segunda-feira - 28/10/2019 - 07:52h
Com a palavra...

Cacoete da mitomania marca Rosalba à porta de eleição

Pesquisa chegou a apontar que 60% dos mossoroenses não acreditam na palavra de sua prefeita

Prefeita de Mossoró pela quarta vez, Rosalba Ciarlini (PP) repete um cacoete que virou marca de sua gestão e está adesivada à sua vida pública como nódoa: ela é incansável e sistemática em se desviar da verdade, sintoma clássico da “mitomania”. Com o tempo, a psicopatologia só se agravou. Contamina inclusive seu grupo e auxiliares próximos. Quem não mente, esquiva-se da imprensa para não ter que mentir.

Já em pré-campanha para tentar seu quinto mandato como prefeita, Rosalba enfrenta descrédito atestado até mesmo em pesquisa de opinião pública. “Para 60% dos ouvidos ela não fala a verdade”, apontou Pesquisa Seta/Blog do Barreto (veja AQUI), veiculada dia 17 de abril deste ano.

Sua palavra virou risco nágua. Na dúvida, melhor não acreditar. Os antecedentes a condenam.

No atual governo, prometeu enxugar número de cargos comissionados “em até 50%”, mas amplificou o quadro de contratados para números que hoje quase ninguém é capaz de numerar (veja AQUI). Algum vereador governista saberia afirmar quantos cargos em comissão existem na municipalidade? Alguém da imprensa arriscaria? Do Tribunal de Contas do Estado (TCE) ou Ministério Público? Seriam 600, 700, 800, 900, mil? Quem sabe?

Família em primeiro lugar

Garantiu que faria uma reforma administrativa, mas acabou criando nova secretaria (com mais 41 cargos), além de empregar dois filhos e outros familiares no município. Virou notícia nacional: Rosalba segue luta contra desemprego (em sua família). Tentou, por exemplo, aboletar uma irmã em cargo na Cultura, sem sequer publicar portaria correspondente. Mas foi flagrada e teve que recuar: Irmã de Rosalba assume cargo sem portaria; prefeitura nega.

Folha de São Paulo tomou Rosalba como um dos péssimos exemplos no início de novas gestões - janeiro/2017 (Reprodução)

É a mesma gestora que tentou se apropriar da retomada dos voos comerciais diários no Aeroporto de Mossoró, numa manobra para usurpar o mérito do então governador Robinson Faria (PSD) e outros atores: Rosalba volta a assumir realização que não lhe pertence.

Alardeou que 400 cirurgias ortopédicas seriam feitas mensalmente, sob a batuta da prefeitura, em parceria com o Governo do Estado. Outra ação meia-boca. Pouco mais de 166 foram realizadas em cerca de dois meses e até hoje esse compromisso nunca deslanchou. Leia: Prefeitura vai dizer por que não começou cirurgias eletivas.

Educação, saúde e cultura de “referência”

É a prefeita que chegou a discursar no dia 26 de dezembro de 2017 em evento do segmento empresarial, atestando que “Mossoró é uma referência em educação, saúde e cultura no país“. Até hoje repete essa invencionice. Leia: Relatório prova sucateamento de sistema de Saúde de Mossoró. Leia: Desabastecimento de remédios é situação generalizada.

Mandou publicar no dia 30 de dezembro de 2017, que com sua influência tropas federais desembarcariam em Mossoró, à melhoria da segurança pública (veja AQUI). Ninguém lhe avisara que essa era uma prerrogativa do governador do estado, que a usou. Valeu a máxima do se colar, colou.

Praça Vigário Antônio Joaquim foi "obra" denunciada sem contestação por esta página há poucos dias (Foto: BCS)

Mal começou 2018 e saiu por aí assinando ordens de serviços e divulgando que estaria entregando mais de 65 obras. Era ano eleitoral, só para refrescar a memória. Algumas delas não se têm notícia de que tenham sequer começado. Há casos de “realizações” que não passam de gambiarras e umas estão paradas ou quase parando.

Há casos emblemáticos. Dois deles o Blog Carlos Santos documentou à semana passada: o lengalenga nebuloso de duas obras na mesma praça Vigário Antônio Joaquim no centro da cidade, inconclusas há mais de um ano e seis meses (veja AQUI AQUI) e a Celso da Costa Rêgo (veja AQUI), no Conjunto Liberdade I (Alto do Sumaré).

500 empregos em milhares de enganados

Ano passado, entre outros ‘feitos’, pulverizou na imprensa e redes sociais que a indústria Revestimentos Cerâmicos Ltda. reabria sua produção e ofereceria 500 empregos diretos e indiretos (veja AQUI), como se suposta recuperação judicial da empresa – que até hoje não se consumou, fosse mérito de seu governo. Tudo não passou de um engodo com foco eleitoral, visto que seu filho Kadu Ciarlini (PP) era candidato a vice-governador.

Milhares de pessoas fizeram fila para entregar currículo à municipalidade, sem saberem que estavam sendo enganadas.

Em ano eleitoral, como 2018, a promessa de 500 empregos ludibriou milhares de pessoas (Foto: PMM)

Anote nesse rol de faz-de-conta, a propaganda do salário em dia e valorização do servidor. Nenhuma das duas tem amparo na realidade. O pagamento remuneratório continua fatiado de um mês para o outro. Reajuste do piso do professorado ficou abaixo de 4,17%, mas prefeita vende tese de que cumpre a lei. Foi desmentida.

Sistematicamente se recusa a receber sindicatos e comissões de funcionários municipais.

Sem puxar muito a memória, logo aparece a imagem da então governadora Rosalba (2011-2014) posando ao lado de quadro com maquete do Estádio Manoel Leonardo Nogueira (Nogueirão). Ludibriou milhares de eleitores-torcedores de Potiguar e Baraúnas, antes do pleito municipal de 2012. Não botou sequer uma pá de cal por lá. É o maior estelionato eleitoral que Mossoró testemunhou.

Maquete foi apresentada em outubro de 2011, se transformando no maior estelionato eleitoral de Mossoró (Foto: arquivo)

O Teatro Lauro Monte Filho foi outra “melada” da mesma época (veja AQUI). Juntou o mundo cultural no prédio onde funcionara o Cine-teatro Cid, assinou ordem de serviço e espalhou divulgação. Quem fez de verdade o empreendimento foi o governador Robinson Faria.

Com outra campanha próxima, é previsível que a prefeita volte a tirar da cartola uma série de promessas, como a duplicação da Avenida Francisco Mota (que anuncia desde o século passado) e despoluição do rio Mossoró (do mesmo século).

150 milhões e avalanche de ordens de serviço

Difícil, contudo, que encontre algo mais surreal  do que levantou em sua primeira campanha eleitoral em 1988, contra o então deputado estadual Laíre Rosado (marido de sua aliada de hoje, vereadora Sandra Rosado-PSDB): prometeu fim da inflação que cumulativamente atingiu a 1.037,56% àquele ano no Brasil.

Com expectativa de ter R$ 150 milhões em empréstimo, tudo pode acontecer. Tecnicamente é pouco provável que possa concluir algum empreendimento em 2020, mas a enxurrada de ordens de serviços deve ser o forte na construção dessa narrativa. Em 2018, o enredo prometia mais de 65 obras. Agora, faça as contas…

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Categoria(s): Política / Reportagem Especial

Comentários

  1. Odemirton Filho diz:

    Meu caro: ainda bem que existe o “nosso Blog”. Infelizmente,
    em Mossoró, apenas dois ou três jornalistas têm “coragem”
    de mostrar os desacertos da administração municipal. Não
    existem “mitos”. Todo gestor público é passível de críticas e
    elogios.
    Avante!

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