sábado - 06/03/2021 - 08:46h
Mossoró

Saúde é referência em números, mas falta ser eficiente e humana

Município é polo com clínicas, hospitais e centenas de médicos, mas segue com certos gargalos

O Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) registra que Mossoró possui 468 empresas do ramo instaladas na cidade, entre hospitais e clínicas, por exemplo.

São três faculdades de Medicina em plena atividade.

Estrutura de saúde pública e privada e quantidade de médicos desenham polo de saúde em Mossoró (Foto ilustrativa)

Estrutura de saúde pública e privada e quantidade de médicos desenham polo de saúde em Mossoró (Foto ilustrativa)

Pelo menos nove hospitais (privados, filantrópicos e públicos) estão em atividade em Mossoró, desde o de perfil geral como o Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM) ao que tem especialização no câncer – o Hospital da Solidariedade.

O Hospital Maternidade Almeida Castro (HMAC), sob intervenção federal desde 2014, realiza cerca de 580 partos/mês. A maioria chega de outros municípios. São em média 55% de parturientes de mais de 50 municípios (incluindo Ceará) e 45% de Mossoró.

O Conselho Regional de Medicina (CRM) assinala que oficialmente são  799 médicos atuantes/residentes nesse endereço geográfico, mas se sabe que há número bem acima disso trabalhando diariamente em plantões ou clinicando ocasionalmente, em Mossoró.

Muitos médicos

“Estimo que pelo menos 30% a mais de médicos atuem em Mossoró como flutuantes, que não foram captados pela pesquisa do CRM”, comenta um profissional da área. “Isso daria 1.040 médicos”, complementa.

No RN, ao todo, o CRM tem 10.995 médicos cadastrados. Cerca de 7,9% deles em Mossoró.

O Brasil tem hoje mais do que o dobro de médicos que tinha no início do século. Em 2000, eram 230.110 médicos. Em 2020, eles somam 502.475 profissionais. Nesse período, a relação de médico por mil habitantes também aumentou significativamente, na média nacional. Passou de 1,41 para 2,4.

É o que mostra o estudo Demografia Médica no Brasil 2020, resultado de uma colaboração entre o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Universidade de São Paulo (USP) – veja AQUI.

Se Mossoró tiver avaliação apenas pelos médicos registrados no CRM, essa relação é exponencial e bem acima da média nacional. Chega a 3,46 médicos/1000 habitantes.

A média de médico/habitantes em Mossoró é superior a países de patamares significativos em Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), como Chile (2,5), Estados Unidos (2,6), Canadá (2,7) e Reino Unido(2,8).

Serviço público

Essa mostra explica – mesmo superficialmente – como Mossoró transformou-se num polo de saúde nos últimos anos, sendo referência para população que vai muito além de seus limites territoriais. Para a cidade migram pacientes de dezenas de municípios, incluindo áreas no sertão paraibano e Vale do Jaguaribe (CE).

Prédio está em escombros, coberto pelo lixo,mato, com esgoto à porta e plana 'novinha em folha' (Fotos: BCS)

UBS no bairro Pereiros foi deixada em escombros, mas com divulgação de obras, pela administração passada (Fotos: BCS/arquivo)

A sobrecarga no serviço público de saúde, sem pactuação entre as prefeituras, concorre para esgotamento do atendimento ao paciente nativo. Porém, é certo, que em boa parte não justifica a falta de médicos em várias Unidades Básicas de Saúde (UBS’s), problema que se arrasta há muitos anos.

Na atual gestão, a promessa do prefeito empossado há pouco mais de 60 dias, Allyson Bezerra (Solidariedade), é de que esse holocausto diário da periferia à zona rural chegou ao fim (veja AQUI). Que assim seja. Uma medicina eficiente e humana, é o que sobretudo o povão espera.

Se funcionar, será bom para todos em vez de ser excelente para poucos.

Seus antecessores brincaram e negligenciaram com o sofrimento alheio. Em parte, a razão é de que sempre que precisaram (e seus familiares), eles tinham a estrutura privada para servi-los. A massa-gente que se virasse ou morresse mesmo à míngua.

“A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”, assinala a Constituição do Brasil.

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Categoria(s): Reportagem Especial / Saúde

Comentários

  1. Inácio Augusto de Almeida diz:

    Nas UBS falta recetuário.
    Dizer mais o quê?
    Dizer que a MESMICE continua?
    Isto todo mundo já sabe.

  2. Wendell Stewart da Costa Silva diz:

    A casa estava arrumada ou estava destruída e despedaçada ?

    • Inácio Augusto de Almeida diz:

      Se estava desarrumada precisa ser arrumada.
      Se estava destruída precisa ser recontruída.
      Não se arruma ou se reconstrói casa falando em microfones e gastando dinheiro com publicidade.
      Mossoró está cansada de palavras doces.
      Mossoró quer mudanças.
      E por mudanças votou.
      Mudanças que só acontecerão com TRANSPARÊNCIA e bom uso do dinheiro público.
      Chega de MESMICE.

  3. Inácio Augusto de Almeida diz:

    Cadê o carro fumacê?
    Será que s Covid-19 acabou com o mosquito da dengue e Chikungunya?
    Não apareça ninguém dizendo que a verba de combate à dengue foi usada na luta contra a Covid-19.
    Á MESMICE CONTINUA

  4. Lair Solano Vale diz:

    O Setor público precisa informatizar e contratualizar com critérios rígidos a prestação de serviço. Se algum governo federal tivesse implantado a carreira médica, como juízes, o Brasil seria bem diferente.
    A medicina privada em Mossoró vai evoluir cada vez mais com a disputa dos planos de saúde.
    Tá na hora de termos um Hospital Universitário para contemplar Uern e Ufersa.
    Tá na hora dos Ortopedistas implementarem um hospital para essa especialidade.
    O serviço materno-infantil que será inaugurado em 2022 por Fatims Bezerra, vem para consolidar o bom trabalho que hoje é feito pela Apamim.

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