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sexta-feira - 30/01/2009 - 13:53h

Todas as estradas levam à Natal


Há poucos anos, em conversa com o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM), ele praticamente antecipou por onde começaria o plano para ampliar seus domínios políticos. “Carlos Santos, tudo acontece em Natal!”

Eureca.

É isso mesmo. Tudo o mais é ufanismo bairrista ou sofisma para acariciar o ego dos rincões.

“Todas as estradas levam a Roma”, dizia-se na antiguidade, à exaltação da força quase onipotente que os romanos imprimiram durante quase mil anos. Natal não impõe a beligerância militar de Roma, mas é o centro de nosso universo e mundo.

Em relação ao interior, a sua distância só tem aumentado nas últimas décadas e nenhum governante fez muito para atenuar o hiato entre capital e sertão. A BR-304 é nossa “Via Ápia”, que só despeja gente e progresso em Natal.

Na política, as decisões continuam também concentradas lá. Não passam por Mossoró ou Caicó, por exemplo.

A partir desse espaço geopolítico é que começam as costuras em termos de alianças e chapas.

Apesar do advento da TV aberta, os canais locais (em Natal) nunca conseguiram se estadualizar, agremiando os 167 municípios. Cada um, dentro de suas possibilidades, apenas irradiou a cara de Natal para o restante do estado.

Com o rádio houve encolhimento e pura luta segmentada pelo mercado da Grande Natal. São praticamente desconhecidos foram desse espaço.

Em relação aos jornais impressos, nenhum pode ser chamado de jornal estadual. Não influenciam nada além da Reta Tabajara.

“A vida é mesmo um fato local”, como pregava Charles Chaplin na primeira metade do século passado.

Essa plataforma filosófica quando levada à política, termina colocando os principais municípios do RN como cidades-estados gregas. Na verdade, eles são mais pobres ainda como organizações sociais. São estados-aldeias, fechados e sem maior capacidade de influência além dos seus limites territoriais.

A mentalidade reinante é a do homem medieval, recluso no seu burgo, sem enxergar o mundo lá fora. Em parte, esse fenômeno decorre da própria concentração da riqueza em Natal e seu entorno.

Política e economia andam de braços dados. 

Contabilize-se na esteira dessa radiografia em preto e branco, a inexistência de renovação política. Há também um êxodo de capital humano. Uma leva interminável de jovens deixa seu lugar nativo para trás, pois as maiores oportunidades estão na metrópole.

Há algumas décadas, Mossoró e sua política influenciavam do Oeste ao Vale do Açu. As eleições municipais em Areia Branca, Governador Dix-sept Rosado, Baraúna, Grossos, Tibau, Assu etc. são resolvidas agora por seus atores paroquiais.

Sandra Rosado (PSB) e seu primo Carlos não alteram em nada o curso da vontade popular nesses e noutros lugares. Não passam de lideranças mossoroenses, sobretudo graças ao aparelhamento da coisa pública.

Por isso não é exagero se afirmar: tudo acontece em Natal. Todas as estradas levam à capital.

Categoria(s): Blog

Comentários

  1. Lauro da Escossia Filho diz:

    Carlos, se “todas as estradas levam a Roma” por que escreveste errado “todas as estradas levam à Natal” ?

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