doce!

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sábado - 24/12/2011 - 10:38h
Microcrônica

Um inventário para ser feliz – ou não – no Natal

A atmosfera do Natal deixa muita gente mais suscetível às emoções ou predispostas à hipocrisia.

Para saber se você faz parte da primeira ou da segunda categoria, faça um inventário honesto de como tratou cada ser humano nos últimos meses, de 1º de janeiro até aqui.

Se você abre um sorriso com o sucesso alheio, sente-se bem em desejar “bom-dia”, “boa tarde” e “boa noite”, é um dos nossos.

Caso contrário, guarde seu “Feliz Natal” para o próximo ano.

Quem sabe, até lá, você descubra que o Natal nasce a cada dia e não apenas num dia qualquer de dezembro, o obrigando a ser generoso e fraterno.

Nota do Blog – Feliz Natal.

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quarta-feira - 21/12/2011 - 10:00h
Microcrônica

Natal robótico e virtualmente feliz

A comunicação online está pulverizando mensagens natalinas, via email. Em sua maioria, protocolares. Sem espírito natalino. Robóticas.

Argh!

Sou muito antigo. No meu tempo, as pessoas eram felizes no Natal. Ou infelizes nele.

Hoje, virtualmente felizes.

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segunda-feira - 19/12/2011 - 08:06h
Microcrônica

O Natal dos infantes

Semana do Natal.

Segundo nossa tradição religiosa, um tempo de nascer, renascer.

Eu, confesso: serve-me como período para inventário de minhas perdas.

Mas aprendi a atenuá-las, observando o cintilar de olhos infantes, que fazem do Natal a alegria do viver.

Nelas, as crianças, o Natal existe.

Eu acredito. Assim, também existo um pouco.

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sexta-feira - 16/12/2011 - 04:34h
Microcrônica

A felicidade transferida

O Facebook tem sido campo fértil para manifestações de desamor, angústias e desalentos.

São desabafos ao mundo virtual, que às vezes parecem agir como uma autoterapia.

Em quase todos os murmúrios, a mesma causa: gente que acredita poder ser feliz transferindo essa aspiração a outro (a).

Uns, buscam a cara-metade; outros, o príncipe encantado. O primeiro é fruto da mitologia grega e o segundo da literatura. Irreais, portanto.

Acho que as duas correntes vão continuar infelizes.

Amor é uma conquista, nunca uma concessão por piedade ou gratidão.

Nos dois casos, procuram fora o que só pode ser encontrado dentro de si, gostando-se primeiro.

Felicidade estimula e atrai.

Masoquismo não é amor. É desamor.

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quinta-feira - 15/12/2011 - 06:49h
Microcrônica

Confissão para fazer direito

Estou em vias de concluir mais um período do meu curso de Direito. Não houvesse sofrido solução de continuidade, ao final do ano passado eu já estaria “formado”.

Não é uma queixa; faço um relato. Vale o final. Princípio e meio são caminhos de aprendizado, do ser em luta contra o não-ser.

Vários amigos ficaram na UnP, num momento em que desembarquei por lá desacreditando na amizade, tocado pela ingratidão e perfídia. Hoje, distante deles, os tenho próximos. São uma benção.

Nos últimos períodos a Faculdade Mater Christi tem sido minha casa. Casa do saber, do conhecer, do reconhecer, de um refazer de história.

Uma chance, novamente, de fazer direito. O certo, o reto.

Nova oportunidade que ganhei para pegar a parte do “destino”, que me cabe, para torná-lo um escrito de próprio punho.

Terreno fértil à tessitura do bem-querer e da amizade. Em cada rosto, gesto e verbo, uma parte do que é-me semelhante e conivente ou discrepante e arredio. É a argamassa do que me faz melhor: as diferenças.

Se precisei parar, lá atrás, é porque de algum modo faltava me situar. Se há destino, ei-lo: estou nele.

Agradeço por isso.

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quarta-feira - 14/12/2011 - 10:42h
Microcrônica

Eu quero, eu posso!

As pessoas não mudam. Elas melhoram ou pioram. E duas forças agem nessa transformação: uma de ordem interna, outra de influência externa. São fatores endógeno e exógeno.

Há uma essência imutável em cada indivíduo.

Nas duas, há sempre uma faceta de cunho egoísta, às vezes imperceptível. No fundo, alteramos a “rota” parar sermos felizes.

Ninguém melhorar ou piora por determinação alheia e, sim, por influência desta.

Mas a grande transformação deriva mesmo da vontade própria.

Essa é a chave de tudo: o querer. Ele, filho do livre arbítrio.

Seu lema? “Eu quero, eu posso!”

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terça-feira - 13/12/2011 - 10:05h
Microcrônica

O menino que herdou a fé

Cá, em minha terra, os católicos reverenciam sua padroeira: É Santa Luzia.

Mossoró vai às ruas e avenidas revelar seu fervor religioso. Um mar de gente até de outros estados aporta aqui, para pedir-agradecer.

Eu ainda sou o menino do tiro ao alvo, da pescaria e de outros jogos inocentes. Menino encantado com as cores, sabores e emoção da festa.

Sou o menino de roupa nova, sapatos brilhosos, asseado, cabelos finos e escorridos, sobre corpo mirrado, encantado com tudo que era lúdico e inocente.

Sou o menino que herdou a fé como um bem de família. Um homem que fundamentalmente crê!

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sábado - 10/12/2011 - 09:25h
Microcrônica

A descoberta da mortalidade

Quando, precisamente, descobri que eu era mortal?

Fiz-me essa pergunta dia desses, após habitual meditação. A resposta ainda está incompleta. É-me difícil apontar uma hora, dia, uma situação, um lugar.

Mas é certo que é pela dor, às vezes em seu paroxismo, que colocamos os pés no chão. Aí, bem Sócrates, precisamos proclamar: “Só sei que nada sei”.

Mortal na perda de um amor; mortal ao sepultar um amigo; mortal diante da ingratidão; mortal na impotência perante a injustiça.

Mortal. Renascido na esperança.

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quarta-feira - 07/12/2011 - 07:53h
Bom-dia sempre!

E-mail da fé contínua no bem-amado

Bom-dia, meu filho.

Mantenha-nos informados.

Eu, sabes, apesar de ser um Rapaz Velho Encruado, sou aberto ao diálogo e aprendi a ouvir, depois de muitos tentarem sufocar minha palavra.

Não desanime, não desista nunca dos seus sonhos.

Eu, sabes, repito, posso até não ser um motivo de orgulho para ti e outras pessoas que gosto, mas jamais serei de vergonha.

Aprendi a ganhar, perdendo; aprendi a crescer, quando quiseram me diminuir; aprendi a viver, quando parecia morto.

Se caí algumas vezes, foi por não me permitir à omissão e à covardia, para não ser apenas aquela espuma que vai na enxurrada ou fica presa à margem de tudo, até sumir no nada.

Se é para lutar, lute. Se caírdes, não temas: a mão mais próxima a te levantar será a minha, mesmo que aqui, talvez, eu já nem esteja.

Beijos.

Carlos Santos – Pai

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segunda-feira - 05/12/2011 - 09:21h
Pobre diabo

A deselegância do novo rico

Deparei-me ontem com outro novo rico: carrão parando trânsito, filhinho sobre a direção e nem aí pro buzinaço. Ele precisava dizer que chegou “lá” empinando o nariz.

Pobre diabo.

O problema de boa parte dos novos ricos, é que o status e o dinheiro não conseguem lhe dar educação e finesse. Precisariam de berço, boa extração.

Uma das pessoas mais finas e educadas que conheci, morava numa tapera: chão batido, paredes depreciadas, teto quase à cabeça. Mas fina. Fina.

Elegância realmente não se alcança com algumas patacas a mais.

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