domingo - 07/01/2018 - 02:38h

O burro Melão no Ereré


Por Jânio Rêgo

Zé Rocha iá à pé ao Ereré que ele ainda chamava de Ypiranga e que antes era chamado de Saco de Orelha (ou ‘Urêia’).

Botava uma muda de roupa nova, trocava o chapéu de palha por um de massa e descia para o Amparo, onde começa a estrada que atravessa a serra das Varandas.

Amparo é o nome do riacho e de uma grande propriedade que pertenceu a Araponga marido de Sinhá que viúva e quase centenária casou-se com um jovem chamado Zé Lira, mas essa é outra história…

Refiz agora esse esse percurso de Zé Rocha, subindo e descendo ladeiras pedregosas montado no burro Melão e em companhia de meu primo Ivanildo Melquíades que conhece cada palmo desse lugar e sobre cada um deles tem uma história geralmente irônica e bem humorada.

(Foi ele quem me deu notícias dos ‘Teodósios’, uma família de caboclos e caboclas criados por aquelas serras e reconhecidos pela criatividade e pendores nas artes da sobrevivência rude, da pesca, caça mas também da música! Um desses ‘Teodósios’ faz sucesso na região – e já fora dela – com um grupo, de forró moderno, conhecido como ‘O Véi Chegou’.)

Ainda é uma estrada de difícil acesso. No tempo de Zé Rocha era quase uma vereda sombreada por mata densa e úmida nas baixadas por onde serpenteia o riacho do Amparo.

No cume da estrada avista-se as outras serras de pedras, algumas parecendo pêndulos à beira do precipício.

Essas serras que circundam o lugarejo lá embaixo que hoje é a cidade cearense, era reduto da indiada tapuia de cuja língua teria se originado o nome Ereré.Os Icós, os Janduís, essa gente esquecida pela historiografia nacional…

Recentemente o nome Ereré, desconfio que por influência do sotaque das televisões, mudou a grafia e a fonética passando a ser chamada de Ererê, com o três ‘Es’ fechados (êrêrê)como falam os cariocas… mas isso também é outra história…

…assim como a queda que o burro Melão me deu na cavalgada de volta à Catingueira.

Jânio Rêgo é jornalista

Categoria(s): Crônica

Comentários

  1. François Silvestre diz:

    Beleza de texto. Ortofonia matuta bem mais bela e mais escorreita do que a ortografia do governo. Cuma dizia cumade Luzia, Parabéns, seu Janos Quadro. (Pra ela todo Jânio era Quadros). Prefiro Jânio Rêgo!

  2. Samir Albuquerque diz:

    Que foto linda!

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