domingo - 10/01/2021 - 09:42h

Um alpendre e uma rede

A red hammock hangs in the shade of a porch in summer.

Por Odemirton Filho

Não, não se trata de uma resenha do livro da escritora alencarina Rachel de Queiroz, Um alpendre, uma rede, um açude. Apenas tomei por empréstimo parte do título para compor esta crônica.

Na verdade, quero resgatar sentimentos de um tempo passado que, volta e meia, invade-me a alma e o coração.

Uma casa com alpendre, como se sabe, é um convite para se jogar conversa fora, seja em uma fazenda ou numa praia.

Em um alpendre se fala sobre tudo e, principalmente, da vida alheia, só escapando quem voa alto. Em outros tempos, do alpendre da casa de Tibau, ouvia-se: “olhe a tapioca, o grude”.  Tomava-se um café acompanhado de um pedaço de bolo de leite. Ou fofo.

Na minha época de menino o alpendre da casa ficava lotado de adultos e crianças. Não tínhamos medo de dormir fora da casa. Muitos preferiam dormir sentindo o vento frio da madrugada e tendo a lua com lamparina.

Na infância falávamos sobre histórias de casas mal-assombradas, contos de pescador (se sentir cheiro de melancia, não entre no mar, tem tubarão por perto). Demorávamos a dormir. Ninguém queria “pegar” no sono e ser motivo de chacota. Corria-se o risco de ter o rosto pintado com uma pasta de dente.

Os mais traquinos armavam a rede de modo que quem fosse se deitar levasse uma queda. O riso era geral. Aquele que caiu, por vezes, levantava-se “brabo”, doido para “ir nas orelhas” de quem fez a brincadeira de mau gosto.

Já adolescentes, quando voltávamos das festas de madrugada, ficávamos resenhando. Quem “descolou” ou quem somente encheu a cara. Alguns chegavam bêbados e, com o balanço da rede, vomitavam pra valer.

Mas é claro que um alpendre tem os seus momentos de calmaria. A rede é um convite à leitura. Um cochilo. Sim, eu sei caro leitor, a rede também é um convite para o aconchego dos casais.

Pois é. Um alpendre e uma rede oferecem agradáveis momentos. E boas, boas lembranças.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Categoria(s): Crônica

Comentários

  1. Vladenilson Alves Duarte diz:

    Lembrou muito bem que era tb nos alpendre de tibau que se media o termômetro para as campanhas vitoriosa das oligarquias e lá os escolhidos eram ungidos. Foice esse tempo! Agora o turbilhão mudou do litoral pra Zona Rural das terras do Chafariz. Tibau perdeu o glamour da Politicalia dos Monxoros passando a ser uma mera coadjuvante do Sítio Chafariz!!!

  2. Rocha Neto diz:

    Meu saudosismo de hoje, caro Odemirton, Paulo Menezes conseguiu prender-me ao Prato do Dia, o cardápio foi política, vale a pena você também dar uma lida, são acontecimentos do rádio em Mossoró que à época nem seus pais Odemirton/Albinha, ainda não se conheciam. Creia, tá imperdível!!
    Até o próximo domingo, grande colunista e amigo.

  3. Q1naide maria rosado de souza diz:

    Beleza de Crônica, prof. Odemirton . Saudades do alpendre. Aproveito para acrescentar, por causa de um comentário primeiro, o que é o ódio político. Utiliza até a beleza de um cenário para despejar nele o vômito da ingratidão.

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