domingo - 10/02/2019 - 06:00h

A “nova” fórmula da pós-verdade


Por Odemirton Filho

“Não existem fatos, apenas interpretações”.

A assertiva de Nietzsche, parece-me, encontra-se atual. No mundo contemporâneo, de informações a jato, os fatos são de somenos importância. Se interpretam os fatos ao sabor da conveniência de cada um.

Afirma-se que “o termo pós-verdade foi empregado pela primeira vez em 1992, em um artigo do dramaturgo Steve Tesich na revista “The Nation”, mas ganhou força mesmo em 2016, quando a Oxford Dictionaries, o departamento da Universidade Oxford responsável pela publicação de dicionários, elegeu “pós-verdade” como a palavra do ano da língua inglesa”.

Com efeito, a pós-verdade tenta disfarçar a objetividade dos fatos, ou torná-los menos relevantes, fazendo um apelo ao subjetivismo, mexendo com os seus sentimentos do indivíduo, criando-se um estado de espírito que favoreça o recebimento da ideia que se quer passar.

Com isso, fica fácil manipular as massas, fazendo–as submissas às pretensões, nem sempre legítimas, daqueles que assim agem.

Sem dúvida, trata-se de um viés distorcido. As redes sociais estão recheadas de pós-verdades que tentam encobrir a realidade com uma demão de verniz.

Dessa forma, a pós-verdade é baseada em discursos e textos que tentam nos emocionar para manipular ou distorcer a realidade que percebemos. É por isso que muitos políticos têm utilizado essa técnica com o objetivo de obter apoio entre a população”.

É inegável que tanto a extrema direita, como a extrema esquerda, usa essa “nova” fórmula.

Acrescente-se que não é somente durante o período eleitoral que se utiliza a pós-verdade. Durante todo o curso do mandato é preciso manter arrefecidos os ânimos da sociedade. Há sempre o perigo de se retirar o véu da mentira e que a coletividade possa entender a realidade que, nem sempre, lhe é favorável.

Assim, para alguns, o neologismo pós-verdade não é nada mais do que uma mentira, ou como se denomina atualmente, uma fake news. Conclui-se, portanto, que são as velhas práticas, com uma nova roupagem, que ganharam impulso através das redes sociais.

Odemirton Filho é bacharel em Direito e oficial de Justiça

Categoria(s): Artigo

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