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terça-feira - 05/07/2011 - 18:31h
"Operação Batalhão Mall"

Prisão de empresários e policiais disfarça coisa pior

A “Operação Batalhão Mall” comandada pelo Ministério Público ontem, com suporte da Polícia Militar, resultou na prisão de mais de uma dezena de pessoas. De oficiais da própria PM a empresários abastados.

A infração investigada é referente ao fornecimento de serviço de segurança privada e transporte de valores por policiais militares a empresários locais, em prejuízo ao exercício do serviço de segurança pública, bem assim a apropriação de combustível para o abastecimento de viaturas.

Du-vi-do que alguém medianamente bem-informado tenha se surpreendido com o enredo do caso. Não falo sobre nomes, nem de empresários nem de policiais. Refiro-me aos supostos delitos.

Certamente nenhum deles é “privilégio” de Assu ou outras cidades desse sertão potiguar.

Se a Operação Batalhão Mall for esticada, preparem comboios de carretas para transporte de policiais, bodegueiros, empresários, comerciantes, lojistas, bicheiros etc.

O que nós testemunhamos é um dos efeitos colaterais da ausência do Estado no seu papel, constitucional, de garantir segurança ao cidadão comum, empresário e às instituições públicas e do setor produtivo.

Em face do vácuo, acaba surgindo um “fenômeno” que é até caricato: a própria polícia garante a segurança que ela não consegue dar. Mantém-se fardada para ofertar um serviço público, na esfera privada. Piada pronta.

Infelizmente, o estardalhaço feito com essas prisões é maior do que ação do MP e da Polícia Militar, preocupada em banir quem não honra sua farda.

Vamos continuar testemunhando policiais fazendo escolta a empresários, recebendo agrados em restaurantes, um “toco” em lojas de grande movimentação financeira e lanches em mercearias e bodegas da periferia. É  uma relação promíscua, sim, mas que virou regra. É coisa comum, aceita de parte a parte.

No caso, não vejo esses procedimentos como mais nocivos do que o uso de policial por políticos e outras autoridades, quando deveria estar nas ruas escudando o cidadão. Esse, coitado, continua ao deus-dará.

E o pior é que o próprio contribuinte é quem paga o abuso, sendo prejudicado duplamente. Primeiro, ao remunerar com seus impostos  o policial que serve ao engravatado; segundo, porque fica com menos um policial para protegê-lo.

O “xis” da questão é mais embaixo.

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Categoria(s): Opinião da Coluna do Herzog / Segurança Pública/Polícia

Comentários

  1. Raimundo Dantas Godeiro Filho diz:

    O Mossoró West Shopping tem esse privilégio. Foi dito a mim por um empresário que tem loja naquele estabelecimento, que tem uma viatura que fica 24 horas “ligada”, com disponibilidade de celulares para contato. Além do que, há o fornecimento de refeições diárias para mais de 10 policiais. Fax parte do condomínio. Veja diariamente no Restaurante Dona Têca. Enquanto isso no Santo Antonio, Barroscas, Estrada da Raiz, etc…

  2. gilmar henrique diz:

    Tópico interessante. Dele partimos de Platão, do Nazareno, de Shakespeare, de Marx e tb de Freud – o disfarce é palavra-chave e estratégia eficientíssima para um país de analfabetos funcionais.

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