domingo - 20/01/2013 - 02:29h
Conversando com... Pedro Fernandes

Autonomia financeira da Uern é prioridade possível

Graduado em Ciência da Computação, mestre e doutor em Engenharia Elétrica, professor Pedro Fernandes Ribeiro Neto foi vice-coordenador do Fórum de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação das IES Brasileiras e Institutos de Pesquisa (Foprop), um reconhecimento aos trabalhos na área de pesquisa e pós graduação desenvolvidos durante a sua gestão pela UERN.

Fernandes: aposta em bom relacionamento com segmentos

Sua identidade com a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte teve início ainda nos anos 90, quando em 1998 começou como docente da Uern. De lá pra cá, ele vem desenvolvendo várias funções dentro da Instituição. Foi coordenador do curso de ciência da computação, chefe de Departamento da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-graduação e por último, pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação.

Ao lado do professor Aldo Gondim, Pedro Fernandes se coloca à disposição dos segmentos da instituição, formando uma chapa a reitor e vice, em pleito marcado para o dia 20 de março deste ano. Abaixo, acompanhe nosso bate-papo com o pré-candidato.

Blog Carlos Santos – Professor Pedro Fernandes, sua postulação recebe o apoio direto, inequivoco e até ostensivo do reitor Milton Marques. Uma candidatura situacionista na Uern – atualmente – carrega que ônus?

Pedro Fernandes – Minha pré-candidatura surgiu de um trabalho eficiente, sério e inovador que fizemos durante o exercício do cargo de pró-reitor da Pesquisa e Pós-graduação da Uern. Cargo este, me confiado pelo reitor Milton Marques de Medeiros. Durante todo o período em que eu era cogitado como provável candidato pela comunidade da Uern, em nenhum momento me considerava assim, até que esse movimento, espontâneo, se consolidou, juntamente com o apoio do Reitor, se configurando como democrático e de base. Hoje temos a certeza que somos pré-candidatos a reitor da Uern e que temos uma excelente relação com alunos, técnicos e professores.

BCS – Quais os predicados de sua postulação, ao lado do professor Aldo Gondim, que o diferenciam dos concorrentes?

PF – Eu e Aldo nos complementamos. Ambos possuímos experiência no ensino e na administração. Pedro Fernandes tem uma trajetória em atividades de extensão e, sobretudo, na pesquisa e pós-graduação. Aldo Gondim alia com uma larga vivência na extensão e na associação dos docentes. Pedro Fernandes representa a geração que atuará nos próximos 20 anos na UERN e Aldo Gondim resgata uma geração mais experiente que merece todo nosso respeito e atenção. Pedro Fernandes é formado em Ciência da Computação,  professor lotado no Departamento de Informática, e orienta alunos de graduação e mestrado, coordena projetos de pesquisa e/ou de extensão, é membro de grupo de pesquisa, e amigo dos alunos, técnicos e professores, ou seja, um acadêmico.

Aldo Gondim é formado em Educação Física, professor lotado no Departamento de Educação Física, com atuação no parfor, proformação, em projetos de extensão e amigo dos alunos, técnicos e professores, ou seja, também um acadêmico. Pedro Fernandes, enquanto Pró-Reitor, foi eleito vice-coordenador na Região Nordeste do Fórum dos Pró-Reitores e em dezembro de 2012 foi eleito para compor a diretoria executiva nacional deste Fórum, ressaltando que a diretoria é composta por 05 membros, das mais 200 Intituições filiadas. Aldo Gondim, na condição de Diretor da Faculdade de Educação Física da UERN, é o atual coordenador do Fórum dos Diretores da UERN.

BCS – Alguns pró-reitores foram demitidos e alegaram o não-alinhamento com sua postulação, como motivo do “bota-fora”. Como o senhor justifica essa posição da Reitoria? Será que não pode provocar efeito colateral ao senhor, nas urnas?

PF – Quando meu nome foi escolhido como pré-candidato, entendi que era importante me afastar da Pró-Reitoria, visando não só a uma maior disponibilidade para me dedicar à pré-campanha, visitando as unidades e conversando com os alunos, técnicos e professores, mas também a transparência que uma campanha democrática exige. Nos encontros, nós passamos a nossa visão da Uern, ao mesmo tempo que temos a preocupação de ouvir as pessoas então presentes. Muitas vezes as opiniões coincidem. Outras vezes nós mudamos nosso entendimento, ou o contrário. Não tenho histórico de imposições e de ingerências. Entrei na Instituição em 1998 e não tem um único momento em que desrespeitei alguém. A posição da Reitoria compete ao reitor opinar. Quanto ao efeito colateral, nós temos a convicção do alto nível de um processo de escolha para reitor e das pessoas nele inseridos.

BCS – Tem sido traumática a relação entre a Uern e a chanceler da instituição, governadora Rosalba Ciarlini (DEM). Sua presença na Reitoria será facilitadora dessa relação?

PF – A Uern é a única Instituição de Ensino Superior do Estado, é a que possui a maior capilaridade, estando presente em todas as quatro mesorregiões, mais especificamente em 17 municípios;  implantou o sistema de cotas desde 2002, assegurando o acesso na Graduação aos alunos oriundos de escola pública, ou seja, que fizeram, via de regra, o ensino fundamental nas escolas municipais e o ensino médio nas escolas estaduais. É a única IES pública que oferece os cursos de pedagogia, enfermagem, ciências sociais, comunicação, medicina, odontologia, letras, música, dentre outros, no interior do Estado. Só em Mossoró, aproximadamente, 90% dos professores do município são formados na Uern. A Uern transcendeu as fronteiras do RN, sendo fundamental para formação de recursos humanos também de outros Estados. Por conseguinte, nossa Instituição é fundamental para o desenvolvimento de qualquer Município, Estado, Região e País. Ao mesmo tempo que precisamos do apoio irrestrito dos governantes dessas instâncias. Com esse pensamento, a Uern intensificará a relação também com as bancadas dos vereadores, deputados federais  e estaduais.

BCS – Dois assuntos que nunca saem de pauta e nunca se materializam, na vida da Uern, é a isonomia entre os segmentos no peso dos votos a reitor e vice, e sua autonomia financeira. Qual sua posição sobre a primeira e como conquistar a segunda?

PF – Não existe nenhum pronunciamento, ata, registro em que mostre minha posição contrária à paridade. Isso porque não sou contrário. Entendo e atuo isonomicamente nos segmentos. Também não compreendo como esse tema, de grande importância, apenas fica em destaque na vida de alguns durante o processo sucessório. A autonomia financeira é o objetivo de qualquer pessoa física ou jurídica. Existe uma comissão, com portaria do Gabinete do Reitor, discutindo esse assunto. Tenho plena convicção que conseguiremos o quanto antes. Quero ser o Reitor que implantará o voto paritário e a autonomia financeira na UERN.

BCS – Que avaliação, sucinta, o senhor faz da era Milton Marques na Uern? Pontos positivos e negativos, por favor.

PF – A gestão atual focou nas pessoas e na consolidação do acadêmico. No pessoal: a política salarial, capacitação dos servidores, concurso público, melhores condições de trabalho. No acadêmico: reconhecimento dos cursos de graduação, criação dos cursos de pós-graduação stricto-sensu, inserção nas políticas nacionais de ensino superior, ampliação das ações de extensão.

Devemos priorizar a assistência estudantil. Residências universitárias em parceria com os municípios e outras insttuições, centros de convivência em todos os campi com preços acessíveis, restaurantes universitários em parceria com o Estado, transporte público de acesso ao campus e para aulas de campo, incremento na política de bolsas de monitoria, extensão, e iniciação científica.

Também vamos estruturar os setores de apoio a inclusão, de ensino à distância, editorial, de internacionalização, de comunicação e, sobretudo, de informática. Precisamos urgentemente implantar um sistema de informação para gestão acadêmica.

Intensificaremos a política de captação de recursos, sobretudo apresentando ao Governo Federal a necessidade urgente de um “REUNI” para as IES Estaduais e Municipais. Tais IES desempenham o seu papel, contribuem diretamente para o desenvolvimento da nação e com um repasse por parte do Governo Federal, teríamos um grande avanço. No nosso caso, nos dias de hoje, um repasse de 20% do orçamento da UERN, ou seja, de 40 milhões de reais, para investimento e custeio, fará toda a diferença para nós. Falo isso com segurança de que é possível, pois enquanto membro do diretório nacional dos pró-reitores, sempre coloquei a importância de uma ação como essa o que era muito bem recebida.

BCS – A relação da Uern com a sociedade mossoroense, potiguar e além da divisa potiguar, em trabalhos de pesquisa e extensão, atende hoje às demandas sociais? O que pode ser melhorado?

PF – Atende. No entanto, somos conscientes que precisamos aprimorar as várias dimensões da Universidade, procurando um maior envolvimento nos conselhos de classe, nas decisões e nos planejamentos dos Municípios e do Estado. Como uma característica na nossa gestão, me permita, sempre buscamos uma interação com as demais IES sediadas no RN, CE e PB, bem como com a FAPERN – Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Norte.  Como Reitor, essa política de parceria será contínua e ampliada.

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Comentários

  1. Marcos Antonio diz:

    Pedro Fernandes alia carisma, preparo e conhecimento técnico numa só pessoa. Consegue frente muitas vezes aos poucos recursos transformar o pouco em muito. Sem sombra de dúvidas, a UERN merece uma pessoa visionária e pro-ativa como professor Pedro.

  2. Jarbas Brito diz:

    Acredito numa mudança de gestão e em um novo direcionamento acadêmico para a UERN. E com certeza essa mudança não deve ser com um candidato apoiado pela atual gestão, caracterizada pela desvalorização do aluno e do técnico e pela centralização acadêmica-administrativa da instituição. Não apoio esse candidato, pois tenho muitas dúvidas quanto as suas reais intenções.

  3. Rafael Soares diz:

    Acho o nome do professor Pedro uma boa possibilidade para a gestão da nossa universidade, mas temo muito votar no candidato apoiado pela desastrosa administração Milton/Aecio.
    Em relação à proposta de autonomia financeira, lembro-me perfeitamente de 8 anos atrás quando da primeira eleição do Professor Milton à reitoria, em que esta era a principal bandeira de sua plataforma de gestão. À época eu era discente dessa instituição e após quase uma década, nada se fez nesse sentido.

    Vou esperar todas as cartas propostas dos pré-candidatos para decidir meu voto.
    Não vou votar sem conhecer o que querem fazer pela nossa UERN os candidatos.

Trackbacks

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